Mas só pode ser um milagre, Mr. Feynman!

Acabei de ler, no último sábado, o livro “A magia da realidade”, cujo autor, Richard Dawkins, biólogo, é muito famoso por seu movimento ateísta e sua tentativa de divulgar a evolução. No ultimo capítulo “O que é um milagre?”, Dawkins apresenta para seus leitores a Lei de Hume que (como disse nas minhas impressões do “Livro dos Milagres“) pressupõe que as explicações para um milagre devem ser mais convincentes do que qualquer outra explicação racional/natural – inclusive a de o milagre ser, na verdade, uma fraude.

Reproduzo abaixo um trechinho bem curioso do livro, no qual o físco Richard Feynman se deparou com uma situação cuja primeira coisa que muitos devem ter pensado ao ficarem sabendo do ocorrido seria: Mas só pode ser um milagre, Mr. Feynman!

Às vezes podemos identificar com precisão a causa de uma coincidência estranha. Um grande cientista americano chamado Richard Feynman perdeu tragicamente a muher, que morreu de câncer, e o relógio no quarto dela parou bem no momento da morte. Frio na espinha! Mas o doutor Feynman não era considerado um grande cientista à toa. Ele foi averiguar e descobriu a verdadeira explicação. O relógio estava com defeito. Se o inclinassem, ele parava. Quando a sra. Feynman morreu, a enfermeira precisou saber a hora da morte para informar no atestado de óbito. O quarto do hospital estava escuro, por isso ela pegou o relógio e o inclinou na direção da janela para enxergar o mostrador. Foi nesse momento que o relógio parou. Nada de milagre, apenas um mecanismo defeituoso. 

.

O livro “A magia da realidade” é um livro voltado para o público infantil/juvenil/adolescente – desculpa, mas eu não sei como classificá-lo. Apesar de ter gostado muito do livro, não vou fazer uma resenha. Deixo aqui duas sugestões: a primeira foi publicada no blog Meia Palavra e a segunda é o jornalista Carlos Orsi, no Amálgama.

Se você quiser dar aquela espiadinha nas primeiras páginas do livro, a editora Companhia das Letras disponibilizou um pdf em seu site. Para lê-lo, é só clicar AQUI.

Para mais informações, clique na capa do livro. =)

Dawkins R. A Magia da Realidade. Companhia das Letras: 2012

Conselho a um jovem cientista


“Não posso dar a nenhum cientista de qualquer idade melhor conselho do que este: a intensidade da convicção de que uma hipótese é verdadeira não tem nenhuma relação com se é ou não verdadeira”

(Peter Medawar, 1979, em seu livro “Advice to a Young Scientist“)

Peter Brian Medawar nasceu em 28 de fevereiro de 1915, no Rio de Janeiro. Falecido em 2 de outubro de 1987, o biólogo foi vencedor do prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1960 (em conjunto com Frank Burnet) pela descoberta da tolerância imunológica adquirida.

Saiba mais no site oficial do Prêmio Nobel

 

 


Fique atualizado com os novos posts do Meio de Cultura!! Curta nossa página no Facebook e siga-nos no Twitter. Você também pode receber nossas atualizações diretamente no seu email!

Minhas Impressões: “O livro dos milagres”

Resenha ou não, prefiro chamar esses meus texto de “minhas impressões”… E hoje, vou falar um pouquinho do livro-reportagem que acabei de ler: “O livro dos milagres: a ciência por trás das curas pela fé, das relíquias sagradas e dos exorcismos“, de Carlos Orsi, publicado pela editora Vieira & Lent.

Vou, de cara, falar rapidamente sobre a estrutura do livro. A capa não tem nada a não ser uma vela em um ambiente escuro… Essa imagem faz alusão tanto ao livro de Carl Sagan: “O mundo assombrado pelos demônios – a ciência vista como uma vela no escuro”, como à fragilidade desses milagres, que com um pequeno sopro de ciência e pensamento crítico pode se apagar. O título do livro só está impresso na lombada e na quarta capa! – bem diferente do que estamos acostumados, né? Eu, particularmente, gostei bastante dessa capa. O texto é dividido em duas colunas. É um tanto estranho no inicio [várias vezes eu pulei do final da primeira coluna da página da esquerda para o inicio da primeira coluna da página da direita], mas depois a gente vai se acostumando. Fiquei pensando se essa diagramação seria uma alusão à bíblia… O livro é curtinho, tem apenas 144 páginas e as letras são grandes, o que permite uma leitura rápida e agradável, sem contudo ser superficial.

Não conhecia o trabalho do autor, o jornalista Carlos Orsi (twitter / blog), e tomei conhecimento sobre o livro por meio do Twitter. À medida em que via o nome pipocando na minha timeline fui ficando curioso e adicionei o livro aos meus desejados no Skoob. Até que no dia 06 de janeiro, chegando em casa dei de cara com um tweet-promoção do Takata, valendo um exemplar do livro: “Se a contaminação por bactérias fosse a responsável pela idade mais nova do Santo Sudário, qtas delas seriam necessárias?” Mais que depressa procurei algumas pistas para tentar responder a essa pergunta… 5 dias depois, estava de posse do meu exemplar autografado:

Carlos já começa seu livro de forma provocativa. A introdução, logo de início, já despeja os mitos que serão discutidos no livro e deixa bem claro o objetivo do autor ao escrever e publicar seu texto: “facilitar o acesso do público às conclusões científicas acerca dos eventos tidos como milagrosos – explicando-os e contextualizando-os”.

Em seguida, Orsi utiliza da definição do dicionário Houaiss para questionar quão vago é o conceito de “milagre” – que, em várias acepções requer que a ciência seja algo fixo e do qual devemos ter pleno conhecimento, afinal o milagre traspões a barreira das leis naturais. E cita a lei de Hume que pressupõe que as explicações para um milagre devem ser mais convincentes do que qualquer outra explicação racional/natural – inclusive a de o milagre ser, na verdade, uma fraude. É a partir daí que seguem os capítulos que exploram diferentes “milagres”.

No início achei que seria um texto enfadonho, bem chato de ler. Mas fui me surpreendendo durante a leitura que é bastante fluida. O autor apodera-se de diferentes fontes, para mostrar que aqueles milagres cujas explicações transcendem as leis naturais, na verdade tem explicações muito plausíveis e suportadas pelo conhecimento científico. Além disso, para os não conhecedores do eventos descritos no livro, o autor tem o cuidado de contextualizar historicamente e biblicamente (quando o caso) o milagre analisado.

Cito abaixo, alguns rápidos pontos que me chamaram a atenção durante a leitura:

No capítulo sobre a abertura do Mar Vermelho por Moisés, Orsi questiona, por exemplo, a única referência da existência dos hebreus no território egípcio ser a bíblia. Se realmente aconteceu tudo aquilo (as pragas, a abertura o mar vermelho, a morte do exército egípcio pelo fechamento do mar), porque não há nenhum outro registro sobre isso, nem mesmo entre os textos egípcios?

Há algum tempo li uma frase em que o autor falava que todas as histórias que se contam hoje e que se contarão no futuro são reinvenções/variações de histórias que já existem… Essa ideia retomada de mitos já existentes aparece muito no livro. Exemplos? Um rei manda matar crianças por causa de profecia; uma mãe para não sacrificar seu filho, abandona-o e este sobrevive, retornando mais tarde para dar vasão à profecia inicial. Outro exemplo? O filho que nasceu de um deus e uma mulher terrena.

Quadros de epilepsia e enxaqueca estariam ligados a visões e êxtase religiosos, como o de Maomé e do apóstolo Paulo.

A maior crítica que esse livro faz, parece-me estar relacionada não simplesmente aos milagres em si, mas à crença cega a essas, ditas, verdades inquestionáveis. Assim, um leitor religioso, não deveria encarar esse livro como um rompimento de sua fé. A religião como apoio, palavras de conforto, momentos de reflexão e valores morais ainda continua tendo seu valor… e pode servir de pilar para muitas pessoas. O que não se deve fazer é apoiar a fé em milagres, que como Orsi demonstra muito bem nesse livro, parecem não serem tão milagrosos assim!

Mas como assim “parecem”? Hoje mais cedo, enquanto conversava com uma amiga sobre esse livro, levantamos essa questão. Tirando alguns casos bem explícitos no livro (o Santo Sudário é o que ganha maior destaque) onde se mostra que há realmente fraude ou uma explicação real para o milagre, os demais milagres, por diversas limitações, como por exemplo o fato de os envolvidos estarem mortos, restringem-se a tentativas de explicações baseadas no conhecimento científico que dispomos hoje. O próprio Orsi reconhece essa limitação na conclusão do texto – por outro lado, isso por si só não reduz a importância desse livro.

Talvez esteja na hora de você também vestir a carapuça de São Tomé…

Interessou? Para adquirir o livro com 20% de desconto e frete gratis é só clicar no banner abaixo!

Gostei tanto do livro e da temática, que assim que terminei este, já emendei o livro: “Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas” – que já foi resenhado pelo Igor no blog 42, e pelo Kentaro no Ceticismo Aberto. Confere lá! [Ah, só um alerta: a promoção no blog do Kentaro já acabou ;) ]

Compartilhando meu TOP-5 dos livros de 2011

Estava eu planejando minha lista de leituras para 2012, quando resolvi olhar os livros que li em 2011 – um ano que foi bastante atípico pra mim. Eu, que sempre estou lendo algum livro, passei semanas sem ler praticamente nada, ou mais tempo do que o esperado lendo um único livro. As causas disso foram várias, desde a grande quantidade de disciplinas na pós até os ônibus lotados (eu sou desastrado e não queiram me imaginar lendo um livro em pé no busão). Os resultados disso foram: uma pilha gigante de livro que aumentou ainda mais e um novo hábito que adquiri – leitura de HQs. Assim, apesar de o montante de páginas ter sido alto (devido à leitura principalmente de HQs), julgo que escolhi bem os poucos livros que li em 2011.

 TOP 5 (em ordem alfabética)

1984, de George Orwell Ainda não sei porque demorei tanto para começar a ler esse livro. Conhecido por muitos como o livro que cunhou a expressão “Big Brother”, referir-se à 1984 apenas assim é praticar um reducionismo barato. Nesse livro acompanhamos parte da vida de Winston – um homem que vive em um estado totalitário, onde, apesar de tudo ser feito de forma coletiva, as relações interpessoais são inexistentes. Publicado em 1949, 1984 é uma dura crítica aos regimes ditatoriais que surgidos na Europa. Winston trabalha no Ministério da Verdade, adulterando documentos e textos por ordem do governo e, assim, auxiliando na propaganda do Partido – porém, ao invés de ser corrompido pelo estado, Wiston permanece lúcido ao que está acontecendo à sua volta. Apesar da vigilância constante e de ser continuamente incentivado a manter a fé no Partido, Winston apaixona-se por uma colega de trabalho (o que é proibido) e tenta iniciar uma revolução. Após ser capturado Winston ainda tenta, de forma heróica, manter suas convicções e desafiar a manipulação pelo Partido enquanto era torturado no Ministério do Amor.

Alex no País dos Números, de Alex Bellos – Fazia um bom tempo que não lia um livro de divulgação científica (se não considerarmos os livros de divulgação em biologia o tempo aumenta consideravelmente), até que me deparei com Alex no país dos números. O autor é jornalista formado em Matemática e Filosofia… e olhando para a capa (meio infantil) do livro, eu sinceramente achei que poderia estar mergulhando numa grande fria, mas “Alex…” é uma leitura muito agradável pela história da matemática. Sem utilizar praticamente nenhuma fórmula, Alex caminha da geometria a álgebra, passando pelo finito e pelo infinito… Isso tudo ao mesmo tempo em que nos conta sobre suas experiências com diversos matemáticos de diferentes línguas e culturas.

As Intermitências da Morte, de José Saramago – Li dois livros do Saramago em 2011, As intermitências da morte e  O evangelho segundo Jesus Cristo. Estabeleci como critério apenas um livro por autor aqui e, por isso, somente “As intermitências…” figura por aqui. Esse foi o primeiro livro que li no ano passado e o estilo do autor me surpreendeu… e muito! Cansada de viver sendo destestada por todos, a Morte resolve fazer uma greve – e apenas em um país. O que inicia como um momento de patriotismo e orgulho vai aos poucos se tornando um quadro de desespero: questionamentos religiosos, máfia, superlotação de asilos e hospitais… Saramago utiliza-se de um humor ácido para, mais uma vez, nos levar a refletir sobre a condição humana.

Daytripper (HQ), de Gabriel Bá e Fábio Moon – Sem sombra de dúvidas, Daytripper figura nesta lista. Encontrado, por acaso, enquanto olhava os livros escondidos da estante de HQs da livraria, peguei o livro para dar uma folheada e simplesmente me apaixonei pelos desenhos. A sinopse do livro em si não diz muita coisa, e sinceramente não achei muito convidativa – julguei o livro pelas ilustrações e fiz bem! Em Daytripper lemos a história de Brás, um jornalista que escreve obituários. Cada capítulo nos mostra um momento de sua vida e vemos como cada escolha feita em meio a um leque de possibilidades pode nos abrir ou fechar portas – e com isso quero dizer tristeza e felicidade, coisas boas e ruins, amor e solidão ou mesmo a vida e a morte. Eu costumo dizer que a mensagem final é aquela batida frase: “Viva e aproveite cada dia como se fosse o último”, mas em Daytripper, toda a pieguice existente nessa frase vai embora.

Sandman (HQ), de Neil GaimanSandman foi o grande responsável por minha nova mania. Nunca curti muito HQs de super-heróis, e isso sempre me manteve afastado dos quadrinhos. Descobri Sandman por meio de tweets que faziam referências à série. Procurei saber um pouco mais e mergulhei de cabeça nos dois primeiros volumes da edição definitiva! Acho que qualquer coisa que eu disser aqui é pouco para expressar a qualidade dessa série – que é da década de 80 e continua fazendo sucesso!

 

 

MENÇÃO HONROSA

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de Jose Saramago – Livro polêmico, mostra a história de Jesus por um ângulo diferente. Sem apelar para religiosidade, mostra o “filho de Deus” como um homem comum, com desejos e pecados.

Mauricio de Sousa por 50 novos artistas (HQ), editado por Sidney Gusman – os três livros da série MSP50 são muito bons, ver a Turma da Mônica representada por outros quadrinistas é uma experiência interessante. Das três, essa foi a coletânea que mais me agradou!

 

E 2012?

Se o mundo não acabar, alguns dos livros que pretendo ler são:

Asterios Polyp (HQ), de David Mazzuchelli

Retalhos (HQ), de Craig Thompson

A planet of viruses; Parasite Rex; Microcosm – todos do Carl Zimmer

– Reler a série do “Guia do Mochileiro das Galáxias“, de Douglas Adams

As aventuras de Pinóquio, de Carlo Collodi << esse já está separado como o primeiro da lista!

“Além de Dawin” – minhas impressões

Antes de começar eu acho necessário fazer uma pequena ressalva >> Quem me conhece sabe que dificilmente eu pego um livros de contos para ler – não gosto muito, sabe. Aquele texto curtinho que mal você pega, começa a empolgar e… já acabou. Prefiro livro com capítulos longos (Ficadica pra quem for me dar livros de presente).

Pois bem… um dia, lendo os tweets que apareciam na minha página vejo alguém (provavelmente a Bê) comentando de um tal livro… “Além de Darwin”. E depois esse nome foi se multiplicando e junto descobri que o autor (Reinaldo José Lopes) já tem gabarito na área. Depois comecei a ver umas resenhas pipocando ali… outra acolá… todas falando superbem do cara do livro. Pensei comigo mesmo “vou comprar!” – e comprei.

Saí da livraria e quando cheguei em casa, rasguei o plástico que empacotava o livro e fui folheá-lo… Definitivamente esse não seria um livro que eu compraria se estivesse olhando livros na livraria. Provavelmente eu o pegaria, passaria as páginas… mas a estrutura em pequenos textos me faria desistir.

Ainda bem que eu já tinha comprado quando eu vi isso e, que bom, que só ouvi boas palavras do livro.

Além de Dawin – Reinaldo J. Lopes – Ed. Globo

Pois então… “Além de Darwin” é um livro de divulgação científica. Pode ser lido por praticamente qualquer pessoa pois é escrito de maneira fácil sem o uso de termos complexos – os que aparecem são logo explicados de uma maneira extremamente brilhante – e nem por isso é superficial.

Reinaldo começa seu livro fazendo um breve resumo da história da Terra. Depois passeia pelos mais diferentes temas (?) da biologia: da biologia molecular, passando pelas bactéria, os animais, o sexo… tudo isso de forma fluente, em um constante diálogo com o leitor. Reinaldo consegue ainda tecer paralelos com a história, a literatura e as mitologias grega e nórdica.

Só para deixar quem ainda não leu, com mais vontade, alguns dos temas que são tratados no livro:

  1. Como a evolução fez com que seres adultos mantivesse em sua fisionomia algumas características infantis (pedomorfose)
  2. Fala como o mecanismo de partenogênese (reprodução sem sexo) sem mantém apesar de ser aparentemente inviável.
  3. Os corvos são muuuuito espertos (isso realmente me surpreendeu)
  4. A saída dos vertebrados do meio aquático
  5. A volta dos mamíferos com casco para a água e origem dos cetáceos (lendo você vai entender que não é tão absurdo como, aparentemente, parece – só para completar, esse foi, definitivamente, um dos maiores choques que eu tive durante o meu curso)

E assim, mais do que um livro que um livro que mostra exemplos de fatos que suportam a teoria/o fato da A Evolução, “Além de Dawin é um livro que exalta a vida. E, supreenda-se ou não, Reinaldo é “um católico praticante, o que nos mostra que Religião e Ciência apesar de serem “coisas” distintas, não são, necessariamente, mutuamente excludentes.

Gosta de evolução? Leia “Além de Dawin”…

Não gosta? Leia também… é diversão com conteúdo!

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM