Patentes patéticas (nº. 101)
Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso nos acontece: uma patente patética sem ilustração. Mas a ideia de Yong Zou e Qiang Zou é tão simples que realmente pode dispensar desenhos ridiculamente esquemáticos. Membros de um tal de Shandong Institute for Product Quality Supervision & Inspection, os dois Zou são os criadores oficiais de uma nova droga (em ambos os sentidos do termo): Ginkgo Biloba L. leaves cigarette ou cigarro de folhas de Gingko Biloba: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 100) (agora sim)
Você sente que precisa de mais segurança ao andar por aí com seu telefone celular? Mas você acha que carregar uma arma de fogo seria muito desconfortável ou mesmo muito perigoso? Seu sonho de infância era ser o 007?
O sonho de Ken Grove deve ter sido este. Ou então ele andou vendo muitos filmes do elegante agente secreto britânico antes de ter um estalo. É dele a ideia de um Electronic Device with Concealed Firearm System [Dispositivo Eletrônico com Sistema de Arma-de-Fogo Oculto]: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 95)
A senhora está grávida, mas acha que não tem forças para botar seu filho no mundo? Apesar disso, a senhora não quer passar por uma cesariana? Acha o fórceps muito invasivo? Que tal usar uma combinação de força centrífuga e gravidade para por fim à gravidez? Parece uma ideia radicalmente absurda, mas já faz meio século que um casal nova-iorquino inventou um Apparatus for facilitating the birth of a child by centrifugal force [Aparelho para facilitar o nascimento de uma criança por força centrífuga], cujo principal objetivo é Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 93)
Mesmo com anestesia, o medo de sentar-se na cadeira do dentista ainda é comum hoje em dia. Para alguns, a aplicação de anestésicos com agulhas parece morbidamente invasiva. No fim do século XIX, a coisa devia ser ainda pior. Que tal resolver o problema com uma cadeira elétrica? Essa é a ingênua proposta apresentada por Levi L. Deckard na patente intitulada Electrical Appliance for Dental Chairs [Aplicação Elétrica para Cadeiras Dentárias]: Continue lendo…
A poça sem fundo de Lewis Carroll
Lewis Carroll analisa a tensão superficial em um experimento mental. É um exemplo perfeito de lógica escorregadia:
Suponha um sólido mantido sobre a superfície de um líquido e parcialmente imerso: uma porção do líquido é deslocada enquanto o nível sobe. Mas, evidentemente, com essa elevação do nível, um pouquinho a mais do sólido acaba imerso. Assim, temos um segundo deslocamento do líquido e um consequente aumento do nível. Novamente, essa segunda elevação do nível causa ainda outra imersão e porseguinte outro deslocamento e mais outra elevação do nível do líquido. É auto-evidente que esse processo deve continuar até que o sólido seja inteiramente imerso e que o líquido passará a imergir o que quer que tenha mantido o sólido ou que esteja em contato com ele ou que possa ser temporariamente considerado parte dele. Se você mantém um galho de seis pés em contato com a superfície de uma poça d’água e esperar o bastante, eventualmente vai acabar sendo imerso. A questão da fonte de onde a água vem — que pertence a um alto ramo da matemática e está além de nosso presente escopo — não se aplica ao mar. Vamos, portanto, considerar o caso familiar de um homem parado à beira-mar, durante a maré-vazante, com um sólido em sua mão, o qual ele imerge parcialmente. Nesse caso, ele [o homem] mantém-se firme e imóvel, embora saibamos que ele deveria acabar afogado.
As multidões daqueles que perecem diariamente dessa maneira para atestar uma verdade filosófica — cujos corpos as ondas rabugentas lançam indiferentemente em nossas praias ingratas — merecem ser chamados de mártires da ciência mais do que um Galileu ou um Kepler.
Você quis dizer… [2]
Como já vimos anteriormente, muitas vezes a parte mais divertida ou surpreendente de um livro encontra-se justamente em suas últimas páginas — o índice remissivo. O exemplo de hoje vem de Essays in Musical Analysis, Volume VI [Ensaios sobre análise musical, volume VI]. De autoria do músico e musicólogo Donald Francis Tovey (1875-1940), o livro foi publicado em 1939 e tem alguns itens em seu índice remissivo que mais parecem um teste psicanalítico de livre-associação:
Açúcar, vide Mercearia
Agonóstico, vide Daschund.
Apendicite, vide Candência.
Críticos, vide Experts.
Espirro, vide Cherubini e Beethoven.
Experts, vide Críticos.
Feitiçaria, vide Mendelssohn.
Girafa, vide Berlioz.
Monstro, vide Lago Ness.
Papa, vide Bruckner.
Porco-espinho, vide Brahms.
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“Procedimentos contra as coisas inanimadas”
Entre os Kulkis, se um homem cai de uma árvore e é morto, é dever sagrado derrubar a árvore, cortá-la em pedaços e jogá-los fora da comunidade. O espírito da árvore, supõem, causou o acidente e o sangue do falecido não terá sido inteiramente vingado até que o objeto ofensivo tenha sido extraído da face da Terra. Um sobrevivente dessa noção era o costume de queimar hereges e lançar suas cinzas aos quatro ventos ou em rios que correm para o mar. As leis de Drakôn e Erechtheus exigiam que as armas e todos os outros objetos pelo qual uma pessoa tenha perdido a vida fossem publicamente condenados e lançados para fora das fronteiras atenienses. Essa sentença de banimento, então considerada uma das mais severas que se podia aplicar, foi pronunciada contra a espada que matara um sacerdote e também contra um busto do poeta elegíaco Theognis, que caíra sobre um homem, matando-o. Mesmo nos casos em que alguém poderia considerar como homicídio justificável por legítima defesa, não se admitia exceção. Assim, a estátua erigida pelos atenienses em honra de um famoso atleta, Nikôn de Thasos, foi atacada e derrubada de seu pedestal por invejosos inimigos [do homenageado]. Ao cair, a estátua matou um dos atacantes e foi levada ao tribunal, onde foi sentenciada a ser lançada ao mar. Processos judiciais desse tipo eram chamados de “procedimentos contra as coisas inanimadas” e eram conduzidas na baixa corte de Atenas conhecida como Prytaneion. Tais processos são relatados por Ésquines, Pausânias, Demóstenes e outros autores, e brevemente descritos no “Onomasticon” de Julius Pollux e no “Lexicon Decem Oratorum Graecorum” de Valerius Hapokration. — Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [O Processo Criminal e Punição Capital de Animais], 1906
Patentes Patéticas (nº. 87)

Que mico!
Hoje em dia não é difícil encontrar por aí gente que humaniza animais, a ponto de dar aos bichos tratamentos iguais ou até melhores do que os dispensados às pessoas. Geralmente são madames riquíssimas e seus cãezinhos de bolsa ou solitários de ambos os sexos cercados de gatos. Ou então aquele tio de meia-idade e seu papagaio. Por mais loucos que possam parecer, eles nunca tiveram a ideia de patentear suas fantasias envolvendo animais.
Mas como a loucura humana não conhece limites, alguém já fez isso: Rennie Renfro patenteou sua ideia de combinar cães e macacos num simulacro de jóquei. São os Combined racing greyhound harness and rider supporting means [Meios combinados de suporte e arreios para cavaleiros de galgos de corrida]: Continue lendo…
Patentes Patéticas (nº. 86)

Arranje solas ocas, cânulas e uma mão de borracha. Parece uma daquelas ideias malucas que sempre aparecem no final de Kenan & Kel, mas não é. Quem teve a ideia de juntar essas coisas (e patenteá-la) foi Brent Gunnon. Sua invenção é o Foot pump powered neck massaging device [Dispositivo massageador de pescoço movido a bomba pedal], formado por Continue lendo…
Bob McCoy e seu Museu de Fraudes Médicas

Electro-metabograph: impressionante, mas inútil.
Allure Bust Developer, Battle Creek Vibratory Chair, Crystaldyne Pain Reliever, MacGregor Rejuvenator, Micro-Dynameter, Prostate Gland Warmer, Psychograph, Recto Rotor, Relaxacisor, Vibrometer… Parece uma série de produtos do Polishop. De certo modo, todos essas marcas foram mais ou menos isso em suas épocas. O que todas tiveram em comum? Elas eram vendidas em catálogos e prometiam alguma cura de forma completamente pseudocientífica. Continue lendo…




É um punhado de material cósmico, composto principalmente de carbono e hidrogênio, um animal, cordado, mamífero, primata, hominídeo pensante (cof,cof...) que não tem a mínima ideia do que está fazendo no mundo (ou do que é o mundo) e de quem é.