Contos Traduzidos — “Os Artefatos de Issahar”
Não deve ser difícil escrever uma história sobre um astronauta solitário e perdido ou criar um mistério arqueológico. Mas juntar os dois enredos banais em um conto com densidade psicológica é algo mais complicado. Um autor obscuro, Jesse Bone, conseguiu o feito e o resultado é Os Artefatos de Issahar. Publicado originalmente em 1960 na Amazing Science Fiction Stories, esse conto é o que sobrou do diário de um biólogo-espaçonauta que acaba naufragando em um planeta desconhecido, porém surpreendentemente acolhedor e aparentemente sem vida.
Mas como era de se esperar em um planeta onde um ser humano pode sobreviver, a ausência de vida está apenas nas aparências. Ou será que o suposto ser vivo ameaçador não seria uma criação da mente de alguém “incomensuravelmente perdido”? O que quer que seja, aquilo que foi escrito na tentativa desesperada de aliviar uma paranoia crescente acaba se transformando na maior relíquia arqueológica para os seres daquele planeta misterioso. Sem saber, nosso anônimo astronauta acaba se tornando um deus.
>Soneto ao Nada
>Poema de Richard Porson, publicado na edição de 4 de março de 1814 do Morning Chronicle:
Misterioso Nada! Como hei-de mostrar
Vosso infome, infundado, ilocável vazio?
Nem forma, nem cor, nem som, nem tamanho traz.
Nem palavras ou dedos podem expressar vosso vozerio.Mas embora não possamos vos comparar a algures,
Um milhar de coisas a vós podem se assemelhar.
E embora vós não estais com ninguém em nenhures,
Ainda assim, metade da Humanidade está a vos adorar.Quantos volumes vossa história contém!
Quantas cabeças perseguem vossos poderosos ímpetos!
Quantas mãos laboriosas apenas uma porção de vós retém!
Quantos corpos se ocupam apenas com vossos projetos!Os grandes, os orgulhosos, os vertiginosos, nada há-de dominar
E tudo — como meu soneto — em nada vai terminar.
>Literatura Médica
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O lânguido estômago amaldiçoa até mesmo
A deliciosa gordura e todas as raças de óleo
Pois quanto mais oleoso, o alimento relaxa
Seu débil tônus. E a voraz linfa
(Doida para se incorporar em tudo que encontra)
Recatadamente ele mistura. E evita com escorregadias artimanhas
O cortejado abraço. Esse insolúvel óleo
Tão gentil, lento e lisonjeiro, em fluxos
De bile rançosa se esparrama: Quanto tumulto causa,
Quantos horrores levanta são nauseante para relatar.
Escolhei mantimentos enxutos, ó vós de jovial feitio!
>Dr. Filmer, o advogado das bruxas
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De um certo Filmer, advogado de defesa de bruxas na Inglaterra, diz-se que ele fez a engenhosa defesa que segue. Suas clientes foram acusadas, como de costume, de serem cúmplices [accessory] do demônio. Sob a commom law não pode haver cúmplice a não ser que haja um líder [principal] e nenhum cúmplice pode ser condenado a não ser que o líder seja condenado. Pois se o líder for absolvido, não há culpa principal [principal guilty] e assim não pode haver culpa por associação [accessory guilty]. Consequentemente, até que o líder seja condenado, os cúmplices não podem ser julgados.
Tomando vantagem dessa situação legal, Filmer arguiu que suas clientes não poderiam ir a julgamento até que seu suposto líder fosse julgado e condenado. E como isso poderia ser feito? Somente de acordo com a lei do país. Em primeiro lugar, como o demônio poderia ser intimado? O oficial de justiça encarregado seria obrigado ou ir até o diabo e intimá-lo pessoalmente ou, se isso não for possível, a deixar uma cópia da intimação por escrito no local de residência do demandado. Embora os amigos e admiradores do oficial de justiça possam aconselhá-lo a cumprir sua obrigação de ambas as formas de vez em quando, a aplicação prática de tal conselho seria uma impossibilidade [neste caso]. Ainda assim, supondo que o demandado fosse adequadamente intimado, ele teria direito a um julgamento por um júri formado pelos seus pares [por seus iguais; peers no original]. Mas Sua Majestade Satânica não tem pares ou, mesmo que tivesse, eles certamente o julgariam de forma conivente e certamente acabariam por absolvê-lo. Portanto, quaisquer que sejam as condições, como poderiam ser julgadas as suas cúmplices? — H. C. Shurtleff, “The Grotesque in Law” [“O Grotesco no Direito”], artigo publicado na American Law Review [Revista Americana de Direito], Janeiro-Fevereiro de 1920
>Contos Traduzidos: “As duas faces de Hargraves”
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>A Rede Social (1982)
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Continuou a ser a líder do mercado norte-americano, chegando a ter cerca de 3 milhões de assinantes, até meados da década de 1990, quando sua cobrança por hora começou a ser detonada pelos pagamentos mensais (e os clássicos CDs de instalação) da America Online.
Ironicamente, a CIS foi adquirida em 1998 por sua maior concorrente, a própria AOL. Embora o serviço de acesso Compuserve Classic tenha sido descontinuado em 2009, ainda é possível ter um e-mail @compuserve.com ou @cs.com. Mais informações na página da própria Compuserve, que ainda existe!
>99, 100 e contando…
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Nomes dos Elementos 99 e 100Dois grandes cientistas que faleceram durante o último ano, Albert Einstein e Enrico Fermi, foram homenageados com o batismo dos elementos 99 einsteinium e 100 fermium. O símbolo para einstenium é um simples E e o do fermium, Fm. Agora todos os elementos descobertos foram nomeados, uma vez que o 101 já havia sido chamado mendelevium, em memória do russo D. Mendeleev, que anunciou o sistema periódico dos elementos em 1869. — Popular Mechanics, dezembro de 1955
>Mini-Holmes
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Com apenas 503 palavras (em inglês e 469 nesta tradução que eu fiz), o conto a seguir é a mais curta história de Sherlock Holmes escrita por Arthur Conan Doyle (1859-1930). O miniconto foi feito para ser publicado em um minilivro de 1,5 polegada [3,81 cm] de altura e que seria parte da biblioteca de uma casa de bonecas da Rainha Mary (1867-1953), esposa de George V (1865-1936, regnabat 1910-1936):
Como Watson aprendeu o truque
Watson estava observando intensamente seu companheiro desde que ele havia se sentado à mesa do café-da-manhã. Casualmente, Holmes levantou seus olhos e viu-o:
— Bem, Watson, você está pensando no quê?
— Em você.
— Em mim?
— Sim, Holmes. Pensava em quão superficiais são esses seus truques e como é incrível que o público continue a mostrar interesse neles.
— Eu concordo deveras. De fato, me lembro de uma vez em que fiz uma observação similar.
— Seus métodos — disse Watson secamente — se adquirem com muita facilidade.
— Sem dúvida — Holmes respondeu com um sorriso —. Talvez você mesmo queira dar um exemplo desse método de raciocínio.
— Com prazer. Eu sou capaz de dizer que você estava bastante preocupado quando acordou hoje cedo.
— Excelente! — exclamou Holmes — E como pôde saber disso?
— Porque você geralmente é um homem muito organizado, mas até agora se esqueceu de fazer a barba.
— Meu caro! Quanta sagacidade! Eu não tinha ideia, Watson, de que você seria tão bom aluno. Seus olhos de águia detectaram algo mais?
— Sim, Holmes. Você tem um cliente chamado Barlow e não tem sido bem-sucedido nesse caso.
— Meu caro, como você percebeu isso?
— Eu vi o nome fora do envelope. Quando você o abriu, soltou um gemido e guardou-o no bolso com o cenho franzido.
— Admirável! Você é mesmo um bom observador. Tem mais algum ponto?
— Eu receio, Holmes, que você esteja envolvido em alguma especulação financeira.
— Como pode afirmar isso, Watson?
— Você abriu o jornal, pulou para a página de finanças e soltou uma exclamação de interesse em voz alta.
— Bem, isso é muito sagaz de sua parte, Watson. Algo mais?
— Sim, Holmes. Você vestiu seu casaco preto e não o seu robe, o que significa que você está esperando alguma visita importante.
— Nada mais?
— Eu não tenho dúvida de que poderia apresentar outros pontos, Holmes. Mas só lhe dou esses poucos para mostrar-lhe que há outras pessoas no mundo que são tão espertas quanto você.
— E algumas nem tanto. Eu admito que são poucas, mas receio, meu caro Watson, que eu não devo contar você entre elas.
— O que quer dizer, Holmes?
— Bem, meu caro colega, receio que suas deduções não sejam tão felizes quanto eu gostaria.
— Quer dizer que estou enganado?
— É mais ou menos isso, eu acho. Vamos por as coisas em ordem: eu não fiz a barba porque mandei a lâmina para ser afiada; vesti meu casaco em lugar do robe porque, por azar, tenho um encontro matutino com o dentista. O nome dele é Barlow e a carta veio para confirmar o compromisso. A página de críquete fica bem ao lado da financeira e eu procurava saber se Surrey ainda está à frente de Kent. Mas vá em frente, Watson, vá em frente! É um truque bastante superficial e sem dúvida você irá adquiri-lo logo.
>Créditos Finais Sem Fim
>
Devo muito ao Prof. Riesz pela tradução do presente trabalho.
Ainda devo ao Prof. Riesz pela tradução da nota anterior.Ainda devo ao Prof. Riesz pela tradução da nota anterior.










É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.