A vingança é um prato que se come no espaço

Eu sei poucas palavras em alemão. Vergeltungswaffen, dizem, significa algo como arma de retaliação.

Vergeltungswaffen é o apelido carinhoso do foguete mais famoso da série Aggregat. O V2, ou A4, usado para ataques da Alemanha contra países Aliados durante a II Guerra Mundial.

Só entre Setembro de 1944 e Fevereiro de 1945 foram construídos 3300 foguetes, totalizando em 5200 as unidades produzidas. O V2 era um foguete de 12500 kg, 14 m de altura e 1,65 m de diâmetro. Utilizava etanol de batata e oxigênio liquido como combustível. Com um raio de ação de aproximadamente 340 km, conseguia alcançar até 5760 km/h.

Foguetes V2 preparados para um teste durante a II Guerra.

Com o fim da Guerra vem a Operação Paperclip, e vários nomes importantes da Alemanha durante a Guerra são levados para os Estados Unidos, entre eles, Wernher von Braun. Partes do V2 foram recuperadas e também levadas aos EUA.

A pesquisa americana com o V2 resultou em contribuições interessantes para a exploração espacial. O primeiro lançamento de um V2 pelos EUA foi em 15 de Março de 1946.

No dia 24 de Outubro de 1946 um foguete foi lançado com uma câmera. Atingiu 105 km de altitude registrando a primeira foto da Terra vista do espaço.

Primeira foto da Terra vista do espaço – 1946

Os primeiros animais chegaram ao espaço a bordo dos foguetes V2. As moscas, em 20 de Fevereiro de 1947 pra testar os efeitos da radiação, foram recuperadas com vida. O primeiro macaco chegou ao espaço em 14 de Junho de 1949, atingiu a altura de 134 km, mas problemas com o paraquedas causaram a destruição do foguete e a morte do animal.

Atualmente ainda existem cerca de 20 unidades do foguete V2 espalhadas por museus ao redor do mundo.

V2 no Museu da Força Aérea dos Estados Unidos da América

 

Inspire-se

Sábado, centenas de pessoas acompanharam o passeio da nave Endeavour pelas ruas de Los Angeles. No Domingo, Felix Baumgartner saltou em queda livre de uma cápsula na estratosfera, 39 km do solo.

As imagens dos dois eventos estão logo mais abaixo.

Por um mundo onde lutar por um sonho não é encarado como viver de uma ilusão. Boa Segunda pra você.

Foto: Divulgação

Foto: L.A. Times

Foto: L.A. Times

 

O nosso sinal wow

Jerry R. Ehman, em 15 de Agosto de 1977, detectou um intenso sinal vindo região da constelação de sagitário. Escreveu wow!, batizando aquilo que muitos acreditam ser uma comunicação extraterrestre.

Entre especulações sobre a origem natural ou artificial para o sinal, fato é que ele nunca se repetiu (ou nunca foi detectado outra vez), e talvez, nunca vamos conhecer realmente sua origem.

Em 21 de Setembro de 2012, durante o Simpósio Internacional de Arte Eletrônica, os artistas Nathaniel Stern e Scott Kildall apresentaram o Tweets in Space.

O conceito é simples. Durante meia hora, todos os tweets com a hashtag #tweetsinspace foram armazenados para serem enviados ao exoplaneta GJ667Cc, 22 anos luz distante da Terra, que possuí características favoráveis para a existência de vida.

 

As mensagens levarão 22 anos para chegar até Gliese 667 Cc. Se alguém de lá nos responder, só saberemos daqui 44 anos. Supondo que nossas transmissões (de dados, rádio e TV) tenham capacidade de chegar até lá sem se confundir com ruído, há alguns anos que um suposto habitante poderia nos detectar. Mas se existem seres vivos em GJ667Cc, é bastante provável que não tenham capacidade para nos ouvir, entender, e responder.

O Tweets in Space foi financiado pela internet, nasceu com uma proposta artística, e não científica. Uma arte de humanos, para humanos.

Mensagens com pedidos de ajuda, declarações informais de guerra espacial ou comida preferida. Paz, amor e ajuda, estão no topo da lista das palavras mais usadas. Enviar as mensagens do Twitter para o espaço não deve auxiliar em nada na busca de extraterrestres, mas nos ajuda a entender um pouco mais sobre esses tais de humanos.

No fim das contas, quando estamos conversando com uma civilização imaginária, quando compartilhamos nossos medos, desejos e dúvidas com seres distantes que provavelmente nem existam, estamos na verdade, conversando com nós mesmos.

Talvez, alguém no futuro vai encontrar essas mensagens, e escrever um wow! ao lado delas.

 

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