Quão errado está um mapa astral?

Quer dizer, não há qualquer fundamento por trás da astrologia. A visão que nós aqui da Terra temos dos astros na esfera celeste não interfere em nada na nossa personalidade ou no nosso futuro. Então na prática um mapa astral está todo errado.

Apesar da falta de fundamento, todas essas atribuições de características que os astrólogos fazem ainda poderiam ser feitos se os mapas astrais mostrassem as posições corretas dos astros. Mas não é isso que acontece.

Imagine então que exista por aí um cara legal, bonito, inteligente… Imagine que ele tenha nascido em algum lugar no interior do RS, num Fevereiro do final dos anos 80. Se um astrólogo fosse fazer o mapa astral desse cara, seria isso que ele mostraria:

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Temos Sol e Vênus em Aquário; Lua em Peixes; Mercúrio, Saturno, Urano e Netuno em Capricórnio; Marte e Júpiter em Touro; e Plutão em Escorpião.

Mas se você pegar uma carta celeste de verdade, são essas posições que você vai encontrar para a mesma data e local de nascimento:

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Agora, o Sol e Vênus estão em Capricórnio; a Lua em Peixes; Mercúrio, Saturno, Urano e Netuno em Sagitário; Marte em Aries; Júpiter em Touro; e Plutão em Libra.

Medindo a diferença entre o mapa astral e a carta celeste, encontramos em média aproximadamente 30 graus, entre a posição real que os astros ocupavam no momento do meu nascimento nascimento do sujeito imaginário, e a posição que o astrólogo “inventou” que eles estavam.

Agora vejam a carta celeste das crianças sortudas que nascerão na próxima Sexta Feira 13, e compare com o mapa astral.

Clique para ver maior

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Astronomicamente, Sol e Mercúrio estarão na constelação de Ofiúco. Essa constelação sequer aparece no mapa astral, que coloca o Sol e Mercúrio em Sagitário.

Supostamente um mapa astral deveria mostrar a posição dos astros em relação a esfera celeste no momento do nascimento da pessoa. Mas não mostra porque ignora justamente o conhecimento que supostamente seria um de seus fundamentos: a Astronomia.

A Precessão dos Equinócios, uma mudança da posição do eixo da Terra ao longo do tempo, é o principal fator do deslocamento entre os zodíacos astronômico e astrológico.

Outra diferença é que o zodíaco astrológico delimita um valor fixo para o tamanho dos signos, enquanto astronomicamente as constelações tem tamanhos diferentes. Isso quer dizer que na astrologia o sol vai ficar aproximadamente um mês no signo de Escorpião, mas seguindo a Astronomia ele fica apenas sete dias na constelação de Escorpião.

E qual seria o motivo para Plutão aparecer no mapa, mas Éris ou Ceres serem ignorados?

Astronomia e astrologia por algum tempo no passado foram praticamente a mesma coisa. Conforme a humanidade foi ganhando novos conhecimentos, uma delas tomou o caminho científico, de se corrigir, se adaptar e abandonar aquilo que não funciona.

Cometa ISON

Entre o fim do ano passado e começo desse ano surgiram várias notícias sobre o C/2012 S1, popularmente conhecido como Cometa ISON. Ele foi descoberto pelos Astrônomos Artyom Novichonok e Vitali Nevski mas leva o nome do programa que o telescópio deles faz parte, o International Scientific Optical Network.

As notícias falavam em “cometa do século”, “tão brilhante quando a Lua”, e coisas assim. Eu imaginava que as pessoas iriam se decepcionar quando a hora chegasse e elas percebessem que a coisa não é bem assim pra quem quer observar a olho nú. Mas a verdade é que as pessoas não lembram de notícias antigas…

Se por um lado o ISON não vai parecer tão brilhante quanto a Lua e a humanidade ainda terá uns 80 anos pra outros cometas do século, por outro, ainda pode ser uma boa oportunidade de ver (ou tentar ver) um cometa. É importante entender as condições que permitem que seja possível (ou não) vê-lo.

O brilho das coisas no céu, vistas da Terra, é medido pela magnitude aparente. Menor o número, mais brilhante o objeto. Os humanos conseguem ver coisas de magnitude aparente menor que 6.

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Essa figura aí mostra um gráfico com a magnitude do ISON durante alguns dias. A regra é clara. O cometa está se aproximando do Sol, com isso, o seu brilho aumenta.

Quem olha aqui da Terra vê o cometa se aproximando do Sol, e isso é um problema, porque o brilho do Sol ofusca o brilho do cometa. Sem chances de vê-lo de dia. E aqui um lembrete: você NUNCA deve olhar para o Sol.

A poluição luminosa também afeta muito. Lembra do limite de 6 de magnitude aparente que os humanos conseguem ver? Em cidades esse número diminui. É possível que em regiões centrais de grandes cidades você não consiga ver nada com magnitude maior que 3.

Outra situação que vai dificultar uma possível observação é a altura dele no céu. Ele ficará cada dia mais próximo do Sol, e com isso, cada vez mais próximo do horizonte nos momentos que antecedem o nascer do Sol. Ver coisas próximas do horizonte é um problema por causa de fenômenos como o espalhamento da luz e a extinção atmosférica.

Sabendo das dificuldades, o que você tem que fazer é acordar cedo ou ir dormir tarde. Alguns momentos antes do nascer do Sol é uma boa hora pra tentar ver o ISON, porque o Sol ainda não vai ter nascido e porque o cometa já vai ter ganhado um pouco de altitude no céu.

Olhe pra direção que o Sol nasce. As estrelas da constelação de Virgem e Marte podem ser alguns pontos de referência pra ajudar a encontrar o ISON. Na figura da pra ver onde o cometa estará em relação a esses pontos. Segunda ou Terça ainda podem ser bons dias pra tentar olhar. E dificilmente será possível ver alguma coisa depois do fim da semana.

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Binóculos ajudam bastante. Lunetas e pequenos telescópios também. Se você tem algo melhor que isso, provavelmente já sabe o que fazer. 😉

Boa sorte.

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Foto: John Nassr – Stardust Observatory (Lente: N16 f/4.5 Câmera: D7000 iso6400 Exposição: 5 minutos)

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