The Race for Space

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Depois de usar os antigos filmes de utilidade pública para as composições do primeiro álbum, Inform – Educate – Entertain, a banda inglesa Public Service Broadcasting lançou no começo do ano seu segundo álbum, ambientado na Corrida Espacial.

The Race for Space tem cada uma de suas faixas inspirada em algum evento histórico que marcou a disputa pelo espaço entre EUA e URSS nos anos 60.

O instrumental do Public Service Broadcasting se mistura com as gravações originais do famoso discurso de Kennedy, do primeiro voo de Yuri Gagarin em órbita da Terra, e de momentos do Projeto Apollo, incluindo o acidente fatal na Apollo 1.

A faixa Go (que você pode ouvir logo abaixo) é inspirada no ápice da Corrida Espacial, quando em 1969 a Apollo 11 cumpriu a missão de pousar os primeiros humanos na Lua, e usa as gravações do protocolo Go/No Go que o Controle da Missão utilizava para garantir que todos os sistemas estavam em ordem, antes de realizar algum procedimento.

Feliz 74, Skylab

Humanos vivendo no espaço. Desse simples conceito, que animou as mentes de escritores de ficção científica, futurólogos e pesquisadores pioneiros da exploração espacial, nasce em 1973 o Skylab.

Para não jogar fora tornar peças de museus, e na falta de um Trato Feito, a NASA preferiu mandar os restos do recém cancelado Projeto Apollo para o Espaço. Não era nenhuma Space Station V, mas com 320 m³, dois andares, sala, cozinha, banheiro, dormitório, bela vista e vizinhança tranquila, o Skylab era mais que uma casa no espaço. Era, principalmente, (como o nome deveria estar sugerindo) um laboratório no céu.

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SKYLAB

Mas a brincadeira tinha hora pra acabar. Em 16 de Novembro de 73 a terceira e ultima tripulação foi enviada para o Skylab.

O Comandante Gerald Paul Carr, nascido em 22 de Agosto de 1932. Mestre em Engenharia Aeronáutica. Piloto da Marinha Americana. Selecionado pela NASA na turma de Abril de 66. Reconhecido pelos seus 6 filhos e uma façanha, dois casais de gêmeos.

O Piloto William Reid Pogue, nascido em 23 de Janeiro de 1930. Entrou para a Força Aérea em 1952. Serviu na Guerra da Coreia. Pilotou no Esquadrão de Demonstração da Força Aérea, os Thunderbirds. Também selecionado na turma de Abril de 66. Gostava de Handball. Morreu em casa e de causas naturais, em Março de 2014.

O Cientista Edward Geroge Gibson, nascido em 8 de Novembro de 1936. Engenheiro e Físico pelo CalTech. Trabalhou com Física Solar, Física de Plasmas e, na Philco, com lasers. Foi selecionado pela NASA na turma de Junho de 65.

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Da esquerda para a direita: Gerald Carr; Edward Gibson; e William Pogue.

Chamada de Skylab 4 (com um grande 3 na insígnia) foi a primeira e ultima vez em que os três estiveram no espaço.

Essa turminha do barulho aprontou confusões de outro mundo. Logo no início da missão, Pogue sofreu com enjoos, mas a tripulação não avisou o Controle em Terra. Quando Houston ficou sabendo, gerou um climão, que foi ainda mais agravado por causa das constantes reclamações dos Astronautas sobre a rotina e a carga de trabalho que estavam submetidos. A NASA precisou reagendar algumas tarefas e dar mais tempo livre pra galera do Skylab 4.

A missão quase precisou ser abortada por problemas no giroscópio da Estação, mas os Astronautas conseguiram completar os 84 dias previstos. Foram dezenas de experimentos, observações do Espaço, da Terra, do Sol e do cometa Kohoutek, atividades médicas e educacionais, a bordo e extraveicular.

Árvore de Natal feita pelos Astronautas no Skylab.

Árvore de Natal feita pelos Astronautas no Skylab.

Tendo partido em Novembro e voltado em Fevereiro do ano seguinte, não foram os primeiros a passar um Natal fora da Terra (a Apollo 8 foi), mas foram os primeiros humanos a passar um Ano Novo no Espaço.

Gibson, Pogue e Carr foram acordados por Bob Crippen no dia 31 de Dezembro de 1973, às 6:00 no horário de Houston.

CC: “Skylab, aqui é Houston desejando um bom dia. […] Então, está na hora de levantar e aproveitar a voz da minha cantora favorita. Brigette Bardot. Ela está cantando “Come Back My Love”, enquanto todo o povo da França deseja a vocês um Feliz Ano Novo“.

Crip também comentou o curioso fato do Skylab estar entrando e saindo de 1974 cada vez que cruza um fuso horário que esteja trocando de ano.

CC: “[…] vocês agora estão em 1974, e logo mais estarão de volta para 1973. E entrarão e sairão de 1974 cerca de 16 vezes. Então celebrem com o que vocês estiverem a bordo para celebrar.”

Foi um longo dia de observações astronômicas, e os Astronautas receberam a notícia de que o dia de folga havia passado para o dia 2 de Janeiro. No dia Primeiro, acordariam uma hora mais cedo para aproveitar a posição da Estação nas pesquisas sobre a superfície terrestre.

Mesa onde os Astronautas faziam suas refeições. Atrás, uma janela com vista para a Terra.

Mesa onde os Astronautas faziam suas refeições. Atrás, uma janela com vista para a Terra.

Apesar de, oficialmente, o Skylab seguir o horário de Greenwich (GMT), a escala de trabalho era baseada no horário do Texas (CST). Passava das 16 horas CST quando trocou o turno da equipe que fica no Controle da Missão. Faltando apenas 2 horas para a meia noite no horário GMT, novos cumprimentos de Ano Novo foram trocados. Quando finalmente o povo que segue o horário de Greenwich estava comemorando a passagem de Ano, no espaço todos trabalhavam.

Pouco depois das 22 horas no horário americano, após os Astronautas passarem relatório diário com o consumo de alimento e recursos gerais da Estação, e informações física e médicas, o Controle da Missão fez o ultimo contato com o Skylab, sem esquecer de passar aos tripulantes o resultado final do jogo de Futebol Americano Universitário.

CC: “Skylab, o final do Sugar Bowl foi Notre Dame 24, Alabama 23. Houveram 7 viradas.”

POGUE: “Ok, Story. Muito obrigado.”

GIBSON: “Parace que é obrigatório ter o vídeo desse jogo no nosso relatório final.”

CC: “Sim senhor. Skylab, estamos a poucos minutos da perda de sinal, essa vai ser nossa ultima chamada do ano. Se precisarem da gente, a próxima estação é Guam as 4:16.”

CARR: “Entendido, Story, boa noite.”

CC: “Boa noite, Feliz Ano Novo.”

CARR: “O mesmo pra você. E em qual horário ouviremos o pessoal da manhã?”

CC: “Vai ser em Hawaii as 11:06”.

CARR: “Ok, obrigado.”

CC: “Ajuste o temporizador pra 11:00 se quiser.”

GIBSON: “Feliz Ano Novo, Story”.

Skylab 4 foi dormir ao som de Auld Lang Syne, tradicional música de fim de ano nos EUA. No dia Primeiro, Skylab 4 acordou com Paralyzed e um “Feliz Ano Novo” do Bob Crippen, para mais um dia cheio de trabalho.

Apesar de alguns problemas, além dos resultados técnicos e científicos, o Programa Skylab mostrou que era possível viver no espaço. Tivemos outras estações espaciais, e muitos outros Astronautas já passaram de ano no espaço.

Pra você pode ainda parecer uma ideia distante. Mas já é comum o suficiente para que quando você estiver olhando para o céu na passagem de ano, sequer lembre das pessoas que estarão, naquele exato momento, vivendo no espaço.

O Futuro é agora. Feliz Ano Novo.

