um gigantesco pequeno detalhe…

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Pandoravirus: um gigantesco pequeno detalhe que pode alterar por completo nossa concepção sobre os domínios da vida.

Bactérias são pequenas, muito pequenas (tão pequenas quanto dividir 1mm em 100.000 partes – micrometros). Quando falamos em vírus, esperamos organismos que sejam tão pequenos quanto 1/100 de uma bactéria – nanometros. Tão pequenos que não conseguimos observá-los ao microscópio convenciona; para isso são necessários microscópios eletrônicos.

ResearchBlogging.org Acontece que pesquisadores descobriram no mês passado (Science 19/07/13) dois novos vírus, bem diferentes do comum… não só pelo tamanho gigante (umas 1000 vezes maior que um virus comum da gripe, o que permite que você o veja num microscópio convencional — figura 1), mas também por suas características biológicas poderem estar promovendo algumas mudanças no que conhecemos atualmente como domínios da vida.

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Figura 1: Pandoravirus salinus e P. dulcis – em fotos de microscopia óptica convencional (MO) e sua ultraestrutura observada em microscopia eletrônica.

A descoberta desses organismos aconteceu quando, após a descoberta dos mimivirus e megavirus nos últimos 10 anos, os pesquisadores comecaram a procurar novos vírus gigantes em amostras de água. Como o próprio nome desses vírus ja diz, um deles P. dulcis foi isolado de um lago australiano e P. salinus da foz do rio Tunquen, no Chile. O interessante de se notar a presença dos vírus em continentes distantes (América e Austrália) é poder estabelecer que as observações iniciais não eram artefatos de células conhecidas e inclusive sugerir que os pandoravirus são generalizados.

No inicio da pesquisa, os cientistas chegaram a pensar que os vírus eram, na verdade, bactérias. Isso aconteceu pois algumas culturas apresentaram multiplicação intracelular de partículas maiores que os maiores megavirus já descritos. Como mesmo com a utilização de antibióticos essa multiplicação continuou, essas amostras foram estudadas mais a fundo, afinal aquelas partículas ali não eram bactérias.

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Figura 2: (D) P. salinus internalizado em um vacúolo do hospedeiro, com detalhe (E) para a fusão das membranas do vírus e do vacúolo. (F) Corte de Acanthamoeba (seta verde) com diversos estágios de maturação de P. salinus (seta laranja) em seu citoplasma

Geralmente virus reproduzem-se fabricando seus componentes separadamente e depois juntando-os. Curiosamente, os pandoravirus realizam todos processos simultaneamente, e os novos virus são formados de forma continua, de uma extremidade a outra, num processo que a equipe de cientistas denominou “tricotar” (knitting) – pois o vírus é construído como se fosse uma malha de tricô (Figura 3).

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Figura 3: Imagens de microscopia eletrônica mostrando a síntese continua do ápice à base da partícula Vidal de P. salinus.

Quando falamos sobre o genoma de um organismo, estamos nos referindo a toda a informação genética de um determinado ser vivo.

O ser humano, por exemplo, tem um genoma com 3 bilhões de pares de base (pb), arranjados em 23 pares de cromossomos, que codificam cerca de 30 a 40 mil genes e por volta de 100 mil proteínas. O genoma de P. salinus tem 1,9 milhão pb, enquanto do de P. dulcis tem cerca de 2,5 milhões pb – muito maior do que o maior genoma viral já descrito até então, o do Megavirus chilensis com 1,2 milhão pb.

Um vírus da gripe tem apenas 10 genes, enquanto M. chilensis possui cerca de 1.000; mas os pandoravirus possuem muito mais, atingindo mais de 2.500 genes capazes de codificar proteínas e enzimas ainda com funções desconhecidas.

O grande impacto da descoberta desse novo e misterioso virus gigante, porém, não é devido a histeria por um surto de uma nova doença… mas por motivos muitos mais amplos e filosóficos que englobam as origens da vida na Terra. Talvez o mais surpreendente seja o fato de que 93% dos mais de 2.000 genes dos pandoravirus não pode ser pareada com qualquer linhagem conhecida na natureza. Em outras palavras, são genes completamente novos, o que faz desses vírus algo muito diferente do que estamos acostumados, levando os cientistas a proporem um quarto domínio para acomodar esses organismos na árvore da vida.

Assim, ao contrário de Pandora que abriu a caixa e liberou todos os males do mundo, e deixou presa a esperança, os pandoravirus não fazem mal aos seres humanos [até que se prove o contrario]. O que temos observado é que esses vírus gigantes são geralmente encontrados em ambientes aquáticos e infectam amebas, mas ainda temos muita coisa pra aprendermos sobre a biologia desses seres.


Philippe N, Legendre M, Doutre G, Couté Y, Poirot O, Lescot M, Arslan D, Seltzer V, Bertaux L, Bruley C, Garin J, Claverie JM, & Abergel C (2013). Pandoraviruses: amoeba viruses with genomes up to 2.5 Mb reaching that of parasitic eukaryotes. Science, 341 (6143), 281-286 PMID: 2386901823869018>

amigos ou inimigos…

AMIGOS OU INIMIGOS

papel da microbiota nas doenças inflamatórias intestinais

Existe uma classe de doenças que são denominadas Doenças Inflamatórias Intestinais (DII – ou IBDs, do inglês Inflammatory Bowel Diseases), que são marcadas por quadros de melhoras (remissões) e pioras (recidivas) e que, apesar de serem conhecidas e estudadas há bastante tempo, ainda possuem dúvidas a cerca de sua origem. As duas formas de DII são a Doença de Crohn e a Colite Ulcerativa – que apresentam muitas similaridades, mas ao mesmo tempo muitas diferenças (não só de intensidade e local das lesões, mas também na fisiologia da inflamação). Existe, inclusive, algumas hipóteses que propõem que o Crohn e a Colite não seriam doenças distintas, mas estágios diferentes de uma mesma doença.

 

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Figura 1: Aspectos observados da Doença de Crohn (preto) e na colite ulcerativa (verde). Em azul estão pontos de semelhanças entre as duas doenças.

 

A grande questão aqui, é que apesar de não sabermos a etiologia (o que causa, desencadeia) essas doenças, temos fortes evidências de fatores de contribuem para a cronificação desses quadros patológicos. De forma bastante simplificada, podemos dizer que as DII derivam de uma resposta desregulada do sistema imunológico do paciente contra componentes da microbiota intestinal, contando ainda com fatores predisponentes do hospedeiro (susceptibilidade genética) e do ambiente (alimentação, hipótese da higiene).

 

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Figura 2: Diversos fatores influenciam a cronificação das IBDs.

 

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Figura 3: Dstribuição mundial da incidência de colite ulcerativa. Observe: a) os maiores índices estão nos países desenvolvidos e ocidentais (América do Norte e Europa Ocidental). Atribui-se a isso dois principais fatores. O primeiro seria a dieta ocidental, muito rica em gordura e pobre em fibras. O segundo seria a hipótese da higiene, que propõe que o excesso de higiene na infância contribuiria para uma má maturação do sistema imunológico da criança, que tenderia a desenvolver doenças imunológicas no futuro, como asma e as doenças inflamatórias intestinais. b) os baixos indices apontados no Brasil, acreditamos que se deve ao fato de os casos serem subnotificados.

 

Durante o mestrado trabalhei com colite ulcerativa, com o propósito de propor uma terapia com a utilização de um microrganismo para reduzir o quadro inflamatório observado nos momentos de recidiva da doença.

Mas como assim!? Um microrganismo pra reduzir uma inflamação!?

Sim, é isso, mesmo… E não é uma ideia tão estranha quanto parece… Acompanha o raciocínio.

Não existe cura para as DII, os tratamentos envolvem terapias anti-inflamatórias. Essas drogas, porém, possuem efeitos sistêmicos, e muitas vezes os pacientes desenvolvem resistência. Além disso, o uso de antibióticos em quadros graves mostra eficácia na melhora do quadro (esse é um dos fatores que justificam uma participação da microbiota na origem e agravamento das DII). Considerando o que falei e o fato de que nos últimos anos existe uma tentativa crescente no incentivo ao uso de micro-organismos probióticos (como lactobacilos e bifidobactérias) para tratarem desordens intestinais, dentre eles quadros de infeção e inflamação, não é de se estranhar a proposta do meu projeto.

E como é possível que isso aconteça?!

Para isso temos que entender um pouquinho da fisiologia e da imunologia da mucosa intestinal.

Se esticados completamente, os intestinos humanos possuem uma área de aproximadamente 100-300mˆ2. Isso só é possível pois eles apresentam uma série de estruturas (dobras, viosidades e microvilosidades) que ampliam a superfície para a absorção dos nutrientes. As células epiteliais que delimitam essa área, estão fortemente unidas entre si e formam uma barreira física, que impede o fluxo aleatório de molécula ou de microrganismos do lúmen intestinal.

Associada a essa superfície, existe um muco que é secretado, formando proximalmente uma camada estéril, e externamente uma camada mais frouxa que é habitada por microrganismos mucolíticos. Esse muco não só protege as células da mucosa contra danos mecânicos do processo de digestão, como tem papel dificultando a chegada de microrganismos patogênicos..

Além disso, existe um sistema imune associado a essa mucosa, que é muito bem regulado de forma a interagir com uma gama gigantesca de moléculas exógenas e ao mesmo tempo não desencadear resposta contra elas. Como isso acontece ainda não se sabe completamente, mas essa tolerância e a supressão ativa são extremamente importantes para uma resposta rápida em quadros de necessidade.

Nos pacientes com colite ulcerativa, a susceptibilidade genética pode influenciar tanto na regulação do sistema imunolégico, quando na camada de muco, quando das junções das células da mucosa… Ou seja: nos três pontos de barreira contra a invasão de patógenos. O que acontece no final das contas é que, assim, a microbiota acaba entrando em contado com a mucosa e, assim, há uma forte resposta imunológica e um quadro inflamatório crônico se instala. Ocorre a liberação de anticorpos e moléculas antimicrobianas e ocorre alteração no perfil da microbiota intestinal.

Probióticos por sua vez atuam por meio de diferentes mecanismos:

  1. como barreira, colonizando o epitelio e atuando como barreira (por inibição competitiva por nichos) impedindo a colonização por patógenos
  2. promovem o aumento da produção e alteram a consistência da camada de muco, protegendo o hospedeiro contra bactérias invasivas
  3. Induzem uma maior secreção, no hospedeiro, de defensinas (moléculas antimicrobianas) e imunoglobulinas (anticorpos)
  4. produzem eles mesmos substâncias inibitórias como ácidos orgânicos e bacteriocinas
  5. regulam funções do sistema imune de mucosa, tornando-o mais anti-inflamatório e menos pró-inflamatório, por meio de estimulação de células específicas do sistema imune

A lista mostra os mecanismos de ação de diferentes probióticos. Cada um age de uma forma distinta, inclusive linhagens diferentes de uma mesma espécie podem ter ações opostas. Dois probióticos já são bastante utilizados no tratamento da colite. Um é a Escherichia coli linhagem Nissle 1917 e o outro é o VSL#3, uma preparação que contem 8 espécies de probióticos.

Só pra finalizar, por motivos obvios (os dados não foram publicados ainda) não vou falar dos meus resultados aqui além do fato de que tivemos dados muito interessantes.

entre aspas: Marcelo Gleiser

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“Essa história de que ciência é coisa de nerd é besteira, ciência é legal e pra todos, basta ter interesse em aprender.” 

“Não use Deus para acobertar sua ignorância… se quer acreditar nEle, tudo bem, mas acredite por outros motivos”

O  físico Marcelo Gleiser ministrou uma palestra hoje na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Eu não estive lá, mas a Marcinha, minha amiga estava, e registrou essas duas frases que ele disse durante a paletra.

Mais do que um mero parque de diversões para bactérias

Em um livro de medicina sobre queimaduras…

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Agradeço à Dra. Lu que me mandou a imagem que foi postada aqui, na página “Medicina da Depressão”

SOU EU, TAMBÉM, SAINDO DA INÉRCIA! [post em atualização por tempo indeterminado]

Na segunda-feira (17/06, que talvez seja futuramente conhecida nos livros de história como segunda-feira branca) resolvi, como muita gente, sair da inércia e não só apoiar o movimento, como participar do mesmo. Parecia que as coisas conspiravam contra minha participação… eu não estava em BH, e a estrada que ligava Sete Lagoas à capital mineira estava fechada desde a manhãzinha pois moradores de Ribeirão das Neves fecharam os dois sentidos da BR-040 para protestarem (e depois parece ter havido um acidente). O jeito foi vir pra BH pela MG-424, que estava lenta pra caramba. Resultado, minha viagem que deveria durar 1h15 terminou durando quase 2h30.

Em BH, a reunião foi marcada para a Praça 7. Ponto de referência no centro da cidade (cruzamento de duas das principais avenidas: a Amazonas e a Afonso Pena). Quando consegui chegar lá, a marcha ja tomava o elevado rumo à Av. Antônio Carlos (principal ponto de acesso ao Mineirão), achei que nunca encontraria meus amigos no meio de tanta gente… mas os encontrei!

amigos

Eu, o Rafa e a Vanis… De cara pintada e marcando presença na passeata!

E seguimos juntos, o restante dos cerca de 6 km entre a Praça 7 e a região da UFMG (o mais próximo que conseguimos chegar do Mineirão).

A passeata estava tranquila! Foi pacífica! Andamos por quilômetros sem nenhum tipo de problema. Havia famílias inteiras, inclusive com crianças de colo! Foi uma das coisas mais linda que ja vi na minha vida! Só quem participou para entender o sentimento de patriotismo, orgulho e a sensação de dever cumprido e de cidadania! Havia horas em que olhávamos para frente e para trás e não conseguíamos ver o início nem o final da manifestação… foi algo emocionante, inacreditável!

(peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Era muita gente… mesmo! (peguei essa foto no facebook, não tenho os créditos)

Fomos barrados por dois bloqueios da PM nessa caminhada, no primeiro correu tudo bem… no segundo foi onde ocorreu o confronto tão noticiado nas redes de televisão. Eu sou medroso, confesso, admiro os ponta-de-lança, mas quando chegamos no segundo bloqueio algo ja me dizia pra ficar alerta. Não quis assentar e não demorou muito para vermos/ouvirmos a primeira bomba… e depois mais uma… e depois mais um monte…

Saimos… e não vimos a confusão de perto. Fomos caminhando para casa, e subimos um morro… e quando chegamos lá no alto, resolvemos dar uma olhada lá pra baixo e ficamos assustadíssimos. Uma fumaça (das bombas de gás) tomou conta do ambiente e mesmo estando longe do local, o gás ainda surtiu efeito sobre nós. Tossimos por um longo tempo e os olhos ficaram ardendo (ficamos impressionados com o poder daquilo e não pudemos não imaginar as pessoas lá em baixo – ainda mais quando fiquei sabendo de uma amiga que estava lá!

(foto do instagram da UFMG - http://instagram.com/ufmg)

Me perguntaram se era montagem… e disseram que parecia uma guera civil (foto do instagram da @ufmg)

Fiquei/ficamos muito assustados com o que presenciamos… (adicionado em 19/06, 13h, porque estava entalado na garganta e nas pontas dos dedos até agora:) E ainda tivemos que ler, ao chegamos em casa, comentários depreciativos de pessoas relativamente próximas a nós, chamando-nos de vagabundos. Acho desnecessário perder mais meu tempo procurando tecer qualquer outro comentário sobre a frase… 

“[…]Quando a vagabundagem das manifestações acabarem[…]’

Resolvemos ficar na casa do meu amigo, onde ouvíamos a todo momento carros de policia passando pela rua e helicópteros… Não nos arriscamos a sair, e fomos assistir o JN para ver a cobertura das movimentações pelo país (ficamos só com o JN devido a limitações que tínhamos naquele momento).

Claro que apesar do movimento estar sendo encabeçado com o lema dos R$0,20, todos sabemos que isso foi só o estopim… E ver o Brasil inteiro se unindo em torno das mesmas causas e agindo é simplesmente impossível de ignorar… Bom… talvez não seja tão impossível assim, afinal como disse o ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da Republica, eles ainda estavam tentando entender as motivações do movimento

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Sabe… muitas palavras de ordem foram gritadas… muitas musicas e slogans foram cantadas… as pessoas foram chamadas a descerem dos ônibus e de suas casas e participarem com a gente daquele momento…). O único comentário que quero fazer é que ainda não consegui ver na cobertura uma articulação de forma a mostrar que esses movimentos não são coisas isoladas em todos os cantos do Brasil… mas sim coisas isoladas em todos os cantos do Brasil e do Mundo *e com as mesmas motivações*. (e sim, foram lindas as manifestações de SP e de BSB… e a do RJ e de BH, apesar dos incidentes também)

Ô, O BRASIL ACORDOU…. Sim… o Brasil acordou agora… Não que ele estivesse dormindo… Não estava, é lógico que não… Movimentos pipocam a torto e a direito, e muitos de nós ou não enxergam, ou não querem enxergar… Ao contrário do que ouvi algumas pessoas falando, não acho que esse grito deva ser encarado como uma forma de suprimir o que esses grupos já vinham fazendo, mas como uma forma de exaltar a nova parcela da população que acordou e resolveu se juntar aos movimentos.

(peguei a foto do facebook, não tenho os créditos)

É bem por aí mesmo… (facebook/não tenho os créditos)

Hoje, terça-feira, pouco antes de começar a escrever, estava ouvindo aqui de casa aqui de casa o pessoal gritando na Praça 7. E como sempre um dos gritos mais imponentes não era contra qualquer outra coisa senão contra os próprios participantes que praticavam vandalismo descaracterizando um movimento que está tendo como uma de suas principais características a não-violencia. Sei que tem gente que não concorda comigo, mas ainda acho que tem outras formas de enxergarem o protesto que não sejam as atitudes de vandalismo. E também não acho que essas atitudes seja justificáveis.

NÃO É TURQUIA
NEM É A GRÉCIA
É O BRASIL
SAINDO DA INÉRCIA

E pra finalizar o dia com chave de ouro (só que não), tivemos um retrocesso de uns quase 30 anos com a votação da cura gay. Só pra constar pra quem ainda não sabe, desde 17 de maio de 1990 que a homossexualidade não é mais reconhecida como doença pela OMS. Deixo aqui meus parabéns ao deputado Marcos Feliciano!.

 

*atualização 18/06, 23h20: Acabei de ficar sabendo que aqui em BH o clima está tenso… Atearam fogo em lixo, depedraram a prefeitura e alguns ônibus, quebraram o relógio da copa que fica na Praça da Liberdade… Isso tudo depois de uma passeata (ao que me consta) tranquila, no sentido contrário à de ontem: UFMG–>Praça Sete… Sei lá, mas isso me parece tão “estranho”…

*atualização 19/06, 11h: Quando a gente fala que o movimento tá tranquilo, é de boa, as pessoas nao acreditam… Quando a gente fala que tem alguma coisa estranha, as pessoas também não acreditam… Aí quando passa no jornal que foi um quebra pau, todo mundo acredita… Assiste o vídeo e vem me dizer que não tem algo muito errado/ estranho/ questionável aí pra ser tudo do jeito que é noticiado? Tem por que acreditar que o povo anda junto por vários quilômetros numa boa, sem nenhum incidente, e depois simplesmente do nada resolvem mudar de algo pacífico para algo tão sem justificativa? Essas coisas estão me deixando com medo…

estadodeminas20.06

*atualização 20/06, 11h15: Ontem houve manifestação durante todo o dia em BH. Ao que me consta, não ouve registro de vandalismo durante o ato que durou mais de 8h… Meu mestre, o prof. de biologia Ramon Lamar, também participou do ato na segunda feira aqui em BH e relatou a experiência em seu blog, além disso ele está participando ativamente das movimentações para o ato que está para acontecer em Sete Lagoas. Não só isso, o jornal “Hoje em Dia” soltou uma reportagem no qual afirma que a PMMG recebeu ordens de não agir contra os vândalos da noite de 18/06 (mostrado no video acima). Para finalizar, apesar de não ter lido a(s) reportagem(ns), pelo menos a capa do jornal “Estado de Minas” (que eu custei a acreditar que fosse real) resume um pouco o que é minha visão do movimento.

um desafio dantesco: inda há muito que descer

se você ainda não sabe do que se trata essa série de posts [um desafio dantesco], aceite o desafio de ler esse post… e esse aqui também.

‘Paremos um pouco na descida’, propôs Virgilio, ‘pois convém acostumar o olfato ao mau cheiro. Assim não sofremos tantos seus maus efeitos’. Disse-lhe eu: ‘Então, mestre, faz com que o tempo da espera não fique sem proveito’. ” (Canto XI). E nesse meio tempo ficamos parados ali, criando coragem pra retomar nossa leitura… enquanto ocupávamos nosso tempo com atividades acadêmicas. E aos poucos cada um foi iniciando a continuação da jornada… em ritmos diferentes, cada um ao seu tempo.

Inda há muito que descer” (Canto XI), eu sabia disso, mas tive realmente muita preguiça de continuar esse desafio… “A trilha pela qual descíamos era tão rude, tão desprovida de encantos, que a todo olhar causaria assombro” (Canto XII). A sensação que eu tinha à medida que eu ia lendo os cantos é que a história vai se repetindo… repetindo… e a preguiça vem surgindo… surgindo… E acho que assim me lembrei do por quê ter desistido de ler a comédia há 10 anos…

E assim, cada vez mais, eu descreveria essa minha leitura desse livro com a seguinte passagem: “quando adentramos uma floresta de tal modo espessa que por trilha alguma era cortada. Sua fronde não era verde, mas escura; não eram lisos seus ramos, e sim, nodosos, e deles pendiam, em lugar de frutos, farpas venenosas. ” (Canto XIII). Sério… não está fácil, não está sendo prazeroso…

Já que : “Baixamos então àquele solo coberto de pedras que cediam ao peso de meus pés, carga a que não estavam acostumadas” (Canto XII), e como eu não tenho mais escapatória (ainda que por orgulho). Sobre o orgulho, em relação a mim, diz: “Ele vive. E a mim incumbe mostrar-lhe o vale maldito. Necessidade, e não prazer, move-o” (Canto XII). E assim, com a tentativa de tornar essa jornada mais fácil (ou palpável, ou agradável, ou menos torturante – ainda não sei qual palavra descreveria melhor), adquiri duas adaptações em quadrinhos…

A primeira, de autoria do designer gráfico americano Seymour Chwast e publicada pela Quadrinhos na Cia., é uma releitura um tanto livre da obra de Dante… ainda estou meio assustado e tentando me acostumar com o estilho que me apareceu nas primeiras páginas que li.

A segunda, que ainda não comecei a ler e só folheei, é de autoria de Piero e Giuseppe Bagnariol e foi publicado pela editora Peirópolis. Essa edição parece seguir uma linha mais clássica e estou, de verdade apostando mais nela do que na outra.

Enquanto Virgílio e Dante são confrontados pelo centauro Quíron: “Perceberam que o que vem por último afunda as pedras sobre as quais pisa? O mesmo não ocorre com os pés dos mortos” (Canto XII); Virgílio responde: “Não é ele um condenado, nem eu sou um perdido” (Canto XII). Eu chego a conclusão que talvez eu esteja, no momento, perdido e condenado…

Ó cupidez cega! Fúria desumana, que durante a curta existência a muitos desgoverna, conduz para sempre à perdição! ” (Canto XII) “Assim falou enquanto caminhávamos” (Canto XX) “E se foi pelo vau, discretamente” (Canto XII) deixando um “até o mês que vem, quando volto com os cantos XXI a XXX”.

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Algumas citações que me marcaram muito (por motivos pessoais, e que justamente por isso não entraram no texto) e que eu gostaria de compartilhar com vocês seguem abaixo:

“Por que me feres? Não possuis um mínimo de piedade?” / “A piedade me paralisa”. (Canto XIII)

“Por que devo com minha dor resgatar tua culpa?”(Canto XIII)

“Eu quis gritar ‘acorde-me com teus braços!’, porém a voz não me saiu.” (Canto XVII)

“Melhor aproveita quem põe mais atenção ao que lhe narram”. (Canto XV)

“Feliz de ti, se com tamanha franqueza e sempre expões teu pensamento. Com isso, grande fama hás de granjear. Mas, pedimos-te, quando voltares a mirar as estrelas, deixando este lugar horrendo, e jubiloso puderes dizer ‘eu estive lá de fato!’, não permitas que nossos nomes sejam esquecidos no mundo dos vivos!” (Canto XVI)

“Como liberto de opressivo peso, fugiu de nós mais rápido que uma flecha.” (Canto XVII)

“Eu te responderei com má vontade. Cedo ao som desse falar gentil que à memória me trouxe a felicidade antiga.” (Canto XVIII)

Quorum sensing: novas possibilidades

No congresso de micro (em outubro do ano passado – 2012), uma palestra que tinha tudo pra ser interessante (e que não ficou nem um pouco abaixo das expectativas) foi a sobre quorum sensing na área de alimentos.

Já falei de quorum sensing aqui no blog… mas acho que vale a pena demais falar de novo, acrescentando as novidades e possibilidades apresentadas na palestra.

Pra começar, o quorum sensing (QS) é a forma como os microrganismos conseguem identificar sua densidade populacional, algo como um censo do IBGE só que funciona de uma forma muito diferente… Enquanto usamos pessoas que passam de casa em casa perguntando quantas pessoas moram em cada casa, as bactérias liberam moléculas que são percebidas por outras bactérias da mesma espécie… A idéia é a seguinte: quanto mais bactérias, mais moléculas estão presentes no meio e, consequentemente, elas percebem se estão em grande ou em pequena quantidade. E qual a importância disso? Bom essas moléculas são capazes de iniciar uma cascata reações celulares que levam a expressão de diferentes genes, dependendo do contexto. É legal falar que tanto as bactéria Gram+ quanto as Gram- realizam QS, mas as moléculas envolvidas são bem diferentes.

Algo que eu ainda não sabia é que além dessa “comunicação” intraespecífica (dentro da mesma espécie), há também QS interespecífico (entre bactérias de espécies diferentes)! Não bastasse isso, ainda há relatos de QS em Candida albicans, um fungo!

Os genes regulado por QS também diferem em cada espécie, veja alguns exemplos de quando falamos em QS intra-específico:

– em Vibrio fisheri e em V. harvey o QS leva a ativação de genes de bioluminescência
– em Pseudomonas, uma bactéria que causa pneumonia em pacientes com fibrose cística, o QS ativa fatores de virulência e induz a formação de biofilme. Em espécies dos gêneros Staphylococcus (patógeno humano) e Erwinia (patógeno vegetal) genes de virulência também são ativados.
– curiosamente, na bactéria causadora do cólera (Vibrio cholerae) o grande número de indivíduos leva a uma redução na patogenicidade do microrganismo. Isso pode estar relacionado com a forma de dispersão do micróbio, que causa uma doença aguda.
– o Staphylococcus aureus, merece um destaque especial pois de acordo com a molécula que a bactéria produz, pode ser classificado em um dos quatro grupos. O mais curioso disso é que as bactérias de um determinado grupo só ativam bactérias do mesmo grupo, podendo inclusive chegar a inibir a produção das moléculas por bactérias de grupos diferentes

Nesse último exemplo vemos uma possibilidade de criar estratégias de combate a um microrganismo utilizando inibidores de QS… Mas porque essa poderia ser uma estratégia interessante, principalmente se considerarmos a preocupante situação da resistência aos antibióticos?

Os antibióticos agem inibindo o crescimento de microrganismos (ou mesmo levando a sua morte) e assim, as bactérias que não são inibidas são selecionadas e se tornam dominantes na população. Por outro lado, utilizando inibidores de QS não estaríamos, a princípio, promovendo uma seleção, pois as bactérias continuariam crescendo e se multiplicando, mas não perceberiam que estão em quantidades elevadas e assim não expressariam muitos dos fatores de virulência.

Apesar de bacteriocinas já serem utilizadas industrialmente, por exemplo a lisina no caso de alimentos processados, podemos persar em novas aplicações a partir dessas novas descobertas. Elas vão desde aplicações na indústria de alimentos, na qual poderia se utilizar de bacteriocinas nas embalagens de alimentos (batatas, por exemplo) visando um maior tempo de prateleira… Em estações de tratamento e empresas que utilizam tubulações, um problema muito comum é a formação de biofilmes que devem ser removidos… A idéia aqui seria associar as bactericinas a detergentes e, assim, facilitar a remoção dessa estrutura bacteriana!

Muita pesquisa ainda deve ser feita para se testar as possibilidades e segurança dessas técnicas… Vamos aguardando!

A química da cerveja [guest post]

Este post foi escrito pelo Anderson Arndt, doutorando em Química pelo IQ-USP.

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Cerveja, a causa e a solução de todos os nossos problemas
Homer Simpson

Eu não nasci há 10.000 anos atrás, mas é provável que algumas pessoas daquela época já tomavam cerveja. Não era a mesma coisa do que conhecemos hoje, claro, mas sim uma bebida fermentada a partir de cereais.

Alguns estudos sugerem que a cerveja [consumida moderadamente] tem algumas propriedades nutricionais importantes, como a presença de vitaminas do complexo B, selênio e atividade antioxidante relativa aos compostos fenólicos presentes. [1].

O processo de fabricação de cerveja em si nem é tão complicado; você só precisa de: cereais pra fazer o malte, lúpulo, fermento e água [eventualmente, um pouquinho de açúcar]. Porém, por trás desse processo, existem diversas reações químicas envolvidas e, se uma delas não ocorrer corretamente, tudo estará perdido.*

O primeiro passo é tacar os grãos (de cevada, trigo ou o que você achar melhor) em água quente, pra “despertar” uma enzima chamada amilase, que quebrará a estrutura do amido – um polissacaríceo de glicose – transformando-o em maltose – um dissacarídeo de glicose. A solução resultante também é chamada de mosto.

A segunda etapa é ferver o mosto acrescentando o lúpulo (Humulus lupulus). Essa plantinha que fornecerá o amargor e aroma à sua cerveja. Durante a fervura, o lúpulo liberará uma “resina” constituída de ácidos do tipo alfa (responsável pelo amargor; quanto mais tempo a fervura, mais amarga a cerveja) e do tipo beta (esses contribuem para o aroma, porém, se oxidados, formarão compostos de enxofre que darão um gosto aparentando estragado à cerveja).* Após esse procedimento, deve-se filtrar, pra retirar o excesso de lúpulo. A reação do malte com o lúpulo, em temperaturas acima de 154ºC, é conhecida como Reação de Maillard.

Agora vem a parte que tem a ver com este blog e, talvez, a parte mais importante do processo: a fermentação. Após a mistura anterior ter esfriado, adiciona-se a tão famosa levedura Saccharomyces cerevisiae que, em um ambiente sem oxigênio, transformará os açúcares presentes em etanol e dióxido de carbono.

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Se o processo de fermentação ocorrer entre 20 e 25ºC, teremos a cerveja do tipo Ale (Stout, Indian Pale, Irish Red, Weissbier, Belgian Golden Strong, …). Porém, se ocorrer entre 7 e 12ºC, teremos as cervejas Lager (a mais comum é a Pilsen, mundialmente a mais consumida).

Pronto, agora é só chamar os amigos, fritar umas calabresas com cebola, curtir sua cervejinha e contar essa história pra eles.

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Bônus: em 2011, na comemoração do Saint Patrick’s Day, a American Chemical Society divulgou um vídeo explicando rapidamente como acontecem essas coisas. Confiram em (vídeo em inglês)

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Texto baseado em: What Are The Chemical Reactions Involved In Beer Making?

[1] Priscila Becker Siqueira, Helena Maria André Bolini, Gabriela Alves Macedo. O processo de fabricação da cerveja e seus efeitos na presença de polifenóis. Alim. Nutr., v.19, n.4, p. 491-498, out./dez. 2008, Araraquara.

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*atualizado às 14h, do dia 17/03/13

um desafio dantesco: iniciei uma jornada infernal

Quando resolvi que iria iniciar esse desafio der ler a obra de Dante Alighieri, só havia a certeza de que “tinha me extraviado, perdi o bom caminho, a via correta no sentido da virtude” (Canto I). Muita coragem em meio a tantas outras prioridades assumir um compromisso sem nenhum outro tipo de retorno senão o pessoal. Quando enfim a coisa começou a ficar séria, e a Fabi e o Ander iniciaram a leitura e logo depois as postagens, juro que “sentia o coração apertado pelo temor e pela incerteza” (Canto I) se conseguiria ler ou não a obra.

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Não nego, palavras de apoio me foram muito importantes… “Tuas palavras acenderam em mim grande desejo de enfrentar a jornada; já não meço esforços para o objetivo que propuseste” (Canto II)… Não podia, porém, deixar-me estagnar na situação em que me encontrava, havia eu de encaixar nesses meus dias atarefados um tempinho para essa leitura… Era como se algo/alguém sussurasse ao pé do meu ouvido: “Mas apressemo-nos, que será longa a jornada” (Canto IV). Sim… Longa jornada, jornada sem volta, em cujo início, um portal ameaça de forma nada acolhedora: “Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais!” (Canto III).

E assim rumei ao Segundo Círculo, cujo espaço é mais estreito, mas onde o poder da dor é mais profundo” (Canto V). Quase uma tortura em alguns momentos… Mesmo em prosa, é impossível não perceber o alto teor lírico que se encontra permeando os parágrafos do meu exemplar… E aos poucos “saímos do lugar sereno para o lugar tremente – e chegamos lá onde luz não brilha” (Canto IV). Não havia mais volta… mesmo contra meus próprios desejos (involuntários? inconscientes?) que insistiam que eu deveria abandonar esse desafio.. “E tu, criatura viva misturada aos mortos, vê se te afasta!” (Canto III).

A vontade de continuar, ver o que eu encontraria nesses 10 primeiros cantos… e nos outros 90 já havia se instalado e eu continuei… Nesse caminho “somos torturados com o castigo de ter nossos desejos para sempre frustrados” (Canto IV), mas por outro lado é um texto tão belo que a tortura se torna prazerosa… A vontade de estar ali acompanhando a jornada de Dante de forma mais próxima enche o peito e me instiga a imaginar o que aqueles rápidos diálogos e aqueles misteriosos personagens ainda nos escondem….

Tendo feito minha escolha, só resta aguardar pelo momento que alguém gritará pra mim – de uma forma silenciosa, para não desistir, me oferencendo ajuda e deixando meu coração mais leve: “Espera por mim, alça o espírito abatido, alimenta-o com a esperança de que não serás abandonado neste horrendo mundo” (Canto VIII). Assim fica mais fácil, sabendo que quando eu estiver emerso, mais profundamente do que deva, terei alguém para esticar a mão e me puxar de volta a realidade.

Vem tu sozinho; fique onde está o atrevido que penetrou neste reino. Que retorne, se puder, pela estrada que percorreu desavisadamente” (Canto VIII)… Posso ter sido um atrevido ao resolver penetrar nesse mundo dantesco… Mas não vou retonar pelo caminho trilhado, prefiro ser surpreendido… Assim como Dante e Virgílio, continuarei pelo caminho (que não é de tijolinhos amarelos), enfrentando os desafios todos que ainda insistirem em cruzar meu caminho.

Nos vemos novamente em breve (em abril), nos próximos 10 cantos (XI a XX) de “A Divina Comédia”…

um desafio dantesco: prólogo

Uma vez eu li que o processo de tradução de um poema é extremamente complexo pois o tradutor teria mais do que traduzir simplesmente o texto, deveria manter o estilo original do autor nos aspectos de rima e métrica… Ou seja, é praticamente escrever uma obra nova! Esse processo deve ser muito complicado quando as línguas são muito diferentes (inglês-português, por exemplo), mas não que para línguas de origem comum (p.ex. as línguas latinas português e italiano) seja mais fácil… Não sou da área, então não vou opinar…

Resolvi começar o texto falando nisso para justificar em parte a escolha da minha edição: a versão em prosa da L&PM, traduzida por Fábio M. Alberti. Meu livro foi impresso no inverno de 2005, e acredito que o tenha comprado na mesma época – estava com uns 17 anos, no último ano do ensino médio e, não sei o motivo que me levou a querer ler esse livro… Não lembro o porque de não tê-lo lido, mas acredito que o fato das quatro tentativas frustradas de ler “Grande Sertão: Veredas” para o vestibular da UFMG naquele ano tenha tido grande parte da culpa…

dante

Mas onde tudo isso se junta? Bom, uma obra que eu tenho há muito tempo vontade de ler, traduzida pra minha língua, numa versão em prosa – já que não sou um grande adepto dos versos -, mas faltava a motivação para retomar (melhor, recomeçar do zero a leitura – quem sabe não fica aqui o desafio de encarar Guimarães Rosa no próximo ano, mas deixa isso pra depois)… Eis que num belo dia do final de 2012 ou do inicio de 2013, meu amigo Ander (Anderson Arndt – @anderarndt) solta no Twitter que queria ler “A Divina Comédia” durante o ano que estava a se iniciar e se alguém o acompanharia… Quando vi isso, resolvi participar do desafio junto com ele e com a Fabi (Fabiana Carelli – @fabiana_carelli) – que já havia aceitado o desafio antes de mim!

Assim como o Ander, achei que simplesmente leríamos o livros e discutiríamos os trechos em off. (Inocentes?) E que guardaríamos essas impressões somente para nós… (Egoístas?) Mas a Fabi já foi de cara estipulando prazos para postarmos nos blogs e fazermos uma discussão aberta. (Pretensiosos?) A regra: 100 cantos, 10 meses (março a dezembro): 1 post por mês contendo as impressões de grupos de 10 cantos. (Corajosos?)

Acho que, por fim, essa tenha sido uma boa escolha… Não sei o que vai sair disso tudo… A Fabi e o Ander já postaram, e eu não quis ler pra ter a minha visão da história e o meu estilo de postagem. Mas se quiserem ler, deixo aqui os links para os blogs deles.

_Post da Fabi >> COMMEDIA I: PROMESSA DE “INFERNO”

_Post do Ander >> Mó comédia esse livro – Parte 1

Enfim, vou encerrar esse prólogo aqui, pois enquanto eles já devem estar na segunda leva de cantos, eu ainda nem comecei a minha primeira… Se precisarei de um guia como Dante precisou de Virgílio, ou de uma musa como Beatriz foi para Dante, ainda não sei… Mas estão todos convidados a acompanhar esse desafio dantesco que eu, o Ander e a Fabi resolvemos enfrentar!

O primeiro desafio para a leitura desse livro foi, depois de uns 7 anos, encontrar em que lugar do mundo, digo, da minha casa, meu livro estava escondido… Esse desafio já foi cumprido!

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