>O futuro, segundo uma cabeça falante (1987)

>

A matéria de capa da OMNI Magazine — então uma importante revista americana de ciência e ficção científica — no distante mês de janeiro de 1987 era um tanto clichê: “14 great minds predict the future” [14 grandes mentes preveem o futuro]. A OMNI perguntou a pessoas que então eram importantes, nos mais diferentes campos, o que a humanidade podia aguardar para 2007. Houve, previsivelmente, previsões sobre um pouco de tudo: da paz no Oriente Médio à TV em 3D.

Hoje, uma das mais interessantes, por seu tom pessimista e por seu tremendo equívoco tecnológico é a que foi feita por David Byrne. Ao olhar para sua bola de cristal e escrever sobre o futuro da arte, da televisão e do pop, o vocalista e compositor do Talking Heads viu um futuro um tanto conservador, no qual os computadores nunca seriam capazes de auxiliar artistas em seu processo criativo. Um excerto da sua previsão para a OMNI é o que segue:

David Byrne, vocalista, Talking Heads
Eu não acho que os computadores terão qualquer efeito importante nas artes em 2007. Quando se trata de artes, eles são apenas grandes ou pequenas calculadoras. E se eles não podem “pensar”, isto é tudo que sempre serão. Eles podem ajudar pessoas criativas com a organização de seus livros, mas eles não vão ajudar no processo criativo.
A revolução do vídeo, porém, terá algum verdadeiro impacto nas artes dos próximos 20 anos. Aliás, já teve. Por que o tempo de atenção das pessoas está se tornando cada vez menor e mais ficção e drama serão feitos pela televisão, que é um meio perfeito para isso. Mas eu não acho que qualquer coisa será extinta; os livros continuarão lá; tudo encontrará seu lugar.
Canais para a arte, no mercado e na televisão, vão se espalhar e se multiplicar. Até mesmo as três grandes redes de TV [aberta dos EUA: ABC, CBS e NBC] vão apresentar uma programação mais especializada para atrair grupos de interesse específicos. As redes serão libertadas da necessidade de tentar agradar todo mundo, o que elas fazem agora e inevitavelmente acabam com uma atração tão estúpida que não agrada a ninguém. Obviamente, essa multiplicação de canais irá beneficiar as artes.
Eu não acho que veremos a arte participativa que tantas pessoas preveem. Alguns usarão novos equipamentos para fazer arte, mas serão as mesmas pessoas que estariam fazendo arte de alguma forma. E eu ainda penso definitivamente que o público em geral estará interessado na arte que um dia foi considerada avant-garde.
Evidentemente, nem tudo o que Byrne disse sobre 2007 saiu errado. Seu parágrafo sobre a revolução do vídeo e da acomodação entre novas e velhas mídias mostrou-se bastante correto nos vinte anos que o seguiram. A fragmentação das audiências na TV também está basicamente correta, embora isso tenha acontecido mais na TV por assinatura (ou por causa dela) do que nas redes abertas, sejam elas grandes ou pequenas. Seu maior erro, porém, foi sua desconfiança em relação aos computadores enquanto ferramentas criativas — mas talvez ele não pudesse prever o impacto da então nascente rede mundial de computadores e da emergência de uma cultura globalizada e virtual que veio de brinde, com seus memes, seus videos no YouTube e suas redes sociais.

>A tirinha mais geek EVER!

>

Geek Level: it’s over 8.000!!1!!11

>HDTV é isso

>

hdtv

>A verdade por trás de um reality-show

>

reality

>O Paradoxo do Cara da TV a Cabo

>

Bem, você está cansado de ver TV aberta nos fins de semana e tem alguma grana sobrando.  (Digo você por que a parte da grana sobrando não é o meu caso. Mas dizia eu que a paradoxo…) Então você liga para alguma operadora de TV a cabo (ou por satélite, dá no mesmo) e pede a instalação de um ponto em sua casa. Ficou combinado que o Cara da TV a Cabo virá amanhã entre as 8 da manhã e as 4 da tarde. Vamos apostar se ele vem de manhã ou à tarde.
Os dois períodos têm quatro horas de duração, então parece racional tratar as possibilidades como equivalentes, isto é, 50-50%. Mas suponha que você apostou que o Cara da TV a Cabo viria de manhã. No momento em que o relógio passar das 08h00, o período da manhã começará a se esgotar, diminuindo suas chances e tornando a tarde cada vez mais preferível. Assim, o paradoxo é que o seu “eu” atual considera as duas eventualidades como igualmente possíveis, mas para o seu “eu” do futuro isso não é racional, pois as possibilidades são diferentes. Isso afeta a decisão que você toma agora?

>Critérios de Noticiabilidade na prática

>

Ou: como transformar uma má notícia em algo bom.

noticiabilidade

>O argumento de House

>house

>Em memória do videocassete

>

VCR
O artigo que segue é a tradução de um excelente texto publicado no Retrothing que mostra como a morte do videocassete — algo tão desejado pelas redes de TV e distribuidoras de cinema — acabou levando à queda de audiência generalizada e ao declínio do poder (mas não da arrogância) das grandes empresas de mídia. 


Eu sinto saudades do meu VCR [Gravador Videocassete]. Ele ainda está lá, debaixo da TV da sala, mas só foi usado uma vez este ano. O motivo é simples — ele não grava os modernos sinais em Alta Definição, o que o torna absolutamente inútil. Como pai de uma criança pequena eu costumava gravar bastante.
Eu sei que poderia comprar um TiVo, mas estou relutante em assinar por mais um serviço com pagamento mensal. E os gravadores de Blu-ray ainda não pegaram, graças aos milhares de dólares em suas etiquetas de preço. Isso me deixa com poucas opções (e não, eu não quero a “diversão” de manter e consertar um media center [computador ligado a um home theather] que teria que trabalhar impecavelmente para manter minha família feliz).
A solução aqui em casa foi bastante simples. Desde que não podemos mais gravar, passamos a deixar de assistir alguns episódios. E, algum tempo depois, nos pegamos passando sem programas inteiros. Chegamos ao ponto em que percebemos, logo após o Natal, que nós já não assistíamos mais TV nenhuma. Daí nós cancelamos nosso serviço por satélite.
As companhias de mídia finalmente conseguiram remover o botão REC da sala de visitas, algo que elas perseguiam desde a aurora da gravação doméstica. Elas estão muito felizes em oferecer uma grade à la carte a preços exorbitantes — honestamente, quem, em sã consciência, acredita que um simples episódio de House com 40 minutos de duração vale US$ 3,49 [pouco mais de R$ 6,00]? Eu peguei um punhado de episódios no iTunes, mas é muito caro fazer isso regularmente.
Então nós passamos sem nada. Ao dificultar a gravação de shows, as grandes redes de TV aberta e a cabo transformaram seus produtos em algo tão inoportuno e tão caro que as pessoas simplesmente estão procurando entretenimento alhures.
Ex-telespectadores estão se aventurando em cinemas 3D, visitando feiras de ciências, aprendendo novos hobbies, explorando sites como esse aqui e passando mais tempo descobrindo bandas estranhas no You Tube.
Ironicamente, os impérios midiáticos são orgulhosos demais para perceber o que fizeram. Eles botam a culpa da queda da audiência na pirataria e na infração dos direitos autorais, não em seus próprios equívocos. Agora, com licença, eu vou me divertir num passeio de bike
O artigo se aplica muitíssimo bem à realidade brasileira, exceto pelas alternativas como o cinema 3D e as feiras de ciências, praticamente inexistentes no país.
Se gravadores de Blu-ray e home-theathers já são caros por lá, imagine por aqui, onde ainda há  milhões de brasileiros analfabetos analógicos e digitais, que não têm alternativa ao humor do Zorra Total, por exemplo. A coisa piora se levarmos em conta que aqui não temos “canais B” que só passam reprises para quem não viu (ou não pôde ver, muito menos gravar) aquela estréia ou aquele jogo ao vivo.
Aliás, no Brasil as redes de TV nem respeitam os fusos horários. Todas as grades são baseadas no horário de Rio e São Paulo Brasília. Em vez de seguirem as peculiaridades de cada região, inclusive as horárias, as emissoras conseguiram acabar com o fuso horário da Amazônia Ocidental (Acre e leste do Amazonas). E seguem com sucesso as campanhas contra a pirataria num país onde os produtos culturais originais têm um preço altíssimo…

>Fala que eu desmonto!

>

Wagner Montes apresenta o Balanço Geral na TV Record do Rio de Janeiro. Parece que as sessões de descarrego não funcionam e ele anda balançando demais:

Não liga não, seu Pedir Maiscedo Edir Macedo. Não é nada que você possa fazer uma mega-campanha de arrecadação na Universal pra comprar dois parafusos abençoados.
Pra quem não sabe, o Wagner Montes teve a perna direita amputada após um acidente de moto em 1981.

Como era de se esperar, ele não tem diploma. Montes também atua na política — onde, afinal, não se precisa de diploma — e é deputado estadual no Rio pelo partido do Brizolla PDT desde 2007. É cotado como candidato ao governo do Estado nas eleições deste ano. Imaginem o que ele vai ser capaz de fazer com esse comportamento infantil quando chegar ao Palácio das Laranjeiras…

E ainda tem fluminense que não sabe por que o seu querido Rio de Janeiro só dá pra trás. Tem povo que é cego!
PS: a gente nem precisa fazer campanha a favor do diploma de jornalista. O desempenho, a seriedade, a isenção e o sensacionalismo dos sem-diploma já são argumentos suficientes a nosso favor.

>O Toque de um Ateu

>

Paródia da série “O Toque de um Anjo”. A desconversão de um crente no leito de morte feita pelo grande humorista (e ateu) George Carlin. O quadro foi veiculado pela MAD TV, a versão televisiva da divertidíssima — e ácida — revista MAD.
Para quem não sabe, Carlin foi o primeiro comediante norte-americano a falar palavrões na TV, no começo dos anos 70. Mesmo após os liberais anos 60, boa parte do pudico público americano ficou chocada. Carlin foi julgado — e, dado os motivos do julgamento, ele também teve que falar palavrões num tribunal — e acabou preso, por alguns meses, por causa dessa polêmica hipócrita. Graças a ele, porém, é que surgiram seriados e humorísticos “da pesada” como South Park.
Infelizmente, Carlin morreu no ano passado, vítima de câncer.

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM