Em Síntese…

Informar uma descoberta de modo sucinto e claro é visto como uma qualidade no meio científico. Quanto mais simples e direto for um artigo, melhor. Se assim for, ninguém supera a qualidade e o poder de síntese do botânico norte-americano Reid Venable Moran (1916-2010). Em outubro de 1962, Moran publicou uma notinha, onde relatava a coleta de um arbusto no topo de uma montanha na Baja Califórnia, nas colunas de um jornal especializado chamado Madroño (que, apesar do nome, é editado pela Sociedade Botânica da Califórnia). O texto, na íntegra, era o seguinte:

Foi lá que eu a obtive naquele momento.

Ou, no original, ainda mais lacônico: “I got it there then”. Esse curtíssimo artículo científico parece não fazer sentido algum. A não ser, é claro, que levemos seu título em consideração: “Cneoridium dumosum (Nuttall) Hooker f. Coletada em 26 de Março de 1960, a uma Elevação de Aproximadamente 1450 Metros no Cerro Quemazón, 15 Milhas ao Sul da Bahía de Los Angeles, Baja Califórnia, México, de uma Faixa que Aparentemente se Estende por umas 140 Milhas.” Agora sim podemos entender o quê ele obteve naquele momento.

Depois do título quilométrico e do texto telegráfico, o artigo ainda tinha uma seção de agradecimentos com 28 linhas — ou seja, 28 vezes maior que o texto principal. Moran — que foi curador do Museu de História Natural de San Diego entre 1957 e 1982 — não se esqueceu de ninguém. Ele agradeceu seus professores universitários, a pessoa que fez a revisão de seu texto e até o sujeito que botou o (pequeno) manuscrito no correio para submissão do artigo.

Pode parecer uma daquelas piadas acadêmicas, mas é sério. A referência é a seguinte e consta do índex de autores e títulos publicado pelo site da California Botanical Society:

rb2_large_gray25Moran, R. 1962. Cneoridium dumosum (Nuttall) Hooker f. Collected March 26, 1960, at an Elevation of About 1450 Meters on Cerro Quemazón, 15 Miles South of Bahía de Los Angeles, Baja California, México, Apparently for a Southeastward Range Extension of Some 140 Miles. Madroño 16:272.

Tentei encontrar uma versão on-line, mas só encontrei um exemplar digitalizado do artigo em referência hospedado no infame JSTOR. Se alguém encontrar uma cópia disponível livremente, agradeço desde já o link nos comentários.

Se Arrependimento Pagasse…

US-Tresure-seal

Durante a Guerra Civil (1861-1865), o Tesouro dos Estados Unidos recebeu um cheque no valor de 1.500 dólares, enviado anonimamente. Junto com o cheque, um bilhete explicava que o valor deveria ser recebido como reparação por uma apropriação indébita da mesma quantia, que um cidadão cometera enquanto trabalhava no Exército. Ele se declarava culpado, porém arrependido, e desejava ressarcir os cofres públicos.

Ao saber disso, o então Tesoureiro dos Estados Unidos, Francis E. Spinner (1802-1890; no cargo entre 1861-75), teve um estalo: “Suponhamos que essa seja uma contribuição para o Fundo de Consciência e coloquenos anúncios nos jornais sobre isso. Talvez ganhemos mais alguma coisa.” Há quem diga, porém, que o fundo fora estabelecido meio século antes e começara com uma doação igualmente anônima no valor de cinco dólares.

Desde então, o Tesouro Americano mantém um Fundo de Consciência, que recebe depósitos de cidadãos arrependidos de pecados cometidos com dinheiro público, de desvios de verbas a calotes de impostos. Nos primeiros 20 anos de funcionamento, o fundo recebeu 250 mil dólares dos arrependidos. Segundo a Time, por volta de 1987, mais de 5,7 milhões de dólares haviam sido recuperados dessa maneira simples, porém discreta.

Para encorajar os depósitos, o Tesouro não procura identificar nem punir os doadores. Até porque eles já estão pagando o que devem, o que é bom para ambas as partes, pois tira um peso monetário da consciência e o deposita no erário. Os valores devolvidos variam amplamente — dos nove centavos de um morador de Massachussetts pelo uso de um selo danificado em uma correspondência aos 139 mil dólares depositados em 1950 por um único indivíduo não-identificado e por razões desconhecidas.

Aliás, a maioria das doações são anônimas, mas muitas cartas que chegam são enviadas por clérigos. Isso não significa necessariamente que os padres ou pastores estão arrependidos depois de andar sonegando demais. Tais doações geralmente cumprem pedidos de reparações feitos em confissões no leito de morte.

Empréstimo Hereditário

Quem nunca devolveu um livro pra biblioteca da faculdade com semanas ou mesmo meses de atraso não sabe o que é ficar pobre pagar multa. Richard Dodd, de Winnimac, Indiana, que o diga. Em 7 de dezembro de 1968, ele notou que tinha um velho livro atrasado entre seus pertences e o devolveu à Biblioteca Médica da Universidade de Cincinnati.

E como estava atrasado! O livro — Medical Reports of Effects of Water – Cold and Warm – as a Remedy in Fever and Febrile Diseases, Whether Applied to the Surface of the Body or Used Internally [Relatórios Médicos do Efeito da Água (Fria e Quente) como Remédio para Febre e Doenças Febris, seja Aplicada à Superfície do Corpo ou Usada Internamente], escrito por James Currie — tinha um atraso tão grande quanto seu título. O exemplar de Medical Reports… havia sido emprestado, pelo bisavô de Dodd, em 1823 — e estava com meros 145 anos de atraso no momento da devolução.Medical Reports

Tanto o bisavô quanto o avô de Dodd haviam frequentado a Escola de Medicina de Cincinnati. Eles deviam ter devolvido o exemplar, mas o livro acabou chegando às mãos de Richard Dodd como herança de família. Felizmente, ao receber o livro, a bibliotecária Cathy Hufford resolveu não cobrar a multa. Até porque seria difícil receber o valor, então calculado em 22 646 dólares. Em valores atualizados pela inflação, segundo os cálculos do Wolfram | Alpha, seriam US$ 152 904,45 ou (de acordo com a cotação do Google) aproximadamente R$ 299 157,43.

Improviso Microbiano

Um dos grandes problemas científicos do século XXI é perceber os padrões que se escondem em quantidades de dados cada vez maiores. Peter Larsen, bioengenheiro do Argonne National Laboratory, era apenas mais um cientista às voltas com esse problema sério. Graças a sua paixão por jazz e por um empurrãozinho do colega Jack Gilbert, Larsen encontrou uma solução inusitada para a pesquisa que ambos conduzem sobre a diversidade microbial do Canal da Mancha Ocidental. Continue lendo…

1000 dimensões e 1 história

Mil, milhar, milheiro… O que começou, despretenciosamente, há exatos 1986 dias como mais uma dimensão opinativa nesse mundão interrnético chega hoje à sua milésima publicação. Como muitos, nosso começo foi um humilde blogspot, em template bem básico, onde este que vos escreve tencionava compartilhar suas opiniões e o que mais considerasse interessante quando necessário.

Com o tempo, porém, o projeto meramente opinativo foi sendo deixado de lado. Por dois motivos: primeiro, blogs do gênero há aos milhares e um a mais um a menos não teria importância; segundo, mesmo me considerando um bom articulista (modéstia à parte), faltava-me disciplina e regularidade, além de tempo e paciência para aprender. Assim, passamos inicialmente para a replicação de conteúdo, principalmente por meio de traduções – em especial das tirinhas da série Cectic.

A princípio, foi um sucesso (ao menos para mim): eu tinha material suficiente para me impor uma regularidade e minhas traduções foram aprovadas pelo autor da série. Infelizmente, Cectic foi interrompida pelo autor. Mas havia ainda muito material em seus arquivos, de modo que continuei usando-a por algum tempo. No que essa série mais me ajudou foi na regularidade: comecei com publicações semanais, passei para três publicações por semana e, quando vi, já havia alcançado a meta da postagem diária.

A essa altura, já tinha alguns leitores e me preparava para entrar na faculdade de jornalismo. Tentei fazer um trabalho “jornalístico” cobrindo informalmente o Salão do Automóvel de São Paulo de 2008. Nisso, não tive muito sucesso. Percebi que meu público, embora fosse incipiente já me acompanhava por meus artigos sobre ciências e curiosidades. Mais seguro e experiente, passei a experimentar com mudanças de layout – que sempre foram positivas e ainda me levaram a aprender pelo menos o básico do básico de HTML e CSS.

Pela altura de nosso milésimo dia de vida – 21 de janeiro de 2010 – o hypercubic já estava consolidado. Meus estudos de jornalismo levaram-me a trabalhar com pautas e manter um planejamento mínimo para as publicações ao longo da semana. Na academia, fui apresentado ainda ao conceito de divulgação científica, que de certa forma já praticava (e que busquei aperfeiçoar desde então). Também dei início às minhas séries (ou, se preferir, seções fixas), a começar por Em uma palavra, inspirada por minha paixão lexicográfica. Depois vieram, mais ou menos pela ordem, Conflitos Esquecidos, Patentes Patéticas, O Peso do Nome… Eventualmente, os artigos opinativos ressurgiam, principalmente porque meu ateísmo começava a se consolidar.

Assim, já tinha então pelo menos uma ou duas centenas de leitores fieis e começavam enfim a surgir comentários. Passei então a investir em divulgação, submetendo postagens selecionadas para agregadores de blogs como o Ocioso e o Ueba. Já com bom conteúdo e postagens regulares não foi surpresa notar que às vezes apareciam até 600 visitantes por dia. Muitos acabaram explorando os arquivos e resolveram me acompanhar.

Não tardou a surgirem contatos na blogosfera científica: meu primeiro amigo por aqui foi o Luis Brudna (que na época tinha um blog chamado Glúon) e, por ele, consegui algum contato com o Kentaro Mori, do qual já era fã e leitor assíduo do Ceticismo Aberto e do 100 Nexos. Eles também passaram a me acompanhar.

E o ScienceBlogs Brasil? Quando ele surgiu, tive reações ambíguas. Estava na moda criar “condomínios de blogs” e muitos morriam logo depois de nascerem. Um condomínio de blogs de ciência me parecia fadado ao fracasso. Imaginava isso pelos meus próprios padrões de público relativamente escasso – bem, pelo menos na época eu achava que ter entre 200 e 300 acessos fosse um público limitado. O SBBr também me parecia apenas uma “versão brasileira” do ScienceBlogs gringo. Só que não, como se diz hoje. O 100 Nexos e o Massa Crítica, dentre os demais, mostraram-me que havia muito conteúdo original por aqui. No entanto, incomodava-me igualmente a preponderância de blogs de biológicas em detrimento das áreas de exatas e, principalmente, humanas.

Felizmente, isso também foi percebido pelo SBBr, que após se consolidar, procurou expandir o grupo de sciblings a partir do ano passado. Confesso que senti-me tentado a submeter meu material, mas não o fiz porque temia perder minha independência e ainda ter que pagar uma “taxa de condomínio”. A surpresa veio no fim de 2011 na forma de um convite pessoal do Kentaro: meu conteúdo era bom demais para ficar de fora do ScienceBlogs. Fiquei lisonjeado, mas ainda hesitei por uns dias. Observei então todo o processo de crescimento do hypercubic e dei-me conta de que vir para cá seria o próximo passo lógico.

Foi um novo sucesso, tanto que me levou, alguns meses depois, a uma nova surpresa: em abril, sem querer querendo, fui o vencedor do III Prêmio Bê Neviani. \o/

O meu maior prêmio, porém, foi ver que consegui manter minha regularidade mesmo tendo que trabalhar e estudar – e, junto com essa superação, ganhar centenas de leitores. Agradeço muito ao Kentaro, ao Brudna, ao Samir e à Sibele Fausto pelo apoio e confiança (e pelo prêmio, é claro). Os comentaristas, hoje, são muitos, mas gostaria de destacar o Igor Santos, o Takata e o rafinha.bianchin. Suas considerações (e principalmente suas respostas aos Enigmas) me divertem e me motivam muito.

E esse é o fim de nossa 1000ª. dimensão – rumo às 2000!

A vida, o Universo e tudo mais — na ponta da língua


A expressão “tá na ponta da língua” pode tornar-se bastante literal em um futuro próximo. Graças ao cruzamento de engenharia genética e ciência da computação, será possível armazenar tudo o que você quiser na ponta da sua língua — ou melhor, no DNA da ponta da sua língua. Nos laboratórios, DNA como mídia de armazenamento não é exatamente uma novidade. Mas o recente feito de um bioengenheiro e de um geneticista de Harvard é de cair o queixo. Continue lendo…

A saga do III Prêmio "Bê Neviani"

“Era no tempo do Rei…” Ok, não faz taaaaanto tempo assim, mas parece.

Foi na noite do dia 22 de abril que o Samir Elian, vizinho bloguístico do Meio de Cultura, me avisou que eu havia sido o blogueiro premiado com o III Prêmio “Bê Neviani”. Eu estava sabendo da premiação através do MdC, mas não podia imaginar que acabaria agraciado. Pensei que fosse apenas uma promoção pros tuiteiros — pra quem não sabe, eu não tenho twitter. Aliás, gostaria de agradecer aqui, ainda que muito tardiamente, ao @hsegundo, por tuitar o post sobre Agatha Christie surfista. Continue lendo…

Prazer, Sr. Nonsense

Edward Lear, em auto-caricatura

Em uma estação ferroviária qualquer da Inglaterra oitocentista, um gentleman comentava que suas crianças estavam lendo o Book of Nonsense. Quem quer que tenha sido, o tal senhor insistia em afirmar que Edward Lear não existia e que Lord Derby é que havia escrito o livro de poemas absurdos. Então, eis que surge outro gentleman, que estava só ouvindo a conversa e

juntanto-se espontanemente à conversação, disse — “Isso é um senhor equívoco. Eu tenho razão em saber que Edward Lear, o pintor e escritor, escreveu e ilustrou o livro inteiro.” “E eu”, disse o Gentleman, “tenho boas razões para saber, Sir, que vós estais redondamente enganado. Não existe essa tal pessoa, esse tal Edward Lear.” “Mas”, disse eu, “ela existe — e eu sou o tal — eu escrevi o livro!” Então que todos explodiram em risos, evidentemente me considerando um doido ou um piadista. Foi aí que eu tirei meu chapéu e mostrei-o, com Edward Lear e o endereço estampados em grandes tipos — e também um de meus cartões e um lenço marcado. Em meio ao espanto que devorava aqueles indivíduos incultos, eu parti, deixando-os a ranger os dentes em tumulto.

Esse senhor que aparece do nada e afirma ser Edward Lear não era doido nem piadista; era o próprio. Continue lendo…

Perdas e Ganhos

Mr. J. Cuthbert Hadden, que fez um estudo sobre esse assunto, diz que a oferta de versos hoje em dia excede grandemente a demanda. E, assim, acontece que muitos quartos de poesia não recebem pagamento algum. A maioria dos poetas menores cujos volumes vêm a público têm de sustentar todas as despesas de produção por si mesmos e apenas um número muito pequeno escapa sem perdas consideráveis. Em relação a isso, um divertida história envolvendo James Russell Lowell — que nada tem de poeta menor — merece ser contada. O custo da publicação de seu primeiro livro foi financiado inteiramente pelo próprio Mr. Lowell. Era uma edição simples, mas de substanciais 500 cópias. O autor logo sentiu orgulho comum por esse tipo de realização e esperava por uma fama quase imediata. Infelizmente, apenas umas poucas cópias da obra foram vendidas. Pouco depois, houve um incêndio na livraria onde os volumes estavam armazenados e todos foram destruídos. Como o publisher havia feito um seguro integral sobre o estoque, Mr. Lowell foi capaz de reaver todo o dinheiro que havia investido em sua aventura e teve a satisfação de dizer que aquela edição fora integralmente esgotada. — William Andrews, Literary Byways [Atalhos Literários], 1898

James Cuthbert Hadden (1861-1914) foi um escocês de habilidades múltiplas. Começa a carreira na adolescência, como assistente em uma livraria em Aberdeen. Aos vinte anos, após estudar música, torna-se organista em uma igreja em Crieff. Após casar-se em 1886 e ter uma filha, passa a atividades literárias, como o jornalismo e a biografia. Graças ao seu passado musical, especializa-se em biografias de músicos, entre os quais Handel, Haydn, Chopin e Mendelssohn. Prolífico, contribui com 98 artigos para o Dictionary of National Biography.

James Russell Lowell (1819-1891) foi um poeta, professor universitário e diplomata norte-americano. Da escola romântica, foi um dos primeiros poetas ianques a se tornar mais popular que os poetas britânicos na América. Seu primeiro livro foi publicado em 1841. Considerando que o poeta deve atuar como um profeta e crítico da sociedade, Lowell usa sua poesia para causas reformistas, especialmente para a abolição. No entanto, ao longo dos anos sua fidelidade ao abolicionismo e sua opinião sobre os afro-americanos vai se tornando inconstante. Ganha notoriedade nacional em 1848, quando publica A Fable for Critics, uma sátira sobre os poetas e críticos de seu tempo e The Biglow Papers, uma obra de tom regionalista com a Guerra Mexicano-Americana como pano de fundo. Após o falecimento da primeira esposa, em 1853, torna-se professor de línguas estrangeiras em Harvard. Apesar de permanecer na instituição por duas décadas, não leciona muito e dedica-se a atividades administrativas. Durante a Guerra Civil, para a qual alertava já em 1845, perdeu três sobrinhos, mas manteve uma postura pacifista. Após a Guerra, aproxima-se da política e sua amizade com o presidente Rutherford B. Hayes lhe vale dois postos diplomáticos: na Espanha (1877-1880) e na Inglaterra (1880-1885). Falece em 1891, vítima de um câncer que se espalhou pelos rins, pulmões e fígado.

John Steele, o herói azarado

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Imagine-se como um soldado americano sendo lançado de paraquedas na França na madrugada anterior ao Dia D. Agora imagine que, em vez de cair a oeste de uma cidadezinha normanda, você desce diretamente sobre a pracinha principal, que está cheia de militares alemães. Pra piorar, seu paraquedas acaba se enroscando na torre da igreja, te deixando pendurado lá em cima, bem à vista dos tedescos. Seria difícil acreditar que, depois de tudo isso, você ainda acabaria virando um monumento.

Mas, por incrível que pareça, foi justamente essa sequência de FAILS que transformou o paraquedista americano John Steele em herói para a população de Sainte-Mère-Église. Junto com outros soldados de dois dos três batalhões da 82ª. Divisão Aerotransportada, Steele foi lançado por engano sobre aquela cidadezinha após um bombardeio realizado na noite anterior ao Dia D.

Em situações como essa, paraquedistas são alvos fáceis. A sorte de Steele mudou quando, depois de ser ferido no tiroteiro anti-aéreo e sobreviver, ele ficou preso pelo páraquedas na torre da igreja. Notando que seus companheiros ou já chegavam mortos ao solo ou eram mortos após o pouso, Steele resolveu se fingir de morto. Seus ferimentos ajudaram em sua encenação estratégica.

O truque funcionou, mas não muito. Duas horas depois, Steele foi descoberto e, como estava vivo, foi feito prisioneiro. Só que o truque dos alemães também não funcionou por muito tempo. Mesmo ferido, Steele escapou e conseguiu encontrar as tropas do terceiro batalhão de paraquedistas, a essa altura reorganizados no 505º. Regimento de Infantaria Paraquedista e pousados no lugar certo. Steele voltou à vila com seus companheiros e ajudou-os a capturar St.-Mère-Église, num ataque que matou 11 alemães e capturou outros 30. Mais tarde, o paraquedista azarão foi recompensado com uma Estrela de Bronze e uma Purple Heart.

Após a guerra, Steele continuou visitando anualmente a cidadezinha que ajudou a libertar. Foi feito cidadão honorário e deu seu nome à uma taverna situada naquela praça, onde sua memória é mantida através de fotos e cartas. Há uma estátua de Steele pendurada com um paraquedas na torre da igreja onde ele teve a (in)felicidade de ficar enroscado. Num dos vitrais reconstruídos, dois paraquedistas cercam a Virgem Maria — um deles é o próprio John Steele, que faleceu em 1969, de câncer, poucas semanas antes do 25º. aniversário do Dia D.

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