É o fim do mundo!!! (parte 2) — Ou: Como se preparar para o apocalípse zumbi

.

Se ainda não leu a parte 1: “Sobreviveremos a uma epidemia zumbi?”, clique AQUI

Sobre o post anterior e algumas coisinhas que você [provavelmente] ainda não sabe

A ocorrência de um apocalipse zumbi é iminente. E quando ela ocorrer, a chance de sobrevivência é não é muito animadora, como eu já mostrei anteriormente. Só teremos chances se conseguirmos aplicar a tática do ataque impulsivo – apesar de eu ser um pouco pessimista em relação a conseguirmos aplicar a técnica, vou seguir o mote “a esperança é a última que morre”!

Eu ainda tenho algumas dúvidas que pretendo em breve achar a resposta — se você quiser ajudar, sinta-se a vontade:

  • Zumbis duram pra sempre ou tem “prazo de validade? Ou seja, se todos os seres humanos transformarem-se em zumbis, por quanto tempo eles ainda persistirão?
  • Um zumbi, que se alimentou, “sobrevive” por mais tempo do que um está fazendo regime de restrição alimentar? Em outras palavras: o tempo de persistência está relacionado à alimentação ou não?
  • Já que eles são corpos mortos, eles sofrem decomposição enquanto estão andando por aí? Caso negativo, o que permite que isso não ocorra?

Agora, se você não acredita nisso, eu diria que você deveria rever seus conceitos… Sim, a importância de estar preparado para essa epidemia é tão grande que, inclusive, o pessoal do CDC (Centros para Controle e Prevenção de Doenças, nos EUA) fizez um post sobre isso no seu blog. SIM, ONDE ESTÁ SEU DEUS AGORA?

Como utilidade pública, aqui vai a tradução/adaptação das partes essenciais dessa postagem! E não se esqueça, divulgue no twitter, facebook e por email… ajude seus amigos a se salvarem também!

PREPARANDO-SE PARA O APOCALÍPSE ZUMBI

Antes prevenir do que remediar…

Então, o que você precisa fazer antes que a epidemia zumbi realmente aconteça? Antes de tudo: tenha um kit de emergência em casa. Isso inclui coisas como comida, água e outros suprimentos para que você não passe necessidades enquanto tenta, rapidamente, localizar um abrigo livre dos mortos-vivos. [aqui vai um alerta... essas dicas além de valerem para esse caso específico, podem ser extrapoladas para alguma eventual fatalidade como um desastre natural: como furacões, ou alguma epidemia]. Abaixo, alguns itens que você DEVE incluir no seu kit [para uma lista completa visite a página para emergências do CDC].

Alguns itens do kit de sobrevivência

  • Água (1 galão por pessoa por dia)
  • Comida (faça um estoque com itens não perecíveis e que você coma regularmente)
  • Medicamentos (aqui, inclua remédios com e sem prescrição médica – consulte seu médico)
  • Ferramenta e acessórios (faca, fita adesiva, rádio a pilha, etc.)
  • Produtos de higiene (água sanitária, sabão, toalhas, etc)
  • Vestuário e roupa de cama (1 muda de roupa por pessoa e cobertores)
  • Documentos importantes (só para citar alguns: faça cópias de sua CNH, identidade, passaporte, certidão de nascimento – você nunca sabe do que poderá precisar)
  • Primeiros socorros (embora inútil em caso de uma mordida de zumbi, você poderá fazer curativos em eventuais cortes que podem ocorrer durante a fuga)
  • eu acrescentaria aqui um taco de baseball (pra dizer o mínimo) para ajudar na caçada!

Kit pronto!? Agora junte sua família e discutam o plano de emergência. Aqui vocês decidirão aonde vocês irão e como ocorrerá a comunicação entre vocês quando os zumbis começarem a aparecer! [novamente, isso também serve para outros tipos desastres].

  • Identifique os tipos de emergência que podem ocorrer na sua área. Além de um apocalipse zumbi, isso inclui inundações, tornados, terremotos…
  • Decidam por um local de encontro, onde a família se reunirá no caso de zumbis invadirem a casa. Escolham um lugar fora de casa para emergências repentinas, e um local mais afastado de seu bairro para o caso de você estar incapacitado de retornar rapidamente para casa.
  • Quem são seus contatos para caso de emergência? Faça uma lista de contatos como polícia, bombeiros e o responsável do time de combate aos zumbis. Inclua na lista alguns parentes que morem em outros locais para que você possa telefonar e deixar avisos para o restante da família caso seu telefone falhe/acabe a bateria.
  • Planeje a rota de evacuação. Quando zumbis estão com fome, eles não param até conseguir alimento (ou seja: cérebros!), o que significa: saia correndo da cidade [não literalmente, pode ser de carro]! Decidam para onde vocês irão, as múltiplas rotas que podem ser seguidas de forma rápida e sem que os comedores de carne consigam alcançá-los!

    2 meeting places: um perto e um afastado de casa!

[se você estiver nos EUA] Não tema – o CDC está preparado!

Aqui temos que considerar que é um trecho bem direcionado aos estadunidenses. Como você deve imaginar, não temos um CDC brasileiro, mas o órgão governamental brasileiro que mais se aproximaria, a Secretaria de Vigilância em Saúde, ainda não se manifestou sobre o assunto. Resta agora acreditarmos que os EUA vão nos avisar a tempo de tomarmos as providências [isso, é claro, se a epidemia não começar por aqui!].

Se as ruas forem tomadas por zumbis, o CDC conduzirá uma investigação muito parecida com a que acontece em qualquer outro surto de doença. O CDC prestará assistência técnica aos municípios, estados ou parceiros internacionais que estiverem lidando com uma infestação de zumbis. Aqui, incluímos consultas, testes de laborarório e análises, além de gestão e cuidado de pacientes, rastreamento de contatos e controle da infeção (como isolamento e quarentena). Num cenário como esse, pretendemos atingir vários objetivos: determinar a causa da doença, a fonte da infecção/vírus/toxina, aprender como ocorre a transmissão e quão rápido ocorre a propagação e, assim, tentar evitar novos casos e desenvolver possíveis tratamentos. Além dessas funções de laboratório, o CDC e outros órgãos do governo enviariam equipes médicas e socorristas para ajudar as pessoas em áreas afetadas.

Últimas considerações

A ideia é simples: Tenha um kit, Faça um plano e Esteja preparado!

E se topar com um zumbi, não se esqueça, da premissa básica de um contra-ataque aos zumbis:


Esse post faz parte da blogagem coletiva sobre o fim do mundo promovida pelo ScienceBlogs Brasil. Gostou da ideia? Tem um blog? Quer participar? Saiba mais clicando no banner abaixo.

Blogagem coletiva Fim do Mundo

É o fim do mundo!!! (parte 1) — Ou: Sobreviveremos a uma epidemia zumbi?

O fim do mundo é tema recorrente… Em 2011, por exemplo, falaram que o mundo iria acabar duas vezes. Agora, andam falando que a 2013 não chegaremos. Mas uma coisa que sempre se esquecem de delimitar é o que seria esse “fim do mundo”. Nesse caso o “mundo” seria o planeta Terra? A vida na Terra? Ou estamos falando só da espécie humana? Outra coisa é como esse fim do mundo irá acontecer? É o Sol que vai virar uma gigante-vermelha e aumentar tanto de tamanho que vai acabar engolindo a Terra? É um asteroide imenso que vai se chocar com o nosso planeta? É uma doença infecciosa que vai se espalhar dizimando toda a população humana? São extraterrestres que estariam vindo destruir a Terra sob o pretexto de ser construída uma nova via hiperespacial?

E… por que não um belo final apocalíptico no qual a espécie humana sofre um ataque zumbi?

The Walking Dead: nosso futuro?

Bom, pelo menos foi isso que alguns matemáticos pensaram para propor um modelo epidemiológico de infecção… Para isso vamos estabelecer as regras para a nossa epidemia zumbi:

  1. Somente humanos são infectados depois do contato com um zumbi (por isso vamos desconsiderar outras formas de vida).
  2. Zumbis não matam outros zumbis.
  3. Zumbis só podem surgir de duas formas: pessoas que foram mordidas durante um ataque ou mortos que voltam “à vida”.
  4. Zumbis podem ser eliminados, mas isso só acontece se tiverem seu cérebro destruído.

Estabelecidas as regras, vamos considerar a nossa população. O primeiro passo é dividi-la em grupos. Aqui, vamos considerar 3 grupos: Susceptíveis (S), Zumbis (Z) e Removidos (R).

Vamos, agora, entender como se dá a dinâmica dessa população, para podemos estabelecer o nosso modelo epidemiológico.

O grupo de indivíduos susceptíveis (S) é incrementado por uma taxa de natalidade (a). Além disso, esses indivíduos podem morrer de causas naturais (b) – aqui, natural implica em não ser decorrente de um ataque zumbi. Pessoas da classe S tornam-se zumbis (Z) por meio da transmissão que ocorre decorrente de um ataque (c). Os removidos (R) consistem em indivíduos que morreram, seja por um ataque zumbi ou por causas naturais. Mortos da classe R podem sofrer reanimação, tornando-se zumbis (d), e estes, por sua vez, podem ser (novamente) mortos (e) passando a integrar o grupo dos removidos.

Eita… ficou confuso demais, né? A figura abaixo nos ajuda a simplificar isso!

Assim, esse modelo nos dá as seguintes equações:

S’ = a – bS – cSZ

Z’ = cSz + dR – eSZ

R’ = bS + aSZ – dR

Aqui começa a matemática do artigo, de onde eles derivam várias equações, fazem matrizes e estipulam uma séries de valores para os parâmetros – nada que iremos abordar aqui… Para os objetivos desse post, o que nos interessa são os resultados!

Bom… digamos que o resultado disso tudo não foi muito agradável… Dê uma olhadinha nesse primeiro gráfico feito para uma população de 500.000 pessoas.

Os autores decidem, então, testar outros modelos com mais grupos populacionais e mais parâmetros.

