A capa da revista
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Então um dia você chega no lab e se depara com a seguinte cena:
Sim… você encontra uma capa de revista no quadro de avisos. Você faz o que? Vai olhar pra ver o que é, claro!
Então você olha de perto, abre a folha, olha a contra capa… E o que você descobre?
NADA!
Era só a capa da revista. Não tinha índice, não tinha nada que indicasse o motivo dela estar ali. Fui então perguntar para o pessoal do lab o que era aquilo: ninguém sabia…
Resolvi tirar a minha dúvida (e a de todo mundo que estava no laboratório naquela hora) e perguntei ao professor. Descoberto o motivo, escrevi um bilhetinho para avisar os desavisados. Ficou curioso? Olha o bilhetinho que eu!!!

Pessoal, este é o volume da revista na qual o artigo da Fabs foi publicado. Aí você deve estar se perguntando: por que colocar a capa da revista e não a primeira página do artigo? A resposta é simples: tá vendo estas fotos na capa? Então, são do artigo da Fabs! Legal, né!?
(E não, bilhetes de laboratório não precisam ser chatos e formais)
É claro que eu também não deixaria de comentar o que são as fotos. Dá só uma olhadinha…
As imagens são de microscopia eletrônica do intestino delgado de camundongos “germ-free” que:
A) foram desafiados com Salmonella. Repare como a bactéria está dispersa pela mucosa.
C) os animais foram tratados com um probiótico (Saccharomyces boulardii) comercial e desafiados com Samonella.Reparem que a bactéria tende a se ligar na levedeura ao invés de se ligar no intestino dos camundongos.
B) aqui, utilizamos uma linhagem da levedura S. cerevisiae isolada da produção de cachaça como probiótico. Os resultados com essa levedura foram semelhantes aos apresentados pelo probiótico comercial.
A ideia é conseguir no futuro transformar essa levedura em produto para que possamos ter aqui no Brasil um produto nacional tão eficiente quando o outro que já está estabelecido comercialmente, e que tenha um custo significativamente mais baixo!
Um “VIVA!” às bactérias
Já falei isso aqui no blog uma vez - e inclusive uso uma versão dessa frase na minha descrição ali na barra lateral direita do blog… Mas essa foto que chegou às minhas mãos hoje à tarde (Obrigado, Roberto e Ísis!!!)…
Infelizmente não sei de quem é a autoria, nem a origem da foto.
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Parede celular bacteriana: você realmente sabe sobre ela?
No ano passado, escrevi o post “Genoma bacteriano – por uma visão menos simplista…“, como resultado de um seminário que apresentei em uma disciplina de morfologia e fisiologia bacteriana…
Um outro tema muito curioso que me chamou a atenção nessa mesma disciplina foi um seminário sobre parede bacteriana… Sim, esta estrutura tão conhecida ainda tem coisas que podem nos surpreender.
Foi por isso, que pedi ao Rafael Bastos, que é biólogo pela UFV e está fazendo mestrado no meu lab, para escrever um pouquinho sobre esse tema, já que na disciplina desse ano o grupo dele foi responsável pelo tema!
Vamos quebrar mais um paradigma da microbiologia!?
Parede celular bacteriana: você realmente sabe sobre ela?
por Rafael Bastos
Acredito que a estrutura da parede celular seja um dos temas mais abordados em qualquer disciplina básica ou avançada de microbiologia. No entanto, será que realmente conhecemos a estrutura da parede celular bacteriana? E as diferenças entre Gram positiva e Gram negativa?
Todos os livros de microbiologia caracterizariam a parede celular bacteriana da seguinte maneira:
Composta por uma rede macromolecular de peptideoglicano, cuja parte sacarídica é constituída de dois açúcares, N-acetilglicosamina(NAG) e N-acetilmurâmico (NAM), ligados um ao outro e formando uma fileira de dissacarídeos repetidos. As fileiras adjacentes são ligadas por polipeptídeos e esses polipeptídeos, ainda, podem estar ligados a uma ponte interpeptídica em algumas espécies.
E as diferenças entre Gram positiva e Gram negativa?
As Gram positivas possuem ácidos teicóicos e muitas camadas de peptideoglicano, enquanto as Gram negativas não possuem ácidos teicóicos, possuem uma ou poucas camadas de peptideoglicano, além de possuírem a camada de lipopolissacarídeo (LPS) e o periplasma.
Comparação clássica das paredes de bactérias Gram-positivo e Gram-negativo, imagem do livro “Microbiologia de Brock” – clique para ampliar
Contudo, recentes publicações têm demonstrado que a estrutura pode ser muito mais complexa e diversificada do que nós imaginávamos e que ainda não conhecemos algo que parece tão trivial em um primeiro momento que é a parede celular bacteriana.
Na verdade, parecem existir dois principais modelos de parede celular:
O primeiro é conhecido como modelo em camadas e seria esse que nós estamos habituados, com a camada de dissacarídeos repetidos sendo paralela ao eixo principal da célula.
O outro modelo é conhecido como “Scaffold” (andaime). Nesse caso, a camada sacarídica seria perpendicular ao eixo principal da célula. Acredita-se que a parede celular do Staphylococcus aureus poderia ser assim, mas os estudos ainda não são totalmente conclusivos.
Modelo em camadas e em andaime. (Gan et al., 2008)
Além disso, outras novidades seriam a presença do periplasma (ou um espaço semelhante ao periplasma) em bactérias Gram positivas e o fato que a fileira formada pelos dissacarídeos repetidos não é contínua e sim interrompida. Essas fileiras, portanto, podem possuir diferentes tamanhos, o que pode indicar se a parede celular de uma determinada bactéria se encaixa em um modelo ou outro.
Outro fato que às vezes não está muito claro nos livros didáticos é que a camada mais externa de LPS praticamente não possui fosfolipídeo, ao contrário da camada mais interna e das membranas plasmáticas. Essa camada (camada externa da membrana externa) possui apenas lipopolissacarídeos.
Mas o mais interessante sobre esse assunto é o que descobriram sobre a parede de Bacillus subtilis. Os pesquisadores descobriram que as fileiras formadas pelos dissacarídeos nessa bactéria eram muito grandes, bem maior que o comprimento e a largura da célula. Dessa forma, ela não se encaixaria em nenhum dos dois modelos já citados ( camadas e andaime).
Através da microscopia de força atômica eles observaram e concluíram que o peptideoglicano de B. subtilis se enrola sobre ele mesmo e circunda toda a célula, semelhante a uma corda, por isso esse modelo ficou conhecido como “modelo em corda”.
Parede de B. subtilis: modelo em cordas. (Hayhurst et al., 2008)
Essas descobertas são interessantes por si só, contudo, elas também nos fazem pensar como a ciência é dinâmica e que nós ainda sabemos pouco sobre assuntos que muitas vezes podem parecer bem estabelecidos.
Gan, L. et al. (2008). Molecular organization of Gram-negative peptidoglycan Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0808035105
Hayhurst, E.J. et al. (2008). Cell wall peptidoglycan architecture in Bacillus subtilis Proceedings of the National Academy of Sciences DOI: 10.1073/pnas.0804138105
Menos… Bem menos… Quase nada!
Você já se perguntou quantos microrganismos existem no planeta Terra? Pode ser que você nunca tenha se feito esse questionamento, mas tem gente que já fez… E é sobre isso que vamos falar aqui hoje!
Já falei algumas vezes aqui mesmo no blog que temos cerca de 10 vezes mais bactérias no nosso corpo do que o número de células humanas! Isso só é possível porque esses microrganismos são muito menores que uma célula humana… Com isso, 10^14 células microbianas estão espalhadas por nosso corpo e pesam cerca de 1,5 kg. A interação entre o hospedeiro e sua microbiota associada é tão intensa que alguns autores sugerem o termo superorganismo para se referir a esse complexo biológico! Estamos agora numa fase de tentar descobrir quais são esses microrganismo que compõem essa microbiota para assim conseguirmos entender um pouco melhor essas relações – é o que chamamos de projeto microbioma humano. Esse nome provavelmente não deve soar muito estranho… Se você fez uma associação com o projeto genoma humano, a ideia é mais ou menos essa, mas ao invés dos genes humanos estamos falando de genes microbianos!
Pois bem… Imagine agora se os cientistas não satisfeitos em descobrir quais micróbios habitam nosso corpo resolvessem tentar descobrir a diversidade de microrganismos que habitam o nosso planeta… Pois então, eles estão fazendo isso!
Um grupo de geomicrobiologistas da Universidade de Potsdam (Alemanha), estudando a microbiota de sedimentos marinhos, desenvolveu um modelo acurado para verificar a distribuição desses microrganismos. O artigo foi publicado conceituada PNAS (27/08/12) e os resultados são bem surpreendentes.
Estimativas antigas, mas não tão antigas assim (Whitman et al, 1998) sugeriam que deveria haver cerca de 35.5×10^29 microrganismos no solo oceânico. Esses valores são incrivelmente contrastantes com os encontrados por Kallmeyer e colaboradores…
Quer saber quanto? Bem pense em menos… Bem menos… Quase nada!
Tudo bem, eu admito, 2.9×10^29 não é “quase nada”… Mas veja bem… Esse valor, apesar de gigantesco, representa apenas 8% da estimativa anterior! Mesmo assim, seriam cerca de 10 milhões de trilhões de micróbios para cada humano no planeta [e corresponderia a ~0,6% da biomassa total da Terra]. Pare e reflita sobre isso!
Projetando a nível global (não só os oceanos), eles sugerem que haveria uma redução de 50%-78% no número de microrganismos (de 41,8-64,3×10^29 para 9.2-21,7×10^29 células).
É aquele negócio… esses números são quase nada comparada aos valores de 1998, mas continuam sendo números exorbitantemente grandes!
Atualização (31/09): É claro que uma alteração tão drástica no número de células microbianas impactaria as estimativas da biomassa total da Terra. Os autores sugerem que haveria uma redução de 915-1.108 Pg de carbono, para 614-827 Pg de C [uma média de (713 Pg)]. Só pra constar, um petagrama (Pg) equivale a 10^15 g.
Jens Kallmeyer, Robert Pockalny, Rishi Ram Adhikari, David C. Smith, & Steven D’Hondt (2012). Global distribution of microbial abundance and
biomass in subseafloor sediment PNAS DOI: 10.1073/pnas.1203849109
A geladeira que queria amor…
Outro dia, equanto estava num dos laboratórios aqui do Depto de Microbiologia/UFMG, vi, na geladeira da salinha dos estudantes, um cartazinho… Achei tão simpático que resolvi tirar uma foto para compartilhar com vocês =)
Podemos refletir não só sobre a conservação dos bem públicos e de uso comum, mas também da importância da manutenção das relações interpessoais no ambiente de trabalho – que conhevenhamos, muitas vezes é dificílima!
A bactéria na alga no crustáceo
Esse GIF simplesmente fantástico é composto por imagens de microscopia eletrônica de varredura (MEV). De início vemos um anfípodo, um pequeno crustáceo… Então vamos nos aproximando mais… mais… mais… e temos uma diatomácea, um tipo de alga. E não paramos por aí! A aproximação continua mais… mais… mais.. mais… e mais um pouquinho e o que é aquilo na alga? Sim, meus queridos, uma bactéria!
The Best GIF ever, não é não!?
Onde você teria imaginado que um único GIF poderia conter um anfípodo, uma alga e uma bactéria juntos?
Ah!!! Reparou na escala que vai se ajustando no canto inferior direito? Ela vai de 1mm a 500nm!
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Foi uma dica do vizinho Carlos Hotta!
O GIF foi feito por James Tyrwhitt-Drake da University of Victoria.
O post original você vê aqui!
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Mas só pode ser um milagre, Mr. Feynman!
Acabei de ler, no último sábado, o livro “A magia da realidade”, cujo autor, Richard Dawkins, biólogo, é muito famoso por seu movimento ateísta e sua tentativa de divulgar a evolução. No ultimo capítulo “O que é um milagre?”, Dawkins apresenta para seus leitores a Lei de Hume que (como disse nas minhas impressões do “Livro dos Milagres“) pressupõe que as explicações para um milagre devem ser mais convincentes do que qualquer outra explicação racional/natural – inclusive a de o milagre ser, na verdade, uma fraude.
Reproduzo abaixo um trechinho bem curioso do livro, no qual o físco Richard Feynman se deparou com uma situação cuja primeira coisa que muitos devem ter pensado ao ficarem sabendo do ocorrido seria: Mas só pode ser um milagre, Mr. Feynman!
Às vezes podemos identificar com precisão a causa de uma coincidência estranha. Um grande cientista americano chamado Richard Feynman perdeu tragicamente a muher, que morreu de câncer, e o relógio no quarto dela parou bem no momento da morte. Frio na espinha! Mas o doutor Feynman não era considerado um grande cientista à toa. Ele foi averiguar e descobriu a verdadeira explicação. O relógio estava com defeito. Se o inclinassem, ele parava. Quando a sra. Feynman morreu, a enfermeira precisou saber a hora da morte para informar no atestado de óbito. O quarto do hospital estava escuro, por isso ela pegou o relógio e o inclinou na direção da janela para enxergar o mostrador. Foi nesse momento que o relógio parou. Nada de milagre, apenas um mecanismo defeituoso.
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O livro “A magia da realidade” é um livro voltado para o público infantil/juvenil/adolescente – desculpa, mas eu não sei como classificá-lo. Apesar de ter gostado muito do livro, não vou fazer uma resenha. Deixo aqui duas sugestões: a primeira foi publicada no blog Meia Palavra e a segunda é o jornalista Carlos Orsi, no Amálgama.
Se você quiser dar aquela espiadinha nas primeiras páginas do livro, a editora Companhia das Letras disponibilizou um pdf em seu site. Para lê-lo, é só clicar AQUI.
Para mais informações, clique na capa do livro. =)
Dawkins R. A Magia da Realidade. Companhia das Letras: 2012
MICRO-OLIMPÍADAS 2012: mergulho e olimpíadas de inverno
Chegamos ao fim das nossas postagens sobre as olimpíadas microbianas… Uma nota rápida para podermos falar quem levou o ouro para casa nas duas últimas provas.
MERGULHO
Nesta prova os competidores ganhavam pontos pela profundidade e beleza do mergulho. A bactéria que pendurou (oi?) a medalha de ouro foi a fluorescente Photobacterium phosphorium. Depois de treinarem muito para conseguir falar o nome da vencedora, os juízes explicaram os motivos da escolha: além de emitir brilho próprio, o que leva a um belíssimo espetáculo no fundo do oceano, o microrganismo ainda deixa iluminado seu hospedeiro, um peixe de águas profundas… Muito profundas! Aplausos para o vencedor!
OLIMPÍADAS DE INVERNO
Para nós que vivemos em um país tropical, as provas de inverno soam bastante curiosas. Nessa competição os microrganimos foram testados ao máximo – ou melhor, ao mínimo. Sim, queridos leitores, aqui o vencedor é aquela bactéria que conseguir demonstrar que merece, de verdade, o título de psicrófila. Os competidores vieram de pontos bem gelados, do gelo antártico e dos permafrosts siberianos. Após uma competição muito apertada, quem foi pra casa com uma medalha de ouro, digo, com três medalhas de ouro, foi a Colwellia psychrerythraea linhagem 34H. Por que ela venceu? Consegue se multiplicar a -12ºC, se mover a -10ºC e manter suas enzimas ativas a -20ºC. Tá bom ou quer menos?
PALAVRAS FINAIS
As olimpíadas de 2012 se despedem, mas deixam um gostinho de quero mais. Não podemos esquecer que em quatro anos as provas serão sediadas aqui em Brasil! Novos competidores? Novas provas? Vamos, gente, comecem a treinar seus microrganismo para não fazermos feio nas próximas olimpíadas!
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Merry Youle, Forest Rohwer, Apollo Stacy, Marvin Whiteley, Bradley C. Steel, Nicolas J. Delalez, Ashley L. Nord, Richard M. Berry, Judith P. Armitage, Sophien Kamoun, Saskia Hogenhout, Stephen P. Diggle, James Gurney, Eric J. G. Pollitt, Antje Boetius, & S. Craig Cary (2012). The Microbial Olympics Nature Reviews Microbiology, 10, 583-588
MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – Corrida de revezamento
E este é mais um post da cobertura das micro-olimpíadas 2012!
Um dos fatores que temos que considerar quando falamos da patogenicidade dos microrganismos está relacionado ao equilíbrio que se estabelece entre o nível de virulência e a capacidade de transmissão. Isso significa que se o microrganismo for muito virulento ele pode diminuir muito a sua capacidade de transmissão ao matar o hospedeiro muito rapidamente, por exemplo!
Aqui o objetivo da prova era descobrir qual dos microrganismos possui a maior da capacidade de transmissão entre hospedeiros! Mas aqui, o jogo é um pouquinho diferente: quatro humanos, cada um em uma raia, e infectado por um microrganismos diferente (veja a lista abaixo). Dada a largada os humanos saem em disparada até chegarem ao ponto onde irão se encontrar com outro humano. Aí é a vez do microrganismo entrar em ação e garantir a passagem para o novo hospedeiro.
Então, a saber: Raia 1: Yersinia pestis, microrganismos responsável pela peste bubônica. Raia 2: Chlamydia trachomatis, causadora de DSTs. Raia 3: o vírus influenza H5N1 – da gripe aviária. Raia 4: rinovírus, o menor de todos e causador do resfriado comum.
E em primeiro lugar: Rhinovirus! Utilizando-se da estratégia que combina baixa virulência e alta taxa de transmissão, garante uma elevada taxa de transmissão e baixa mordidade em seus hospedeiros!
Em segundo lugar: Clamydia tracomatis. A sua baixa virulência, combinada com as dificuldades inerentes a uma baixa transmissão que dependente de relações sexuais entre os hospedeiros.
O bronze vai para a peste (Yersinia pestis), que devido a seu alto poder infectante e taxa de transmissão elevados, acaba deixando seus hospedeiros extremamentes doentes e incapazes de dispersar a doença. Na verdade ela teve sorte de chegar até a linha de chegada nessa corrida!
O H5N1 pede a corrida, por sua baixa capacidade de transmissão entre hospedeiros humanos. Mas em entrevista ele já anunciou que vai continuar seus treinos e espera melhorar sua transmissão a tempo das olimpíadas do Rio, em 2016!
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Merry Youle, Forest Rohwer, Apollo Stacy, Marvin Whiteley, Bradley C. Steel, Nicolas J. Delalez, Ashley L. Nord, Richard M. Berry, Judith P. Armitage, Sophien Kamoun, Saskia Hogenhout, Stephen P. Diggle, James Gurney, Eric J. G. Pollitt, Antje Boetius, & S. Craig Cary (2012). The Microbial Olympics Nature Reviews Microbiology, 10, 583-588
MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – Lançamento de moléculas efetoras
E continuando a nossa cobertura das micro-olimpíadas 2012…
Microrganismos são capazes de liberar moléculas efetoras capazes de modular as respostas dos hospedeiros e, assim, facilitarem os processos de colonização e dispersão. Essas moléculas podem agir localmente ou bem distante da célula microbiana. Nesta competição, o vencedor será o patógeno animal ou vegetal que conseguir propelir mais longe seus efetores.
Apenas quatro competidores:
O primeiro competidor é Magnaporthe oryzae: fungo responsável por uma doença altamente destrutiva de plantações de arroz. Após penetrar no tecido vegetal, o fungo libera seus efetores que se movem pela planta via plasmodesmos.
Em seguida foi a vez de Haptoglossa mirabilis mostrar a que veio – mas esse fungo foi desclassificado por utilizar de uma arma para lançar seus efetores.
O terceiro competidor é a bactéria Gram-positivo e em forma de bastonete Clostridium botulinum. Secretando a poderosa toxina botulínica, uma neurotoxina que quando ingerida por humanos (e outros animais) causa um quadro de paralisia. A exposição pode tanto pela infecção bacteriana quanto pela ingestão de alimento contaminado. Assim, a toxina se move pelo corpo do hospedeiro e para longe da bactéria. A toxina é ainda utilizada para procedimentos médicos e estéticos (botox) – o que faz do clostrídio um forte candidato ao ouro.
Por fim, Puccina monoica, o fungo da ferrugem. Após a infecção, o fungo induz a produção de estruturas semelhantes a flores de Boechera e liberam uma substância odorífera. Esses efetores voláteis, são atrativos para insetos que possuem participação essencial no ciclo reprodutivo sexual do fungo. Esses efetores dispersam-se a longas distâncias, as distâncias mais longas da competição!
Assim, sem sombra de dúvidas e apesar da cor de ferrugem, quem leva o outro é o Puccina. O Clostridium fica com a prata e Magnaporthe fica com o bronze!
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Merry Youle, Forest Rohwer, Apollo Stacy, Marvin Whiteley, Bradley C. Steel, Nicolas J. Delalez, Ashley L. Nord, Richard M. Berry, Judith P. Armitage, Sophien Kamoun, Saskia Hogenhout, Stephen P. Diggle, James Gurney, Eric J. G. Pollitt, Antje Boetius, & S. Craig Cary (2012). The Microbial Olympics Nature Reviews Microbiology, 10, 583-588


















