Rothamsted, berço da agricultura moderna

Rothamsted Manor [Mansão], em aquarela de Caroline Lawes. c. 1880.
Se a questão da fome no mundo é algo que lhe preocupa, é bom lembrar que a Química criou condições para alimentar (quase) todos os bilhões de habitantes do planeta já no século XIX. O que pode ser chamado de primeira Revolução Verde começou com a pesquisa e o desenvolvimento de fertilizantes sintéticos num lugar chamado Rothamsted. Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 106)

Pessoas comuns carregam seus telefones celulares no bolso ou na bolsa. Se prefere ser clássico, você o leva naquele pequeno suporte de couro preso ao cinto. Se for mais ousado, talvez use um cinto (ou coleira) de utilidades. Mas e se você quiser ostentar e ainda ter estilo de super-herói? Não tema! Este é um trabalho para Marcus e Franco Caldana e seu Device for the quick and easy use of a small size cellular telephone [Dispositivo para uso rápido e simples de um telefone celular de tamanho pequeno], no qual Continue lendo…
Galãs de rapina

Tenho considerado profundamente o projeto desses nossos Dédalos modernos e estou a desencorajá-los e a impedir que qualquer pessoa voe em minha época. [O voo] encheria o mundo com incontáveis imoralidades, e daria ocasiões a intrigas, já que é difícil para as pessoas se encontrar com alguém quando não tem nada além das pernas para levá-las. Você veria um casal de amantes em um compromisso no topo de um monumento e a cúpula d[a catedral d]e St. Paul seria coberta feito um pombal de ambos os sexos. Nada seria mais frequente do que um beau [bonitão] voando janela do sótão adentro ou um galã a atazanar sua senhora num jogo de gavião e andorinha. Não haveria passeio em um bosque que dá sombra sem ter que se desviar dos brindes dos bandos empoleirados. O pobre marido não teria a mínima ideia do que se passaria quando estivesse fora de casa. Se ele fosse desconfiado, poderia até prender as asas de sua esposa, mas do que isto adiantaria com revoadas de garanhões esvoaçando ao redor de sua casa? Que angústias constantes não teria um pai de família se sua filha é que estivesse com as asas? — Joseph Addison, em artigo no “The Guardian” de 20 de julho de 1713.
Ensaísta, poeta, dramaturgo e político, Joseph Addison (1672-1719) é hoje mais lembrado como um dos pioneiros do jornalismo britânico. Em associação com o escritor e político irlandês Richard Steele (1672-1729), Addison foi fundador de The Spectator (1711-1712), publicação que, apesar de diária, é considerada uma das primeiras revistas modernas pela variedade de assuntos abordados. Após o fim do Spectator, Addison lançou outro diário, o Guardian, que sobreviveu poucos meses: março a outubro de 1713. Tanto o Guardian quanto o Spectator do século XVIII não têm qualquer relação com as publicações homônimas que ainda existem na Grã-Bretanha.
A gravura acima representa uma máquina de Besnier. Pouco se sabe sobre o ferreiro francês com esse nome, considerado por alguns um pioneiro da aviação. O que se sabe é que ele construiu essas barras aladas por volta de 1678. O funcionamento seria mais ou menos como o nado livre: mão direita pra cima, perna esquerda pra baixo, e vice-versa, bem depressa.
Besnier foi voando aos poucos: primeiro pulou de uma cadeira, depois de uma mesa, depois de uma janela, depois de uma janela do primeiro andar e finalmente de um sótão. No último caso, ele chegou a planar até o telhado de uma cabana próxima. Seu relativo sucesso — que pode ter chegado aos ouvidos de Addison — lhe garantiu o que teria sido a primeira venda aeronáutica da História: um par de suas barras aladas para um membro de uma trupe circense. O ferreiro voador planejava atravessar um rio relativamente largo por via aérea, mas não se sabe se cumpriu o feito. É possível que não. Mesmo que tenha tentado, é provável que tenha se ferido gravemente ou mesmo morrido na tentativa.
Patentes Patéticas (nº. 103)
“Como o Chuck Norris amacia carnes?” “Com explosivos!”. A piada não tem a menor graça — especialmente após uma semana bem explosiva para os americanos — porque o Chuck não precisa amaciar nada. Mas para John B. Long, não é uma simples piada sem-graça; é um método de Tenderizing Meat [Amaciar Carne] devidamente patenteado: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 102)
Enquanto todo mundo se preocupa com a proteção (ou falta de) contra radiação, a pressão psicológica ou como lidar com as necessidades fisiológicas de astronautas em longas missões espaciais, Richard F. Haines andava preocupado com o corte de cabelo no espaço sideral. Haines é o criador do Grooming aid for collecting debris [algo como Apoio para coleta de restos de embelezamento]: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 100) (agora sim)
Você sente que precisa de mais segurança ao andar por aí com seu telefone celular? Mas você acha que carregar uma arma de fogo seria muito desconfortável ou mesmo muito perigoso? Seu sonho de infância era ser o 007?
O sonho de Ken Grove deve ter sido este. Ou então ele andou vendo muitos filmes do elegante agente secreto britânico antes de ter um estalo. É dele a ideia de um Electronic Device with Concealed Firearm System [Dispositivo Eletrônico com Sistema de Arma-de-Fogo Oculto]: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 100) (não, péra…)
Telefone celular (ou telemóvel para os lusos): OK. Tablet: OK. Carregadores de baterias: OK. Garrafinha de água: OK. Carteira: OK. Bolsos: não dá. Se você já enche seus bolsos (inclusive o do boné), como vai aindar por aí com sua parafernália tecnológica e manter-se on-line? Convenhamos, carregar celulares e tablets nas mãos não é confortável nem seguro. Pior, eles acabam ficando sujos e manchados. E podem até acabar arranhados. E, com duas mãos ocupadas (e talvez algumas sacolas), vai ser difícil se manter hidratado e postar aquela foto do gole d’água no Instagram. Como proceder?
Comprar uma bolsa ou mochila seria a resposta mais simples, mas não para Clerence Thomas. Ele prefere um cinto de utilidades (dois, aliás) e recomenda o seu Neck wrap/brace for holding items and belt article holder for same [Envoltório de pescoço/cinta para segurar itens e artigo de cinta de suporte para o mesmo], que o mesmo descreve de modo redundantemente bem claro: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 99)
A senhora precisa secar os cabelos, mas está sem eletricidade? Ou então seu secador está queimado ou sem baterias? E tudo o que a senhora tem à mão, além de um secador de cabelo elétrico inútil, é um par de pilhas e um isqueiro? A senhora, por acaso, é casada com o McGyver? Pois se não for, não precisa ser. Basta passar no camelô mais próximo. Graças a Akinobu Fujiwara e seu Gas Combustion Type Hair Drier [Secador de Cabelos do Tipo Combustão a Gás]: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 91)
Dos filmes clássicos de fantasia ou ficção científica a uma infame propaganda de cerveja, um velho sonho humano se mantém constante: a invisibilidade. Embora alguns digam que há grandes avanços recentes nas pesquisas sobre a condição translúcida, não é de hoje que se tenta criar uma “capa de invisibilidade”. Meio que alquimicamente, muitos inventores já se debruçaram sobre o problema. Com a promessa de rios de dinheiro e fama imortal, não foram poucos os que chegaram a patentear seus planos infalíveis invisíveis.
Richard N. Schowengerdt foi um desses. Sua técnica para não ser visto foi registrada com o nome de “Cloaking system using optoelectronically controlled camouflage” [“Sistema de ocultação usando camuflagem optoeletronicamente controlada”]. O resumo da patente é tão pomposo quando o título: Continue lendo…
Condicionamento celular: Pavlov ataca novamente!
Quando ocorre alguma rebelião, é comum que dezenas de rebeldes sem causa sejam levados à prisão, com o objetivo de serem socialmente reeducados. Isso, claro, nem sempre funciona para populações humanas. Mas o que fazer quando há uma rebelião celular? Não dá pra prender células desordeiras (nem descer o cacete nelas), mas ainda é possível reeducá-las. Essa é a descoberta de um grupo de cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne (EPFL), na Suíça. Continue lendo…



É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.