6 anos de MARCO EVOLUTIVO e Feliz 2014

cupcake-6-candle-Feliz 2014 a todos seguidores, leitores e fãs do MARCO EVOLUTIVO! Iniciamos esse ano novo comemorando o singelo fato de que em novembro de 2013 completamos não UM, nem DOIS, TRÊS, QUATRO ou CINCO, mas sim 6 anos de existência. Agradeço muito todos os comentários, elogios e críticas recebidos e também aos mais de cem novos seguidores no Facebook que tivemos no ano passado, já estamos com 368. Continuem sempre acessando e compartilhando links do blog com os amigos.

Em 2013, grandes acontecimento acabaram freando um pouco a escrita no blog. O ano passado foi meu primeiro ano completo como professor universitário, então tive bastante trabalho, ministrei muitas aulas e por isso estou muito realizado. Estou desde abril como professor substituto no Departamento de Processos Psicológicos Básicos do Instituto de Psicologia da UnB e venho ministrando a disciplina de Introdução a Psicologia para graduandos dos mais variados cursos. Estou gostando muito da UnB e de morar em Brasília.

darwin_loveNo ano passado também me casei com a mulher da minha vida, a Jaroslava Varella Valentova, Antropóloga Tcheca. Estamos muito felizes e realizados morando juntos, alternando entre a vida no Brasil e na República Tcheca. Enfrentamos o desafio de desenvolver uma cerimônia matrimonial humanista evolutivamente relevante com conteúdos de Psicologia, Biologia e Antropologia que ficou bem interessante e agradou a todos. Afinal, a ciência tem muito a dizer sobre o amor e as parcerias românticas.

fighting-irish-in-every-cultureMesmo com apenas 5 postagens, de janeiro de 2013 até janeiro de 2014 o MARCO EVOLUTIVO quase 15 mil visitas. Tivemos mais de 12 mil visitas no Brasil, 682 de Portugal e 534 dos EUA. As outras visitas foram de Angola, Moçanbique, Reino Unido, Índia, México, Espanha, França, República Tcheca, Canadá, Alemanha, Cabo Verde, Japão, Filipinas, Colômbia, Irlanda, Argentina, Chile, Suíça e Equador, todos com 10 ou mais visitas.

WallaceEbookGutenberg.org

Os 5 posts mais lidos de 2013 foram: 1-“Lamarck – A Verdadeira Idéia Errada”, 2-“O sexo chimpanzé e o conflito de gerações”, 3- “Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista”, 4-“Seleção Sexual, de Parentesco, Natural, Artificial e Social”, e 5-“Festival de Vídeos: Evolução da Sexualidade Humana I”. O destaque do ano passado foi a comemoração dos Cem anos Sem Alfred Russel Wallace, quando celebramos a vida e a obra desse evolucionista esquecido por muitos.

index-tinbergen 4 questionsO presente evolutivo desse começo de ano vem também em forma de celebração. Em 2013, fez 50 anos da famosa publicação de Nikolaas Tinbergen Sobre os Objetivos e Métodos da Etologia, onde ele descreve as famosas Quarto Questões de Tinbergen para o estudo do comportamento animal.
Tinbergen's legacyEntão aí vai um número especial do Human Ethology Bulletin inteiro em homenagem ao meio século do paper On Aims and Methods do Tinbergen, que está bem interessante.
E aí vai ainda um artigo também em comemoração às 4 perguntas de Tinbergen que faz um retrospecto e atualização interessantes.
Fiquem com o vídeo do CrashCourse Biology sobre comportamento animal onde as quatro questões são abordadas de forma descontraida.

Parabéns Mendel pelos 190 anos e pelo legado!

Hoje, dia 20 de junho, estamos comemoramos os 190 anos de Gregor Johann Mendel, considerado pai da genética, mas com uma vida bem longe de uma celebridade. O Pai da Genética é famoso, mas pouco conhecido.

Então nossa intrépida equipe de jornalistas do MARCO EVOLUTIVO viajou até o Mendel Museum no seu Mosteiro Agostiniano em Brno, na República Tcheca, para trazer a você, em primeira mão, mais do que sopa de letrinha sabor ervilha.

Muitos acham que ele nasceu em dia 22 de julho de 1822, mas esse foi o dia em que foi batizado. Muitos acham que ele nasceu na Áustria, mas sua cidade de nascença e seu mosteiro estão na República Tcheca, que é considerada o Berço da Genética. Naquele época, a atual Hynčice, cidade natal, era Heizendorf, a atual Brno era Brünn, e a atual região da República Tcheca era parte do Império Austro-Húngaro e a língua oficial era o alemão.

Filho de dona Rosina e seu Anton Mendel, humildes camponeses, Johann Mendel sempre gostou de estudar. Até antes de completar 18 anos ele já ganhava a vida dando aulas particulares para outros alunos. Depois estudou Matemática, Física, Filologia, Filosofia prática e teórica, e Ética no Instituto de Filosofia de Olomouc, também Rep. Tcheca. Aos 21 anos seguiu os estudos ao ingressar no Mosteiro Agostiniano em Brno, onde incorporou o primeiro nome, Gregor.

No Monsatério teve mestres que o incentivaram muito nos estudos, o Abade Cyril František Napp foi um deles. Ele foi quem construiu a avançada estufa pra época, com 30 metros por 6 de largura, que ofereceu as condições excelentes para os experimentos de Mendel.

Aos 24 anos concluiu um curso de estudos agrícolas de frutas e vinicultura no Instituto Filosófico em Brno. Aos 29 anos o Abade Napp mandou e bancou os estudos de Mendel na Universidade de Viena, na Áustria. Lá ele estudou mais Física, Matemática e História Natural e teve aulas como Física Experimental, Anatomia e Fisiologia de Plantas e aulas práticas de utilização do microscópio.

Aos 32 anos com a estufa acabada de construir, Mendel colocou na prática seus conhecimentos ao estudar plantas, como feijões, chicória, plantas frutíferas, uva e principalmente ervilhas, nas quais descobriu as famosas Leis de Mendel. Ele também criou camundongos e abelhas, desenvolveu seu próprio tipo de apiário e ainda criou uma linhagem de abelha que se mostrou muito agressiva e teve que ser eliminada. Ele também sabia muito de astronomia e também de metereologia.

Dos 32 aos 42, trabalhou em seus cuidadosos experimentos com ervilhas (Pisum sativum). Aos 40 Mendel leu uma tradução em alemão do ‘Origem da Espécies’ de Darwin sublinhou e anotou em várias partes da obra. Ajudou a criar a Sociedade Austríaca de Meteorologia e foi co-fundador da Sociedade de Ciência Natural de Brno.

Aos 63 anos, 1865 apresentou o seu trabalho experimental em ervilhas em uma palestra intitulada “Experimentos sobre a hibridização de plantas” nas reuniões de fevereiro e março da Sociedade de Ciência Natural de Brno. Em 1866, Mendel publicou no jornal da Sociedade de de Ciência Natural de Brno sua palestra, o trabalho que fazer dele o Pai da Genética. Ele distribuiu cópias de seu manuscrito para vários cientistas, que foi ignorado por todos. Apesar de ter sido considerado sempre um ótimo professor, ele fracassou duas vezes em concurso para ser professor da Universidade de Viena.

Mendel percebeu que não herdamos as características físicas (hoje o fenótipo), mas sim os elementos, fatores particulados (hoje chamados de genes). E sua genialidade foi perceber esses fatores hereditários trabalham aos pares, nos gametas eles estão separados e na fertilização eles se unem em novas combinações. Apartir daí foi fácil perceber que alguns fatores dominavam outros ao gerarem as características físicas abrindo caminha para a genética moderna. Suas descobertas pioneiras foram ignoradas até o começo do seculo XX depois de sua morte em 1884 quando ficou consagrado.

É claro que assim que redescobertas muitos acharam contraditórias as idéias de herança particulada com a fluidez gradual da variação populacional necessária para o primeiro passo da Seleção Natural. Os mutacionistas iniciais não era Darwinistas por mais que fossem Evolucionistas. O próprio Darwin por ter abandonado o pensamento essencialista e valorização a variação individual acabou criando uma teoria de herança baseada na mistura de características, algo que para ele faria mais sentido com sua teoria.

Somente na década de 1940 que com o surgimento da Genética de Populações pode haver conciliações entre os geneticistas e os darwinistas. Eles concordaram que a evolução é gradual, que o principal motor da evolução é a seleção natural, que a hereditariedade é “dura” ou seja particulada, que o mesmo tipo de mecanismos genéticos é responsável pela variação fenotípica continua e discreta, que a macroevolução é a acumulação dos processos microevolutivos e a especiação é um processo de genética de populações.

Mendel morreu em 6 de janeiro 1884. Depois de uma vida posterior muito ocupada com a administração do monastério. Ele foi enterrado três dias depois, no Cemitério Central, em Brno. Em um obituário da Sociedade para a Promoção da Natureza, Agricultura e Geografia de 1884, n º 1 foi lido: “Suas experiências com híbridos de plantas abriu uma nova era.” Hoje, sabemos que ele realmente inaugurou toda uma gama possibilidades para explicar muitos fenômenos hereditários (híbridos, mutantes, clones, variação, efeitos ambientais no genoma, etc) e para o desenvolvimento de várias tecnologias de analise do DNA, como para solucionar crimes, por exemplo. Homenagem mais que merecida.

