Dance seu doutorado

No ritmo de defesa de doutorado e de comportamento humano artístico veremos hoje formas descontraidas de se apresentar sua pesquisa de doutorado. Agradeço aqui os comentários no post e congratulações sobre minha defesa de doutorado. Em breve, assim que minha tese sair na biblioteca virtual de teses e dissertaçãoes da USP, eu coloco o link aqui para todos poderem baixar.

Agradeço também os comentários certeiros sobre a figura com os hominídeos segurando instrumentos que passa a impressão errônea da grande cadeira dos seres. É bom ver que os leitores estão cada vez mais afiados. Ao cortar o chimpanzé da imagem inicial deixei a coisa um pouco menos destorcida. Juntos temos que acabar com essa noção arrogante de que o ser humano é o ápice da criação, pois não existem nem ápice nem criação. Mais sobre a escala natura veja “Lamarck: a verdadeira idéia errada”.

A figura que achei mais interessante não sucitou nenhum comentário. Como assim apresentar a tese de doutorado em forma de dança interpretativa? Pois é, sem mais nem menos descubro da existência do “The ‘Dance your  Ph.D’ contest”, que já está na segunda edição. Promovido pelo Gonzo Lab e patrocinado pela Science Magazine e agora pelo TEDx de Bruxelas, concurso premia com $500 dolares a melhor apresentação de trabalhos em cada uma das áreas: de Física, Química, Biologia e Ciências Sociais.

Além de ser uma nova forma de fazer divulgação científica incentivando habilidades artísticas (tão desvalorizadas pela educação atual) essa competição ofereçe mais uma janela sobre o comportamento humano.

No primeiro vídeo, que é da rodada do ano passado, veremos como os conflitos de interesse do comportamento de corte de galináceos pode ser claramente entendido quando transposto para o comportamento humano de corte, muito por serem os mesmo conflitos em jogo. Além disso vimos em “Dança: um fértil campo de pesquisa evolutiva” a importância da dança na seleção sexual.

Male ageing and sexual conflict in the feral fowl (Dance your PhD 2010) from Rebecca Dean on Vimeo.

No segundo vídeo, agora de um competidor desse ano, veremos como nem sempre as pessoas tem motivações egoístas quando engajam em trocas sociais.

Dance your PhD 2011 – Alexios Arvanitis (Social Exchange Theory) from Alexios Arvanitis on Vimeo.

São muitos outros vídeos interessantes e engraçados, confira. As inscrições estão abertas até dia 10 de outubro. Leia as dicas de como fazer um bom vídeos e participe.

Minha Defesa de Doutorado

 

Sei que muitos leitores estão aflitos com a falta de post dos últimos séculos aqui no MARCO EVOLUTIVO. Pois é logo isso vai mudar. Porque um evento único e evolutivo está por vir: minha defesa de doutorado.
Para aqueles que não sabem, depois de 4 anos (em média) de estudo da graduação ao se formar em uma universidade alguns percebem que gostam de fazer pesquisa, então fazem o mestrado que dura 2 anos (em média). Daí, alguns poucos decidem continuar a fazer ciência e entram no doutorado.
Muitos pensam que qualquer político ou alguém apenas formado em direito ou medicina é doutor!! Não, doutor é quem recebe o diploma de doutorado após cumprir créditos assistindo aulas de pós e pesquisar 4 anos (em média) algo inédito, qualificar para defender e defender a tese. Tudo isso matriculado em um programa de pós-graduação reconhecido pelo MEC. É como se fosse fazer uma nova graduação num tema só. Imagine um trabalho de final de
 semestre que demore 8 vezes mais para ser feito e escrito, essa é a tese.
Assim como o uso popular do termo Teoria é diferente do uso científico, o termo tese não se refere a um palpite ou opinião, mas sim ao mais profundo trabalho de investigação científica, seja no aspecto teórico quanto metodológico. Claro que no final tem-se um texto do tamanho de um livro.
Meu doutorado, assim como o mestrado, foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental da USP. Devo muito à minha orientadora, Vera Bussab, a mesma no mestrado e no doutorado, por todos esses anos juntos, ela sabe. Aprendi muito com ela.

Minha tese é intitulada
“Evolução da Musicalidade Humana: Seleção Sexual e Coesão de Grupo”.

 

Nela abordo e testo algumas explicações adaptativas para a existência das propensões musicais e artísticas em nossa espécie.
A defesa é um momento público em que o doutorando apresenta em meia hora o resumo da tese e uma banca de 5 doutores, dois internos aos programa da pós, 2 externos ao programa e o orientador fazem sua arguição, que inclui críticas, elogios, correções, comentários, colocações e sugestões futuras.
Se você se interessa pelo tema venha assistir minha defesa dia 25/08, na próxima quinta feira, às 14 horas na sala 36 do bloco F no Instituto de Psicologia da USP da São Paulo, Cidade Universitária.

Três Anos de MARCO EVOLUTIVO e Palestra de Martin Daly

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É com muito prazer que comemoramos não UM nem DOIS, mas TRÊS anos de MARCO EVOLUTIVO nesse último dia 28 de novembro. Foi um ano inteiro aqui no ScienceBlogs Brasil sem mudanças de endereço virtual, mas com mudança de endereço real. Nesse ano de 2010 estive aqui no Canadá fazendo meu doutorado sanduíche na McMaster University então não tive como me dedicar mais ao blog. Mesmo assim foi um ano de tópicos importantes e interessantes.

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A maioria dos 15 posts desse terceiro ano esteve relacionando música e dança com ciência e evolução das mais diferentes formas: do rap evolutivo e a música dos genes aos valores adaptativos da dança e da música. Outros temas como o da Medicina e Psiquiatria Darwinistas receberam grande destaque. Os cinco textos mais lidos do período (em ordem decrescente) foram: 1- Coevolução e Seleção Sexual no Caso da Vespa Tarada, 2- O sexo chimpanzé e o conflito de gerações, 3- Dicas de Livros em Psicologia Evolucionista, 4- Lamarck – A Verdadeira Idéia Errada, seguido de 5- Psicologia Evolucionista e Natureza Humana. Os destaques fora os textos: A Ciência do Sex Appeal e Eleição, Voz, Vitória e Pornografia que receberam altíssimas audiências por aparecerem do compilador de links UêBA.

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No período o blog teve mais de 33 mil visitas. Tivemos 31 mil visitas no Brasil e 1400 de Portugal, EUA e Canadá com mais de 200 visitas cada, e Angola, Espanha, Reino Unido, Japão, Irlanda com 50 ou mais visitas cada. Os países com mais de 10 acessos foram, em primeiro Portugal, EUA, Canadá, Angola, Espanha, Reino Unido, Japão, Irlanda, Moçanbique, França, Alemanha, Itália, México, Suíça, Argentina, Cabo Verde, Austrália, (um país não reconhecido pelo google analytics!) e Colômbia. As palavras mais usadas antes de encontrar o MARCO EVOLUTIVO foram: “Lamarck”, “Antropocentrismo”, “Período Fértil”, “Psicologia Evolucionista”, e “Seleção Sexual”.

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E como presente evolutivo nesse terceiro aniversário estou iniciando uma série de palestras internacionais de altíssimo nível sobre Psicologia Evolucionista e Biologia Evolutiva. Trarei uma compilação única de temas importantes e professores renomados para que juntos complementemos nossa formação acadêmica nacional (e nosso listening) conhecendo de perto autores internacionais e suas idéias. Inicio nossas palestras evolucionistas com um dos fundadores da Psicologia Evolucionista, Martin Daly e sua palestra de outubro de 2010 aqui na McMaster sobre Evolved Decision Processes and Rational Choice. Descubra de forma descontraida em 53 min que nossa racionalidade para algumas coisas e irracionalidade para outras, assim como a ilusão das decisões conscientes, são mais bem explicadas a luz da evolução.

Extra Extra! Nossos Genes Estão na Música!

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É de longa data a discussão de se a variação individual na nossa habilidade musical tem maiores componentes herdados geneticamente ou do ambiente. Muitos, caindo no erro do determinismo genético de que gene é destino, temem que se descobrirem que alguns genes relacionados a uma facilidade de aprendizado musical isso irá acabar de vez com o ensino de música nas escolas. 
Pois é que os dotados de tais genes deveriam fazer aulas especializadas fora da escola. Ótimo, sendo assim, como devem existir genes facilitando o aprendizado de línguas e de matemática o currículo logo estará livre também dessas disciplinas. Nada mais justo! Vejam como não faz sentido algum temer que se busque fatores genéticos ligados a habilidade musical para proteger que o ensino musical no currículo.

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Estudos em gêmeos apontam que alguns aspectos da musicalidade apresentam um grande componente hereditário influenciando a variação individual. Um estudo (Coon & Carey, 1989) encontrou que de 44% a 90% da variação individual na capacidade musical se deve pelo compartilhamento genômico. Outro (Drayna et al., 2001) encontrou que de 71% a 80% da variação individual na discriminação de tons se deve à herança genética.

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Estudos genéticos já haviam mostrado que há uma associação entre a memória musical e polimorfismos em genes relacionados à vasopressina (Granot et al., 2007). Então o pesquisador Ian Craig do King’s College London coletou amostras de DNA dos 40 cantores profissionais do New London Chamber Choir e de pessoas que se diziam completamente incapazes de cantar ou tocar instrumentos. Ele está analisando se as variações individuais no tamanho e conteúdo das cópias do gene que codifica o receptor 1A para a vasopressina no cérebro e em mais 16 outros marcadores genéticos co-variam com as habilidades musicais individuais. Por enquanto ele só encontrou algumas poucas diferenças, mas a análise ainda não está concluída.

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Então, para atrair a atenção da mídia e do público em geral eles contactaram o compositor Michel Zev Gordon que compôs a música Allele, a primeira música criada a partir das ‘letras’ ou bases nitrogenadas do DNA. (Iniciativas anteriores semelhantes fizeram música a partir da freqüêcia da molécula de DNA). Pois é o DNA tem só 4 letras AGCT, e pra queles que gostam de pop song já sabem que 4 acordes são mais do que suficientes. Então como A= lá, G=sol, C= dó T=ti, ou si em inglês, dá pra criar uma música tranquilamente. Cada músico estava cantando sua voz contendo as notas da própria variante do gene relacionado à habilidade musical. Fenomenal. Veja mais detalhes abaixo no vídeo da NewScientist dessa semana.

Referências
Coon, H., & Carey, G. (1989). Genetic and environmental determinants of musical ability in twins. Behavior Genetics, 19(2), 183-193. 
Drayna, D., Manichaikul, A., Lange, M., Snieder, H., & Spector, T. (2001). Genetic Correlates of Musical Pitch Recognition in Humans. Science, 291 (5510), 1969 – 1972. 
Granot, R., Frankel, Y, Gritsenko, V., Lerer, E., Gritsenko, I., Bachner-Melman, R., Israel, S., & Ebstein, R. (2007). Provisional evidence that the arginine vasopressin 1a receptor gene is associated with musical memory. Evolution and Human Behavior, 28(5), 313-318. 

Quais os benefícios evolutivos e psicológicos da Dança e da Música?

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Quem dança e canta seus males espanta, certo? Tudo bem, mas, evolutivamente, se esses males não forem inimigos, predadores, parasitas e outros competidores e se ainda assim se isso não ajudar na reprodução direta ou na de presentes, então nada feito. As origens evolutivas e efeitos sociais e cognitivos da música e da dança são o tema de uma entrevista muito interessante de Eduard Punset, distinto divulgador de ciência espanhol, com Lawrence Parsons, neurocientista cognitivo da Universidade de Sheffield.

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Punset e Parsons ressaltam que a música e a dança são universais, regidas por processos psicológicos em grande parte inconscientes, feitas espontaneamente em grupo e que apresentam paralelos análogos em comportamentos de outras espécies, principalmente aves. Para Parsons a música e a dança

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 evoluíram como uma primeira forma de comunicação não verbal para promover a coesão social intragrupo, sincronizando e conectando emoções e atividades trazendo vantagens na competição com outros grupos, tribos etc. Parsons segue citando que a dança e a música são bem antigos segundo pinturas rupéstres e fósseis de flautas, e que não há celebração social sem música nem danças populares em todas épocas históricas.

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Ele aponta que os bebês já estão prontos para aprender os ritmos da própria cultura já nos primeiros anos de vida: assim como com a linguagem durante o primeiro ano os bebês respondem brincando igualmente vários modelos rítmicos e de escalas musicais, mas após um ano aproximadamente eles passam a se especializar aos sons musicais ou lingüísticos da própria cultura. Através de brincadeira musical e dançada diferentes sistemas cerebrais se harmonizam eficientemente ao longo do desenvolvimento, segundo Parsons.

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O interessante é que Punset não descarta a influência da seleção sexual tanto é que na edição final ela só é citada nas reportagens entre as partes da entrevista e não na entrevista em si. Os ancestrais que andavam e dançavam de forma mais graciosa eram percebidos como mais saudáveis, criativos e inteligentes levando então a um maior sucesso reprodutivo.

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Eles falaram também dos neurônios espelhos, que estão ativos quando fazemos algo e quando vemos alguém fazer algo, seja dançar, tocar um instrumento ou assistir a uma competição esportiva. Então, seja especialista ou amador mesmo se estivermos praticando os movimentos mentalmente estamos até certo modo realmente aprimorando as conexões envolvidas nos movimentos. Vários sistemas cerebrais estão interagindo de forma complexa, percepção visual e sonora às áreas motoras, quase instantaneamente para gerar os movimentos da dança e isso tudo ligado ao sistema límbico nos dando prazer recompensador e ajudando na memória.

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Eles finalizam trazendo as implicações sociais e educacionais dos novos estudos neurológicos e evolutivos da música e dança. Dizem que as artes deveriam ser ensinadas em todas as escolas, pois melhoram a memória operacional e a capacidade executiva da atenção e controle motor ao lidarmos com tarefas múltiplas. Concluem que a música e a dança são poderosas formas de coesão e sincronização grupal e que em sua prática contribuem numa harmonização de funções cognitivas gerais.
Muito bem produzido, como sempre, o vídeo da entrevista está repleto de imagens e explicações bem interessantes e cativantes, vale a pena assistirmos esse vídeo de 27 min e de quebra treinarmos nosso espanhol.
 

O Rap também é Evolução

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Cansado de ter que ler vários livros tediosos pra aprender evolução e inglês? Preferia ficar ouvindo um rap em alto e bom som? Pois seus problemas se acabaram!! Chegou o The Rap Guide To Evolution!!! Pois é minha gente, depois de ouvirmos músicas sobre Darwin e evolução no post e nos comentários de Cantando Darwin, depois de ouvirmos a versão reggae de cada um dos capítulos do Origem das Espécies, chegou a hora de ouvirmos o que o rap tem a nos dizer sobre evolução.

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Baba Brinkman é um raper canadense fissurado em plantar árvores que lançou seu mais novo álbum “The Rap Guide To Evolution”. Graças às conversas com um amigo biólogo evolucionista e muitas leituras, ele compôs 16 músicas interessntes sobre vários aspectos da evolução. Até a Olivia Judson, a Dra Tatiana do Consultório Sexual para todas as espécies, falou bem dele em sua coluna no The New York Times.
Em suas músicas ele explica a seleção natural, desacredita o criacionismo, explica a seleção artificial, ressalta nossa descendência comum com todos os seres vivos e afirma que todos os seres humanos são africanos. Ele ainda fala sobre Psicologia Evolucionista cita autores como Leda Cosmides e Geoffrey Miller, explica a relação do desconto de futuro com o homicídio comentando o livro de Martin Daly e Margo Wilson. Além disso, ele explica memética, seleção de grupo, seleção sexual, DNA mitocondrial e muito mais. Tudo isso numa liguagem clara, bem humorada e fácil de entender.

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Gostei dele ter dedicado uma música ao ácido universal. Daniel Dennett refere-se a ideia de Darwin como um ácido que corrói tudo a sua volta, pois nenhum modelo instrutivo se sustenta frente ao modelo seletivo (veja o porquê). Ou seja complexidade e inteligência podem sugir de processos simples e burros sem nenhuma instrução mágica, basta performance, feedback e revisão por um longo período de tempo. No site dele vocês podem ouvir e baixar as músicas e ver muito mais.

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No vídeo abaixo veremos Baba Brinkman no Cambridge Darwin Festival ano passado comemorando o Ano de Darwin frente aos famosos evolucionistas. Ele canta o rap em que explica como funciona o modelo seletivo e como usando os mesmo passos da seleção natural: performance, feedback e revisão é possível aprender e aprimorar até o mais fajuto rascunho de letra de rap, porque o rap também é evolução. Divirtam-se cantando e aprendendo.

Notas e Neurônios

É com muito prazer que inicio as blogagens de 2010 diretamente do Canadá. Dessa vez não vim a um congresso. Acabei de me mudar, estou morando no Canadá há uma semana. Durante todo esse ano até janeiro de 2011 estarei vivendo o “recheio” do meu doutorado sanduíche pela USP (financiando pelo CNPq) aqui na McMaster Univesity. Estou no laboratório de NeuroArts e começando a entrar em contato com um rico ambiente intelectual e aprendendo muitos aspectos evolutivos, antropológicos e neurológicos das manifestações musicais entre outras artes.

E nesse clima apresento o “Notes & Neurons” do World Science Festival de 2009. Trata-se de uma ótima entrevista-discussão-apresentação-documenário sobre as novas descobertas da neurociência sobre nossa musicalidade. Nessa série de cinco vídeos você vai ver como nosso cérebro decompõe as várias dimensões da música usando diferentes áreas e depois reitegra de forma paralela as informações para termos a experiência musical. O âncora é o John Schaefer e os convidados são os cientistas Jamshed Barucha da Tufts Univ., Daniel Levitin da McGill Univ., Lawrence Parsons da Univ. de Sheffield, e o músico Bobby McFerrin (“Don`t worry, be happy”) que faz intervenções bem interessantes.

No primeiro vídeo, após o solo de Bobby eles falam um pouco do crescente interesse pelas bases neurais da musicalidade, suas questões universais e particularidades culturais. No segundo vídeo, veremos que nossa musicalidade sempre inclui música e dança, que não existe uma única área cerebral responsável por toda a cognição subjascente à nossa musicalidade, ela está distribuida por todo o cérebro e o sistema nervoso periférico. Basicamente temos áreas cerebrais envolvidas na percepção e análise auditiva, na memória e associações, na expectativa do que vai acontecer, no movimento, na sensação corporal, na emoção, e na percepção visual.
Eles falam dos intervalos muscais que são

universais como a oitava, a quinta, a quarta e a terça. Falam também que quando falamos algo triste usamos o mesmo contorno melódico dos acordes menores que também soam tristes, e quanto estamos com raiva fazemos um intervalo de meio tom. O interessante é que temos muito mais facilidade de reconhecer o pacote melódico da fala pra emoções negativas. Já que evolutivamente, as consequências das emoções negativas tiveram maior chance de prejudicar a aptidão de nossos ancestrais. Bobby McFerrin faz ótimas demostrações de variação no timbre, e eles mostram variações também no ritmo.

No terceiro vídeo, eles demostram diferenças entre as escalas ocidentas e as escalas da música indiana. Mostram que ter crescido em uma cultura faz com que criemos expectativas musicais típicas das escalas usadas, mas ainda assim possuímos uma platicidade para aprender diferentes escalas e músicas de culturas distantes. Com a crescente disseminação da afinação e da harmonia ocidental através do mundo, graças a pop music industry, corremos o risco de não termos exemplos de músicas sem a influência ocidental para estudos etnomusicológicos. Mas pensando bem, Jamshed está certo em dizer que sim, ainda existe uma última tribo não exposta à música do resto do mundo, os EUA!

No quarto vídeo, veremos a belíssima e muito didática demostração de Bobby McFerrin sobre as expectativas universais quanto à escala pentatônica. Depois eles falam das relações entre musicalidade e linguagem, os casos de línguas tonais como o chinês, tudo parte de uma grande vivência social compartilhada permeando música, dança e linguagem. E no final comentam que os bebês antes de nascer facilmente encorporam as escalas musicais de cada cultura. No último vídeo músicos e convidados tocam juntos. Aproveitem e feliz 2010!

Origem das Espécies em Reggae

Hoje veremos uma iniciativa de homenagem a Darwin pelo Origem das Espécies muito interessante e inusitada. Dois acadêmicos, Prof Mark Pallen e doutorando Dom White, ambos da Birmingham University, tiveram a idéia de criar um novo estilo musical: o Genomic Dub. E nesse novo estivo eles fizeram reggae music do Origem das Espécies!!

O Genopmic Dub é uma empreitada série a com muito objetivos dentre os quais celebrar a vida e obra de Dariwn bem como os recentes sucessos na área da Genômica e da Biologia Evolutiva. Em sua página The Genomic Dub Collective, Pallen & White mostram como essa iniciativa pode integrar cultura e ciência criando um movimento que estimula o interesse geral pela ciência.

O álbum The Origin of Species in Dub eles incluíram trechos do Origem capítulo por capítulo e exploraram a temática da evolução humana na áfrica e o legado de Darwin. Abaixo veremos os 12 vídeos disponíveis essa incrível iniciativa científica e musical capaz de libertar nossa mente.
E pra fechar esse post descobri hoje que o apelido de infância de Charles Darwin era “Bobby”, algo bem reggae!!












A Mente Musical

Ocorreu em Goiânia no final de maio o V Simpósio de Cognição e Artes Musicais (SIMCAM). Um verdadeiro ponto de encontro entre humanidades e ciências em torno da musicalidade humana. Uma iniciativa anual de cinco anos da Associação Brasileira de Cognição e Artes Musicais, composta por pesquisadores brasileiros de diversas áreas de educação musical até neurociências da música.

O SIMCAM sempre tem convidados internacionais, ótimas palestras e mesas redondas, apresentações orais e de pôsteres, além de várias apresentações musicais de todos os estilos e gêneros: de música barroca até eletroacústica. O SIMCAM é sempre uma ótima oportunidade para conhecermos melhor pesquisas e pesquisadores interessados nos vários aspectos de musicalidade humana.

Nesse ano foram dois os convidados internacionais. A Katie Overy da University of Edinburgh, Reino Unido não pode comparecer de última hora, mas mandou sua apresentação e o pdf do seu artigo a tempo de divulgar a todos suas pesquisas. Sua comunicação girou em torno das relações entre a experiência musical e o sistema de neurônio espelho propondo um modelo de experiências afetivas e gestuais da música.

O Steven Brown da McMaster University, Canadá compareceu e falou sobre porque algumas pessoas cantam desafinado. Mostrou com suas pesquisas como a desafinação não está relacionada a aspectos da memória, da percepção melódica, nem habilidade motora e sim na habilidade imitação vocal. Sua palestra foi muito interessante, pois além de tudo mostrou várias pessoas cantando desafinado, cantos de outras espécies e de outras culturas, que arrancou risadas e exclamações da platéia.

O Steven Brown ainda veio para o Instituto de Psicologia da USP dar uma disciplina de pós-graduação a convite meu e da minha orientadora. A disciplina foi sobre as Artes e o Cérebro e ele abordou o estudo unificado das artes, suas origens evolutivas, os mecanismos cerebrais envolvidos na dança e módulos cerebrais relacionados a diferentes manifestações artísticas. A disciplina foi muito boa, rica em conteúdos e discussões. Apareceram quase 30 alunos dentre mestrandos doutorandos e professores de outras unidades.


A grande quantidade de pessoas interessadas na disciplina somada às centenas de pessoas que já participaram dos SIMCAMs mostram crescente interesse pelas pesquisas sobre artes e principalmente música. Muitos livros atualmente estão sendo lançados sobre o tema dentre os famosos estão o “Alucinações musicais” do Oliver Sacks e o “This is your Brain on Music” de Daniel Levitin.

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A união interdisciplinar promovida pela Associação Brasileira de Cognição e Artes Musicais já até culminou no o primeiro livro brasileiro sobre cognição musical, o “Em Busca da Mente Musical”, um esforço de vários autores editado pela Beatriz Ilari da UFPR. O livro conta com um capitulo escrito pelo próprio Daniel Levitin.

Abaixo veremos vídeo e entrevista de Oliver Sacks comentando sobre os interessantes casos neurológicos relacionados à musicalidade, como sinestesias e amusias. E NESSE link vocês poderão assistir um documentário The Muscial Brain de 45 min com Daniel Levitin sobre vários aspectos do cérebro musical desde o desenvolvimento musical em bebês até a evolução da musicalidade. Nesse documentário Levitin submete o cantor Sting do The Police ao imagiamento cerebral realizando diferentes tarefas. São Vídeos e livros imperdíveis para os amantes da ciência e da música.





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