Nos Estados Unidos carros são coisas tão banais que chegam a ser praticamente descartáveis. Não é raro encontrar verdadeiros clássicos abandonados, muitas vezes após pouco tempo de uso, nas áreas rurais da “América”. Foi o que aconteceu com o autor do video a seguir, jermikey, que ao sair para um passeio de domingo com a família encontrou uma picape Kombi 1959 que estava abandonada perto de Idaho Falls desde 1967. Fã de VW ele decidiu resgatar o veículo com ajuda da família e de uma miniescavadeira que parece surgir do nada. O trabalho de exumação desse fóssil sobre rodas levou nove horas, mas foi resumido num vídeo de 15 minutos.
O estado da carroceria é relativamente bom, dadas as condições. Em um comentário no próprio vídeo jermikey diz que planeja “uma preservação em vez de uma restauração. Novo motor e transmissão, mantendo a pintura como está”. Pode parecer loucura mas o rusting, a falta (muitas vezes forçada) de pintura, é o equivalente automotivo da moda do jeans rasgado e manchado. Contanto que estejam vacinados contra o tétano, não deve haver riscos. Apesar dos investimentos necessários para por a Kombi em ordem, jermikey e família podem ter descoberto uma pequena fortuna.
Diz o bom-senso que reagir a um assalto nem sempre é uma boa ideia. No entanto, isso não impede que as pessoas continuem a comprar armas “para garantir a própria segurança”. Ainda mais quando essas pessoas são norte-americanas, que parecem não acreditar na possibilidade de uma população desarmada.
A facilidade de acesso a armas de fogo sempre foi um problema que os americanos não veem. No começo dos anos 1930, o crime estava em alta nas áreas urbanas dos Estados Unidos, em parte pelo tráfico de álcool que se formou após a proibição dessa droga e em parte como consequência da recém-iniciada Grande Depressão. Nada disso impediu que Frederick G. Palla, de Nova York, apresentasse uma “Arma de fogo auto-defensiva” como a solução para o crime: Continue reading “Patentes patéticas (nº. 41)” »
Para um gentleman, não há nada mais deselegante que naufragar durante uma viagem transatlântica e acabar com o chapéu e o bigode molhados e ainda ter seu charuto apagado pelo mar. Foi pensando nisso que um tal de Camille Krejci, de Scranton, Pensilvânia, inventou um colar-salva-vidas por volta de 1870.
Trata-se simplesmente de uma bóia — talvez feita com a recém-inventada borracha — e que é inflada em caso de naufrágio de modo a manter a cabeça do usuário acima da água até que o resgate chegue. A ideia não parece tão patética à primeira vista, já que as viagens transatlânticas (e os acidentes decorrentes) tornar-se-iam cada vez mais comuns no último quarto do século XIX.
No entanto, essa patente pode ser bastante patética quando se lembra que o resgate podia levar uns quatro ou cinco dias para chegar ao distinto cavalheiro. O lado bom é que ele ainda vai poder fumar os charutos que conseguir salvar (como acendê-los em tal condição fica como um exercício para o leitor). Evidentemente, tudo isso só é possível se o local do desatre marítimo não for habitado por tubarões ou outras feras marinhas.
A patente, de nº. 100.906, emitida em 15 de março de 1870 é tão antiga que não tem muito mais do que um par de desenhos e uma brevíssima descrição do invento.
Em maio de 1982, a CompuServe publicou o seguinte anúncio de seu “sistema de videotexto” na revista Inteface Age. Mensagens eletrônicas, murais e jogos em rede com amigos virtuais — muito do que hoje se considera características de redes sociais — já existiam naquela época.
A seguir, uma versão traduzida do anúncio acima e um pouco da história da CompuServe:
A CompuServe Information Service (a.k.a. Compu-Serve, CIS e Compuserve) foi realmente a provedora líder do serviço de videotexto, chegando a 380.000 assinantes em 1987. Dois anos depois, em 1989, foi a primeira provedora do mundo a oferecer acesso à internet.
Continuou a ser a líder do mercado norte-americano, chegando a ter cerca de 3 milhões de assinantes, até meados da década de 1990, quando sua cobrança por hora começou a ser detonada pelos pagamentos mensais (e os clássicos CDs de instalação) da America Online.
Ironicamente, a CIS foi adquirida em 1998 por sua maior concorrente, a própria AOL. Embora o serviço de acesso Compuserve Classic tenha sido descontinuado em 2009, ainda é possível ter um e-mail @compuserve.com ou @cs.com. Mais informações na página da própria Compuserve, que ainda existe!
Não é de hoje que acidentes no banheiro são comuns. Também não é de hoje que se tenta preveni-los com algumas regras para a hora do banho:
Oito regras para tomar banhos
Para ajudar a diminuir o crescente número de acidentes no banheiro, a New Health Society of England apresentou recentemente oito regras.
A primeira regra é sempre manter a janela um pouco aberta para prevenir o envenenamento através de um aquecedor com defeito. A segunda e a terceira regras são nunca tomar um banho quente após uma refeição pesada nem um banho frio se você tem coração fraco. A quarta é ter todos os aquecedores equipados com dispositivos de segurança, para que os tubos cheios de vapor não explodam. As outras regras lidam com as instalações elétricas no banheiro, sendo consenso que choques elétricos são tão comuns quanto fatais quando a pele está molhada ou quando o banhista está numa banheira de metal eletricamente ligada ao solo pelos encanamentos de água. — Modern Mechanix, Maio de 1931
Atentem para um potencial conflito entre as regras 2 e 3 — se você tem coração fraco (e não pode tomar banho frio) e acabou de tomar uma refeição pesada (e não pode tomar banho quente), você não precisa tomar banho de maneira nenhuma porque não lhe sobra nenhuma escolha. Boa desculpa, hein!
Se você se acha o fodão só porque sabe fazer alguns truques com a sua bicicleta, lembre-se que esse esporte radical foi inventado no tempo do seu bisavô (ou tri, dependendo da tua idade). Se você não acredita, o tio Edison registrou alguns dos primeiros truques ciclísticos com seu kinetoscópio na virada do século XIX para XX — uma época em que tanto cinema quanto bicicletas eram o máximo da tecnologia em termos de entretenimento.
Os truques em si são um tanto toscos, mas é bom lembrar que aqueles ciclistas foram os pioneiros na arte de manobrar as magrelas. Ninguém sabia ainda muito bem o que fazer ou como fazer — afinal não havia nem rampas nem algo que se assemelhasse ao YouTube, onde é possível aprender alguns truques com gente que se dispõe a ensiná-los.
Destaque para o cavalheiro mané que tenta passar por um looping nos 30 segundos finais. O resultado é cômico e parece coisa de comédia pastelão, mas deve ter sido um tanto sério. É uma pena que, apesar do zumbido típico de um velho projetor, não haja nenhuma trilha sonora engraçadinha.
_________________________________________ [vi no bookofjoe, que viu no excelente Open Culture]
Cansados de ter que fazer os trotes nos bixos todo começo de ano, os vóteranos senhores veteranos Edmund e Ulysses de Moulin resolveram automatizar o processo em 1900.
No “aparelho de iniciação” (fig. 1) inventado por eles, o novato é vendado, posicionado e recebe a ordem instrução de puxar as alças para testar sua força. Só que, ao fazer isso, o verme recém-chegado é atingido nas nádegas por um remo. Como bônus, um choque elétrico pode ser aplicado nos braços do bixo ao mesmo tempo em que ele puxa e apanha, “tornando essa sensação algo único”.
É possível trotar um bixo de cada vez ou — se você for um veterano que tem mais o que fazer — usar vários aparelhos para fazer uma linha de montagem e humilhar uma classe inteira do primeiro ano de uma só vez.
Nesta era de globalização, quando os longos — e, vamos admitir, deliciosos — tentáculos da Coca-Cola ou da Pepsi alcançam até os lugares mais remotos do mundo, a Galco Soda Pop Stop é um lugar único. Nesse mercadinho cabe uma imensa variedade de marcas de refrigerante artesanais ou vintage, vindos de todos os cantos dos Estados Unidos e de lugares tão distantes quanto a Romênia.
Em suas prateleiras, é possível encontrar tanto velhos e obscuros rótulos — o que sobrou de uma época em que quase todo condado americano tinha sua pequena fábrica de refrigerante e/ou cervejaria — quanto refris importados que só se encontram em poucos lugares do planeta. Entre 500 sabores disponíveis, dá pra escolher alguns tão estranhos quanto água de rosas (vindo da Índia), pepino (do Japão), banana (da América Central) ou café (dos EUA mesmo). Também é possível encontrar doces e balas oldschool. Será que a Galco tem ou conhece algum guaraná ou tubaína made in Brazil?
Nesbitt’s of California: refrigerante de pera pêssego
Mas o verdadeiro tesouro desse santuário refrigerântico é seu proprietário, John F. Nese, um homem que se considera o maior expert do mundo sobre o assunto. Ele sempre pode lhe explicar porque garrafas de vidro são melhores do que as de plástico (no que eu concordo) ou porque a Coca-Cola Kosher-para-a-Páscoa é melhor do que a versão comum (o que me parece absurdo). Ele também sempre pode sugerir uma nova marca ou sabor ao visitante de primeira viagem.
A seguir, o próprio Mr. Nese apresenta um pouco do seu tesouro para o CHOW, um programa de webTV sobre comes e bebes (em inglês, é claro):
A Galco Soda Pop Stop tem um site e faz vendas on-line, mas parece que não fazem entregas fora dos Estados Unidos.
É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídio pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.