Patentes Patéticas (nº. 90)

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Bigodes. Vez por outra esse tufo de pêlos que cresce sobre o lábio superior de indivíduos do sexo masculino após a puberdade volta à moda por razões obscuras. Mas quando a moda volta, costuma vir como enxurrada: de uma maneira ou de outra, todo mundo adota esse meme piloso — até quem não tem ou não pode ter bigodes, como moças e crianças (algumas mulheres são uma exceção notável).

Qualquer que seja o motivo para cultivar esse adereço facial, você certamente encontrará pequenos incômodos. Um dos principais problemas é que um bom bigode é como uma planta e necessita de uma poda precisa de vez em quando. Para solucionar esse problema, Pierre Leon Martin Victor Calmels inventou e patenteou um Apparatus for the cut of the mustache [Aparelho para o corte do bigode]: Continue lendo…

Bob McCoy e seu Museu de Fraudes Médicas

File:Electro-metabograph machine.jpg

Electro-metabograph: impressionante, mas inútil.

Allure Bust Developer, Battle Creek Vibratory Chair, Crystaldyne Pain Reliever, MacGregor Rejuvenator, Micro-Dynameter, Prostate Gland Warmer, Psychograph, Recto Rotor, Relaxacisor, Vibrometer… Parece uma série de produtos do Polishop. De certo modo, todos essas marcas foram mais ou menos isso em suas épocas. O que todas tiveram em comum? Elas eram vendidas em catálogos e prometiam alguma cura de forma completamente pseudocientífica. Continue lendo…

Meet George Jetson

Carros voadores, casas aéreas, jetpacks, robôs domésticos, calçadas rolantes, elevadores pneumáticos. Tudo isso ainda parece estar no futuro, mas é provável que você conheça essas coisas desde a infância. Como isso é possível? Você se lembra de George Jetson e sua família? Há exatos 50 anos, os Jetsons abriam as portas do futuro na TV americana. Mas o que houve com aquele futuro? Continue lendo…

Os 10 Mandamentos do Papa-Léguas

 

  1. 1. O Papa-Léguas não pode ferir o Coyote, exceto pelo “beep-beep!”
  2. 2. Nenhuma força externa pode lesar o Coyote — apenas a sua própria inépcia ou os defeitos dos produtos Acme.
  3. 3. O Coyote poderia parar a qualquer momento — se ele não fosse um fanático. (Lembre-se: “Um fanático é alguém que redobra seu esforço quando se esquece de seu objetivo” — George Santayana)
  4. 4. Nunca, jamais diálogo algum, exceto “beep-beep!”
  5. 5. O Papa-Léguas deve ficar na estrada — de outro modo, logicamente, ele não poderia ser chamado de road runner.
  6. 6. Todas as ações devem ser confinadas ao ambiente natural dos dois personagens — o deserto do sudoeste americano.
  7. 7. Todos os materiais, ferramentas, armas ou utensílios mecânicos devem ser obtidos da Acme Corporation.
  8. 8. Sempre que possível, faça da gravidade o pior inimigo do Coyote.
  9. 9. O Coyote é sempre mais humilhado do que ferido por seus fracassos.

“Os cartoons Road Runner and Coyote são reconhecidos e aceitos por todo o mundo.” — escreve o diretor e criador de Wile E. Coyote, Chuck Jones em seu livro de memórias, Chuck Amuck (1999) — “Talvez a falta de diálogo seja uma razão. Se você quer rir, pode fazê-lo a qualquer tempo, seja em Dinamarquês, Francês, Japonês, Urdu, Navajo, Esquimó, Português ou Hindi. ‘Beep-Beep!’ é o Esperanto da comédia.”

O décimo mandamento, que Mr. Jones talvez tenha esquecido de citar, deve ser esse: “Ao introduzir a trama, não se esqueça de sempre (re)apresentar os personagens com os nomes populares acompanhados de uma pseudocientífica nomenclatura binomial em latim macarrônico.”

Patentes Patéticas (nº. 65)

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No finzinho do século XIX, as bicicletas estavam em alta e Samuel G. Goss, de Chicago, achou que só faltava ter música para os passeios se tornarem mais agradáveis. Como ainda não havia rádio nem gramofones portáteis — muito menos mp3-players —, a única solução que Goss encontrou foi tranformar as próprias bikes em instrumentos musicais: Continue lendo…

Arqueologia automotiva

Nos Estados Unidos carros são coisas tão banais que chegam a ser praticamente descartáveis. Não é raro encontrar verdadeiros clássicos abandonados, muitas vezes após pouco tempo de uso, nas áreas rurais da “América”. Foi o que aconteceu com o autor do video a seguir, jermikey, que ao sair para um passeio de domingo com a família encontrou uma picape Kombi 1959 que estava abandonada perto de Idaho Falls desde 1967. Fã de VW ele decidiu resgatar o veículo com ajuda da família e de uma miniescavadeira que parece surgir do nada. O trabalho de exumação desse fóssil sobre rodas levou nove horas, mas foi resumido num vídeo de 15 minutos.

O estado da carroceria é relativamente bom, dadas as condições. Em um comentário no próprio vídeo jermikey diz que planeja “uma preservação em vez de uma restauração. Novo motor e transmissão, mantendo a pintura como está”. Pode parecer loucura mas o rusting, a falta (muitas vezes forçada) de pintura, é o equivalente automotivo da moda do jeans rasgado e manchado. Contanto que estejam vacinados contra o tétano, não deve haver riscos. Apesar dos investimentos necessários para por a Kombi em ordem, jermikey e família podem ter descoberto uma pequena fortuna.

Patentes patéticas (nº. 41)

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Máfia style!

Diz o bom-senso que reagir a um assalto nem sempre é uma boa ideia. No entanto, isso não impede que as pessoas continuem a comprar armas “para garantir a própria segurança”. Ainda mais quando essas pessoas são norte-americanas, que parecem não acreditar na possibilidade de uma população desarmada.

A facilidade de acesso a armas de fogo sempre foi um problema que os americanos não veem. No começo dos anos 1930, o crime estava em alta nas áreas urbanas dos Estados Unidos, em parte pelo tráfico de álcool que se formou após a proibição dessa droga e em parte como consequência da recém-iniciada Grande Depressão. Nada disso impediu que Frederick G. Palla, de Nova York, apresentasse uma “Arma de fogo auto-defensiva” como a solução para o crime: Continue lendo…

>Patentes patéticas (nº. 28)

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Para um gentleman, não há nada mais deselegante que naufragar durante uma viagem transatlântica e acabar com o chapéu e o bigode molhados e ainda ter seu charuto apagado pelo mar. Foi pensando nisso que um tal de Camille Krejci, de Scranton, Pensilvânia, inventou um colar-salva-vidas por volta de 1870.

Trata-se simplesmente de uma bóia — talvez feita com a recém-inventada borracha — e que é inflada em caso de naufrágio de modo a manter a cabeça do usuário acima da água até que o resgate chegue. A ideia não parece tão patética à primeira vista, já que as viagens transatlânticas (e os acidentes decorrentes) tornar-se-iam cada vez mais comuns no último quarto do século XIX. 

No entanto, essa patente pode ser bastante patética quando se lembra que o resgate podia levar uns quatro ou cinco dias para chegar ao distinto cavalheiro. O lado bom é que ele ainda vai poder fumar os charutos que conseguir salvar (como acendê-los em tal condição fica como um exercício para o leitor). Evidentemente, tudo isso só é possível se o local do desatre marítimo não for habitado por tubarões ou outras feras marinhas.

A patente, de nº. 100.906, emitida em 15 de março de 1870 é tão antiga que não tem muito mais do que um par de desenhos e uma brevíssima descrição do invento.

>A Rede Social (1982)

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Em maio de 1982, a CompuServe publicou o seguinte anúncio de seu “sistema de videotexto” na revista Inteface Age. Mensagens eletrônicas, murais e jogos em rede com amigos virtuais — muito do que hoje se considera características de redes sociais — já existiam naquela época.
A seguir, uma versão traduzida do anúncio acima e um pouco da história da CompuServe:
A CompuServe Information Service (a.k.a. Compu-Serve, CIS e Compuserve) foi realmente a provedora líder do serviço de videotexto, chegando a 380.000 assinantes em 1987. Dois anos depois, em 1989, foi a primeira provedora do mundo a oferecer acesso à internet.

Continuou a ser a líder do mercado norte-americano, chegando a ter cerca de 3 milhões de assinantes, até meados da década de 1990, quando sua cobrança por hora começou a ser detonada pelos pagamentos mensais (e os clássicos CDs de instalação) da America Online.

Ironicamente, a CIS foi adquirida em 1998 por sua maior concorrente, a própria AOL. Embora o serviço de acesso Compuserve Classic tenha sido descontinuado em 2009, ainda é possível ter um e-mail @compuserve.com ou @cs.com. Mais informações na página da própria  Compuserve, que ainda existe!

>Como tomar banho, em oito lições (1931)

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Não é de hoje que acidentes no banheiro são comuns. Também não é de hoje que se tenta preveni-los com algumas regras para a hora do banho:
Oito regras para tomar banhos

Para ajudar a diminuir o crescente número de acidentes no banheiro, a New Health Society of England apresentou recentemente oito regras.
A primeira regra é sempre manter a janela um pouco aberta para prevenir o envenenamento através de um aquecedor com defeito. A segunda e a terceira regras são nunca tomar um banho quente após uma refeição pesada nem um banho frio se você tem coração fraco. A quarta é ter todos os aquecedores equipados com dispositivos de segurança, para que os tubos cheios de vapor não explodam. As outras regras lidam com as instalações elétricas no banheiro, sendo consenso que choques elétricos são tão comuns quanto fatais quando a pele está molhada ou quando o banhista está numa banheira de metal eletricamente ligada ao solo pelos encanamentos de água. — Modern Mechanix, Maio de 1931
Atentem para um potencial conflito entre as regras 2 e 3 — se você tem coração fraco (e não pode tomar banho frio) e acabou de tomar uma refeição pesada (e não pode tomar banho quente), você não precisa tomar banho de maneira nenhuma porque não lhe sobra nenhuma escolha. Boa desculpa, hein!

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