Órbitas, padrões e divindades

terravenus

Essa figura apareceu na minha timeline um dia desses. As páginas que estavam compartilhando diziam quer era das orbitas de Vênus e da Terra durante 8 anos. Eu achei estranho porque, pra mim, o desenho das órbitas de Vênus e da Terra durante 8 anos são só duas elipses.

Fui ver o que era isso.

A imagem foi criada por Howard Arrington, inspirado no livro A Little Book of Coincidence, de John Martineau, que trata de relações geométricas. O que ela mostra, na verdade, são linhas que ligam a Terra até Vênus ao passar do tempo. Como os planetas completam uma volta ao redor do Sol em tempos diferentes, o padrão formado se repete a cada 8 anos.

Nesse vídeo o ponto médio da linha que liga os dois planetas é usado para traçar o desenho, e fica mais fácil de ver como a figura se forma.

E esses são os desenhos que Arrington fez com outros planetas:

Terra e Marte

marteterra

Saturno e Júpiter

saturnojupiter

Terra e Mercúrio
terramercurio

Urano e Saturno
uranosaturno

 

Nos comentários, muitos associaram a figura criada pelas linhas que ligam os dois planetas com divindades. A ideia de que somente um ser com poderes especiais, um Deus, poderia colocar os planetas nas posições “exatas” para formar os desenhos.

Aqui, as divindades somos nós. É a geometria das órbitas, a distância entre os dois planetas e o tempo que levam para dar uma volta em torno do Sol, que cria naturalmente os padrões, mas foi um humano que resolveu que traçaria uma linha entre dois planetas, é a nossa interpretação que nos faz considera-los como figuras bonitas (ou feias, eu acho o de Vênus e da Terra mais bonito que o de Terra e Mercúrio, por exemplo).

As pessoas gostam de padrões e simetrias. Não somos robôs. Reconhece-los é tão humano quanto uma mandala divina, ou um pentagrama satânico.

Cosmos na Comic-Con 2013

cosmos

Na década de 80 a série Cosmos se tornou a obra prima da divulgação científica com o carismático Carl Sagan explicando de forma simples e didática, conceitos científicos muitas vezes complexos e distantes das pessoas comuns.

Em 2011 foi anunciada a produção um remake da série, com o Astrônomo e meme Neil deGrasse Tyson. E a hora está chegando. Ontem, em um painel na San Diego Comic-Con 2013 (a mais importante convenção de TV, Cinema, Quadrinhos, Games e todas essas nerdarias), a Fox divulgou o trailer oficial de Cosmos: A Spacetime Odyssey.

Ann Druyan, co-criadora da série original e esposa do Carl Sagan, Brannon Braga, produtor e diretor, e Neil de Grasse Tyson, responderam as perguntas dos fãs durante o painel.

Ann Druyan, Neil deGrasse Tyson e Brannon Braga na San Diego Comic-Con 2013. - Foto: @kimbosliice

Ann Druyan, Neil deGrasse Tyson e Brannon Braga na San Diego Comic-Con 2013. – Foto: @kimbosliice

Também faz parte da equipe de produção Seth MacFarlane, conhecido criador das séries Uma Família da Pesada e American Dad, e do recente filme Ted.

Estreando na primeira metade de 2014, assim como na versão original, serão 13 episódios de uma hora de duração. A série será exibida em 171 países, em 48 idiomas.

O trailer:

Estou na expectativa. E vocês, o que acharam? 😀

Tudo que você precisa saber sobre meteoros HOJE

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Aparentemente, na madrugada de hoje (horário do Brasil) um meteorito caiu na região de Chelyabinsk, Rússia, cerca de 1500 km distante de Moscou. Há relatos de ferimentos causados principalmente por cacos de vidros das janelas quebradas por causa da onda de choque.

Os registros são impressionantes.

Esse é um tipo de evento em que uma onda de desinformação é uma merda um problema. Então, aqui está uma lista de respostas para perguntas que possivelmente alguém deve estar se fazendo agora.

Ainda há risco?

Para ter relação com o evento russo seria necessário algumas condições, como esse meteorito estar acompanhado de outros fragmentos. A principio não é o que aconteceu. Entretanto, o risco sempre existe.

Vi que um asteroide passará perto da Terra nessa sexta. Tem algo a ver com o meteorito russo?

É possível estimar uma possibilidade de órbita do meteorito russo baseado nas posições que as filmagens mostram. Essa seria um orbita diferente do asteroide próximo da Terra (chamado 2012 DA14). Também há uma diferença de tempo entre o horário do choque do meteorito, com a máxima aproximação do asteroide. Isso são indícios de que um não tem nada a ver com o outro.

Qual a diferença entre asteroide, meteorito e meteoro?

Semântica. Asteroide é uma pedra vagando pelo espaço. Meteoro é o efeito visual causado pelo contato dessa pedra com a atmosfera terrestre, e meteorito é o nome dado para a pedra depois que há o choque com o solo. Tomando o caso russo como exemplo, ele foi as três coisas. Um asteroide que entrou na atmosfera da Terra, foi filmado como meteoro, e agora é um meteorito.

Não são pedras, são aerolitos.

E cometas?

Cometas são parecidos com asteroides, mas compostos basicamente de gelo, o que faz com que ganhem a famosa cauda ao se aproximar do sol.

Qual era o tamanho dessa pedra? Desculpe, aerolito…

Isso ainda precisa ser calculado. Baseado em alguma possível cratera ou mesmo restos do meteorito.

Atualização: As estimativas da NASA são de 17 metros de diâmetro e massa de 10 mil toneladas.

Do que ela é feita?

Não dá pra saber sem ver ele primeiro. Mas asteroides em geral são divididos em grupos de composição, sendo a maior parte do tipo condrito. Rochas de silicatos.

Ataualização: Confirmando as estatísticas, o meteorito russo é do tipo condrito ordinário.

Por que ninguém avisou que ele iria cair?

Asteroides são pequenos. Existem dois problemas para achar esse tipo de objeto. Eles refletem pouca luz e ocupam uma área pequena no céu. Os telescópios que procuram por esse tipo de objeto precisam varrer uma área grande, e isso (por questões de ótica) dificulta ver coisas pequenas que estejam longe.

Mas avisaram do asteroide… 

O asteroide é provavelmente maior que o meteorito russo. Talvez tenha ainda um “golpe de sorte” dele ter passado pela área de varredura de um dos nossos telescópios. Mesmo assim, não faz nem um ano da sua descoberta.

Quem busca esse tipo de coisa?

Existem alguns programas ao redor do mundo que fazem a varredura do céu e mapeiam objetos próximos da Terra. Lincoln Near-Earth Asteroid Research, Catalina Sky Survey e Siding Spring Sky Survey  são os programas de maior sucesso. São números que no total passam da casa dos 200 mil objetos. O Catalina, por exemplo, atinge uma taxa de aproximadamente 500 objetos próximos da Terra por ano.

E o Brasil?

O Brasil também possuí um programa de varredura de asteroides. É o IMPACTON.

Você pode garantir que o asteroide não cairá?

Eu, particularmente, não. Mas os cálculos mostram isso, e podemos confiar neles.

Qual a frequência desse tipo de evento?

Asteroides pequenos caem todos os dias. A atmosfera acaba consumindo eles completamente antes que atinjam o solo. São as chamadas estrelas cadentes.

Asteroides de 4 metros caem em média uma vez por ano. Conforme o tamanho aumenta, mais raro de acontecer. Grandes asteroides muitas vezes associados com eventos de extinção em massa costumam aparecer em intervalos de milhões de anos.

Você pode me falar de algum caso recente?

Um caso recente e interessante é o meteorito 2008 TC3 que caiu no Sudão em 2008. Foi o primeiro que foi rastreado desde a determinação de sua orbita, até o local de queda. Os astrônomos puderam acompanhar seu trajeto passo a passo. Estimado em 80 toneladas e cerca de 5 metros de diâmetro o meteoro se desfragmentou durante a queda, resultando em cerca de 600 pedaços somando algo em torno de 10 kg.

Fragmento do meteorito 2008 TC3

Fragmento do meteorito 2008 TC3

Governos escondem informações a respeito de eventos astronômicos que podem por em risco a população?

Não que eu tenha como saber. Mas a maior parte desses dados são públicos, além de astrônomos amadores ao redor do mundo. Eventos como esses costumam se dividir entre aqueles que não temos como prever e aqueles que não temos como esconder. Governos talvez estejam interessados em saber de um potencial asteroide que destruirá a Terra, mas não penso que essa informação não fosse divulgada por alguém.

Esse evento tem algo a ver com a renúncia do Papa?

Não.

Esse evento tem algo a ver com alguma mensagem divina?

Não.

Esse evento tem algo a ver com Aliens?

Err…

NO

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Para outras dúvidas, usem os comentários. 😉
ATUALIZAÇÃO

Alguns leitores querem saber de onde o asteroide que passará perto da Terra poderá ser visível.

De que lugar do mundo é possível ver o asteroide?

O mapa abaixo mostra (em tons de verde) de onde o asteroide será “visível”. Visível aqui quer dizer que ele estará ‘acima do horizonte’, já que o asteroide não pode ser visto sem auxilio de binóculos ou telescópios.

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Gráfico de autoria de Geert Barentsen.

EUA não construirá Estrela da Morte

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Em Novembro do ano passado, fãs de Star Wars (a.k.a. Guerra nas Estrelas) criaram uma petição para que o Governo dos Estados Unidos da América construa uma Estrela da Morte.

A petição já conta com mais de 34 mil assinaturas, e você pode ler o texto original clicando aqui, ou na tradução a seguir.

Peticionamos o Governo Obama para:

Assegurar fundos e financiamentos, e iniciar a construção da Estrela da Morte em 2016.

Aqueles que aqui assinarem peticionam o Governo dos Estados Unidos para assegurar fundos e financiamentos, e iniciar a construção da Estrela da Morte em 2016.

Ao focar nossos recursos de defesa em uma plataforma espacial e sistemas de armamentos como a Estrela da Morte, o Governo pode estimular a criação de empregos nas áreas da construção, engenharia, exploração espacial, entre outras, além de reforçar a defesa nacional.  

Faz sentido. Todos reconhecem o poder da Estrela da Morte, e certamente garante superioridade bélica para qualquer nação.

Fãs de Star Wars animados com a ideia, podem se decepcionar. A Casa Branca respondeu oficialmente a petição e, pelo menos por enquanto, os americanos não construirão a Estrela da Morte.

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A resposta é inspiradora, bem humorada e com várias referências aos filmes. Foi assinada por Paul Shawcross que trabalha em algum lugar da Casa Branca que lida com dinheiro e espaço, e provavelmente, ficção cientifica. Você pode clicar aqui para ler o original, ou na tradução abaixo.

Esta não é a Resposta de Petição que você está procurando.

A Administração divide o seu desejo de criação de empregos e uma defesa nacional forte, mas uma Estrela da Morte não está em nossos planos. Aqui algumas razões:

– A construção da Estrela da Morte esta estimada em mais de $850,000,000,000,000,000. Estamos trabalhando para reduzir o deficit, não expandi-lo.

– A Administração não apoia a explosão de planetas.

– Por que gastaríamos os impostos dos contribuintes em uma Estrela da Morte com uma falha fundamental que pode ser explorada por uma nave de um homem só?

Porém, olhe com cuidado (veja aqui como) e você perceberá que já há algo flutuando no céu — não é a Lua, é a Estação Espacial! Sim, nós já temos uma Estação Espacial Internacional, do tamanho de um campo de futebol, orbitando a Terra e nos ajudando a aprender como humanos podem viver e prosperar no espaço por longos períodos. A Estação Espacial está com seis astronautas (da América, Rússia e Canadá), conduzindo pesquisas, aprendendo como viver e trabalhar no espaço por um longo período de tempo, rotineiramente recebendo espaçonaves visitantes, fazendo reparos no compactador de lixo, etc. Nós também temos dois laboratórios científicos robôs (um deles empunhando um laser) andando por Marte, procurando se já existiu vida no Planeta Vermelho.

Lembre que o espaço não é mais apenas governamental. Companhias americanas privadas, através do Commercial Crew and Cargo Program Office (C3PO), estão transportando carga (e em breve tripulação) ao espaço, e buscando missões com humanos para a Lua nessa década.

Ainda que os Estados Unidos não tenham nada que possa fazer a Kessel Run em menos de 12 parsecs, temos duas espaçonaves deixando o Sistema Solar, e estamos construindo uma sonda que vai voar para as camadas exteriores do Sol. Estamos descobrindo centenas de novos planetas em outros sistemas estelaras e construindo um sucessor muito mais poderoso para o Telescópio Espacial Hubble, que nos fará olhar para os primeiros dias do Universo.

Nós não temos uma Estrela da Morte, mas temos robôs flutuantes na Estação Espacial, um Presidente que sabe como lidar com um sabre de luz e um avançado canhão (de marshmallow), e a DARPA que está apoiando a pesquisa do braço do Luke, droids flutuantes e quadrupedes que caminham.

Estamos vivendo no futuro. Aproveite. Ou, melhor ainda, nos ajude a construí-lo procurando uma carreira na Ciência, Tecnologia, Engenharia ou Matemática. O Presidente realizou a primeira Feira de Ciências da Casa Branca e a Noite da Astronomia no South Lawn porque ele sabe que esses domínios são fundamentais para o futuro do nosso país, e para assegurar que os Estados Unidos continuem liderando o mundo em fazer coisas grandes.

Se você seguir uma carreira em Ciência, Tecnologia, Engenharia ou Matemática, a Força estará com você. Lembre-se, o poder da Estrela da Morte para destruir um planeta, ou mesmo um sistema estelar inteiro, é insignificante perto do poder da Força.

 

Trânsito de Vênus

É hoje.

Em aproximadamente uma hora Vênus irá iniciar sua passagem em frente ao Sol. Um espetáculo interessante de ser observado, e que só irá se repetir em 2117.

Infelizmente o Sol já se pôs, e portanto o evento não será visível no Brasil (o começo poderá ser visto do Acre, mas como o Acre não existe…). De qualquer forma, sempre é importante lembrar que você nunca deve olhar diretamente para o Sol. 😉

Felizmente existem pessoas de bom coração que podem transmitir o Trânsito através da web.

Mas se vocês aí da Terra pensam que são os únicos com um acontecimento especial no dia de hoje, saibam que também temos novidades aqui em Magrathea. Sim, pela primeira vez realizaremos uma postagem em tempo real!

Você deveria estar se perguntando (sei que não está) “como isso acontecerá?”.  Simples. Esse post será atualizado conforme o trânsito for acontecendo, com imagens, links e outras informações.

Também estarei no twitter, em @alamuss.

Pra começar, links (Ingês) para as transmissões ao vivo:

– http://www.planethunters.org/transit

– http://cosmoquest.org/Hangouts/

– http://www.transitofvenus.org/

http://venustransit.nasa.gov/transitofvenus/

http://sunearthday.nasa.gov/webcasts/nasaedge/ 

Atualização (19:10):

Quase lá.

 

Atualização (19:20):

Esse Hangout está muito bom. Merece espaço especial. 🙂

 Atualização (19:42):

Estamos dentro. O final do Trânsito está previsto para 1:49.

Atualização (20:15):

Vênus, na mitologia, é a deusa do amor e da beleza. Vênus, o planeta, é o segundo corpo a partir do Sol. Em tamanho, é bastante parecido com a Terra, com 80% da massa terrestre e raio cerca de 600km menor. Por outro lado, Vênus tem uma atmosfera bastante densa, composta principalmente de CO2, a pressão na superfície é cerca de 90 vezes maior que a terrestre. Um ano em Vênus equivale a 224,7 dias terrestres.

Atualização (20:55):

Ibagens: Flickr da NASA onde as pessoas podem enviar suas fotos do Trânsito de Vênus.

http://www.flickr.com/groups/venustransit/

Atualização (21:22):

Diferentes filtros para diferentes comprimentos de ondas geram imagens com o Sol em cores diferentes.

Vermelho:

Amarelo:

Verde:

 

Atualização (22:03):

Hora do recreio.

 

Atualização (23:18):

De volta para acompanhar o final do Trânsito. O Hangout legal com o Phil Plait, Pamela Gay, a Nicole Gugliucci, entre outros, continua rolando, agora em outro link (o Youtube tem um limite de tempo).

Atualização (23:50):

A exploração de Vênus iniciou em 12 de Fevereiro de 1961 com o lançamento da Sonda Soviética Venera 1, que sobrevoou o planeta em 19 de Maio de 1961. Com a Venera 9, em 1975, tivemos as primeiras imagens do solo de Vênus.

Atualização (00:40):

O pessoal do @universetoday terminou o Hangout. Acompanhando o finalzinho pelo Slooh.

Atualização (01:16):

O próximo Trânsito de Vênus ocorrerá em 10 de Dezembro de 2117. Em seguida, outro ocorrerá em 8 de Dezembro de 2125 (esse, visível na América do Sul).
Os trânsitos ocorrem em um intervalo de 8 anos, com um espaço de 121 ou 105 anos entre esses intervalos. O trânsito anterior aconteceu há 8 anos, em 2004, o próximo daqui a 105.

A inclinação do plano da órbita de Vênus em relação ao plano da órbita da Terra é que torna os trânsitos situações especiais.

Mais IBAGENS: Sequências completas  do Trânsito, em diversos filtros.

http://venustransit.gsfc.nasa.gov/

Atualização (01:50):

O Trânsito de Vênus de 2012 está oficialmente encerrado. Certamente ter visto ‘ao vivo’ seria uma experiência incrível, mas acompanhar pelas transmissões online dos mais diversos lugares foi interessante também.

Agradeço a todos que durante essas quase sete horas compartilharam pelos menos uns instantes do evento aqui pelo NiM. Foi outra experiência divertida realizar essa “cobertura”.

Ainda pretendo (talvez em outras postagens), mostrar outras imagens e, claro, comentar sobre as pesquisas realizadas.

Por hoje é tudo.

Até. 😉

A segunda coisa mais bonita para se ver na Terra…

Se eu trabalhasse para a Megadodo Publications, essa seria a definição que eu usaria.

Lugar comum no discurso criacionista, já ouvi muitas vezes que “nada de belo pode sair de uma explosão”, em referência ao atual modelo cosmológico para explicar a expansão do Universo.

Explosões podem ser legais…

Imagine uma bola muito grande. Agora imagine ela maior, muito maior. Uma bola beeem grande pelo espaço. Uma gigantesca bola com uma usina de fusão nucelar no seu interior. Muito grande.

Imagine que ao redor dessa bola existam outras bolas menores, e que em uma delas, existe vida. Um certo dia, alguns seres da bola menor resolveram que chamariam a bola maior de Sol, e eu não sei se todo mundo concordou com a escolha, mas é assim que eles chamam até hoje.

O núcleo do Sol está transformando Hidrogênio em Hélio e a energia liberada nesse processo sai do núcleo para as camadas mais externas criando campos magnéticos. Na parte mais externa, muito quente, forma-se plasma (partículas ionizadas, ou seja, que ganharam ou perderam elétrons).

As vezes o plasma arrasta um campo magnético para fora do Sol. Temos aí uma explosão solar, tempestade solar, ou também Ejeção de Massa Coronal. No caminho dessas partículas ionizadas viajando pelo espaço, a praticamente inofensiva Terra. Mas não entre em pânico, Magrathea engenhosamente projetou um gigantesco escudo protetor.

Quando o plasma está para atingir a Terra, é desviado pelo Campo Magnético terrestre. O Campo Magnético acaba sofrendo uma deformação momentânea. Mais do que ser um dos fatores que torna possível a vida na Terra, o resultado das explosões solares contra o campo magnético da Terra cria o fabuloso, magnifico, espetacular e maravilhoso fenômeno das Auroras.

Infelizmente não há legendas para esse vídeo, mas as imagens já devem ajudar bastante a compreensão.

Observadas desde a antiguidade, a explicação só veio em 1896 com o Físico norueguês Kristian Birkeland. No link, uma galeria de imagens das Auroras Boreais (para o Hemisfério Norte, no Hemisfério Sul são chamadas de Auroras Austrais) resultantes das tempestades solares do inicio desse ano.

Agora você deve estar se perguntando o que fazer para ver um aurora.

“O que eu faço para ver auroras?”

Para realmente ver, você precisa estar em uma região de alta latitude, preferencialmente próxima dos polos. Mas pra você, que assim como eu, está em uma região onde não é comum o fenômeno acontecer, sempre tem um jeitinho.

Primeiro, descubra quando há a possibilidade das auroras acontecerem. Vocês podem descobrir através dos dados de atividade solar disponíveis aqui. Eu sigo o @VirtualAstro (que além das auroras também comenta sobre outros acontecimentos astronômicos interessantes, sempre com a participação dos seguidores que enviam suas fotos) e o @Aurora_Alerts (o nome é auto explicativo, não? 😀 ).

Sabendo que há um alerta de aurora, uma boa ideia é acompanhar o Aurora Sky Station, que transmite em tempo real fotos das auroras. A câmera está localizada no Parque Nacional Abisko, na Suécia.

Há ainda o fator inconveniente do efeito das explosões solares nos satélites, sistemas de comunicações e redes elétricas. Mas isso fica pra outra hora, afinal, esse é um post sobre a beleza das coisas.

Clique para mais fotos

YouTube Space Lab

Uma experiência científica na Estação Espacial Internacional, elaborada por jovens entre 14 e 18 anos. Essa é a proposta do YouTube Space Lab.

Após encerrado o período de inscrições, 60 ideias foram selecionadas e colocadas para votação.  O pais com mais selecionados foi os Estados Unidos com dez, seguido da Índia, com nove. Por motivos legais (que eu desconheço) o Brasil não pode participar. Além do “juri popular”, os vídeos também serão avaliados por um “juri técnico” que inclui educadores, cientistas e astronautas.

Os dois projetos vencedores (um entre jovens de 14 e 16, outro entre 17 e 18) serão levados até a Estação Espacial Internacional,  onde a experiência será realizada e transmitida ao vivo através do YouTube.

A votação termina hoje, dia 24 de Janeiro. Para votar, ou apenas assistir as ideias de experiências propostas pelos jovens, acesse youtube.com/user/spacelab.

Nobel 2011, Melões e Balões

O Prêmio Nobel de Física em 2011 foi dividido entre Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess, pela descoberta da aceleração da expansão do Universo.

A expansão do Universo já era algo consolidado no meio científico, mas a descoberta de que essa expansão ocorre de forma acelerada, gerou surpresa entre os cosmólogos, no final da década de 90.

Marcou também o começo das pesquisas sobre Energia Escura, já que é necessária a sua existência para poder explicar essa aceleração da expansão, em contrapartida o que seria naturalmente esperado, a redução da velocidade de expansão, devido a atração gravitacional.

Alguns anos mais tarde, e em um Universo um pouco maior, estamos aqui vendo o reconhecimento ao trabalho desses três cientistas e seus colaboradores.

Segundo o Guia do Mochileiro das Galáxias a Wikipédia:

Melão (Cucumis melo L.) é uma fruta provavelmente nativa do Oriente Médio. Existem inúmeras variedades cultivadas em regiões semi-áridas de todo o mundo, todas apresentando frutos mais ou menos esféricos, com casca espessa e polpa carnosa e suculenta, com muitas sementes achatadas no centro. A cor e a textura da casca, bem como a cor e o sabor de sua polpa, variam de acordo com o cultivar.

A abundância de água em seu interior e o sabor suave tornam o melão uma fruta muito apreciada na forma de refrescos. Suas sementes, tostadas e salgadas, também podem ser consumidas.

Segundo algumas fontes, alternativas, um melão é constituído de cerca de 90% de água.

Para mim, não restam dúvidas, um melão é algo redondo, e cheio de água.

Mas, vejam só, no estranho Universo em que vivemos, algo que se chama melão pode não ser necessariamente um melão, e coisas redondas cheias de água também podem não ser necessariamente melões.

A ocorrência simultânea desses dois eventos é rara e potencialmente perigosa, mas ao mesmo tempo interessante, e você pode conferir no vídeo abaixo:

Como diz a Wikipedia o Guia do Mochileiro das Galáxias, o Universo é muito grande, e muito estranho, e se algum dia alguém descobrir porque ele está aqui e pra que serve, ele se destruirá e alguma coisa ainda mais estranha tomará o seu lugar.

Por mais que o Guia esteja certo (e ele sempre está), eu ainda não estou convencido de que o Universo é de fato um melão.

Existe um modelo muito divertido para explicar como a expansão do universo acontece. Basicamente, você pega um balão, desenha bolinas nele, representando galaxias (pode ser mais prático comprar aqueles balões com desenhos de estrelas. =P) e então, encha o balão. Conforme o balão vai inflando, sua superfície vai se expandir, e como consequência, as suas “galaxias” vão se afastar uma das outras. Praticamente um Universo.

Alguns podem não acreditar, mas eu já fui criança. Entre uma e outra brincadeira, aprendi que poderia me divertir atacando meus amigos com projéteis feitos de fluídos envoltos com borracha. Também conhecido como balões de água.

Qualquer pessoa pode construir um balão de água, simplesmente substituindo o tradicional ar, por água. Trivial, trivial. No fim das contas, você terá algo redondo e cheio de água. Mas não será um melão.

Se você quiser usar o balão para demonstrar para alguém a expansão do Universo, sugiro seguir os ensinamentos da nossa amiga Mulher Melão (que aparentemente não é redonda, embora tenha cerca 70% de água). Encha seus balões com água, veja a expansão acontecer, e no fim, você terá um Universo, redondo, cheio de água, e uma arma fatal contra seus amigos.

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