Ou será que estou errado?

O que eu faço na divulgação científica é tentar evitar uma ou outra baixa numa guerra perdida. Eu sei que não vou viver pra ver uma sociedade onde predomine uma cultura científica. Talvez ninguém, em qualquer tempo ou espaço, vá. E talvez, um dia, a extinção da nossa espécie acabe vindo justamente dessa falta de cultura científica.

Mas eu não deixo de achar espantoso como a falta de cultura científica, aliada com a falta de pensamento crítico, gera situações completamente irracionais.

Coisas como suicídios em massa em seitas e histerias coletivas, coisas como a proliferação de teorias conspiratórias, de lendas urbanas ou mitos populares… E coisas como invadir um importante instituto de pesquisas pra roubar animais e destruir tudo.

Uma das coisas que eu acho muito legal em Ciência, e que se une muito bem ao pensamento crítico, é aceitar e saber conviver com a ideia de que você pode estar errado.

Não somente na ação, mas também na repercussão (principalmente nos paratribuniais que se tornaram as redes sociais) nota-se que não há um puto sequer que se levanta, para, e pensa: “hey, e se por acaso eu estiver errado?”.

Não “errado” no sentido moral da coisa. Errado no sentido de: será que eu tenho conhecimento suficiente para fazer essa afirmação? Será que eu tenho evidências suficientemente boas para essa acusação? Será que isso que estou compartilhando na minha timeline é originado de uma fonte confiável? E se eu não estou bem informado, será que há uma forma de me informar melhor sobre isso e saber o que está acontecendo? Quando esse sujeito diz que eu posso estar enganado, será que ele pode estar certo? Será que ele possuí informações mais válidas que as minhas? Será que as evidências que ele apresenta são mais confiáveis que as minhas? POR MIL CARALHOS, SERÁ QUE ESTOU REALMENTE ERRADO?!?

Outra coisa legal da Ciência é a ideia da importância das perguntas. O Neil deGrasse Tyson falou disso no painel do Cosmos na ComicCon. O Guia do Mochileiro das Galáxias nos ensina o quanto uma pergunta pode nos impressionar mais que uma resposta.

Já dizia o Dwight, “antes de fazer alguma coisa eu me pergunto: um idiota faria isso? E se a resposta for sim, eu não faço”.

Tem muita gente fazendo coisas idiotas por aí. E talvez, um dia a extinção da nossa espécie acabe vindo justamente de uma ação idiota.

Apenas um cachorro em um experimento científico

Apenas um cachorro em um experimento científico

Um pouco de Física e uma conversa com Albert Fert

Algumas tecnologias surgem para suprir alguma necessidade humana. A necessidade de armazenar cada vez mais pornografia, por exemplo, nos trouxe mídias com capacidades cada vez mais alta em tamanhos cada vez menores. Em algum momento da história, os discos rígidos magnéticos foram dominantes no mercado de computadores.

O funcionamento do HD se baseia em um fenômeno físico chamado de magnetorresistência gigante, descrito em 1988 com uma importante participação do Físico brasileiro Mario Baibich. Em 1997, a Academia Real das Ciências da Suécia premiou a descoberta com o Nobel. Foram laureados Albert Fert, chefe do laboratório francês onde o Baibich fez a descoberta, e Peter Grünberg que obteve os resultados de forma independente na Alemanha.

Peter Grünberg e Albert Fert.

Peter Grünberg e Albert Fert.

Um sanduíche muito, muito fino. Pães de material ferromagnético e recheio de um material não magnético. Nessa configuração, cada um dos pães tem uma orientação magnética para um lado diferente (anti paralelas). Quando sanduíche recebe um campo elétrico externo, as orientações se alinham (paralelas), e a resistência do sistema cai drasticamente. Isso, minha gente, é a magnetorresistência gigante.

Na presença do campo, a orientação é paralela e a resistência cai.

Na presença do campo, a orientação é paralela e a resistência cai.

Na semana passada Fert esteve em Porto Alegre para receber da UFRGS o título de Doutor Honoris Causa. Uma das atividades do Físico francês foi uma especie de encontro com os alunos da Universidade. Uma hora, disponível para responder qualquer uma das nossas perguntas.

Entre perguntas sobre a carreira de físico e a pesquisa que levou ao prêmio, alguns pontos chamaram a minha atenção.

Acho curioso como a opinião do Fert sobre o prêmio seja muito parecida com a do Feynman, que diz no seu livro algo como o Nobel ser quase um fardo a ser carregado para o resto da vida. Fert não vai tão longe, mas nos contou que a posição de “Relações Públicas da Ciência” que assume todo laureado, fez com que ele tivesse que parar de dar aulas, por exemplo, algo que ele diz gostar muito por “renovar o conhecimento”.

Ainda sobre o prêmio, comentou que existem muitos pesquisadores bons que não ganham, e que a pesquisa é emocionante por si mesma, “explorar” o conhecimento é divertido, um Nobel é só “uma cereja no bolo”.

Sobre a pesquisa no Brasil, Fert falou não conhecer muito, mas destacou um ponto que eu confesso nunca ter considerado. O isolamento. Colaboração é importante na Ciência, e estar distante dos grandes centros na Europa e EUA pode ser um dificultador. Fert falou que é muito prático poder sair da França, visitar um colaborador na Alemanha, e voltar pra casa no mesmo dia.

A colaboração com a iniciativa privada também é importante na visão do francês. Ele vê com entusiasmo aplicações práticas para os resultados das pesquisas.

E vocês, o que acham?

Máscaras

A notícia completa você pode ler clicando aqui.

Vou tentar ver essa novela. Vai que, né? 😀

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