Uma viagem pessoal (no tempo)

Ano de Copa do Mundo, países ameaçando guerras, e os fãs de Ciência no Brasil aguardando ansiosamente a estreia de Cosmos. Não, não estou falando de hoje. Estou falando de Abril de 1982.

Na capa do Jornal do Brasil de 24 de Abril de 82, junto da treta entre Argentina e Inglaterra pelas Falklands, de um novo pacote econômico do governo e dos treinos do Flamengo, a chamada para a matéria do Caderno B (incluindo um resumo de cada um dos treze episódios) sobre a estreia de Cosmos.

titcapb

O primeiro episódio de Cosmos foi exibido no Domingo, às 23:15 (depois do seriado Dallas e do Fantástico). Se por um lado os críticos gostaram da série e do conteúdo, por outro, várias reclamações sobre o horário e a periodicidade (Cosmos estava programado para ser exibido mensalmente) apareceram.

elo1

A Globo então passou a reprisar o capítulo do Domingo no Sábado seguinte, e pela manhã. Mas por causa da Copa e do período eleitoral, Cosmos foi retirado da grade depois de apenas 3 dos 13 episódios exibidos.

A alegria daqueles que não gostavam da série acabou no dia 9 de Janeiro de 1983, quando Cosmos retornou para a programação da Globo, e dessa vez semanal, todo Domingo de manhã.

volta83

O que também voltou foram os elogios para a série que, além de nos ensinar a fazer uma torta de maçã, está na lista de muita gente (eu) como a principal obra da divulgação científica.

elo2

Daft Punk e o olho do Leão da Apollo 17

Antes de Eugene Cernan se tornar o último humano a ter pisado na Lua. Antes de Harrison “Jack” Schmitt ter sido o último humano a cair na Lua. E antes dos dois terem feito o último dueto na Lua, a tripulação da Apollo 17 avistou um objeto desconhecido.

Tripulação da Apollo 17. Da esquerda pra direita: Ronald Evans, Harrison Schmitt e Eugene Cernan

Tripulação da Apollo 17. Da esquerda pra direita: Ronald Evans, Harrison Schmitt e Eugene Cernan

Cernan: Hey, Bob, estou olhando para aquilo que o Jack estava falando, e definitivamente não é uma partícula próxima, porque há outras que eu consigo comparar. É um objeto brilhante e obviamente está rodando, porque está piscando. Ele está distante de nós, e posso dizer isso porque há outras partículas próximas e ele não é uma delas. Aparentemente está rodando em um certo ritmo, porque ele pisca de tempos em tempos. Olhando pra Terra, ele está às 11 horas. Talvez 10 ou 12 diâmetro da Terra. Eu não sei se é algo bom, mas com certeza há algo ali.

Vencedor do Grammy 2014 na categoria Melhor Álbum, Random Access Memories, do Daft Punk, traz Contact (clique pra ouvir) como a faixa que fecha o álbum. Aquela voz no começo da música, descrevendo um objeto não identificado rodando e piscando, é justamente essa conversa do Eugene Cernan. O DJ francês Falcon participou da produção de Contact e selecionou o trecho dentre as gravações originais das missões Apollo cedidas pela NASA.

Contact coloca a fala do Astronauta em um contexto de um avistamento de OVNI e provavelmente há conspiracionista que deve usar esse trecho como evidência da visita de seres extraterrestre. Mas, afinal, o que os Astronautas da Apollo 17 estavam vendo?

Ou não.

Ou não

A conversa continuou, e entre dados técnicos da missão e o resultado do jogo do Cowboys (venceram por 34 a 24, conseguindo uma vaga nos playoffs da NFC), Robert Parker (o tal Bob) do Controle da Missão pediu aos Astronautas para usarem os instrumentos ópticos da nave e determinar a posição do objeto.

Durante esse procedimento, Jack suspeitou que o objeto poderia ser um dos estágios (S-IVB) do Saturno V. Alguns minutos depois veio a confirmação de Houston.

Bob: “Isso é para o Jack e o Gene. Calculamos a posição do S-IVB em relação ao seu eixo, e o azimute ficou dentro de um grau, muito próximo. Nós calculamos que ele deveria estar, visto da janela, a 62 graus do eixo X, e você reportou 45 graus, o que é apenas 17 graus de erro. É realmente perto. Sabe, é como um movimento do olho.”

Jack: “Isso é ótimo. Então é o S-IVB, né?”

Bob: “Ok, nós… você pode checar isso dessa forma, Jack. Alinhe a estrela Denebola e Rigel… digo, Regulus; Desculpa, Regulus. Denebola e Regulus. E então, nessa linha, vá perpendicularmente em uma linha logo acima de Regulus e ali deve estar o S-IVB. Ele forma um ponto de um triângulo com Denebola e Regulus.”

Jack: “O que você está dizendo é que ele é o olho de Leão?”

Bob: “Positivo.”

daftpunkpalmas

Quão errado está um mapa astral?

Quer dizer, não há qualquer fundamento por trás da astrologia. A visão que nós aqui da Terra temos dos astros na esfera celeste não interfere em nada na nossa personalidade ou no nosso futuro. Então na prática um mapa astral está todo errado.

Apesar da falta de fundamento, todas essas atribuições de características que os astrólogos fazem ainda poderiam ser feitos se os mapas astrais mostrassem as posições corretas dos astros. Mas não é isso que acontece.

Imagine então que exista por aí um cara legal, bonito, inteligente… Imagine que ele tenha nascido em algum lugar no interior do RS, num Fevereiro do final dos anos 80. Se um astrólogo fosse fazer o mapa astral desse cara, seria isso que ele mostraria:

mapa1

Temos Sol e Vênus em Aquário; Lua em Peixes; Mercúrio, Saturno, Urano e Netuno em Capricórnio; Marte e Júpiter em Touro; e Plutão em Escorpião.

Mas se você pegar uma carta celeste de verdade, são essas posições que você vai encontrar para a mesma data e local de nascimento:

skychart01

Agora, o Sol e Vênus estão em Capricórnio; a Lua em Peixes; Mercúrio, Saturno, Urano e Netuno em Sagitário; Marte em Aries; Júpiter em Touro; e Plutão em Libra.

Medindo a diferença entre o mapa astral e a carta celeste, encontramos em média aproximadamente 30 graus, entre a posição real que os astros ocupavam no momento do meu nascimento nascimento do sujeito imaginário, e a posição que o astrólogo “inventou” que eles estavam.

Agora vejam a carta celeste das crianças sortudas que nascerão na próxima Sexta Feira 13, e compare com o mapa astral.

Clique para ver maior

Clique para ver maior

Astronomicamente, Sol e Mercúrio estarão na constelação de Ofiúco. Essa constelação sequer aparece no mapa astral, que coloca o Sol e Mercúrio em Sagitário.

Supostamente um mapa astral deveria mostrar a posição dos astros em relação a esfera celeste no momento do nascimento da pessoa. Mas não mostra porque ignora justamente o conhecimento que supostamente seria um de seus fundamentos: a Astronomia.

A Precessão dos Equinócios, uma mudança da posição do eixo da Terra ao longo do tempo, é o principal fator do deslocamento entre os zodíacos astronômico e astrológico.

Outra diferença é que o zodíaco astrológico delimita um valor fixo para o tamanho dos signos, enquanto astronomicamente as constelações tem tamanhos diferentes. Isso quer dizer que na astrologia o sol vai ficar aproximadamente um mês no signo de Escorpião, mas seguindo a Astronomia ele fica apenas sete dias na constelação de Escorpião.

E qual seria o motivo para Plutão aparecer no mapa, mas Éris ou Ceres serem ignorados?

Astronomia e astrologia por algum tempo no passado foram praticamente a mesma coisa. Conforme a humanidade foi ganhando novos conhecimentos, uma delas tomou o caminho científico, de se corrigir, se adaptar e abandonar aquilo que não funciona.