Daft Punk e o olho do Leão da Apollo 17

Antes de Eugene Cernan se tornar o último humano a ter pisado na Lua. Antes de Harrison “Jack” Schmitt ter sido o último humano a cair na Lua. E antes dos dois terem feito o último dueto na Lua, a tripulação da Apollo 17 avistou um objeto desconhecido.

Tripulação da Apollo 17. Da esquerda pra direita: Ronald Evans, Harrison Schmitt e Eugene Cernan

Tripulação da Apollo 17. Da esquerda pra direita: Ronald Evans, Harrison Schmitt e Eugene Cernan

Cernan: Hey, Bob, estou olhando para aquilo que o Jack estava falando, e definitivamente não é uma partícula próxima, porque há outras que eu consigo comparar. É um objeto brilhante e obviamente está rodando, porque está piscando. Ele está distante de nós, e posso dizer isso porque há outras partículas próximas e ele não é uma delas. Aparentemente está rodando em um certo ritmo, porque ele pisca de tempos em tempos. Olhando pra Terra, ele está às 11 horas. Talvez 10 ou 12 diâmetro da Terra. Eu não sei se é algo bom, mas com certeza há algo ali.

Vencedor do Grammy 2014 na categoria Melhor Álbum, Random Access Memories, do Daft Punk, traz Contact (clique pra ouvir) como a faixa que fecha o álbum. Aquela voz no começo da música, descrevendo um objeto não identificado rodando e piscando, é justamente essa conversa do Eugene Cernan. O DJ francês Falcon participou da produção de Contact e selecionou o trecho dentre as gravações originais das missões Apollo cedidas pela NASA.

Contact coloca a fala do Astronauta em um contexto de um avistamento de OVNI e provavelmente há conspiracionista que deve usar esse trecho como evidência da visita de seres extraterrestre. Mas, afinal, o que os Astronautas da Apollo 17 estavam vendo?

Ou não.

Ou não

A conversa continuou, e entre dados técnicos da missão e o resultado do jogo do Cowboys (venceram por 34 a 24, conseguindo uma vaga nos playoffs da NFC), Robert Parker (o tal Bob) do Controle da Missão pediu aos Astronautas para usarem os instrumentos ópticos da nave e determinar a posição do objeto.

Durante esse procedimento, Jack suspeitou que o objeto poderia ser um dos estágios (S-IVB) do Saturno V. Alguns minutos depois veio a confirmação de Houston.

Bob: “Isso é para o Jack e o Gene. Calculamos a posição do S-IVB em relação ao seu eixo, e o azimute ficou dentro de um grau, muito próximo. Nós calculamos que ele deveria estar, visto da janela, a 62 graus do eixo X, e você reportou 45 graus, o que é apenas 17 graus de erro. É realmente perto. Sabe, é como um movimento do olho.”

Jack: “Isso é ótimo. Então é o S-IVB, né?”

Bob: “Ok, nós… você pode checar isso dessa forma, Jack. Alinhe a estrela Denebola e Rigel… digo, Regulus; Desculpa, Regulus. Denebola e Regulus. E então, nessa linha, vá perpendicularmente em uma linha logo acima de Regulus e ali deve estar o S-IVB. Ele forma um ponto de um triângulo com Denebola e Regulus.”

Jack: “O que você está dizendo é que ele é o olho de Leão?”

Bob: “Positivo.”

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Cometa ISON

Entre o fim do ano passado e começo desse ano surgiram várias notícias sobre o C/2012 S1, popularmente conhecido como Cometa ISON. Ele foi descoberto pelos Astrônomos Artyom Novichonok e Vitali Nevski mas leva o nome do programa que o telescópio deles faz parte, o International Scientific Optical Network.

As notícias falavam em “cometa do século”, “tão brilhante quando a Lua”, e coisas assim. Eu imaginava que as pessoas iriam se decepcionar quando a hora chegasse e elas percebessem que a coisa não é bem assim pra quem quer observar a olho nú. Mas a verdade é que as pessoas não lembram de notícias antigas…

Se por um lado o ISON não vai parecer tão brilhante quanto a Lua e a humanidade ainda terá uns 80 anos pra outros cometas do século, por outro, ainda pode ser uma boa oportunidade de ver (ou tentar ver) um cometa. É importante entender as condições que permitem que seja possível (ou não) vê-lo.

O brilho das coisas no céu, vistas da Terra, é medido pela magnitude aparente. Menor o número, mais brilhante o objeto. Os humanos conseguem ver coisas de magnitude aparente menor que 6.

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Essa figura aí mostra um gráfico com a magnitude do ISON durante alguns dias. A regra é clara. O cometa está se aproximando do Sol, com isso, o seu brilho aumenta.

Quem olha aqui da Terra vê o cometa se aproximando do Sol, e isso é um problema, porque o brilho do Sol ofusca o brilho do cometa. Sem chances de vê-lo de dia. E aqui um lembrete: você NUNCA deve olhar para o Sol.

A poluição luminosa também afeta muito. Lembra do limite de 6 de magnitude aparente que os humanos conseguem ver? Em cidades esse número diminui. É possível que em regiões centrais de grandes cidades você não consiga ver nada com magnitude maior que 3.

Outra situação que vai dificultar uma possível observação é a altura dele no céu. Ele ficará cada dia mais próximo do Sol, e com isso, cada vez mais próximo do horizonte nos momentos que antecedem o nascer do Sol. Ver coisas próximas do horizonte é um problema por causa de fenômenos como o espalhamento da luz e a extinção atmosférica.

Sabendo das dificuldades, o que você tem que fazer é acordar cedo ou ir dormir tarde. Alguns momentos antes do nascer do Sol é uma boa hora pra tentar ver o ISON, porque o Sol ainda não vai ter nascido e porque o cometa já vai ter ganhado um pouco de altitude no céu.

Olhe pra direção que o Sol nasce. As estrelas da constelação de Virgem e Marte podem ser alguns pontos de referência pra ajudar a encontrar o ISON. Na figura da pra ver onde o cometa estará em relação a esses pontos. Segunda ou Terça ainda podem ser bons dias pra tentar olhar. E dificilmente será possível ver alguma coisa depois do fim da semana.

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Binóculos ajudam bastante. Lunetas e pequenos telescópios também. Se você tem algo melhor que isso, provavelmente já sabe o que fazer. 😉

Boa sorte.

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Foto: John Nassr – Stardust Observatory (Lente: N16 f/4.5 Câmera: D7000 iso6400 Exposição: 5 minutos)

Sim, no céu tem pão

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A imagem mostra a Astronauta Peggy Whitson e o Cosmonauta Valery Korzun, na Expedição 5 da Estação Espacial Internacional, saboreando deliciosos (ou nem tanto, é o que dizem) hamburgers.

Sim, no céu tem pão. Há um tempão.

Em 1961, na Vostok 1, Yuri Gagarin levou um sanduíche de salame. Quatro anos depois, um “pão contrabandeado” na Gemini 3 causou um incidente político.

O Comandante Gus Grissom e o Piloto Jonh Young tinham justamente o objetivo de estudar alguns alimentos no espaço. Mas além dos alimentos listados para o teste, John levou escondido em seu bolso um sanduíche de carne.

Alimentação da Gemini 3

Alimentação da Gemini 3

O Senador George Shipley não gostou. Alegando questões de segurança, Shipley afirmou que era desagradável que depois de todo o tempo e dinheiro gastos, um dos astronautas levasse escondido para a nave um sanduíche.

Dr. Mueller, do Departamento de Voo Espacial Tripulado foi a primeiro a vir em defesa do Astronauta da Gemini. Afirmou que a NASA não aprovava objetos não autorizados, como sanduíches, nas espaçonaves, e que tomariam providências para evitar que isso se repetisse no futuro. Mas garantiu que o polêmico sanduíche não afetou as pesquisas que estavam sendo realizadas.

