Patentes Patéticas (nº. 105)

 

Como já vimos anteriormente, por dezenas e dezenas de vezes, diversos inventores parecem ter sido profundamente influenciados pela ACME, a infame fabricante de acessórios catastroficamente inúteis das animações da Warner Bros. Nenhum deles, porém, teve a cara-de-pau de admitir isso em uma patente. Até agora. Essa honra duvidosa cabe a John Clark Buell e Troy Nicholas Nowell, criadores do Weed cutting golf club [Taco de golfe cortador de ervas]: Continue lendo…

Ruínas Plantadas

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O Romantismo Medievalista sem dúvida vai confundir futuros arqueólogos (especialmente aqueles que faltaram às aulas de literatura). O primeiro Conde de Hardwicke, Philip Yorke (1690-1764), encomendou apenas um castelo medieval em ruínas para decorar os jardins de Wimpole Hall, sua propriedade rural próxima a Cambridge. Amigo do conde, Lorde Lyttleton (1709-1773) descreveu assim o projeto ao arquiteto Sanderson Miller (1716-1780):

Ele não deseja [ter] uma Casa ou mesmo uma Sala, mas apenas algumas Paredes e a Silhueta de um Velho Castelo como objeto para sua propriedade. No máximo, o que ele quer é uma escada espiralada até o topo de uma das Torres e uma meia galeria próximo dela. Ele [o castelo] terá um belo bosque nos fundos e ficará sobre uma Colina a uma distância apropriada da Residência. Ousei propor que você desenhasse um para sua Lordeza que fosse apropriado aos seus Propósitos. [...] Sei que um trabalho desses seria uma Diversão para vós.

Sanderson deve ter se divertido bastante, pois acabaria considerado como “um grande mestre do gótico” na arquitetura inglesa.

Para piorar a possível confusão cronológica, Mr. Yorke (que foi Lord Chancellor entre 1736 e 1757) encomendou sua pseudo-ruína em 1750 — praticamente meio século antes do surgimento do Romantismo Medievalista. Ou talvez o próprio conde tenha, mesmo que inconscientemente, criado as condições para o Romantismo Medievalista: mais de 30 castelos e abadias “arruinados” apareceram nas paisagens e jardins ingleses na segunda metade do século XVIII.

Mas e se a ideia de Yorke já tivesse sido pensada antes? Será que os arqueólogos contemporâneos já teriam sido trollados por ruínas plantadas por razões puramente estéticas?

Efeito Túnel

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Em 1975, o muralista americano Warren Edward Johnson — nome artístico Blue Sky — pintou Tunnelvision (acima) na parede do Federal Land Bank em Colúmbia, na Carolina do Sul. “A ideia para Tunnelvision veio em um sonho.”, explica o artista. “Eu acordei cedo em uma manhã e simplesmente esbocei-o. Eu já havia visto a parede, já havia sentado [diante dela] e a estudara por horas, à espera de ver algo diante dos meus olhos, mas nada aparecia. E numa manhã eu acordei e estava lá… Eis porque a chamo Tunnelvision. Porque era uma visão em um sonho.” Realmente, é de um efeito impressionante, mas deve funcionar melhor ao cair da noite. Ainda assim, há quem diga que diversos motoristas embriagados tentaram entrar no túnel de Blue Sky. Talvez o equívoco dos motoristas seja mais uma lenda urbana.

http://www.hans-peter-reuter.de/raum/ri/rit-2.htm

Não menos lendária é uma das obras da exposição de arte moderna documenta 6, realizada em Kassel, na Alemanha (então Ocidental) em 1977. Nela os visitantes encontravam um túnel completamente coberto de azulejos azuis que, segundo os guias, os levaria ao ar livre. Ávidos por uma experiência pós-moderna (ou por sair do recinto), os visitantes entravam pelo túnel e percorriam 14 metros antes de subir quatro degraus e… dar com a cara em um óleo-sobre-tela habilmente pintado pelo artista Hans Peter Reuter.

Saturno Troll

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Na noite de 25 de abril de 1889, por volta das 8:30, eu estava examinando Saturno com uma potência de cerca de 180 em um [telescópio] Brashear acromático de 4 polegadas e 1/8, quando, para minha grande surpresa, percebi que a sombra do globo sobre os anéis estava curvada de maneira errada, i.e., partindo do globo, como mostra o desenho. Pensando que meus olhos estivessem enganados, chamei minha esposa e, sem contar-lhe o que vi, pedi-lhe que me descrevesse a forma da sombra. Ela a descreveu como tendo sua extremidade direita curvada para fora do planeta.saturno-sombra

Escrevi sobre isso ao Professor Comstock, do Washburn Observatory e ele me informou que, embora seja incomum, minha observação de Saturno estava longe de ser inédita. A mesma aparência fora observada em 1875 com um acromático de 26 polegadas em Washington. [James] Webb, em “Celestial Objects for Common Telescopes” [Objetos Celestes para Telescópios Comuns] diz: “A borda dessa sombra tem sido frequentemente encontrada curvada da maneira errada por sua perspectiva”. O Prof. Comstock ainda acrescenta: “Que eu saiba, nenhuma explicação satisfatória foi dada a essa anomalia”. — Aldro Jenks, “On the Reversed Curvature of the Shadow on Saturn’s Rings,” [“Da Curvatura Reversa da Sombra nos Anéis de Saturno”], Sidereal Messenger, 9:255, Junho de 1890

Há relatos similares em observações feitas entre 1886 e 1914. Ainda assim, qual seria o motivo? Todos os telescópios daquele período não podem estar com defeito… Seria uma ilusão  de ótica causada por algum alinhamento incomum entre o Sol, a Terra e Saturno?

O Rei-Troll

Nos primeiros dias de seu longo reinado de 72 anos sobre a França, o Rei-Sol se divertiu trollando like a Sire a finesse de sua corte:

Eu preciso te contar uma historinha que é bastante verdadeira e vai te divertir. O Rei [Luís XIV] dedicou-se recentemente a escrever versos. Os Messieurs de Saint-Aignan e Dangeau ensinaram-no como rimar. Outro dia, ele escreveu um pequeno madrigal que ele mesmo não considerou muito. Numa manhã, ele disse ao Maréchale de Gramont: “Monsieur le Maréchale, vós podíeis ter a gentileza de ler esse pequeno madrigal e verificar se vós já vísseis algo tão sem sentido? Só porque é notório que eu recentemente passei a gostar de versos, as pessoas me entregam [versos] de todos os tipos.” Após fazer a leitura, o Marechal disse: “Sire, sua Majestade é um juiz inspirado em todas as coisas e é verdade que este é o mais ridículo e idiota madrigal que jamais li.” O Rei explodiu em risos e disse: “Não é verdade que quem quer que o tenha escrito é um animal convencido?” “Sire, ele não poderia ser chamado de outra forma.” “Excelente”, disse o Rei, “estou muito agradecido que tenhas falado tão francamente, pois eu mesmo o escrevi.” “Oh, Sire, que traição! Sua Majestade poderia me devolvê-lo, eu apenas dei uma olhada muito rápida.” “Não, Monsieur le Maréchale. As primeiras impressões são as mais naturais.” O Rei riu bastante deste truque, mas todo mundo pensa que é a coisa mais cruel que se pode fazer a um velho cortesão. Pessoalmente, eu sempre gosto de refletir sobre as coisas e gostaria que o Rei pensasse sobre esse exemplo e concluísse o quão longe está de vir a aprender a verdade. — Carta de Marie de Rabutin-Chantal, Madame de Sévigné a Simon Arnauld, Marquês de Pompone, 1º. de dezembro de 1664.

Famosa por suas missivas, a Mme. de Sévingné é uma espécie de colunista social da França absolutista. Na época da carta, Arnauld estava em desgraça e ainda não era marquês. Poucos meses mais tarde, talvez graças ao bom-humor do Rei-Troll, sua sorte mudou e ele foi designado diplomata, sendo representante francês na Suécia e na Holanda e eventualmente chegando a Secretário de Estado.

Em tempo: talvez tenha sido mais ou menos nessa época que um poeta trollou Luís XIV.

Patentes Patéticas (nº. 48)

laser felino

Você já tentou trollar seu gato com um laser? Se já fez isso com a intenção de exercitar seu bichano, você pode ter quebrado pelo menos uma patente norte-americana registrada em 1993 para um “Método de exercitar um gato” que serve para

induzir gatos a se exercitar consistindo no direcionamento de um feixe de luz invisível, produzido por um aparelho laser portátil, sobre o solo ou parede ou outra superfície opaca nas vizinhanças do gato, seguido da movimentação do laser de modo a causar o movimento do padrão luminoso brilhante de uma maneira irregular que é fascinante para gatos e para qualquer outro animal com um instinto de caça.

Ou seja, se você já tentou fazer a trollagem a laser com o seu cão, também está violando a patente nº. 5.443.036, emitida em 22 de agosto de 1995 em nome de Kevin T. Amiss e Martin H. Abbott, respectivamente de Alexandria e Fairfax, Virgínia. Entre suas justificativas, os “geniais” inventores afirmam que

Gatos não são caracteristicamente dispostos ao exercício aeróbico voluntário. É um dever do proprietário do gato criar situações de suficiente interesse para o felino para a indução de mesmo uma breve e modesta exercitação pela saúde de bem-estar do animal. Gatos são, entretanto, fascinados pela luz e atraídos por movimentos saltitantes imprevisíveis, como, por exemplo, pela ponta de uma peça ou fio de barbante ou por uma bola rolando e quicando através do solo.

Sim, foram necessários dois norte-americanos para perceber isso. Mas em seguida vem o pulo-do-gato que nos deu a luminosa ideia de juntar laser e Felis domesticus:

Intensa luz solar, refletida por um espelho ou focada através de um prisma, se a sala for suficientemente escura, ira, quando movida irregularmente, causar até o mais sedentário dos gatos a perseguir desabaladamente a imagem iluminada em um divertido e terapêutico jogo de “gato e rato”. O inconveniente de ter que escurecer uma sala para preparar a atividade de um gato e a incerteza de coletar um raio de sol conveniente em uma lente ou espelho torna esse método de estabelecer uma regular rotina de exercícios que melhoram a vida dos gatos no mínimo inconveniente.

Ok, amiraleiser é mais prática que lentes ou espelhos em ambientes escuros. Só que até os bichanos seriam capazes de ver que esse método a laser não é exatamente orginal. Praticamente a mesma ideia já havia sido apresentada em 1982 no livro One Hundred and Eighty-Seven Ways to Amuse a Bored Cat [187 Maneiras de Divertir um Gato Entediado], publicado pela Ballantine Books. A única diferença é que, em vez de laser, o livro recomendava o uso de uma lanterna.

Mesmo a ideia apresentada no livro pode não ser a original. Quando o método Amiss-Abbott foi aprovado, o conceito básico já era recorrente há décadas nos arquivos do próprio U.S. Patent Office. De fato, os dois inventores virginianos (seriam virgens?) listam entre suas referências nove — NOVE! — patentes relativas a lasers e/ou brinquedos luminosos emitidas entre 1975 e 1993. A aplicação de lasers ao entretenimento de felinos por seres humanos entediados simplesmente não cumpre o critério de originalidade. Nada disso impediu que, entre 2002 e 2003, o próprio USPTO fosse idiota o bastante para aprovar outras quatro patentes (6.505.576, 6.557.495, 6.651.591, 6.701.872) que são basicamente a mesma coisa!

>Patentes Patéticas (nº. 37)

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Você gostaria de ter um animal de estimação para passear, mas não quer saber de problemas como alimentação, carinho, espaço (e muito menos risco de mordidas)? Ou será que você é um troll incurável e deseja testar a sanidade mental de seus amigos com um “cachorro invisível”? Qualquer que seja a sua situação, Daniel J. Klees e Terri Shepherd já têm a solução: a “Guia Sonora”. Isso mesmo, o casal de Mundelin (Illinois), inventou uma coleira especialmente para

criar a ilusão de um animal de estimação imaginário, incluindo uma guia longa e oca, com uma empunhadura em uma extremidade e uma coleira adjacente ao outro fim. No interior da empunhadura, que é oca, está uma bateria e um circuito integrado para produzir uma pluralidade de sons animais. Também no interior da empunhadura há um botão liga/desliga e pelo menos um seletor para o circuito sonoro. Montado por dentro da coleira, na extremidade oposta da guia, está um micro-falante que é conectado através da guia oca ao circuito da empunhadura.
Em vez de mandar a dupla de inventores fazer um teste de sanidade mental antes de qualquer pedido, o Escritório de Patentes dos Estados Unidos aceitou como válida a invenção de tal dispositivo. A Guia Sonora foi registrada sob nº. 5.509.859 em 23 de abril de 1996. 
O texto da patente, aliás, não vai muito além do resumo apresentado acima. Tampouco são esclarecidas as razões que levaram à invenção ou sua possível viabilidade comercial. Cita-se apenas o precedente de um dispositivo similar, patenteado em 1994. No entanto, argumenta-se que o invento anterior não seria útil o bastante por não ser flexível nem contar com emissão sonora.

Há ainda dois apêndices, adicionados em 8 de outubro de 1996: o primeiro corrige a data do pedido do registro, de 29 de julho de 1995 para 29 de junho de 1995; o segundo muda o nome do dispositivo de “Guia Sonora” para “Inovadora Guia Sonora”. Pelo visto, Daniel Klees e Terri Shepherd gostavam de dar trabalho ao pessoal do Escritório de Patentes.

>Trollagem literária

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Em 1917, o escritor William George Jordan — com o perdão da expressão — ficou de saco cheio de Gustave Simonson, um colega que também era membro do Clube de Autores de Nova York. Ao que tudo indica, Simonson era arrogante e pedante e estava convencido de que sabia tudo o que era possível saber sobre literatura russa. Então, um dia, Jordan procurou Simonson para saber sua opinião sobre Vyodne, uma novela inexistente do igualmente inexistente autor russo Feodor Larrovitch (1817-1881, à dir.). Simonson, talvez desconcertado, respondeu que não conhecia nada a respeito.
Isso poderia ser o bastante para qualquer um, mas foi só o começo de uma longa vingança literária. Jordan pediu ajuda a outro membro do clube, que apresentou uma palestra sobre Larronovitch e ofereceu um jantar em sua honra. A homenagem foi completa, com louvores e declamação de pseudopoesias do pseudoautor. O evento foi divulgado pela imprensa, onde Jordan também tinha seus contatos. Ele conseguiu convencer alguns jornalistas a escrever vagos artigos louvando Larrovitch. 
No ano seguinte, a conspiração chegou a ponto de publicar um livro, Feodor Vladimir Larrovitch: An Appreciation of His Life and Works [Feodor Vladimir Larrovitch: uma apreciação de sua vida e obra], que incluía um perfil biográfico, críticas literárias, cartas, poemas e um ensaio de Titus Munson Coan relembrando suas conversas com o “grande” autor russo. O livro tem retratos dos pais de Larrovicht, dele, de sua tumba e até a reprodução de um manuscrito original! Tudo era forjado, mas foi o que bastou para que Simonson se convencesse da veracidade da vida e obra de Larronovitch e, talvez orgulhosamente, escrevesse um artigo sobre ele nos anais do clube.
Essa trollagem toda foi logo esquecida, pois os envolvidos não tardaram a morrer: Coan, em 1921; Jordan, em 1926. Tudo teria passado por verdade até hoje, não fosse — por incrível que pareça — a intervenção de um jornalista esportivo (!!) da Suécia (!!!!), em 1932. Ele percebeu inconsistências na grafia do nome de Larrovitch (que vocês já devem ter percebido) em tudo que havia sido publicado sobre o suposto autor russo e escreveu ao Clube de Autores de Nova York, que admitiu a falsidade da história.

>Trollagem de Carroll

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Em 1873, Lewis Carroll emprestou o diário de viagem de sua pequena amiga Ella Monier-Williams, sob a condição de que ele não o mostraria para ninguém. Ele devolveu-o à menina junto com essa cartinha:

Minha querida Ella,

Eu, muito agradecido, devolvo seu livro. Você deve estar pensando porque o mantive por tanto tempo. Eu compreendo, com base no que você disse sobre ele, que você não tinha ideia de publicar nada em seu nome. Espero que você não fique brava por eu ter enviado três capítulos curtos, extraídos dele, para serem publicados no The Monthly Packet [O Paquete Mensal]. Eu não apresentei nenhum nome por inteiro nem coloquei qualquer título mais definido do que o simples Diário de Ella, ou As Experiências de uma filha de um Professor de Oxford durante um mês de Viagem ao Exterior.

Eu lhe remeterei fielmente qualquer dinheiro que eu possa receber de Miss Yonge, editora do Monthly Packet, por isso.

Seu afetuoso amigo,
C.L. Dodgson

Conhecendo bem o espírito de Carroll, Ella pensou que ele estava brincando e escreveu-lhe para dizer isso. Mas ele respondeu assim:
Fico muito sentido em ter que te dizer que cada palavra da minha carta era estritamente verdadeira. Eu agora vou te contar mais — que Miss Yonge não recusou o Manuscrito, mas ela não vai pagar mais do que um guinéu por capítulo. Isso será o bastante?

“A segunda carta”, escreveu Ella Monier-Williams, já adulta, “conseguiu me fazer entrar no jogo. Com um prazer infantil, eu escrevi dizendo que não entendia muito bem como meu relato poderia valer a publicação, mas expressei também meu prazer. Depois recebi esta carta:”
Minha querida Ella,

Eu temo ter lhe passado um trote grande demais. Mas era verdade mesmo. Eu esperava que você não ficaria brava, etc. simplesmente porque eu não o fiz. E eu não coloquei Diário de Ella como título, aliás não coloquei título algum. Miss Yonge não recusou o manuscrito porque ela nem o viu. E eu nem preciso explicar porque ela não lhe deu mais do que três guinéus!

Nem por trezentos guinéus eu o mostraria a qualquer um depois de te fazer uma promessa, eu não poderia.

Com pressa,

Afetuosamente seu,
C.L.D.

>Patentes patéticas (nº. 33)

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Uma das coisas mais divertidas em festas de aniversário é a hora de apagar as velhinhas. Se a criança for pequena, ainda não vai entender muito bem para que tem que fazer aquilo. Se for distraída, pode ter suas velas assoparada por aquele primo troll. Você poderia se sentir aliviado se esse primo troll não aparecesse (ou não se manifestasse). Mesmo assim, ainda dá pra ser trollado mecanicamente — graças a Paul Bosek, que, no início dos anos 1960, inventou um “extintor de velas de bolo de aniversário”. Não é nada mais do que um

dispositivo dotado de uma base com uma válvula sobre a qual um balão pode ser montado. O balão pode ser inflado por uma bomba de ar. Na base, há um ponto que carrega uma agulha apontada e um escudo que a protege do balão. Quando o escudo é removido [através de um botão ou alavanca], a agulha fura o balão, liberando o ar em seu interior. O dispositivo contém um revestimento para a base, o balão e o sistema de punção. O revestimento tem um bocal que pode ser direcionado para as velas que serão apagadas. O revestimento pode ser feito de forma decorativa, simulando um animal, uma boneca, um soldado ou um canhão de brinquedo ou outra figura ou boneco.

Em resumo, Paul Bosek conseguiu patentear — em 29 de setembro de 1964, sob nº. 3.150.831 — aquele método mais ousado de trollagem: apagar as velas com o estouro de um balão. Não sabemos se ele teve esse insight após observar algum troll master no aniversário de um sobrinho ou se sua intenção foi se vingar (ainda que tecnologicamente) de algum primo chato após uma infância sempre frustrada nos aniversários. 
Do texto da patente, depreende-se que Mr. Bosek era possivelmente mais um daqueles pais superprotetores. Entre outras coisas, ele alega que seu extintor de velas é útil e desejável pois “evita os riscos de incêndio comumente encontrados quando crianças muito pequenas se aproximam demais das velas na tentativa de apagá-las”. No entanto, isso é muito mais facilmente resolvido com outra coisa que pode soprar por crianças pequenas: os pais. Ou os avós. Ou aquele tio bêbado. Ou aquele primo troll mesmo.
Mr. Bosek diz que seu invento ainda evita “a antissanitária condição que se encontra quando as crianças inexperientemente sopram sobre as velas e inadvertidamente escarram sobre o bolo ou metem-lhe as mãos.” Ok, ninguém gostaria de comer um bolo de aniversário recém-escarrado, mas manter um bolo-reserva para tais casos deve ser mais barato (e mais gostoso) que compar um soprador de velas.

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