Happy Halloween!… ou melhor seria, Feliz Dia do Saci!?

Beatrice é uma bióloga e foi convidada para uma festinha de Halloween… Como uma boa bióloga, ela não podia deixar de biologar…

halloween

Beatrice faz tirinhas e as publica no “Beatrice, the biologist”. Veja seu Tumblr e sua página no Facebook! Não deixe de segui-la!

sendo cientista até na hora de criar a senha do email

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Geralmente usamos a mesma senha pra tudo… Quando não é isso, geralmente é uma recombinação de senhas… quase um crossing-over!

E quando o desafio é criar uma nova senha!?

DESESPERO!!! (e não é dessa Desespero aí do lado que eu tô falando não)

O que fazer…?

Aniversário? Nome da cachorrinha? A primeira namorada? Um personagem de livro? Colocar letras maiúculas? Quais? Números e símbolos? Em qual posição?

O que Ricki Lewis (do blog DNA Science) sugere é usarmos o nosso código genético para criarmos novas senhas… Quatro letrinhas A, C, U e G. (ou T, mas aqui estamos falando dos códons de mRNA e, daqui a pouquinho, de aminoácidos). São possibilidades quase sem fim de combinações.

A geneticista já usa essa técnica há alguns anos, quando um colega pediu que ela criasse uma senha: alfanumérica, com mais de 7 números ou letras, e que fosse óbvio para ela, e não para outras pessoas… O código genético se encaixa aí! Algo geralmente aleatório para pessoas leigas, mais com sentido próprio para biólogos (e afins).

O código genético gera 64 combinações entre as bases (sendo, 61 códons que relacionam diretamente com os 20 aminoácidos, e mais 3 códons de parada). Ele é compartilhado por todas as formas de vida que conhecemos. Sejam humanos, plantas, protozoários, um macaco, uma lesma, ou mesmo uma bactéria, um fungo ou um vírus. Ele foi desvendado na década de 1960 e é essa universalidade que permite, dentre outras, as técnicas de transgenia e as novas aventuras nas quais a biologia sintética (veja mais detalhes no nosso vizinho, o SynBio Brasil).

Então… a ideia é juntarmos os 64 códons (3 das 4 letrinhas: A, C, U, e G) além dos nomes e códigos de 1 e 3 letras dos 20 aminoácidos. Vixe! Complicou? Vamos com calma então…

 

1. Esta é a tabelinha do código genético… só escolher as três letrinhas do centro para fora e pronto! Temos o código e o nome do aminoácido correspondente!

Codons_aminoacids_table

 

2. Essa é a tabelinha que relaciona cada um dos aminoácidos a seus códigos de 1 e 3 letras

iGen3_06-02_Figure-Lsmc

 

Abaixo, algumas sugestões de senhas! =)

 

Históricas

• A ideia aqui é usar as sequências utilizadas por Marshall Nirenberg e Heinrich Matthaei nos experimentos que elucidaram o código da vida! Eles criaram mRNA sintéticos e curtos com sequências únicas e observaram quais aminoácidos eles correspondiam… por exemplo uma sequência de UUU levava ao aminoácido fenilalanina (phe), uma de AAA à lisina (lys) e, CCC à prolina (pro). Pronto! Primeira dica de senha: UUUpheAAAlysCCCpro

• O primeiro co-polímero sintetizado foi uma dupla de fenilalanina-isoleucina. Segunda dica: UUUAUApheile

 

Aleatórias

• A ideia aqui é pegar sequencias aleatórias de códons e seus respectivos aminoácidos. Por exemplo: CUGleuAAUasnGUAval

 

Pontuação

• O processo de tradução tem um código de início (start) que é indicado por uma metionina (met) com sequencia AUG… AUGmetSTART

• E tem três códigos (UAG, UAA, UGA) que indicam o término da sequência (STOP)… que tal uma senha: UAAUAGUGASTOP

 

Propriedades químicas da cadeia lateral dos aminoácidos

Antes, vamos entender bem simplificadamente a estrutura de um aminoácido para entender o que é a cadeia lateral.

aminoacido

• Presença de enxofre: AUAmetUGUcys

• Anéis: CCUproline; UAUtyrosine

• Simples: GGUglycine; GCAalanine; AGCserine

 

Sinonímia

• Uma das propriedades do código genético é que ele é degenerado, ou seja, alguns aminoácidos podem ser codificado por mais de um um códon. Como por elexemplo a leucina e a alanina: CUUCUCCUACUGleu GCUGCCGCAGCGala

 

Associações com doenças

• Síndome de Ehlers-Danlos (arginina substituindo uma cisteína na posição 134): Arg134Cys

• Doença de Huntington: CAGglnx36HD

• Oncogene p53: UGAACAGUAp53

 

Dicas dadas, use por sua conta e risco!

Lembrando que: se você trabalha com uma mutação específica, não é muito inteligente usá-la como senha… e, apesar do código genético ser degenerado, o campo de senha ainda não é capaz de reconhecer essa propriedade, ou seja se você colocou uma prolina como CCA, um CCG ali nunca vai funcionar.

 

 

Este post foi derivado da postagem original publicada no PLOS Blogs|DNA Science, no dia 18/12/2014

Meu amigo Murphy #divãdapós

Nunca gostei de café (vejo caras de espanto)… Aí quando passei no mestrado juraram que essa minha aversão passaria e que o café se tornaria um grande amigo… Isso nao aconteceu. Muito pelo contrário, inclusive!

Tentaram instaurar esse ano no lab a prova do café para a entrada e permanência dos alunos de pós-graduação. Usei como argumento o princípio jurídico da irretroatividade das normas e venci a discussão (yeah!!).

Pois bem… Ao contrário do café que continua meu inimigo (acho que exagerei, talvez pudesse falar apenas em desafeto), quem, por outro lado, tem se aproximado muito de mim, é o Murphy... Ele já era meu conhecido de longa data, mas nos últimos tempos praticamente nos tornamos ~melhores amigos~.

Sempre me gabei de ser um dos poucos do lab que fazia coloração de Gram sem luvas ou jaleco, e mal mal manchava a ponta dos dedos… Aí veio Murphy e me fez descobrir que às vezes minhas mãos são Gram-positivo (quando ficam coradas de roxo pelo cristal violeta) e outras Gram-negativo (quando se coram de vermelho pela safranina). Pois bem, passei a usar as tais luvas… Mas como Murphy não consegue ficar longe de mim começaram a aparecer manchinhas roxas e vermelhas nas minhas roupas. A solução foi usar o jaleco sob as ~agradáveis~ temperaturas do lab… Pois bem, acho que deixei Murphy furioso com o uso do jaleco e, agora, estou com meu tênis “safranizado”.

Não bastasse isso, ia começar há algumas semanas um experimento. Mas acabei me esquecendo de arrumar alguma distração pro Murphy, ele então foi lá e não deixou minha bactéria crescer e quando cresceu, contaminou com outra…

Depois de muito custo, consegui recuperar minha bactéria… Foi a vez dele, então, me trollar fazendo com que a morfologia da minha bactéria modificasse e me deixasse surtado por uma boa semana, achando que tinha jogado 3/4 do meu mestrado no lixo trabalhando com a bactéria errada.

Não bastasse isso, fui ajudar uma colega de laboratório com o experimento com os animais isentos de germes. Esses animais precisam de um cuidado todo especial para não se contaminarem com outras bactérias, por exemplo, do ar ou da pele do manipulador. Para isso usamos luvas estéreis, uma salinha específica e fechada para evitar fluxo de ar, touca, máscara, jaleco limpinho (às vezes descartáveis e estéreis também)… Algo mais ou menos assim, ó:

A cara é de mau, mas sou bonzinho ^.^”

Além disso, ração e água são esterilizadas e as gaiolas, além de estéreis, são fechadas com tampas que possuem filtros para impedir a entrada de microrganismos do ar. Então, para garantirmos a esterilidade dos animais (ou que só as bactérias que nós inoculamos estejam presentes) e, portanto, a confiabilidade dos resultados, fazemos coleta de fezes dos animais da gaiola e colocamos em meio de cultura para ver se há crescimento… Pois é, Murphy… você quase conseguiu nos enganar, mas fomos mais espertos e você não conseguiu estragar nosso experimento.

Me falaram que tudo o que aconteceu, aconteceu porquê a pós graduação é como uma montanha russa… outros falaram que é normal ter esses surtos e entrar em crise no final do mestrado… alguns ainda jogaram a culpa na macumba (linda! sério!! olha a foto!) que eu peguei outro dia na porta da minha casa…

A primeira macumba a gente nunca esquece… e tira foto pra postar no blog! E não é que ela era bonitinha!?

Mas no fundo eu sei: é tudo culpa do meu ~amigo~ Murphy…

 

ps1: esse post foi publicado com algumas várias semanas de atraso. Hoje posso dizer que meu tênis que era jeans preto-desbotado, agora é um jeans cinza-quase-branco-desbotado.

ps2: nunca escrevi um texto com tantos “tils irônicos” na minha vida. ~Essa é a informação mais relevante desse post~.


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MICRO-OLIMPÍADAS 2012: mergulho e olimpíadas de inverno

Chegamos ao fim das nossas postagens sobre as olimpíadas microbianas… Uma nota rápida para podermos falar quem levou o ouro para casa nas duas últimas provas.

MERGULHO
Nesta prova os competidores ganhavam pontos pela profundidade e beleza do mergulho. A bactéria que pendurou (oi?) a medalha de ouro foi a fluorescente Photobacterium phosphorium. Depois de treinarem muito para conseguir falar o nome da vencedora, os juízes explicaram os motivos da escolha: além de emitir brilho próprio, o que leva a um belíssimo espetáculo no fundo do oceano, o microrganismo ainda deixa iluminado seu hospedeiro, um peixe de águas profundas… Muito profundas! Aplausos para o vencedor!

OLIMPÍADAS DE INVERNO
Para nós que vivemos em um país tropical, as provas de inverno soam bastante curiosas. Nessa competição os microrganimos foram testados ao máximo – ou melhor, ao mínimo. Sim, queridos leitores, aqui o vencedor é aquela bactéria que conseguir demonstrar que merece, de verdade, o título de psicrófila. Os competidores vieram de pontos bem gelados, do gelo antártico e dos permafrosts siberianos. Após uma competição muito apertada, quem foi pra casa com uma medalha de ouro, digo, com três medalhas de ouro, foi a Colwellia psychrerythraea linhagem 34H. Por que ela venceu? Consegue se multiplicar a -12ºC, se mover a -10ºC e manter suas enzimas ativas a -20ºC. Tá bom ou quer menos?

PALAVRAS FINAIS
As olimpíadas de 2012 se despedem, mas deixam um gostinho de quero mais. Não podemos esquecer que em quatro anos as provas serão sediadas aqui em Brasil! Novos competidores? Novas provas? Vamos, gente, comecem a treinar seus microrganismo para não fazermos feio nas próximas olimpíadas!
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ResearchBlogging.org Merry Youle, Forest Rohwer, Apollo Stacy, Marvin Whiteley, Bradley C. Steel, Nicolas J. Delalez, Ashley L. Nord, Richard M. Berry, Judith P. Armitage, Sophien Kamoun, Saskia Hogenhout, Stephen P. Diggle, James Gurney, Eric J. G. Pollitt, Antje Boetius, & S. Craig Cary (2012). The Microbial Olympics Nature Reviews Microbiology, 10, 583-588

MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – Corrida de revezamento

E este é mais um post da cobertura das micro-olimpíadas 2012!

Um dos fatores que temos que considerar quando falamos da patogenicidade dos microrganismos está relacionado ao equilíbrio que se estabelece entre o nível de virulência e a capacidade de transmissão. Isso significa que se o microrganismo for muito virulento ele pode diminuir muito a sua capacidade de transmissão ao matar o hospedeiro muito rapidamente, por exemplo!

Aqui o objetivo da prova era descobrir qual dos microrganismos possui a maior da capacidade de transmissão entre hospedeiros! Mas aqui, o jogo é um pouquinho diferente: quatro humanos, cada um em uma raia, e infectado por um microrganismos diferente (veja a lista abaixo). Dada a largada os humanos saem em disparada até chegarem ao ponto onde irão se encontrar com outro humano. Aí é a vez do microrganismo entrar em ação e garantir a passagem para o novo hospedeiro.

Então, a saber: Raia 1: Yersinia pestis, microrganismos responsável pela peste bubônica. Raia 2: Chlamydia trachomatis, causadora de DSTs. Raia 3: o vírus influenza H5N1 – da gripe aviária. Raia 4: rinovírus, o menor de todos e causador do resfriado comum.

E em primeiro lugar: Rhinovirus! Utilizando-se da estratégia que combina baixa virulência e alta taxa de transmissão, garante uma elevada taxa de transmissão e baixa mordidade em seus hospedeiros!

Em segundo lugar: Clamydia tracomatis. A sua baixa virulência, combinada com as dificuldades inerentes a uma baixa transmissão que dependente de relações sexuais entre os hospedeiros.

O bronze vai para a peste (Yersinia pestis), que devido a seu alto poder infectante e taxa de transmissão elevados, acaba deixando seus hospedeiros extremamentes doentes e incapazes de dispersar a doença. Na verdade ela teve sorte de chegar até a linha de chegada nessa corrida!

O H5N1 pede a corrida, por sua baixa capacidade de transmissão entre hospedeiros humanos. Mas em entrevista ele já anunciou que vai continuar seus treinos e espera melhorar sua transmissão a tempo das olimpíadas do Rio, em 2016!
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MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – Lançamento de moléculas efetoras

E continuando a nossa cobertura das micro-olimpíadas 2012

Microrganismos são capazes de liberar moléculas efetoras capazes de modular as respostas dos hospedeiros e, assim, facilitarem os processos de colonização e dispersão. Essas moléculas podem agir localmente ou bem distante da célula microbiana. Nesta competição, o vencedor será o patógeno animal ou vegetal que conseguir propelir mais longe seus efetores.

Apenas quatro competidores:

O primeiro competidor é Magnaporthe oryzae: fungo responsável por uma doença altamente destrutiva de plantações de arroz. Após penetrar no tecido vegetal, o fungo libera seus efetores que se movem pela planta via plasmodesmos.

Em seguida foi a vez de Haptoglossa mirabilis mostrar a que veio – mas esse fungo foi desclassificado por utilizar de uma arma para lançar seus efetores.

O terceiro competidor é a bactéria Gram-positivo e em forma de bastonete Clostridium botulinum. Secretando a poderosa toxina botulínica, uma neurotoxina que quando ingerida por humanos (e outros animais) causa um quadro de paralisia. A exposição pode tanto pela infecção bacteriana quanto pela ingestão de alimento contaminado. Assim, a toxina se move pelo corpo do hospedeiro e para longe da bactéria. A toxina é ainda utilizada para procedimentos médicos e estéticos (botox) – o que faz do clostrídio um forte candidato ao ouro.

Por fim, Puccina monoica, o fungo da ferrugem. Após a infecção, o fungo induz a produção de estruturas semelhantes a flores de Boechera e liberam uma substância odorífera. Esses efetores voláteis, são atrativos para insetos que possuem participação essencial no ciclo reprodutivo sexual do fungo. Esses efetores dispersam-se a longas distâncias, as distâncias mais longas da competição!

Assim, sem sombra de dúvidas e apesar da cor de ferrugem, quem leva o outro é o Puccina. O Clostridium fica com a prata e Magnaporthe fica com o bronze!
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MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – Natação: 100 micrômetros estilo livre

E continuando a nossa cobertura das micro-olimpíadas 2012

A final dos 100 um estilo livre ocorreu na piscina olímpica, digo, microscópica. Para uma competição mais justa, apenas bactérias com poucos micrômetros de tamanho e que nadam por rotação de flagelos participam da competição. A grande favorita da competição, a Bdellovibrio bacteriovorus, foi desclassificada ainda nas eliminatórias. Mais um caso de dopping? Não, não… ela foi eliminada por comer outro competidor.

Bactérias nadam com o objetivo de melhorarem o ambiente em que se encontram ou para fugirem de algum predador. E como o comprimento do seu corpo é bem pequeno, elas são capazes de perceber mínimas variações que ocorrem no meio onde se encontram. Isso faz com que, muitas vezes, os microrganismos locomovam-se de forma aleatória. Por esse motivo, metade dos 8 finalistas são geneticamente modificados para não responderem a variações sensoriais e, assim, nadarem em linha reta.

Confira agora a lista dos participantes (pela ordem da raia) desta competição:

1. Escherichia coli quimera – multiflagelada – Japão
2. Escherichia coli – multiflagelada – E.U.A.
3. Vibrio alginolyticus com flagelo puxador – uniflagelada – Japão
4. Vibrio alginolyticus com flagelo empurrador – uniflagelada – Japão
5. Pseudomonas aeruginosa – uniflagelada – Austrália
6. Rhodobacter sphaeroides – uniflagelada – E.U.A.
7. Rhodospirillum rubrum – multiflagelada – E.U.A.
8. Yersinia enterocolitica – multiflagelada – Bélgica

As canditadas 3 e 4 se diferem na forma como seus flagelos promovem a propulsão da bactéria. Em 3, o flagelo gira no sentido horário, e ao girar puxa o corpo da bacteria. Em 4, o sentido é anti-horário, e atua propulsionando o corpo da bactéria!

Foi uma corrida alucinante – veja o vídeo abaixo clicando AQUI!!!

Veja a foto que foi tirada ao final da competição para termos certeza de quem foi o grande campeão.

O grande campeão foi R. sphaeroides (raia 6) que gastou 2.2 segundos para percorrer os 100 um. Com 2.8 segundos, a E. coli (raia 1) ganhou a medalha de prata. E o bronze ficou para P. aeruginosa (que participou de sua segunda competição nos jogos micro-olímpicos). Na raia 7, R. rubrum fica em sétimo lugar gastando 15 segundos para percorrer os 100 um. Na raia 3, logo nos primeiros 10 um, V. alginolyticus começa a girar em círculos e, assim, fica incapaz de terminar a prova, sendo eliminada da competição.

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MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – Vale (quase) tudo para sobreviver

Olá, leitor! Como você deve estar sabendo, estamos fazendo a cobertuda das micro-olimpíadas 2012!

A nota de hoje chega com um pouco de atraso. Alguns problemas foram observados durante a realização do vale-tudo que pelo jeito não vale tudo como muitos pensam.

Hoje aconteceram as semi-finais e a final da vale tudo. Quatro bactérias dignas do título vão disputar qual é a mais resistente e sobrevive por mais tempo.

A primeira semi-final ocorreu entre Deinococcus radiodurans e Pseudomonas aeruginosa. O deinicoco é uma bactéria capaz de sobreviver a doses elevadíssimas de radiação, mas na hora do “vamo vê”, ali no ringue, ele não era o competidor mais agressivo, meus queridos leitores… não, ele não é capaz de causar doenças em humanos, enquanto a Pseudomonas sim – e, sendo um patógeno oportunista, ela buscou explorar todas as fraquezas do seu adversário. A luta começou, Deinococcus não se mexe (gente, ele é imóvel!). Pseudomonas apesar de ter flagelos não consegue se mover pelo ringue até que seu treinador lhe envia um sinal (um auto-indutor) e a bacteria começa a produzir um surfactante que se espalha pelo chão. Ali, consegue se mover em direção ao deinococo. Pseudomonas se aproxima da bacteria que resiste à radiações mas não a toxinas. E, utilizando seu sistema secretor tipo IV, Pseudomonas vence a partida.

A segunda semi-final ocorreu entre Neisseria gonorrhoeae e Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA).Uma das disputas mais aguardadas da competição: de um lado, vestido todo de dourado pela produção do antioxidante estafiloxantina, o MRSA conhecido por ser praticamente impossível de ser nocauteado! Do outro lado a Neisseria que sendo capaz de sofrer variações antigênicas, torna-se dificílima de ser reconhecida e evade facilmente do sistema imunológico humano. Mal a luta começa, Neisseira dá um ganho de direta em MRSA, mas o pilus atingiu uma região “abaixo da cintura” do estafilococco. Neisseria acaba sendo desclassificada.

É meus amigos, a disputa pelo ouro acabou acontecendo entre os grandes rivais Pseudomonas e Staphylococcus. Os dois são conhecidos por serem arqui-inimigos em infecções crônicas! A luta começa e MRSA lança mão de um super-antígeno para recrutar o sistema imunológico contra Pseudomonas. A bacteria atacada não faz por menos e forma um biofilme! Ao invés de se abater Pseudomonas vai ficando cada vez mais forte – um exemplo de sinergia microbiana, meus caros! MRSA está em maus lençóis, e leva uma surra do coquetel de antimicrobianos que Pseudomonas lançou mão. Apesar de sua capacidade elevadíssima em adquirir resistência a antibióticos, o MRSA não foi páreo para Pseudomonas, que leva o ouro.

Se enganou quem pensa que foi assim que tudo terminou.

Entraram com recurso contra a Pseudomonas pelo uso dos auto-indutores. O comitê olímpico microbiano julgou como procedente a acusação e revogou a madelha de ouro conferida à Pseudômonas. O dopping por aqui não passa barato, pessoal!

Assim, a classificação final:

1º lugar – MRSA

2º lugar – Deinococcus

Desclassificados: Pseudomonas e Neisseria.

Lastimável ter que acompanhar essa baixaria que aconteceu hoje, né…?
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MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – Corrida de velocidade (de multiplicação)

Olá leitores do Meio de Cultura… este é a nossa primeira nota sobre as micro-olimpíadas 2012!

Sobre a competição de hoje só tenho uma coisa a dizer: foi uma competição, digamos, inesperada… sério! Vocês deveriam ter acompanhado de perto! Há muito tempo uma notícia repercutiu tanto no mundo do esporte microbiano.

Para quem não sabe, esta modalidade consiste em avaliar, ao final do tempo determinado, qual microrganismo conseguiu originar um maior número de descendentes. O tempo estabelecido pelo tempo gasto pelo primeiro micróbio para se dividir.

O dia estava bastante ensolarado, a temperatura acima dos 30 graus.

O primeiro competidor chegou todo pomposo. Famosa há muito, muito, muito (e bota muito) tempo, a levedura chegou e se posicionou no centro da arena. Muitos aplausos proveniente da minoria da plateia composta pelos eucariotos, e muitas vaias procarióticas podiam ser ouvidas. A levedura começou a se dividir e em 90 minutos houve a separação entre células mãe e filha!

A arena quase veio abaixo quando entrou a competidora bacteria já certa de sua vitória. Os procariotos gritavam de forma ensurdecedora. Escherichia coli adentrou a arena com sua equipe de nutricionistas, que providenciaram para ela um meio extremamente rico, a temperatura elevada deixou todos bem animados. O juiz deu a partidida, e a E.coli tinha 90 minutos para mostrar do que era capaz. 90 minutos foi tempo de sobra! Em apenas 17min já se viam 2, e logo após mais 17 minutos já haviam 4… Alguns membros da plateia com mais habilidades matemáticas gritavam animados que ao final dos 90 minutos seriam vistas cerca de 32 bactérias. Claramente os procariotos já eram considerados os grandes vencedores da competição.

Ouviu-se uma voz saindo dos auto-falantes: “E a medalha de ouro vai para… oh… esperem, o que está acontecendo?!

Sim meus caros, um terceiro competidor surgiu. Os raios UV intensos sobre as E.coli, induziram um prófago existente em uma das células bacterianas. O juiz não decretou nada como irregular, e em pouco tempo a célula de E.coli se rompeu liberando 25 novos profagos! Crescimento exponencial de base 25. A bacteria perto deles era fichinha!

A minoria eucariótica gritava animada, “Morte às bactérias!”, enquanto esses profagos invadiam novas bactérias.

Junto ao massacre, uma onda de desespero tomou conta da arquibanda, desesperadas as bactérias corriam, tremendo de medo, para a saída do estádio. Em meio a flagelos emaranhados, ouviu-se uma voz trêmula anunciar pelo auto-falante: “Ouro para o fago!”

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MICRO-OLIMPÍADAS 2012 – acompanhe aqui!

Como todo mundo deve estar sabendo, os Jogos Olímpicos de 2012 serão em Londrina !

Errrr…, digo, Londres.

E, ao contrário da Copa, durante a qual espero estar bem longe daqui, queria muito estar em lá em Londres para acompanhar algumas das modalidades.
Se você também é um entusiasta das olimpíadas, fique tranquilo, neste ano faremos a cobertura completa!

Já está tudo pronto, a vila olímpica e as arenas – veja na foto abaixo… e os atletas em breve começarão a chegar

As Olimpíadas Microbianas estão aí, meu povo! Essa figura estampa a capa da edição de julho da Nature Reviews Microbiology

Não bastasse isso, neste ano, a chama olímpica está sob aresponsabilidade da atleta Vibrio fischeri (que é biolumiscente) que já está passeando por diferentes comunidades microbianas para que, no dia 27 de julho, se acenda a tocha olímpica que brilhará imponente durante o período dos jogos!

 

(fonte da foto)

Não deixe de acompanhar com a gente as emocionantes dispustas de vale-tudo, corrida de velocidade (de multiplicação), natação – 100 micrômetros estilo livre, lançamento de moléculas efetoras, mergulho, corrida de revezamento (transmissão entre hospedeiros). Além da edição simultânea dos jogos de inverno!

Aguardamos você aqui, a partir do dia 27, para juntos, acompanharmos esses emocionantes embates!

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20/07 – atualizações foram feitas para corrigir o nome de algumas modalidades

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