Um bom desaniversário! Pra mim? Sim, sim!

Pouca gente sabe, mas a cena em que Alice chega para o chá de desaniversário da Lebre de Março, do Chapeleiro Maluco e do Camundongo dorminhoco não acontece dessa forma no livro “Alice no país das maravilhas”. Na verdade Alice é apresentada à essa data apenas no capítulo 6 do livro “Através do espelho e o que Alice encontrou por lá”, na cena que reproduzo abaixo:

“Deram-me a gravata”, Humpty Dumpty continuou, pensativo, enquanto cruzava os joelhos e punha as mãos em volta deles, “deram-me… como um presente de desaniversário.”

“Perdão?” Alice perguntou, perplexa.

“Não estou ofendido”, disse Humpty Dumpty

“Quero dizer, o que é um presente de desaniversário?”

“Um presente dado quando não é seu aniversário, é claro.”

Alice refletiu um pouco. “Gosto mais de presentes de aniversário”, declarou finalmente.

“Não sabe do que está falando!” exclamou Humpty Dumpty. “Quantos dias há no ano?”

“Trezentos e sessenta e cinco”, disse Alice.

“E quantos aniversários você faz?”

“Um.”

“E se diminui um de trezentos e sessenta e cinco, resta quanto?”

“Trezentos e sessenta e quatro, claro.”

[…]

“E isso mostra que há trezentos e sessenta e quatro dias em que você poderia ganhar presentes de desaniversário…”

“Sem dúvida”, disse Alice.

“E só um para ganhar presentes de aniversário, vê? É a glória para você!”

Aventuras de Alice no País das Maravilhas & Através do espelho e o que Alice encontrou por lá. Lewis Carroll. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2009.

E o motivo para este post estar aqui é que hoje é um desaniversário muito especial para o Meio de Cultura. Hoje é o primeiro desaniversário do blog após completar seus 2 anos de vida! Sim, o MdC fez aniversário ontem (21/01) e inicia hoje o seu 3º ano!

Recompensas são bem vindas, felicitações também! Mas tenha a certeza que nosso maior presente é ter você, leitor e leitora, sempre nos acompanhando, incentivando e fazendo comentários ou críticas!

Obrigado!

E um feliz desaniversário pra você também!!! 

O que eu queria mesmo era poder fazer um post com aquela frase (muito baranga, por sinal): “O aniversário é nosso, mas quem ganha o presente é você!”. Mas, pelo jeito, vai ficar para uma próxima oportunidade…

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Discussão - 11 comentários

  1. Fabiana disse:

    Samir!!!! Que máximo, adorei! PARABÉNS!!!

    (pra mim, uma simples “letrada”, é um grande presente ter esses importantes microbiologistas professores de medicina químicos bibliotecários da ciência etc etc entre aqueles que eu posso conversar! Achei que nunca teria nada de interessante pra dizer pra vcs, bichinho da terra tão pequeno que eu sou! Mas que nada! Vcs são demais!!)

    Em tempo, outra história: o Karl Ecce Medicus (ele agora virou Karl_MD… :/) implica comigo qdo eu me chamo de letrada, porque acha que to chamando os outros de “iletrados”, mas não é nada disso não, viu? (ele vai implicar de novo, me parafraseando e dizendo que a forma – meu modo de dizer – diz mais sobre o meu conteúdo do que meu próprio conteúdo! :0 Feitiços, feiticeiros, sabe como é… E eu implico com o Karl_MD, parece Racionais_MC!…). Então. Mas isso é coisa da minha mãe, essa história de “letrados”.

    É assim: qdo eu era moleca e queria prestar Letras, todo mundo achava que Letras não prestava, sabe? Então minha mãe, preocupadíssima com o futuro da cria, resolveu me levar para ver o que era a Faculdade de Letras da USP. Naquele tempo, a Letras estava “sem-teto”, os alunos tinham aulas nas Colméias do CRUSP, sem luz direito, com goteiras cachorros gatos livros mofados… Essas coisas. Então ela me levou lá, pra ver tamanho horror!!! E dizia: “é isso que vc quer pra vc?? Olha só se tem jeito de se estudar assim??” Eu olhei pra ela e perguntei: “onde é a biblioteca, será?” Entrei na biblioteca, e me embasbaquei… E ela continuava dizendo: “Olha só esses cachorros, essa mistureba, essas lâmpadas caindo…” Eu só virei pra ela e disse: “Olha só essa biblioteca!”
    Pois é: nesse dia, nos corredores abertos e molhados, todos aqueles alunos e professores só falavam, falavam, falavam. Ela virou pra mim e resmungou: “Como falam, esses letrados, não?”