Dr. Gilruth, Diretor do Centro de Voo Espacial Tripulado em Houston também defendeu Young, alegando que as missões sempre foram cumpridas com sucesso e que esse tipo de brincadeira serve para quebrar o estresse dos Astronautas.

James Webb, chefão da NASA na época, ficou do lado do Senador, e o lanchinho de Jonh Young resultou em uma série de novas medidas em relação ao envio de comida ao espaço. Só comida homologada.

A Apollo 10 foi a primeira missão a receber a autorização para levar pão “em seu estado natural”. Na Apollo 11, o cardápio dos Astronautas que pisariam pela primeira vez na Lua incluía pão e sanduíches em fatias ou pequenos pedaços. Em solo lunar, o kit que Aldrin usou para realizar a Comunhão, além do vinho e de um cálice, também continha um pedaço de pão.

Mini sanduíches de "uma mordida" (em cima) e pão fatiado (em baixo). - Apollo 11

Mini sanduíches de “uma mordida” (em cima) e pão fatiado (embaixo). – Apollo 11

Quando os tripulantes do Ônibus Espacial Atlantis acoplaram na Mir, em 17 de Maio de 1997, foram recebidos pelos russos com a tradicional Cerimônia do Bread and Salt. Como o nome sugere, pão e sal (e chá) foram servidos aos visitantes americanos.

Falando nos russos, eles também adotaram os pãezinhos em cubinhos como alternativa para as migalhas que, se já são chatas pra você que deixa cair no teclado do computador, imagina pra quem está em uma cápsula ou estação espacial.

Atualmente os americanos estão substituindo o pão tradicional por tortilhas, que não fazem migalhas, são mais fáceis de manusear na microgravidade e duram até 18 meses.

Pãezinhos russos (acima) e o Astronauta Chris Hadfield com uma tortilha (abaixo).

Pãezinhos russos (acima) e o Astronauta Chris Hadfield com uma tortilha (abaixo).

 

A vingança é um prato que se come no espaço

Eu sei poucas palavras em alemão. Vergeltungswaffen, dizem, significa algo como arma de retaliação.

Vergeltungswaffen é o apelido carinhoso do foguete mais famoso da série Aggregat. O V2, ou A4, usado para ataques da Alemanha contra países Aliados durante a II Guerra Mundial.

Só entre Setembro de 1944 e Fevereiro de 1945 foram construídos 3300 foguetes, totalizando em 5200 as unidades produzidas. O V2 era um foguete de 12500 kg, 14 m de altura e 1,65 m de diâmetro. Utilizava etanol de batata e oxigênio liquido como combustível. Com um raio de ação de aproximadamente 340 km, conseguia alcançar até 5760 km/h.

Foguetes V2 preparados para um teste durante a II Guerra.

Com o fim da Guerra vem a Operação Paperclip, e vários nomes importantes da Alemanha durante a Guerra são levados para os Estados Unidos, entre eles, Wernher von Braun. Partes do V2 foram recuperadas e também levadas aos EUA.

A pesquisa americana com o V2 resultou em contribuições interessantes para a exploração espacial. O primeiro lançamento de um V2 pelos EUA foi em 15 de Março de 1946.

No dia 24 de Outubro de 1946 um foguete foi lançado com uma câmera. Atingiu 105 km de altitude registrando a primeira foto da Terra vista do espaço.

Primeira foto da Terra vista do espaço – 1946

Os primeiros animais chegaram ao espaço a bordo dos foguetes V2. As moscas, em 20 de Fevereiro de 1947 pra testar os efeitos da radiação, foram recuperadas com vida. O primeiro macaco chegou ao espaço em 14 de Junho de 1949, atingiu a altura de 134 km, mas problemas com o paraquedas causaram a destruição do foguete e a morte do animal.

Atualmente ainda existem cerca de 20 unidades do foguete V2 espalhadas por museus ao redor do mundo.

V2 no Museu da Força Aérea dos Estados Unidos da América

 

Inspire-se

Sábado, centenas de pessoas acompanharam o passeio da nave Endeavour pelas ruas de Los Angeles. No Domingo, Felix Baumgartner saltou em queda livre de uma cápsula na estratosfera, 39 km do solo.

As imagens dos dois eventos estão logo mais abaixo.

Por um mundo onde lutar por um sonho não é encarado como viver de uma ilusão. Boa Segunda pra você.

Foto: Divulgação

Foto: L.A. Times

Foto: L.A. Times

 

O nosso sinal wow

Jerry R. Ehman, em 15 de Agosto de 1977, detectou um intenso sinal vindo região da constelação de sagitário. Escreveu wow!, batizando aquilo que muitos acreditam ser uma comunicação extraterrestre.

Entre especulações sobre a origem natural ou artificial para o sinal, fato é que ele nunca se repetiu (ou nunca foi detectado outra vez), e talvez, nunca vamos conhecer realmente sua origem.

Em 21 de Setembro de 2012, durante o Simpósio Internacional de Arte Eletrônica, os artistas Nathaniel Stern e Scott Kildall apresentaram o Tweets in Space.

O conceito é simples. Durante meia hora, todos os tweets com a hashtag #tweetsinspace foram armazenados para serem enviados ao exoplaneta GJ667Cc, 22 anos luz distante da Terra, que possuí características favoráveis para a existência de vida.

 

As mensagens levarão 22 anos para chegar até Gliese 667 Cc. Se alguém de lá nos responder, só saberemos daqui 44 anos. Supondo que nossas transmissões (de dados, rádio e TV) tenham capacidade de chegar até lá sem se confundir com ruído, há alguns anos que um suposto habitante poderia nos detectar. Mas se existem seres vivos em GJ667Cc, é bastante provável que não tenham capacidade para nos ouvir, entender, e responder.

O Tweets in Space foi financiado pela internet, nasceu com uma proposta artística, e não científica. Uma arte de humanos, para humanos.

Mensagens com pedidos de ajuda, declarações informais de guerra espacial ou comida preferida. Paz, amor e ajuda, estão no topo da lista das palavras mais usadas. Enviar as mensagens do Twitter para o espaço não deve auxiliar em nada na busca de extraterrestres, mas nos ajuda a entender um pouco mais sobre esses tais de humanos.

No fim das contas, quando estamos conversando com uma civilização imaginária, quando compartilhamos nossos medos, desejos e dúvidas com seres distantes que provavelmente nem existam, estamos na verdade, conversando com nós mesmos.

Talvez, alguém no futuro vai encontrar essas mensagens, e escrever um wow! ao lado delas.

 

Existem fotos de Armstrong na Lua?

Don’t Panic!

Não lerão aqui que as fotos da missão Apollo são fraudes, e que tudo não passou de uma encenação em algum deserto americano, ou mesmo na Área 51. Essa postagem contém uma história interessante.

Lendo notícias sobre a morte de Neil Armstrong, vi a foto que ilustra o artigo. A legenda era algo como “Armstrong na Lua”. Pensei por um instante, “espera aí, era Armstrong quem tirava as fotos, não há fotos dele na Lua”. Será?

Fui tirar a dúvida.

Pra deixar claro, estamos falando aqui das fotos tiradas com a Hasselblad 70mm, que os astronautas carregaram durante a caminhada lunar. As fotos mais conhecidas, como Aldrin descendo do Módulo Lunar, a pegada no solo, e Aldrin posando com a bandeira dos EUA, vem dessa câmera.

Encontrei a foto em questão no catalogo. É a AS11-40-5886.

Para o desespero de qualquer conspiracionista, essas missões foram muito bem documentadas, todas essas fotos possuem uma história. Bastava então procurar a história da AS11-40-5886 e saber se quem aparece trabalhando no Módulo Lunar era o Armstrong ou o Buzz.

E é aqui que as coisas ficaram interessantes. Eric Jones conta a história.

Havia um desentendimento na própria NASA, que acreditava que Aldrin não havia pegado a câmera, e portanto, não haveriam fotos de Neil Armstrong. Ao revisar a transcrição das conversas durante a missão, Jones percebeu que Buzz pegou a câmera por um tempo. Antes mesmo que Jones pudesse analisar o acervo de fotos, ficou sabendo que dois pesquisadores britânicos,  H. J. P. Arnold e Keith Wilson, em 1987, haviam descoberto a foto que Aldrin tirou de Armstrong. Sim, a AS11-40-5886.

Em 1991, durante a revisão da missão, Eric Jones, junto com Neil Armstrong e Edwin Aldrin, pode tirar a história a limpo, concluindo que realmente se tratava de Armstrong na imagem.

Na ocasião, Armstrong comentou:

“Sim. Eu venho continuamente falando. Mas o problema é que a NASA divulgou que não existem fotos minhas. Porque eles acreditam nisso. Mas eles não sabem. Eu acho que nunca perguntaram ao Buzz ou a mim. Eu acho que muitos deles não sabem que você [Buzz] tirou fotos com a Hasselblad. Eu não sei por que não fizeram; porque se olhassem o dialogo onde você afirma que fará as panorâmicas, a NASA não cometeria esse erro.”

Em 1996, Keith Wilson enviou uma carta para o Eric Jones, contando detalhes da pesquisa.

O primeiro contato de Keith foi com o Dr. David Compton, então historiador do Johnson Space Center. Compton respondeu que havia apenas uma Hasselblad, e que era Armstrong que tirava fotos do Aldrin, portanto não acreditava que existissem fotos do Armstrong.

Wilson também falou com Brian Duff, relações públicas do JSC durante a Apollo 11. O mundo queria uma foto do primeiro homem na Lua e foi sugerido que Duff perguntasse diretamente ao Armstrong sobre alguma possível foto. Duff perguntou se Neil havia entregado a câmera para Buzz, e ele respondeu que não.

A partir daí, a foto do “reflexo no capacete” de Aldrin ganhou o mundo.

Duff interpretou a resposta de Armstrong como uma negativa para existência de uma foto do primeiro homem na Lua. Mas é possível que Neil apenas tenha respondido ao que lhe foi perguntado. Armstrong nunca entregou a câmera ao Aldrin. Ele deixou a câmera no MESA (Modular Equipment Stowage Assembly) , e Aldrin pegou de lá.

Em contatos com o próprio Neil Armstrong, Keith Wilson conseguiu confirmar a existência da imagem. O resultado veio a público pela primeira vez na seção de cartas da revista Spaceflight de Agosto de 1987. David Compton considerou que Wilson poderia estar correto. Duff não estava totalmente convencido, e o Relações Públicas do JSC na época apenas afirmou que a imagem não existia, porque Aldrin nunca teve a câmera.

Douglas Arnold, que também pesquisou o assunto independentemente, publicou sobre o tema nessa mesma revista um tempo mais tarde.

Seria essa, então, a única imagem de Neil Armstrong na Lua?

A resposta, obviamente, é Não.

Olhando no catalogo de uma das panorâmicas tiradas por Buzz Aldrin, é possível perceber, no canto de uma das imagens, as pernas e costas de um homem.

Ele mesmo, Neil Alden Armstrong, o primeiro humano a pisar na Lua.

 

 

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Armstrong: Houston, aqui é Tranquility Base. O Eagle pousou.

CAPCOMM: Roger, Tranquility. Deixou uns caras aqui azul. Podemos respirar novamente. Obrigado.

Armstrong: Obrigado.

CAPCOMM: Daqui parece estar tudo bem com vocês.

Armstrong: Okay. Vamos ficar ocupados por um tempo.

 

*   *   *

Armstrong: Hey Houston, deve ter parecido uma longa fase final. O piloto automático nos levou para uma cratera do tamanho de um campo de futebol, com um grande numero de pedregulhos e rochas por cerca de [ruído] uma ou duas vezes o diâmetro da cratera, por isso foi necessário um [ruído] em P66 e voar manualmente sobre o campo de rochas para encontrar uma área razoavelmente boa.

CAPCOMM: Roger. Entendido. Foi lindo daqui, Tranquility. Over.

Aldrin: Nós teremos os detalhes do que está em volta, mas parece com uma coleção com todo tipo de forma, ângulo, granulação, de todo tipo de rocha que você pode encontrar. As cores… bem, variam muito dependendo do ângulo que se olha, mas não parecem diferir muito no geral. Entretanto há algumas próximas dessa área que parece ter cores interessantes. Over.

*   *   *

CAPCOMM: Tranquility. Fique sabendo que há vários rostos felizes nessa sala, e ao redor do mundo. Over.

Armstrong: Bom, há dois deles aqui em cima.

Collins: E não esqueçam um no Módulo de Comando.

CAPCOMM: Roger.

Collins: E obrigado por me colocar na transmissão, Houston. Eu estava perdendo toda a ação.

*   *   *

Armstrong: Da superfície não conseguimos ver estrelas através da janela, mas pela escotilha sobre a minha cabeça vejo a Terra. É grande, e brilhante, e linda. Buzz está indo tentar ver alguma estrela pelo ‘óptico’.

CAPCOMM: Roger, Tranquility. Nós entendemos. Deve ser uma lida vista. Over.

CAPCOMM: Columbia, Houston. Dois minutos para LOS. Você está bem aí em cima. Over.

Collins: Fico feliz em saber que os sistemas estão bem. Você tem uma sugestão de altitude para mim? Com esta aqui parece estar tudo certo.

CAPCOMM: Aguarde.

Collins: Vão me avisar quando for a hora do almoço, não?

CAPCOMM: Repita.

Collins: Ah, ignorem.

CAPCOMM: Columbia, Houston. Você está em uma boa altitude.

Collins: Okay. Obrigado.

*   *   *

Aldrin: Houston, Tranquility.

CAPCOMM: Prossiga Tranquility.

Aldrin: Nossa recomendação para o momento é planejar a EVA para às 8 horas dessa manhã, no horário de Houston. Isso é daqui a três horas.

CAPCOMM: Aguarde.

Aldrin: Bem, vamos lhe dar um tempo pra checar sobre isso.

CAPCOMM: Tranquility Base, Houston. Nós checamos. Estamos com vocês.

Aldrin: Roger.

CAPCOMM: Olá, Tranquility Base. Houston. As oito horas no horário de Houston se referem a abertura da escotilha, ou ao inicio das preparações para o EVA? Over.

Armstrong: A abertura da escotilha.

CAPCOMM: Foi o que pensamos. Muito obrigado.

Armstrong: Pode ser um pouco mais tarde do que isso, mas em outras palavras, a preparação para a EVA começa em cerca de uma hora.

*   *   *

Armstrong: Okay, você pode puxar um pouco mais a porta?

Aldrin: Certo.

Armstrong: Okay.

Aldrin: Liberou o MESA? 

Armstrong: Estou puxando agora mesmo.

Armstrong: Houston, o MESA foi liberado.

CAPCOMM: Roger. Temos uma imagem na TV.

Aldrin: Você tem uma imagem boa?

CAPCOMM: Há um grande contraste, e por enquanto está de cabeça pra baixo, mas percebemos uma boa quantidade de detalhes.

Aldrin: Okay. Você vai verificar a posição – a abertura que eu tenho que eu devo usar na câmera?

CAPCOMM: Aguarde.

CAPCOMM: Okay. Neil, nós podemos ver você descendo a escada agora.

CAPCOMM: Buzz, aqui é Houston. F/2 1/160 segundos.

Aldrin: Okay.

Armstrong: Estou no pé da escada. Os pés do Módulo Lunar afundaram apenas uma ou duas polegadas, embora a superfície se pareça com finos grãos, conforme se aproxima. É quase como um pó. Descendo, isso é muito bom.

Armstrong: Vou sair do Módulo Lunar agora. 

“Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade” — Neil Alden Armstrong (5/8/1930 – 25/8/2012)

 

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