Meu amigo Murphy #divãdapós

Nunca gostei de café (vejo caras de espanto)… Aí quando passei no mestrado juraram que essa minha aversão passaria e que o café se tornaria um grande amigo… Isso nao aconteceu. Muito pelo contrário, inclusive!

Tentaram instaurar esse ano no lab a prova do café para a entrada e permanência dos alunos de pós-graduação. Usei como argumento o princípio jurídico da irretroatividade das normas e venci a discussão (yeah!!).

Pois bem… Ao contrário do café que continua meu inimigo (acho que exagerei, talvez pudesse falar apenas em desafeto), quem, por outro lado, tem se aproximado muito de mim, é o Murphy... Ele já era meu conhecido de longa data, mas nos últimos tempos praticamente nos tornamos ~melhores amigos~.

Sempre me gabei de ser um dos poucos do lab que fazia coloração de Gram sem luvas ou jaleco, e mal mal manchava a ponta dos dedos… Aí veio Murphy e me fez descobrir que às vezes minhas mãos são Gram-positivo (quando ficam coradas de roxo pelo cristal violeta) e outras Gram-negativo (quando se coram de vermelho pela safranina). Pois bem, passei a usar as tais luvas… Mas como Murphy não consegue ficar longe de mim começaram a aparecer manchinhas roxas e vermelhas nas minhas roupas. A solução foi usar o jaleco sob as ~agradáveis~ temperaturas do lab… Pois bem, acho que deixei Murphy furioso com o uso do jaleco e, agora, estou com meu tênis “safranizado”.

Não bastasse isso, ia começar há algumas semanas um experimento. Mas acabei me esquecendo de arrumar alguma distração pro Murphy, ele então foi lá e não deixou minha bactéria crescer e quando cresceu, contaminou com outra…

Depois de muito custo, consegui recuperar minha bactéria… Foi a vez dele, então, me trollar fazendo com que a morfologia da minha bactéria modificasse e me deixasse surtado por uma boa semana, achando que tinha jogado 3/4 do meu mestrado no lixo trabalhando com a bactéria errada.

Não bastasse isso, fui ajudar uma colega de laboratório com o experimento com os animais isentos de germes. Esses animais precisam de um cuidado todo especial para não se contaminarem com outras bactérias, por exemplo, do ar ou da pele do manipulador. Para isso usamos luvas estéreis, uma salinha específica e fechada para evitar fluxo de ar, touca, máscara, jaleco limpinho (às vezes descartáveis e estéreis também)… Algo mais ou menos assim, ó:

A cara é de mau, mas sou bonzinho ^.^”

Além disso, ração e água são esterilizadas e as gaiolas, além de estéreis, são fechadas com tampas que possuem filtros para impedir a entrada de microrganismos do ar. Então, para garantirmos a esterilidade dos animais (ou que só as bactérias que nós inoculamos estejam presentes) e, portanto, a confiabilidade dos resultados, fazemos coleta de fezes dos animais da gaiola e colocamos em meio de cultura para ver se há crescimento… Pois é, Murphy… você quase conseguiu nos enganar, mas fomos mais espertos e você não conseguiu estragar nosso experimento.

Me falaram que tudo o que aconteceu, aconteceu porquê a pós graduação é como uma montanha russa… outros falaram que é normal ter esses surtos e entrar em crise no final do mestrado… alguns ainda jogaram a culpa na macumba (linda! sério!! olha a foto!) que eu peguei outro dia na porta da minha casa…

A primeira macumba a gente nunca esquece… e tira foto pra postar no blog! E não é que ela era bonitinha!?

Mas no fundo eu sei: é tudo culpa do meu ~amigo~ Murphy…

 

ps1: esse post foi publicado com algumas várias semanas de atraso. Hoje posso dizer que meu tênis que era jeans preto-desbotado, agora é um jeans cinza-quase-branco-desbotado.

ps2: nunca escrevi um texto com tantos “tils irônicos” na minha vida. ~Essa é a informação mais relevante desse post~.


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Discussão - 6 comentários

  1. Helder disse:

    HAHAHA
    Tem até macumba nesse post! Ta faltando o quê? Só os benditos resultados… :(

  2. Natália disse:

    Murphy deveria ser tombado como patrimônio de qualquer programa de pós-graduação (e de graduação também, please, já que eu ainda me encontro nesse grupo pouco seleto de sofredores).
    Força na peruca, meu querido!

  3. João Carlos disse:

    Tem certeza de que não foi você mesmo quem arriou a macumba?… Se não foi você, foi alguém com boas intenções: o trabalho é direcionado para Oxalá e, como tal, tem “boas vibrações” (palavra de macumbeiro)

    • Samir Elian disse:

      João,
      sabe que a gente até chegou a pensar que fosse trabalho “pro bem” mesmo… pq depois desse dia veio uma onda de coisas muito boas pra nossa família! – e até mesmo meus problemas com o experimento foram coisas que se resolveram…
      Se foi coincidência ou se o trabalho funcionou eu não sei… é aquele negócio: “no creo en las brujas, pero que las hay, las hay”.

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