No mundo todo estão sendo celebradas suas realizações pioneiras para entendermos as questões fundamentais da hereditariedade. Pelo menos de três ganhadores do Prêmio Nobel vão dar palestras no Museu de Mendel mantido pela Universidade de Masaryk em Brno. Acesse o site das celebrações e façam a visita online ao Museu do Mendel.

Evolucionismo de Grande Alcance

Darwin anteviu que num futuro distante sua teoria iria transbordar do círculo da biologia e atingir outras esferas como a área de Humanidades. A cada dia estamos mais perto de concretizar essa revolução Darwinista e perceber que o evolucionismo, por ser um tema transversal integrador, permeia todos os assuntos. Um bom exemplo disso é o surgimento de uma revista online evolutivamente relevante chamada “Evolution:This View of Life Magazine”. Com o nome inspirado nas palavras de Darwin em que ao comentar sobre evolucionismo disse que há uma grandeza nessa visão da vida.

Criada em outubro de 2011, a revista online gera e agrega conteúdo evolucionista relacionado às seguintes áreas: Biologia, Palentologia, Cultura, Saúde, Artes, Tecnologia, Religião, Política, Mente, Economia e Educação. Mesmo com menos de um ano de existência essa revista já é um marco evolutivo na divulgação do evolucionismo em todo seu alcance interdisciplinar. Várias entrevistas foram filmadas via internet com pesquisadores de cada uma dessas área acima. A revista é fruto de uma parceria do The Evolution Institute com o Consórcio EvoS, com financiamento da National Scince Fundation.

Por trás da “Evolution:This View of Life Magazine” está David Sloan Wilson, professor de Biologia e Antropologia na Universidade de Binghamton no EUA. Ele tem se esforçado para expandir a influência da evolução em diversas áreas, como no ensino superior com o EvoS, nas políticas públicas com The Evolution Institute, nas cidades com o The Binghamton Neighborhood Project e na religião com o Evolutionary Religious Institute. É claro que como ele é fiel ao grupo dos selecionistas de grupo acaba usando a revista para se promover e promover sua área. Atualmente ela é o palco para discussões acadêmicas sobre o novo livro do Edward Wilson e a relevância da seleção de grupo. Felizmente cada uma das 11 áreas acima tem seu editor próprio o que garante uma certa pluralidade para a revista.

O surgimento da revista é mais inspirador. Um aluno da pós-graduação o EvoS na Universidade de Binghamton, chamado Robert Kadar, inspirado e motivado pelas leituras do Conciliência do Edward O. Wilson e do Evolution for Everyone do David S. Wilson vislumbrou a idéia dessa revista para catalizar a conciliência entre todas as áreas do conhecimento por meio do evolucionismo para todos.

Assim como a Evolution:This View of Life Magazine surgiu, uma nova geração de estudantes, vários biólogos, psicólogos e outros estão começando blogs de ciência engrossando o caldo da divulgação científica e evolucionista brasileira. Temos muito o que fazer num país com maioria religiosa e de pouca instrução. Ajude você também a promover a conciliação das áreas do saber.

Homenagem ao César Ades amanhã no CRP 06

Nosso querido César Ades receberá uma homenagem póstuma solene em cerimônia do Conselho Federal de Psicologia amanhã dia 27 de junho às 17h. Trata-se de um reconhecimento oficial para sua imensa contribuição para o desenvolvimento da profissão de Psicólogo no Brasil, passado, presente e futuro. Na ocasião, o presidente do CFP, Humberto Verona, inaugurará uma placa em memória aos serviços prestados por César Ades à Psicologia Brasileira.

A cerimônia ocorrerá no auditório do Conselho Regional de Psicologia da 6ª Região (CRP 06), em Pinheiros, São Paulo. (veja o mapa abaixo). Toda a solenidade será transmitida ao vivo pelo site do CFP e em espaços de projeção disponibilizados nos Conselhos Regionais de Psicologia de todo país e em salas de aula de cursos de Psicologia que aderirem à atividade.
Durante a homenagem, e como parte das atividades de comemoração dos 50 anos de regulamentação nacional da Psicologia, o CFP lançará o

“Prêmio Monográfico César Ades: Desafios para o futuro da Psicologia”. O prêmio visa estimular nos estudantes e profissionais da área uma reflexão acerca do futuro da profissão.

Os textos acadêmicos inscritos para concorrer ao prêmio, tanto na modalidade psicólogo como a de estudante, deverão estar dentro de três subtemas: As Políticas Públicas e o Futuro da Psicologia; Contribuições da Psicologia na Construção do Conhecimento no Século XXI; e A Psicologia Latino-Americana: Desafios e Possibilidades. Mais informações sobre o Prêmio Monográfico César Ades e inscrições poderão ser acessadas em: http://premiocesarades.cfp.org.br


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Ades Egypti e seu Entusiasmo Contagiante

Era impossível ficar ao lado de nosso querido César Ades, que nasceu no Cairo, Egito, e não ser levado por seu entusiasmo contagiante. Conheci o César em 2003 no XX Enconto anual de Etologia (EAE) em Natal, em meu terceiro ano de graduação eu ainda não havia encontrado minha área de pesquisa. Lá depois de uma brilhante palestra sobre todos os EAEs anteriores eu estava mais do que cativado pela Etologia, principalmente voltada para os humanos. Ele autografou meu livro de resumo e me desejou um futuro brilhante.

Em meu último ano de graduação fiz um trabalho sobre a consciência animal e se não fosse um texto do César ter me tocado e me motivado não teria tirado da nota máxima.

Em 2004, ao final de meu bacharelado na Unesp de Bauru com Sandro Caramaschi, ex-aluno do Prof. César, fui conversar com ele para estudar possibilidade de um mestrado. Eu estava super nervoso, mas ele me deixou bem a vontade e no decorrer da conversa percebemos que estávamos em sentidos contrários: ele era um psicólogo mais voltado para o comportamento dos outros animais e eu um biólogo interessado no ser humano. Então, ele me indicou a Profa Vera Bussab que acabou sendo minha orientadora de mestrado e de doutorado no Bloco F do IP-USP, inaugurado pelo César enquanto diretor do Instituto anos antes.

Sua disciplina de pós sobre Comunicação Animal me forneceu bases sólidas para um estudo comparativo da musicalidade humana. Cada aula com ele era uma maravilha, ambiente descontraído, informações precisas e conexões muito bem elaboradas.

Fora as belas homenagens oficiais a ele realizadas pelo Instituto de Psicologia da USP, muitas palavras relevantes e tocantes foram colocadas aqui na nossa Série Especial do ScienceBlogs Brasil em homenagem ao César, o Grande ao meu ver.

Eu (depois de ficar uma semana e meia fora do ar devido a uma fratura e cirurgia no braço dois dias após seu falecimento) gostaria de acrescentar algo que julgo muito louvável sobre ele. César Ades era tão entusiasmado e curioso por conhecimento que ele não conseguia se conter em apenas dar aulas, fazer pesquisas, publicar, orientar, ter cargos administrativos, organizar eventos, ele também fazia e valorizava a divulgação científica.

Ao ser esse acadêmico generalista digno de um Da Vinci moderno, a divulgação científica não poderia passar em branco. Ele deu diversas entrevistas tais como a brilhante ‘Psicologia e Biologia – Entrevista com César Ades’, e a ‘Entrevista: César Ades estuda a evolução do comportamento animal’. Escreveu e deu várias contribuições para a Ciência Hoje Criança como explicando a importância da limpeza nos animais em ‘Tá limpo!’. Ele deu várias palestras e também participou de várias comemorações do Dia de Darwin. Esse ano, César compareceu ao Catavento Cultural para participar de um talk show com o Prof Nélio Bizzo. Como sempre tudo bem descontraído e informativo. Ele sempre frisava na importância de Darwin enquanto o primeiro psicólogo evolucionista. Sua importância como divulgador é crucial e assim como todas suas outras características irá continuar inspirando gerações de pesquisadores e admiradores.

Uma de suas mais atuais metas era a de reunir etólogos eminentes da América Latina para um simpósio debatendo origens, desafios e perspectivas futuras da área, de modo a gerar um livro em conjunto sobre as experiências em cada país e a semente de uma aliança Latino-Americana de Etologia. Reuniremos esforços para realizar essa grande ideia junto a alunos e profs.

Um dos mais tocantes comentários sobre o César pra mim foi o do Prof. Fernando Ribeiro quando queria destacar uma virtude dele.

“Quem o vê hoje, e encanta-se com seu entusiasmo, conhece o mesmo César Ades de 40 anos atrás. E foi esse entusiasmo que escolhi, a fim de destacar uma de suas virtudes, ao cumprimentá-lo, na ocasião de sua indicação para o Instituto de Estudos Avançados, quando disse a ele: Fui percorrendo suas marcas, a inteligência, a erudição, o caráter… mas como me impus uma escolha, fiquei com o entusiasmo, sem o qual a inteligência não se acende, a erudição não se atinge, o caráter não se transmite. Sim, porque César Ades é, e sempre foi, um professor. Sua extroversão e a expressividade com que se comunica constituem sua face visível”

Fique agora com os dois vídeos de uma entrevista de César Ades concedida ao programa Trajetória da TV USP em 2011 e com o vídeo mais recente do César Ades no Dia de Darwin. Assim um pouco dele e seu entusiasmo sempre viverá em nós de modo a podermos contagiar toda uma outra geração com suas idéias e atitudes.


Dia de Darwin 2012

George C. Williams (1926 – 2010) Grande Evolucionista

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Morreu no dia 08, semana passada, do mal de Alzheimer aos 83 anos George C. Williams (1926 – 2010), um dos mais importantes evolucionistas da atualidade. Professor emérito da Biologia na State University of New York em Stony Brook nos EUA, foi visionário e pioneiro que contribuiu enormemente para nosso entendimento evolutivo sobre o envelhecimento, menopausa, a reprodução sexuada, o adaptacionismo, os níveis de seleção e a medicina e doenças.
Para Niles Eldredge, George C. Williams foi um pensador profundo e cuidadoso, muito tímido e bem legal. Stephen Jay Gould o achava um cavalheiro quieto com uma enorme influência na teoria evolucionista que sempre esteve avançado em relação ao seu tempo quanto à sua clareza teórica. Para Richard Dawkins, ele foi um cientista maravilhoso e um grande cavalheiro de uma sabedoria lendária. Para Steven Pinker ele é um dos mais famosos escritores na história da ciência. Para Daniel Dennett, ele mostrou pela primeira vez como é difícil ser um bom evolucionista e como é fácil cometer erros simples. Para Martin Daly, George William faleceu sendo o maior biólogo evolucionista de seu tempo que influenciou tanto a ecologia comportamental quanto a psicologia evolucionista. Para Michael Ruse, ele foi parte do grupo de biólogos que mudou completamente a natureza da teoria da evolução a meio século atrás. Para Randolph Nesse, ele foi o mais importante biólogo do século XX que com uma abordagem consistente e um pensamento metódico perseguiu questões importantes e destilou suas conclusões em prosa límpida.

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Em seu primeiro livro e um dos mais importantes da área Adaptation and Natural Selection: A Critique of Some Current Evolutionary Thought (1966) ele influenciou gerações de evolucionistas com um adaptacionismo mais rigoroso e desbancando de vez o selecionismo de grupo ingênuo, que infelizmente, ainda vemos muito na narração de documentários sobre animais, algo do tipo “tudo para o bem da espécie”. Ele mostrou que a adaptação é um conceito oneroso e que teve ser criticamente testado segundo vários critérios antes de aceitá-lo finalmente como conclusão.

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Em Sex and Evolution (1975), Natural Selection: Domains, Levels, and Challenges (1992), ele atualizou e expandiu suas idéias anteriores, introduziu a idéia de seleção de clado e foi fundo na questão dos níveis de seleção. Ele fez um distinção muito importante para evitarmos muitos mal entendidos em biologia evolutiva. Temos que reconhecer que existem dois domínios distintos em biologia evolutiva: um é o da matéria, no qual gene significa cadeia de DNA, o outro é o da informação, no qual gene significa pacote de informação, mensagem, receita. Então para entender os níveis de seleção não se pode incorrer no erro de misturar os dois domínios como indivíduo (material) e gene (pacote de informação), pois os diferentes domínios não são correspondentes, deve-se ter a clareza de comparar níveis dentro de um mesmo domínio.

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Mais tarde em seu livro Why We Get Sick (1995) (Por que Adoecemos. A nova ciência da medicina darwinista (1997) da Editora Campus na tradução brasileira) em coautoria com Randolph Nesse, introduz o campo da Medicina Darwinista. Ambos trazem todo o poder da teoria evolutiva em dar sentido, amarrar e guias novas perguntas mas toda a área médica. 

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Williams mostrou como é um absurdo a idéia de restaurar a homeostase, ou seja, tudo de incomum manifestado em seu corpo durante a doença deve ser combatido, com um exemplo bem claro: Imagine que você chega na sua casa e dois fatos incomuns estão acontecendo: 1) tem um caminhão vermelho estacionado na frente e vários seres jogando água na sua casa; 2) tem muita fumaça saindo pela sua janela. O que você deve fazer para restaurar a homeostase da sua casa é dar um fim em todos os fatos incomuns, então você se livrar dos seres molhados, guinchar o caminhão vermelho e não deixar fumaça sair pela janela, pronto resolvido!!! Eles mostraram que muitos dos sintomas das doenças são estratégias coordenadas do seu corpo inerentes do processo. Dawkins chegou a sugerir a todos que comprem duas cópias do livro e receitem um para seu médico. Segundo profetizou o próprio Williams:
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“In twenty or thirty years, medical students will be learning about natural selection, about things like balance between unfavorable mutations and selection. They will be learning about the evolution of virulence, of resistance to antib
iotics by microorganisms, they will be learning about human archaeology, about Stone Age life, and the conditions in the Stone Age that essentially put the finishing touches on human nature as we now have it. These same ideas then will be informing the work of practitioners of medicine, and the interactions between doctor and patient. They’ll be guiding the medical research establishment in a fundamental way, which isn’t true today. At the rate things are going, this is inevitable. These ideas ought to reach the people who are in charge — the doctors and the medical researchers — but it’s even more important that they reach college students, especially future medical students, and patients who go to the doctor.”

Não deixe de receitar os seguintes links para seu médico, para seus amigos alunos e professores das áreas médicas. The Skeptical Adaptationist – blog do Randolph Nesse, The Evolution & Medicine Review, Vídeos de Randolph Nesse sobre Medicina e Psiquiatria Darwinista

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Em seu último livro Plan and Purpose in Nature (1996), Williams, rebate claramente os argumentos criacionistas mostrando que se existe um criador e ele é minimamente inteligente nunca faria algo tão mal-adaptado como nosso corpo. Os exemplos vão de peixes ao olho, garganta e muitos outros. Nesse livro fica claro o porquê Randolph Nesse o considera um mal-adaptacionista, já que eles compartilham o fascínio pelos aspectos do corpo e da mente que aparentam não fazer sentido em termos evolutivos.
Sem dúvida George C. Williams foi um marco evolutivo com alcances para além das ciências biológicas. Espero com essa homenagem aumentar o conhecimento sobre ele no Brasil e o ainda mais o alcance de sua contribuição científica.
Fique com uma palestra dada por Randolph Nesse na comemoração sobre o Ano de Darwin 2009 sobre The Great Opportunity: New Evolutionary Applications in Medicine.


Quais os benefícios evolutivos e psicológicos da Dança e da Música?

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Quem dança e canta seus males espanta, certo? Tudo bem, mas, evolutivamente, se esses males não forem inimigos, predadores, parasitas e outros competidores e se ainda assim se isso não ajudar na reprodução direta ou na de presentes, então nada feito. As origens evolutivas e efeitos sociais e cognitivos da música e da dança são o tema de uma entrevista muito interessante de Eduard Punset, distinto divulgador de ciência espanhol, com Lawrence Parsons, neurocientista cognitivo da Universidade de Sheffield.

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Punset e Parsons ressaltam que a música e a dança são universais, regidas por processos psicológicos em grande parte inconscientes, feitas espontaneamente em grupo e que apresentam paralelos análogos em comportamentos de outras espécies, principalmente aves. Para Parsons a música e a dança

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 evoluíram como uma primeira forma de comunicação não verbal para promover a coesão social intragrupo, sincronizando e conectando emoções e atividades trazendo vantagens na competição com outros grupos, tribos etc. Parsons segue citando que a dança e a música são bem antigos segundo pinturas rupéstres e fósseis de flautas, e que não há celebração social sem música nem danças populares em todas épocas históricas.

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Ele aponta que os bebês já estão prontos para aprender os ritmos da própria cultura já nos primeiros anos de vida: assim como com a linguagem durante o primeiro ano os bebês respondem brincando igualmente vários modelos rítmicos e de escalas musicais, mas após um ano aproximadamente eles passam a se especializar aos sons musicais ou lingüísticos da própria cultura. Através de brincadeira musical e dançada diferentes sistemas cerebrais se harmonizam eficientemente ao longo do desenvolvimento, segundo Parsons.

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O interessante é que Punset não descarta a influência da seleção sexual tanto é que na edição final ela só é citada nas reportagens entre as partes da entrevista e não na entrevista em si. Os ancestrais que andavam e dançavam de forma mais graciosa eram percebidos como mais saudáveis, criativos e inteligentes levando então a um maior sucesso reprodutivo.

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Eles falaram também dos neurônios espelhos, que estão ativos quando fazemos algo e quando vemos alguém fazer algo, seja dançar, tocar um instrumento ou assistir a uma competição esportiva. Então, seja especialista ou amador mesmo se estivermos praticando os movimentos mentalmente estamos até certo modo realmente aprimorando as conexões envolvidas nos movimentos. Vários sistemas cerebrais estão interagindo de forma complexa, percepção visual e sonora às áreas motoras, quase instantaneamente para gerar os movimentos da dança e isso tudo ligado ao sistema límbico nos dando prazer recompensador e ajudando na memória.

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Eles finalizam trazendo as implicações sociais e educacionais dos novos estudos neurológicos e evolutivos da música e dança. Dizem que as artes deveriam ser ensinadas em todas as escolas, pois melhoram a memória operacional e a capacidade executiva da atenção e controle motor ao lidarmos com tarefas múltiplas. Concluem que a música e a dança são poderosas formas de coesão e sincronização grupal e que em sua prática contribuem numa harmonização de funções cognitivas gerais.
Muito bem produzido, como sempre, o vídeo da entrevista está repleto de imagens e explicações bem interessantes e cativantes, vale a pena assistirmos esse vídeo de 27 min e de quebra treinarmos nosso espanhol.
 

Origem das Espécies em Reggae

Hoje veremos uma iniciativa de homenagem a Darwin pelo Origem das Espécies muito interessante e inusitada. Dois acadêmicos, Prof Mark Pallen e doutorando Dom White, ambos da Birmingham University, tiveram a idéia de criar um novo estilo musical: o Genomic Dub. E nesse novo estivo eles fizeram reggae music do Origem das Espécies!!

O Genopmic Dub é uma empreitada série a com muito objetivos dentre os quais celebrar a vida e obra de Dariwn bem como os recentes sucessos na área da Genômica e da Biologia Evolutiva. Em sua página The Genomic Dub Collective, Pallen & White mostram como essa iniciativa pode integrar cultura e ciência criando um movimento que estimula o interesse geral pela ciência.

O álbum The Origin of Species in Dub eles incluíram trechos do Origem capítulo por capítulo e exploraram a temática da evolução humana na áfrica e o legado de Darwin. Abaixo veremos os 12 vídeos disponíveis essa incrível iniciativa científica e musical capaz de libertar nossa mente.
E pra fechar esse post descobri hoje que o apelido de infância de Charles Darwin era “Bobby”, algo bem reggae!!












150 anos de ‘A Origem das Espécies’ Uma Celebração

Finalmente entramos na tão esperada semana dos 150 anos da publicação do Origem das Espécies. Então se preparem, pois essa semana do dia 23 ao dia 27 de novembro de 2009 será um marco evolutivo no século XXI. Teremos palestras gratuitas, livros, música, vídeos, podcasts e muitos mais no sesquicentenário do Origem das Espécies aqui no MARCO EVOLUTIVO.


Começaremos com a programação de evento em São Paulo. Do dia 23 ao dia 27/11 sempre das 17h30 às 19h ocorrerá no Instituto de Biociências da USP o “150 anos de ‘A Origem das Espécies’: Uma Celebração”. Trata se de uma programação gratuita e imperdível de palestra, mesa-redonda, documentário e apresentação musical.

Na segunda, dia 23 o Prof. Dr. Nélio Bizzo, um dos maiores historiadores de Darwin no Brasil e autor do livro “Darwin: do Telhado das Américas à teoria da Evolução” e do livro “Evolução dos Seres Vivos” dará a palestra intitulada “Do ‘Big Species Book’ ao ‘Origin of Species’: O que mudou na obra publicada de Darwin?”

Na terça, dia 24 haverá uma mesa redonda em que o Prof. Cesar Ades falará sobre “Uma reflexão sobre o capítulo ‘Instintos'”. O Prof. Dr. João Morgante falará sobre “Wallace no ‘Origem'” e o Prof. Dr. Sasndro de Souza falará sobre as “Predições de Darwin”.


Na quarta e quinta, dias 25 e 26 haverá a apresentação do documentário da BBC “Charles Darwin e a árvore da vida” de nosso amigo Sir David Attenborough, seguido de comentários dos professores Dr. Diogo Meyer, um dos autores do livro “Evolução o sentido da Biologia” e a Dra. Maria Prestes.

Na sexta, dia 27 para encerramento haverá um recital de Música Oitocentista. Veja aqui a programação detalhada do evento do IB da USP.

No sábado, dia 28 haverá no Museu de Zoologia da USP, como continuação do ciclo de palestras da Exposição “Darwin: Evolução para Todos”, terá outra palestra do Prof. Dr. Nélio Bizzo intitulada “Charles Darwin: o postilhão dos Andes”. Aproveite que a semana do marco evolutivo sesquicentenário do Origem das Espécies só está começando.

Psicologia Evolucionista no Milênio

Acabo de voltar de Natal onde participei de um mês de estudos em Psicologia Evolucionista que culminou no primeiro evento no Brasil, o “Simpósio Internacional Psicologia Evolucionista no Milênio: Plasticidade de Adaptação”. Foi um evento muito bom, inesquecível. Não estava tão lotado aponto de você não conseguir conhecer ninguém, nem tão vazio aponto de você se desanimar. A organização estava muito boa, o coffebreak também e é claro que os speakers nas palestras e os alunos nos pôsteres deram um show, tudo em inglês.

Foram cerca de 60 pôsteres abordando temas dentre comportamento social, moral, reprodutivo, cognição, investimento parental, desenvolvimento, família, tópicos teóricos e metodológicos, psicopatologia, linguagem, teoria da mente, comportamento alimentar, arte e religião. O grande destaque vai para os pôsteres ganhadores que (se eu não me engano) foram: Discounting the future: psychological and context variables de Tânia Abreu da Silva Victor, Dandara de Oliveira Ramos, Maria Lucia Seidl-de-Moura, and Luciana Fontes Pessoa; Like father like son: preference for babies that resemble their fathers in Brazilian mothers de Luísa Helena Pinheiro Spinelli, Maria Bernardete Cordeiro de Sousa, and Maria Emilia Yamamoto; e o Cooperate or retaliate? Influence of social cues on group categorization de Diego Macedo Gonçalves, Ana Carolina Morais Sales, and Maria Emilia Yamamoto.

As palestras foram as seguintes: na conferência de abertura o casal Martin Daly e Margo Wilson da McMaster University Canadá falaram sobre relações de parentesco em Kinship in human Evolutionary Psychology. No dia seguinte Maria Emilia Yamamoto da Federal do Rio Grande do Norte falou sobre identificação de coalizões em Group categorization and ethnocentrism: an evolutionary perspective e em seguida Martin Daly e Margo Wilson falaram sobre características dos homicídios Homicides. Depois do almoço Paulo Nadanovsky da Estadual do Rio de Janeiro falou sobre agressão contra crianças em Can evolutionary theory help identify circumstances conducive to child physical abuse? E em seguinda Klaus Jaffe da Universidad Simon Bolívar, Venezuela falou sobre a psicologia dos cientistas em Is there such thing as an evolution of scientific personalities? No final do dia Carol Weisfeld da University of Detroit Mercy, EUA falou sobre o relacionamento romântico estável em Long-term partnership: what it means in the postmodern era.

No último dia, Heidi Keller da Universität Osnabrück, Alemanha falou dos modelos de socialização infantil em The expression of positive emotionality in early socialization strategies in different ecocultural environments. Depois do almoço Ricardo Waizbort da Fiocruz, Rio de Janeiro falou sobre a escolha feminina em The evolutionism of the “O cortiço” of Aluísio Azevedo, depois Martin Brüne da Universität Bochum, Alemanha sobre psicopatologias em Towards an evolutionarily informed approach to understanding and testing mental disorders. E no final Suzana Herculano-Houzel da Federal do Rio de Janeiro falou sobre as regras de construção dos cérebros de roedores e primetas em Not that special: the human brain as a linearly scaled-up primate brain. Todos adoraram o simpósio e as lindas praias de natal.

A própria Suzana Herculano-Houzel em seu blog “A neurocientista de plantão” disse que gostou, ensinou e aprendeu muito nesse Simpósio Internacional de Psicologia Evolucionista. Ela falou sobre homens mulheres e evolução e percebeu que o adaptacionismo nem sempre é intuitivamente óbvio, com o caso das mães baterem nos filhos mais do que os pais, os quais têm menos certeza da paternidade. Ela também falou que gostou muito de se ver alvo de tietagem e recebeu vários elogios nos comentários. Eu mesmo pedi um autografo dela no livro Charles Darwin Em um Futuro não tão distante onde ela tem um capítulo.

Estreou também na Psico Evolucionista o Ciência Vista, grupo do qual participo interessado na divulgação científica cotidiana por meio de produtos, alguns feitos a mão, como camisetas científicas. As camisetas em comemoração o bicentenário de Darwin e dos 150 anos do Origem das Espécies fizeram o maior sucesso, muita gente gostou, comprou e vestiu a camisa da ciência.

Em resumo foi um excelente coroamento do Projeto do Milênio em Psicologia Evolucionista, o primeiro da área da Psicologia no país, que alcançou muito mais do que suas metas previstas. E principalmente graças à dedicação das professoras Maria Emilia Yamamoto e Maria Lucia Seidl-de-Moura o Instituto do Milênio catalisou o nascimento de uma área sólida, produtiva e interdisciplinar em Psicologia Evolucionista no Brasil.

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