sobre o meu dia do biólogo…

Tudo bem que hoje já é praticamente amanhã… Mas o dia 03 de setembro é geralmente um dia que geralmente passaria como mais um dia comum como qualquer outro se não fosse um aviso sonoro apitando às 23h do dia 02 de setembro me lembrando: DIA 03 DE SETEMBRO – DIA DO BIÓLOGO.

Sim. Eu sou tão desprendido com datas, que do meu aniversário, ao aniversário da minha mamãe (espero que ela não esteja lendo isto) eu coloco lembretes anuais para não me deixarem olvidar tais datas. Acontece, porém, que não gosto que as pessoas não se lembrem que hoje é o dia do biólogo… Então eu faço a minha parte!

A primeira coisa a fazer foi abrir um grupo de whatsapp e, antes mesmos do bom dia deixar escapar um…

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No outro grupo, fui me empolgar, troquei a “?” por uma “!”, e acabei causando foi uma situação constrangedora com a biomédica do grupo… Mas ao menos ganhei meus parabéns!

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Hoje, ainda, resolvemos comemorar os aniversários de agosto e setembro do nosso laboratório! Claro que não deixei barato (onde lê-se proa, leia-se pros, e ignorem a falta de pontuação)

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E claro, não podia deixar de mandar uma mensagem pra minha mamãe!

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E mamãe respondeu… No facebook… Por mensagem privada, mas no facebook… E foi uma mensagem tão linda… *_______*,

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E assim foi mais ou menos o meu dia do biólogo… Espero que o de vocês tenha sido divertido como o meu :)

entre aspas: Carl Sagan

estou lendo o livro “o mundo assombrado pelos demônios”, do carl sagan, depois de algumas tentativas frustradas no passado. Acho que ainda não era a hora e agora estou lendo e adorando o livro. uma das coisas interessantes da experiência de leitura foi poder ver as alterações dos trechos iniciais que achei que deveriam ser marcados… não é o momento ainda de falar dessas citações, mas tem uma que não podia deixar de citar aqui:

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ele faz essa citação no final do capítulo 7, após passar alguns capítulos questionando as descrições de encontros com alienígenas e seres de outras dimensões/divinos.

e é um ótimo momento pra relembrar um post antigo aqui do blog: maravilhas microbianas


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Ajude a salvar vidas… é simples: lave as mãos!

Hoje, dia 05 de Maio de 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) celebra sua campanha para higienização das mãos.

Com o lema: “SALVE VIDAS: limpe suas mãos” (SAVE LIVES: clean your hands), a OMS propõe que que se não agirmos logo, e de forma simples, a disseminação de microrganismos resistentes pode chegar a ter consequências ainda mais graves no futuro (bem próximo)!

A campanha é voltada principalmente para profissionais da saúde, mas que também pode e deve ser levada em consideração por outros segmentos da sociedades como escolas, restaurantes – e todos nós, na verdade.

A ideia baseia-se na premissa simples de se evitar a contaminação cruzada que tanto ocorre no ambiente hospitalar e é responsável por ajudar a mantar os microrganismos em circulação naquele ambiente. Um esquema de rotas de transmissão cruzada está representado abaixo:

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Figura traduzida do artigo: Arias CA, Murray BE. (2012). The rise of the Enterococcus: beyond vancomycin resistance. Nature Reviews Microbiology, 10:266-278.

A proposta campanha propõe 5 pequenos passos para mudar o mudo
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Os cuidadores devem lavar as mãos:

1. Antes de tocar o paciente.

2. Antes de procedimentos de limpeza e assepsia do paciente.

3. Após a exposição a fluidos corporais do paciente.

4. Após tocar o paciente.

5. Após tocar os entornos do paciente.

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Sempre que cito esse assunto, gosto de falar de um post de o Karl (do blod Ecce Medicus, aqui do SbBr): “Infecções e seres humanos”. Ali ele apresenta as taxas de infecções de corrente sanguínea (ICS) que uma UTI de um hospital de São Paulo que apresentou um período no qual as taxas de ICS chegaram a zero. E o que causou essa redução!? A melhoria da higiene das mãos dos profissionais da saúde durante o surto de influenza A H1N1.

Como falei no último post do blog, sobre o VRSA: “Ela está entre nós!” e nas edições 11 e 12 do #Scicast sobre superbactérias, não é para entrarmos em pânico. Mas o estado de alerta está aí e não pode ser ignorado. Eu não acredito que vamos vencer a luta se combatermos de frente com essas bactérias, mas se agirmos com cautela, podemos ter resultados a longo prazo mais positivos.

5maioCCartaz do CDC (orgão estadunidense semelhante à ANVISA) incentivando as pessoas a lavarem as mão após saírem do banheiro, afinal, “1 trilhão de germes podem viver em 1g de cocô”.

 

 

Ela está entre nós! Descrição brasileira de uma superbactéria rara

Palavrinhas iniciais…

Vamos falar de coisa boa!? Vamos falar de… ehhhr… Bem que eu gostaria de começar o post assim, mas infelizmente, depois de um tempinho parado, estou voltando para um noticia que não apenas é ruim, como é bastante preocupante.

Em janeiro, participei de um podcast sobre Superbactérias (que, não, não são de Kripton). Foram as edições 11 e 12 do #Scicast (que você pode ouvir aqui e aqui) e esses episódios são uma boa introdução para o que vamos falar hoje aqui… Além disso, já comentamos aqui várias vezes sobre bactérias resistentes a antibióticos e como elas adquirem e passam pra frente essa resistência.

 

Vamos começar…

ResearchBlogging.org Já se fala há algumas décadas do MRSA, siga em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina. A meticilina é um antibiótico e essa resistência torna o MRSA uma bactéria difícil de ser tratada, e uma das poucas opções para o tratamento de infecções pelo MRSA é o antibiótico vancomicina.

Acontece que existem bactérias resistentes à vancomicina, dentre elas, o VRE, sigla em inglês para Enterococcus resistente à vancomicina, merece destaque. Isso principalmente porque os enterococos tem uma grande facilidade para transmitir e receber genes de resistência.

Acho que a partir daí já começa a ficar claro o tema do post de hoje… A tranferência da resistência à vancomicina para estafilococos foi descrita pela primeira vez em 2002 nos Estados Unidos e, desde então, outros pouquíssimos casos por lá, além da Índia e do Iraque, foram descritos. A perda da vancomicina como possibilidade de tratamento dessas bactérias faz com que o tratamento do MRSA torne-se mais difícil e bm mais caro.

Na última quinta-feira (dia 17/04/14), a revista “The New England Journal of Medicine” publicou um artigo que relata o primeiro caso de um VRSA no Brasil. VRSA?! Sim, um Staphylococcus aureus resistente à vancomicina.

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Como tudo aconteceu?

Em Novembro de 2011, um paciente masculino de 35 anos foi admitido em um hospital paulistano, e apresentava micose fungoide (um tipo de lifoma de pele), vício em cocaína, diabete mellitus, além de depressão e recente tentativa de suicídio. Ele desenvolveu um quadro de celulite na perna e foi tratado com antibióticos, sendo liberado em Fevereiro de 2012.

Aqui precisamos abrir parênteses:
A celulite que estamos falando aqui é uma doença infecciosa bacteriana, que atinge a pele e os tecidos adjacentes e é causada por diferentes bactérias, sendo a mais comum o estreptococo – nesses casos, a bactéria produz enzimas que ajudam na sua disseminação pelo tecido. Ela também pode ser causado por estafilococos, mas apresenta área de extensão mais reduzida. A outra celulite é um acúmulo de gordura e tecido fibroso sobre a pele, e não tem nada a ver com esse post.
Aqui fechamos nossos parênteses.

Em Junho de 2012, foi readmitido no hospital. Ele apresentou uma piora no quadro psiquiátrico e, não bastasse isso, apresentou reincidência do quadro de infecções de pele e tecidos moles e foi novamente tratado com antibiótico. Um pouco do sangue foi coletado e plaqueado em meio de cultura para ver a presença de bactérias no sangue (chamamos isso de hemocultura), e não houve crescimento (hemocultura negativa). O paciente continuou internado, devido à quimioterapia para tratar do câncer de pele

Em Julho de 2012, o paciente começou a apresentar febre recorrente e foi tratado com antibiótico (dentre eles vancomicina). Dessa vez a hemocultura deu positiva para MRSA. A antibioticoterapia foi alterada (teicoplanina) e, em Agosto, quando o antibiótico foi retirado, a febre retornou. A hemocultura foi positiva para dois diferentes isolados de MRSA sendo, um deles, ainda, resistente à teicoplanina e à vancomicina (além de eritromicina, clindamicina, ciprofloxacina, gentamicina, trimetoprima-sulfametoxazole). O paciente foi então isolado, foi iniciado um tratamento com daptomicina e foi realizada uma cultura de swab retal, que deu positiva pra VRE. [swab ou zaragatoa é um instrumento estéril, semelhante a um cotonete, utilizado para a coleta de secreções e amostras]. Após algumas semanas, diversas complicações associadas a múltiplas infecções, o paciente veio a óbito.

A figura abaixo, retirada do artigo, resume e esquematiza curso clínico apresentado acima.

 

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O que os pesquisadores fizeram com esse VRSA?

A primeira coisa foi estabelecer a relação entre os dois isolados de MRSA, que vamos passar a chamar de S. aureus sensível (VSSA) e resiste (VRSA) à vancomicina. E eles observaram que eles possuem um perfil genético semelhante, sugerindo que a seleção ocorreu in vivo, durante a administração dos glicopeptideos (vancomicina e teicoplanina) e dos outros antibióticos.

O VRSA, porém, apresentou um plasmídio que VSSA não possuía. Esse plasmídio, foi denominado pBRZ01 e possui os genes que conferem a resistência à vancomicina (vanA e outros) e à gentamicina (acc(6’)-aph(2”)). O VRSA, porém, apresentou taxa de crescimento semelhante a do VSSA, sugerindo que o plasmídio não afeta o fitness da linhagem resistente.

A análise mais a fundo desse plasmídio mostrou que ele sofreu alterações genéticas importantes no transposon Tn1546 (que carreia os genes de resistência à vancomicina), além de que a comparação da seqüência desses genes indicam que a origem desses genes é enterocócica – sem, entretanto, terem sido originados do isolado de VRE do swab retal. Eles chegaram a essa conclusão por meio de experimentos que mostraram que o VRE era incapaz de transferir o plasmídio para outros enterococos ou estafilococos.

 

Precisamos entrar em pânico?

Pânico não… Mas ficar preocupados, sim!

Geralmente as linhagens multirresistentes são restritas a hospitais, principalmente, porque é comum terem uma taxa de replicação mais lenta, o que as deixam com vantagem competitiva apenas em situações que envolvem pacientes com saúde comprometida e que estão sob terapia antimicrobiana.

Essa linhagem brasileira de MRSA, porém, além de ter origem na comunidade, não ficou em desvantagem após a aquisição do plasmídio… É aqui que está o ponto que merece atenção! Uma bactéria dessas tem um elevado poder de disseminação, pois tem capacidade comoetitiva com outras bactérias da comunidade, não precisando do ambiente hospitalar e de um paciente com saúde comprometida para poder colonizá-lo.

Nesse caso que apresentamos aqui, o paciente foi identificado e isolado como medida de segurança para evitar a disseminação da bactéria pelo ambiente hospitalar e, consequentemente para a comunidade.

Apesar de serem raros e restritos os casos descritos, isso não é motivo para descuidar. Muito pelo contrário, deve servir de alerta para o uso incorreto de antibióticos e para o cuidado da equipe médica para evitar a transmissão interna e para fora do hospital.

 

Referência

Rossi, F., Diaz, L., Wollam, A., Panesso, D., Zhou, Y., Rincon, S., Narechania, A., Xing, G., Di Gioia, T., Doi, A., Tran, T., Reyes, J., Munita, J., Carvajal, L., Hernandez-Roldan, A., Brandão, D., van der Heijden, I., Murray, B., Planet, P., Weinstock, G., & Arias, C. (2014). Transferable Vancomycin Resistance in a Community-Associated MRSA Lineage New England Journal of Medicine, 370 (16), 1524-1531 DOI: 10.1056/NEJMoa1303359

NÃO, antibiótico NÃO é para tratar gripe!

Para muita gente isso pode estar bastante claro. Mas muita gente ainda acredita que os antibióticos servem para matar virus e podem ser utilizados no tratamento da gripe, por exemplo.

Aqui no Brasil, desde 28/11/2010, uma resolução da ANVISA restringe a venda de antibióticos com retenção da receita nas farmácias. O que acontece é que muitas vezes as normas não são seguidas… E sim, isso está preocupando os agentes de saúde de outros países, como, por exemplo, Portugal.

Eu sempre fui um defensor do uso racional dos antibióticos e uma amiga que está lá na terra dos nossos colonizadores acabou de me mandar uma foto da campanha que está acontecendo por lá!

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De acordo com uma reportagem do jornal português Público do dia 15/11/13:

- 69% dos entrevistados acreditam que os antibióticos servem para matar vírus

- 61% acreditam que antibióticos são eficazes no tratamento de constipações e gripes.

Esses dados foram compilados no “Eurobarómetro” sobre resistência antimicrobiana realizado pelo órgão estatístico da União Européia. Esses dados assustam pois estão acima da médica européia (49% e 41%, respectivamente, para os dois ítens já citados).

Assim como no Brasil, a venda de antibióticos em Portugal exige prescrição médica; mas dentre os entrevistados 2% assumiram terem feito uso de antibióticos que tinham em casa de vezes anteriores e 3% compraram os medicamentos sem receita.

Portugal não só está entre os 10 países europeus que mais utilizam antibióticos, mas também parece ter uma grande taxa de desinformação entre cidadãos acerca dos perigos do uso irresponsável dos antimicrobianos.

Procurei rapidamente sobre esses dados no portal da ANVISA… acabei não encontrando, mas me deparei com um outro dado muito, muito, MUITO preocupante:

“Mais de 50% destas prescrições são inadequadas quanto à via de administração, à dose e até mesmo quanto à indicação do antimicrobiano.” (FONTE: ANVISA)

Essa citação me respalda a fazer uma constatação que há algum tempo já se encontra meio que entalada na garganta…

Eu fiz um curso interativo sobre antimicrobianos na Associação Médica de Minas Gerais, há alguns anos. Era um curso direcionado para médicos, mas não era restritivo, e outros profissionais podiam participar. Esse curso consistiu em em apresentação de casos clínicos e posteriormente os participantes eram arguidos sobre qual antibiótico, qual a dose e qual o tempo de admistração. O resultado? Não diferiu muito do apresentado acima na citação da ANVISA.

As vezes me parece que é muito simples jogar a culpa toda na comunidade e em sua falta de conhecimento quando estamos falando do uso irracional dos antibióticos. Mas quando pensamos nos profissionais que mais deveriam estar aptos a orientar quanto ao uso desses medicamentos, o que vemos é uma situação, também, alarmante. Tudo bem que 50% dos médicos acertam a medicação, mas e os 50% que erram? Quais as consequências desse erro? Mas também é importante perguntar: Como fazer para que esses percentuais se reduzam a níveis menos preocupantes? Onde está a origem desses erros?

Eu não sei responder a essas perguntas e, sinceramente, não queria ter tido que levantá-las.

um gigantesco pequeno detalhe…

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Pandoravirus: um gigantesco pequeno detalhe que pode alterar por completo nossa concepção sobre os domínios da vida.

Bactérias são pequenas, muito pequenas (tão pequenas quanto dividir 1mm em 100.000 partes – micrometros). Quando falamos em vírus, esperamos organismos que sejam tão pequenos quanto 1/100 de uma bactéria – nanometros. Tão pequenos que não conseguimos observá-los ao microscópio convenciona; para isso são necessários microscópios eletrônicos.

ResearchBlogging.org Acontece que pesquisadores descobriram no mês passado (Science 19/07/13) dois novos vírus, bem diferentes do comum… não só pelo tamanho gigante (umas 1000 vezes maior que um virus comum da gripe, o que permite que você o veja num microscópio convencional — figura 1), mas também por suas características biológicas poderem estar promovendo algumas mudanças no que conhecemos atualmente como domínios da vida.

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Figura 1: Pandoravirus salinus e P. dulcis – em fotos de microscopia óptica convencional (MO) e sua ultraestrutura observada em microscopia eletrônica.

A descoberta desses organismos aconteceu quando, após a descoberta dos mimivirus e megavirus nos últimos 10 anos, os pesquisadores comecaram a procurar novos vírus gigantes em amostras de água. Como o próprio nome desses vírus ja diz, um deles P. dulcis foi isolado de um lago australiano e P. salinus da foz do rio Tunquen, no Chile. O interessante de se notar a presença dos vírus em continentes distantes (América e Austrália) é poder estabelecer que as observações iniciais não eram artefatos de células conhecidas e inclusive sugerir que os pandoravirus são generalizados.

No inicio da pesquisa, os cientistas chegaram a pensar que os vírus eram, na verdade, bactérias. Isso aconteceu pois algumas culturas apresentaram multiplicação intracelular de partículas maiores que os maiores megavirus já descritos. Como mesmo com a utilização de antibióticos essa multiplicação continuou, essas amostras foram estudadas mais a fundo, afinal aquelas partículas ali não eram bactérias.

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Figura 2: (D) P. salinus internalizado em um vacúolo do hospedeiro, com detalhe (E) para a fusão das membranas do vírus e do vacúolo. (F) Corte de Acanthamoeba (seta verde) com diversos estágios de maturação de P. salinus (seta laranja) em seu citoplasma

Geralmente virus reproduzem-se fabricando seus componentes separadamente e depois juntando-os. Curiosamente, os pandoravirus realizam todos processos simultaneamente, e os novos virus são formados de forma continua, de uma extremidade a outra, num processo que a equipe de cientistas denominou “tricotar” (knitting) – pois o vírus é construído como se fosse uma malha de tricô (Figura 3).

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Figura 3: Imagens de microscopia eletrônica mostrando a síntese continua do ápice à base da partícula Vidal de P. salinus.

Quando falamos sobre o genoma de um organismo, estamos nos referindo a toda a informação genética de um determinado ser vivo.

O ser humano, por exemplo, tem um genoma com 3 bilhões de pares de base (pb), arranjados em 23 pares de cromossomos, que codificam cerca de 30 a 40 mil genes e por volta de 100 mil proteínas. O genoma de P. salinus tem 1,9 milhão pb, enquanto do de P. dulcis tem cerca de 2,5 milhões pb – muito maior do que o maior genoma viral já descrito até então, o do Megavirus chilensis com 1,2 milhão pb.

Um vírus da gripe tem apenas 10 genes, enquanto M. chilensis possui cerca de 1.000; mas os pandoravirus possuem muito mais, atingindo mais de 2.500 genes capazes de codificar proteínas e enzimas ainda com funções desconhecidas.

O grande impacto da descoberta desse novo e misterioso virus gigante, porém, não é devido a histeria por um surto de uma nova doença… mas por motivos muitos mais amplos e filosóficos que englobam as origens da vida na Terra. Talvez o mais surpreendente seja o fato de que 93% dos mais de 2.000 genes dos pandoravirus não pode ser pareada com qualquer linhagem conhecida na natureza. Em outras palavras, são genes completamente novos, o que faz desses vírus algo muito diferente do que estamos acostumados, levando os cientistas a proporem um quarto domínio para acomodar esses organismos na árvore da vida.

Assim, ao contrário de Pandora que abriu a caixa e liberou todos os males do mundo, e deixou presa a esperança, os pandoravirus não fazem mal aos seres humanos [até que se prove o contrario]. O que temos observado é que esses vírus gigantes são geralmente encontrados em ambientes aquáticos e infectam amebas, mas ainda temos muita coisa pra aprendermos sobre a biologia desses seres.


Philippe N, Legendre M, Doutre G, Couté Y, Poirot O, Lescot M, Arslan D, Seltzer V, Bertaux L, Bruley C, Garin J, Claverie JM, & Abergel C (2013). Pandoraviruses: amoeba viruses with genomes up to 2.5 Mb reaching that of parasitic eukaryotes. Science, 341 (6143), 281-286 PMID: 2386901823869018>

amigos ou inimigos…

AMIGOS OU INIMIGOS

papel da microbiota nas doenças inflamatórias intestinais

Existe uma classe de doenças que são denominadas Doenças Inflamatórias Intestinais (DII – ou IBDs, do inglês Inflammatory Bowel Diseases), que são marcadas por quadros de melhoras (remissões) e pioras (recidivas) e que, apesar de serem conhecidas e estudadas há bastante tempo, ainda possuem dúvidas a cerca de sua origem. As duas formas de DII são a Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa – que apresentam muitas similaridades, mas ao mesmo tempo muitas diferenças (não só de intensidade e local das lesões, mas também na fisiologia da inflamação). Existe, inclusive, algumas hipóteses que propõem que o Crohn e a Colite não seriam doenças distintas, mas estágios diferentes de uma mesma doença.

 

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Figura 1: Aspectos observados da Doença de Crohn (preto) e na colite ulcerativa (verde). Em azul estão pontos de semelhanças entre as duas doenças.

 

A grande questão aqui, é que apesar de não sabermos a etiologia (o que causa, desencadeia) essas doenças, temos fortes evidências de fatores de contribuem para a cronificação desses quadros patológicos. De forma bastante simplificada, podemos dizer que as DII derivam de uma resposta desregulada do sistema imunológico do paciente contra componentes da microbiota intestinal, contando ainda com fatores predisponentes do hospedeiro (susceptibilidade genética) e do ambiente (alimentação, hipótese da higiene).

 

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Figura 2: Diversos fatores influenciam a cronificação das IBDs.

 

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Figura 3: Dstribuição mundial da incidência de colite ulcerativa. Observe: a) os maiores índices estão nos países desenvolvidos e ocidentais (América do Norte e Europa Ocidental). Atribui-se a isso dois principais fatores. O primeiro seria a dieta ocidental, muito rica em gordura e pobre em fibras. O segundo seria a hipótese da higiene, que propõe que o excesso de higiene na infância contribuiria para uma má maturação do sistema imunológico da criança, que tenderia a desenvolver doenças imunológicas no futuro, como asma e as doenças inflamatórias intestinais. b) os baixos indices apontados no Brasil, acreditamos que se deve ao fato de os casos serem subnotificados.

 

Durante o mestrado trabalhei com colite ulcerativa, com o propósito de propor uma terapia com a utilização de um microrganismo para reduzir o quadro inflamatório observado nos momentos de recidiva da doença.

Mas como assim!? Um microrganismo pra reduzir uma inflamação!?

Sim, é isso, mesmo… E não é uma ideia tão estranha quanto parece… Acompanha o raciocínio.

Não existe cura para as DII, os tratamentos envolvem terapias anti-inflamatórias. Essas drogas, porém, possuem efeitos sistêmicos, e muitas vezes os pacientes desenvolvem resistência. Além disso, o uso de antibióticos em quadros graves mostra eficácia na melhora do quadro (esse é um dos fatores que justificam uma participação da microbiota na origem e agravamento das DII). Considerando o que falei e o fato de que nos últimos anos existe uma tentativa crescente no incentivo ao uso de micro-organismos probióticos (como lactobacilos e bifidobactérias) para tratarem desordens intestinais, dentre eles quadros de infeção e inflamação, não é de se estranhar a proposta do meu projeto.

E como é possível que isso aconteça?!

Para isso temos que entender um pouquinho da fisiologia e da imunologia da mucosa intestinal.

Se esticados completamente, os intestinos humanos possuem uma área de aproximadamente 100-300mˆ2. Isso só é possível pois eles apresentam uma série de estruturas (dobras, viosidades e microvilosidades) que ampliam a superfície para a absorção dos nutrientes. As células epiteliais que delimitam essa área, estão fortemente unidas entre si e formam uma barreira física, que impede o fluxo aleatório de molécula ou de microrganismos do lúmen intestinal.

Associada a essa superfície, existe um muco que é secretado, formando proximalmente uma camada estéril, e externamente uma camada mais frouxa que é habitada por microrganismos mucolíticos. Esse muco não só protege as células da mucosa contra danos mecânicos do processo de digestão, como tem papel dificultando a chegada de microrganismos patogênicos..

Além disso, existe um sistema imune associado a essa mucosa, que é muito bem regulado de forma a interagir com uma gama gigantesca de moléculas exógenas e ao mesmo tempo não desencadear resposta contra elas. Como isso acontece ainda não se sabe completamente, mas essa tolerância e a supressão ativa são extremamente importantes para uma resposta rápida em quadros de necessidade.

Nos pacientes com colite ulcerativa, a susceptibilidade genética pode influenciar tanto na regulação do sistema imunolégico, quando na camada de muco, quando das junções das células da mucosa… Ou seja: nos três pontos de barreira contra a invasão de patógenos. O que acontece no final das contas é que, assim, a microbiota acaba entrando em contado com a mucosa e, assim, há uma forte resposta imunológica e um quadro inflamatório crônico se instala. Ocorre a liberação de anticorpos e moléculas antimicrobianas e ocorre alteração no perfil da microbiota intestinal.

Probióticos por sua vez atuam por meio de diferentes mecanismos:

  1. como barreira, colonizando o epitelio e atuando como barreira (por inibição competitiva por nichos) impedindo a colonização por patógenos
  2. promovem o aumento da produção e alteram a consistência da camada de muco, protegendo o hospedeiro contra bactérias invasivas
  3. Induzem uma maior secreção, no hospedeiro, de defensinas (moléculas antimicrobianas) e imunoglobulinas (anticorpos)
  4. produzem eles mesmos substâncias inibitórias como ácidos orgânicos e bacteriocinas
  5. regulam funções do sistema imune de mucosa, tornando-o mais anti-inflamatório e menos pró-inflamatório, por meio de estimulação de células específicas do sistema imune

A lista mostra os mecanismos de ação de diferentes probióticos. Cada um age de uma forma distinta, inclusive linhagens diferentes de uma mesma espécie podem ter ações opostas. Dois probióticos já são bastante utilizados no tratamento da colite. Um é a Escherichia coli linhagem Nissle 1917 e o outro é o VSL#3, uma preparação que contem 8 espécies de probióticos.

Só pra finalizar, por motivos obvios (os dados não foram publicados ainda) não vou falar dos meus resultados aqui além do fato de que tivemos dados muito interessantes.

entre aspas: Marcelo Gleiser

gleiser

“Essa história de que ciência é coisa de nerd é besteira, ciência é legal e pra todos, basta ter interesse em aprender.” 

“Não use Deus para acobertar sua ignorância… se quer acreditar nEle, tudo bem, mas acredite por outros motivos”

O  físico Marcelo Gleiser ministrou uma palestra hoje na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Eu não estive lá, mas a Marcinha, minha amiga estava, e registrou essas duas frases que ele disse durante a paletra.

Mais do que um mero parque de diversões para bactérias

Em um livro de medicina sobre queimaduras…

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Agradeço à Dra. Lu que me mandou a imagem que foi postada aqui, na página “Medicina da Depressão”

SOU EU, TAMBÉM, SAINDO DA INÉRCIA! [post em atualização por tempo indeterminado]

Na segunda-feira (17/06, que talvez seja futuramente conhecida nos livros de história como segunda-feira branca) resolvi, como muita gente, sair da inércia e não só apoiar o movimento, como participar do mesmo. Parecia que as coisas conspiravam contra minha participação… eu não estava em BH, e a estrada que ligava Sete Lagoas à capital mineira estava fechada desde a manhãzinha pois moradores de Ribeirão das Neves fecharam os dois sentidos da BR-040 para protestarem (e depois parece ter havido um acidente). O jeito foi vir pra BH pela MG-424, que estava lenta pra caramba. Resultado, minha viagem que deveria durar 1h15 terminou durando quase 2h30.

Em BH, a reunião foi marcada para a Praça 7. Ponto de referência no centro da cidade (cruzamento de duas das principais avenidas: a Amazonas e a Afonso Pena). Quando consegui chegar lá, a marcha ja tomava o elevado rumo à Av. Antônio Carlos (principal ponto de acesso ao Mineirão), achei que nunca encontraria meus amigos no meio de tanta gente… mas os encontrei!

amigos

Eu, o Rafa e a Vanis… De cara pintada e marcando presença na passeata!

E seguimos juntos, o restante dos cerca de 6 km entre a Praça 7 e a região da UFMG (o mais próximo que conseguimos chegar do Mineirão).

A passeata estava tranquila! Foi pacífica! Andamos por quilômetros sem nenhum tipo de problema. Havia famílias inteiras, inclusive com crianças de colo! Foi uma das coisas mais linda que ja vi na minha vida! Só quem participou para entender o sentimento de patriotismo, orgulho e a sensação de dever cumprido e de cidadania! Havia horas em que olhávamos para frente e para trás e não conseguíamos ver o início nem o final da manifestação… foi algo emocionante, inacreditável!

(peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Era muita gente… mesmo! (peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Fomos barrados por dois bloqueios da PM nessa caminhada, no primeiro correu tudo bem… no segundo foi onde ocorreu o confronto tão noticiado nas redes de televisão. Eu sou medroso, confesso, admiro os ponta-de-lança, mas quando chegamos no segundo bloqueio algo ja me dizia pra ficar alerta. Não quis assentar e não demorou muito para vermos/ouvirmos a primeira bomba… e depois mais uma… e depois mais um monte…

Saimos… e não vimos a confusão de perto. Fomos caminhando para casa, e subimos um morro… e quando chegamos lá no alto, resolvemos dar uma olhada lá pra baixo e ficamos assustadíssimos. Uma fumaça (das bombas de gás) tomou conta do ambiente e mesmo estando longe do local, o gás ainda surtiu efeito sobre nós. Tossimos por um longo tempo e os olhos ficaram ardendo (ficamos impressionados com o poder daquilo e não pudemos não imaginar as pessoas lá em baixo – ainda mais quando fiquei sabendo de uma amiga que estava lá!

(foto do instagram da UFMG - http://instagram.com/ufmg)

Me perguntaram se era montagem… e disseram que parecia uma guera civil (foto do instagram da @ufmg)

Fiquei/ficamos muito assustados com o que presenciamos… (adicionado em 19/06, 13h, porque estava entalado na garganta e nas pontas dos dedos até agora:) E ainda tivemos que ler, ao chegamos em casa, comentários depreciativos de pessoas relativamente próximas a nós, chamando-nos de vagabundos. Acho desnecessário perder mais meu tempo procurando tecer qualquer outro comentário sobre a frase… 

“[…]Quando a vagabundagem das manifestações acabarem[…]’

Resolvemos ficar na casa do meu amigo, onde ouvíamos a todo momento carros de policia passando pela rua e helicópteros… Não nos arriscamos a sair, e fomos assistir o JN para ver a cobertura das movimentações pelo país (ficamos só com o JN devido a limitações que tínhamos naquele momento).

Claro que apesar do movimento estar sendo encabeçado com o lema dos R$0,20, todos sabemos que isso foi só o estopim… E ver o Brasil inteiro se unindo em torno das mesmas causas e agindo é simplesmente impossível de ignorar… Bom… talvez não seja tão impossível assim, afinal como disse o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da Republica, eles ainda estavam tentando entender as motivações do movimento

iceberg

Sabe… muitas palavras de ordem foram gritadas… muitas musicas e slogans foram cantadas… as pessoas foram chamadas a descerem dos ônibus e de suas casas e participarem com a gente daquele momento…). O único comentário que quero fazer é que ainda não consegui ver na cobertura uma articulação de forma a mostrar que esses movimentos não são coisas isoladas em todos os cantos do Brasil… mas sim coisas isoladas em todos os cantos do Brasil e do Mundo *e com as mesmas motivações*. (e sim, foram lindas as manifestações de SP e de BSB… e a do RJ e de BH, apesar dos incidentes também)

Ô, O BRASIL ACORDOU…. Sim… o Brasil acordou agora… Não que ele estivesse dormindo… Não estava, é lógico que não… Movimentos pipocam a torto e a direito, e muitos de nós ou não enxergam, ou não querem enxergar… Ao contrário do que ouvi algumas pessoas falando, não acho que esse grito deva ser encarado como uma forma de suprimir o que esses grupos já vinham fazendo, mas como uma forma de exaltar a nova parcela da população que acordou e resolveu se juntar aos movimentos.

(peguei a foto do facebook, não tenho os créditos)

É bem por aí mesmo… (facebook/não tenho os créditos)

Hoje, terça-feira, pouco antes de começar a escrever, estava ouvindo aqui de casa aqui de casa o pessoal gritando na Praça 7. E como sempre um dos gritos mais imponentes não era contra qualquer outra coisa senão contra os próprios participantes que praticavam vandalismo descaracterizando um movimento que está tendo como uma de suas principais características a não-violencia. Sei que tem gente que não concorda comigo, mas ainda acho que tem outras formas de enxergarem o protesto que não sejam as atitudes de vandalismo. E também não acho que essas atitudes seja justificáveis.

NÃO É TURQUIA
NEM É A GRÉCIA
É O BRASIL
SAINDO DA INÉRCIA

E pra finalizar o dia com chave de ouro (só que não), tivemos um retrocesso de uns quase 30 anos com a votação da cura gay. Só pra constar pra quem ainda não sabe, desde 17 de maio de 1990 que a homossexualidade não é mais reconhecida como doença pela OMS. Deixo aqui meus parabéns ao deputado Marcos Feliciano!.

 

*atualização 18/06, 23h20: Acabei de ficar sabendo que aqui em BH o clima está tenso… Atearam fogo em lixo, depedraram a prefeitura e alguns ônibus, quebraram o relógio da copa que fica na Praça da Liberdade… Isso tudo depois de uma passeata (ao que me consta) tranquila, no sentido contrário à de ontem: UFMG–>Praça Sete… Sei lá, mas isso me parece tão “estranho”…

*atualização 19/06, 11h: Quando a gente fala que o movimento tá tranquilo, é de boa, as pessoas nao acreditam… Quando a gente fala que tem alguma coisa estranha, as pessoas também não acreditam… Aí quando passa no jornal que foi um quebra pau, todo mundo acredita… Assiste o vídeo e vem me dizer que não tem algo muito errado/ estranho/ questionável aí pra ser tudo do jeito que é noticiado? Tem por que acreditar que o povo anda junto por vários quilômetros numa boa, sem nenhum incidente, e depois simplesmente do nada resolvem mudar de algo pacífico para algo tão sem justificativa? Essas coisas estão me deixando com medo…

estadodeminas20.06

*atualização 20/06, 11h15: Ontem houve manifestação durante todo o dia em BH. Ao que me consta, não ouve registro de vandalismo durante o ato que durou mais de 8h… Meu mestre, o prof. de biologia Ramon Lamar, também participou do ato na segunda feira aqui em BH e relatou a experiência em seu blog, além disso ele está participando ativamente das movimentações para o ato que está para acontecer em Sete Lagoas. Não só isso, o jornal “Hoje em Dia” soltou uma reportagem no qual afirma que a PMMG recebeu ordens de não agir contra os vândalos da noite de 18/06 (mostrado no video acima). Para finalizar, apesar de não ter lido a(s) reportagem(ns), pelo menos a capa do jornal “Estado de Minas” (que eu custei a acreditar que fosse real) resume um pouco o que é minha visão do movimento.

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