Dando descarga em mais um mito?

ResearchBlogging.orgNós temos cerca de 100 trilhões (1014) de células no nosso corpo. Dessas, 10 trilhões (1013) seriam células humanas mesmo, o restante seria de células bacterianas, a famosa proporção de 10:1. Essas bactérias fazem parte da nossa microbiota indígena , inclusive já falei disso aqui no blog, veja o post “100 trilhões ‘delas’ em nós”. Esses valores foram estimados em 1972, pelo microbiologista Thomas Luckey e continuam sendo, até hoje, divulgados na comunidade científica

Acontece que cientistas de Israel e do Canadá submeteram um artigo [que encontra-se em revisão e cujo manuscrito encontra disponível nos servidores do bioRxiv], praticamente dizendo:

 

ESQUEÇAM ESSE MITO!
A PROPORÇÃO É DE CERCA DE 1:1

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[A gente sabe que é Thomas Lukey, e não o Luke Skywalker… mas ficou legal, vai!]

Os autores dizem que um homem padrão (70 kg, 20-30 anos, 1,70m) possui cerca de 30 trilhões de células humanas e cerca de 39 trilhões de bactérias. Claro que esses números variam, pessoas podem ter muito mais ou menos bactérias, o dobro, por exemplo. Mesmo, assim, esses valores estão longe, bem longe da razão de 10:1 que nós adotamos.

Essa alteração nas taxas possui um efeito tão significativo que os autores concluem o resumo do artigo dizendo que “os números são tão parecidos que a cada evento de defecação pode alterar a razão em favor das células humanas sobre as bactérias”.

Para chegar a essa conclusão, os autores do trabalho fizeram uma revisão de trabalhos recentes relacionados ao tema para calcularem os novos valores estimados de células e o volume de cada órgão.

O que eles concluíram, em relação as células humanas, pode ser visto na figura abaixo:


Apresentação1

 

Estimativa de T. Luckey (1972): Para estimar os valores das células bacterianas no nosso intestino, os autores consideraram a média de 1011 bactérias em cada 1g de fezes e correlacionaram esses valores ao volume total do trato gastrointestinal (da boca ao ânus), que seria de 1L. Assim, os valores seriam de 1014 (100 trilhões) bactérias no trato gastrointestinal. O valor de 1013 células humanas é citado como tendo fonte desconhecida.

Estimativa de Stender et al (2015): Neste atual trabalho, os autores consideram o fato de que a maioria das bactérias residentes no nosso corpo estão localizadas no cólon (o chamado intestino grosso, que possui um volume de cerca de 0,4L. O que daria cerca de 4 x 1013 (40 trilhões) células bactérias. Ao colocar esse valor na proporção, junto ao número de células humanas encontradas pelos autores (3 x 1013, 30 trilhões) temos a proporção de 1,3:1.

A comparação entre as estimativas pode ser vistas na figura abaixo:

 


Apresentação1

 

Como disse lá em cima, esse trabalho ainda encontra-se sob revisão… Outros pesquisadores da área estão avaliando a acurácia dos novos dados…

  • Como será que a comunidade científica vai reagir a essa significativa alteração de valores?
  • Será que conseguiremos entender melhor como a relação da microbiota e nosso corpo?
  • O que é necessário para causar uma disbiose (alteração no equilíbrio entre a microbiota e seu hospedeiro) pode ser muito mais sutil do que imaginamos atualmente?
  • Será que é justo considerarmos plaquetas e hemácias como “células” (elas não têm núcleo, por exemplo)? Nesse caso, haveria apenas cerca de 3 ou 4 trilhões (3 ou 4 x 1012) de células nucleadas um ser humano padrão, o que faria a proporção permanecer em 10:1 – como deixou escrito na pagina da nature um leitor.

 


 

Alison Abbott (2016). Scientists bust myth that our bodies have more bacteria than human cells Nature : 10.1038/nature.2016.19136

Ron Sender, Shai Fuchs, & Ron Milo (2015). Revised estimates for the number of human and bacteria cells in the body bioRxiv DOI: http://dx..org/10.1101/036103

Quanto mais queijo…

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Já dizia aquela famosa falácia lógica

Considere um queijo suíço… um daqueles cheios de buracos.
Quanto mais queijo, mais buracos.
Onde há buracos deveria haver queijo.
Assim, quanto mais buracos, menos queijo.
Quanto mais queijo, mais buracos; e quanto mais buracos, menos queijo.
Logo, quanto mais queijo, menos queijo.

Acontece, porém, entretanto, contudo, todavia, que, nos últimos anos, essa falácia tornou-se ainda mais falaciosa. O motivo? Os queijos suíços estão ficando com menos e menores buracos… logo, com mais queijo do que antes!

Queijos suíços de diversos tipos como Emmental, Gouda, Appenzeller e Tilsit são famosos por apresentarem buracos em sua estrutura. O número, o tamanho, a forma e a distribuição desses buracos pelo queijo são importantes parâmetros para se avaliar a qualidade desses queijos. A formação dos buracos nos queijos suíços é devida à fermentação do ácido propiônico durante o processo de maturação. Esse processo envolve a conversão do lactato em propionato, acetado e gás carbônico.

Há mais de um século a formação das olhaduras (esse é o nome técnico) atrai a atenção dos cientistas. Antes mesmo da descoberta dos processos de fermentação como importante fontes de produção de gás à ação das bactérias era creditada a formação de gás e, consequentemente, daquelas estruturas. Uma dúvida, porém, ainda pairou por muito tempo: diversos experimentos mostravam que todo o queijo possuía consideráveis quantidades de gás carbônico, então o que permitiria que algumas regiões do queijo favorecessem a formação de bolhas de gás!? Várias hipóteses foram citadas, mas “a identificação da natureza do núcleo da olhadura permaneceu como uma questão não-resolvida” (a frase é tão bonita que tive que citar como no artigo).

Acontece que, com a modernização dos processos e aplicação de novas práticas e técnicas da ordenha à maturação, bem como na avaliação das propriedades dos queijos começou-se a observar que os buracos estavam com tamanho reduzido.

O que acontece é que pequeninas partículas de feno caíam no leite cru e essas partículas que possuem uma estrutura capilar (veja a foto abaixo) possibilitam a captação e difusão do gás carbônico do corpo do queijo, formando, então os núcleos das olhaduras!

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Assim, nas últimas décadas, com a substituição da ordenha tradicional no estábulo com baldes de leite pelos sistemas de ordenha mecanizados em ambientes separados, fechados e limpos; além da aplicação de filtros com poros estreitos nesses sistemas de ordenha resultaram numa queda drástica das micropartículas de feno no leite cru.

Dessa forma, para que os suíços possam novamente brincar dizendo que “quanto mais queijo, menos queijo” (eles dizem isso!?), há a necessidade de adicionar ao leite micropartículas sólidas micropartículas sólidas que atuem como núcleo de olhaduras.


um pouquinho da teoria…

As bactérias do ácido propiônico (gênero Propionibacterium) foram descobertas no queijo Emmental, e são responsáveis não apenas pela produção do CO2 que leva à formação das olhaduras, bem como pela produção do ácido propiônico que é, em parte, responsável pelo gosto característico desse queijo. Elas são bactérias Gram-positivas anaeróbias e que fermentam ácido lático (lactato) e produzem primariamente, ácido propiônico, ácido acético e CO2 (veja a figura abaixo).

Fermentação do ácido propiônico

A utilização do lactato é de grande interesse uma vez que esse é o produto final da fermentação de diversas bactérias (dentre elas os estreptococos e os lactobacilos). O processo ocorre então da seguinte forma: as bactérias dos gêneros Steptococcus e Lactobacillus, que são homofermentadoras são responsáveis pela fermentação inicial da lactose em lactato – esse processo acontece durante a formação da coalhada. Após esse processo, quando o queijo é deixado para maturar, as propionibactérias conseguem se desenvolver e utilizam o lactato como fonte de energia. Por utilizar como substrato um produto resultante de um processo fermentativo, o processo realizado pelas propionibactérias é chamado de fermentação secundária.

Considerando isso, os pesquisadores suíços fizeram diversos queijos experimentais do tipo Emmental. Para isso eles coletaram o leite da forma como eles são coletados atualmente (utilizando ordenhadeiras automáticas e filtrando o leite em membranas com poros de 100 µm). O leite cru foi inoculado com Streptococcus thermophillus e Lactobacilus delbrueckii e após um pequeno intervalo de tempo, a cultura de Propionibacterium freudenreichii foi adicionada. A partir desse momento, foram feitas 8 variações do queijo: o controle e 7 variações nas quais foram adicionadas diferentes concentrações de pó de feno.

Mas de onde eles tiraram a ideia do pó de feno?

Como falei lá em cima, desde o início de século passado pipocavam hipóteses para explicar a localização das olhaduras. Algo que há muito se sabe é que essa localização não está relacionada ao crescimento bacteriano. O que se propunha era que os olhos surgiam em pontos específicos onde haveria núcleos que favoreceriam a formação das estruturas. A ideia é semelhante à dos núcleos de condensação (como partículas de poeira e fumaça) que favorecem a condensação da água e a formação de nuvens.

A formação dos buracos nos queijos foi monitorada por tomografia computadorizada de raios-X, nos dias 30, 45, 60 e 130 dias após o início do período de maturação do queijo. Na figura abaixo, podemos ver claramente o aumento do tamanho e volume das olhaduras ao longo do tempo.

tempo

A figura abaixo, por outro lado, mostra que os oito queijos fabricados para o experimento tiveram suas olhaduras influenciadas (quantidade e volume das mesmas) pela concentração de pó de feno adicionada.

influencia da concentracao

Assim, as partículas de feno (que são os vasos do tipo xilema) atuam como núcleo da olhadura, por aprisionarem o gás produzido até formarem essas estruturas.

 


REFERÊNCIAS

Guggisberg, D., Schuetz, P., Winkler, H., Amrein, R., Jakob, E., Fröhlich-Wyder, M., Irmler, S., Bisig, W., Jerjen, I., Plamondon, M., Hofmann, J., Flisch, A., & Wechsler, D. (2015). Mechanism and control of the eye formation in cheese International Dairy Journal, 47, 118-127 DOI: 10.1016/j.idairyj.2015.03.001

Madigan MT, Martinko JM, Bender KS, Buckley DH, Stahl DA. Brock Biology of Microorganisms. 14th ed. Pearson Education, 2015.


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sendo cientista até na hora de criar a senha do email

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Geralmente usamos a mesma senha pra tudo… Quando não é isso, geralmente é uma recombinação de senhas… quase um crossing-over!

E quando o desafio é criar uma nova senha!?

DESESPERO!!! (e não é dessa Desespero aí do lado que eu tô falando não)

O que fazer…?

Aniversário? Nome da cachorrinha? A primeira namorada? Um personagem de livro? Colocar letras maiúculas? Quais? Números e símbolos? Em qual posição?

O que Ricki Lewis (do blog DNA Science) sugere é usarmos o nosso código genético para criarmos novas senhas… Quatro letrinhas A, C, U e G. (ou T, mas aqui estamos falando dos códons de mRNA e, daqui a pouquinho, de aminoácidos). São possibilidades quase sem fim de combinações.

A geneticista já usa essa técnica há alguns anos, quando um colega pediu que ela criasse uma senha: alfanumérica, com mais de 7 números ou letras, e que fosse óbvio para ela, e não para outras pessoas… O código genético se encaixa aí! Algo geralmente aleatório para pessoas leigas, mais com sentido próprio para biólogos (e afins).

O código genético gera 64 combinações entre as bases (sendo, 61 códons que relacionam diretamente com os 20 aminoácidos, e mais 3 códons de parada). Ele é compartilhado por todas as formas de vida que conhecemos. Sejam humanos, plantas, protozoários, um macaco, uma lesma, ou mesmo uma bactéria, um fungo ou um vírus. Ele foi desvendado na década de 1960 e é essa universalidade que permite, dentre outras, as técnicas de transgenia e as novas aventuras nas quais a biologia sintética (veja mais detalhes no nosso vizinho, o SynBio Brasil).

Então… a ideia é juntarmos os 64 códons (3 das 4 letrinhas: A, C, U, e G) além dos nomes e códigos de 1 e 3 letras dos 20 aminoácidos. Vixe! Complicou? Vamos com calma então…

 

1. Esta é a tabelinha do código genético… só escolher as três letrinhas do centro para fora e pronto! Temos o código e o nome do aminoácido correspondente!

Codons_aminoacids_table

 

2. Essa é a tabelinha que relaciona cada um dos aminoácidos a seus códigos de 1 e 3 letras

iGen3_06-02_Figure-Lsmc

 

Abaixo, algumas sugestões de senhas! =)

 

Históricas

• A ideia aqui é usar as sequências utilizadas por Marshall Nirenberg e Heinrich Matthaei nos experimentos que elucidaram o código da vida! Eles criaram mRNA sintéticos e curtos com sequências únicas e observaram quais aminoácidos eles correspondiam… por exemplo uma sequência de UUU levava ao aminoácido fenilalanina (phe), uma de AAA à lisina (lys) e, CCC à prolina (pro). Pronto! Primeira dica de senha: UUUpheAAAlysCCCpro

• O primeiro co-polímero sintetizado foi uma dupla de fenilalanina-isoleucina. Segunda dica: UUUAUApheile

 

Aleatórias

• A ideia aqui é pegar sequencias aleatórias de códons e seus respectivos aminoácidos. Por exemplo: CUGleuAAUasnGUAval

 

Pontuação

• O processo de tradução tem um código de início (start) que é indicado por uma metionina (met) com sequencia AUG… AUGmetSTART

• E tem três códigos (UAG, UAA, UGA) que indicam o término da sequência (STOP)… que tal uma senha: UAAUAGUGASTOP

 

Propriedades químicas da cadeia lateral dos aminoácidos

Antes, vamos entender bem simplificadamente a estrutura de um aminoácido para entender o que é a cadeia lateral.

aminoacido

• Presença de enxofre: AUAmetUGUcys

• Anéis: CCUproline; UAUtyrosine

• Simples: GGUglycine; GCAalanine; AGCserine

 

Sinonímia

• Uma das propriedades do código genético é que ele é degenerado, ou seja, alguns aminoácidos podem ser codificado por mais de um um códon. Como por elexemplo a leucina e a alanina: CUUCUCCUACUGleu GCUGCCGCAGCGala

 

Associações com doenças

• Síndome de Ehlers-Danlos (arginina substituindo uma cisteína na posição 134): Arg134Cys

• Doença de Huntington: CAGglnx36HD

• Oncogene p53: UGAACAGUAp53

 

Dicas dadas, use por sua conta e risco!

Lembrando que: se você trabalha com uma mutação específica, não é muito inteligente usá-la como senha… e, apesar do código genético ser degenerado, o campo de senha ainda não é capaz de reconhecer essa propriedade, ou seja se você colocou uma prolina como CCA, um CCG ali nunca vai funcionar.

 

 

Este post foi derivado da postagem original publicada no PLOS Blogs|DNA Science, no dia 18/12/2014

sobre o meu dia do biólogo…

Tudo bem que hoje já é praticamente amanhã… Mas o dia 03 de setembro é geralmente um dia que geralmente passaria como mais um dia comum como qualquer outro se não fosse um aviso sonoro apitando às 23h do dia 02 de setembro me lembrando: DIA 03 DE SETEMBRO – DIA DO BIÓLOGO.

Sim. Eu sou tão desprendido com datas, que do meu aniversário, ao aniversário da minha mamãe (espero que ela não esteja lendo isto) eu coloco lembretes anuais para não me deixarem olvidar tais datas. Acontece, porém, que não gosto que as pessoas não se lembrem que hoje é o dia do biólogo… Então eu faço a minha parte!

A primeira coisa a fazer foi abrir um grupo de whatsapp e, antes mesmos do bom dia deixar escapar um…

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No outro grupo, fui me empolgar, troquei a “?” por uma “!”, e acabei causando foi uma situação constrangedora com a biomédica do grupo… Mas ao menos ganhei meus parabéns!

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Hoje, ainda, resolvemos comemorar os aniversários de agosto e setembro do nosso laboratório! Claro que não deixei barato (onde lê-se proa, leia-se pros, e ignorem a falta de pontuação)

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E claro, não podia deixar de mandar uma mensagem pra minha mamãe!

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E mamãe respondeu… No facebook… Por mensagem privada, mas no facebook… E foi uma mensagem tão linda… *_______*,

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E assim foi mais ou menos o meu dia do biólogo… Espero que o de vocês tenha sido divertido como o meu :)

entre aspas: Carl Sagan

estou lendo o livro “o mundo assombrado pelos demônios”, do carl sagan, depois de algumas tentativas frustradas no passado. Acho que ainda não era a hora e agora estou lendo e adorando o livro. uma das coisas interessantes da experiência de leitura foi poder ver as alterações dos trechos iniciais que achei que deveriam ser marcados… não é o momento ainda de falar dessas citações, mas tem uma que não podia deixar de citar aqui:

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ele faz essa citação no final do capítulo 7, após passar alguns capítulos questionando as descrições de encontros com alienígenas e seres de outras dimensões/divinos.

e é um ótimo momento pra relembrar um post antigo aqui do blog: maravilhas microbianas


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Ajude a salvar vidas… é simples: lave as mãos!

Hoje, dia 05 de Maio de 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) celebra sua campanha para higienização das mãos.

Com o lema: “SALVE VIDAS: limpe suas mãos” (SAVE LIVES: clean your hands), a OMS propõe que que se não agirmos logo, e de forma simples, a disseminação de microrganismos resistentes pode chegar a ter consequências ainda mais graves no futuro (bem próximo)!

A campanha é voltada principalmente para profissionais da saúde, mas que também pode e deve ser levada em consideração por outros segmentos da sociedades como escolas, restaurantes – e todos nós, na verdade.

A ideia baseia-se na premissa simples de se evitar a contaminação cruzada que tanto ocorre no ambiente hospitalar e é responsável por ajudar a mantar os microrganismos em circulação naquele ambiente. Um esquema de rotas de transmissão cruzada está representado abaixo:

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Figura traduzida do artigo: Arias CA, Murray BE. (2012). The rise of the Enterococcus: beyond vancomycin resistance. Nature Reviews Microbiology, 10:266-278.

A proposta campanha propõe 5 pequenos passos para mudar o mudo
5maioA

Os cuidadores devem lavar as mãos:

1. Antes de tocar o paciente.

2. Antes de procedimentos de limpeza e assepsia do paciente.

3. Após a exposição a fluidos corporais do paciente.

4. Após tocar o paciente.

5. Após tocar os entornos do paciente.

5maioD

Sempre que cito esse assunto, gosto de falar de um post de o Karl (do blod Ecce Medicus, aqui do SbBr): “Infecções e seres humanos”. Ali ele apresenta as taxas de infecções de corrente sanguínea (ICS) que uma UTI de um hospital de São Paulo que apresentou um período no qual as taxas de ICS chegaram a zero. E o que causou essa redução!? A melhoria da higiene das mãos dos profissionais da saúde durante o surto de influenza A H1N1.

Como falei no último post do blog, sobre o VRSA: “Ela está entre nós!” e nas edições 11 e 12 do #Scicast sobre superbactérias, não é para entrarmos em pânico. Mas o estado de alerta está aí e não pode ser ignorado. Eu não acredito que vamos vencer a luta se combatermos de frente com essas bactérias, mas se agirmos com cautela, podemos ter resultados a longo prazo mais positivos.

5maioCCartaz do CDC (orgão estadunidense semelhante à ANVISA) incentivando as pessoas a lavarem as mão após saírem do banheiro, afinal, “1 trilhão de germes podem viver em 1g de cocô”.

 

 

Ela está entre nós! Descrição brasileira de uma superbactéria rara

Palavrinhas iniciais…

Vamos falar de coisa boa!? Vamos falar de… ehhhr… Bem que eu gostaria de começar o post assim, mas infelizmente, depois de um tempinho parado, estou voltando para um noticia que não apenas é ruim, como é bastante preocupante.

Em janeiro, participei de um podcast sobre Superbactérias (que, não, não são de Kripton). Foram as edições 11 e 12 do #Scicast (que você pode ouvir aqui e aqui) e esses episódios são uma boa introdução para o que vamos falar hoje aqui… Além disso, já comentamos aqui várias vezes sobre bactérias resistentes a antibióticos e como elas adquirem e passam pra frente essa resistência.

 

Vamos começar…

ResearchBlogging.org Já se fala há algumas décadas do MRSA, siga em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina. A meticilina é um antibiótico e essa resistência torna o MRSA uma bactéria difícil de ser tratada, e uma das poucas opções para o tratamento de infecções pelo MRSA é o antibiótico vancomicina.

Acontece que existem bactérias resistentes à vancomicina, dentre elas, o VRE, sigla em inglês para Enterococcus resistente à vancomicina, merece destaque. Isso principalmente porque os enterococos tem uma grande facilidade para transmitir e receber genes de resistência.

Acho que a partir daí já começa a ficar claro o tema do post de hoje… A tranferência da resistência à vancomicina para estafilococos foi descrita pela primeira vez em 2002 nos Estados Unidos e, desde então, outros pouquíssimos casos por lá, além da Índia e do Iraque, foram descritos. A perda da vancomicina como possibilidade de tratamento dessas bactérias faz com que o tratamento do MRSA torne-se mais difícil e bm mais caro.

Na última quinta-feira (dia 17/04/14), a revista “The New England Journal of Medicine” publicou um artigo que relata o primeiro caso de um VRSA no Brasil. VRSA?! Sim, um Staphylococcus aureus resistente à vancomicina.

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Como tudo aconteceu?

Em Novembro de 2011, um paciente masculino de 35 anos foi admitido em um hospital paulistano, e apresentava micose fungoide (um tipo de lifoma de pele), vício em cocaína, diabete mellitus, além de depressão e recente tentativa de suicídio. Ele desenvolveu um quadro de celulite na perna e foi tratado com antibióticos, sendo liberado em Fevereiro de 2012.

Aqui precisamos abrir parênteses:
A celulite que estamos falando aqui é uma doença infecciosa bacteriana, que atinge a pele e os tecidos adjacentes e é causada por diferentes bactérias, sendo a mais comum o estreptococo – nesses casos, a bactéria produz enzimas que ajudam na sua disseminação pelo tecido. Ela também pode ser causado por estafilococos, mas apresenta área de extensão mais reduzida. A outra celulite é um acúmulo de gordura e tecido fibroso sobre a pele, e não tem nada a ver com esse post.
Aqui fechamos nossos parênteses.

Em Junho de 2012, foi readmitido no hospital. Ele apresentou uma piora no quadro psiquiátrico e, não bastasse isso, apresentou reincidência do quadro de infecções de pele e tecidos moles e foi novamente tratado com antibiótico. Um pouco do sangue foi coletado e plaqueado em meio de cultura para ver a presença de bactérias no sangue (chamamos isso de hemocultura), e não houve crescimento (hemocultura negativa). O paciente continuou internado, devido à quimioterapia para tratar do câncer de pele

Em Julho de 2012, o paciente começou a apresentar febre recorrente e foi tratado com antibiótico (dentre eles vancomicina). Dessa vez a hemocultura deu positiva para MRSA. A antibioticoterapia foi alterada (teicoplanina) e, em Agosto, quando o antibiótico foi retirado, a febre retornou. A hemocultura foi positiva para dois diferentes isolados de MRSA sendo, um deles, ainda, resistente à teicoplanina e à vancomicina (além de eritromicina, clindamicina, ciprofloxacina, gentamicina, trimetoprima-sulfametoxazole). O paciente foi então isolado, foi iniciado um tratamento com daptomicina e foi realizada uma cultura de swab retal, que deu positiva pra VRE. [swab ou zaragatoa é um instrumento estéril, semelhante a um cotonete, utilizado para a coleta de secreções e amostras]. Após algumas semanas, diversas complicações associadas a múltiplas infecções, o paciente veio a óbito.

A figura abaixo, retirada do artigo, resume e esquematiza curso clínico apresentado acima.

 

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O que os pesquisadores fizeram com esse VRSA?

A primeira coisa foi estabelecer a relação entre os dois isolados de MRSA, que vamos passar a chamar de S. aureus sensível (VSSA) e resiste (VRSA) à vancomicina. E eles observaram que eles possuem um perfil genético semelhante, sugerindo que a seleção ocorreu in vivo, durante a administração dos glicopeptideos (vancomicina e teicoplanina) e dos outros antibióticos.

O VRSA, porém, apresentou um plasmídio que VSSA não possuía. Esse plasmídio, foi denominado pBRZ01 e possui os genes que conferem a resistência à vancomicina (vanA e outros) e à gentamicina (acc(6’)-aph(2”)). O VRSA, porém, apresentou taxa de crescimento semelhante a do VSSA, sugerindo que o plasmídio não afeta o fitness da linhagem resistente.

A análise mais a fundo desse plasmídio mostrou que ele sofreu alterações genéticas importantes no transposon Tn1546 (que carreia os genes de resistência à vancomicina), além de que a comparação da seqüência desses genes indicam que a origem desses genes é enterocócica – sem, entretanto, terem sido originados do isolado de VRE do swab retal. Eles chegaram a essa conclusão por meio de experimentos que mostraram que o VRE era incapaz de transferir o plasmídio para outros enterococos ou estafilococos.

 

Precisamos entrar em pânico?

Pânico não… Mas ficar preocupados, sim!

Geralmente as linhagens multirresistentes são restritas a hospitais, principalmente, porque é comum terem uma taxa de replicação mais lenta, o que as deixam com vantagem competitiva apenas em situações que envolvem pacientes com saúde comprometida e que estão sob terapia antimicrobiana.

Essa linhagem brasileira de MRSA, porém, além de ter origem na comunidade, não ficou em desvantagem após a aquisição do plasmídio… É aqui que está o ponto que merece atenção! Uma bactéria dessas tem um elevado poder de disseminação, pois tem capacidade comoetitiva com outras bactérias da comunidade, não precisando do ambiente hospitalar e de um paciente com saúde comprometida para poder colonizá-lo.

Nesse caso que apresentamos aqui, o paciente foi identificado e isolado como medida de segurança para evitar a disseminação da bactéria pelo ambiente hospitalar e, consequentemente para a comunidade.

Apesar de serem raros e restritos os casos descritos, isso não é motivo para descuidar. Muito pelo contrário, deve servir de alerta para o uso incorreto de antibióticos e para o cuidado da equipe médica para evitar a transmissão interna e para fora do hospital.

 

Referência

Rossi, F., Diaz, L., Wollam, A., Panesso, D., Zhou, Y., Rincon, S., Narechania, A., Xing, G., Di Gioia, T., Doi, A., Tran, T., Reyes, J., Munita, J., Carvajal, L., Hernandez-Roldan, A., Brandão, D., van der Heijden, I., Murray, B., Planet, P., Weinstock, G., & Arias, C. (2014). Transferable Vancomycin Resistance in a Community-Associated MRSA Lineage New England Journal of Medicine, 370 (16), 1524-1531 DOI: 10.1056/NEJMoa1303359

um gigantesco pequeno detalhe…

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Pandoravirus: um gigantesco pequeno detalhe que pode alterar por completo nossa concepção sobre os domínios da vida.

Bactérias são pequenas, muito pequenas (tão pequenas quanto dividir 1mm em 100.000 partes – micrometros). Quando falamos em vírus, esperamos organismos que sejam tão pequenos quanto 1/100 de uma bactéria – nanometros. Tão pequenos que não conseguimos observá-los ao microscópio convenciona; para isso são necessários microscópios eletrônicos.

ResearchBlogging.org Acontece que pesquisadores descobriram no mês passado (Science 19/07/13) dois novos vírus, bem diferentes do comum… não só pelo tamanho gigante (umas 1000 vezes maior que um virus comum da gripe, o que permite que você o veja num microscópio convencional — figura 1), mas também por suas características biológicas poderem estar promovendo algumas mudanças no que conhecemos atualmente como domínios da vida.

pandoravirus-microscopia
Figura 1: Pandoravirus salinus e P. dulcis – em fotos de microscopia óptica convencional (MO) e sua ultraestrutura observada em microscopia eletrônica.

A descoberta desses organismos aconteceu quando, após a descoberta dos mimivirus e megavirus nos últimos 10 anos, os pesquisadores comecaram a procurar novos vírus gigantes em amostras de água. Como o próprio nome desses vírus ja diz, um deles P. dulcis foi isolado de um lago australiano e P. salinus da foz do rio Tunquen, no Chile. O interessante de se notar a presença dos vírus em continentes distantes (América e Austrália) é poder estabelecer que as observações iniciais não eram artefatos de células conhecidas e inclusive sugerir que os pandoravirus são generalizados.

No inicio da pesquisa, os cientistas chegaram a pensar que os vírus eram, na verdade, bactérias. Isso aconteceu pois algumas culturas apresentaram multiplicação intracelular de partículas maiores que os maiores megavirus já descritos. Como mesmo com a utilização de antibióticos essa multiplicação continuou, essas amostras foram estudadas mais a fundo, afinal aquelas partículas ali não eram bactérias.

Pandoravirus2
Figura 2: (D) P. salinus internalizado em um vacúolo do hospedeiro, com detalhe (E) para a fusão das membranas do vírus e do vacúolo. (F) Corte de Acanthamoeba (seta verde) com diversos estágios de maturação de P. salinus (seta laranja) em seu citoplasma

Geralmente virus reproduzem-se fabricando seus componentes separadamente e depois juntando-os. Curiosamente, os pandoravirus realizam todos processos simultaneamente, e os novos virus são formados de forma continua, de uma extremidade a outra, num processo que a equipe de cientistas denominou “tricotar” (knitting) – pois o vírus é construído como se fosse uma malha de tricô (Figura 3).

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Figura 3: Imagens de microscopia eletrônica mostrando a síntese continua do ápice à base da partícula Vidal de P. salinus.

Quando falamos sobre o genoma de um organismo, estamos nos referindo a toda a informação genética de um determinado ser vivo.

O ser humano, por exemplo, tem um genoma com 3 bilhões de pares de base (pb), arranjados em 23 pares de cromossomos, que codificam cerca de 30 a 40 mil genes e por volta de 100 mil proteínas. O genoma de P. salinus tem 1,9 milhão pb, enquanto do de P. dulcis tem cerca de 2,5 milhões pb – muito maior do que o maior genoma viral já descrito até então, o do Megavirus chilensis com 1,2 milhão pb.

Um vírus da gripe tem apenas 10 genes, enquanto M. chilensis possui cerca de 1.000; mas os pandoravirus possuem muito mais, atingindo mais de 2.500 genes capazes de codificar proteínas e enzimas ainda com funções desconhecidas.

O grande impacto da descoberta desse novo e misterioso virus gigante, porém, não é devido a histeria por um surto de uma nova doença… mas por motivos muitos mais amplos e filosóficos que englobam as origens da vida na Terra. Talvez o mais surpreendente seja o fato de que 93% dos mais de 2.000 genes dos pandoravirus não pode ser pareada com qualquer linhagem conhecida na natureza. Em outras palavras, são genes completamente novos, o que faz desses vírus algo muito diferente do que estamos acostumados, levando os cientistas a proporem um quarto domínio para acomodar esses organismos na árvore da vida.

Assim, ao contrário de Pandora que abriu a caixa e liberou todos os males do mundo, e deixou presa a esperança, os pandoravirus não fazem mal aos seres humanos [até que se prove o contrario]. O que temos observado é que esses vírus gigantes são geralmente encontrados em ambientes aquáticos e infectam amebas, mas ainda temos muita coisa pra aprendermos sobre a biologia desses seres.


Philippe N, Legendre M, Doutre G, Couté Y, Poirot O, Lescot M, Arslan D, Seltzer V, Bertaux L, Bruley C, Garin J, Claverie JM, & Abergel C (2013). Pandoraviruses: amoeba viruses with genomes up to 2.5 Mb reaching that of parasitic eukaryotes. Science, 341 (6143), 281-286 PMID: 2386901823869018>

entre aspas: Marcelo Gleiser

gleiser

“Essa história de que ciência é coisa de nerd é besteira, ciência é legal e pra todos, basta ter interesse em aprender.” 

“Não use Deus para acobertar sua ignorância… se quer acreditar nEle, tudo bem, mas acredite por outros motivos”

O  físico Marcelo Gleiser ministrou uma palestra hoje na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Eu não estive lá, mas a Marcinha, minha amiga estava, e registrou essas duas frases que ele disse durante a paletra.

SOU EU, TAMBÉM, SAINDO DA INÉRCIA! [post em atualização por tempo indeterminado]

Na segunda-feira (17/06, que talvez seja futuramente conhecida nos livros de história como segunda-feira branca) resolvi, como muita gente, sair da inércia e não só apoiar o movimento, como participar do mesmo. Parecia que as coisas conspiravam contra minha participação… eu não estava em BH, e a estrada que ligava Sete Lagoas à capital mineira estava fechada desde a manhãzinha pois moradores de Ribeirão das Neves fecharam os dois sentidos da BR-040 para protestarem (e depois parece ter havido um acidente). O jeito foi vir pra BH pela MG-424, que estava lenta pra caramba. Resultado, minha viagem que deveria durar 1h15 terminou durando quase 2h30.

Em BH, a reunião foi marcada para a Praça 7. Ponto de referência no centro da cidade (cruzamento de duas das principais avenidas: a Amazonas e a Afonso Pena). Quando consegui chegar lá, a marcha ja tomava o elevado rumo à Av. Antônio Carlos (principal ponto de acesso ao Mineirão), achei que nunca encontraria meus amigos no meio de tanta gente… mas os encontrei!

amigos

Eu, o Rafa e a Vanis… De cara pintada e marcando presença na passeata!

E seguimos juntos, o restante dos cerca de 6 km entre a Praça 7 e a região da UFMG (o mais próximo que conseguimos chegar do Mineirão).

A passeata estava tranquila! Foi pacífica! Andamos por quilômetros sem nenhum tipo de problema. Havia famílias inteiras, inclusive com crianças de colo! Foi uma das coisas mais linda que ja vi na minha vida! Só quem participou para entender o sentimento de patriotismo, orgulho e a sensação de dever cumprido e de cidadania! Havia horas em que olhávamos para frente e para trás e não conseguíamos ver o início nem o final da manifestação… foi algo emocionante, inacreditável!

(peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Era muita gente… mesmo! (peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Fomos barrados por dois bloqueios da PM nessa caminhada, no primeiro correu tudo bem… no segundo foi onde ocorreu o confronto tão noticiado nas redes de televisão. Eu sou medroso, confesso, admiro os ponta-de-lança, mas quando chegamos no segundo bloqueio algo ja me dizia pra ficar alerta. Não quis assentar e não demorou muito para vermos/ouvirmos a primeira bomba… e depois mais uma… e depois mais um monte…

Saimos… e não vimos a confusão de perto. Fomos caminhando para casa, e subimos um morro… e quando chegamos lá no alto, resolvemos dar uma olhada lá pra baixo e ficamos assustadíssimos. Uma fumaça (das bombas de gás) tomou conta do ambiente e mesmo estando longe do local, o gás ainda surtiu efeito sobre nós. Tossimos por um longo tempo e os olhos ficaram ardendo (ficamos impressionados com o poder daquilo e não pudemos não imaginar as pessoas lá em baixo – ainda mais quando fiquei sabendo de uma amiga que estava lá!

(foto do instagram da UFMG - http://instagram.com/ufmg)

Me perguntaram se era montagem… e disseram que parecia uma guera civil (foto do instagram da @ufmg)

Fiquei/ficamos muito assustados com o que presenciamos… (adicionado em 19/06, 13h, porque estava entalado na garganta e nas pontas dos dedos até agora:) E ainda tivemos que ler, ao chegamos em casa, comentários depreciativos de pessoas relativamente próximas a nós, chamando-nos de vagabundos. Acho desnecessário perder mais meu tempo procurando tecer qualquer outro comentário sobre a frase… 

“[…]Quando a vagabundagem das manifestações acabarem[…]’

Resolvemos ficar na casa do meu amigo, onde ouvíamos a todo momento carros de policia passando pela rua e helicópteros… Não nos arriscamos a sair, e fomos assistir o JN para ver a cobertura das movimentações pelo país (ficamos só com o JN devido a limitações que tínhamos naquele momento).

Claro que apesar do movimento estar sendo encabeçado com o lema dos R$0,20, todos sabemos que isso foi só o estopim… E ver o Brasil inteiro se unindo em torno das mesmas causas e agindo é simplesmente impossível de ignorar… Bom… talvez não seja tão impossível assim, afinal como disse o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da Republica, eles ainda estavam tentando entender as motivações do movimento

iceberg

Sabe… muitas palavras de ordem foram gritadas… muitas musicas e slogans foram cantadas… as pessoas foram chamadas a descerem dos ônibus e de suas casas e participarem com a gente daquele momento…). O único comentário que quero fazer é que ainda não consegui ver na cobertura uma articulação de forma a mostrar que esses movimentos não são coisas isoladas em todos os cantos do Brasil… mas sim coisas isoladas em todos os cantos do Brasil e do Mundo *e com as mesmas motivações*. (e sim, foram lindas as manifestações de SP e de BSB… e a do RJ e de BH, apesar dos incidentes também)

Ô, O BRASIL ACORDOU…. Sim… o Brasil acordou agora… Não que ele estivesse dormindo… Não estava, é lógico que não… Movimentos pipocam a torto e a direito, e muitos de nós ou não enxergam, ou não querem enxergar… Ao contrário do que ouvi algumas pessoas falando, não acho que esse grito deva ser encarado como uma forma de suprimir o que esses grupos já vinham fazendo, mas como uma forma de exaltar a nova parcela da população que acordou e resolveu se juntar aos movimentos.

(peguei a foto do facebook, não tenho os créditos)

É bem por aí mesmo… (facebook/não tenho os créditos)

Hoje, terça-feira, pouco antes de começar a escrever, estava ouvindo aqui de casa aqui de casa o pessoal gritando na Praça 7. E como sempre um dos gritos mais imponentes não era contra qualquer outra coisa senão contra os próprios participantes que praticavam vandalismo descaracterizando um movimento que está tendo como uma de suas principais características a não-violencia. Sei que tem gente que não concorda comigo, mas ainda acho que tem outras formas de enxergarem o protesto que não sejam as atitudes de vandalismo. E também não acho que essas atitudes seja justificáveis.

NÃO É TURQUIA
NEM É A GRÉCIA
É O BRASIL
SAINDO DA INÉRCIA

E pra finalizar o dia com chave de ouro (só que não), tivemos um retrocesso de uns quase 30 anos com a votação da cura gay. Só pra constar pra quem ainda não sabe, desde 17 de maio de 1990 que a homossexualidade não é mais reconhecida como doença pela OMS. Deixo aqui meus parabéns ao deputado Marcos Feliciano!.

 

*atualização 18/06, 23h20: Acabei de ficar sabendo que aqui em BH o clima está tenso… Atearam fogo em lixo, depedraram a prefeitura e alguns ônibus, quebraram o relógio da copa que fica na Praça da Liberdade… Isso tudo depois de uma passeata (ao que me consta) tranquila, no sentido contrário à de ontem: UFMG–>Praça Sete… Sei lá, mas isso me parece tão “estranho”…

*atualização 19/06, 11h: Quando a gente fala que o movimento tá tranquilo, é de boa, as pessoas nao acreditam… Quando a gente fala que tem alguma coisa estranha, as pessoas também não acreditam… Aí quando passa no jornal que foi um quebra pau, todo mundo acredita… Assiste o vídeo e vem me dizer que não tem algo muito errado/ estranho/ questionável aí pra ser tudo do jeito que é noticiado? Tem por que acreditar que o povo anda junto por vários quilômetros numa boa, sem nenhum incidente, e depois simplesmente do nada resolvem mudar de algo pacífico para algo tão sem justificativa? Essas coisas estão me deixando com medo…

estadodeminas20.06

*atualização 20/06, 11h15: Ontem houve manifestação durante todo o dia em BH. Ao que me consta, não ouve registro de vandalismo durante o ato que durou mais de 8h… Meu mestre, o prof. de biologia Ramon Lamar, também participou do ato na segunda feira aqui em BH e relatou a experiência em seu blog, além disso ele está participando ativamente das movimentações para o ato que está para acontecer em Sete Lagoas. Não só isso, o jornal “Hoje em Dia” soltou uma reportagem no qual afirma que a PMMG recebeu ordens de não agir contra os vândalos da noite de 18/06 (mostrado no video acima). Para finalizar, apesar de não ter lido a(s) reportagem(ns), pelo menos a capa do jornal “Estado de Minas” (que eu custei a acreditar que fosse real) resume um pouco o que é minha visão do movimento.

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