O primeiro deles envolve um modelo no qual a infecção zumbi tem um período de latência, ou seja, ela demora para se manifestar (e a zumbificação não é transmissível nesse tempo). Nesse caso, após a análise dos dados e construção do gráfico, a maior diferença foi no tempo gasto para que a população de zumbis ultrapassasse a de humanos: o dobro do tempo [poderemos observar isso no gráfico mais abaixo].

O modelo seguinte envolvia a possibilidade de isolar pessoas contaminadas, ou seja: quarentena. O resultado também não foi muito animador: atrasou um pouquinho a erradicação da espécie humana.

O último modelo já foi mais interessante: utilizaram o primeiro modelo alternativo (o de infecção latente) e adicionaram a possibilidade de um tratamento no qual zumbis tratados voltavam à condição inicial (ou humanos susceptíveis, ou mortos). Assim, com a possibilidade de tratamento, a quarentena deixa de ser necessária. Além disso, a cura da zumbificação não garantiria imunidade. Utilizando os mesmos valores dos parâmetros para construir o primeiro gráfico, o pessoal chegou à seguinte situação:

Mas aí vem aquele ponto desesperador: mas ainda não existe um medicamento para curar um zumbi!!! E a gente ainda pode se perguntar: é possível um cenário diferente? Ao invés de haver uma erradicação humana pelo mortos-vivos, seríamos nós capazes de reverter o caso levando a uma “erradicação zumbi”? Já posso ouvir os desejos inconscientes de vocês: “diz que sim! diz que sim!”

Felizmente, a resposta é sim! Mas não se alegre de cara, não é tão simples – como você já deve ter notado pelos gráficos acima. Para isso teríamos que utilizar a única estratégia disponível: a erradicação impulsiva.

E o que é que é isso mesmo?

Os ataques devem ser iniciados logo no início da epidemia e devem ser muito eficientes. Os autores sugerem que na medida em que a epidemia zumbi avança teríamos tempo de juntar armas para exterminar os mortos vivos e, dessa forma, realizar ataques cada vez mais efetivos! Mas repito: as chances de sobreviver, não são lá muito animadoras.

Então, no caso de uma “World War Z” você já sabe o que fazer, né? Se ainda não sabe, o Jovem Nerd ensina de forma bem didática:

 

Leia a parte 2: “Como se preparar para o apocalipse Zumbi“, clique AQUI.

 

Notinhas importantes:

    • Apesar de ser um post fictício ele ilustra como funciona o processo de criação de modelos epidemiológicos de doenças infecciosas. O modelo aqui apresentado, o “SZR” (Susceptível, Zumbi, Removido), é uma variação do conhecido “SIR’ (Susceptível, Infectado, Recuperado).
    • Acabei de ser questionado pelo @anderarndt sobre a escala de tempo dos gráficos. Em geral, no paper, só falam em “escala de tempo”, mas tem um momento lá que eles falam em dias… sim, DIAS!! — Fique preocupado com isso!
    • Esse post faz parte da blogagem coletiva sobre o fim do mundo promovida pelo ScienceBlogs Brasil. Gostou da ideia? Tem um blog? Quer participar? Saiba mais clicando no banner abaixo.

Blogagem coletiva Fim do Mundo
Referência:

Baixe o PDF clicando no título >>> “When Zombies Attack!: Mathematical Modelling of an Outbreak of Zombie Infection” by Philip Munz, Ioan Hudea, Joe Imad and Robert Smith?. In “Infectious Disease Modelling Research Progress,” eds. J.M. Tchuenche and C. Chiyaka, Nova Science Publishers, Inc. pp. 133-150, 2009.

Outras notinhas que podem interessar a você:

  • Descobri esse trabalho lendo o post “Modelling a werewolf epidemic” do “Lab Rat”, no Halloween de 2011!
  • Por meio do post “Mathematical model for surviving a zombie attack” do “Wired Science” descobri que um dos autores do trabalho, o prof. Robert Smith? (sim, a interrogação faz parte do nome) leciona/pesquisa na Universidade de Otawa. Seu objeto de estudo são modelos epidêmicos de diferentes doenças infeciosas (reais, como HIV, Malária e HPV). Lá, ele ministra a disciplina “Mathematical Modelling of Zombies” que utiliza como bibliografia básica o livro “Braaaiiinnnsss!: From Academics to Zombies“, de sua autoria. Além desse artigo sobre zumbis, o professor recém terminou um outro também muito curioso: “A mathematical model of Bieber Fever: the most infectious disease of our time?“.
  • Quem foi mesmo que disse que por ser matemática não pode ser divertido?

Sobre o fungo do mar… além da bactéria do navio e do fungo que brilha, é claro

Acabei de ler este post do Vinícius Penteado sobre as novas espécies de seres vivos descritas em 2010. O site do IIES (International Institute for Species Exploration), da Universidade do Estado do Arizona, nos E.U.A. faz uma seleção dentre as sugestões enviadas e faz uma lista, um TOP-10 de novas espécies. A lista de 2011 tem 3 micro-organismos muito curiosos.

 

Essa bactéria bonitinha aí em cima é a Halomonas titanicae. Leia de novo o nome… qualquer semelhança com o návio naufragado em 14 de abril de 1912, não é mera coincidência. Essa espécie de bactéria, capaz de obter energia a partir da oxidação do ferro foi descoberta num “rusticle” do RMS Titanic. Estudos mostraram que a H. titanicae adere a superfícies ao aço, criando pontos de corrosão que, juntamente com outros microrganismos, contribuitiam para a deterioração do metal do navio. O resultado disso é que esse processo acabará levando ao desaparecimento do Titanic. Na foto: A) Micrografia eletrônica da bactéria. B) Aparência das “ruticles”- estruturas semelhantes à estalactites, mas que são formadas debaixo da água, devido à oxidação do ferro. C) E por fim, mais uma micrografia eletrônica, mas desta vez in loco, mostrando a bacteria em uma “rusticle”.

 

A segunda espécie é esse cogumelo aí em cima. Aí você vai me perguntar, mas o que esse cogumelo tem de mais para aparecer numa lista TOP-10? Tirando o fato de que essa é a primeira espécie descrita de um cogumelo aquático? Acho que não preciso dizer mais nada, não é!? Ah, tenho sim, o nome dele é Sathyrella aquatica. Você ver um videozinho do cogumelo clicando AQUI.

 

Deixei essa espécie por último por três motivos. O primeiro, é que eu achei simplesmente fantástico a descoberta de um cogumelo bioluminescente (eu quero um!!!). O segundo motivo é que essa espécie foi coletada em trechos remanescentes de mata atlântica, numa região perto de São Paulo (sim, é do Brasil-sil-sil). Suas hastes cobertas por uma espécie de gel emite uma luz verde-amarelada 24 horas por dia. São estimadas cerca de 1,5 milhão de espécies de fungos, sendo cerca de 100.000 já descritas. Dessas, apenas 71 delas são bioluminescentes e esse cogumelo é uma das espécies mais visualmente impressionantes. O terceiro motivo é o próprio nome do fungo: Mycena luxaeterna – olha que coisa linda, luz eterna… quase divino, hehe

 

Clicando nas imagens, vocês serão direcionados para a página específica de cada uma dessas espécies, no site do IIES, lá tem a referência dos artigos que descrevem cada uma. Se você quiser ver as outras espécies que compões a lista, é só clicar AQUI.

 

Atualização 1 – 08/02/2011: Correção do número de espécies fungícas descritas – ver nos comentários!

Atualização 2 – 08/02/2011: Correção: o fungo foi descoberto na mata atlântica, e não na floresta amazônica.

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar…

Antes de qualquer coisa, clique no play e leia esse post escutando essa música de Assis Valente, que fez muito sucesso na voz de Carmen Miranda, mas aqui, eu coloquei a versão de Adriana Calcanhotto *.*

Sim, meus caros, fizeram isso… Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar!

Tudo bem que isso não é novidade e já aconteceu outras vezes. Mas e se desta vez for verdade? E se esse for nosso último ano? E SE ESSE FOR O SEU ÚLTIMO CARNAVAL???

Você já parou para pensar nisso? Não!?!? Pois o SbBr pensou, e por isso está lançando sua (última?) blogagem coletiva.

Se você tem um blog, participe! Você tem uma semana para escrever seu post! – Mais detalhes sobre o evento você encontra no blog Raio-X.

Se você não tem um blog, não deixe de acompanhar os textos!

Anote aí: A última blogagem coletiva do SbBr, vai ao ar do dia 11-18 de feveiro.

(sim, uma semana antes do carnaval!)

Está se instaurando o caos: a polêmica do influenza H5N1

Depois do porco, é a vez da galinha!

Uma notícia que há algumas semanas vem sendo debatida com fervores lá fora (leia-se nos Estados Unidos), mas que por aqui (e me parece que na Europa também) mal tem se falado, refere-se ao estado atual da pesquisa com o vírus da gripe aviária – o influenza H5N1. Vale a pena ressaltar que esse virus não é novo, em 2005 ele já havia dado o ar da sua graça e gerado uma onda de pânico (você deve se lembrar de galinhas sendo queimadas aos montes na Ásia).

O grande problema que desencadeou essa discussão acalourada deve-se ao resultado dos experimentos conduzidos por dois grupos independentes, um americano e outro holandês. O fato é que o H5N1 – ainda de baixa transmissão ave-humano – após uma combinação de poucas mutações induzidas pelos cientistas por meio da transmissão sucessiva forçada entre furões, passou a ser capaz de ser transmitido por via aérea entre esses animais.

Pode parecer bobagem num primeiro momento, mas várias etapas são necessárias para que o virus complete seu ciclo em um ser humano. Inicialmente o vírus que se multiplica apenas nas galinhas deve ser capaz de romper a barreira específica e ser capaz de ser transmitido para um ser humano – e, nele estabeler um nicho de infecção, ou seja, ele deve ser capaz de se reproduzir. Isso, contudo não garante que o vírus será capaz de ser transmitido entre dois seres humanos distintos.

OK. E o que a transmissão entre os furões tem a ver com a transmissão entre pessoas. Na verdade esse é o grande “X” da questão. Os cientistas demonstraram que é relativamente fácil (apenas 5 mutações) para que o vírus seja capaz de ser transmitido por via aérea entre os mustelídeos, e agora há a grande dúvida se esse mesmo vírus seria capaz de também infectar os seres humanos.

Como não custa repetir, vou ressaltar que os resultados desse experimentos não mostram que as mesmas mutações teriam o mesmo efeito em seres humanos – eles somente nos mostram que a obtenção de transmissibilidade por aerossol nesse modelo animal é relativamente fácil.

O NSABB (órgão estadunidense de biosegurança), a ONU e diversos cientistas que temem possíveis desencadeamentos indesejáveis dessas pesquisas utilizam como argumento não só o risco de um vazamento do vírus e a possível emergência de uma nova epidemia global, como também a possibilidade de bioterroristas utilizarem os dados das pesquisas e promoverem um ataque rápido e muito eficaz.

Por outro, o lado que defende a continuidade da pesquisa utiliza argumentos muito parecidos, mas o utilizam o viés de que devemos compreender a biologia desse vírus para que possamos evitar uma possível epidemia natural que venha a surgir – e que já é temida há certo tempo.

Entendendo a figura: O vírus Influenza H5N1 é capaz de ser transmitido de ave para ave. Alguns casos de transmissão ave-ser humano já foram descritos — porém não há, ainda, relato de transmissão humano-humano. Os polêmicos experimentos consistiram na transmissão do virus de ave para os furões. De início a transmissão furão-furão só ocorria de forma forçada, até que após algumas mutações o vírus foi capaz de infectar outros furões por via aérea e de forma expontânea. As setas em verde mostram as rotas de transmissão já estabelecidas (sejam elas artificiais ou naturais), as setas em vermelho mostram as possíveis vias de trasmissão que são temidas para o desencadeamento de uma epidemia — o texto na figura mostra os agurmentos a favor ou contra a continuidade dos estudos com o H5N1.

Em meio a tanta discussão, os cientistas decidiram por uma trégua nas pesquisas por 60 dias. O virologista argentino Daniel Perez, em entrevista à Ciência Hoje, mostra-se favorável à publicação integral dos dados, e justifica-se: “Não podemos dar oportunidade ao vírus para mudar sem que estejamos preparados”. O pesquisador ainda completa dizendo que “A pesquisa, no entanto, deve ser norteada pelos fatos, não pelo medo”. – Confira a reportagem de Marcelo Garcia, na íntegra, no site da Ciência Hoje.

O grande temor em relação à esse vírus está no fato de que mais da metade das as pessoas que foram internadas por causa dessa gripe morreram. O problema é que esse dado não nos mostra o real poder de letalidade do vírus – considerado em cerca de 60%, mas que está, aparentemente, superestimado. Isso ocorre porque essa taxa foi considerada apenas as pessoas internadas. Assim, quando olhamos dessa forma, estamos considerando que qualquer pessoa que foi infectada pelo vírus, vai desenvolver um quadro grave, indo parar num hospital. Acontece porém que o número de pessoas infectadas pode ser bem maior. Dados epidemiológicos, por exemplo, sugerem que até 6% da população rural asiática possa ter se infectado com alguma cepa do vírus de forma assintomática – o que faria essa essa taxa de mortalidade >50% cair drasticamente.

O sensacionalismo midiático mostrou claramente sua cara no editorial do The New York Times, no dia 8 de janeiro de 2012 que teve como título “An Engineered Doomsday” [Um Apocalipse Projetado]. Uma análise desse texto pode ser vista no blog do professor Racaniello (em inglês).

Estamos de olho para acompanhar os rumos que essa discussão está tomando…

Apesar de todo o bafafá que está rolando, o conselho que eu daria a você é:

...pelo menos por enquanto!

Alguns textos recomendados:

Perda estratégica (Ciência Hoje)

Ferreting out influenza H5N1 (Virology Blog)

Should we fear avian H5N1 influenza? (Virology Blog)

H5N1 facts, not fear (Virology Blog)

N.Y. Times: H5N1 ferret research should not have been done (Virology Blog)

Minhas Impressões: “O livro dos milagres”

Resenha ou não, prefiro chamar esses meus texto de “minhas impressões”… E hoje, vou falar um pouquinho do livro-reportagem que acabei de ler: “O livro dos milagres: a ciência por trás das curas pela fé, das relíquias sagradas e dos exorcismos“, de Carlos Orsi, publicado pela editora Vieira & Lent.

Vou, de cara, falar rapidamente sobre a estrutura do livro. A capa não tem nada a não ser uma vela em um ambiente escuro… Essa imagem faz alusão tanto ao livro de Carl Sagan: “O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro”, como à fragilidade desses milagres, que com um pequeno sopro de ciência e pensamento crítico pode se apagar. O título do livro só está impresso na lombada e na quarta capa! – bem diferente do que estamos acostumados, né? Eu, particularmente, gostei bastante dessa capa. O texto é dividido em duas colunas. É um tanto estranho no inicio [várias vezes eu pulei do final da primeira coluna da página da esquerda para o inicio da primeira coluna da página da direita], mas depois a gente vai se acostumando. Fiquei pensando se essa diagramação seria uma alusão à bíblia… O livro é curtinho, tem apenas 144 páginas e as letras são grandes, o que permite uma leitura rápida e agradável, sem contudo ser superficial.

Não conhecia o trabalho do autor, o jornalista Carlos Orsi (twitter / blog), e tomei conhecimento sobre o livro por meio do Twitter. À medida em que via o nome pipocando na minha timeline fui ficando curioso e adicionei o livro aos meus desejados no Skoob. Até que no dia 06 de janeiro, chegando em casa dei de cara com um tweet-promoção do Takata, valendo um exemplar do livro: “Se a contaminação por bactérias fosse a responsável pela idade mais nova do Santo Sudário, qtas delas seriam necessárias?” Mais que depressa procurei algumas pistas para tentar responder a essa pergunta… 5 dias depois, estava de posse do meu exemplar autografado:

Carlos já começa seu livro de forma provocativa. A introdução, logo de início, já despeja os mitos que serão discutidos no livro e deixa bem claro o objetivo do autor ao escrever e publicar seu texto: “facilitar o acesso do público às conclusões científicas acerca dos eventos tidos como milagrosos – explicando-os e contextualizando-os”.

Em seguida, Orsi utiliza da definição do dicionário Houaiss para questionar quão vago é o conceito de “milagre” – que, em várias acepções requer que a ciência seja algo fixo e do qual devemos ter pleno conhecimento, afinal o milagre traspões a barreira das leis naturais. E cita a lei de Hume que pressupõe que as explicações para um milagre devem ser mais convincentes do que qualquer outra explicação racional/natural – inclusive a de o milagre ser, na verdade, uma fraude. É a partir daí que seguem os capítulos que exploram diferentes “milagres”.

No início achei que seria um texto enfadonho, bem chato de ler. Mas fui me surpreendendo durante a leitura que é bastante fluida. O autor apodera-se de diferentes fontes, para mostrar que aqueles milagres cujas explicações transcendem as leis naturais, na verdade tem explicações muito plausíveis e suportadas pelo conhecimento científico. Além disso, para os não conhecedores do eventos descritos no livro, o autor tem o cuidado de contextualizar historicamente e biblicamente (quando o caso) o milagre analisado.

Cito abaixo, alguns rápidos pontos que me chamaram a atenção durante a leitura:

No capítulo sobre a abertura do Mar Vermelho por Moisés, Orsi questiona, por exemplo, a única referência da existência dos hebreus no território egípcio ser a bíblia. Se realmente aconteceu tudo aquilo (as pragas, a abertura o mar vermelho, a morte do exército egípcio pelo fechamento do mar), porque não há nenhum outro registro sobre isso, nem mesmo entre os textos egípcios?

Há algum tempo li uma frase em que o autor falava que todas as histórias que se contam hoje e que se contarão no futuro são reinvenções/variações de histórias que já existem… Essa ideia retomada de mitos já existentes aparece muito no livro. Exemplos? Um rei manda matar crianças por causa de profecia; uma mãe para não sacrificar seu filho, abandona-o e este sobrevive, retornando mais tarde para dar vasão à profecia inicial. Outro exemplo? O filho que nasceu de um deus e uma mulher terrena.

Quadros de epilepsia e enxaqueca estariam ligados a visões e êxtase religiosos, como o de Maomé e do apóstolo Paulo.

A maior crítica que esse livro faz, parece-me estar relacionada não simplesmente aos milagres em si, mas à crença cega a essas, ditas, verdades inquestionáveis. Assim, um leitor religioso, não deveria encarar esse livro como um rompimento de sua fé. A religião como apoio, palavras de conforto, momentos de reflexão e valores morais ainda continua tendo seu valor… e pode servir de pilar para muitas pessoas. O que não se deve fazer é apoiar a fé em milagres, que como Orsi demonstra muito bem nesse livro, parecem não serem tão milagrosos assim!

Mas como assim “parecem”? Hoje mais cedo, enquanto conversava com uma amiga sobre esse livro, levantamos essa questão. Tirando alguns casos bem explícitos no livro (o Santo Sudário é o que ganha maior destaque) onde se mostra que há realmente fraude ou uma explicação real para o milagre, os demais milagres, por diversas limitações, como por exemplo o fato de os envolvidos estarem mortos, restringem-se a tentativas de explicações baseadas no conhecimento científico que dispomos hoje. O próprio Orsi reconhece essa limitação na conclusão do texto – por outro lado, isso por si só não reduz a importância desse livro.

Talvez esteja na hora de você também vestir a carapuça de São Tomé…

Interessou? Para adquirir o livro com 20% de desconto e frete gratis é só clicar no banner abaixo!

Gostei tanto do livro e da temática, que assim que terminei este, já emendei o livro: “Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas” – que já foi resenhado pelo Igor no blog 42, e pelo Kentaro no Ceticismo Aberto. Confere lá! [Ah, só um alerta: a promoção no blog do Kentaro já acabou ;) ]

Um bom desaniversário! Pra mim? Sim, sim!

Pouca gente sabe, mas a cena em que Alice chega para o chá de desaniversário da Lebre de Março, do Chapeleiro Maluco e do Camundongo dorminhoco não acontece dessa forma no livro “Alice no país das maravilhas”. Na verdade Alice é apresentada à essa data apenas no capítulo 6 do livro “Através do espelho e o que Alice encontrou por lá”, na cena que reproduzo abaixo:

“Deram-me a gravata”, Humpty Dumpty continuou, pensativo, enquanto cruzava os joelhos e punha as mãos em volta deles, “deram-me… como um presente de desaniversário.”

“Perdão?” Alice perguntou, perplexa.

“Não estou ofendido”, disse Humpty Dumpty

“Quero dizer, o que é um presente de desaniversário?”

“Um presente dado quando não é seu aniversário, é claro.”

Alice refletiu um pouco. “Gosto mais de presentes de aniversário”, declarou finalmente.

“Não sabe do que está falando!” exclamou Humpty Dumpty. “Quantos dias há no ano?”

“Trezentos e sessenta e cinco”, disse Alice.

“E quantos aniversários você faz?”

“Um.”

“E se diminui um de trezentos e sessenta e cinco, resta quanto?”

“Trezentos e sessenta e quatro, claro.”

[...]

“E isso mostra que há trezentos e sessenta e quatro dias em que você poderia ganhar presentes de desaniversário…”

“Sem dúvida”, disse Alice.

“E só um para ganhar presentes de aniversário, vê? É a glória para você!”

Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Lewis Carroll. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.

E o motivo para este post estar aqui é que hoje é um desaniversário muito especial para o Meio de Cultura. Hoje é o primeiro desaniversário do blog após completar seus 2 anos de vida! Sim, o MdC fez aniversário ontem (21/01) e inicia hoje o seu 3º ano!

Recompensas são bem vindas, felicitações também! Mas tenha a certeza que nosso maior presente é ter você, leitor e leitora, sempre nos acompanhando, incentivando e fazendo comentários ou críticas!

Obrigado!

E um feliz desaniversário pra você também!!! 

O que eu queria mesmo era poder fazer um post com aquela frase (muito baranga, por sinal): “O aniversário é nosso, mas quem ganha o presente é você!”. Mas, pelo jeito, vai ficar para uma próxima oportunidade…

“Bactéria atacando os seios (assunto sério)” – mas que não procede

A Ísis compartilhou [intencionalmente e de forma crítica, que fique bem claro] um email-SPAM e eu resolvi postá-lo aqui no blog. Optei por manter todas as frases em caixa baixa, e utilizar só uma cor no corpo do texto para não destacar coisas desnecessárias. O texto original está em cinza, e os meus comentários em azul…

Bactéria atacando o seio – alerta para as mulheres – urgente.

O título do email já aparece com um tom apelativo e o urgente ali no finalzinho já dá a dica: “abre o olho que é SPAM”

Para conhecimento.

Bora dar um tom de seriedade e deixar esse email com cara de comunicado oficial?

Favor repasse para todas as mulheres (e também homens) de sua lista… É muito forte! As imagens são mesmo impressionantes!… Pessoal é muito importante, por favor, divulguem. O médico já testou que ela pegou uma bactéria que se encontra em tecido novo. (sem ser lavado)

Agora vamos indicar a quem esse email deve ser reencaminhado: às mulheres. Mas também os homens (ou seja: o viral quer atingir todo mundo). Além disso, vamos fazer um drama e implorar para que essa mensagem seja repassada. Mas claro! Vamos usar as palavras: “forte”, “chocante”… E, é lógico, “médico” – afinal precisamos de um respaldo científico!

Leia o texto primeiro. Sómente depois veja as fotos.

Ignorando o acento agudo no somente, o que talvez seja uma mensagem subliminar, me responda: você conseguiria continuar a ler o texto sabendo que tem imagens clamando para serem vistas? Eu acho que não!!

As fotos são realmente impressionantes, causam profundo impacto. Por favor, repasse para todas as pessoas de sua lista, para que elas também as envie e possamos alcançar o maior número possível de mulheres… Ao abri-las, compartilhe-as com outras pessoas, esposas, filhas, irmãs, sobrinhas, primas, mães, avós, amigas.

Ressaltar como as imagens são fortes (e realmente são)… O mesmo comentário feito um pouco mais acima… Enfim: vamos fazer o viral se espalhar, galera, “por favor”!!

O texto fala da importância de lavar as roupas íntimas recém compradas antes de usá-las. Explica que as roupas são feitas em diferentes partes do mundo, transportadas em sacos, caixas, sendo manipuladas por grande quantidade de mãos antes de serem acondicionadas para transporte. Além de estarem expostas a excrementos de animais transmissores de doenças. Esclarece ainda que durante o amaciamento do tecido e, segundo as condições climáticas, as caixas ou embalagens geram umidade, ambientes propícios para a proliferação de germes, parasitas e bactérias.

Quando pensamos na pele, ela é muito mais do que uma simples capa que separa o nosso interior do meio externo. A pele íntegra é uma estrutura que forma nossa primeira forma de barreira contra possíveis patógenos. Somos capazes, inclusive, de produzir substâncias antimicrobianas e secretá-las sobre a pele. Assim, infecções de pele, geralmente, ocorrem apenas quando há presença de lesão no local – assim, os micro-organismos encontram uma porta de entrada para o nosso corpo. Quando a gente pensa nos riscos de contaminação a partir de uma roupa, elas seriam provavelmente algo como uma conjuntivite ou uma diarreia decorrente do transmissão de bactérias pela rota fecal-oral/ocular pelo manuseio das costureiras, empacotadores, vendedores e clientes (nada muito diferente dos riscos que você poderia ter se não lavasse as mãos ao sair de um ônibus – você lava, né?).

Por favor, lavem bem as roupas novas, antes de usá-las, já que não se conhece o causador destas anormalidades, mas sabe-se que eles estão nas roupas novas. Favor lavá-las em água fervente.

Isso aqui não seria tão difícil de descobrir: tentar fazer um isolamento da bactéria. Mas lavar a roupa antes de usar é uma questão mais de higiene e bom senso, existem algumas doenças que podem sim, ser transmitidas por roupas (principalmente DSTs), mas também expandir isso para uma epidemia de ulcerações é exagero. O que manda é o bom senso, você não vai querer usar uma roupa com manchas estranhas, sujas ou fedorenta… ou vai?

Vamos, agora,  finalizar nosso SPAM, citando o nome de algum médico ou de algum funcionário  importante de algum hospital !! – afinal de contas, esse email “tem” credibilidade! – só que não.

Agradecida,
Lúcia Quintão
Secretária, TFD e diretoria clínica – Hospital Yutaka Takeda

Uma coisa que eu gosto de fazer quando recebo esses SPAMS é checar se pelo menos essas pessoas existem . Foi só jogar no Google que eu descobri que essa mulher realmente existe, porém, não trabalha mais nesse hospital – provavelmente ela foi apenas uma vítima escolhida pelo autor do SPAM – confira aqui o link de uma reportagem publicada há poucos dias sobre esse SPAM.

Ah, um lembrete final (só faltou o peloamordedeus):

repassem para todas as mulheres e homens também.

Gente, mas como eu poderia me esquecer das imagens!!! Sério, elas são fortes, então se você quiser realmente vê-las, só clicar aqui embaixo que você será redirecionado – é o MdC respeitando o leitor =D

Pedi ajuda a uma médica para analisar essas fotos.

Algumas, sim, parecem com infecções bacterianas, como as de número #1, #2, #3, #4 e 5. Mas aqui ressalvamos a necessidade da porta de entrada que pode ser um arranhão ou uma picada de inseto. O quadro apresentado em #4 pode ocorrer, por exemplo, devido à infecções causadas por mordedura (seja pelo bebê durante a amamentação, ou pelo parceiro no ato sexual) – a boca tem uma quantidade enorme de bactérias que ali estão em equilíbrio, mas quando são introduzidas em uma outra região do corpo podem causar um “belo” estrago.

Na foto #6 vemos uma mastectomia (retirada da mama) e a queimadura causada pela radioterapia. Já a foto #7 nos mostra um estágio avançado de câncer de mama. A foto  #8 parece ser de um granuloma e a #9 de um câncer de mama ulcerado.

Por fim, repare que em todas as fotos há uma tarja preta – nela está escrito “ogrish.com”. Esse era um site de depósito de vídeos e imagens chocantes que está fora do ar desde 2006. Me diz, se esse é um email sério, porque as fotos não são do próprio hospital, mas de um site grotesco?

Então fica aqui a análise desse SPAM, e o recado/alerta para que você não acredite em tudo que você lê na internet. Procure se informar pelo menos se há uma lógica no email que você recebeu antes de passá-lo para frente (não custa nada abrir o Google e fazer uma pesquisa rápida!). Esse email, por exemplo, parece que já está circulando desde 2009! Fique atento e uso o bom senso sempre!

0,01% dos germes

“Nosso sabonete mata 99,99% dos germes” 

essa imagem lembra muito uma outra que já postei por aqui.

Ninguém entende o meu trabalho… #divãdapós

Já faz um tempinho, um vídeo que ficou muito famoso entre os alunos de pós-graduação foi esse aqui:

 

Agora, o mesmo cara vem com mais uma música… Acho que vai ter gente se identificando por aí…

Isso me faz lembrar quando, há algumas semanas, lá em casa eu virei pra minha mãe e perguntei (provavelmente com uma cara que demonstrasse o quanto eu queria que a resposta fosse: sim) — “Mãe, você sabe com o que eu trabalho?” – acho que nem preciso comentar o resto da história…

Aproveite o espaço nos comentários e desabafe com a gente as suas frustrações… =)

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM