Minha Defesa de Doutorado

 

Sei que muitos leitores estão aflitos com a falta de post dos últimos séculos aqui no MARCO EVOLUTIVO. Pois é logo isso vai mudar. Porque um evento único e evolutivo está por vir: minha defesa de doutorado.
Para aqueles que não sabem, depois de 4 anos (em média) de estudo da graduação ao se formar em uma universidade alguns percebem que gostam de fazer pesquisa, então fazem o mestrado que dura 2 anos (em média). Daí, alguns poucos decidem continuar a fazer ciência e entram no doutorado.
Muitos pensam que qualquer político ou alguém apenas formado em direito ou medicina é doutor!! Não, doutor é quem recebe o diploma de doutorado após cumprir créditos assistindo aulas de pós e pesquisar 4 anos (em média) algo inédito, qualificar para defender e defender a tese. Tudo isso matriculado em um programa de pós-graduação reconhecido pelo MEC. É como se fosse fazer uma nova graduação num tema só. Imagine um trabalho de final de
 semestre que demore 8 vezes mais para ser feito e escrito, essa é a tese.
Assim como o uso popular do termo Teoria é diferente do uso científico, o termo tese não se refere a um palpite ou opinião, mas sim ao mais profundo trabalho de investigação científica, seja no aspecto teórico quanto metodológico. Claro que no final tem-se um texto do tamanho de um livro.
Meu doutorado, assim como o mestrado, foi realizado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Experimental da USP. Devo muito à minha orientadora, Vera Bussab, a mesma no mestrado e no doutorado, por todos esses anos juntos, ela sabe. Aprendi muito com ela.

Minha tese é intitulada
“Evolução da Musicalidade Humana: Seleção Sexual e Coesão de Grupo”.

 

Nela abordo e testo algumas explicações adaptativas para a existência das propensões musicais e artísticas em nossa espécie.
A defesa é um momento público em que o doutorando apresenta em meia hora o resumo da tese e uma banca de 5 doutores, dois internos aos programa da pós, 2 externos ao programa e o orientador fazem sua arguição, que inclui críticas, elogios, correções, comentários, colocações e sugestões futuras.
Se você se interessa pelo tema venha assistir minha defesa dia 25/08, na próxima quinta feira, às 14 horas na sala 36 do bloco F no Instituto de Psicologia da USP da São Paulo, Cidade Universitária.

David Buss e a Psicologia Evolucionista

No final no Origem das Espécies, nosso aniversariante do mês, Darwin vislumbrou uma revolução na Psicologia: “Num futuro distante eu vejo campos abertos para pesquisas muito importantes. A Psicologia estará embasada em uma nova fundação, aquela da aquisição necessária de cada poder e capacidade mental de forma gradualista. Muita luz será lançada sobre a origem do homem e sua história”.

O surgimento da Psicologia Evolucionista e disciplinas relacionadas que estudam a natureza humana indicam o começo da concretização da previsão de Darwin, segundo David Buss no artigo intitulado The Great Struggles of Life: Darwin and the Emergence of Evolutionary Psychology de 2009.

Dr David Buss é professor da Universidade do Texas e um dos pioneiros em Psicologia Evolucionista. É dele o famoso estudo de 1986 amostrando 10.047 pessoas em 37 culturas indicando diferentes diferenças sexuais consistentes nos critérios para seleção de parceiros românticos. Ele já escreveu livros sobre a evolução do desejo e motivação sexual, ciúmes, assassinato, conflito entre homens e mulheres, personalidade além de dois livros sobre Psicologia Evolucionista.

Nos vídeos abaixo veremos uma palestra de Buss dublada para o espanhol concedida ao programa La Ciudad de las Ideas de 2008. (25 min). No primeiro vídeo ele fala que as estratégias de acasalamento (formação de casais) surgem do desejo, que existem diferenças entre homens e mulheres na esfera do acasalamento, qual o papel e a história da seleção sexual de Darwin e que temos um menu complexo de estratégias de acasalamento contendo relacionamentos de longo prazo, curto prazo, extraconjugais, seriais e mistos.

Quanto ao longo prazo, ele fala do estudo com 37 culturas em que, apesar de ambos os sexos valorizarem igualmente o amor mutuo, a inteligência e a amabilidade, homens valorizam mais aparência a e juventude e mulheres valorizam boas perspectivas financeiras. Quanto ao curto prazo, ele mostra que homens desejam por volta de 20 parceiras sexuais diferentes pra vida inteira ao passo que as mulheres desejam cerca de cinco para toda vida. Veja mais sobre o desejo por variedade sexual em Desejos por Variedade Sexual do MARCO EVOLUTIVO.

No segundo vídeo ele fala que evolutivamente as mulheres traem por recursos ou bons genes ou pra conquistar um parceiro melhor, fala também que homens tem mais ciúme sexual enquanto as mulheres tem mais ciúme emocional devido a incerteza da paternidade para os homens e da incerteza do comprometimento masculino para as mulheres. E pra finalizar ele fala também que durante o período fértil as mulheres desejam mais sexo, acham mais atraentes homens mais simétricos e com faces, corpos e vozes mais masculinas. Aproveitem os vídeos.
 

Simpósio de Sexologia e Coletânia em Seleção Sexual

Nesta quinta feita, dia 01/09 tem início na UNESP de São José do Rio Preto o Simpósio de Sexologia promovido pelo Centro Acadêmico de Biologia “3 de Setembro”. O evento abordará os estudos acerca da sexualidade, envolvendo três grandes temáticas: a biológica comparativa e adaptativa; a do direito envolvendo aborto e crimes sexuais; e a informativa e de saúde envolvendo orientação sexual, sexualidade nas universidades e DSTs. Achei muito interessante a programação, pois geralmente a abordagem evolutiva para a sexualidade está fora da Sexologia.

Durante o Simpósio de Sexologia eu darei um mini-curso sobre a Evolução das Estratégias Sexuais. Para os participantes e para todos interessados no tema eu recomendo que leiam os posts sobre seleção sexual do MARCO EVOLUTIVO. Para descobrir sobre os padrões da seleção sexual nos outros animais vejam:

Para descobrir influências da seleção sexual no comportamento humano vejam:

E para vejam ótimos vídeos de especialistas no assunto vejam:
 

E falando em ótimos vídeos, aqui veremos em primeira mão um vídeo colocado hoje no youtube de um podcast do Biólogo Evolucionista Tim Clutton-Brock do Museu de Zoologia da Universidade de Cambridge. Nele Clutton-Brock aborda primeiro o desafio à evolução que os ornamentos representaram pra Darwin e sua solução foi criar a Seleção Sexual. Ele separa a beleza em dois tipos: a beleza simples e funcional do design adaptativo que evoluiu por seleção natural; e a beleza exagerada, multifacetada e complexa dos ornamentos que evoluiu por seleção sexual.

Ele fala que a seleção sexual, apesar de pensada só para formas e cores, atua em todas as formas de sistemas de sinalização e envolve sons e cheiros atraentes. Para ele as aves e mamíferos diferem quanto aos canais de comunicação o que pode ser evidenciado nas diferenças de ornamentos. As aves são em geral mais visuais e sonoras enquanto os mamíferos são em geral mais voltados para os ornamentos olfativos. Ele borda também que a maioria das pesquisas tem foco nas exibições masculinas, mas que atualmente os ornamentos femininos estão sendo mais estudados. Aborda também o efeito da assimetria no investimento parental nas diferenças sexuais nos humanos e nos benefícios que as fêmeas têm na seleção sexual.

O sexo chimpanzé e o conflito de gerações

Os chimpanzés, nossos parentes mais próximos na Terra, apresentam não só uma ótima oportunidade para nos entendermos com um olhar mais amplo, mas também para estudar suas próprias peculiaridades comportamentais. O início da Primatologia foi marcado por um interesse secundário no comportamento dos outros macacos e sim mais uma oportunidade comparada ao estudo do ser humano. Atualmente existe um interesse legítimo no comportamento e nas peculiaridades dos outros primatas, visto que eles não são “piores” do que nós e muitos estão sofrendo ameaças de extinção.

E nada mais interessante do que falarmos sobre o sexo dos nossos parentes mais próximos. As chimpanzés fêmeas não apresentam menopausa, ficando fértil por todos seus 40 anos médios de vida, ao contrário dos humanos. Então, será que os machos chimps apresentam a mesma preferência por fêmeas mais novas que homens apresentam? Foi exatamente essa questão que motivou uma pesquisa feita pelo antropólogo Martin Muller da Boston University. Ele observou a faixa etária das fêmeas mais abordadas para cópula num grupo de chimps no Kibale National Park em Uganda.
Ele obteve que, ao contrário dos homens, os chimpanzés machos preferem fêmeas mais velhas. Os machos competem intensamente pelas fêmeas mais velhas, enquanto as mais novas têm que se esforçar mais para atrair a atenção. Comparado com as mais novas as fêmeas mais velhas são mais abordadas, acasalam mais comumente no período do estro, copulam com maior freqüência com os machos dos altos postos da hierarquia e geram intensa disputa entre os machos na época de acasalamento.
Bom, vocês perceberam que existe hierarquia entre as fêmeas sendo as mais velhas as mais dominantes, e assim elas obtêm um acesso melhor a melhores alimentos. E uma fêmea bem nutrida apresenta maior fecundidade, ou seja, maior a probabilidade de darem à luz em qualquer ciclo fértil. Então seria de se esperar que as fêmeas mais novas desenvolvessem estratégias para contornar essa influência dominante das mais velhas e também se dar bem na reprodução (duplo sentido opcional).
E foi exatamente isso que o psicólogo Simon Townsend da University of St Andrews e colegas obtiveram em seus estudos sobre as eróticas vocalizações de cópula que as fêmeas emitem, quase como gemidos sexuais. A hipótese vigente dizia que essas sinalizações vocais das fêmeas funcionavam indicando sua fertilidade para os machos, incitando a competição de modo que quem copulava era o melhor macho, o que ganhou a competição. Mas eles não encontraram suporte para essa hipótese, pois não houve relação entre os chamados de cópula e o período fértil.
Ao invés disso eles obtiveram que as fêmeas gemiam mais quando copulavam com machos de dominância mais elevada, mas elas suprimiam as vocalizações quando fêmeas de maior dominância estavam por perto. Essa flexibilidade estratégica na emissão dos chamados de cópula acaba por prevenir a competição social, que muitas vezes é violenta, entre as fêmeas de diferentes idades.
As fêmeas chimpanzés parecem estar muito mais interessadas em fazer sexo com diferentes machos sem que as fêmeas dominantes descubram para não gerar confusão pra cima delas, do que gerar competição barulhenta entre os machos. Não esperávamos que o conflito de gerações entre as chimps fosse originar cópulas silenciosas e veladas.

Como vimos, o sexo primata pode dar muito o que falar como pode dar muito o que calar. Aliás, calar foi a única coisa que os humanos (crianças e adultos) não fizeram frente ao ato sexual chimpanzé deste vídeo.

Vídeos: Evolução da Sexualidade Humana II


Para finalizar o Festival de Vídeos sobre a Evolução da Sexualidade Humana veremos o documentário The Nature of Sex .

São seis vídeos que buscam pistas para nossa própria sexualidade em nossos parentes próximos e no passado distante. Assim como o documentário passado este é ricamente ilustrado e elucidativo, além de ser bem abrangente.
No primeiro vídeo, de quase 10 minutos, veremos o Homo Habilis, as pressões que ele enfrentou na savana e faremos comparações com a sociedade de Babuinos. Depois veremos o comportamento sexual do Chimpanzé e traçaremos paralalos com o cio humano.
No segundo vídeo, de 10 minutos, veremos o Homo Erectus, seu modo de caça, sua saída da África e o contínuo aumento do cuidado parental. Veremos também a origem do seio. Manteremos aquele olhar de auto-estranhamento ao analisarmos a família do ponto de vista evolucionista.
No terceiro vídeo, de 10 minutos, veremos as origens do favorecimento de parentes. Ao analisarmos as características que escolhemos nos parceiros amorosos veremos a origem do nariz. Como em nossa espécie tanto homens quanto mulheres escolhem, veremos as pressões seletivas para indicadores como tamanho e força corporal, e fertilidade e cuidado da prole.
No quarto vídeo, de 10 minutos, veremos a origem de olhos grandes e lábio como sinalizadores, e que assim como ambos os sexos escolhem eles competem. Veremos um curioso desfile de beleza masculino e seus paralelos com os cuidados estéticos do Bowerbird. E descobriremos que não há apenas indicadores de cuidados parentais, mas sim indicadores estéticos de bom gosto. Além de ver as sutilidades não-verbais da vigilância de acasalamento.
No quinto vídeo, de 10 minutos, veremos o investimento feminino na prole e as tendências para evitar o incesto nas crianças em kibutz.
Veremos também qual é a profissão mais antiga do mundo e que não somos tão diferentes de muitos outros animais.
No último vídeo, de 3 minutos, veremos nossas semelhanças com os Bonobos e por fim sua mensagem de paz e amor.

Reserve uma horinha para ver esses vídeos interessantes e evolutivamente relevantes e ainda treine seu inglês.





Vou te dar muita pressão, vou sim!

Um dos maiores ensinamentos evolutivos é que devemos tentar ao máximo olhar para os seres vivos – inclusive para o animal humano – com o mesmo estranhamento que um biólogo marciano olharia. Ou seja, abandone seu antropocentrismo! Com esse sentimento podemos capturar as verdades evolutivas por trás do óbvio ao nosso redor, inclusive da letra de funk acima.

Desde Darwin e Wallace e os primórdios da seleção natural a questão sobre a consciência ou acaso das pressões seletivas era muito controvertida. O próprio Darwin salientou que “Muitos escritores têm compreendido mal, ou têm criticado o termo Seleção Natural. Alguns têm mesmo imaginado que a Seleção Natural induz à variabilidade, quando pelo contrário envolve somente a conservação das variações acidentalmente produzidas, quando são vantajosas ao indivíduo nas condições de existência em que vive. […] Outros têm objetado que o termo seleção envolve uma escolha consciente nos animais que tornaram modificados; e tem-se mesmo argumentado que sendo as plantas isentas de qualquer vontade, a Seleção Natural não lhes é aplicável!”
Como a palavra “acidentalmente” deixa bem claro as pressões seletivas da Seleção Natural não envolvem qualquer tipo de consciência – para desespero dos criacionistas de designers inteligentes. O algorítimo darwiniano é nada mais do que uma receita que independe do substrato, dadas as condições e ingredientes certos ela sempre funcionará mecanicamente. Essa é a famosa perigosa idéia de Darwin esmiuçada por Daniel Dennett (1995).

Então podemos pensar que o “Vou te dar muita pressão” não passa de um absurdo criacionista, pois Darwin mostrou concretamente que o sujeito da oração (sem duplo sentido religioso heim! Eu quis dizer “frase”) não é indeterminado nem está oculto, é inexistente. Darwin ainda acrescenta que “No sentido literal da palavra, não há dúvida que o termo Seleção Natural é um termo errôneo; mas quem jamais criticou os químicos, por se servirem do termo afinidade eletiva falando de diferentes elementos? […] Todos sabem o que significam e o que querem exprimir estas expressões metafóricas e que são quase necessárias para a concisão.”

Mas será que todo termo evolucionista “seleção” está tão isento de vontade própria assim? Mas é claro que não! E foi o próprio Darwin quem matou a charada descobrindo a Seleção Sexual. Ao contrário do sentido totalmente casual e mecânico do “seleção” da Seleção Natural, a Seleção Sexual envolve sim uma vontade direcional. Mas não uma vontade direcional divina, uma vontade literalmente animal. Essa vontade intencional própria é uma das maiores pressões seletivas na evolução dos animais, pois são as mentes dos próprio animais que exercem pressão evolutiva em outros animais.
As mentes, enquanto funcionamento do sistema nervoso, são tão materiais quanto o funcionamento do liquidificador. O interessante é que um simples processo mecânico não-intencional pôde originar aparatos complexos e intencionais como as mentes animais (que maravilha de idéia perigosa). E são as escolhas por livre e espontânea vontade dessas mentes que são o obvio sujeito oculto por trás da frase de funk.
Agora que percebemos que o “eu” oculto no “Vou te dar muita pressão” não é divino, mas sexual olhamos com outros olhos o óbvio sentido sexual da letra. Além disso, as pressões seletivas intencionais não estão só restritas às escolhas que os animais fazem intra-especificamente como na seleção sexual, pois até quando se relacionam com outras espécies sejam animais ou plantas estão “dando muita pressão” também. Mas, é claro que as forças são maiores na difícil vida intra-específica grandemente abarcada pela Seleção Sexual.
Chegado o estranhamento, vamos aos indícios. Se existe uma diferença qualitativa da pressão metaforicamente seletiva da Seleção Natural para a pressão literalmente seletiva da Seleção Sexual esperaríamos encontrar adaptações mais refinadas, complexas e mais bem esculpidas fruto das pressões intencionais.
Aqui veremos um vídeo sobre como a paisagem passiva das florestas pressionou o canto das aves florestais para sons mais simples, com notas longas bem demarcadas e com menos variação de notas – características sonoras que escapam às barreiras refletoras de sons das folhas. Veremos também como a pressão seletiva é diferente no alto na floresta do chão dela. Em quanto que neste vídeo veremos como a paisagem psicológica intencionalmente ativa das aves moldou as mais requintadas cores e exibições de corte.
Depois desse texto você nunca mais ouvirá o Bonde do Tigrão do mesmo jeito. Porque o simples ato de escolher ouvir sempre ou nunca mais ouvir essa música já é “dar muita pressão” literalmente.
Referência
Carvalho, E. M. M. (Org.) (1986). O Pensamento Vivo de Darwin. São Paulo: Martin Claret.
Dennett, D. (1995). A perigosa Idéia de Darwin. Rio de Janeiro: Rocco.

