Feliz Dia de Lamarck e Hamilton!!!

Hoje, dia 1º de agosto, estamos comemorando um dia evolutivamente marcante! Nessa mesma data nasceram dois gigantes evolucionistas que foram fundamentais para nosso melhor entendimento dos seres vivos.

Jean-Baptiste Lamarck comemora hoje 268 anos! Nascido em 1744, o naturalista frances, além de cunhar os termos “Biologia” para o estudo dos seres vivos, e “Invertebrados” para os animais sem vertebra, foi um dos primeiros a aceitar que as espécies podiam mudar, ou seja evoluir, e ainda propôs um mecanismo para essa mudança. Ele descobriu e classificou alguns milhares de espécies. Teve mais de 220 espécies nomeadas em sua homenagem. Faleceu aos 85 anos em 1829. Descubra qual foi seu verdadeiro erro no MARCO EVOLUTIVO e mais sobre sua vida na Wiki.

 

 

Willian Donald Hamilton comemoraria hoje 76 anos! Nascido em 1936, o biólogo evolucionista britânico, além de ser um dos proponentes iniciais da teoria da Rainha Vermelha para evolução da reprodução sexuada, revolucionou a biologia evolutiva com a Regra de Hamilton (C < r x B) ao explicar a evolução de comportamentos altruístas dando as bases para a Sociobiologia e para o ponto de vista do gene na evolução. Ganhou 10 prêmios científicos. Ele faleceu aos 63 anos em 2000, e gostaria que, após sua morte, fosse mandado ao Brasil para ter seu corpo devorado pelo besouro carniceiro do gênero Coprophanaeus. Descubra o porquê na Wiki.

Ambos teóricos evolucionistas foram pioneiros em seu tempo e trouxeram grandes mudanças em como vemos a evolução das espécies. Lamarck mostrou que apenas leis naturais são suficientes para a transformação das espécies. E Hamilton mostrou que os beneficiados dos comportamentos altruístas são os genes e não o indivíduo ou a espécie. Vamos celebrar e relembrar esses dois pilares do evolucionismo. Feliz dia de Lamarck e Hamilton!!

Seleção Sexual, de Parentesco, Natural, Artificial e Social

O papel e a importância das fêmeas têm mudado muito, não só em nossa sociedade, mas também nas próprias teorias evolutivas. Após 141 da publicação do livro ’A Descendência do Homem e a Seleção Sexual’, em que Darwin introduz a importância e as implicações evolutivas da escolha da fêmea, pesquisadores rediscutem o papel das fêmeas na seleção sexual e sua abrangência para incluir aspectos não diretamente relacionados com a reprodução.

MARCO EVOLUTIVO traz diretamente do futuro, do dia 19 de agosto de 2012, um número especial do periódico Philosophical Transactions of the Royal Society B: biological Sciences. Intitulado “Seleção sexual, conflito social e a perspectiva feminina”, o número conta com 11 artigos que giram em torno da competição social feminina.

Enquanto alguns sugerem expandir o escopo da seleção sexual para incluir todas as formas de competição entre fêmeas, outros propõem incluir a seleção sexual dentro de algo maior chamado de seleção social, outros ainda querem substituí-la completamente por esta. Num sentido mais amplo, a seleção social é tida simplesmente como, a seleção resultante das interações intraespecíficas sociais. Tudo surgiu quando alguns pesquisadores não conseguiram ver como parte da seleção sexual algo que não fosse diretamente ligado à reprodução, como dominância social, por exemplo. Daí inventaram essa tal seleção social.

Sinceramente, pra mim essa discussão é decepcionante. Primeiro, assim como a seleção natural não parou no Darwin, a seleção sexual também evoluiu. O fato de o Dariwn não ter valorizado a ornamentação da fêmea, nem a competição entre fêmeas, não significa que hoje não saibamos que todas as opções ocorrem: competição entre machos, entre fêmeas, entre macho e fêmeas, escolha da fêmea e do macho. E pra isso não precisamos inventar outro conceito.

Segundo, o simples fato da existência da consagrada competição intrasexual, ou seja, luta direta e indireta ritualizada, mostra que seleção sexual não é só sobre sexo, ou apenas coisas diretamente relacionadas à cópula. Ela envolve até as coisas indiretamente relacionadas ao sexo.

Agora, só há evolução, se há reprodução, seja direta, via filhos, ou indireta, via filhos de parentes. Então, a meta final evolutiva, não é só sobreviver (seleção natural), nem só socializar (seleção social), essas atividades são apenas meios para o fim da reprodução (seleção sexual e seleção de parentesco). Mesmo assim, muitos evolucionistas eminentes, como era o caso do próprio Ernst Mayr, consideram a seleção sexual apenas algo menor dentro da seleção natural e de parentesco.

Terceiro, o simples fato de Darwin ter colocado a origem do homem em processos naturais, deixa turva a distinção entre seleção natural e seleção artificial. Não há nada de mais artificial no ser humano (e nem no que ele faz) do que em qualquer outro animal. Pra mim, tudo isso mostra que não adianta criarmos ou eliminarmos tais conceitos de seleções se não percebermos que estamos misturando duas coisas. Uma é ‘quem faz a seleção?’: a natureza, o homem, a sociedade ou a fêmea. Outra coisa é, ‘visando a que? sobrevivência, reprodução direta ou reprodução indireta.

Quanto à última questão, a coisa é tranquila, por mim, deixaria a sobreviência com a seleção natural, a reprodução direta com a sexual e a indireta com a de parentesco.
Para a primeira questão podemos simplificar em dois grupos de atores seletivos: os físicos, os quais são, em geral, mais inertes, não coevoluem com aquilo que selecionam, no sentido de não possuir conflito de interesses; e os biológicos, os quais são direcionais e reativos, pois sempre coevoluem com o que selecionam.

Alguns fatores físicos são sim alterados em resposta a uma seleção condicionada por ele, é o caso da construção de nicho, em que todo animal (não só o ser humano) altera seu meio de acordo com suas necessidades, afrouxando algumas pressões seletivas e criando outras. Mas essas pressçoes nunca ‘revidam’ ou ‘perseguem’ evolutivamente aqueles que selecionam, não têm uma agenda própria. Os fatores seletivos biológicos podem vir de outras espécies (como predadores, parasitas, gripes, presas ou domesticação) ou ser intraespecíficos. A importância da dinâmica intraespecífica é grande, pois veja: ao caçar uma capivara, a onça não só vence um indivíduos de outra espécie, como sai na frente, naquele dia, na competição por comida com os indivíduos da sua própria espécie.

As interações intraespecíficas podem ser afiliativas, aversivas ou neutras, de cunho sexual ou não, pra ambos os sexos. O grande desafio então, é expandir o entendimento atualizado sobre os conceitos e não criar novos termos tapa-buraco. Assim como existe competição intrassexual (macho-macho e claro também fêmea-fêmea), existe competição intersexual, entre macho e fêmea, e ainda existe também cooperação intrassexual (macho-macho e fêmea-fêmea). Assim como existe seleção intersexual (fêmea escolhe macho, e também macho escolhe fêmea), existe seleção intrasexual (macho escolhe macho e fêmea escolhe fêmea). Tudo isso influenciando a evolução de armamentos (agressões diretas e indiretas, incluindo piadas ofensivas, bulling e fofoca) e ornamentos (diretos ou indiretos, incluindo piadas positivas, altruísmo e recomendação/indicação de pessoas).

Além disso, as interações sociais dentro da espécie podem ser afiliativas, aversivas ou neutras, de cunho sexual ou não, pra ambos os sexos, sendo parente ou não! Ou seja, existe sim toda uma gama de interrelações entre seleção sexual e de parentesco que deve ser mais bem explorada, afinal ambas são reprodução.
Bom, espero ter ajudado pra abrir o leque de opções e esclarecer que essa onda de fazer caricatura de conceitos clássicos, forçando a barra em aplicá-los apenas em casos específicos para então abrir caminho para conceitos ditos ‘mais abrangentes’ (que fazem a mesma coisa no final), tá por fora.

Ades Egypti e seu Entusiasmo Contagiante

Era impossível ficar ao lado de nosso querido César Ades, que nasceu no Cairo, Egito, e não ser levado por seu entusiasmo contagiante. Conheci o César em 2003 no XX Enconto anual de Etologia (EAE) em Natal, em meu terceiro ano de graduação eu ainda não havia encontrado minha área de pesquisa. Lá depois de uma brilhante palestra sobre todos os EAEs anteriores eu estava mais do que cativado pela Etologia, principalmente voltada para os humanos. Ele autografou meu livro de resumo e me desejou um futuro brilhante.

Em meu último ano de graduação fiz um trabalho sobre a consciência animal e se não fosse um texto do César ter me tocado e me motivado não teria tirado da nota máxima.

Em 2004, ao final de meu bacharelado na Unesp de Bauru com Sandro Caramaschi, ex-aluno do Prof. César, fui conversar com ele para estudar possibilidade de um mestrado. Eu estava super nervoso, mas ele me deixou bem a vontade e no decorrer da conversa percebemos que estávamos em sentidos contrários: ele era um psicólogo mais voltado para o comportamento dos outros animais e eu um biólogo interessado no ser humano. Então, ele me indicou a Profa Vera Bussab que acabou sendo minha orientadora de mestrado e de doutorado no Bloco F do IP-USP, inaugurado pelo César enquanto diretor do Instituto anos antes.

Sua disciplina de pós sobre Comunicação Animal me forneceu bases sólidas para um estudo comparativo da musicalidade humana. Cada aula com ele era uma maravilha, ambiente descontraído, informações precisas e conexões muito bem elaboradas.

Fora as belas homenagens oficiais a ele realizadas pelo Instituto de Psicologia da USP, muitas palavras relevantes e tocantes foram colocadas aqui na nossa Série Especial do ScienceBlogs Brasil em homenagem ao César, o Grande ao meu ver.

Eu (depois de ficar uma semana e meia fora do ar devido a uma fratura e cirurgia no braço dois dias após seu falecimento) gostaria de acrescentar algo que julgo muito louvável sobre ele. César Ades era tão entusiasmado e curioso por conhecimento que ele não conseguia se conter em apenas dar aulas, fazer pesquisas, publicar, orientar, ter cargos administrativos, organizar eventos, ele também fazia e valorizava a divulgação científica.

Ao ser esse acadêmico generalista digno de um Da Vinci moderno, a divulgação científica não poderia passar em branco. Ele deu diversas entrevistas tais como a brilhante ‘Psicologia e Biologia – Entrevista com César Ades’, e a ‘Entrevista: César Ades estuda a evolução do comportamento animal’. Escreveu e deu várias contribuições para a Ciência Hoje Criança como explicando a importância da limpeza nos animais em ‘Tá limpo!’. Ele deu várias palestras e também participou de várias comemorações do Dia de Darwin. Esse ano, César compareceu ao Catavento Cultural para participar de um talk show com o Prof Nélio Bizzo. Como sempre tudo bem descontraído e informativo. Ele sempre frisava na importância de Darwin enquanto o primeiro psicólogo evolucionista. Sua importância como divulgador é crucial e assim como todas suas outras características irá continuar inspirando gerações de pesquisadores e admiradores.

Uma de suas mais atuais metas era a de reunir etólogos eminentes da América Latina para um simpósio debatendo origens, desafios e perspectivas futuras da área, de modo a gerar um livro em conjunto sobre as experiências em cada país e a semente de uma aliança Latino-Americana de Etologia. Reuniremos esforços para realizar essa grande ideia junto a alunos e profs.

Um dos mais tocantes comentários sobre o César pra mim foi o do Prof. Fernando Ribeiro quando queria destacar uma virtude dele.

“Quem o vê hoje, e encanta-se com seu entusiasmo, conhece o mesmo César Ades de 40 anos atrás. E foi esse entusiasmo que escolhi, a fim de destacar uma de suas virtudes, ao cumprimentá-lo, na ocasião de sua indicação para o Instituto de Estudos Avançados, quando disse a ele: Fui percorrendo suas marcas, a inteligência, a erudição, o caráter… mas como me impus uma escolha, fiquei com o entusiasmo, sem o qual a inteligência não se acende, a erudição não se atinge, o caráter não se transmite. Sim, porque César Ades é, e sempre foi, um professor. Sua extroversão e a expressividade com que se comunica constituem sua face visível”

Fique agora com os dois vídeos de uma entrevista de César Ades concedida ao programa Trajetória da TV USP em 2011 e com o vídeo mais recente do César Ades no Dia de Darwin. Assim um pouco dele e seu entusiasmo sempre viverá em nós de modo a podermos contagiar toda uma outra geração com suas idéias e atitudes.


Dia de Darwin 2012

Fim do Mundo na Cabeça

O fim do mundo não foi inventado pelos Maias, Astecas, Profetas ou cometas. Ele sempre existiu e mora dentro de nossas mentes. Trata-se da manifestação mais genuína de nosso pluralismo de estratégias comportamentais contingentes à disponibilidade de fatores sócio-ambientais. Explico, dá-se mais valor imediato para o recurso mais raro, nossa mente está sempre alerta à disponibilidade de recursos, logo se falta o amanhã todo recurso estocado deve ser consumido agora. E tem-se a euforia do último dia.

Quanto mais pessoas acharem que o mundo vai acabar dessa vez, mais óbvio ele passa a ser e mais pistas se tem para ajustar a estratégia de alocação de recursos imediatista. Então, sendo assim a questão não passa mais a ser quando ou como o mundo vai acabar, mais sim quais conseqüências o fim do mundo trará. Todo fim do mundo, como sempre, levanta questões: reprodutivas, competitivas, paliativas e contemplativas. Basicamente o eixo condutor é o do dilema entre estratégias ‘rápido e rasteiro’ e ‘calmo e certeiro’. Seres vivos que se reproduzem cedo, vivem pouco e tem prole grande devotando pouco cuidado parental são estrategistas r de ‘rápidos’, enquanto aqueles que tardam a se reproduzir, vivem muito, tem prole pouco numerosa e devotam muito cuidado parental são os estrategistas k de ‘kalmos’.

Nós humanos só tememos o fim do mundo porque temos medo da morte. A morte só surgiu quando do aparecimento do sexo, pois seres de reprodução assexuada não morrem nunca. Logo, um fim do mundo sem sexo é a morte só pra quem se reproduz sexuadamente. Muitos seres vivos na hora H dos finalmentes, ao final da ‘saideira’ da vida só pensam e fazem uma coisa, sexo. No final do mundo para os salmões a palavra de ordem é ficar vermelhão e se acasalar. Alguns insetos já fecundados só pensam em botar os ovos no momento da morte. Daí que percebemos que não se trata de sobrevivência dos mais adaptados, mas sim de reprodução diferencial.

A depleção de recursos é um ponto alto da histeria de massas. Sempre de um desastre natural há um frenezi pelos últimos valiosos recursos. Então temos um contexto para competição, manipulação e violência. A competitividade aparece sempre em que se investe mais em acasalar agora do que se poupar para investir na prole. É claro que a competição por parceiros e recursos não é um fim em si, mas sim um meio para alcançar melhores condições e oportunidades reprodutivas.

É claro que no fim das contas há sempre um arrependimento e uma nostalgia. No leito de morte a maioria das pessoas acha que devia ter trabalhado menos, ser e fazer aquilo que sempre quis, gostar mais e passar mais tempo com os parentes e amigos, perdoado mais as pessoas. Então, do fim surge possibilidades de releituras e recomeços alternativos. Pena que no caso da espécie humana a coisa esteja ficando tarde demais para um arrependimento e um recomeço mais sustentável.

Sabendo que somos os descendentes dos sobreviventes de 5 grandes extinções em massa, das quais boa parte da biodiversidade da Terra sumiu do mapa, podemos nos sentir com sorte. Entretanto, a sorte a posteriori é uma ilusão, assim como extraterrestres, gnomos, deuses e democracia. Mas ainda assim existe beleza em ver tanta gente ganhando dinheiro com o desespero alheio, e tudo o mais acontecendo conforme as previsões comportamentais, ao sermos tão frágeis enquanto sociedade autodestrutiva.

Então, não deixe que essa nova onda de datas do fim do mundo te acerte em cheio na sua propensão cognitiva para o imediatismo e aproveite o momento para rever seus conceitos. Vida longa ao fim do mundo.

Este post fez parte nos últimos minutos do término da blogagem coletiva, “2012: O Último Carnaval?” e espero contribua para a discussão.

Blogagem coletiva Fim do Mundo

Feliz Dia de Darwin 2012

Simplesmente são 203 anos para o aniversariante mais célebre de hoje, Charles Darwin. Todo dia 12 de fevereiro, comemoramos no mundo todo o Darwin Day, uma celebração sobre Evolução, Ciência e Humanismo. Também comemoramos no Brasil o Dia do Orgulho Ateu. Como podem imaginar, não se trata de tietagem vazia, mas sim de uma homenagem mais que merecida para o cientista que em sua vida e obra levantou temas e posturas muito avançadas, abrangentes e revolucionárias.

Darwin hoje representa para nós acima de tudo Coragem. Valentia para se questionar e mudar, evoluir no pensamento. De caçador de animais e degustador de animais exóticos, passou a defender o respeito para com os animais e condenar as práticas de crueldade. Já que não faz muito sentido ser contrário ao trabalho escravo, o que ainda acontece em muitos lugares do Brasil e do mundo, e não se questionar sobre como tratamos os animais. De religioso e estudante para ser pastor anglicano, virou pesquisador em História Natural e abandonou a crença em deus. Não faz muito sentido acreditar num papai noel, mesmo depois de descobrir que não existe mágica, apenas truques, efeito placebo, auto-engano e tribalismo.

Sem essa coragem para abandonar esse nosso antropocentrismo terrorista nunca conseguiremos construir uma realidade mais universalmente justa e respeitosa. O antropocentrismo terrorista, que ao pregar que o ‘homem’ é o ápice, quase divino e, por tanto, está autorizado a usar e abusar das outras culturas, etnias, espécies e ecossistemas, está, não só está destruindo a si mesmo, mas levando tudo o mais junto para o buraco.

Tenha a coragem de aceitar o desafio proposto por Darwin. Veja a si mesmo como tão especial quanto qualquer outra espécie seja bonita e fofinha ou feia e venenosa, sinta-se conectado a todas elas, pois todos somos parentes e, então veja a beleza de se orgulhar de suas bactérias da flora intestinal. Não tenha medo de cultivar dúvidas, despir a curiosidade de tabus e dogmas, experimente beber do experimentar e testar possibilidades alternativas. E então permita que as reflexões nesse dia de Darwin evoluam em você.

Nesse vídeo veremos uma mensagem do idealizador da celebração mundial do Darwin Day, Robert Stephens.

Quatro Anos de MARCO EVOLUTIVO e Feliz 2012

Feliz 2012 a todos nós primatas e a todos os outros seres vivos. Começamos o ano já comemorando não UM, nem DOIS, nem TRÊS, mas sim QUATRO anos (e dois meses) de MARCO EVOLUTIVO, o seu, o meu, o nosso canal online sobre evolução e comportamento humano e todos os temas correlatos, de preservação ambiental a eventos e palestras.

Depois de um 2011 conturbado com a defesa do meu doutorado e de final de ano intenso, cheio de pesquisas e viagens, estou começando esse 2012 com muita energia e grandes perspectivas futuras. Agradeço todos os comentários, elogios e críticas ao blog, tanto de novos leitores quanto dos de longa data. Continuem acessando e compartilhando com os amigos.

Os 5 textos mais lidos em 2011 foram: 1- “O sexo chimpanzé e o conflito de gerações“, 2- “Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista“, 3- “Coevolução e Seleção Sexual no Caso da Vespa Tarada“, 4- “Lamarck – A Verdadeira Idéia Errada“, 5- “Criatividade: nossa cauda de pavão mental“. O posts de 2011 mais lidos foram “A beleza da competição feminina“, “Dance seu doutorado” e “Diferenças sexuais e o darwinismo“.

De janeiro de 2011 até janeiro de 2012 o blog teve quase 22 mil visitas. Tivemos 20 mil visitas no Brasil e 1.000 de Portugal. As outras visitas foram de EUA, Canadá, Moçanbique, Reino Unido, Espanha, Angola,  França, Japão, Grécia, Argentina, Polônia, Itália, Chile, Paraguai, Colômbia, Cabo Verde, Peru, Suíça, Alemanha. As palavras mais usadas antes de encontrar o MARCO EVOLUTIVO foram: “Lamarck”,  ”Marco Evolutivo”, “Psicologia Evolucionista”, “Steven Pinker”, ”Coevolução”, “Antropocentrismo”, e “Seleção Sexual”.

De cara nova desde setembro do ano passado, o MARCO EVOLUTIVO evoluíu bastente na sua aparência e possibilidades em 2011. O destaque foi para a imagem do cérebro humano e da árvore evolutiva da interdisciplinaridade. Agora, além de já ter 84 seguidores na nova página criada no Facebook, conta também com os links para minha dissertação de mestrado e para minha tese de doutorado. Assim todos que tiverem o interesse poderão baixar cada uma e se aprofundar nos temas das diferenças individuais quando ao sexo casual e na evolução das nas nossas capacidades musicais e artísticas através da seleção sexual.

E para o presente evolutivo desse aniversário veremos a palestra de David Sloan Wilson sobre Evolution for Everyone! Aproveitem!

Comunicação Animal e Linguagem

“Se um leão falasse, nós não o entenderíamos” disse o filósofo Ludwig Wittgenstein. E o famoso rugido do leão dos estúdios MGM seria mais ou menos o que ouviriamos. Esta é a foto do leão, do cinegrafista e do operador de áudio do dia em que a cena do rugido da MGM foi gravada em 1924.

Os paralelos da comunicação animal e da linguagem humana pedem uma abordagem por um olhar comparativo e amplo. Não dá para isolar o ser humano ao estudar nenhum aspecto de nosso interesse. Temos sempre muito a ganhar ao situar os humanos entre ‘seus semelhantes’, os outros seres vivos.

Então, a dica dessa vez é a palestra gratuita “Comunicação animal e linguagem humana”, com o Prof. Dr. Didier Demolin, do Departamento de Linguística. Será realizada às 17h no dia 27 de outubro, essa quinta-feira. Além de gratuita é aberta aos interessados. Sala de eventos do IEA, Rua Praça do Relógio, 109, Bloco K, 5º andar, Cidade Universitária, São Paulo.

Haverá também transmissão ao vivo no site do IEA (Instituto de Estudos Avançados da USP). Não perca.

Segue abaixo um vídeo do físico teórico Michio Kaku falando que hoje nós já conseguimos, ao analisar o som emitido por mamíferos aquáticos, por exemplo, dizer que se trata de linguagem inteligente, porém ainda falta muito para conseguirmos decifrar o que estão dizendo.

Simpósio de Bem-Estar Animal na Unesp Rio Preto

Uma das maiores lições que podemos tirar do processo evolutivo é a noção de que não somos o ápice da natureza. Descer do pedestal egocêntrico imaginário é uma tarefa difícil, mas recompensadora e necessária, caso queiramos continuar existindo como espécie.

Ao nos vermos como apenas mais uma espécie qualquer, percebemos nossa milenar falta de respeito e pouco caso para com as outras espécies corriqueiramente ditas inferiores. Perceber isso é apenas o primeiro passo, o segundo é conhecer formas de promover condições de existências mais dignas para as outras espécies.

São justamente essas temáticas as abordadas no Simpósio de Bem-Estar Animal, organizado pelo Grupo de Estudo em Zoologia e pelo Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal do IBILCE, UNESP, realizado de 3 a 5 de novembro em São José do Rio Preto.
A programação conta com um mesa redonda sobre os prós e contras dos zoológicos, palestras e minicursos.
As seis palestras tem temas que vão desde a história do bem-estar animal até os crimes contra a fauna. Os minicursos serão sobre enriquecimento ambiental, comunicação animal e bem-estar animal. O custo da participação é bem acessível.
Esse promete ser um ótimo evento e desde já parabenizo a organização pela iniciativa e sua concretização. Participem!!!

Feliz Darwin Day 2011!!!

 

Hoje é um dia muito especial, mais que natal e carnaval. Dia 12 de fevereiro é o aniversário de Charles Darwin, o Darwin Day!!! E nessa data comemora-se mundialmente sua vida, sua obra, descobertas e legado. Aos seus meros 202 aninhos Darwin está mais vivo do que nunca em 2011. Estamos vivendo numa época muito importante, pois a revolução darwinista está avançando mais e mais, principalmente nas ciências humanas, sociais e artes.

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Atualmente diversas disciplinas típicas das Ciências Humanas já estão se integrando às Ciências Biológicas e originando abordagens mistas como a Medicina Darwinista, a Psicologia Evolucionista, a Antropologia Evolucionista, Biohistória, a Psiquiatria Evolucionista, a Estética Evolucionista, o Direito Evolutivo, a Literatura Darwinista, a Culinária Darwinista, assim como a Musicologia Evolucionista. Tudo isso sendo um desdobramento das implicações evolucionistas para a mente humana iniciadas por Charles Darwin. Fora isso o evolucionismo está sendo aplicado desde à cosmologia até à informática para entendermos melhor a origem de galáxias e desenvolvermos novos softwares por processos seletivos.

 

Hoje também se celebra a vitória da curiosidade e do pensamento crítico, científico sobre o pensamentos supersticioso e místico. Se celebra o fim da visão hierarquizada da vida que via o homem (não a mulher) o mais importante e acima de todos os seres. E com isso celebramos os direitos universais do ser humano e sua conexão aos direitos dos animais. Celebramos também a biodiversidade já que ela não está aí pra nos servir ao nosso béu prazer e sim dependemos dela assim como todos outros seres. Enfim celebramos a vida e a emancipação do pensamento humano na esfera científica e moral.

 

No mundo são mais de 469 eventos programados para hoje. No Brasil, em São Paulo temos um final de semana especial no Museu de Zoologia da USP com mostra de vídeos, teatro, programação infantil e visita guiada com curador da nova exposição Cabeça Dinossauro. Não fique de fora dessa comemoração global vá ao museu  e também envie cartões comemorativos do Dia de Darwin de 2011 para todos seus amigos!! Fique agora com o vídeo sobre o porquê se comemorar o Dia de Darwin!!! Feliz Darwin Day!

Why Celebrate Darwin Day? from American Humanist Association on Vimeo.

O Rap também é Evolução

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Cansado de ter que ler vários livros tediosos pra aprender evolução e inglês? Preferia ficar ouvindo um rap em alto e bom som? Pois seus problemas se acabaram!! Chegou o The Rap Guide To Evolution!!! Pois é minha gente, depois de ouvirmos músicas sobre Darwin e evolução no post e nos comentários de Cantando Darwin, depois de ouvirmos a versão reggae de cada um dos capítulos do Origem das Espécies, chegou a hora de ouvirmos o que o rap tem a nos dizer sobre evolução.

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Baba Brinkman é um raper canadense fissurado em plantar árvores que lançou seu mais novo álbum “The Rap Guide To Evolution”. Graças às conversas com um amigo biólogo evolucionista e muitas leituras, ele compôs 16 músicas interessntes sobre vários aspectos da evolução. Até a Olivia Judson, a Dra Tatiana do Consultório Sexual para todas as espécies, falou bem dele em sua coluna no The New York Times.
Em suas músicas ele explica a seleção natural, desacredita o criacionismo, explica a seleção artificial, ressalta nossa descendência comum com todos os seres vivos e afirma que todos os seres humanos são africanos. Ele ainda fala sobre Psicologia Evolucionista cita autores como Leda Cosmides e Geoffrey Miller, explica a relação do desconto de futuro com o homicídio comentando o livro de Martin Daly e Margo Wilson. Além disso, ele explica memética, seleção de grupo, seleção sexual, DNA mitocondrial e muito mais. Tudo isso numa liguagem clara, bem humorada e fácil de entender.

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Gostei dele ter dedicado uma música ao ácido universal. Daniel Dennett refere-se a ideia de Darwin como um ácido que corrói tudo a sua volta, pois nenhum modelo instrutivo se sustenta frente ao modelo seletivo (veja o porquê). Ou seja complexidade e inteligência podem sugir de processos simples e burros sem nenhuma instrução mágica, basta performance, feedback e revisão por um longo período de tempo. No site dele vocês podem ouvir e baixar as músicas e ver muito mais.

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No vídeo abaixo veremos Baba Brinkman no Cambridge Darwin Festival ano passado comemorando o Ano de Darwin frente aos famosos evolucionistas. Ele canta o rap em que explica como funciona o modelo seletivo e como usando os mesmo passos da seleção natural: performance, feedback e revisão é possível aprender e aprimorar até o mais fajuto rascunho de letra de rap, porque o rap também é evolução. Divirtam-se cantando e aprendendo.

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