Muitas pessoas já encararam (ou encaram) o Lamarckismo como um substituto à altura do Darwinismo na explicação da evolução. Mas a filósofa Helena Cronin nos deixa claro que não é bem assim e explica o porquê. Aliás, para ela Richard Dawkins mostrou brilhantemente isso no seu livro The Exended Phenotype de 1982.
O Darwinismo pode explicar com facilidade de que maneira a girafa inicialmente passou a fazer a coisa certa, adaptativa. É a descendência de uma longa linhagem de girafas que – saindo de um conjunto aleatório de mudanças genéticas possíveis – acaba encontrando em mudanças que representam um avanço, mesmo que elas sejam muito pequenas. As girafas não precisam encontrar a chave que finalmente abrirá a fechadura, mas simplesmente uma chave que se aproxime um pouco disso, não importando quão pequena seja essa a aproximação. É o fato de as chaves adaptativas poderem ser escolhidas por incrementos que torna possível encontrar, entre todas as chaves, uma que seja satisfatória.
Em contrapartida, o Lamarckismo precisa explicar de que maneira a girafa, por algum meio misterioso, foi orientada a fazer a coisa certa. A teoria pressupõe que um organismo responda adaptativamente porque aprende do seu meio ambiente, extrai dele informações, recebe dele “instruções” sobre qual resposta é necessária. Mas a teoria não elucida como surge a habilidade de esse organismo aceitar as instruções em primeiro lugar.CRONIN, H. (1995). A Formiga e o Pavão: Altruísmo e Seleção Sexual de Darwin até hoje. Tradução C. Fragoso e L. C. B. de Oliveira. Campinas: Papirus, capítulo 2 - Um Mundo sem Darwin. P. 69.
MARCO EVOLUTIVO Educação não-formal e divulgação científica sobre Ciência, Evolução, sua História e Filosofia e Comportamento Animal, principalmente o Humano. Escrito por Marco Varella, Psicólogo Evolucionista. Biólogo pela UNESP, Mestre e doutorando em Psicologia Experimental pela USP.


Comments (3)
«Assim, o Lamarckismo não poderia ser nunca algo mais que um anexo limitado para a teoria Darwinista.»
Um raciocínio que poderia ser mais explorado, já que existem diversos indícios disso. Mas que é sumariamente rejeitado por parecer com o "ID", embora haja outras explicações menos fantasiosas.
Posted by: João Carlos | outubro 28, 2008 5:14 PM