Desejos por Variedade Sexual

A evolução diferenciada entre homens e mulheres

Idealmente, quantos parceiros sexuais você gostaria de ter no próximo mês? E daqui a cinco anos? Quantos parceiros você gostaria de ter daqui a 30 anos? E durante toda sua vida? Não é novidade que o desejo por variedade sexual, assim como o próprio desejo por sexo, está presente em maior ou menor grau na mente dos seres humanos. A novidade é que essas perguntas, quando feitas a 16 mil pessoas de 52 nações diferentes, podem ajudar a esclarecer as bases evolutivas do comportamento sexual. O desejo por variedade sexual é uma característica mental chave para testar diferentes teorias evolutivas sobre o acasalamento humano.
As diferentes abordagens evolucionistas divergem quanto à dimensão temporal típica dos relacionamentos amorosos. Existem teorias que dizem que nós somos naturalmente inclinados apenas para relacionamentos monogâmicos de longo prazo e que a promiscuidade é patológica, oriunda do ambiente moderno antinatural. Outras dizem que somos naturalmente inclinados apenas para relacionamentos promíscuos de curto prazo, dada nossa tamanha semelhança genética com os chimpanzés. A visão intermediária é a de que nós possuímos um repertório natural mais pluralista, que inclui relacionamentos tanto de longo quanto de curto prazos.
A questão é que, ao contrário das teorias pluralistas, as que admitem inclinações biológicas apenas para relacionamentos curtos ou longos não prevêem diferenças específicas entre homens e mulheres. As teorias pluralistas argumentam que ambos os sexos têm o mesmo repertório temporal flexível de estratégias sexuais. Homens e mulheres possuem adaptações mentais voltadas tanto para a adoção de estratégias de curto prazo em algumas ocasiões, quanto para adoção de estratégias de longo prazo em outras. Essa flexibilidade teria dado aos nossos ancestrais importantes benefícios reprodutivos por permitir que eles respondessem adaptativamente a uma grande variedade de contextos familiares, culturais e ecológicos. Entretanto, é previsto que homens e mulheres tenham inclinações e desejos diferentes para cada nível de relacionamento.
Amor e sexo
Segundo a Teoria das Estratégias Sexuais de David Buss e David Schmitt (1993), para relacionamentos de longo prazo – caracterizados por extenso flerte, elevado investimento, presença de amor, mútuo comprometimento e a dedicação de recursos ao relacionamento e aos possíveis filhos por um longo período – é esperado que as mulheres dêem mais importância do que os homens ao status, maturidade, recursos e ao comprometimento do parceiro a ela e aos filhos. Enquanto é previsto que homens valorizem mais do que mulheres pistas de valor reprodutivo (idade e aparência física) e fidelidade sexual.
Entretanto, para relacionamentos de longo prazo, ambos os sexos são bastante seletivos e valorizam igualmente várias qualidades internas como “doce e compreensível” e “inteligência”. Muitas das diferenças no critério de homens e mulheres são geradas por adaptações mentais especializadas em resolver diferentes problemas adaptativos que cada sexo enfrentou ao longo de nossa história evolutiva. Os problemas femininos eram mais relacionados ao caráter e à possibilidade de recursos para seus filhos e os problemas masculinos eram mais relacionados à certeza de fertilidade e da paternidade.
Por outro lado, para relacionamentos de curto prazo – caracterizado por curto flerte, baixo investimento e ausência de comprometimento e sentimentos amorosos – é previsto que as mulheres valorizem seletivamente mais do que homens qualidades genéticas (como beleza e simetria) e possibilidades de obtenção imediata de recursos. Já para os homens, é esperado que sejam bem menos seletivos do que mulheres e valorizem mais a variedade sexual. Biologicamente, as mulheres carregam todo o custo da gestação e lactação. Como a falta de comprometimento desse nível de relacionamento as deixa sozinhas com todo o custo da gravidez, houve uma pressão favorecendo aquelas bem seletivas quanto à obtenção imediata de vantagens materiais e/ou genéticas. Ao passo que os homens só precisavam achar um grande número de parceiras sexuais para ter vantagens evolutivas.

Fisiologicamente, mesmo se uma mulher fizer sexo com 100 homens em um ano, ela poderá ter apenas uma gestação nesse período. Enquanto que se um homem fizer sexo com 100 mulheres ele terá a possibilidade de ter 100 descendentes no mesmo período. Essa diferença gerou pressões evolutivas diferenciadas para esse nível de relacionamento nas mentes de homens e mulheres do ambiente ancestral. Mulheres que valorizavam a qualidade em detrimento da quantidade eram selecionadas e homens que valorizavam a quantidade em detrimento da qualidade eram selecionados. Então, em média, é esperado que um forte desejo por variedade sexual seja característico de uma adaptação mental masculina.
Mal-entendido sobre adaptação
Essa forte pressão seletiva atuando ao longo de nossa história evolutiva caçador-coletora deixou marcas nas mentes masculinas atuais na forma de desejos e preferências ideais favoráveis à variedade sexual. Isso não implica que os homens desejem maior variedade sexual porque inconscientemente querem ter mais filhos, eles simplesmente acham a idéia de muitas parceiras mais atraente e prazerosa. Para uma característica ser selecionada, não é necessário que a evolução favoreça um conhecimento consciente ou inconsciente sobre a lógica dos processos evolutivos que geraram a adaptação. Basta que a característica seja prazerosa e recompensadora ao indivíduo. Por isso, o desejo sexual não é uma estratégia das pessoas para ter filhos e propagar seus genes, mas sim uma estratégia pessoal para alcançar os prazeres do sexo. E os prazeres e desejos sexuais conscientes e inconscientes são as estratégias dos genes para propagarem-se via filhos.

Estudo inicial
Em 2001, com uma amostra de mais de mil pessoas, David Schmitt e colaboradores encontraram diferenças significativas entre homens e mulheres para todas as magnitudes de tempo. Estudantes universitários masculinos desejaram em média 1,3 parceiras para um mês, 2,8 para um ano, 7 para cinco anos, 9,1 para dez anos, 12,4 para 30 anos e 14,2 para a vida toda. Já as universitárias desejaram em média um parceiro para um mês, 1,6 para um ano, 3 para cinco anos, 3,6 para dez anos, 3,8 para 30 anos e 4 para a vida toda. Eles obtiveram as mesmas diferenças para todas as unidades de tempo até investigando uma população mais madura (em média, 40 anos). Os homens desejaram 2,1 parceiras para um mês, 31 pra cinco anos e 74 para a vida toda, enquanto as mulheres desejaram 1,2 para um mês, 1,7 para cinco anos e 1,8 para a vida toda.
Schmitt e colaboradores cercaram melhor as causas dessa diferença controlando possíveis influências da metodologia do auto-relato e de indicadores de baixa saúde mental. Quando pediram a outra amostra de pessoas que respondesse sobre quantos parceiros sexuais a pessoa típica do sexo oposto desejaria para cada medida de tempo, eles também encontraram as mesmas diferenças. Mulheres disseram que o homem típico desejaria duas parceiras para um mês, 17,6 pra cinco anos e 27,7 para a vida toda, enquanto os homens disseram que a mulher típica desejaria 1,8 para um mês, 14,3 para cinco anos e 25,3 para a vida toda. Eles também obtiveram que o desejo por variedade sexual não está relacionado à baixa auto-estima, instabilidade emocional, baixa abertura a novas experiências, entre outros. Pelo contrário, o desejo por variedade sexual relacionou-se a características indicativas de saúde mental em homens, como elevada auto-estima. Entretanto, ainda não se sabia se esses resultados estavam restritos apenas aos americanos ou se eram extrapoláveis interculturalmente.
Estudo intercultural
Em 2003, iniciou-se o Projeto Internacional de Descrição da Sexualidade um inédito empenho colaborativo intercultural entre 119 cientistas comportamentais, sociais e biológicos, do qual o Brasil participou. Ele abrangeu 16.288 pessoas, em sua maioria universitários, de seis continentes, 13 ilhas, 52 nações e 27 línguas, incluindo a América do Sul e do Norte, Sul da Europa, Leste e Oeste Europeu, Oriente Médio, África, Oceania, Leste Asiático e Sul/Sudeste Asiático.
Pela primeira vez na história obteve-se que, interculturalmente, homens desejam maior variedade sexual do que mulheres. Os homens desejaram em média 1,87 parceiras pra um mês, 3,36 para um ano, 5,64 para cinco anos, 5,95 para dez anos e 6,62 para 30 anos; enquanto as mulheres desejaram, em média, 0,78 parceiros para um mês, 1,18 para um ano, 1,95 para cinco anos, 2,17 para dez anos e 2,47 para 30 anos.
O resultado se manteve independente do status de relacionamento. A porcentagem de homens desejando mais de uma parceira sexual para o próximo mês que são casados foi de 12,8% contra 3,5% das casadas, a porcentagem dos homens que moram junto e desejam mais de uma parceira foi de 18,2% contra 2,4% das mulheres, a dos que estão saindo com alguém exclusivamente e desejam mais de uma parceira sexual para o próximo mês foi de 19% contra 2,7% das mulheres e a porcentagem dos que estão solteiros foi de 28,6% contra 6,2%. Isso significa que, apesar do comprometimento em relação amorosa diminuir o desejo por variedade sexual em relação aos solteiros, a relação amorosa não foi capaz de igualar os desejos masculinos aos femininos.
Além disso, o resultado se manteve também independente da orientação sexual e do quanto a pessoa busca, ativamente, relacionamentos de curto prazo. A porcentagem de homens heterossexuais desejando mais de uma parceira para o próximo mês foi de 25% contra 4,4% das mulheres, a porcentagem de homens homossexuais desejando mais de um parceiro sexual foi de 29,1% contra 5,5 % de mulheres homossexuais, e a porcentagem de bissexuais masculinos foi de 30,1% contra 15,6% dos femininos. Similarmente, a porcentagem dos homens desejando mais de uma parceira para o próximo mês que estão fortemente procurando relacionamentos de curto prazo foi de 53,5% contra 18,7% das mulheres, e a porcentagem dos homens que não estão buscando o curto prazo foi de 10,5% contra 2% das mulheres.
Apesar da diferença entre homens e mulheres existir para todas as nações, as localidades geográficas em que os homens desejam mais variedade sexual não são exatamente as mesmas em que as mulheres desejam maior variedade sexual. As três regiões que tiveram as maiores porcentagem de homens desejando mais de uma parceira sexual para o próximo mês, em ordem crescente foram: o Sul/Sudeste Asiático, o Oriente Médio e a América do Sul com 35% dos homens, representada por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Peru. Já as três regiões que tiveram as maiores porcentagens de mulheres desejando mais de um parceiro para o próximo mês, foram: o Sul da Europa, seguido por América do Sul e em primeiro o Sul/Sudeste Asiático com 6,4% das mulheres, representado por Indonésia, Malásia e Filipinas. Isso indica que contextos familiares, culturais e ecológicos relevantes para o ajuste feminino no desejo por variedade sexual não são exatamente os mesmos relevantes para o ajuste masculino.
Inclinação universal
Esses dois estudos indicam que o maior desejo masculino por variedade sexual é universal e existe independente da idade da amostra, do modo de coleta de dados, de sinais de baixa saúde mental, do status de relacionamento, da orientação sexual e do buscar ativamente relacionamentos curtos, como previsto pela Teoria das Estratégias Sexuais. Essa conclusão em apoio às teorias pluralistas deixa as teorias que admitem inclinações naturais apenas para relacionamentos curtos ou longos em pior situação. É muito mais provável que o repertório em estratégias de acasalamento humano seja flexível e igualmente presente em ambos os sexos, porém, diferentemente esculpido por pressões seletivas distintas para cada o sexo.
Saúde Pública
Implicações práticas dessa conclusão recaem sobre a saúde pública. Dado que um potente fator de risco para se contrair AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis é ter múltiplos parceiros sexuais, estratégias mais efetivas de prevenção podem ser alcançadas considerando a diferença entre homens e mulheres no desejo por múltiplos parceiros. Negar que essa diferença exista pode minar os progressos tanto na investigação das circunstâncias em que o desejo por variedade sexual se traduz em comportamentos de risco, quanto no desenvolvimento de intervenções sexo-específicas, que reduzam mais efetivamente as conseqüências negativas do desejo por variedade sexual em cada sexo.
Adaptação mental não é desculpa
Está mais do que claro que os mesmos processos naturais que moldaram outras espécies também se aplicam ao ser humano. E que a Teoria da Evolução pode prever tanto adaptações anatômicas, como os diferentes modelos de nossos dentes incisivos e molares, quanto adaptações psicológicas, como o diferente design mental do desejo por variedade sexual. O que não implica em pessoas escravas das adaptações, pois a própria seleção por flexibilidade de repertório favorece um controle consciente dos impulsos naturais. Portanto, o discurso de que o desejo por múltiplos parceiros é natural não é justificativa para qualquer ato individual, por não isentar a culpabilidade daqueles que, ao satisfazerem seus desejos, expõem conscientemente parceiros a danos à saúde pelo sexo desprotegido e à confiança pelas traições.
Adaptado de minha publicação original na revista PSIQUE Ciência & Vida, ano II nº 18.
Referências

BUSS, D. M. Sexual Strategies Theory: Historical Origins and Current Status. The Jounal of Sex Reseach, 1998, v. 35, nº 1, p. 19-31.
BUSS D. M.; SCHMITT; D. P. Sexual strategies theory: an evolutionary perspective on human mating. Psychological Review, 1993, v. 100, p. 204-232.
SCHMITT, D. P. et al. Universal Sex Differences in the Desire for Sexual Variety: Tests From 52 Nations, 6 Continents, and 13 islands. Jounal of Personality and Social Psychology, 2003, v.85, nº. 1, p. 85-104.
SCHMITT, D. P; SHACKELFORD, T. K.; DUNTLEY, J.; TOOKE, W; BUSS, D. M. The desire for sexual variety as a key to understanding basic human mating strategies. Personal Relationships, 2001, v.8, p. 425-455.

Evolutivamente Sexo Casual

Por Marco A. C. Varella e José H. B. P. Ferreira

José H. B. P. Ferreira é Biólogo Licenciado, Bacharel em Psicologia Experimental e mestrando em Psicologia Experimental no Instituto de Psicologia da USP.

Sexo casual, ou seja, o sexo sem envolvimento afetivo, tradicionalmente alvo das ciências humanas, recentemente passou a ser estudado com o enfoque evolutivo, pois dada a sua relevância direta na reprodução, espera-se que as características psicológicas envolvidas tenham sofrido pressões seletivas substanciais ao longo da evolução humana.

 

Nos seus famosos estudos sobre sexualidade da década de 50, Alfred Kinsey e colegas encontraram muitos praticantes, e grande variação individual quanto às motivações frente ao sexo casual. Eles nomearam essas motivações de “orientação sócio-sexual” ou “sócio-sexualidade”. Essa idéia ficou esquecida na Psicologia até que, nos anos 90, Simpson e Gangestad conceitualizaram a sócio-sexualidade como uma única dimensão contínua da personalidade com os pólos caracterizados como irrestritos e restritos.

 

Irrestritos são pessoas com atitudes, comportamentos, fantasias e opiniões mais permissivas do que a média populacional quanto ao sexo sem compromisso, já os restritos necessitam mais do que a média populacional de envolvimento afetivo e amoroso prévio ao ato sexual. No popular, irrestritos separam mais sexo de amor do que restritos.

 

Segundo a Teoria Evolucionista da História de Vida de Roff e Stearns (1992), os seres humanos enfrentaram um grande dilema evolutivo quanto à reprodução. Ou se alocava a maioria dos esforços (energia, tempo, recursos), que são finitos, em procurar o maior número possível de parceiros – conquistá-los e fazer sexo -, ou se investia mais em manter um parceiro, fazer amor, assegurar fidelidade e investir nos filhos.

 

A sócio-sexualidade descreve justamente a variação individual nas disposições, facilidades e propensões para solucionar esse dilema, demonstrando que cada indivíduo possui e pode utilizar toda uma gama de estratégias reprodutivas dependendo da oportunidade e das circunstâncias situacionais. Segundo a Teoria das Estratégias Sexuais (1993), a solução voltada para a conquista é a estratégia reprodutiva de curto prazo, e a voltada a assegurar um parceiro e investir nos filhos é a estratégia reprodutiva de longo prazo.

A primeira fonte de variação individual na sócio-sexualidade é a diferença entre homens e mulheres. Segundo a Teoria do Investimento Parental de Trivers (1972), o sexo que, fisiologicamente, tiver mais energia, tempo e recursos voltados para investir na prole terá sua solução do dilema reprodutivo mais voltado para a estratégia de longo prazo. Então, já que as mulheres a priori têm o alto custo com gametas maiores, gestação e lactação, elas serão, em média, mais restritas do que homens.

 

Outra fonte de variação individual é a variação genética, apontada em um estudo com 4.901 gêmeos australianos. Eles demonstraram maior igualdade na escolha da estratégia sócio-sexual, nos homozigóticos do que nos dizigóticos de mesmo sexo e de sexo diferente, controlando os que foram criados juntos e separados. Outra fonte de variação são os níveis de masculinização; argumenta-se que a variação na orientação sócio-sexual seja um subproduto do nível de andrógenos pré-natais, e que as pessoas mais masculinas (expostas a um maior nível de andrógenos), seriam mais irrestritas. E outra fonte é a do estilo de apego amoroso, onde o mediador da sócio-sexualidade seria o contexto de criação na infância, em que o estilo de apego inseguro à mãe levaria a uma pessoa ser irrestrita.

 

Em abril de 2005, publicou-se o maior estudo já feito sobre sócio-sexualidade. Ao todo, foram entrevistadas 14.059 pessoas, em seis continentes, dez ilhas, 26 línguas e 48 nações, inclusive no Brasil. As principais conclusões foram:

 

1- A variação na sócio-sexualidade entre as culturas parece ser adaptativamente ajustada a pelo menos dois aspectos da ecologia local, proporção homem/mulher e as condições para criação dos filhos: culturas com menos mulheres são mais restritas, e culturas com menos homens são mais irrestritas, pois o poder de escolha é do sexo mais raro; culturas com ambientes mais desfavoráveis reprodutivamente (altas taxas de mortalidade e desnutrição infantil) demandam um maior cuidado biparental, logo, são mais restritas.

 

2- A diferença prevista entre os sexos existe e é universal, em todo o mundo homens são em média mais voltados para o sexo casual do que mulheres.

 

3- Essa diferença entre os sexos foi maior nas culturas em que o ambiente reprodutivo era mais exigente, mas foi reduzida a níveis moderados nas culturas com mais igualdade política e econômica entre os sexos.

 

A abordagem evolutiva sobre a sexualidade humana tem vantagens por ter grande abrangência, constatação empírica inter-cultural, parcimônia e habilidade de gerar novas predições. A sócio-sexualidade é cada vez mais estudada e debatida, e está em franca ampliação teórica. Abordar o sexo casual em suas bases genéticas, filogenéticas e adaptativas, só traz explicações sobre o como as coisas “são”, não sobre como “devem ser”. O fato de homens serem mais propensos não diminui a culpa de nenhum homem que trai sua mulher, pois essas propensões não implicam em um fatalismo incontrolável. Assim, o objetivo dos cientistas é entender melhor nossa espécie e não dar diretrizes morais de conduta.

Adaptado da nossa publicação original na revista PSIQUE Ciência & Vida, ano I nº 9

Referências bibliográficas:

 

BAILEY, J. M., DUNNE, M. P., KIRK, K. M., ZHU, G. & MARTIN N. G. Do individual Differences in Sociosexuality Represent Genetic or Environmentally Contigent Strategies? Evidence From the Australian Twin Registry. Journal of Personality and Social Psychology, 2000, v. 78, n. 3, p. 537-545.

BELSKY, J., STEINBERG, L. & DRAPER, P. Childhood experience, interpersonal development, and reproductive strategy: an evolutionary theory of socialization. Child development, 1991, v. 62, p. 647-670.

BUSS D. M. Sexual strategies theory: Historical Origins and Current Status. The Journal of Sex Research, 1998, v. 35, p. 19-31.

MIKACH, S. M. & BAILEY, J. M. What distinguishes women with unusually high numbers of sex partners? Evolution and Human Behavior, 1999, v. 20, p. 141-150.

SCHMITT, D. P. et al. Sociosexuality from Argentina to Zimbabwe: a 48-nation study of sex, culture and strategies of human mating. Behavioral and Brain Sciences, 2005, v. 28, p. 247-275.

SIMPSON, J. A. & GANGESTAD, S. W. (1991). Individual differences in sociosexuality: evidence for convergent and discriminant validity. Journal of Personality and Social Psychology, v. 60, n 6, p. 870-883.

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