    A minha expressão “letrado” vem daí :)

    Beijos! MUITOS PARABÉNS!!! E obrigada, sim, pelo presente de estar presente :)

    • Samir Elian disse:

      Fabi, Fabi… como responder esse seu comentário?

      Sempre que eu falo algo e você resolve comentar, você sempre vem com uma história interessante (e gigante) para contar! Mal de letrada, pelo jeito – quem liga? Eu ligo… mas ligo porque eu gosto! E no fundo tenho uma pontinha de inveja… Queria ter umas histórias assim pra contar (hehe).

      Nesses últimos 2 ou 3 anos conheci muita gente bacana por aí… E o mais legal, como você falou ali em cima: de áreas diferentes. Às vezes a gente fica com um pé atrás, mas logo vê que é tudo bobagem – e que a gente acaba se completando. Muitas dessas pessoas eu já tive o prazer de conhecer – e já me peguei algumas vezes pensando se isso foi legal, porque tem dias que sinto uma saudade grande dessas pessoas… geralmente chego à conclusão que é melhor ter saudade do que não ter nada.

      Quando, imaginaria eu, que eu ia achar alguém na minha TL que fosse gostar de Pinóquio!! Ou que iria me fazer surgir uma vontade (ainda que pequenina – ou, ainda bem pequina) de tentar reler São Bernardo, quando, alguns segundos antes, prometi e disse com todas as letras que eu jamais faria isso de novo?

      Vou aceitar os parabéns, e digo mais Fabi… obrigado por ser uma pessoa que mal entrou na minha vida e já deixou uma marca bem forte. =D

      Um abraço bem apertado,
      S.

      • Fabiana disse:

        Samir,

        Muito obrigada – e muito, muito honrada – pelo seu comentário! :)

        Vou mencionar aqui o filósofo e crítico da cultura Walter Benjamin, citando de lembrança, viu?, que emprestei meu livro pra uma “criatura” que eu adoro, então ta em muito boas mãos! :), e eu to no Mato Grosso, né? :)

        Então. Diz lá o Walter Benjamin, num certo texto, que a capacidade de narrar, hoje muito esquecida, diz respeito à capacidade humana de intercambiar experiências. Acho que é por isso que eu gosto tanto de contar histórias…

        E aí já vou engatando uma outra. Só mais uminha, ta? Defendi meu doutorado sobre 5 romances em perspectiva comparada – loucuras de “letrados”, sabe como é? 600 páginas! De tese!
        Bem. No dia da defesa, naquela hora… digamos… delicada…, um dos arguidores me perguntou de repente: por que romances? Afinal, qual a sua predileção por esse gênero, quando poderia ter trabalhado com contos, já que meus dois autores, Guimarães Rosa e Luandino Vieira, este de Angola, foram também grandes contistas?
        Sabe qual foi minha resposta? “Não sou mulher de ‘ficar’… Gosto de relacionamentos longos.” E é assim com romances, né? Eles te acompanham a todos os lugares, por muito, muito tempo. Contos não. São do tipo “one-night-stand”. Né? :)

        Simplesmente amo todas as histórias!

        Muito obrigada de novo, viu?
        um beijo grande.

  2. Renato Pincelli disse:

    Caro Samir,

    Meus parabéns pelo seu blogoversário!

    Aceite este humilde presente de Robert Louis Stevenson: http://scienceblogs.com.br/hypercubic/2010/08/um-aniversario-de-presente/

  3. Pow, nem um bolinhow
    http://cakecentral.com/gallery/1642956/bacteria-cake
    ———

    Parabéns.

    []s,

    Roberto Takata

  4. Vanessa Lima disse:

    Adoro o blog!
    Parabéns…

  5. Sibele disse:

    Ahhhh! Sam, ainda bem que é DESaniversário! Assim meus parabéns atrasados ainda valem, certo? :P

    Vida longa ao Meio de Cultura! VIVA!!! \o/

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. (*) Campos obrigatórios.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM