Nove passos para uma aprendizagem on-line de qualidade: Passo 4 : Crie com os recursos existentes

Texto original publicado em ‘Nine Steps to Online Learning: Step 4: Build on existing resources‘. Tradução autorizada por Tony Bates.

Neste texto argumento sobre o uso de recursos online já existentes em vez de reinventar a roda, o que irá salvar uma boa quantidade de tempo do professor, se comparado a criar tudo do zero.

Este é o quinto texto de uma série de 10 que tratam sobre o projeto de cursos online de qualidade. Os nove passos são focados principalmente em professores que são novos na aprendizagem online, ou tentaram sem muita ajuda ou sucesso.

Os primeiros quatro textos (que você deve ler antes deste) são:

Introdução
Decida como você deseja ensinar online
Decida que tipo de curso on-line
Trabalhe em grupo

Uma versão condensada que cobre todos os posts desta série pode ser encontrada no site ´What you need to know about teaching online: nine key steps´. Tem também uma versão em francês ´Ce que le personnel enseignant doit savoir sur l’enseignment en ligne: neuf étapes clés´.

Movendo o conteúdo online

A gestão do tempo é fundamental na aprendizagem(ensino) on-line. As faculdades muitas vezes gastam uma grande quantidade de tempo na conversão do seu material de sala de aula em uma forma que vai funcionar em um ambiente online, mas isso pode realmente aumentar o seu trabalho. Por exemplo, slides de PowerPoint muitas vezes estão sem comentários do professor, ou perdem o conteúdo crítico, ou falham em cobrir as nuances e ênfases. Contudo, vou sugerir que durante o tempo em que algum deste trabalho não possa ser evitado completamente, você poderá cortar parte do ‘tempo de conversão’ usando alguns recursos online já existentes.

No Passo 1 recomendei o repensar do ensino, e não só simplesmente mover palestras gravadas ou slides em PowerPoint para o ambiente online, mas em desenvolver materiais de forma que permitam os estudantes à distância um melhor aprendizado. Agora neste Passo 4 pareço estar em contradição ao sugerir que você deve usar os recursos existentes. Contudo, a distinção aqui é entre a utilização dos recursos existentes que não se transferem tão facilmente para um ambiente de aprendizagem online (como uma palestra gravada de 50 minutos), e utilização de materiais já desenvolvidos especificamente para o ensino online.

Use a tecnologia institucional já existente

Antes de discutir o conteúdo, se a sua instituição já tem um sistema de gerenciamento de aprendizagem, tais como Blackboard ou Moodle, use-o. Não se meta em discussões sobre se é ou não é a melhor ferramenta, pelo menos quando você está começando. Francamente, em termos funcionais, há poucas diferenças importantes entre as principais LMSs. Você pode preferir a interface de um sistema em detrimento de outro, mas isso vai ser mais uma sobrecarga pela quantidade de esforço que terá que ser feito ao tentar usar um sistema não é suportado pela sua instituição. LMSs não são perfeitos, mas eles evoluíram ao longo dos últimos 20 anos e, em geral, são relativamente fáceis de usar, tanto por você, e mais importante pelos alunos. Eles fornecem uma estrutura útil para organizar o seu ensino on-line, e se o LMS é devidamente apoiada, pode obter ajuda quando necessário. Há flexibilidade suficiente em um sistema de gestão de aprendizagem para que você possa ensinar de diversas maneiras diferentes. Em particular, dedique tempo em ser devidamente treinado em como usar o LMS. Com um par de horas de treinamento você pode economizar muitas horas na tentativa de fazê-lo funcionar da maneira que deseja.

O mesmo se aplica às tecnologias web síncronas, tais como Blackboard Collaborate ou Adobe Connect. Eu tenho minhas preferências, mas todos eles fazem mais ou menos a mesma coisa. As diferenças na tecnologia não são nada se comparadas com as diferentes maneiras que você pode usar essas ferramentas. Estas são decisões pedagógicas e de ensino. Concentre-se nisso ao invés de tentar encontrar a tecnologia perfeita. Na verdade, pense com cuidado sobre quando seria melhor usar ferramentas síncronas em vez assíncronas. Blackboard Collaborate é útil quando você quer começar juntos com um grupo de estudantes ao mesmo tempo, mas essas ferramentas síncronas tendem a ser centradas no instrutor (ministrar palestras e controlar a discussão). No entanto, você pode incentivar os alunos para que trabalhem em pequenas equipes em um projeto, com o uso do Blackboard Collaborate, para decidir sobre papéis ou então para finalizar um trabalho de um projeto, por exemplo. Por outro lado, as ferramentas assíncronas, dotam os alunos online de mais flexibilidade do que as ferramentas síncronas, e permitir-lhes trabalhar de forma mais independente (uma habilidade importante para os alunos desenvolverem).

Use o conteúdo online existente

A Internet e, em particular a World Wide Web, tem uma imensa quantidade de conteúdo já disponível. Muito disto está disponível gratuitamente para uso educacional, sob certas condições (por exemplo, citação da fonte – procure a licença Creative Commons geralmente no final de uma página web). Você vai encontrar conteúdo existente que varia enormemente em qualidade e variedade. As principais universidades como MIT, Stanford, Princeton e Yale fizeram gravações de palestras em sala de aula, e etc, enquanto as organizações de ensino à distância, tais como o UK Open University tornaram todos os seus materiais de ensino online disponíveis para uso livre. Grande parte deste material pode ser encontrado no iTunesU da Apple.

No caso das universidades de prestígio, você pode ter certeza sobre a qualidade do conteúdo – é normalmente o que os estudantes do campus têm – mas muitas vezes não tem a qualidade necessária em termos de design instrucional ou de adequação para aprendizagem on-line. (Para uma discussão sobre isto veja Keith Hampson’s: MOOCs: The Prestige Factor; ou OERs: The Good, the Bad and the Ugly). Recursos livres de instituições como a UK Open University ou o Carnegie Mellon’s Open Learn Initiative normalmente combinam conteúdo de qualidade com um bom design instrucional.

Onde os recursos educacionais abertos são particularmente valiosos são na sua utilização como simulações interativas, animações ou vídeos, que seriam difíceis ou caros demais para um único instrutor desenvolver. Exemplos de simulações em disciplinas de ciências como a biologia e a física podem ser encontrado aqui: Phet, ou no Khan Academy, para a matemática; mas há muitas outras fontes também.

Mas, assim como recursos abertos ditos como “educacionais”, há uma grande quantidade de conteúdo “bruto” na Internet que pode ser de valor inestimável para o ensino online. A principal questão é se você, como o instrutor precisa encontrar tal material, ou se seria melhor fazer os alunos pesquisar, encontrar, selecionar, analisar e aplicar tais informações. Afinal, essas são habilidades-chave que os estudantes precisam ter no Século 21.

Certamente, nos primeiros dois anos de uma graduação a maioria dos conteúdos não é único ou original. Na maioria das vezes estamos sobre ombros de gigantes, ou seja, organizando e gerenciando o conhecimento já descoberto. Apenas nas áreas onde você realiza pesquisa, única e original que ainda não foi publicada, ou onde você tem o seu ‘toque’ próprio no conteúdo, é realmente necessário para criar ‘conteúdo’ a partir do zero. Infelizmente, porém, ainda pode ser difícil encontrar exatamente o material que você quer, pelo menos, de uma forma que seria apropriado para os seus alunos. Em tais casos, então será necessário desenvolver os seus próprios materiais, e isto será discutido mais adiante no Passo 7. No entanto, a construção de um curso em torno dos materiais já existentes fará muito sentido em muitos contextos.

O que seus colegas estão fazendo?

Outro recurso bastante valioso é o material que seus colegas já desenvolveram para seus cursos. Se muitos de vocês estão ensinando cursos relacionados, é provável que eles terão material, como um gráfico de equipamento ou um clip de vídeo de um experimento, que também seria relevante para o seu próprio curso. Certamente, se muitos de vocês estão desenvolvendo um programa, então existe uma margem considerável para trabalhar em colaboração e então desenvolver materiais de alta qualidade que possam ser compartilhados.

Conclusão

O ensino online oferece-lhe uma escolha de focalizar no desenvolvimento de conteúdo ou na facilitação da aprendizagem. Conforme o tempo passa, mais e mais o conteúdo na área de seus cursos estará disponível gratuitamente a partir de outras fontes, através da Internet. Esta é uma oportunidade para focar no que os estudantes precisam saber, e em como podem encontrar, avaliar e aplicar. Estas são habilidades que se perpetuarão além da lembrança do conteúdo que os estudantes obtiveram em um determinado curso. Então, temos de nos concentrar tanto nas atividades estudantis; sobre o que eles precisam fazer, como na criação de conteúdo original para nossos cursos. Isto será discutido em mais detalhe nas etapas 6, 7 e 8.

Questões

1. Quão original é o conteúdo que você ensina? Poderia em estudantes aprender tão bem do conteúdo já existente? Se não, qual é o ‘extra’ que você está adicionando? Isto está contemplado no seu design de um curso online?

2. O conteúdo já existe na internet? Você já olhou para ver o que já está lá?

3. Você está evitando usar tecnologia que já tem suporte institucional, tal como os LMSs ou ferramentas síncronas? Se sim, porque? Você tentou ver se por acaso elas irão fazer o que você deseja?

4. O que teus colegas estão fazendo online – ou talvez na sala de aula, com respeito ao ensino digital? Poderiam trabalhar em conjunto no desenvolvimento de material?

5. Você teve algum treinamento formal no uso das LMS institucionais ou tecnologias síncronas?

Se você sentir que um curso online é muito trabalhoso, então talvez as respostas para estas questões podem indicar onde está o problema.

Próximo

Passo 5: Domine a tecnologia

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Discussão - 6 comentários

  1. […] The ten posts are also being translated into Portuguese by Professor Luis Roberto Brudna Holzle, Federal University, Brazil, available at Science Blogs: Nove passos para uma aprendizagem on-line de qualidade […]

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  5. massacritica disse:

    Até mesmo na tal ´Geração Y´ a homogeneidade de contato com a informática não é tão grande quanto se afirma. Vi alguns artigos sobre isso.
    E ainda temos o problema que essa geração usa a tecnologia para o social e diversão, tendo que transpor as supostas habilidades para o uso no aprendizado.

  6. A depender da turma de alunos – especialmente os que não são da chamada geração Y – é bom ter um período de introdução do uso desses recursos. Muitos ficam perdidos em navegar pelos ambientes virtuais de ensino.

    []s,

    Roberto Takata

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