Não esqueça de levar sua toalha

Hoje, 25 de Maio de 2012, a cápsula Dragon da empresa SpaceX se tornou a primeira espaçonave privada e comercial a acoplar na Estação Espacial Internacional. Um evento histórico para a exploração do espaço.

Eu, na condição de entusiasta da história da exploração espacial, não posso deixar de imaginar um futuro onde viagens espaciais serão coisas tão comuns quanto viagens de avião ou carro.

Aproveitando a data que homenageia a vida e obra de Douglas N. Adams, lembro a todos que quando esse dia chegar e você estiver mochilando pela galáxia, esteja sempre com sua toalha.

Sugando toda minha capacidade artística pra desenho, fiz esse gráfico com alguns pontos da história da exploração espacial comercial na última década. Hoje é um bom dia pra publica-lo, se não ficou bom, vocês podem cobrir seus olhos com suas toalhas. ;)

Philosoraptor quer saber…

Tem Ciência nisso… n°1

A Ciência está em todos os lugares, mas ver Ciência em tudo que é coisa a todo instante só vai torna-lo ao longo do tempo um maluco, ou pior, um chato, ou ainda pior, os dois.

Vou correr o risco…

“Tem Ciência nisso…” é uma série de postagens que eu lanço hoje, sem quantidade ou frequência definida (mas que ajuda muito a tapar buraco), sobre coisas com algum fundo científico, mas que talvez você ainda não tenha percebido.

E pra começar, música! Do fundo do baú!

Se você tem quarenta anos ou mais, deve lembrar do Righeira (ou não). Se você é dessa geração que escuta Restart e Justin Bieber, saiba que Righeira é um dueto formado por Stefano Rota e Stefano Righi. Em 1983 ficaram mundialmente bastante relativamente bem conhecidos com o single Vamos A La Playa. Mais do que um grande sucesso de Italo Disco (?), Vamos A La Playa é uma música sobre Bombas Atômicas (!).

Escute enquanto continua lendo…

A tradução da música é simples, basicamente, “vamos para a praia” seguido de uma espécie de gemido repetido várias vezes. Outros trechos são mais interessantes.

“Vamos para a praia / todos de chapéu / O vento radioativo / despenteia o cabelo”

O Atol de Bikini no Oceano Pacífico, além da casa do Bob Esponja, é um dos mais famosos sítios de testes nucleares. Entre 1946 e 1958 os EUA realizaram 23 detonações.

Detonação nuclar no Atol de Bikini

A Bomba Tsar, da ex União Soviética, é a maior bomba de Hidrogênio já construída, com 50 megatons, é equivalente a 2500 vezes a bomba que foi jogada sobre Nagasaki durante a Segunda Guerra. Se uma dessas fosse detonada em uma praia do Rio de Janeiro, seu cabelo seria despenteado junto com várias cidades próximas.

“As radiações queimam / e pintam de azul” … “Sem peixes mal cheirosos / Somente água fluorescente”

Eu já falei aqui sobre como coisas potencialmente destrutivas podem ser bonitas. Os cogumelos das explosões de bombas nucleares são bastante bonitos, mas a música fala sobre tons de azul e água fluorescente.

Isso me faz lembrar que quando uma partícula viaja em um meio, com velocidade maior que a da luz naquele meio, ela libera um tipo de radiação. Também conhecido como efeito Cherenkov, visto em reatores nucleares.

Como parece, você se pergunta. Bem, a água fica azul e fluorescente:

Radiação de Cherenkov

Por hoje é isso, porque agora eu vou pra a praia (só que não).

Do outro lado da montanha

Percival Lowell já era um cientista reconhecido em 1894 quando fundou seu próprio observatório em Flagstaff, no Arizona, com a motivação de observar os Canais de Marte. Lowell acreditava que tais canais eram construções de uma civilização.

Marcianos só invadiriam a Terra na famosa adaptação de Orson Welles do clássico Guerra dos Mundos de H.G. Wells. Os canais de Marte eram apenas ilusão de ótica.

Percival Lowell (1855 - 1916)

Lowell publicou “Marte e seus canais” em 1906, no mesmo ano iniciou suas buscas ao Planeta X. A posição observada de Netuno e Urano não eram aquelas previstas, alguma coisa estava interferindo nas órbitas dos dois planetas, provavelmente, um outro planeta, desconhecido, não visto, uma incógnita, X. Percivall Lowell morreu em 12 de Novembro de 1916, sem encontrar seu planeta perdido.

Também em 1906, nascia em Streator no estado americano de Illinois, Clyde Tombaugh. Filho de fazendeiros, viu seus planos de ir para a faculdade frustrados após uma tempestade destruir a plantação da família. Muitos teriam desistido aqui, mas Tombaugh construiu um telescópio com suas próprias mãos e começou a fazer observações por conta própria. Ele enviou alguns desenhos de suas observações para o Observatório Lowell, que gostou de seu trabalho e lhe ofereceu um emprego.

Clyde Tombaugh com seu telescópio

O trabalho de Tombaugh no observatório era capturar a mesma posição do céu durante várias noites, e tentar encontrar algum objeto se movendo entre as imagens. Encontrar o Planeta X. Em 18 de Fevereiro de 1930, Clyde Tombaugh percebeu um objeto em movimento além da órbita de Netuno. Ele havia descoberto Plutão.

Tombaugh entrou para a Universidade do Kansas em 1932. Saiu do Observatório em 1943 para trabalhar com a Marinha dos Estados Unidos. Após o fim da Guerra, alegando falta de recursos, o Observatório Lowell não devolveu o emprego para Tombaugh que voltou a trabalhar em projetos militares. Durante sua vida pesquisou sobre Objetos Voadores Não Identificados e atravessou os EUA e Canadá, dando palestras para conseguir fundos para a Universidade do Estado do Novo México.

Clyde Tombaugh morreu em 17 de Janeiro de 1997.

Hoje sabemos que a massa de Plutão não seria suficiente para influenciar as órbitas de Netuno e Urano como proposto pelo Percival Lowell. Novos dados mostraram que a diferença entre a posição prevista e observada era na verdade causada por um erro na determinação das massa dos planetas, e não pela existência de um outro corpo. É consenso que o Planeta X, como descrito por Lowell, não existe.

Em 2006, a União Astronômica Internacional decidiu modificar a definição de planeta, e Plutão foi reclassificado para a categoria de planeta anão.

Também em 2006, a sonda New Horizons foi lançada com o objetivo de estudar corpos além da órbita de Netuno. Ela passará por Plutão em 2015 levando em sua carga, além dos materiais para a analise científica, as cinzas do ex ultimo descobridor de um planeta no Sistema Solar, Clyde Tombaugh.

"Eu sempre quis saber o que tinha do outro lado da montanha" -- Clyde Tombaugh (1906 - 1997)

"Eu sempre quis saber o que tinha do outro lado da montanha" -- Clyde Tombaugh (1906 - 1997)

 

Máscaras

A notícia completa você pode ler clicando aqui.

Vou tentar ver essa novela. Vai que, né? :D

Eu, robô. Ou não.

Você já deve ter visto imagens como essa ao confirmar o envio de algum tipo de formulário na Internet. Isso chama-se CAPTCHA e serve para determinar se você é um humano ou um robô, tornando o sistema mais seguro. Ou seja, se você costuma sentir dificuldades, ou erra com frequência o preenchimento do CAPTCHA, são grandes as chances de, na verdade, você ser uma máquina.

Quando eu era garoto de programa programador, usava o reCAPTCHA em meus sistemas. Além de ser chato e atrasar suas atividades no site como todo CAPTCHA tradicional, o reCAPTCHA tem uma funcionalidade interessante.

Um página de um livro, ao ser digitalizada, é para todos os efeitos uma imagem. Se você quiser aquela página em formato texto, precisa transformar a imagem em texto. Existem programas que fazem isso, mas nenhum é tão bom nessa tarefa quanto um humano. Cada palavra que o reCAPTCHA mostra pra você faz parte de um livro digitalizado. Ao passar pelo teste, além de confirmar para o sistema que você é um humano, você também está ajudando a digitalizar livros. Muito mais legal, não?

Qual deles é robô?

Uma máquina pode reconhecer um humano. Mas será que você conseguiria diferenciar um humano de um robô?

Eve no jikan (Time of Eve, na versão em inglês) é um anime de ficção científica. Em um Japão futurista, praticamente todo cidadão possuí um robô humanoide, que deve seguir certas regras para uma convivência agradável como os humanos, como por exemplo, manter sempre a vista sua “identificação de robô”. Porém existem lugares onde os robôs podem frequentar sem a identificação. Um desses lugares é o bar da imagem acima, onde a principal regra é que robôs e humanos tem tratamento igual.

O divertido dessa série é que até a conclusão dos episódios, é praticamente impossível determinar com alguma fundamentação quem é robô ou quem é humano. Enquanto assiste, você está constantemente participando de um Teste de Turing.

Alan Turing

Alan Mathison Turing tem uma história de vida incrível que merece um post especial. Trabalhou em algoritmos para decifrar códigos nazistas, foi condenado a prisão por homossexualidade, mas preferiu ser submetido a castração química como pena alternativa, e morreu ao comer uma maçã envenenada com cianeto.

Em 1950, publicou Computing Machinery and Intelligence, introduzindo o que viria a ser conhecido como Teste de Turing. Partindo da questão “máquinas podem pensar?” Turing propõe um jogo de imitação. Uma pessoa em um terminal acompanharia uma conversa, e teria que julgar qual dos participantes da conversa é humano, e qual é uma máquina. Quanto mais elaborada uma inteligência artificial, mais difícil para um julgador perceber a diferença.

Atualmente as inteligências artificiais não suportam o teste por muito tempo. Há alguns exemplos divertidos de inteligências artificiais com as quais você pode bater um papo, como a Sete Zoom (em Português) o Cleverbot (em Inglês), ou aceitar o desafio do Akinator, que acerta quem você está pensando em até 20 perguntas.

CAPTCHA é um acrônimo para o que em Português significaria mais ou menos “Teste de Turing Público Completamente Automático para separar Computadores de Humanos”. Basicamente, um teste de Turing ao contrário.

Eu acabo de fazer outra coisa que um humano é muito superior em relação a uma máquina. Traduzir um texto.

O Duolingo é um novo projeto da mesma equipe criadora do reCAPTCHA. A ideia agora é traduzir a web aproveitando a vontade das pessoas de aprender uma nova língua. Mesmo iniciantes em uma língua conseguem resultados de tradução melhores que algoritmos de tradução.

E antes que os robôs aprendam demais, dominem o mundo e nos exterminem, assista a palestra do Luis von Ahn (integrante dos projetos reCAPTCHA e Duolingo), onde ele comenta com mais detalhes sobre os projetos. Com legendas em Português, feitas por um humano. ;)

Se o vídeo não funcionar, clique no link: http://www.ted.com/talks/luis_von_ahn_massive_scale_online_collaboration.html

O fim do mundo ainda não acabou

Em Fevereiro, aqui no ScienceBlogs, realizamos uma blogagem coletiva sobre o tal do Fim do Mundo em 2012. O que eu escrevi você pode ler aqui.

Mas muito enganado estava quem pensou que o assunto acabaria por ali… Até 21 de Dezembro muito ainda vai se ouvir sobre o final dos tempos. (e depois de 2012 também).

Estou eu lendo meus e-mails quando a wild news appears. Leia essa notícia antes de continuar: Prefeito mobiliza São Francisco de Paula, RS, para ‘fim do mundo’.

Reação inicial: ufa, uma cidade próxima, estou salvo. Reação após um instante: vocês estão fazendo isso errado…

Eu não sei onde o Prefeito de São Francisco de Paula se aprofundou em teorias da geofísica e astrofísica, mas o fato é que em nenhuma dessas duas Ciências se encontram fundamentos para eventos catastróficos associados com 21 de Dezembro ou com Calendário Maia.

Dito isso, desastres naturais podem acontecer, e não acho que exista alguma cidade que pode estar livre deles.

É importante que as Prefeituras, junto com Defesa Civil, Bombeiros e Polícia montem planos para emergências, treinem os moradores para quando algo acontecer. Mapear áreas de risco e caso houver necessidade, mover os moradores para localidades mais seguras, por exemplo. Estudos técnicos e científicos, nada de conspirações ou pseudociências.

Os desastres naturais não são o Fim do Mundo que o prefeito de São Francisco de Paula espera, mas preveni-los e montar esquemas e estratégias para contorna-los caso aconteçam é muito importante.

Desnecessário é o alarmismo sem fundamentação.

É bom lembrar que de nada vai adiantar você ter toneladas de comida estocada em casa, se um deslizamento de encosta levar tudo embora. Planejamento e Gestão de Risco é o ponto chave aqui.

O prefeito não deixa de estar correto quando diz que outros países se preparam para desastres. O Japão é um exemplo. Mas ao invés dos governantes japoneses se preocuparem com fim do mundo Maia ou ataque de Godzilla, eles focam naquilo que realmente pode causar grandes catástrofes. Os terremotos.

A população é educada e orientada sobre o que fazer em uma situação de risco, há treinamentos periódicos e as prefeituras preparam guias até mesmo para os estrangeiros terem noção do que fazer em uma situação de emergência.

Lembrem-se das eleições municipais no final desse ano.  Evite candidatos que baseiam suas decisões em pseudociências e conspiracionismo, discuta com eles sobre planos de emergência, sobre locais de risco, sobre como a população da sua cidade pode agir em uma necessidade grave.

Se o mundo não acabar em 2012, vocês poderão precisar.

A segunda coisa mais bonita para se ver na Terra…

Se eu trabalhasse para a Megadodo Publications, essa seria a definição que eu usaria.

Lugar comum no discurso criacionista, já ouvi muitas vezes que “nada de belo pode sair de uma explosão”, em referência ao atual modelo cosmológico para explicar a expansão do Universo.

Explosões podem ser legais…

Imagine uma bola muito grande. Agora imagine ela maior, muito maior. Uma bola beeem grande pelo espaço. Uma gigantesca bola com uma usina de fusão nucelar no seu interior. Muito grande.

Imagine que ao redor dessa bola existam outras bolas menores, e que em uma delas, existe vida. Um certo dia, alguns seres da bola menor resolveram que chamariam a bola maior de Sol, e eu não sei se todo mundo concordou com a escolha, mas é assim que eles chamam até hoje.

O núcleo do Sol está transformando Hidrogênio em Hélio e a energia liberada nesse processo sai do núcleo para as camadas mais externas criando campos magnéticos. Na parte mais externa, muito quente, forma-se plasma (partículas ionizadas, ou seja, que ganharam ou perderam elétrons).

As vezes o plasma arrasta um campo magnético para fora do Sol. Temos aí uma explosão solar, tempestade solar, ou também Ejeção de Massa Coronal. No caminho dessas partículas ionizadas viajando pelo espaço, a praticamente inofensiva Terra. Mas não entre em pânico, Magrathea engenhosamente projetou um gigantesco escudo protetor.

Quando o plasma está para atingir a Terra, é desviado pelo Campo Magnético terrestre. O Campo Magnético acaba sofrendo uma deformação momentânea. Mais do que ser um dos fatores que torna possível a vida na Terra, o resultado das explosões solares contra o campo magnético da Terra cria o fabuloso, magnifico, espetacular e maravilhoso fenômeno das Auroras.

Infelizmente não há legendas para esse vídeo, mas as imagens já devem ajudar bastante a compreensão.

Observadas desde a antiguidade, a explicação só veio em 1896 com o Físico norueguês Kristian Birkeland. No link, uma galeria de imagens das Auroras Boreais (para o Hemisfério Norte, no Hemisfério Sul são chamadas de Auroras Austrais) resultantes das tempestades solares do inicio desse ano.

Agora você deve estar se perguntando o que fazer para ver um aurora.

“O que eu faço para ver auroras?”

Para realmente ver, você precisa estar em uma região de alta latitude, preferencialmente próxima dos polos. Mas pra você, que assim como eu, está em uma região onde não é comum o fenômeno acontecer, sempre tem um jeitinho.

Primeiro, descubra quando há a possibilidade das auroras acontecerem. Vocês podem descobrir através dos dados de atividade solar disponíveis aqui. Eu sigo o @VirtualAstro (que além das auroras também comenta sobre outros acontecimentos astronômicos interessantes, sempre com a participação dos seguidores que enviam suas fotos) e o @Aurora_Alerts (o nome é auto explicativo, não? :D ).

Sabendo que há um alerta de aurora, uma boa ideia é acompanhar o Aurora Sky Station, que transmite em tempo real fotos das auroras. A câmera está localizada no Parque Nacional Abisko, na Suécia.

Há ainda o fator inconveniente do efeito das explosões solares nos satélites, sistemas de comunicações e redes elétricas. Mas isso fica pra outra hora, afinal, esse é um post sobre a beleza das coisas.

Clique para mais fotos

Silvio Santos, professor de Teoria dos Jogos

Então, por um instante, você é uma criança. Você está em lugar um tanto estranho, várias pessoas, luzes, sons, equipamentos estranhos. Um sujeito com um boné de helicóptero olha para você, faz uns barulhos estranhos e grita “RÁÁÁ, QUER TROCAR DE PORTA?”.

Ah, a boa e velha Porta dos Desesperados, apresentando o Problema de Monty Hall para uma geração de crianças lá pelos anos 80/90. Hoje em dia, todo mundo sabe que é vantagem trocar de porta, tornando a brincadeira impraticável e condenando Serginho Mallandro a aposentadoria carreira de comediante de stand up. Particularmente, eu sempre suspeitei que as portas eram abertas na parte de trás e que os monstros apareceriam independente da porta escolhida pela criança.

Pegadinha do Monty Hall

Em 2002, pegando carona no hype do Show do Milhão, Silvio Santos, com uma peruca mais avantajada que a atual, resolve lançar mais um jogo de perguntas e respostas. Sete e meio era o nome. Para quem não lembra (ou não viu), era dividido em duas partes, na primeira, vários participantes disputavam entre si respondendo perguntas, os dois melhores passavam para a fase final, onde poderiam sair com todo o prêmio, ou sem nada.

Nessa segunda parte, os dois participantes em cabines individuais deveriam escolher entre duas opções de cartas (7 ou ½, para justificar o nome do programa, suponho) que poderiam resultar nos seguintes resultados.

Se os dois participantes colocassem ½, os dois dividiriam o prêmio do programa. Se um escolhesse 7, e outro  ½ , o que escolheu 7 levaria tudo, o que colocou meio não levaria nada. Por fim, se os dois colocassem 7, ninguém ganhava.

Assista: youtube.com/watch?v=LsZLf7rNvzU (A incorporação foi desativada pra esse vídeo, então, clica aí  :D)

Adaptação do Homem do Baú de um programa americano que adaptou o Dilema do Prisioneiro, um problema da Teoria dos Jogos.

Se você não sabe o que é, e não clicou no link, eu vou copiar aqui a parte importante:

Dois suspeitos, A e B, são presos pela polícia. A polícia tem provas insuficientes para os condenar, mas, separando os prisioneiros, oferece a ambos o mesmo acordo: se um dos prisioneiros, confessando, testemunhar contra o outro e esse outro permanecer em silêncio, o que confessou sai livre enquanto o cúmplice silencioso cumpre 10 anos de sentença. Se ambos ficarem em silêncio, a polícia só pode condená-los a 6 meses de cadeia cada um. Se ambos traírem o comparsa, cada um leva 5 anos de cadeia. Cada prisioneiro faz a sua decisão sem saber que decisão o outro vai tomar, e nenhum tem certeza da decisão do outro. A questão que o dilema propõe é: o que vai acontecer? Como o prisioneiro vai reagir?”

Uma diferença entre o Dilema do Prisioneiro tradicional e a versão do SBT é que os participantes conversam antes da decisão, tentando convencer o outro a tomar uma decisão favorável aos dois. Na verdade tentando fazer com que o outro coloque ½ para que ele coloque 7, enquanto aguentam a pressão do Silvio trollando geral. (Eu confesso, sempre torço para o participante perder).

Outra diferença é que a “pena” é pequena em comparação ao Dilema do Prisioneiro clássico. O máximo que você perde é sair como entrou, sem o dinheiro. Escolher o sete não só dá a oportunidade de ganhar tudo, como garante que o adversário não vai ganhar nada, o que pode ser consolador, se pensar que aquela pessoa tentou te convencer a colocar um ½ pra ficar com tudo.

Na abordagem clássica é vantajoso a cooperação, mas com o Professor Abravanel um 7 pode ser o seu A no fim do semestre do jogo, se você estiver certo de que seu oponente não usará o meio.

Dados mostram que a cooperação acontece em aproximadamente metade das vezes, e é o ambiente do jogo um dos fatores para determinar qual vai ser a escolha dos participantes. O modo como os participantes se comportaram durante a fase de perguntas, se eles assistiram outros episódios, como querem ser vistos pelo público, e olha só, até mesmo o gênero e idade dos participantes. Mulheres cooperam mais que homens jovens, mas a cooperação entre os gêneros fica equilibrada se os homens forem mais velhos. [1][2]

Professor Silvio Santos

Agora falta descobrir como ganhar naquela brincadeira do “você troca esse vídeo game, por um sapato velho?”

—————————————

1- Social Learning and Coordination in High-Stakes Games Evidence from Friend or Foe

2- Split or Steal? Cooperative Behavior When the Stakes are Large

Deivid e o gol que até eu faria

Quarta-Feira, 22 de Fevereiro de 2012. Flamengo e Vasco pela semifinal da Taça Guanabara de 2012. Ronaldinho lança Leo Moura que avança pela lateral direta, chega na linha de fundo e cruza para o meio da pequena área. Deivid, sozinho, faz isso:

Inacreditável. Aqui eu concordaria com Galvão, é algo que a Física não permite. Só quem já perdeu um gol de forma parecida em um torneio do colégio sabe como é isso.

Para os extraterrestres que chegaram hoje ao planeta, isso é Futebol, uma prática esportiva criada oficialmente pelos ingleses em 1863, onde o objetivo é fazer um objeto esférico passar entre hastes de um retângulo que se projeta verticalmente em relação ao plano do campo.

Para os já iniciados, vamos supor uma pessoa de 1,80 metros de altura, com visão binocular (onde os dois olhos são usados em conjunto para montar a imagem) de 120°, posicionada exatamente na marca do pênalti (11 metros do gol). Quando essa pessoa olha para a frente, aproximadamente 7% da sua visão será a região de 7,32 metros de comprimento e 2,44 metros de altura conhecida como gol, e apenas 0,5% será a trave.

Em vermelho, uma aproximação do campo de visão de alguém na marca do pênalti.

No momento em que tocou na bola, Deivid estava a três metros da linha de gol. Pelas imagens, ele estava olhando para a bola desde o momento do passe do Leonardo Moura. Se, naquela posição, estivesse olhando na mesma direção do exemplo anterior, teria o gol em impressionantes 46% da área total de sua visão.

Campo de visão aproximado de alguém a 3m do gol

A bola chegou no Deivid com uma velocidade de aproximadamente 15 m/s. Se Deivid tivesse chegado na posição em que tocou a bola para o gol, apenas meio segundo depois, a bola já estaria saindo da pequena área. O gol não aconteceria de qualquer forma, mas um passe errado é ligeiramente menos vergonhoso que um gol perdido.

Em um mundo ideal, onde a bola tocar no pé de Deivid seria considerado uma colisão elástica, bastaria estar posicionado em um ângulo correto para marcar. No lance real, o jogador gira o pé para dentro, empurrando levemente a bola que então muda de direção e caminha em direção ao pé da trave, para a surpresa de todo e qualquer espectador, até mesmo os extraterrestres.

A bola chega com um ângulo "a" e saí com o mesmo ângulo "a", direto para as redes.

Eu já perdi um gol de forma parecida em um torneio do colégio. Na verdade, era futsal, então o gol era menor, o cruzamento foi diferente, e a bola foi para fora sem bater na trave. O meu foi diferente, em uma situação como a do Deivid, até eu faria.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM