entre aspas: Carl Sagan

estou lendo o livro “o mundo assombrado pelos demônios”, do carl sagan, depois de algumas tentativas frustradas no passado. Acho que ainda não era a hora e agora estou lendo e adorando o livro. uma das coisas interessantes da experiência de leitura foi poder ver as alterações dos trechos iniciais que achei que deveriam ser marcados… não é o momento ainda de falar dessas citações, mas tem uma que não podia deixar de citar aqui:

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ele faz essa citação no final do capítulo 7, após passar alguns capítulos questionando as descrições de encontros com alienígenas e seres de outras dimensões/divinos.

e é um ótimo momento pra relembrar um post antigo aqui do blog: maravilhas microbianas


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entre aspas: Marcelo Gleiser

gleiser

“Essa história de que ciência é coisa de nerd é besteira, ciência é legal e pra todos, basta ter interesse em aprender.” 

“Não use Deus para acobertar sua ignorância… se quer acreditar nEle, tudo bem, mas acredite por outros motivos”

O  físico Marcelo Gleiser ministrou uma palestra hoje na Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Eu não estive lá, mas a Marcinha, minha amiga estava, e registrou essas duas frases que ele disse durante a paletra.

um desafio dantesco: inda há muito que descer

se você ainda não sabe do que se trata essa série de posts [um desafio dantesco], aceite o desafio de ler esse post… e esse aqui também.

‘Paremos um pouco na descida’, propôs Virgilio, ‘pois convém acostumar o olfato ao mau cheiro. Assim não sofremos tantos seus maus efeitos’. Disse-lhe eu: ‘Então, mestre, faz com que o tempo da espera não fique sem proveito’. ” (Canto XI). E nesse meio tempo ficamos parados ali, criando coragem pra retomar nossa leitura… enquanto ocupávamos nosso tempo com atividades acadêmicas. E aos poucos cada um foi iniciando a continuação da jornada… em ritmos diferentes, cada um ao seu tempo.

Inda há muito que descer” (Canto XI), eu sabia disso, mas tive realmente muita preguiça de continuar esse desafio… “A trilha pela qual descíamos era tão rude, tão desprovida de encantos, que a todo olhar causaria assombro” (Canto XII). A sensação que eu tinha à medida que eu ia lendo os cantos é que a história vai se repetindo… repetindo… e a preguiça vem surgindo… surgindo… E acho que assim me lembrei do por quê ter desistido de ler a comédia há 10 anos…

E assim, cada vez mais, eu descreveria essa minha leitura desse livro com a seguinte passagem: “quando adentramos uma floresta de tal modo espessa que por trilha alguma era cortada. Sua fronde não era verde, mas escura; não eram lisos seus ramos, e sim, nodosos, e deles pendiam, em lugar de frutos, farpas venenosas. ” (Canto XIII). Sério… não está fácil, não está sendo prazeroso…

Já que : “Baixamos então àquele solo coberto de pedras que cediam ao peso de meus pés, carga a que não estavam acostumadas” (Canto XII), e como eu não tenho mais escapatória (ainda que por orgulho). Sobre o orgulho, em relação a mim, diz: “Ele vive. E a mim incumbe mostrar-lhe o vale maldito. Necessidade, e não prazer, move-o” (Canto XII). E assim, com a tentativa de tornar essa jornada mais fácil (ou palpável, ou agradável, ou menos torturante – ainda não sei qual palavra descreveria melhor), adquiri duas adaptações em quadrinhos…

A primeira, de autoria do designer gráfico americano Seymour Chwast e publicada pela Quadrinhos na Cia., é uma releitura um tanto livre da obra de Dante… ainda estou meio assustado e tentando me acostumar com o estilho que me apareceu nas primeiras páginas que li.

A segunda, que ainda não comecei a ler e só folheei, é de autoria de Piero e Giuseppe Bagnariol e foi publicado pela editora Peirópolis. Essa edição parece seguir uma linha mais clássica e estou, de verdade apostando mais nela do que na outra.

Enquanto Virgílio e Dante são confrontados pelo centauro Quíron: “Perceberam que o que vem por último afunda as pedras sobre as quais pisa? O mesmo não ocorre com os pés dos mortos” (Canto XII); Virgílio responde: “Não é ele um condenado, nem eu sou um perdido” (Canto XII). Eu chego a conclusão que talvez eu esteja, no momento, perdido e condenado…

Ó cupidez cega! Fúria desumana, que durante a curta existência a muitos desgoverna, conduz para sempre à perdição! ” (Canto XII) “Assim falou enquanto caminhávamos” (Canto XX) “E se foi pelo vau, discretamente” (Canto XII) deixando um “até o mês que vem, quando volto com os cantos XXI a XXX”.

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Algumas citações que me marcaram muito (por motivos pessoais, e que justamente por isso não entraram no texto) e que eu gostaria de compartilhar com vocês seguem abaixo:

“Por que me feres? Não possuis um mínimo de piedade?” / “A piedade me paralisa”. (Canto XIII)

“Por que devo com minha dor resgatar tua culpa?”(Canto XIII)

“Eu quis gritar ‘acorde-me com teus braços!’, porém a voz não me saiu.” (Canto XVII)

“Melhor aproveita quem põe mais atenção ao que lhe narram”. (Canto XV)

“Feliz de ti, se com tamanha franqueza e sempre expões teu pensamento. Com isso, grande fama hás de granjear. Mas, pedimos-te, quando voltares a mirar as estrelas, deixando este lugar horrendo, e jubiloso puderes dizer ‘eu estive lá de fato!’, não permitas que nossos nomes sejam esquecidos no mundo dos vivos!” (Canto XVI)

“Como liberto de opressivo peso, fugiu de nós mais rápido que uma flecha.” (Canto XVII)

“Eu te responderei com má vontade. Cedo ao som desse falar gentil que à memória me trouxe a felicidade antiga.” (Canto XVIII)

um desafio dantesco: iniciei uma jornada infernal

Quando resolvi que iria iniciar esse desafio der ler a obra de Dante Alighieri, só havia a certeza de que “tinha me extraviado, perdi o bom caminho, a via correta no sentido da virtude” (Canto I). Muita coragem em meio a tantas outras prioridades assumir um compromisso sem nenhum outro tipo de retorno senão o pessoal. Quando enfim a coisa começou a ficar séria, e a Fabi e o Ander iniciaram a leitura e logo depois as postagens, juro que “sentia o coração apertado pelo temor e pela incerteza” (Canto I) se conseguiria ler ou não a obra.

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Não nego, palavras de apoio me foram muito importantes… “Tuas palavras acenderam em mim grande desejo de enfrentar a jornada; já não meço esforços para o objetivo que propuseste” (Canto II)… Não podia, porém, deixar-me estagnar na situação em que me encontrava, havia eu de encaixar nesses meus dias atarefados um tempinho para essa leitura… Era como se algo/alguém sussurasse ao pé do meu ouvido: “Mas apressemo-nos, que será longa a jornada” (Canto IV). Sim… Longa jornada, jornada sem volta, em cujo início, um portal ameaça de forma nada acolhedora: “Abandonai toda a esperança, ó vós que entrais!” (Canto III).

E assim rumei ao Segundo Círculo, cujo espaço é mais estreito, mas onde o poder da dor é mais profundo” (Canto V). Quase uma tortura em alguns momentos… Mesmo em prosa, é impossível não perceber o alto teor lírico que se encontra permeando os parágrafos do meu exemplar… E aos poucos “saímos do lugar sereno para o lugar tremente – e chegamos lá onde luz não brilha” (Canto IV). Não havia mais volta… mesmo contra meus próprios desejos (involuntários? inconscientes?) que insistiam que eu deveria abandonar esse desafio.. “E tu, criatura viva misturada aos mortos, vê se te afasta!” (Canto III).

A vontade de continuar, ver o que eu encontraria nesses 10 primeiros cantos… e nos outros 90 já havia se instalado e eu continuei… Nesse caminho “somos torturados com o castigo de ter nossos desejos para sempre frustrados” (Canto IV), mas por outro lado é um texto tão belo que a tortura se torna prazerosa… A vontade de estar ali acompanhando a jornada de Dante de forma mais próxima enche o peito e me instiga a imaginar o que aqueles rápidos diálogos e aqueles misteriosos personagens ainda nos escondem….

Tendo feito minha escolha, só resta aguardar pelo momento que alguém gritará pra mim – de uma forma silenciosa, para não desistir, me oferencendo ajuda e deixando meu coração mais leve: “Espera por mim, alça o espírito abatido, alimenta-o com a esperança de que não serás abandonado neste horrendo mundo” (Canto VIII). Assim fica mais fácil, sabendo que quando eu estiver emerso, mais profundamente do que deva, terei alguém para esticar a mão e me puxar de volta a realidade.

Vem tu sozinho; fique onde está o atrevido que penetrou neste reino. Que retorne, se puder, pela estrada que percorreu desavisadamente” (Canto VIII)… Posso ter sido um atrevido ao resolver penetrar nesse mundo dantesco… Mas não vou retonar pelo caminho trilhado, prefiro ser surpreendido… Assim como Dante e Virgílio, continuarei pelo caminho (que não é de tijolinhos amarelos), enfrentando os desafios todos que ainda insistirem em cruzar meu caminho.

Nos vemos novamente em breve (em abril), nos próximos 10 cantos (XI a XX) de “A Divina Comédia”…

um desafio dantesco: prólogo

Uma vez eu li que o processo de tradução de um poema é extremamente complexo pois o tradutor teria mais do que traduzir simplesmente o texto, deveria manter o estilo original do autor nos aspectos de rima e métrica… Ou seja, é praticamente escrever uma obra nova! Esse processo deve ser muito complicado quando as línguas são muito diferentes (inglês-português, por exemplo), mas não que para línguas de origem comum (p.ex. as línguas latinas português e italiano) seja mais fácil… Não sou da área, então não vou opinar…

Resolvi começar o texto falando nisso para justificar em parte a escolha da minha edição: a versão em prosa da L&PM, traduzida por Fábio M. Alberti. Meu livro foi impresso no inverno de 2005, e acredito que o tenha comprado na mesma época – estava com uns 17 anos, no último ano do ensino médio e, não sei o motivo que me levou a querer ler esse livro… Não lembro o porque de não tê-lo lido, mas acredito que o fato das quatro tentativas frustradas de ler “Grande Sertão: Veredas” para o vestibular da UFMG naquele ano tenha tido grande parte da culpa…

dante

Mas onde tudo isso se junta? Bom, uma obra que eu tenho há muito tempo vontade de ler, traduzida pra minha língua, numa versão em prosa – já que não sou um grande adepto dos versos -, mas faltava a motivação para retomar (melhor, recomeçar do zero a leitura – quem sabe não fica aqui o desafio de encarar Guimarães Rosa no próximo ano, mas deixa isso pra depois)… Eis que num belo dia do final de 2012 ou do inicio de 2013, meu amigo Ander (Anderson Arndt – @anderarndt) solta no Twitter que queria ler “A Divina Comédia” durante o ano que estava a se iniciar e se alguém o acompanharia… Quando vi isso, resolvi participar do desafio junto com ele e com a Fabi (Fabiana Carelli – @fabiana_carelli) – que já havia aceitado o desafio antes de mim!

Assim como o Ander, achei que simplesmente leríamos o livros e discutiríamos os trechos em off. (Inocentes?) E que guardaríamos essas impressões somente para nós… (Egoístas?) Mas a Fabi já foi de cara estipulando prazos para postarmos nos blogs e fazermos uma discussão aberta. (Pretensiosos?) A regra: 100 cantos, 10 meses (março a dezembro): 1 post por mês contendo as impressões de grupos de 10 cantos. (Corajosos?)

Acho que, por fim, essa tenha sido uma boa escolha… Não sei o que vai sair disso tudo… A Fabi e o Ander já postaram, e eu não quis ler pra ter a minha visão da história e o meu estilo de postagem. Mas se quiserem ler, deixo aqui os links para os blogs deles.

_Post da Fabi >> COMMEDIA I: PROMESSA DE “INFERNO”

_Post do Ander >> Mó comédia esse livro – Parte 1

Enfim, vou encerrar esse prólogo aqui, pois enquanto eles já devem estar na segunda leva de cantos, eu ainda nem comecei a minha primeira… Se precisarei de um guia como Dante precisou de Virgílio, ou de uma musa como Beatriz foi para Dante, ainda não sei… Mas estão todos convidados a acompanhar esse desafio dantesco que eu, o Ander e a Fabi resolvemos enfrentar!

O primeiro desafio para a leitura desse livro foi, depois de uns 7 anos, encontrar em que lugar do mundo, digo, da minha casa, meu livro estava escondido… Esse desafio já foi cumprido!

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