Guerra dos Tronos… no intestino

Não, esse post não é sobre a disputa pelo trono dos Sete Reinos de Westeros… mas pela dominação do intestino.

Os personagens principais não são Lorde Eddard Stark, Rei Robert Baratheon ou Joffrey Lannister… aqui estamos falando de bactérias.


Tudo deserto… Nenhum ser vivo albergava aquele lugar úmido e escuro chamado de útero, nenhum… a não ser aquele pequeno embrião humano. Aquele exemplar de Homo sapiens sapiens medido cerca de 50 cm e pesando aproximadamente 400 g, pequeno para nós, era na verdade um pedaço significativo de terra (pra não dizer um mundo inteiro) virgem, esperando para ser dominado por milhares, digo, trilhões de miro-organismos.

A disputa pela dominação teve início quando, após as fortes contrações, o feto foi expulso do lugar onde viveu por 9 meses em direção a um novo mundo… e no trajeto, quando o feto passou pelo canal vaginal, as primeiras bactérias iniciaram a disputa por um lugar ao sol.  As primeiras bactérias são anaeróbias facultativas, ou seja, elas são capazes de viver e se multiplicar tanto na presença quanto na ausência de oxigênio. Essas bactérias incluem as Escherichia coli (Proteobacteria), os Lactobacillus (Firmicutes) e, principalmente, os Enterococcus faecalis e E. faecalis (Firmicutes).

Os dias vão se passando, e o oxigênio ali no intestino vai se tornando cada vez mais escasso, é aí que um novo grupo de bactérias, os anaeróbios estritos do filo Actinobacteria, começa a clamar por espaço. O gênero mais significativo é o Bifidobacterium, e essas bactérias possuem a capacidade de metabolizar alguns substratos (polissacarídeos) presentes no leite materno denominados fatores bifidus. Com essa fonte nutricional, esse grupo bacteriano consegue permanecer dominando o terreno durante o primeiro ano de vida do bebê.

Mas nem tudo são flores, nesse conturbado campo de batalha, o leite materno começa a ficar escasso e as bactérias tem que forragear novos alimentos que começam a chegar. Papinhas, frutas e outros alimentos sólidos. E nessa luta quem sai ganhando não são os Firmicutes, nem as Proteobacteria, nem as Actinobacteria. Chegado de surdina, os Bacteroidetes (principalmente as espécies do grupo Bacteroides fragilis) começam a despontar e tornam-se dominantes.

E então, estabelece-se uma situação de calmaria e os 4 grupos principais estabelecem seus domínios. Bacteroidetes e Firmicutes permanecem com significativa participação, enquanto Actinobacteria e Proteobacteria ainda permanecem com direito a uma parte dos domínios do reino…


Apesar da bricadeira, é isso que acontece no nosso intestino ao longos dos primeiros meses de vida. O gráfico abaixo, publicado na Wired (clique na imagem para ampliar) mostra isso de forma bastante clara, além de expor as proporções estabelecidas entre os grupos. E a manutenção dessa proporção é tão importante que alterações parecem estar implicadas em alguns tipos de inflamações intestinais crônicas e até mesmo no agravamento de quadros de obesidade… mas isso é assunto para um outro post!

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