Cometa ISON

Entre o fim do ano passado e começo desse ano surgiram várias notícias sobre o C/2012 S1, popularmente conhecido como Cometa ISON. Ele foi descoberto pelos Astrônomos Artyom Novichonok e Vitali Nevski mas leva o nome do programa que o telescópio deles faz parte, o International Scientific Optical Network.

As notícias falavam em “cometa do século”, “tão brilhante quando a Lua”, e coisas assim. Eu imaginava que as pessoas iriam se decepcionar quando a hora chegasse e elas percebessem que a coisa não é bem assim pra quem quer observar a olho nú. Mas a verdade é que as pessoas não lembram de notícias antigas…

Se por um lado o ISON não vai parecer tão brilhante quanto a Lua e a humanidade ainda terá uns 80 anos pra outros cometas do século, por outro, ainda pode ser uma boa oportunidade de ver (ou tentar ver) um cometa. É importante entender as condições que permitem que seja possível (ou não) vê-lo.

O brilho das coisas no céu, vistas da Terra, é medido pela magnitude aparente. Menor o número, mais brilhante o objeto. Os humanos conseguem ver coisas de magnitude aparente menor que 6.

ison_lightcurve

Essa figura aí mostra um gráfico com a magnitude do ISON durante alguns dias. A regra é clara. O cometa está se aproximando do Sol, com isso, o seu brilho aumenta.

Quem olha aqui da Terra vê o cometa se aproximando do Sol, e isso é um problema, porque o brilho do Sol ofusca o brilho do cometa. Sem chances de vê-lo de dia. E aqui um lembrete: você NUNCA deve olhar para o Sol.

A poluição luminosa também afeta muito. Lembra do limite de 6 de magnitude aparente que os humanos conseguem ver? Em cidades esse número diminui. É possível que em regiões centrais de grandes cidades você não consiga ver nada com magnitude maior que 3.

Outra situação que vai dificultar uma possível observação é a altura dele no céu. Ele ficará cada dia mais próximo do Sol, e com isso, cada vez mais próximo do horizonte nos momentos que antecedem o nascer do Sol. Ver coisas próximas do horizonte é um problema por causa de fenômenos como o espalhamento da luz e a extinção atmosférica.

Sabendo das dificuldades, o que você tem que fazer é acordar cedo ou ir dormir tarde. Alguns momentos antes do nascer do Sol é uma boa hora pra tentar ver o ISON, porque o Sol ainda não vai ter nascido e porque o cometa já vai ter ganhado um pouco de altitude no céu.

Olhe pra direção que o Sol nasce. As estrelas da constelação de Virgem e Marte podem ser alguns pontos de referência pra ajudar a encontrar o ISON. Na figura da pra ver onde o cometa estará em relação a esses pontos. Segunda ou Terça ainda podem ser bons dias pra tentar olhar. E dificilmente será possível ver alguma coisa depois do fim da semana.

ison2

Binóculos ajudam bastante. Lunetas e pequenos telescópios também. Se você tem algo melhor que isso, provavelmente já sabe o que fazer. ;)

Boa sorte.

ison

Foto: John Nassr – Stardust Observatory (Lente: N16 f/4.5 Câmera: D7000 iso6400 Exposição: 5 minutos)

Ou será que estou errado?

O que eu faço na divulgação científica é tentar evitar uma ou outra baixa numa guerra perdida. Eu sei que não vou viver pra ver uma sociedade onde predomine uma cultura científica. Talvez ninguém, em qualquer tempo ou espaço, vá. E talvez, um dia, a extinção da nossa espécie acabe vindo justamente dessa falta de cultura científica.

Mas eu não deixo de achar espantoso como a falta de cultura científica, aliada com a falta de pensamento crítico, gera situações completamente irracionais.

Coisas como suicídios em massa em seitas e histerias coletivas, coisas como a proliferação de teorias conspiratórias, de lendas urbanas ou mitos populares… E coisas como invadir um importante instituto de pesquisas pra roubar animais e destruir tudo.

Uma das coisas que eu acho muito legal em Ciência, e que se une muito bem ao pensamento crítico, é aceitar e saber conviver com a ideia de que você pode estar errado.

Não somente na ação, mas também na repercussão (principalmente nos paratribuniais que se tornaram as redes sociais) nota-se que não há um puto sequer que se levanta, para, e pensa: “hey, e se por acaso eu estiver errado?”.

Não “errado” no sentido moral da coisa. Errado no sentido de: será que eu tenho conhecimento suficiente para fazer essa afirmação? Será que eu tenho evidências suficientemente boas para essa acusação? Será que isso que estou compartilhando na minha timeline é originado de uma fonte confiável? E se eu não estou bem informado, será que há uma forma de me informar melhor sobre isso e saber o que está acontecendo? Quando esse sujeito diz que eu posso estar enganado, será que ele pode estar certo? Será que ele possuí informações mais válidas que as minhas? Será que as evidências que ele apresenta são mais confiáveis que as minhas? POR MIL CARALHOS, SERÁ QUE ESTOU REALMENTE ERRADO?!?

Outra coisa legal da Ciência é a ideia da importância das perguntas. O Neil deGrasse Tyson falou disso no painel do Cosmos na ComicCon. O Guia do Mochileiro das Galáxias nos ensina o quanto uma pergunta pode nos impressionar mais que uma resposta.

Já dizia o Dwight, “antes de fazer alguma coisa eu me pergunto: um idiota faria isso? E se a resposta for sim, eu não faço”.

Tem muita gente fazendo coisas idiotas por aí. E talvez, um dia a extinção da nossa espécie acabe vindo justamente de uma ação idiota.

Apenas um cachorro em um experimento científico

Apenas um cachorro em um experimento científico

Ratos em garrafas

Convido vocês para um exercício de imaginação, supondo uma situação totalmente hipotética e sem qualquer paralelo com qualquer situação real que possa ter acontecido nos últimos dias.

Você está assistindo ao noticiário, ou está procrastinando nas redes sociais, e se depara com a informação de que um sujeito encontrou um pedaço de rato morto em uma garrafa da famosa e fictícia bebida Alô Diabo.

alodiabo

Talvez a sua primeira reação seja ficar horrorizado, prometer a si mesmo que nunca mais beberá do refrigerante e alertar seus amigos para que façam o mesmo. É compreensível. Ou talvez sua reação seja parecida com a minha, e considere essa história um tanto estranha, pouco provável de acontecer.

Se uma história parece ser tão absurda pra ser verdade, talvez ela não é verdade. E existem várias histórias populares que são absurdas demais para serem verdades, que geralmente não são, mas que são contadas por aí. Chamamos de Lendas Urbanas.

O Dr. Jan Harold Brunvand é um folclorista que pesquisa sobre Lendas Urbanas. Nos seus livros, Too Good to Be True: The Colossal Book of Urban Legends e Encyclopedia of Urban Legends, Dr. Brunvand comenta sobre essa interessante história das alegações de ratos em garrafas de “Coca”.

Entre 1914 e 1976 foram registradas 45 ações jurídicas com casos do tipo. Embora as ações existam, o que caracteriza a lenda é que o que conteúdo da história passada adiante, boca a boca, não é o mesmo conteúdo das ações.

Enquanto o processo jurídico pode estar tratando de diferentes marcas, de diferentes situações, e até mesmo diferentes sentenças, a história passada adiante é a de que um rato foi encontrado na Coca-Cola. Porque contaminação de alimentos sempre chama a atenção, e porque a Coca é a principal marca de refrigerantes.

mouseincoke

Voltando para nossa história imaginária, seria como se o sujeito entrasse com uma ação judicial contra a Alô Diabo, mas não comparecesse para a perícia médica, nem entregasse a garrafa para a perícia técnica, e como essa é uma situação imaginária, poderia ser apenas alguém tentando aplicar um golpe na empresa. Ainda assim, a história passada adiante continuaria sendo a de que “um sujeito encontrou um rato na garrafa da Alô Diabo”.

Penso que um rato nos tanques de envase provavelmente entupiria os canos e os bicos enchedores. Mas como nosso exemplo é imaginário, digamos que por algum motivo qualquer um rato acabou passando pelos processos de limpeza das garrafas, pelos processos de controle de qualidade, e que foi envasado junto do líquido. Foi transportado da envasadora até uma unidade distribuidora, e então, para um mercado, bar, ou outro estabelecimento onde é possível obter um delicioso refrigerante da marca Alô Diabo, sem que os outros produtos do mesmo lote também tenham sido contaminados.

ratinho2

Alguém poderia se lembrar daquela outra Lenda Urbana que diz que alguns refrigerantes podem dissolver pregos e querer justificar que um suposto rato estaria dissolvido em poucos dias. Mas refrigerantes não dissolvem pregos. O que não quer dizer que necessariamente não dissolvam ratos.

O veterinário Lawrence McGill foi testemunha no caso Mountain Dew. Disse em seu depoimento que um rato na bebida estaria dissolvido em 30 dias, restando apenas o rabo. Na nossa simulação, o rato estaria dentro da garrafa há mais de 10 anos. Talvez nem precisasse de tudo isso pra já estar se decompondo.

Se essa fosse uma situação real, você poderia estar pensando: ”mas eu vi um rato dentro da garrafa lacrada…”. Essa seria uma boa evidência, não fosse o fato de ser fácil tirar a tampa de uma garrafa sem romper o lacre.

"Com grandes poderes vem grandes responsabilidades"

“Com grandes poderes vem grandes responsabilidades”

Agradeça nossa amiga dilatação térmica, capaz de fazer um material encolher quando esfriado e expandir quando aquecido. Uma tampa tem quase 1 mm de aumento no diâmetro quando colocada a uma variação de cerca de 75°C (seria como tirar ela de um ambiente a 25°C e colocar na água fervendo). Pode parecer pouco, mas já é suficiente para que, com um pouco de cuidado, seja possível tirar a tampa com lacre e tudo. Não tentem fazer isso em casa…

Falhas em processos industriais podem acontecer, e existem outros casos de contaminação de alimentos por aí. Talvez no mundo real uma série de eventos infelizes acabe fazendo com que alguém encontre um rato numa garrafa. Não acho que tenha sido o caso da nossa história de ficção, em que qualquer semelhança com eventos reais, foi mera coincidência.

Sim, no céu tem pão

pburguerspace

A imagem mostra a Astronauta Peggy Whitson e o Cosmonauta Valery Korzun, na Expedição 5 da Estação Espacial Internacional, saboreando deliciosos (ou nem tanto, é o que dizem) hamburgers.

Sim, no céu tem pão. Há um tempão.

Em 1961, na Vostok 1, Yuri Gagarin levou um sanduíche de salame. Quatro anos depois, um “pão contrabandeado” na Gemini 3 causou um incidente político.

O Comandante Gus Grissom e o Piloto Jonh Young tinham justamente o objetivo de estudar alguns alimentos no espaço. Mas além dos alimentos listados para o teste, John levou escondido em seu bolso um sanduíche de carne.

Alimentação da Gemini 3

Alimentação da Gemini 3

O Senador George Shipley não gostou. Alegando questões de segurança, Shipley afirmou que era desagradável que depois de todo o tempo e dinheiro gastos, um dos astronautas levasse escondido para a nave um sanduíche.

Dr. Mueller, do Departamento de Voo Espacial Tripulado foi a primeiro a vir em defesa do Astronauta da Gemini. Afirmou que a NASA não aprovava objetos não autorizados, como sanduíches, nas espaçonaves, e que tomariam providências para evitar que isso se repetisse no futuro. Mas garantiu que o polêmico sanduíche não afetou as pesquisas que estavam sendo realizadas.

Dr. Gilruth, Diretor do Centro de Voo Espacial Tripulado em Houston também defendeu Young, alegando que as missões sempre foram cumpridas com sucesso e que esse tipo de brincadeira serve para quebrar o estresse dos Astronautas.

James Webb, chefão da NASA na época, ficou do lado do Senador, e o lanchinho de Jonh Young resultou em uma série de novas medidas em relação ao envio de comida ao espaço. Só comida homologada.

A Apollo 10 foi a primeira missão a receber a autorização para levar pão “em seu estado natural”. Na Apollo 11, o cardápio dos Astronautas que pisariam pela primeira vez na Lua incluía pão e sanduíches em fatias ou pequenos pedaços. Em solo lunar, o kit que Aldrin usou para realizar a Comunhão, além do vinho e de um cálice, também continha um pedaço de pão.

Mini sanduíches de "uma mordida" (em cima) e pão fatiado (em baixo). - Apollo 11

Mini sanduíches de “uma mordida” (em cima) e pão fatiado (embaixo). – Apollo 11

Quando os tripulantes do Ônibus Espacial Atlantis acoplaram na Mir, em 17 de Maio de 1997, foram recebidos pelos russos com a tradicional Cerimônia do Bread and Salt. Como o nome sugere, pão e sal (e chá) foram servidos aos visitantes americanos.

Falando nos russos, eles também adotaram os pãezinhos em cubinhos como alternativa para as migalhas que, se já são chatas pra você que deixa cair no teclado do computador, imagina pra quem está em uma cápsula ou estação espacial.

Atualmente os americanos estão substituindo o pão tradicional por tortilhas, que não fazem migalhas, são mais fáceis de manusear na microgravidade e duram até 18 meses.

Pãezinhos russos (acima) e o Astronauta Chris Hadfield com uma tortilha (abaixo).

Pãezinhos russos (acima) e o Astronauta Chris Hadfield com uma tortilha (abaixo).

 

A Apollo 10 foi a primeira missão a receber a autorização para levar pão “em seu estado natural”. Na Apollo 11, o cardápio dos Astronautas que pisariam pela primeira vez na Lua incluía pão e sanduíches em fatias ou pequenos pedaços. Em solo lunar, o kit que Aldrin usou para realizar a

Órbitas, padrões e divindades

terravenus

Essa figura apareceu na minha timeline um dia desses. As páginas que estavam compartilhando diziam quer era das orbitas de Vênus e da Terra durante 8 anos. Eu achei estranho porque, pra mim, o desenho das órbitas de Vênus e da Terra durante 8 anos são só duas elipses.

Fui ver o que era isso.

A imagem foi criada por Howard Arrington, inspirado no livro A Little Book of Coincidence, de John Martineau, que trata de relações geométricas. O que ela mostra, na verdade, são linhas que ligam a Terra até Vênus ao passar do tempo. Como os planetas completam uma volta ao redor do Sol em tempos diferentes, o padrão formado se repete a cada 8 anos.

Nesse vídeo o ponto médio da linha que liga os dois planetas é usado para traçar o desenho, e fica mais fácil de ver como a figura se forma.

E esses são os desenhos que Arrington fez com outros planetas:

Terra e Marte

marteterra

Saturno e Júpiter

saturnojupiter

Terra e Mercúrio
terramercurio

Urano e Saturno
uranosaturno

 

Nos comentários, muitos associaram a figura criada pelas linhas que ligam os dois planetas com divindades. A ideia de que somente um ser com poderes especiais, um Deus, poderia colocar os planetas nas posições “exatas” para formar os desenhos.

Aqui, as divindades somos nós. É a geometria das órbitas, a distância entre os dois planetas e o tempo que levam para dar uma volta em torno do Sol, que cria naturalmente os padrões, mas foi um humano que resolveu que traçaria uma linha entre dois planetas, é a nossa interpretação que nos faz considera-los como figuras bonitas (ou feias, eu acho o de Vênus e da Terra mais bonito que o de Terra e Mercúrio, por exemplo).

As pessoas gostam de padrões e simetrias. Não somos robôs. Reconhece-los é tão humano quanto uma mandala divina, ou um pentagrama satânico.

Assista ‘O homem que conserta estrelas’

O Homem que conserta estrelas” é um documentário de curta metragem que conta um pouco do envolvimento de Ary Nienow com o Planetário da UFRGS, desde a sua fundação no começo da década de 70 .

A obra venceu o prêmio Histórias Curtas 2013, da RBS TV, nas categorias Melhor Curta – Juri Oficial, Música Original e Montagem.

Você pode assistir ao curta clicando aqui.

aryplanet

Ary Nienow em frente ao Planetário.

 

 

Estacionando com matemática

 

Estacionar é como tentar encontrar alguém para um relacionamento. Você até dá algumas voltas procurando por uma boa vaga, mas no fim das contas acaba parando na que está disponível.

Duas categorias de profissionais, os flanelinhas e manobristas, se encarregavam de auxiliar aqueles com poucos pontos de experiência na habilidade “manobrar máquinas motorizadas”. Agora chegou a vez dos matemáticos.

austin

A pedido da Vauxhall Motors o matemático Simon Blackburn, da Universidade de Londres, desenvolveu um modelo para estimar qual a menor distância entre dois carros o motorista precisaria para fazer a baliza (aquele procedimento de estacionar entre dois carros, entrando na vaga de ré, com um único movimento de S).

E o resultado foi esse:

blacburneq

Apesar de parecer algo assustador, a fórmula é simples, e originária do clássico Teorema de Pitágoras. Sim, aquele mesmo do colégio, que diz que “o quadrado da hipotenusa é igual a soma do quadrado dos catetos”.

O espaço mínimo da vaga é representado por D. O comprimento do carro é DC.

Blackburn usou os arcos de círculo que o carro percorre quando o carro está fazendo o movimento de “S” da baliza.

blackburnfig

EX = R, EF = L, AE = K, GH = W. Queremos saber AH = D.

 

Se o carro está se movendo com o volante todo virado para um lado, ele irá percorrer a menor trajetória circular possível. O raio desse círculo é o R da equação. A distância entre eixos é L. A distância da roda dianteira, até o para-choque dianteiro é K. E a largura do carro estacionado na sua frente é W.

O carro mais vendido no Brasil é Gol, então vamos usa-lo para os cálculos.

R = 5,4 m
L = 2,4 m
K = 0,7 m
W = 1,6 m  (considerando que o outro carro também é um Porsche Gol)

blackburnresult

Então, o espaço necessário para a baliza com um Gol é 5,5 m (3,9 m do comprimento do carro, mais 1,6 m do resultado do modelo).

O matemático Jerome White achou o modelo do Simon Blackburn muito conservador, e resolveu aperfeiçoa-lo.

Além das variáveis do primeiro modelo, White também usa a distância que o motorista pretende deixar entre o carro e o meio fio, o ângulo que o carro faz com o meio fio durante a manobra, e a largura dos três carros envolvidos. No site há um aplicativo Java para simular a baliza.

whitemodel

Utilizando os dados do Gol, e supondo que o carro ficará 20 cm do meio fio, a distancia necessária pra estacionar é de 4,8 m. (novamente, 3,9m do Gol, mais 0,9 do modelo.)

No modelo do Jerome White precisamos de um espaço 70 centímetros menor que no modelo do Blackburn, para estacionar um Gol.

Em um ponto, ambos modelos concordam. Tendo um número ilimitado de manobras, é possível estacionar em qualquer vaga que tenha, pelo menos, o tamanho do seu carro. E com os sistemas automáticos para estacionamento, não precisamos mais de manobristas e flanelinhas. Nem matemáticos.

 

P.S.

Alguém afim de calcular quanto espaço é necessário pra estacionar um Smart? :P

———-

Referências:

Modelo do Blackburn: http://personal.rhul.ac.uk/uhah/058/perfect_parking.pdf

Modelo do White: http://www.talljerome.com/NOLA/parallelparking/

Ficha Técnica do Gol: http://quatrorodas.abril.com.br/imagens/reportagens/633_gol_tx1.jpg

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM