entre aspas: Carl Sagan

estou lendo o livro “o mundo assombrado pelos demônios”, do carl sagan, depois de algumas tentativas frustradas no passado. Acho que ainda não era a hora e agora estou lendo e adorando o livro. uma das coisas interessantes da experiência de leitura foi poder ver as alterações dos trechos iniciais que achei que deveriam ser marcados… não é o momento ainda de falar dessas citações, mas tem uma que não podia deixar de citar aqui:

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ele faz essa citação no final do capítulo 7, após passar alguns capítulos questionando as descrições de encontros com alienígenas e seres de outras dimensões/divinos.

e é um ótimo momento pra relembrar um post antigo aqui do blog: maravilhas microbianas


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Ajude a salvar vidas… é simples: lave as mãos!

Hoje, dia 05 de Maio de 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) celebra sua campanha para higienização das mãos.

Com o lema: “SALVE VIDAS: limpe suas mãos” (SAVE LIVES: clean your hands), a OMS propõe que que se não agirmos logo, e de forma simples, a disseminação de microrganismos resistentes pode chegar a ter consequências ainda mais graves no futuro (bem próximo)!

A campanha é voltada principalmente para profissionais da saúde, mas que também pode e deve ser levada em consideração por outros segmentos da sociedades como escolas, restaurantes – e todos nós, na verdade.

A ideia baseia-se na premissa simples de se evitar a contaminação cruzada que tanto ocorre no ambiente hospitalar e é responsável por ajudar a mantar os microrganismos em circulação naquele ambiente. Um esquema de rotas de transmissão cruzada está representado abaixo:

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Figura traduzida do artigo: Arias CA, Murray BE. (2012). The rise of the Enterococcus: beyond vancomycin resistance. Nature Reviews Microbiology, 10:266-278.

A proposta campanha propõe 5 pequenos passos para mudar o mudo
5maioA

Os cuidadores devem lavar as mãos:

1. Antes de tocar o paciente.

2. Antes de procedimentos de limpeza e assepsia do paciente.

3. Após a exposição a fluidos corporais do paciente.

4. Após tocar o paciente.

5. Após tocar os entornos do paciente.

5maioD

Sempre que cito esse assunto, gosto de falar de um post de o Karl (do blod Ecce Medicus, aqui do SbBr): “Infecções e seres humanos”. Ali ele apresenta as taxas de infecções de corrente sanguínea (ICS) que uma UTI de um hospital de São Paulo que apresentou um período no qual as taxas de ICS chegaram a zero. E o que causou essa redução!? A melhoria da higiene das mãos dos profissionais da saúde durante o surto de influenza A H1N1.

Como falei no último post do blog, sobre o VRSA: “Ela está entre nós!” e nas edições 11 e 12 do #Scicast sobre superbactérias, não é para entrarmos em pânico. Mas o estado de alerta está aí e não pode ser ignorado. Eu não acredito que vamos vencer a luta se combatermos de frente com essas bactérias, mas se agirmos com cautela, podemos ter resultados a longo prazo mais positivos.

5maioCCartaz do CDC (orgão estadunidense semelhante à ANVISA) incentivando as pessoas a lavarem as mão após saírem do banheiro, afinal, “1 trilhão de germes podem viver em 1g de cocô”.

 

 

Ela está entre nós! Descrição brasileira de uma superbactéria rara

Palavrinhas iniciais…

Vamos falar de coisa boa!? Vamos falar de… ehhhr… Bem que eu gostaria de começar o post assim, mas infelizmente, depois de um tempinho parado, estou voltando para um noticia que não apenas é ruim, como é bastante preocupante.

Em janeiro, participei de um podcast sobre Superbactérias (que, não, não são de Kripton). Foram as edições 11 e 12 do #Scicast (que você pode ouvir aqui e aqui) e esses episódios são uma boa introdução para o que vamos falar hoje aqui… Além disso, já comentamos aqui várias vezes sobre bactérias resistentes a antibióticos e como elas adquirem e passam pra frente essa resistência.

 

Vamos começar…

ResearchBlogging.org Já se fala há algumas décadas do MRSA, siga em inglês para Staphylococcus aureus resistente à meticilina. A meticilina é um antibiótico e essa resistência torna o MRSA uma bactéria difícil de ser tratada, e uma das poucas opções para o tratamento de infecções pelo MRSA é o antibiótico vancomicina.

Acontece que existem bactérias resistentes à vancomicina, dentre elas, o VRE, sigla em inglês para Enterococcus resistente à vancomicina, merece destaque. Isso principalmente porque os enterococos tem uma grande facilidade para transmitir e receber genes de resistência.

Acho que a partir daí já começa a ficar claro o tema do post de hoje… A tranferência da resistência à vancomicina para estafilococos foi descrita pela primeira vez em 2002 nos Estados Unidos e, desde então, outros pouquíssimos casos por lá, além da Índia e do Iraque, foram descritos. A perda da vancomicina como possibilidade de tratamento dessas bactérias faz com que o tratamento do MRSA torne-se mais difícil e bm mais caro.

Na última quinta-feira (dia 17/04/14), a revista “The New England Journal of Medicine” publicou um artigo que relata o primeiro caso de um VRSA no Brasil. VRSA?! Sim, um Staphylococcus aureus resistente à vancomicina.

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Como tudo aconteceu?

Em Novembro de 2011, um paciente masculino de 35 anos foi admitido em um hospital paulistano, e apresentava micose fungoide (um tipo de lifoma de pele), vício em cocaína, diabete mellitus, além de depressão e recente tentativa de suicídio. Ele desenvolveu um quadro de celulite na perna e foi tratado com antibióticos, sendo liberado em Fevereiro de 2012.

Aqui precisamos abrir parênteses:
A celulite que estamos falando aqui é uma doença infecciosa bacteriana, que atinge a pele e os tecidos adjacentes e é causada por diferentes bactérias, sendo a mais comum o estreptococo – nesses casos, a bactéria produz enzimas que ajudam na sua disseminação pelo tecido. Ela também pode ser causado por estafilococos, mas apresenta área de extensão mais reduzida. A outra celulite é um acúmulo de gordura e tecido fibroso sobre a pele, e não tem nada a ver com esse post.
Aqui fechamos nossos parênteses.

Em Junho de 2012, foi readmitido no hospital. Ele apresentou uma piora no quadro psiquiátrico e, não bastasse isso, apresentou reincidência do quadro de infecções de pele e tecidos moles e foi novamente tratado com antibiótico. Um pouco do sangue foi coletado e plaqueado em meio de cultura para ver a presença de bactérias no sangue (chamamos isso de hemocultura), e não houve crescimento (hemocultura negativa). O paciente continuou internado, devido à quimioterapia para tratar do câncer de pele

Em Julho de 2012, o paciente começou a apresentar febre recorrente e foi tratado com antibiótico (dentre eles vancomicina). Dessa vez a hemocultura deu positiva para MRSA. A antibioticoterapia foi alterada (teicoplanina) e, em Agosto, quando o antibiótico foi retirado, a febre retornou. A hemocultura foi positiva para dois diferentes isolados de MRSA sendo, um deles, ainda, resistente à teicoplanina e à vancomicina (além de eritromicina, clindamicina, ciprofloxacina, gentamicina, trimetoprima-sulfametoxazole). O paciente foi então isolado, foi iniciado um tratamento com daptomicina e foi realizada uma cultura de swab retal, que deu positiva pra VRE. [swab ou zaragatoa é um instrumento estéril, semelhante a um cotonete, utilizado para a coleta de secreções e amostras]. Após algumas semanas, diversas complicações associadas a múltiplas infecções, o paciente veio a óbito.

A figura abaixo, retirada do artigo, resume e esquematiza curso clínico apresentado acima.

 

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O que os pesquisadores fizeram com esse VRSA?

A primeira coisa foi estabelecer a relação entre os dois isolados de MRSA, que vamos passar a chamar de S. aureus sensível (VSSA) e resiste (VRSA) à vancomicina. E eles observaram que eles possuem um perfil genético semelhante, sugerindo que a seleção ocorreu in vivo, durante a administração dos glicopeptideos (vancomicina e teicoplanina) e dos outros antibióticos.

O VRSA, porém, apresentou um plasmídio que VSSA não possuía. Esse plasmídio, foi denominado pBRZ01 e possui os genes que conferem a resistência à vancomicina (vanA e outros) e à gentamicina (acc(6’)-aph(2”)). O VRSA, porém, apresentou taxa de crescimento semelhante a do VSSA, sugerindo que o plasmídio não afeta o fitness da linhagem resistente.

A análise mais a fundo desse plasmídio mostrou que ele sofreu alterações genéticas importantes no transposon Tn1546 (que carreia os genes de resistência à vancomicina), além de que a comparação da seqüência desses genes indicam que a origem desses genes é enterocócica – sem, entretanto, terem sido originados do isolado de VRE do swab retal. Eles chegaram a essa conclusão por meio de experimentos que mostraram que o VRE era incapaz de transferir o plasmídio para outros enterococos ou estafilococos.

 

Precisamos entrar em pânico?

Pânico não… Mas ficar preocupados, sim!

Geralmente as linhagens multirresistentes são restritas a hospitais, principalmente, porque é comum terem uma taxa de replicação mais lenta, o que as deixam com vantagem competitiva apenas em situações que envolvem pacientes com saúde comprometida e que estão sob terapia antimicrobiana.

Essa linhagem brasileira de MRSA, porém, além de ter origem na comunidade, não ficou em desvantagem após a aquisição do plasmídio… É aqui que está o ponto que merece atenção! Uma bactéria dessas tem um elevado poder de disseminação, pois tem capacidade comoetitiva com outras bactérias da comunidade, não precisando do ambiente hospitalar e de um paciente com saúde comprometida para poder colonizá-lo.

Nesse caso que apresentamos aqui, o paciente foi identificado e isolado como medida de segurança para evitar a disseminação da bactéria pelo ambiente hospitalar e, consequentemente para a comunidade.

Apesar de serem raros e restritos os casos descritos, isso não é motivo para descuidar. Muito pelo contrário, deve servir de alerta para o uso incorreto de antibióticos e para o cuidado da equipe médica para evitar a transmissão interna e para fora do hospital.

 

Referência

Rossi, F., Diaz, L., Wollam, A., Panesso, D., Zhou, Y., Rincon, S., Narechania, A., Xing, G., Di Gioia, T., Doi, A., Tran, T., Reyes, J., Munita, J., Carvajal, L., Hernandez-Roldan, A., Brandão, D., van der Heijden, I., Murray, B., Planet, P., Weinstock, G., & Arias, C. (2014). Transferable Vancomycin Resistance in a Community-Associated MRSA Lineage New England Journal of Medicine, 370 (16), 1524-1531 DOI: 10.1056/NEJMoa1303359

NÃO, antibiótico NÃO é para tratar gripe!

Para muita gente isso pode estar bastante claro. Mas muita gente ainda acredita que os antibióticos servem para matar virus e podem ser utilizados no tratamento da gripe, por exemplo.

Aqui no Brasil, desde 28/11/2010, uma resolução da ANVISA restringe a venda de antibióticos com retenção da receita nas farmácias. O que acontece é que muitas vezes as normas não são seguidas… E sim, isso está preocupando os agentes de saúde de outros países, como, por exemplo, Portugal.

Eu sempre fui um defensor do uso racional dos antibióticos e uma amiga que está lá na terra dos nossos colonizadores acabou de me mandar uma foto da campanha que está acontecendo por lá!

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De acordo com uma reportagem do jornal português Público do dia 15/11/13:

- 69% dos entrevistados acreditam que os antibióticos servem para matar vírus

- 61% acreditam que antibióticos são eficazes no tratamento de constipações e gripes.

Esses dados foram compilados no “Eurobarómetro” sobre resistência antimicrobiana realizado pelo órgão estatístico da União Européia. Esses dados assustam pois estão acima da médica européia (49% e 41%, respectivamente, para os dois ítens já citados).

Assim como no Brasil, a venda de antibióticos em Portugal exige prescrição médica; mas dentre os entrevistados 2% assumiram terem feito uso de antibióticos que tinham em casa de vezes anteriores e 3% compraram os medicamentos sem receita.

Portugal não só está entre os 10 países europeus que mais utilizam antibióticos, mas também parece ter uma grande taxa de desinformação entre cidadãos acerca dos perigos do uso irresponsável dos antimicrobianos.

Procurei rapidamente sobre esses dados no portal da ANVISA… acabei não encontrando, mas me deparei com um outro dado muito, muito, MUITO preocupante:

“Mais de 50% destas prescrições são inadequadas quanto à via de administração, à dose e até mesmo quanto à indicação do antimicrobiano.” (FONTE: ANVISA)

Essa citação me respalda a fazer uma constatação que há algum tempo já se encontra meio que entalada na garganta…

Eu fiz um curso interativo sobre antimicrobianos na Associação Médica de Minas Gerais, há alguns anos. Era um curso direcionado para médicos, mas não era restritivo, e outros profissionais podiam participar. Esse curso consistiu em em apresentação de casos clínicos e posteriormente os participantes eram arguidos sobre qual antibiótico, qual a dose e qual o tempo de admistração. O resultado? Não diferiu muito do apresentado acima na citação da ANVISA.

As vezes me parece que é muito simples jogar a culpa toda na comunidade e em sua falta de conhecimento quando estamos falando do uso irracional dos antibióticos. Mas quando pensamos nos profissionais que mais deveriam estar aptos a orientar quanto ao uso desses medicamentos, o que vemos é uma situação, também, alarmante. Tudo bem que 50% dos médicos acertam a medicação, mas e os 50% que erram? Quais as consequências desse erro? Mas também é importante perguntar: Como fazer para que esses percentuais se reduzam a níveis menos preocupantes? Onde está a origem desses erros?

Eu não sei responder a essas perguntas e, sinceramente, não queria ter tido que levantá-las.

SOU EU, TAMBÉM, SAINDO DA INÉRCIA! [post em atualização por tempo indeterminado]

Na segunda-feira (17/06, que talvez seja futuramente conhecida nos livros de história como segunda-feira branca) resolvi, como muita gente, sair da inércia e não só apoiar o movimento, como participar do mesmo. Parecia que as coisas conspiravam contra minha participação… eu não estava em BH, e a estrada que ligava Sete Lagoas à capital mineira estava fechada desde a manhãzinha pois moradores de Ribeirão das Neves fecharam os dois sentidos da BR-040 para protestarem (e depois parece ter havido um acidente). O jeito foi vir pra BH pela MG-424, que estava lenta pra caramba. Resultado, minha viagem que deveria durar 1h15 terminou durando quase 2h30.

Em BH, a reunião foi marcada para a Praça 7. Ponto de referência no centro da cidade (cruzamento de duas das principais avenidas: a Amazonas e a Afonso Pena). Quando consegui chegar lá, a marcha ja tomava o elevado rumo à Av. Antônio Carlos (principal ponto de acesso ao Mineirão), achei que nunca encontraria meus amigos no meio de tanta gente… mas os encontrei!

amigos

Eu, o Rafa e a Vanis… De cara pintada e marcando presença na passeata!

E seguimos juntos, o restante dos cerca de 6 km entre a Praça 7 e a região da UFMG (o mais próximo que conseguimos chegar do Mineirão).

A passeata estava tranquila! Foi pacífica! Andamos por quilômetros sem nenhum tipo de problema. Havia famílias inteiras, inclusive com crianças de colo! Foi uma das coisas mais linda que ja vi na minha vida! Só quem participou para entender o sentimento de patriotismo, orgulho e a sensação de dever cumprido e de cidadania! Havia horas em que olhávamos para frente e para trás e não conseguíamos ver o início nem o final da manifestação… foi algo emocionante, inacreditável!

(peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Era muita gente… mesmo! (peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Fomos barrados por dois bloqueios da PM nessa caminhada, no primeiro correu tudo bem… no segundo foi onde ocorreu o confronto tão noticiado nas redes de televisão. Eu sou medroso, confesso, admiro os ponta-de-lança, mas quando chegamos no segundo bloqueio algo ja me dizia pra ficar alerta. Não quis assentar e não demorou muito para vermos/ouvirmos a primeira bomba… e depois mais uma… e depois mais um monte…

Saimos… e não vimos a confusão de perto. Fomos caminhando para casa, e subimos um morro… e quando chegamos lá no alto, resolvemos dar uma olhada lá pra baixo e ficamos assustadíssimos. Uma fumaça (das bombas de gás) tomou conta do ambiente e mesmo estando longe do local, o gás ainda surtiu efeito sobre nós. Tossimos por um longo tempo e os olhos ficaram ardendo (ficamos impressionados com o poder daquilo e não pudemos não imaginar as pessoas lá em baixo – ainda mais quando fiquei sabendo de uma amiga que estava lá!

(foto do instagram da UFMG - http://instagram.com/ufmg)

Me perguntaram se era montagem… e disseram que parecia uma guera civil (foto do instagram da @ufmg)

Fiquei/ficamos muito assustados com o que presenciamos… (adicionado em 19/06, 13h, porque estava entalado na garganta e nas pontas dos dedos até agora:) E ainda tivemos que ler, ao chegamos em casa, comentários depreciativos de pessoas relativamente próximas a nós, chamando-nos de vagabundos. Acho desnecessário perder mais meu tempo procurando tecer qualquer outro comentário sobre a frase… 

“[…]Quando a vagabundagem das manifestações acabarem[…]’

Resolvemos ficar na casa do meu amigo, onde ouvíamos a todo momento carros de policia passando pela rua e helicópteros… Não nos arriscamos a sair, e fomos assistir o JN para ver a cobertura das movimentações pelo país (ficamos só com o JN devido a limitações que tínhamos naquele momento).

Claro que apesar do movimento estar sendo encabeçado com o lema dos R$0,20, todos sabemos que isso foi só o estopim… E ver o Brasil inteiro se unindo em torno das mesmas causas e agindo é simplesmente impossível de ignorar… Bom… talvez não seja tão impossível assim, afinal como disse o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da Republica, eles ainda estavam tentando entender as motivações do movimento

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Sabe… muitas palavras de ordem foram gritadas… muitas musicas e slogans foram cantadas… as pessoas foram chamadas a descerem dos ônibus e de suas casas e participarem com a gente daquele momento…). O único comentário que quero fazer é que ainda não consegui ver na cobertura uma articulação de forma a mostrar que esses movimentos não são coisas isoladas em todos os cantos do Brasil… mas sim coisas isoladas em todos os cantos do Brasil e do Mundo *e com as mesmas motivações*. (e sim, foram lindas as manifestações de SP e de BSB… e a do RJ e de BH, apesar dos incidentes também)

Ô, O BRASIL ACORDOU…. Sim… o Brasil acordou agora… Não que ele estivesse dormindo… Não estava, é lógico que não… Movimentos pipocam a torto e a direito, e muitos de nós ou não enxergam, ou não querem enxergar… Ao contrário do que ouvi algumas pessoas falando, não acho que esse grito deva ser encarado como uma forma de suprimir o que esses grupos já vinham fazendo, mas como uma forma de exaltar a nova parcela da população que acordou e resolveu se juntar aos movimentos.

(peguei a foto do facebook, não tenho os créditos)

É bem por aí mesmo… (facebook/não tenho os créditos)

Hoje, terça-feira, pouco antes de começar a escrever, estava ouvindo aqui de casa aqui de casa o pessoal gritando na Praça 7. E como sempre um dos gritos mais imponentes não era contra qualquer outra coisa senão contra os próprios participantes que praticavam vandalismo descaracterizando um movimento que está tendo como uma de suas principais características a não-violencia. Sei que tem gente que não concorda comigo, mas ainda acho que tem outras formas de enxergarem o protesto que não sejam as atitudes de vandalismo. E também não acho que essas atitudes seja justificáveis.

NÃO É TURQUIA
NEM É A GRÉCIA
É O BRASIL
SAINDO DA INÉRCIA

E pra finalizar o dia com chave de ouro (só que não), tivemos um retrocesso de uns quase 30 anos com a votação da cura gay. Só pra constar pra quem ainda não sabe, desde 17 de maio de 1990 que a homossexualidade não é mais reconhecida como doença pela OMS. Deixo aqui meus parabéns ao deputado Marcos Feliciano!.

 

*atualização 18/06, 23h20: Acabei de ficar sabendo que aqui em BH o clima está tenso… Atearam fogo em lixo, depedraram a prefeitura e alguns ônibus, quebraram o relógio da copa que fica na Praça da Liberdade… Isso tudo depois de uma passeata (ao que me consta) tranquila, no sentido contrário à de ontem: UFMG–>Praça Sete… Sei lá, mas isso me parece tão “estranho”…

*atualização 19/06, 11h: Quando a gente fala que o movimento tá tranquilo, é de boa, as pessoas nao acreditam… Quando a gente fala que tem alguma coisa estranha, as pessoas também não acreditam… Aí quando passa no jornal que foi um quebra pau, todo mundo acredita… Assiste o vídeo e vem me dizer que não tem algo muito errado/ estranho/ questionável aí pra ser tudo do jeito que é noticiado? Tem por que acreditar que o povo anda junto por vários quilômetros numa boa, sem nenhum incidente, e depois simplesmente do nada resolvem mudar de algo pacífico para algo tão sem justificativa? Essas coisas estão me deixando com medo…

estadodeminas20.06

*atualização 20/06, 11h15: Ontem houve manifestação durante todo o dia em BH. Ao que me consta, não ouve registro de vandalismo durante o ato que durou mais de 8h… Meu mestre, o prof. de biologia Ramon Lamar, também participou do ato na segunda feira aqui em BH e relatou a experiência em seu blog, além disso ele está participando ativamente das movimentações para o ato que está para acontecer em Sete Lagoas. Não só isso, o jornal “Hoje em Dia” soltou uma reportagem no qual afirma que a PMMG recebeu ordens de não agir contra os vândalos da noite de 18/06 (mostrado no video acima). Para finalizar, apesar de não ter lido a(s) reportagem(ns), pelo menos a capa do jornal “Estado de Minas” (que eu custei a acreditar que fosse real) resume um pouco o que é minha visão do movimento.

um desafio dantesco: inda há muito que descer

se você ainda não sabe do que se trata essa série de posts [um desafio dantesco], aceite o desafio de ler esse post… e esse aqui também.

‘Paremos um pouco na descida’, propôs Virgilio, ‘pois convém acostumar o olfato ao mau cheiro. Assim não sofremos tantos seus maus efeitos’. Disse-lhe eu: ‘Então, mestre, faz com que o tempo da espera não fique sem proveito’. ” (Canto XI). E nesse meio tempo ficamos parados ali, criando coragem pra retomar nossa leitura… enquanto ocupávamos nosso tempo com atividades acadêmicas. E aos poucos cada um foi iniciando a continuação da jornada… em ritmos diferentes, cada um ao seu tempo.

Inda há muito que descer” (Canto XI), eu sabia disso, mas tive realmente muita preguiça de continuar esse desafio… “A trilha pela qual descíamos era tão rude, tão desprovida de encantos, que a todo olhar causaria assombro” (Canto XII). A sensação que eu tinha à medida que eu ia lendo os cantos é que a história vai se repetindo… repetindo… e a preguiça vem surgindo… surgindo… E acho que assim me lembrei do por quê ter desistido de ler a comédia há 10 anos…

E assim, cada vez mais, eu descreveria essa minha leitura desse livro com a seguinte passagem: “quando adentramos uma floresta de tal modo espessa que por trilha alguma era cortada. Sua fronde não era verde, mas escura; não eram lisos seus ramos, e sim, nodosos, e deles pendiam, em lugar de frutos, farpas venenosas. ” (Canto XIII). Sério… não está fácil, não está sendo prazeroso…

Já que : “Baixamos então àquele solo coberto de pedras que cediam ao peso de meus pés, carga a que não estavam acostumadas” (Canto XII), e como eu não tenho mais escapatória (ainda que por orgulho). Sobre o orgulho, em relação a mim, diz: “Ele vive. E a mim incumbe mostrar-lhe o vale maldito. Necessidade, e não prazer, move-o” (Canto XII). E assim, com a tentativa de tornar essa jornada mais fácil (ou palpável, ou agradável, ou menos torturante – ainda não sei qual palavra descreveria melhor), adquiri duas adaptações em quadrinhos…

A primeira, de autoria do designer gráfico americano Seymour Chwast e publicada pela Quadrinhos na Cia., é uma releitura um tanto livre da obra de Dante… ainda estou meio assustado e tentando me acostumar com o estilho que me apareceu nas primeiras páginas que li.

A segunda, que ainda não comecei a ler e só folheei, é de autoria de Piero e Giuseppe Bagnariol e foi publicado pela editora Peirópolis. Essa edição parece seguir uma linha mais clássica e estou, de verdade apostando mais nela do que na outra.

Enquanto Virgílio e Dante são confrontados pelo centauro Quíron: “Perceberam que o que vem por último afunda as pedras sobre as quais pisa? O mesmo não ocorre com os pés dos mortos” (Canto XII); Virgílio responde: “Não é ele um condenado, nem eu sou um perdido” (Canto XII). Eu chego a conclusão que talvez eu esteja, no momento, perdido e condenado…

Ó cupidez cega! Fúria desumana, que durante a curta existência a muitos desgoverna, conduz para sempre à perdição! ” (Canto XII) “Assim falou enquanto caminhávamos” (Canto XX) “E se foi pelo vau, discretamente” (Canto XII) deixando um “até o mês que vem, quando volto com os cantos XXI a XXX”.

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Algumas citações que me marcaram muito (por motivos pessoais, e que justamente por isso não entraram no texto) e que eu gostaria de compartilhar com vocês seguem abaixo:

“Por que me feres? Não possuis um mínimo de piedade?” / “A piedade me paralisa”. (Canto XIII)

“Por que devo com minha dor resgatar tua culpa?”(Canto XIII)

“Eu quis gritar ‘acorde-me com teus braços!’, porém a voz não me saiu.” (Canto XVII)

“Melhor aproveita quem põe mais atenção ao que lhe narram”. (Canto XV)

“Feliz de ti, se com tamanha franqueza e sempre expões teu pensamento. Com isso, grande fama hás de granjear. Mas, pedimos-te, quando voltares a mirar as estrelas, deixando este lugar horrendo, e jubiloso puderes dizer ‘eu estive lá de fato!’, não permitas que nossos nomes sejam esquecidos no mundo dos vivos!” (Canto XVI)

“Como liberto de opressivo peso, fugiu de nós mais rápido que uma flecha.” (Canto XVII)

“Eu te responderei com má vontade. Cedo ao som desse falar gentil que à memória me trouxe a felicidade antiga.” (Canto XVIII)

um desafio dantesco: iniciei uma jornada infernal

Quando resolvi que iria iniciar esse desafio der ler a obra de Dante Alighieri, só havia a certeza de que “tinha me extraviado, perdi o bom caminho, a via correta no sentido da virtude” (Canto I). Muita coragem em meio a tantas outras prioridades assumir um compromisso sem nenhum outro tipo de retorno senão o pessoal. Quando enfim a coisa começou a ficar séria, e a Fabi e o Ander iniciaram a leitura e logo depois as postagens, juro que “sentia o coração apertado pelo temor e pela incerteza” (Canto I) se conseguiria ler ou não a obra.

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Não nego, palavras de apoio me foram muito importantes… “Tuas palavras acenderam em mim grande desejo de enfrentar a jornada; já não meço esforços para o objetivo que propuseste” (Canto II)… Não podia, porém, deixar-me estagnar na situação em que me encontrava, havia eu de encaixar nesses meus dias atarefados um tempinho para essa leitura… Era como se algo/alguém sussurasse ao pé do meu ouvido: “Mas apressemo-nos, que será longa a jornada” (Canto IV). Sim… Longa jornada, jornada sem volta, em cujo início, um portal ameaça de forma nada acolhedora: “Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais!” (Canto III).

E assim rumei ao Segundo Círculo, cujo espaço é mais estreito, mas onde o poder da dor é mais profundo” (Canto V). Quase uma tortura em alguns momentos… Mesmo em prosa, é impossível não perceber o alto teor lírico que se encontra permeando os parágrafos do meu exemplar… E aos poucos “saímos do lugar sereno para o lugar tremente – e chegamos lá onde luz não brilha” (Canto IV). Não havia mais volta… mesmo contra meus próprios desejos (involuntários? inconscientes?) que insistiam que eu deveria abandonar esse desafio.. “E tu, criatura viva misturada aos mortos, vê se te afasta!” (Canto III).

A vontade de continuar, ver o que eu encontraria nesses 10 primeiros cantos… e nos outros 90 já havia se instalado e eu continuei… Nesse caminho “somos torturados com o castigo de ter nossos desejos para sempre frustrados” (Canto IV), mas por outro lado é um texto tão belo que a tortura se torna prazerosa… A vontade de estar ali acompanhando a jornada de Dante de forma mais próxima enche o peito e me instiga a imaginar o que aqueles rápidos diálogos e aqueles misteriosos personagens ainda nos escondem….

Tendo feito minha escolha, só resta aguardar pelo momento que alguém gritará pra mim – de uma forma silenciosa, para não desistir, me oferencendo ajuda e deixando meu coração mais leve: “Espera por mim, alça o espírito abatido, alimenta-o com a esperança de que não serás abandonado neste horrendo mundo” (Canto VIII). Assim fica mais fácil, sabendo que quando eu estiver emerso, mais profundamente do que deva, terei alguém para esticar a mão e me puxar de volta a realidade.

Vem tu sozinho; fique onde está o atrevido que penetrou neste reino. Que retorne, se puder, pela estrada que percorreu desavisadamente” (Canto VIII)… Posso ter sido um atrevido ao resolver penetrar nesse mundo dantesco… Mas não vou retonar pelo caminho trilhado, prefiro ser surpreendido… Assim como Dante e Virgílio, continuarei pelo caminho (que não é de tijolinhos amarelos), enfrentando os desafios todos que ainda insistirem em cruzar meu caminho.

Nos vemos novamente em breve (em abril), nos próximos 10 cantos (XI a XX) de “A Divina Comédia”…

um desafio dantesco: prólogo

Uma vez eu li que o processo de tradução de um poema é extremamente complexo pois o tradutor teria mais do que traduzir simplesmente o texto, deveria manter o estilo original do autor nos aspectos de rima e métrica… Ou seja, é praticamente escrever uma obra nova! Esse processo deve ser muito complicado quando as línguas são muito diferentes (inglês-português, por exemplo), mas não que para línguas de origem comum (p.ex. as línguas latinas português e italiano) seja mais fácil… Não sou da área, então não vou opinar…

Resolvi começar o texto falando nisso para justificar em parte a escolha da minha edição: a versão em prosa da L&PM, traduzida por Fábio M. Alberti. Meu livro foi impresso no inverno de 2005, e acredito que o tenha comprado na mesma época – estava com uns 17 anos, no último ano do ensino médio e, não sei o motivo que me levou a querer ler esse livro… Não lembro o porque de não tê-lo lido, mas acredito que o fato das quatro tentativas frustradas de ler “Grande Sertão: Veredas” para o vestibular da UFMG naquele ano tenha tido grande parte da culpa…

dante

Mas onde tudo isso se junta? Bom, uma obra que eu tenho há muito tempo vontade de ler, traduzida pra minha língua, numa versão em prosa – já que não sou um grande adepto dos versos -, mas faltava a motivação para retomar (melhor, recomeçar do zero a leitura – quem sabe não fica aqui o desafio de encarar Guimarães Rosa no próximo ano, mas deixa isso pra depois)… Eis que num belo dia do final de 2012 ou do inicio de 2013, meu amigo Ander (Anderson Arndt – @anderarndt) solta no Twitter que queria ler “A Divina Comédia” durante o ano que estava a se iniciar e se alguém o acompanharia… Quando vi isso, resolvi participar do desafio junto com ele e com a Fabi (Fabiana Carelli – @fabiana_carelli) – que já havia aceitado o desafio antes de mim!

Assim como o Ander, achei que simplesmente leríamos o livros e discutiríamos os trechos em off. (Inocentes?) E que guardaríamos essas impressões somente para nós… (Egoístas?) Mas a Fabi já foi de cara estipulando prazos para postarmos nos blogs e fazermos uma discussão aberta. (Pretensiosos?) A regra: 100 cantos, 10 meses (março a dezembro): 1 post por mês contendo as impressões de grupos de 10 cantos. (Corajosos?)

Acho que, por fim, essa tenha sido uma boa escolha… Não sei o que vai sair disso tudo… A Fabi e o Ander já postaram, e eu não quis ler pra ter a minha visão da história e o meu estilo de postagem. Mas se quiserem ler, deixo aqui os links para os blogs deles.

_Post da Fabi >> COMMEDIA I: PROMESSA DE “INFERNO”

_Post do Ander >> Mó comédia esse livro – Parte 1

Enfim, vou encerrar esse prólogo aqui, pois enquanto eles já devem estar na segunda leva de cantos, eu ainda nem comecei a minha primeira… Se precisarei de um guia como Dante precisou de Virgílio, ou de uma musa como Beatriz foi para Dante, ainda não sei… Mas estão todos convidados a acompanhar esse desafio dantesco que eu, o Ander e a Fabi resolvemos enfrentar!

O primeiro desafio para a leitura desse livro foi, depois de uns 7 anos, encontrar em que lugar do mundo, digo, da minha casa, meu livro estava escondido… Esse desafio já foi cumprido!

Tirando a poeira do blog — 2013: mal começou e já promete

Ja estamos no terceiro mês do ano e acho que só agora conseguir ver que, de verdade, o ano mudou… Difícil notar isso quanto nos últimos meses você se encontra tão abarrotado de coisas pra fazer, que, nem se pode falar direito em finais de semana. Então deixa eu ir li pegar um espanador, um paninho úmido e tirar a poeira que depositou nesse blog…

Pra começar o ano com o pé direito direto no inferno, resolvi aceitar um desafio proposto pelo Anderson Arndt de ler durante esse ano o livro “A Divina Comedia”, do Dante Alighieri. Junto comigo [na verdade, antes de mim], a letrada Fabiana Carelli entrou de cabeça e ainda está lendo uma edição bilingüe! Coragem dessa mulher… A idéia do projeto é ler de 10 em 10 cantos, e postar as impressões… Adivinha quem é a pessoa que mais está atrasada nisso tudo? Euzinho, claro! Ainda nem comecei a ler…

Além disso, após uma leva de problemas (obrigado, Murphy, seu lindo), finalmente consegui terminar de padronizar o experimento que, infelizmente, não entrou para a minha dissertação. Por falar em dissertação, ela foi defendida e…

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Isso significa que no final das contas sou um desempregado até entrar no doutorado, o que me deixa com mais tempo para escrever no blog, certo?

Claro, que não! É ai que entra a segunda, a terceira e a quarta partes do desafio 2013… Começar um projeto de doutorado do zero (nao vou continuar meu projeto de mestrado), mudar de área (resolvi jogar no time do Atila e trabalhar com vírus) e ainda tentar postar ao menos quinzenalmente por aqui…

Ano novo. Desafios novos, tanto profissionais, quanto pessoais… Vamos ver se vou conseguir dar conta de tudo…

Sobre fazer o balanço de 2012…

Não fiz nem vou fazer um balanço de 2012… Foi um ano tão esquisito que tenho medo de concluir que o saldo foi negativo, apesar de tanta coisa boa que aconteceu. Melhor assim, ficar com esses momentos bons em mente e esquecer os ruins (ou deveria dizer “os que não foram tão agradáveis”).

Dessa forma, acho que compararia esse ano que passou à decoração de Natal da Praça da Liberdade (aqui em BH/MG). A decoração está horrorosa, mas tem coisas tão bonitas que fazem tudo valer a pena no fim das contas…

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Já, já 2013 chega chutando a porta de casa e, pelo menos pra mim, com muitas novidades… Se as surpresas que me aguardam serão boas ou não só o tempo dirá… Então, vamos esperar!

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Nessas fotinhas algumas pessoas muito especiais para mim… O pessoal do lab, a galerinha do departamento, o pessoal da licenciatura (Sarah, Moara, Vanessa e Bruninho + agregadas Mari e Uschi), a galerinha do grupo Ciência e Manguaça C&M (Ander, Marcinha, Pri, Ju, Ric) e não posso deixar de citar individualmente: Dinha, Carmen, Vini, Rod, Éricka, Rafinha, Kah, Marlie, Vanessa, Anna… Amo todos vocês, cada um a sua maneira e por seu motivo especial! Obrigado por estarem mais um ano presentes na minha vida (ou por terem entrado nela).
Enfim, quero desejar a você, leitor…

FelizNatalBlog

Não venham falar de árvores e bonequinhos de neve de fungos feitos em placas de Petri que isso já é clichê… essa fui eu que fiz =]

E termino esse post com um brinde (com vodca, porque champanhe e vinho são muito mainstream)!

Um excelente 2013!

Um excelente 2013!

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