MARCO EVOLUTIVO Educação não-formal e divulgação científica sobre Ciência, Evolução, sua História e Filosofia e Comportamento Animal, principalmente o Humano. Escrito por Marco Varella, Psicólogo Evolucionista. Biólogo pela UNESP, Mestre e doutorando em Psicologia Experimental pela USP.
Hoje veremos um debate bem interessante sobre as implicações da teoria da evolução para entendermos a nós mesmos e a sociedade. O The Darwin Debate foi filmado no ano de 2005 em Piccadilly, Londres, na Sciedade Linneana, a mais antiga sociedade biológica, mas só recentemente foi disponibilizado no youtube. Malvyn Bragg é o debatedor e os convidados são Steven Pinker, psicólogo; Meredith Small, antropóloga; Steve Jones, geneticista; e Sir Jonathan Miller, neurologista e artista.
No primeiro vídeo eles falam basicamente sobre reprodução sexual, sexualidade e formação de casais. No segundo vídeo conversam sobre padrastos e madrastas, homosexualidade, e cultura chimpanzé. No terceiro filme falam de apreciação estética e preferências por paisagens, também se perguntam se a evolução teria parado em nossa espécie. No quarto vídeo, discutem se a evolução está atuando mais fortemente no crescimento de cérebros ou em melhores sistemas imunológicos, falam também de comportamentos maladaptativos por estarmos em ambientes diferentes daquele em que evoluímos. No quinto e último vídeo eles falaram de distúrbios mentais, variação individual, moralidade e altruísmo.
Reserve uma horinha para assistir a esse debate que aborda temas interessantes e pesquisadores com pontos de vista bem variados. Vale apena assistir, aproveite. Se quiser saber mais sobre os convidados e fazer o downoad dos vídeos clique aqui.
É de longa data a discussão de se a variação individual na nossa habilidade musical tem maiores componentes herdados geneticamente ou do ambiente. Muitos, caindo no erro do determinismo genético de que gene é destino, temem que se descobrirem que alguns genes relacionados a uma facilidade de aprendizado musical isso irá acabar de vez com o ensino de música nas escolas.
Pois é que os dotados de tais genes deveriam fazer aulas especializadas fora da escola. Ótimo, sendo assim, como devem existir genes facilitando o aprendizado de línguas e de matemática o currículo logo estará livre também dessas disciplinas. Nada mais justo! Vejam como não faz sentido algum temer que se busque fatores genéticos ligados a habilidade musical para proteger que o ensino musical no currículo.
Estudos em gêmeos apontam que alguns aspectos da musicalidade apresentam um grande componente hereditário influenciando a variação individual. Um estudo (Coon & Carey, 1989) encontrou que de 44% a 90% da variação individual na capacidade musical se deve pelo compartilhamento genômico. Outro (Drayna et al., 2001) encontrou que de 71% a 80% da variação individual na discriminação de tons se deve à herança genética.
Estudos genéticos já haviam mostrado que há uma associação entre a memória musical e polimorfismos em genes relacionados à vasopressina (Granot et al., 2007). Então o pesquisador Ian Craig do King's College London coletou amostras de DNA dos 40 cantores profissionais do New London Chamber Choir e de pessoas que se diziam completamente incapazes de cantar ou tocar instrumentos. Ele está analisando se as variações individuais no tamanho e conteúdo das cópias do gene que codifica o receptor 1A para a vasopressina no cérebro e em mais 16 outros marcadores genéticos co-variam com as habilidades musicais individuais. Por enquanto ele só encontrou algumas poucas diferenças, mas a análise ainda não está concluída.
Então, para atrair a atenção da mídia e do público em geral eles contactaram o compositor Michel Zev Gordon que compôs a música Allele, a primeira música criada a partir das 'letras' ou bases nitrogenadas do DNA. (Iniciativas anteriores semelhantes fizeram música a partir da freqüêcia da molécula de DNA). Pois é o DNA tem só 4 letras AGCT, e pra queles que gostam de pop song já sabem que 4 acordes são mais do que suficientes. Então como A= lá, G=sol, C= dó T=ti, ou si em inglês, dá pra criar uma música tranquilamente. Cada músico estava cantando sua voz contendo as notas da própria variante do gene relacionado à habilidade musical. Fenomenal. Veja mais detalhes abaixo no vídeo da NewScientist dessa semana.
Referências
Coon, H., & Carey, G. (1989). Genetic and environmental determinants of musical ability in twins. Behavior Genetics, 19(2), 183-193.
Drayna, D., Manichaikul, A., Lange, M., Snieder, H., & Spector, T. (2001). Genetic Correlates of Musical Pitch Recognition in Humans. Science, 291 (5510), 1969 - 1972.
Granot, R., Frankel, Y, Gritsenko, V., Lerer, E., Gritsenko, I., Bachner-Melman, R., Israel, S., & Ebstein, R. (2007). Provisional evidence that the arginine vasopressin 1a receptor gene is associated with musical memory. Evolution and Human Behavior, 28(5), 313-318.
Quem dança e canta seus males espanta, certo? Tudo bem, mas, evolutivamente, se esses males não forem inimigos, predadores, parasitas e outros competidores e se ainda assim se isso não ajudar na reprodução direta ou na de presentes, então nada feito. As origens evolutivas e efeitos sociais e cognitivos da música e da dança são o tema de uma entrevista muito interessante de Eduard Punset, distinto divulgador de ciência espanhol, com Lawrence Parsons, neurocientista cognitivo da Universidade de Sheffield.
Punset e Parsons ressaltam que a música e a dança são universais, regidas por processos psicológicos em grande parte inconscientes, feitas espontaneamente em grupo e que apresentam paralelos análogos em comportamentos de outras espécies, principalmente aves. Para Parsons a música e a dança
evoluíram como uma primeira forma de comunicação não verbal para promover a coesão social intragrupo, sincronizando e conectando emoções e atividades trazendo vantagens na competição com outros grupos, tribos etc. Parsons segue citando que a dança e a música são bem antigos segundo pinturas rupéstres e fósseis de flautas, e que não há celebração social sem música nem danças populares em todas épocas históricas.
Ele aponta que os bebês já estão prontos para aprender os ritmos da própria cultura já nos primeiros anos de vida: assim como com a linguagem durante o primeiro ano os bebês respondem brincando igualmente vários modelos rítmicos e de escalas musicais, mas após um ano aproximadamente eles passam a se especializar aos sons musicais ou lingüísticos da própria cultura. Através de brincadeira musical e dançada diferentes sistemas cerebrais se harmonizam eficientemente ao longo do desenvolvimento, segundo Parsons.
O interessante é que Punset não descarta a influência da seleção sexual tanto é que na edição final ela só é citada nas reportagens entre as partes da entrevista e não na entrevista em si. Os ancestrais que andavam e dançavam de forma mais graciosa eram percebidos como mais saudáveis, criativos e inteligentes levando então a um maior sucesso reprodutivo.
Eles falaram também dos neurônios espelhos, que estão ativos quando fazemos algo e quando vemos alguém fazer algo, seja dançar, tocar um instrumento ou assistir a uma competição esportiva. Então, seja especialista ou amador mesmo se estivermos praticando os movimentos mentalmente estamos até certo modo realmente aprimorando as conexões envolvidas nos movimentos. Vários sistemas cerebrais estão interagindo de forma complexa, percepção visual e sonora às áreas motoras, quase instantaneamente para gerar os movimentos da dança e isso tudo ligado ao sistema límbico nos dando prazer recompensador e ajudando na memória.
Eles finalizam trazendo as implicações sociais e educacionais dos novos estudos neurológicos e evolutivos da música e dança. Dizem que as artes deveriam ser ensinadas em todas as escolas, pois melhoram a memória operacional e a capacidade executiva da atenção e controle motor ao lidarmos com tarefas múltiplas. Concluem que a música e a dança são poderosas formas de coesão e sincronização grupal e que em sua prática contribuem numa harmonização de funções cognitivas gerais.
Muito bem produzido, como sempre, o vídeo da entrevista está repleto de imagens e explicações bem interessantes e cativantes, vale a pena assistirmos esse vídeo de 27 min e de quebra treinarmos nosso espanhol.
Cansado de ter que ler vários livros tediosos pra aprender evolução e inglês? Preferia ficar ouvindo um rap em alto e bom som? Pois seus problemas se acabaram!! Chegou o The Rap Guide To Evolution!!! Pois é minha gente, depois de ouvirmos músicas sobre Darwin e evolução no post e nos comentários de Cantando Darwin, depois de ouvirmos a versão reggae de cada um dos capítulos do Origem das Espécies, chegou a hora de ouvirmos o que o rap tem a nos dizer sobre evolução.
Baba Brinkman é um raper canadense fissurado em plantar árvores que lançou seu mais novo álbum "The Rap Guide To Evolution". Graças às conversas com um amigo biólogo evolucionista e muitas leituras, ele compôs 16 músicas interessntes sobre vários aspectos da evolução. Até a Olivia Judson, a Dra Tatiana do Consultório Sexual para todas as espécies, falou bem dele em sua coluna no The New York Times.
Em suas músicas ele explica a seleção natural, desacredita o criacionismo, explica a seleção artificial, ressalta nossa descendência comum com todos os seres vivos e afirma que todos os seres humanos são africanos. Ele ainda fala sobre Psicologia Evolucionista cita autores como Leda Cosmides e Geoffrey Miller, explica a relação do desconto de futuro com o homicídio comentando o livro de Martin Daly e Margo Wilson. Além disso, ele explica memética, seleção de grupo, seleção sexual, DNA mitocondrial e muito mais. Tudo isso numa liguagem clara, bem humorada e fácil de entender.
Gostei dele ter dedicado uma música ao ácido universal. Daniel Dennett refere-se a ideia de Darwin como um ácido que corrói tudo a sua volta, pois nenhum modelo instrutivo se sustenta frente ao modelo seletivo (veja o porquê). Ou seja complexidade e inteligência podem sugir de processos simples e burros sem nenhuma instrução mágica, basta performance, feedback e revisão por um longo período de tempo. No site dele vocês podem ouvir e baixar as músicas e ver muito mais.
No vídeo abaixo veremos Baba Brinkman no Cambridge Darwin Festival ano passado comemorando o Ano de Darwin frente aos famosos evolucionistas. Ele canta o rap em que explica como funciona o modelo seletivo e como usando os mesmo passos da seleção natural: performance, feedback e revisão é possível aprender e aprimorar até o mais fajuto rascunho de letra de rap, porque o rap também é evolução. Divirtam-se cantando e aprendendo.
Quem nunca convidou alguém pra dançar uma música lenta? Trata-se de um momento interessantemente tenso e de decisão rápida. Imagine-se num nightclub numa cidade de tamanho médio do oeste francês. Vocês garotas estão com suas amigas e quando começa tocar aquela música lenta romântica você é abordada por um rapaz atraente. Ele diz: "Olá meu nome é Antonie, quer dançar?" O que você faria? Numa fração de segundos você já analisou milhares de aspectos desse desconhecido e toma a decisão: "Não obrigada." Então ele fala: "Que pena, outro dia talvez." Mas se você aceitasse ele te diria que você acabou de participar de um experimento naturalístico sobre comportamento
social em nightclubs! Em ambos os casos você é logo abordada pela pesquisadora para você responder um questionário.
Com certeza as mulheres tiveram várias razões pessoais para aceitar ou declinar do convite, mas não podemos esquecer que enquanto bons primatas que somos temos nossas razões biológicas também e na maioria das vezes, ambas andam juntas.
No estudo Menstrual cycle phase and female receptivity to a courtship solicitation: an evaluation in a nightclub do
pesquisador francês Nicolas Guéguem publicado no jornal científico Evolution and Human Behavior em 2009, três rapazes, os quais foram considerados os mais atraentes num estudo prévio, foram os galãs convidando ao todo 211 mulheres pra dançar. Ele descobriu que as mulheres no período fértil aceitaram mais o convite para dançar do que as outras. Pela primeira vez é documentado um efeito do período fértil numa situação de paquera realista.
O ciclo menstrual tem três principais períodos e ele não se refere apenas aos dias de menstruação. Basicamente uma vez por mês o útero, o corpo e a mente feminina se preparam para uma possível gravidez. O primeiro período vai do primeiro dia de menstruação, que dura até 5 dias, até o dia 8. Do dia 9 ao dia 15 é o período fértil ou folicular, quando a mulher tem muito mais chances de engravidar. Do dia 16 ao 28, se não houver gravidez, segue-se o período luteal.
Vários estudos em laboratório já mostraram que durante o período fértil as mulheres que não estão tomando contraceptivo hormonal julgam mais atraentes características físicas nos homens relacionadas a masculinização e simetria. Estes são tidos como indicadores de resistência a doenças, já que a testosterona deprime o sistema imunológico, e de estabilidade no desenvolvimento embrionário. Além disso, elas também têm mais fantasias sexuais inclusive com sexo extraconjugal. Entretanto, poucos são os estudos sobre as mudanças psicológicas do período fértil nas interações sociais do dia a dia em situação realistas.
O primeiro estudo foi o Ovulatory cycle effects on tip earnings by lap-dancers: Economic evidence for human estrus dos pesquisadores Geoffrey Miller, Joshua M. Tybur Brent Jordan publicado também no Evolution and Human Behavior mas em 2007. Stripers profissionais tomaram nota dos períodos do ciclo menstrual em relação aos turnos de trabalho e gorgetas ganhas durante 60 dias. Eles descobriram
que com 5 horas de trabalho na fase fértil as dançarinas eróticas ganharam $335,oo em gorgetas, enquanto que na fase luteal ganharam $260,oo e na fase menstrual apenas $185,oo Esse estudo ganhou o Ig Nobel como pesquisa improvável no campo de economia em 2008.
Em conjunto essas duas pesquisas apontam as influências da seleção sexual na dança. O interessante é que o período fértil influencia tanto a exibição feminina em forma de dança quanto o aceite de convites para dançar aumentando assim as chances de encontrar um parceiro no áuge da probabilidade de concepção. O que dançou nessa história foi a idéia que a ovulação humana é oculta, com certeza ela não está tão descarada quanto nos chimpanzés, mas definitivamente não é tão silenciosa quanto se pensava.
As mulheres viveram um dilema evolutivo de encontrar um parceiro que ajude a criar seus filhos e que seja sexy, inteligente e másculo. E as estratégias psicológicas femininas para terem o melhor dos dois mundos, mesmo que esteja em corpos diferentes coevoluiram com as estratégias psicológicas masculinas de não criarem filhos de outros homens e esse antagonismo pode ter diminuído os sinais da ovulação e aumentando os períodos do ciclo em que a mulher faz sexo. A confusão da paternidade e a incerteza da paternidade coevoluiram numa dança continua em nossa espécie e muitos desse movimentos ainda estão para serem desvendados.
Sem sombra de dúvida o youtube intensificou as pressões seletivas sobre os memes audiovisuais da nossa espécie. E quando temos forte seleção e muita variabilidade disponível não precisamos de muito tempo para encontrar coisas extraordinárias. Mais um casamento promissor entre ciência e música se faz presente graças às técnicas de edição de vídeos. Hoje veremos o que o Symphony of Science tem a dizer sobre evolução.
O Symphony of Science, produzido por John Boswell, consiste em mais uma forma de trazer conhecimento científico e filosófico para o público em forma de música. Em cada vídeo encontramos vários cientistas famosos, como Attenborough, Dawkins, Hawkins, Goodall, P Z Meyer, Sagan e muitos outros, todos cantando suas palestras e falas de vídeos. O trabalho final soa muito bom, parece que eles realmente estão juntos cantando e a produção das imagens dos vídeos ficaram muito boas, interessantes e instigantes.
No site do the Symphony of Science encontramos cinco vídeos disponíveis para download, a história do projeto e as letras. Também quem quiser seguir o Symphony of Science no twitter e no youtube, receber notícias no email ou enviar alguma doação monetária encontra como proceder no site. Os clipes em sua maioria falam da astronomia e apenas um de biologia. É interessante que ambas disciplinas estejam presentes, pois o conhecimento científico atinge seu ápice de poder em nossas mentes se nos desvencilharmos do nosso antropocentrismo, tanto em escala planetária (não somos nem o centro do universo, nem nada especialmente diferente de outras galaxias), quanto na escala biológica (não somos nem o ápice da evolução, nem mais especiais do que qualquer outra espécie).
No vídeo abaixo veremos desde aspectos da origem da vida, da maquinaria celular até a árvore da vida formada pela linha indivisível de parentesco (daí o nome do vídeo "The Unbroken Thread") que une toda a biodiversidade na Terra ao longo dos 4 bilhões de anos de evolução. Jane Goodall, que nesse 2010 comemora 50 ano do início de suas pesquisa observando o comportamento de chimpanzés em vida livre na África, deixa claro que quanto mais sabemos sobre as capacidades das outras espécies, mais percebemos como éramos e ainda somos arrogantes em sempre tentar nos separar dos outros animais. Pense nisso.
Começa amanhã a programação especial do Museu de Zoologia da USP em comemoração do Dia de Darwin. A programação conta com várias atividades interessantes e participação de vários professores. Taí uma ótima oportunidade para visitar o Museu de Zoo e ver a exposição permanente que é muito boa e a temporária "Darwin, Evolução para Todos".
Confira os detalhes da programação oficial. Agradeço à Dra. Isabel Landin (organizadora) pelas informações em primeira mão da programação do Dia de Darwin no MZ-USP.
Hoje, dia 12 de fevereiro, e estamos comemorando os 201 anos de nascimento de Charles Darwin. Entramos na era pós bicentenário darwiniano. Época em que ciência e cultura não são mais extremos opostos e distantes, pois é cada vez mais fácil o acesso à ciência e à divulgação científica pela internet.
Mas o acesso em si não é suficiente, precisamos de um real engajamento de cada um pra se tornar um cidadão cientificamente cultural, ou seja, aquele que usa o pensamento crítico, testanto possibilidades, buscando evidências para os posicionamentos e atitudes, desconfiando sempre da Autoridade, Tradição, da Revaleção como fontes inquestionáveis do conhecimento. Dessa forma nossa sociedade será mais culturalmente científica: entreterimento, arte, política e cidadania incluirão aspectos científicos relevantes criando um ciclo, em que quanto mais culturalmente científica a sociedade, mais cientificamente cultuais são as pessoas. Acredite se quiser, esse processo já começou e a mudança é gradual.
É época de abaixos assinados evolutivos. O site do Darwin Day está reconhendo assinaturas em uma petição para o presidente Obama visando a proclamação oficial do dia 12 de fevereiro enquanto o Darwin Day, dia em que celebramos a ciência e a razão reconhecendo a importância científica e cultural de Darwin. Se você tem amigos ou parentes nos EUA peça pra eles assinarem e contribuirem com essa ação culturalmente científica evolutiva. Por que não fazemos isso aqui no Brasil? Até quando o Dia do Orgullho Ateu, hoje 12 de fev, será marginalisado do calendário oficial brasileiro e estará restrito a 700 pessoas no orkut?
O site da National Center for Science Education está promovendo uma ação científicamente cultural. Inspirado pela tradição criacioniasta de criar listas apresentando os 'cientistas que duvidam da evolução', eles criaram o Steve Project. Esse projeto tira sarro disso ao apresentar um lista de cientistas chamados 'Steve' (ou variantes) que são evolucionistas. O nome Steve foi escolhido para homenagear Stephen Jay Gould, um grande divulgador de ciência e ávido combatente do criacionismo. E já que menos de 1% dos cientistas se chamam Steve dá pra ter uma boa noção de quantos mais corroboram com a Evolução. Não vá pensar que assuntos científicos são decididos segundo o tamanho da lista, isso é só uma paródia cultural. Atualmente eles já têm 1.124 Steves na lista, vendem camisetas e têm até a Steve song. Então se você conhece algum cientista evolucionista chamado Estevan, Estefano entre outros indique a ele esse site e contribua com o evolucionismo.
Como hoje é carnaval no Brasil, os organizadors do Dia de Darwin no Museu de Zoologia da USP agendaram as comemorações Darwinianas para a semana do dia 23 a 28 de fev. (terça a domingo). A programação conta com a exibição de documentários da Mostra Ver Ciência sobre Darwin e Evolução (terça 23, quarta 24 e sexta 26, 11h e 15h); uma mesa redonda sobre Divulgação Científica e Evolução com Ildeu de Castro Moreira (Ministério da Ciência e Tecnologia), Sergio Brandão (jornalista, Mostra Ver Ciência), Prof. Nelio Bizzo (Faculdade de Educação USP) e Maria Isabel Landim (Museu de Zoologia USP e uma das organizadores do Dia de Darwin pelo 5º ano), na quinta feira 25 às 15h.
No final de semana haverá programação infatil como oficina sobre Evolução e Biodiversidade, oficina de origami, teatro de fantoches Darwin e a Bicharada e visita guiada à exposição temporária Charles Darwin: Evolução para Todos, além de uma palestra e bate papo com o Prof. César Ades (Instituto de Psicologia e Instituto de Estudos Avançados da USP) sobre Evolução & Comportamento Animal no sábado 27 às 15h. No domingo 28 às 10h haverá uma mesa redonda intitulada: Biodiversidade 2010 - O que sabemos e o que precisamos saber? com profs Luís Fábio Silveira (IBUSP), Miguel Trefaut (IBUSP), Mário de Pinna (MZUSP) e Carlos Lamas (IBUSP). E às 14:30h haverá uma mesa intitulada Um Olhar Sobre a Diversidade Humana com os profs diogo Meyer (IBUSP) e Demétrio Magnoli (FFLCH USP), que está promovendo seu livro sobre evolucionismo e imaginação racial 'Uma Gota de Sangue'.
Bom Feliz Dia de Darwin, Dia do Orgulho Ateu a todos e mãos à obra para mudar a sociedade através da educação, divulgação e atuação cientificamente cultural.
É com muito prazer que inicio as blogagens de 2010 diretamente do Canadá. Dessa vez não vim a um congresso. Acabei de me mudar, estou morando no Canadá há uma semana. Durante todo esse ano até janeiro de 2011 estarei vivendo o "recheio" do meu doutorado sanduíche pela USP (financiando pelo CNPq) aqui na McMaster Univesity. Estou no laboratório de NeuroArts e começando a entrar em contato com um rico ambiente intelectual e aprendendo muitos aspectos evolutivos, antropológicos e neurológicos das manifestações musicais entre outras artes.
E nesse clima apresento o "Notes & Neurons" do World Science Festival de 2009. Trata-se de uma ótima entrevista-discussão-apresentação-documenário sobre as novas descobertas da neurociência sobre nossa musicalidade. Nessa série de cinco vídeos você vai ver como nosso cérebro decompõe as várias dimensões da música usando diferentes áreas e depois reitegra de forma paralela as informações para termos a experiência musical. O âncora é o John Schaefer e os convidados são os cientistas Jamshed Barucha da Tufts Univ., Daniel Levitin da McGill Univ., Lawrence Parsons da Univ. de Sheffield, e o músico Bobby McFerrin ("Don`t worry, be happy") que faz intervenções bem interessantes.
No primeiro vídeo, após o solo de Bobby eles falam um pouco do crescente interesse pelas bases neurais da musicalidade, suas questões universais e particularidades culturais. No segundo vídeo, veremos que nossa musicalidade sempre inclui música e dança, que não existe uma única área cerebral responsável por toda a cognição subjascente à nossa musicalidade, ela está distribuida por todo o cérebro e o sistema nervoso periférico. Basicamente temos áreas cerebrais envolvidas na percepção e análise auditiva, na memória e associações, na expectativa do que vai acontecer, no movimento, na sensação corporal, na emoção, e na percepção visual.
Eles falam dos intervalos muscais que são
universais como a oitava, a quinta, a quarta e a terça. Falam também que quando falamos algo triste usamos o mesmo contorno melódico dos acordes menores que também soam tristes, e quanto estamos com raiva fazemos um intervalo de meio tom. O interessante é que temos muito mais facilidade de reconhecer o pacote melódico da fala pra emoções negativas. Já que evolutivamente, as consequências das emoções negativas tiveram maior chance de prejudicar a aptidão de nossos ancestrais. Bobby McFerrin faz ótimas demostrações de variação no timbre, e eles mostram variações também no ritmo.
No terceiro vídeo, eles demostram diferenças entre as escalas ocidentas e as escalas da música indiana. Mostram que ter crescido em uma cultura faz com que criemos expectativas musicais típicas das escalas usadas, mas ainda assim possuímos uma platicidade para aprender diferentes escalas e músicas de culturas distantes. Com a crescente disseminação da afinação e da harmonia ocidental através do mundo, graças a pop music industry, corremos o risco de não termos exemplos de músicas sem a influência ocidental para estudos etnomusicológicos. Mas pensando bem, Jamshed está certo em dizer que sim, ainda existe uma última tribo não exposta à música do resto do mundo, os EUA!
No quarto vídeo, veremos a belíssima e muito didática demostração de Bobby McFerrin sobre as expectativas universais quanto à escala pentatônica. Depois eles falam das relações entre musicalidade e linguagem, os casos de línguas tonais como o chinês, tudo parte de uma grande vivência social compartilhada permeando música, dança e linguagem. E no final comentam que os bebês antes de nascer facilmente encorporam as escalas musicais de cada cultura. No último vídeo músicos e convidados tocam juntos. Aproveitem e feliz 2010!