Microrganismo de sexta: homenagem a um desenho animado! Pode isso Arnaldo?

Abertura do “Bob Esponja” 

Pode soar estranho, mas resolveram homenagear o desenho animado Bob Esponja Calça Quadrada (Spongebob Squarepants) colocando esse nome em uma espécie de fungo! Acho que nem preciso falar mais nada sobre o motivo da escolha do microrganismo desta sexta!

Senhoras e senhores e desenhos animados… Com vocês o…

Spongiforma squarepantsii

O nome foi escolhido pois esse cogumelo se assemelha mais a uma típica esponja do que a um cogumelo… Além disso, ele pode ser espremido como uma esponja voltando à sua forma original. Esta é a segunda espécie do gênero Spongiforma e segundo os autores “sua forma estranha é diferente de qualquer coisa conhecida”.

Mas a semelhança entre o fungo e o Bob Esponja não é limitada a forma de ambos, meus queridos leitores…

O cogumelo tem cheiro de fruta e o personagem vive em um abacaxi. Quando visto ao microscópio, o cogumelo tem uma textura que lembra as esponjas que cobrem o fundo do mar nos desenhos do Bob Esponja – até mesmo os esporos desses fungos se parecem com esponjas!!!!!

Mas voltemos a pergunta do título… Homenagear um desenho animado, pode isso, Arnaldo?

Acho que o Arnaldo não pode ajudar nessa, mas os editores do jornal onde o paper foi publicado rejeitaram inicialmente o nome que seria frívolo. Os autores foram persistentes (seriam brasileiros que não desistem nunca?) e resultado foi esse: conseguiram chamar atenção para uma nova espécie e, também, para a biodiversidade ainda desconhecida das florestas (aposto você pensou que era um cogumelo marinho!).

Esse microrganismo foi uma sugestão do biólogo Felipe Beijamini, que escreve no blog “Sonhos do Neuro”.

As informações foram retiradas do site do IIES (International Institute for Species Exploration), da Universidade do Estado do Arizona, nos E.U.A. que faz uma seleção anual dentre as sugestões enviadas e faz uma lista, um TOP-10 de novas espécies. O microrganismo de hoje faz parte da lista de 1012.

Em fevereiro deste ano, comentei sobre a lista de 2011. Se você não viu, é só clicar >> Sobre o fungo do mar… além da bactéria do navio e do fungo que brilha, é claro!


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Microrganismo de sexta: um fungo espiralado

Apesar de os fungos não serem meus microrganismos preferidos, um que eu acho muito curioso é o Trichophyton mentagrophytes. Ele é um fungo envolvido em um tipo de micose cutânea que denominamos dermatofitose. Mas ele não esta aqui por sua importância médica, mas porquê tem como característica a presença de hifas espiraladas! Abaixo você pode observar um desenho esquemático e a foto de uma microscopia óptica mostrando esta estrutura!

20120608-144859.jpg

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O esquema foi retirado do material do Departamento de Microbiologia/ICB/UFMG sobre micoses cutâneas e a foto foi retirada deste atlas.

Microrganismo de Sexta: uma bactéria voraz

Desde quando descobri essa bactéria que venho procurando uma oportunidade para mostra-lá aqui no blog. Achei tão curioso o que ela faz que decidi que ela merecia um post pomposo – e com isso fui adiando, adiando e ela nunca apareceu. Mas então, recebi uma sugestão de um leitor do blog, o Marcos Martinelli (graduando em biologia na UFES), para colocar essa mesma bactéria na seção “Micorganismo de Sexta”. Já agradecendo ao Marcos, é com grande entusiasmo que digo: senhoras e senhores, com vocês…

 Bdellovibrio bacteriovorus

Mas o que ela tem de mais para estar aparecendo aqui no blog?

Fora o fato de que essa bactéria Gram-negativo, bem pequenina (a Bdellovibrio possui um quinto do tamanho e seu genoma é cerca da metade do de uma E. coli) e em forma de vírgula está entre as bactérias mais rápidas já descritas, ela tem um hábito digamos, peculiar: ela preda outras bactérias.

Olha de novo o nome dela: Bdellovibrio bacteriovorus. Bdella vem do grego e significa sanguessuga, o que em uma tradução seria algo como vibrião sanguessuga que se alimenta de outras bactérias! E é isso que acontece, ela utiliza os componentes citoplasmaticos de seus hospedeiros como nutrientes, obtendo sua energia a partir da oxidação de aminoacidos e acetato. Essa bactéria vive livremente em solo e na água (inclusive em ambientes marinhos), mas só consegue se multiplicar no interior de outras bacterias.

Existem pelo menos mais duas especies de bactérias predadoras na natureza, mas elas infectam apenas linhagens ambientais (p.ex. bactérias fotossintéticas). B. bacteriovorous, por outro lado, é capaz de infectar tanto patógenos de plantas como as enterobactérias presentes no intestino de mamíferos. Isso significaria que essa bactéria poderia ter uma variedade de aplicações que passam pela medicina e pela segurança de alimentos. Em tempo, essa bactéria não é capaz de infectar células humana, o que possibilitaria, inclusive, o uso da própria célula microbiana viva como um agente terapêutico – seria um novo tipo de probiótico?!

O mais curioso dessa predadora, é a sua forma de ataque que é bastante singular: após se aderir à membrana externa da parede celular de bactérias Gram-negativo, ela se instala no espaço periplasmático (a região entre as membranas externa e interna). Ali ela cresce e se multiplica até romper o hospedeiro e ser liberado para o ambiente. Esse ciclo dura de 3 a 4 horas. E, ao que tudo indica, não há transferência horizontal de genes entre a presa e o predador!

Como já disse, esta não é a única espécie de bactéria predadora. Inclusive, acho bem divertidos os nomes que foram dados para elas, olha só: Vampirovibro e Bacteriovorax.

ResearchBlogging.orgHampton T (2004). Researchers eye “predatory” bacterium for novel antimicrobial strategies. JAMA : the journal of the American Medical Association, 291 (10), 1188-9 PMID: 15010430

 


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Microrganismo de Sexta: uma bactéria com núcleo?

Uma das primeiras coisas que a gente aprende quando vai comparar os procariotos (bactérias e arqueias) e os eucariotos (fungos, protozoários, plantas e animais) diz respeito à organização do material genético.

Enquanto o DNA procariótico encontra-se disperso no citoplasma, numa região não delimitada que denominamos nucleoide, o DNA eucariótico está empacotado em um envelope membranoso que denominamos núcleo.

Aí aparece uma tal de Gemmata obscuriglobus que quer bagunçar a cabeça da gente, e contém uma região armazenadora de DNA que é separada do resto da célula por duas membranas nucleares (NB, na foto).

Então, como concluir que estamos falando de um nucleóide procariótico e não de um núcleo eucariótico? O que passa a valer, então, é a maquinaria celular que os tipos celulares utilizam param para realizar a divisão mitótica!

A Gemmata foi isolada pela primeira vez de uma represa em Queenslad, Austrália e não é a única bactéria com membrana envolvendo o nucleoide. Esse gênero pertence ao filo dos Planctomycetes que engloba outras bactérias semelhantes. A foto deste post, inclusive, é, na verdade, uma micrografia de uma bactéria semelhante à Gemmata.


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Microrganismo de sexta: os Volvox dançantes

Tá certo… não é bem um microrganismo se considerarmos a divisão clássica de que esse termo engloba somente bactéricas, fungos e vírus.

Mas essas colônias de algas verdes flageladas do gênero Volvox merecem um lugarzinho por aqui!

Essas estruturas que vemos na foto são colônias com várias células interligadas por pontes citoplasmáticas. Cada esfera pode ter até 1-3 mm. Colônias-filhas formam-se no interior das colônias-mães, e crescem até que a esfera maior se rompa, liberando as pequenas colônias!

Não deixe de ver o vídeo!!!


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Microrganismo de Sexta: cometas no interior de células

Esses pequenos cometas que vemos nessa foto são, na verdade, bactérias. Especificamente nesta foto, temos a bactéria Gram-positiva Listeria monocytogenes. Porém, poderia ser outra bactéria, inclusive uma Gram-negativa como a Shigella flexneri ou a Rickettsia rickettisii

Na verdade, isso que vemos é um mecanismo de patogenicidade que essas três bactérias possuem. A imagem abaixo explica o que está acontecendo:

Essas bactérias reproduzem-se no interior da célula hospedeira. Assim, após induzirem a própria fagocitose, o microrganismo escapa do fagossomo ficando livre no citoplasma da célula hospedeira.

Não bastasse isso, a bactéria provoca alterações no citoesqueleto do hospedeiro, promovendo a montagem de uma cauda de actina em um de seus pólos celulares.

Feito isso, essas bactérias adquirem motilidade, sendo capazes de passarem de uma célula a outra!

Voltemos, então, à primeira imagem do post… Ela mostra a microscopia de fluorescência de bactérias em movimento no interior de uma célula. Foram coradas tanto as células bacterianas (em vermelho), quando os filamentos de actina (em verde). As regiões com fluorescência verde e vermelha sobrepostas aparecem em amarelo.

Legal, né? Mas fica ainda mais quando a gente vê isso em vídeo, olha só:

 

 

As imagens foram obtidas daqui.

O vídeo, eu achei no site  “Cell motility“, indicação da Tati Nahas. Lá você consegue ver outras células utilizando a actina para  se movimentar! 


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Microrganismo de Sexta: quero ver você pronunciar o nome dele!

Desde que cursei a disciplina de “Bacteriologia de Anaeróbios”, quando escutei o nome dessa bactéria pela primeira vez, que essa bactéria não sai da minha cabeça… Não só por seu nome (estranho e praticamente inpossível de ser pronunciado logo de cara), mas também por seu peculiar aspecto ao crescer em um meio de cultura. Essa bactéria é frequentemente isolada na microbiota oral e uma das principais responsáveis pelas doenças periodontais.

Senhoras e senhores, apresento-lhes o…

 Aggregatibacter actinomycetemcomitans

 – mas você pode chamá-lo, carinhosamente, de “Aa”!

Fonte: Derren Ready, Wellcome Images

ps: A nomenclatura dessa bactéria sofreu alterações há alguns poucos anos. Antes ela era incluída no gênero Actinobacillus. O epíteto específico foi mantido.


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