Patentes Patéticas (nº. 57)

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Evitar acidentes de trânsito é importante. Usar fogos de artifício para tentar fazer isso é… patético. O californiano Harry Rudolph Rodrigues não deve ter percebido os riscos envolvidos nesse método ao inventar o Vehicular Impact Signaling Device [Dispositivo de Sinalização de Impacto Veicular]. O U.S. Patent Office também não, pois aprovou um pedido de patente para Continue reading “Patentes Patéticas (nº. 57)” »

>Intervenção Artística

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No começo de maio de 1889, Claude Monet estava quase acabando de pintar a paisagem acima quando um carvalho (seria aquele no topo do morro?) resolveu acintosamente brotar suas folhas durante a primavera. Em vez de simplesmente continuar a pintura sem as folhas (ou de acrescentá-las), Monet começou a pensar sobre como deveria proceder. Poucos dias depois, ele tomou a decisão de procurar o proprietário do terreno onde estava aquele carvalho insolente. No dia 9 de maio, ele escreveu em seu diário:
Estou felicísimo — a permissão para remover as folhas de meu (sic) belo carvalho foi graciosamente acordada! Foi um trabalhão trazer grandes escadas para esta ravina. Enfin, está pronto: dois homens tem se ocupado disso desde ontem. Não é uma façanha conseguir terminar uma paisagem invernal a essa altura do ano?

Seria, Monet — se tivesse sido natural.

>Patentes patéticas (nº. 31)

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O halloween está chegando e com ele, as abóboras esculpidas e iluminadas. Mas pra que desperdiçar comida para fazer um jack-o’-lantern quando pode haver uma alternativa mais limpa e tecnológica? Ou você nunca ouviu falar de abóboras de plástico? 
Talvez inspirado pelas árvores-de-natal artificiais, Jeffrey A. Chapman (de Phoenix, Arizona) criou e patenteou essa alternativa em 14 de março de 1995. A linguagem do resumo da patente é tão pateticamente artificial quanto a invenção que descreve:
A invenção está no campo dos itens de cavidade tridimensional e sua manufatura. Particularmente, itens como abóboras artificiais que o consumidor deseja esculpir ou alterar após a compra. Aqui se expõe uma novidade em termos de artigos moldáveis, como uma abóbora de Hallo-ween artificial, composta de uma casca de poliuretano cercando substancialmente (sic) um volume interior e com uma tênue cobertura elastomérica, como um acrílico, na superfície externa da casca. O artigo escavável pode ser formado por um processo inventivo no qual a espuma de material poliuretano, sendo uma matéria com uma densidade nominal de cerca de 2,5-3,0 libras por pés cúbicos, é borrifada de um bico rotativo a partir do interior de um molde. Após a separação do artigo de espuma poliuretana e o molde, o produto é coberto com uma cobertura elastomérica, como um material acrílico que é aplicado como líquido. Assim, os inventivos artigos, incluindo aqueles feitos de acordo com o processo inventivo, pode ser usado como um um item oco tridimensional inovador em várias formas. Adicionalmente, o artigo inventado, como as abóboras de Halloween (sic) são moldáveis, reutilizáveis e podem ser usadas com uma fonte de luz.

Entre as justificativas registradas na patente nº. 5.397.609, Mr. Chapman afirmou que, “embora sejam úteis para exposição” as lanternas de Halloween artificiais da concorrência são “tipicamente feitas de papel, cerâmica, plástico fino e macio”. Por isso mesmo, “não são adequadas à modelagem ou seguras para o uso com lâmpadas.” Um de seus objetivos é justamente esse de “honrar a festiva tradição de moldar abóboras”.

No entanto, o tradicionalismo do inventor do Arizona para por aí. Segundo ele, o problema com as abóboras que se compram na quitanda é que elas são “percíveis e, portanto, apodrecem após um tempo.” Mr. Chapman também considera o mau-cheiro e a bagunça criadas pelo uso da alternativa natural. Talvez ele simplesmente não goste de abóboras e, no fundo, nem do Halloween que tanto afirma defender.

>Formulário de amor

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“Todas as cartas de amor são ridículas”, como escreveu certa vez Fernando Pessoa, na pessoa de Álvaro de Campos. Formulários de amor, então, devem ser mais ridículos ainda, por serem burocraticamente frios em vez de serem melosos e assumidamente ridículos. 
De saco cheio com o excessivo zelo dos censores durante a I Guerra Mundial, um soldado anônimo teve a ideia da seguinte “carta de amor pré-formatada” para uso das tropas britânicas. Bastava riscar todas as palavras, com exceção das escolhidas (obviamente, foi necessário fazer algumas adaptações para a língua portuguesa):
No Campo

__/__/1917

Minha (cara / querida / amada)

Eu não posso escrever muito hoje pois estou bastante (sobrecarregado / ocupado / cansado / preguiçoso) e o(s) (CORPS / G.O.C. / G.S.O.I. / A.A. & Q.M.G. / HUN) está(ão) atuando de forma intensa.

As coisas no nosso caminho estão indo (bastante bem / como sempre / pas mal [sic])

(Nós / Os tedescos) apresentamos um belo espetáculo (ontem / na noite passada) com (completo / tolerável / nenhum) sucesso.

(Nossa / A Russa / A Italiana / A Montenegrina / A Monagasca / A Norte-americana / A Brasileira / A Panamenha / A Boliviana / A Francesa / A Belga / A Sérvia / A Romena / A Portuguesa / A Japonesa / A Cubana / A Chinesa) ofensiva parece estar avançando bem.

A ofensiva Alemã é (obviamente / aparentemente / assim espero) um fracasso completo.

Eu estou mesmo começando a pensar que esta guerra vai acabar (neste ano / no ano que vem / daqui a algum tempo / nunca).

(O) (As) (moscas / rações / clima) (é / são) (vil / execrável / mais do mesmo).

O _______________ está (alegre / triste / lânguido / bastante ferido / de licença).

Agora estamos vivendo em um(a) (chateau [sic] / fazenda arruinada / barracão / trincheira).

Eu estou (esperando para breve / quase pronto para / atrasado para / fora da fila para) a licença, que agora está sendo (permitida / negada).

Eu estou sofrendo de um (leve / sério) (pavor / choque pós-guerra / ferimento _____________) [“Ou cite a doença. Se a sentença for inteiramente riscada, o escritor pode estar presumivelmente bem ou ter falecido”]

(_______________ / a esposa de ______________) acaba de (mandar-lhe / presentear-lhe com) __________________.

O que eu mais gostaria é ________________________.

Muito obrigado por seu(sua) (carta / pacote / boas intenções).

Como nossos(as) (animais domésticos (inclusive vacas) / batatas / crianças) estão indo?

Eu espero que você esteja (bem / melhor / resistindo / economizando dinheiro / relacionando-se melhor com a mãe).

[Insira aqui suas expressões de afeto — NÃO ULTRAPASSE DE DEZ PALAVRAS]: ___________________________________________

Sempre __________________,

XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX

>Patentes patéticas (nº. 16)

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Frustrado com os intertítulos irritantemente intermitentes usados para apresentar as falas nos filmes do cinema mudo, Charles Pidgin teve um sopro de inspiração em 1917. Seria muito melhor se, durante a atuação, os atores inflassem balões nos quais suas falas estariam impressas. “O ato de soprar ou inflar os balões pelos vários personagens de uma foto-peça [sic] irá adicionar palavras que parecem sair da boca dos atores ao realismo da imagem”, justificava Pidgin. 
Soprando o texto: A: “Você já fez isso antes”; B: “Eu nunca a amei”; C: “Oh! A fraude”
Mais que isso: “o tamanho do discurso pode ser desenvolvido com o desenvolvimento [sic] das emoções mostradas na tela.” Também havia outros prós: o sistema seria barato e os atores não precisariam mais decorar os textos (mas talvez precisassem ter mais fôlego). Se tivesse conhecido a ideia, é provável que o próprio Thomas Edison a aprovasse. 
Seria um estouro.

>Radialismo FAIL!

>Morre Lombardi. Perde-se o locutor mas não se perdem piadas do tipo:

A morte foi atrás do Silvio e ele disse: “É com você, Lombardi, oeê!”.

Infame mesmo foi a “homenagem” prestada por um locutor da rádio Gravatá ao informar seus ouvintes da morte da voz do SBT. Utilizando-se de um apurado faro jornalístico e da sofisticada técnica da “recortagem virtual” — num oferecimento da agência de notícias Gillete-Press —, o colega de trabalho do Lombardi simplesmente usou a “Descipédia” (sic) como fonte.

Para quem está boiando — se é que isso é possível —, a Desciclopédia é uma hilária paródia da Wikipédia. Mas o experiente locutor não soube distingui-las e certamente clicou no primeiro link que achou.
Apuração é trabalho para os fracos.
Uma prova viva de que o diploma de jornalismo é desnecessário.
Esse locutor é um Sedentário mesmo…

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