Feliz Natal!

À todos os leitores, amigos e queridos…

O verdadeiro significado do Natal: voltar pro único lugar que realmente nos pertence.

Feliz Natal!!!

Um tapinha não dói?

Li hoje a notícia do lançamento de um livro sobre educação infantil que se diz “favorável à punição física” de crianças. O que me lembrou da tal da Lei da Palmada, proposta há algum tempo. Parece que o assunto esfriou, e eu não sei bem em que ponto está a lei, se foi arquivada ou ainda está em discussão.

Mas a pergunta continua: “palmadinhas educativas” são ou não boas para a educação de crianças?

Do ponto de vista jurídico, a lei está bem explicadinha aqui, no Consultor Jurídico. Do ponto de vista pessoal – meu, só meu e de mais ninguém – , é mais uma lei que “não vai pegar”, como tantas outras nesse país, como a Lei Maria da Penha, por exemplo. Necessária? Talvez. Mas há que lembrar que o Código Civil Brasileiro e a Constituição já proíbem a agressão, a violência e a punição física a todo e qualquer cidadão brasileiro. Só isso já devia ser suficiente, né?

Mas, eu queria falar é de outra coisa. O que eu vejo nos debates é que as pessoas colocam agressão física no mesmo saco de qualquer tipo de punição. Tecnicamente, a punição acontece sempre que você introduz alguma coisa aversiva (desde um jato de água fria no nariz, um quarto escuro, até uma palmada, uma chicotada, um espancamento); ou então que se retira alguma coisa prazerosa (sem TV por uma semana, sem videogame até a nota melhorar, sem sua liberdade por dois anos). O fato de se proibir que sejam aplicados castigos físicos (ou “corporais” como está na letra da lei) não quer dizer que não se podem usar métodos punitivos para educar. Só quer dizer, exatamente, que não se pode usar AGRESSÃO FÍSICA como medida educativa de crianças e adolescentes. Nesse ponto, particularmente eu acho que a lei está frouxa e mal escrita, e que deveria dar diretrizes mais objetivas, porque todo mundo sabe que cabeça de juiz é que nem bunda de nenê. (Ué? A juíza não negou o pedido de proteção de Eliza Samudio, com base na Lei Maria da Penha, com o argumento de que a lei só se aplicava à violência doméstica, e pra ela – a juíza – violência doméstica só acontece quando duas pessoas são casadas? Vai pensando…)

 

 

Mas, por que a “palmada” é tão difundida como meio de se educar crianças? Alguns tipos de punição são muito funcionais para quem pune. Eles fazem com que o comportamento de quem é punido desapareça imediatamente. E isso é muito reforçador para o punidor. E para o punido? Este aprende que emitir esse comportamento na presença do punidor vai gerar punição. Veja a sutileza: a punição não ensina o que deve ser feito, o que é adequado naquela ocasião, ensina apenas como SE LIVRAR da mesma punição. É assim que crianças aprendem que fazer birra com papai não funciona, mas com a mamãe dá mó certo! O uso da força física e da agressão, nesse sentido, é o mais eficiente de todos os tipos de punição, porque cessa imediatamente o comportamento inadequado. Mas não ensina o que é certo. Ensina apenas a não fazer aquilo de novo na frente de quem te bateu. Quem já foi criança sabe muito bem do que eu tô falando. A única maneira de ensinar comportamentos adequados é usando o reforçamento desses comportamentos. Só.

O problema da punição – de qualquer tipo – é que, além de não ensinar o comportamento correto, ela gera um monte de comportamentos de fuga e esquiva (aqueles que te livram da punição, como contar mentiras, fugir de casa, fazer coisas escondido dos pais, colocar a culpa no irmãozinho ou no coleguinha, encher a cara de vodka barata pra “esquecer” dos problemas, por exemplo) e comportamentos tecnicamente chamados de “contracontroles”, ou seja, coisas que fazemos para tentar controlar a fonte de punição, como desacreditá-la (“meu pai é um bêbado”, “feministas são mal amadas”), agredi-la de volta e até mesmo eliminá-la (Suzane Von Richthofen? Hum?).

 

 

E mais, como se só isso já não fosse ruim o suficiente: quanto maior o grau de violência da punição, maior a probabilidade de que ela gere, na pessoa punida, efeitos colaterais como ansiedade, depressão, baixa auto-estima e agressividade. Porque se há uma coisa que a gente aprende rapidamente, e através de exemplos e modelos, é que a violência é um meio legítimo de se livrar daquilo que nos incomoda. É isso que você ensina para seu filho quando bate nele. Só pra exemplificar: Flynn (1999) descobriu uma correlação altamente positiva entre crueldade infantil com animais e quantidade de punição corporal que os pais dessas crianças usavam com elas. E Straus & Mouradian (1998) dizem na conclusão de seu artigo que:

“Quanto mais punição corporal experienciou a criança, maior a tendência para ela engajar-se em comportamentos antissociais e atos impulsivos. A punição corporal doméstica está fortemente associada a problemas de comportamento da criança.”

Pior ainda: a punição física recorrente gera, com frequência, uma habituação ao estímulo aversivo punidor. Ou seja, com o tempo, uma palmadinha não dói tanto, e não causa mais efeito. Você vai ter que bater com o chinelo… que com o tempo também não vai ter muita importância e você vai ter que dar uma surra de cinto… e assim vai até o espancamento. Isso é o que se chama comumente de escalada de violência, e quando ela começa, se não for interrompida, acaba muito mal. Para Skinner – é, lá vem o bom velhinho denovo, get used to it – a punição não reduz a probabilidade de que o ato punido re-ocorra. Ele usava uma pancada na pata de ratos ou um choque elétrico como formas de punição corporal, denominadas estímulos aversivos, em experimentos de laboratório. A punição, para o rato, apesar de diminuir inicialmente a freqüência de respostas punidas, não levava à extinção do comportamento, e, após um período de sob condições aversivas, o número de respostas emitidas pelos ratos punidos era praticamente o mesmo dos ratos não punidos. Ou seja, apesar de inicialmente diminuir a quantidade de respostas, a punição não fazia o comportamento inadequado desaparecer, ela só causava tolerância. É quase como uma droga.

É claro que há outras variáveis que são também muito importantes para gerar adultos agressivos, e muitos vão dizer “mas eu sempre tomei umas palmadas quando criança e não sou uma pessoa agressiva!”. Mas imagine uma pessoa que, além de apanhar sempre que faz uma coisa errada, não tem exemplos adequados dos pais e familiares, não estuda em uma instituição que se preocupa com a formação global do cidadão, mora numa vizinhança violenta, vê todos os dias as notícias horrorosas do Datena e teve algumas experiências em que usar de violência e agressividade resolveram alguns problemas na sua vida. Junte isso tudo e com muita certeza você terá um adulto com grande probabilidade de ser violento, agressivo e ansioso. Se você acha que esse quadro é um exagero, coloque o nariz pra fora de casa por um dia e conheça as crianças que moram no seu prédio, na sua rua…

 

 

O que se ouve muito por aí (inclusive é defendido pela autora do livro citado no início deste post) é que “se a criança não toma umas palmadas, ela fica sem limites”. Sinceramente ainda não entendi o que são esses tais desses limites. Mas minha idéia é que o ser humano já desenvolveu uma técnica bem mais efetiva de estabelecer limites abstratos, e ela se chama “formulação de regras”. Uma regra adequada é aquela que descreve uma situação, o comportamento que deve ou não ser emitido e a consequência que esse comportamento terá. Nesse sentido, leis são regras, fazer ciência está baseado em regras, e educar uma criança é, praticamente, ensinar regras. “Quando estiver na mesa, não jogue a comida no chão, porque isso vai fazer você ficar de castigo, ok?” é prático, rápido, deve ser seguido tanto pelos pais quanto pelas crianças e o melhor, funciona. Pode não funcionar imediatamente, e provavelmente não funcionará até que a criança “teste” a regra, até que ela jogue a comida no chão e fique de castigo por causa disso. Mas quem disse que educar uma criança é fácil, rápido, indolor e certeiro? E se você acha que crianças pequenas não entendem regras é porque nunca conviveu com uma.

Essas informações não foram tiradas do ar e nem do pensamento lógico de ninguém: são dados experimentais muito bem estudados, replicados e confirmados. Segundo Longo (2001):

“Para se ter uma idéia de tamanho interesse e preocupação em estudar os efeitos da punição sobre o comportamento, existem, por exemplo, mais de 8250 artigos científicos publicados sobre Punição na base de dados eletrônica PsycoInfo, do período que vai de 1887 a abril de 2001. Esta base de dados internacional disponibiliza artigos de mais de 1.500 periódicos em Psicologia.”

Mas castigo não é punição? Elementar meu caro leitor: castigo é um tipo de punição que não envolve violência física. É uma maneira bem mais branda de punir, que ensina (além de fuga e esquiva e contracontrole muito mais brandos e até adequados) que alguns privilégios são diretamente ligados a determinados comportamentos que devem ser emitidos. Retirar a liberdade de um criminoso tem a função de fazer com que ele “aprenda” que conviver em sociedade requer o seguimento das leis. Do mesmo modo que ficar no cantinho por cinco minutos ensina uma criança pequena que brincar na sala requer que ela não quebre os vasos da mamãe. É um tipo de punição em que há maior probabilidade de o comportamento de fuga esquiva seja coincidente com o comportamento adequado. Além disso, o castigo tem a grande vantagem de impor o tal do “respeito e autoridade” dos pais, outro argumento muito usado pelos opinadores de plantão. A pessoa que tem a “autoridade” de ditar as regras é percebida, quando essas regras são justas, coerentes e objetivas, como aquele que detêm o poder e que deve ser respeitado. De novo, essa autoridade nunca será alcançada do-dia-pra-noite, e é óbvio que só dar regras coerentes não torna uma pessoa instantaneamente um boa fonte de regras. Mas se não suficiente, pelo menos é necessário. Pesquisas têm mostrado que, em se tratando de educação de crianças, a coerência e a constância entre comportamento inadequado e punição justa surte mais efeitos positivos e duradouros do que o tipo e o grau de violência da punição em si.

É claro que há também muitas pesquisas indicando que punições físicas funcionam e há muitas pessoas minimamente “estudadas” que apóiam a pedagogia da palmada (entre eles o Içami Tiba). Quem tiver curiosidade de conhecer estudos contra e à favor da punição física/corporal, dê uma olhada na (maravilhosa!) tese do Cristiano da Silveira Longo, disponível on line: “A Punição Corporal Doméstica De Crianças E Adolescentes: O Olhar De Autores De Livros Sobre Educação Familiar No Brasil (1981-2000)”. Infelizmente nenhum dos argumentos a favor da punição física me convenceu, porque eu não vi dados experimentais que digam que métodos de punição corporal sejam mais eficientes do que outros métodos de punição mais brandos e não físicos. E, principalmente, nenhum mostrou que NÃO há efeitos colaterais da punição física a longo prazo.

Em se tratando de formação de seres humanos, minha humilde opinião é de que É MELHOR NÃO ARRISCAR.

 

Referências:

Longo, C.S. (2005). Ética disciplinar e punições corporais na infância. Psicologia USP, 16(4), 99-119.

Do Carmo, P.H.B. (2009). Práticas Educativas Coercitivas E Crenças Sobre A Coerção Em Mães De Diferentes Níveis Socioeconômicos. Tese de Doutorado. Universidade Federal da Bahia.

FLYNN, C.P. (1999) “Exploring the link between corporal punishment and children’s cruelty to animals” In: Journal of Marriage and the Family. Nov; Vol 61(4): 971-981.

STRAUS, M.A., MOURADIAN, V.E. (1998) “Impulsive corporal punishment by mothers and antisocial behavior and impulsiveness of children” Behavioral Sciences and the Law. Sum; Vol 16(3): 353-374.

Outros artigos bacanas sobre o assunto:

Tapinhas Machucam Sim. (Lidia Natalia Dobrianskyj Weber – Universidade Federal do Paraná)

O Comportamento Violento Como Interação Social E Prática Cultural: Uma Análise Comportamental. (Silvia Helena Tomazella e Pedro Bordini Faleiros – Centro Universitário Hermínio Ometto/Uniararas)

Práticas educativas parentais: um estudo comparativo da interação familiar de dois adolescentes distintos. (Ana Paula Viezzer Salvador e Lidia Natalia Dobrianskyj Weber – Universidade Federal do Paraná, Curitiba)

O Sexismo Benevolente

Então que a marca de lingerie Hope pode ter que tirar de circulação a peça publicitária com a Gisele – meodels, a Gisele de novo… – porque a Secretaria de Políticas para Mulheres do governo federal entendeu que “a propaganda promove o reforço do estereótipo equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas”.

À parte meia dúzia de feminazis, a escorchante maioria das pessoas achou o filmete no máximo “engraçadinho”. O que é que tem, gente!?!??! Agora não pode nem fazer uma piadinha?!?!? Bando de mal-amadas. As mulheres já conquistaram direitos iguais aos dos homens, já conquistaram os bancos escolares e os cargos importantes nas empresas, pra quê tanto mimimi?!?!

Se você concorda com as frases do parágrafo acima, no todo ou em parte, você é, SIM, sexista. Independente de seu gênero, você se comporta de modo a perpetuar determinadas relações interpessoais baseadas na desigualdade social entre homens e mulheres. E pior: você pode estar agindo dessa maneira sem nem mesmo dar-se conta. Você pode ser um “Sexista Benevolente”.

O Sexismo Benevolente é aquele que, sem ser ostensivo ou agressivo, reforça a idéia de que “mulheres são seres frágeis”, “não foram feitas para trabalhos pesados” e, portanto, devem ser cuidadas e tuteladas pelos homens. A ideologia do Sexismo Benevolente baseia-se na pretensa diferença de “força” entre homens e mulheres e se infiltra nas atitudes cotidianas disfarçada de “demonstração de carinho”, “cuidado com a mulher” e até mesmo de “cavalheirismo”. Mas, diferentemente do sexismo explícito, aquele obviamente machista e misógino, ou do sexismo “moderno” que não quer aparentar machismo, mas “o que essa dona queria, saindo de casa assim com essa roupa provocante?”, o Sexismo Benevolente é insidioso, porque aparenta positividade. O sexista benevolente nunca dirá que lugar-de-mulher-é-na-cozinha, mas sempre reforçará sua namorada com elogios, beijos e carinhos por ter feito aquele jantar maravilhoso; e será bem comedido nos comentários sobre a promoção da namorada ao cargo de gerência. Nas palavras de Becker & Swin (2011):

“…as qualidades, aparentemente positivas e lisonjeiras, embutidas (e, portanto, despercebidas ou não reconhecidas) nas normativas relações desiguais de gênero, escondem o mal que o Sexismo Benevolente promove e incentivam a sua aprovação.” (Becker e Swin, 2011).

Essas autoras – sim, são duas mulheres – propuseram uma série de estudos experimentais sobre a percepção de homens e mulheres acerca do sexismo presente em seus cotidianos. Os resultados mostraram que quando as pessoas são forçadas a prestar atenção a comportamentos sexistas, elas tendem a não tolerar a discriminação com tanta facilidade. Porém, como era de se esperar, homens respondem negativamente ao machismo explícito e ao sexismo agressivo, mas quando se trata do Sexismo Benevolente, é preciso mais do que “atentar” para se tornar sensível. Os homens do estudo de Becker & Swin (2011) só passaram a reagir negativamente às expressões de Sexismo Benevolente depois de uma intervenção em que foram treinados a ter empatia, a colocar-se na situação de uma mulher e a discernir quais eram seus (delas) sentimentos. Para um homem, “as crenças tradicionais sobre relacionamentos românticos entre homens e mulheres (por exemplo, a crença de que homens são incompletos sem uma mulher, ou de que todo homem deve ter uma mulher a quem adorar)” não são consideradas expressões de sexismo. Já para as mulheres que foram ensinadas a perceber expressões sexistas disfarçadas de bajulação, essa frase foi significantemente considerada como sexista. Já as mulheres do grupo de controle, que não foram sensibilizadas para atentar aos comportamentos e atitudes sexistas, os resultados se assemelhavam aos dos homens tanto do grupo de controle, quanto do grupo experimental no que dizia respeito ao Sexismo Benevolente.

“Estes resultados sugerem que as mulheres endossam crenças sexistas porque lhes falta o reconhecimento de formas sutis de sexismo, porque subestimam incidentes sexistas e não percebem o valor agregado do sexismo em suas vidas diárias.” (Becker e Swin, 2011)

E para aqueles que ainda acham que isso tudo é coisa de mulherzinha sem serviço, pesquisas têm mostrado que o desserviço acumulado de se subestimar ideologias sexistas de qualquer espécie vão desde a negação do preconceito, a resistência em se intervir para diminuí-lo, chegando até mesmo a diminuir a performance cognitiva das mulheres em ambientes acadêmicos e de trabalho (Dardenne, Dumont, & Bollier, 2007; Vescio,Gervais, Snyder, & Hoover, 2005). Como toda ideologia, o sexismo serve apenas a si mesmo, sua lógica interna é a perpetuação. Não é uma questão de homens e mulheres, é uma questão de humanidade.

ResearchBlogging.org

Dardenne, B., Dumont, M., & Bollier, T. (2007). Insidious dangers of benevolent sexism: Consequences for women’s performance. Journal of Personality and Social Psychology, 93, 764–779.

Vescio, T. K., Gervais, S., Snyder, M., & Hoover, A. (2005). Power and the creation of patronizing environments: The stereotypebased behaviors of the powerful and their effects on female performance in masculine domains. Journal of Personality and Social Psychology, 88, 658–672.

Becker, J., & Swim, J. (2011). Seeing the Unseen: Attention to Daily Encounters With Sexism as Way to Reduce Sexist Beliefs Psychology of Women Quarterly, 35 (2), 227-242 DOI: 10.1177/0361684310397509

 

 

 

Dia dos Namorados

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“Afinal”, disse Frazier, “o que é amor se não reforçamento positivo?” “Ou vice-versa”, disse Burris.
Estavam ambos errados. Eles deveriam ter dito “um ato de amor”. Amor como um estado é uma disposição para agir em direção a outra pessoa de maneiras que sejam reforçadoras, mas sem prestar atenção a quaisquer contingências. No amor agimos para agradar e não para ferir, para ser genuíno e não para ser sedutor, mas não agimos para mudar comportamento. Sem dúvida que o modificamos, uma vez que estamos mais predispostos a agir de maneiras reforçadoras quando acabamos de ser tratados dessas formas. Ação recíproca pode sobrepor-se, sem que isso implique em um contrato (nenhum dos dois lados diz “eu o amarei mais, se você me amar mais”).
Na terapia e na educação, afeição genuína não pode ser usada para resolver problemas. Ela não pode ser “ligada” ou “desligada” no momento certo. Mas, isso significa evitar seu uso? Suponha que você descobre que ao amar alguém você está reforçando comportamento perigoso; você pode interromper sinais de seu amor enquanto continua amando? Não seria isso simplesmente uma forma ligeiramente mais elaborada de fazer algo bom para alguém, isto é, de amar?
Epstein, R. (Ed.) (1980) Notebooks, B. F. Skinner. Englewood Cliffs, New Jersey: Prentice Hall, Inc. p.132.

Menstruar ou não menstruar: that is the question…

Os últimos acontecimentos na blogosfera feminista têm me deixado de cabelo em pé. Vinha eu vivendo a minha vidinha tranquila dentro da bolha que me protege das atrocidades do mundo (a.k.a. “amigos inteligentes, interessantes e pensantes”) quando a realidade da ignorância humana me atingiu em cheio, bem na cara, com o post da Lola Aronovich no blog Escreva, Lola, Escreva. O post é genial, bacana, certeiro e com um argumento impecável sobre o machismo imbecil e a misoginia destilada no programa CQC. O que é de morrer-de-catapora-preta são tanto os comentários (não só lá no blog da Lola, como no Twitter, nos jornais, no Facebook…) quanto a repercussão da coisa: ameaça de processo por calúnia e difamação por parte do Marcelo Tas. É. Pois é.
Depois, na sequência, em Sampa na semana passada aconteceu a Marcha das Vadias: movimento inspirado na Slut Walk canadense, cujos objetivos são, além de dar visibilidade ao movimento feminista moderno, exigir a atenção da sociedade e da mídia para o tratamento dado às mulheres vítimas de preconceito e agressão. De uma maneira irônica (ah… o problema em ser irônico…), as manifestantes vestem-se de forma provocativa e carregam cartazes com frases de protesto, como “Meu corpo. Minhas regras.”, ou “Nem santa, nem vadia!”.
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Aí a coisa azedou de vez… A quantidade de gente que não entendeu, ou simplesmente não quis entender a ironia no nome da marcha e nem – muito menos – a reivindicação das feministas chegou a níveis estratosféricos. Mas, de qualquer modo, isso é bom, sabia? É bom pra chacoalhar o povão, pra dar o que pensar, pra instigar o debate. (Eu e o meu irremediável otimismo.)
Toda essa introdução pra dizer que, no meio dessa fogueira, vou repostar esse texto que causou um certo “incômodo” na galerinha descolada, porque toca, justamente, naquilo que as mulheres têm de mais particular: a menstruação. Divirtam-se…

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Mulher, realmente, tem cada uma que eu vou te contar, viu…
A Gisele Bündchen dá à luz em casa, dentro do banheiro (limpinho, né? Antisséptico bagarái…) e as vozes femininas aclamam. Até hoje, o moleque já deve estar indo pra faculdade, e eu não entendi qual foi a da moça: fazer graça, medo de injeção, ou só burrice mesmo. Uma coisa é fazer parto normal, com profissionais altamente treinadas e capacitadas, num ambiente preparado para isso e com autorização e recomendação médica, como é feito em alguns países europeus (com procedimentos e legislação estabelecidos e aprovados). Outra coisa, bem diferente, é o tal do “parto natural”, parto na água, parto de cócoras, parto com golfinhos (juro que isso existe!) e o escambáu. Pesquisinha rápida e não encontrei NADA nas bases de dados de Saúde que indicasse esses métodos como seguros ou eficazes. Mas enfim… esse post não tem nada a ver com parto e nem com a Gisele. *** (FAZ FAVORZINHO DE VER A ATUALIZAÇÃO LÁ EMBAIXO!)
Mas o assunto continua na esfera feminina: menstruação.
Eis que, outro dia, a mulherada do Twitter estava conversando sobre o tal do Moon Cup, um dispositivozinho de silicone, como um Tampax só que retornável, pra ser usado durante a menstruação. A vantagem do troço é que ele elimina a montanha de lixo não biodegradável que a gente acumula com os absorventes higiênicos. A Claudia Chow falou sobre eles no Eco Desenvolvimento. Eu, particularmente, prefiro acabar de uma vez por todas com todos os desperdícios provocados por Mr. Chico: não menstruar de todo. Isso se faz INDO AO MÉDICO e discutindo com ele sobre a possibilidade de se tomar anticoncepcionais de uso contínuo. As vantagens, pessoalmente, são que além de evitar o incômodo e a produção de lixo, elimina a TPM, as cólicas, pode diminuir a ocorrência de crises de enxaqueca (como foi o meu caso) e te dá 100% de aproveitamento mensal. De resto, esse resultado parece ser o esperado, estudos mostram que há uma melhorazinha nos sintomas pré-menstruais em mulheres que usam esse tipo de medicação (Coffee, Kuehl, Willis & Sulak, 2006).
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Do ponto de vista fisiológico, estudos apontam que as mudanças metabólicas causadas pelos contraceptivos de uso contínuo são similares àquelas causadas pelo uso da pílula “normal”, de ciclo curto, e portanto, os possíveis efeitos colaterias são os mesmos (Machado, Fabrini, Cruz, Maia & Bastos, 2004). Comparações de eficácia entre os dois métodos também não mostraram diferenças significativas e o fato de não haver sangramento não causa nenhuma doença, disfunção ou prejuízo às pacientes (Wright & Johnson, 2008).
Pois é aí que se dá o busílis: não menstruar não causa, ao que parece, nenhum problema para as mulheres, certo? Algumas acham que não. Baseadas em observações fisiológicas, em sintomas físicos, em problemas causados pela falta de menstruação, certo?
Não.
Baseadas em argumentos como:
“Se eu não menstruar vou me sentir menos mulher.”
“A menstruação é o que marca a identidade feminina.”
“A mulher é um ser cíclico, o ciclo menstrual espelha o ciclo cósmico, as marés, a lua, blá, blá, blá, whiskas sachê…”
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Sobre o tal do ciclo cósmico, não há nenhuma evidência que comprove alguma relação entre qualquer ciclo (lunar, de marés, cósmico, do campeonato paulista ou whatever) e o ciclo menstrual. O ciclo lunar pode ter alguma influência sobre o início do trabalho de parto (em gente ou em qualquer outro mamífero), mas não é determinante dele. Pode até ser que cortar o cabelo na lua crescente melhore sua aparência, mas esse efeito é tão pequeno que vale mais à pena investir numa boa duma hidratação. Ou seja, argumento inválido!
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Sobre a tal da “identidade feminina”, podia-se começar por definir que raio é isso. Identidade pode ser todo um conjunto de padrões de comportamento e de sentimento que definem o que é ser “feminino”, “ser mulher”. Desde muito cedo, as meninas aprendem determinadas regras (sociais, de higiene, de relacionamento, etc.) que são reconhecidas pela comunidade em que ela vive como marcadamente “femininas”. Depois,com o tempo, essas regras se tornam tão fortemente estabelecidas no repertório de comportamentos que a própria pessoa pode descrevê-las como “parte da sua identidade”, “parte de si”, sua “personalidade” ou “é assim que eu sou”. Mas, de fato, a determinação foi social e cultural. Em poucas palavras, aprendemos a ser mulher, quase do mesmo modo que aprendemos a jogar ping-pong ou a fazer tricô. Do mesmo modo que, depois de um tempo, essas atividades tornam-se mecânicas e os movimentos quase inconscientes, os comportamentos ditos femininos os e símbolos a eles ligados tornam-se “identificados” como a feminilidade.
O ponto é esse: os comportamentos e sentimentos ligados ao menstruar e à menstruação acabam por formar uma categoria estreitamente conectada à tudo o que é feminino, e assim, fazem parte da grande “identidade feminina”. Mas, do mesmo jeito que isso tudo foi aprendido ao longo da vida de uma mulher (e dos homens também, afinal de contas, eles convivem o tempo todo com mulheres, né?), nada determina que não possa ser re-aprendido, ou substituído por outras categorias mais adequadas e até mesmo mais importantes. Do meu modesto ponto de vista, prefiro que minha identidade feminina seja baseada, por exemplo, na minha sensibilidade para acolher pessoas em sofrimento; na minha habilidade de fazer trabalhos manuais delicados e complexos; no meu senso estético e na apurada discriminação de cores; na minha capacidade de prestar atenção a diferentes estímulos ao mesmo tempo… e por aí vai.
Mas tem gente que prefere basear sua identidade feminina em sofrer de cólica e de dor de cabeça cinco dias por mês, ficar mal-humorada e se entupir de chocolate, aumentar seu risco de ter endometriose e ovário policístico, a sofrer durante horas num trabalho de parto… Percebe que parece que a identidade feminina é baseada em sofrimento? Ah, não. Obrigada. Diria minha avó: vai catar coquinho na ladeira, vai caçar sapo com bodoque, vai ver se eu tô na esquina de pijama!
Concluindo, não há nada que, universalmente psicológica ou fisiologicamente, impeça a suspensão da menstruação. Só você e seu médico é que devem tomar a decisão, baseados nas suas necessidades e limites individuais e em uma boa dose de bom senso e racionalidade. Juro que sua vida vai ficar bem mais fácil.
Referências:
Coffee, A.L., Kuhel, T.J., Willis, S., & Sulak, P.J. (2006). Oral contraceptives and premenstrual symptoms: Comparison of a 21/7 and extended regimen. American Journal of Obstetrics and Gynecology, 195(5), 1311-1319. doi:10.1016/j.ajog.2006.05.012
Machado, R.B., Fabrini, P., Maia, E., & Bastos, A.C. (2004). Clinical and metabolic aspects of the continuous use of a contraceptive association of ethinyl estradiol (30 μg) and gestodene (75 μg). Contraception , 70(5), 365-370. doi:10.1016/j.contraception.2004.06.001
Wright, K.P., & Johnson, J.V. (2008). Evaluation of extended and continuous use oral contraceptives. Therapeutics and Clinical Risk Management, 4(5), 905-911.
***ATUALIZAÇÃO:
Pra quem não entendeu (é, tem gente que não passa do primeiro parágrafo e já não entende. God knows why…) o que eu estou demonizando é o monte de “métodos alternativos” para dar à luz, quase assim uma homeopatia-ortomolecular-do-parto, sabe?
Uma coisa é o chamado Parto Domiciliar (o Homebirth europeu) feito por profissionais formados e com indicação do médico que fez o pré natal. Esse tipo de parto é feito com a mãe na CAMA.
Outra coisa bem diferente é o parto na ÁGUA (a.k.a. parto-gisele), que não tem nenhum apoio científico e nem dos médicos. Quem duvida, favor dar uma olhadinha nos links abaixo:
Water birth – is it safe?
Neonatal Sudden Death Due to Legionella Pneumonia Associated with Water Birth in a Domestic Spa Bath
Pseudomonas Otitis Media and Bacteremia Following a Water Birth
Effects of water birth on maternal and neonatal outcomes
Water birth and infection in babies
Legionella pneumophila Pneumonia in a Newborn after Water Birth: A New Mode of Transmission

A Psicologia da UnB pede SOCORRO!!!

Nos últimos dias os alunos de graduação e de pós-graduação e os professores do Instituto de Psicologia da UnB têm travado uma ingrata batalha para fazer chegar aos olhos e ouvidos de todo o mundo o descaso com que a Educação e a Ciência são tratadas aqui pela Ilha de Vera Cruz. O caso é que os Laboratórios, salas de aulas práticas e salas dos docentes do Instituto de Psicologia da UnB e do Programa de Pós-graduação em Ciência do Comportamento passam por uma reforma no sistema de circulação de ar desde 2009, que custou já mais de meio milhão (MEIO MILHÃO!!!) e está paralisada por “falhas na execução do projeto”. Ou seja, nossa boa e velha conhecida: INCOMPETÊNCIA ADMINISTRATIVA.

Os próprios alunos gravaram a situação em que se encontram os Laboratórios de Pesquisa Psicológica Básica (PPB):

Recebi hoje do Gleiton Azevedo, aluno da pós-graduação, uma carta-aberta do Instituto de Psicologia da UnB. Reproduzo aqui, na íntegra:

“SOBRE O DESMONTE DOS LABORATÓRIOS DO IP: O PPB PEDE SOCORRO

Os Laboratórios de Psicobiologia e de Análise Experimental do Comportamento do Departamento de Processos Psicológicos Básicos (PPB) do Instituto de Psicologia da UnB estão desativados para reforma desde 20 de outubro de 2009.
Esse espaço inclui salas de aula e de coleta de dados de pesquisas, que atendem a 300 matrículas de alunos de graduação e 130 de alunos de mestrado e doutorado por semestre letivo, bem como as salas de 75% dos docentes do Departamento. Trata-se de uma reforma com o único objetivo de substituir o sistema de ventilação de ar, com previsão inicial de duração de três meses.
Após 19 meses do início da obra e quatro anos desde o início de seu projeto, as condições atuais do subsolo são piores do que antes da reforma, pois não há, nos biotérios, nas salas de coleta e nas salas de trabalho dos docentes nenhum sistema de ventilação natural ou artificial.
Em consequência desse transtorno:
(1) diversas pesquisas de docentes do PPB, com e sem financiamento formal, não estão sendo realizadas;
(2) as aulas práticas que ocorrem nesses locais estão sendo substituídas por outras atividades que não correspondem em conteúdo e eficácia às práticas planejadas para ocorrer nos laboratórios, com conteúdo insuficiente à formação básica de futuros psicólogos;
(3) os projetos de alunos de mestrado e doutorado não estão sendo desenvolvidos, levando muitos alunos a perderem os prazos de seus cursos ou pedirem prorrogação;
(4) em função da suspensão das pesquisas, a produção científica dos docentes e discentes do PPB diminuiu;
(5) em função da redução na produção, a avaliação do Programa de Pós-graduação do PPB teve seu conceito diminuído;
(6) em função da diminuição do conceito o programa terá prejuízos financeiros e no número de bolsas de pós-graduação;
(7) 75% dos docentes estão sem gabinete para trabalhar em ambiente salubre e alguns estão ocupando suas salas em condições insalubres, com prejuízos potenciais à sua saúde pessoal e de outras pessoas que frequentam tais ambientes;
(8) os servidores que trabalham nesses locais estão com suas atividades fins suspensas, mas continuam recebendo seus salários;
(9) equipamentos adquiridos para modernizar o laboratório estão envelhecendo e estragando nas caixas, sem uso; e
(10) o fechamento de laboratórios por tão longo período desmontou grupos de pesquisa e linhas de pesquisa construídas nas últimas décadas.
O Departamento e o Instituto de Psicologia têm apelado para todos os possíveis responsáveis, como Prefeitura da UnB, CME, CEPLAN, Decanato de Pesquisa e Pós-graduação, Vice-reitoria, sem cansaço, através de muitos telefonemas, mensagens eletrônicas, memorandos, reuniões e audiências, mas até o momento não existe qualquer previsão concreta de solução e término da obra. Iniciamos esta semana um movimento de conscientização do IP sobre os danos que esta demora está causando ao curso de Psicologia, para seremos ouvidos com a devida atenção e urgência que o caso requer.
Precisamos de ações URGENTES.
Cansamos de promessas! Nossos alunos de graduação e pós-graduação merecem a formação de qualidade que a UnB e o Reuni dizem ter como missão. Docentes e funcionários precisam dos seus espaços de trabalho e de pesquisa.Contamos com seu apoio.”

O assunto já deu uma rodada em alguns telejornais locais, mas é preciso MUITO mais barulho. Aqui, links para as notícias que saíram hoje:

http://g1.globo.com/videos/distrito-federal/v/alunos-da-unb-reclamam-da-falta-de-laboratorios/1523429/#/DFTV1/page/1

http://recordbrasilia.com/signet/site/videos/visualizar/551

E, para provar que a galera por lá está mesmo absolutamente desesperada, um vídeo-protesto com a paródia da música-chiclete “Oração”. Só tando muito no aqüenda pra cantar qualquer coisa parecida com aquele verme-de-ouvido, mas até que ficou bunitinhu

(mais…)

Viés cognitivo: você é obtuso e nem sabia…

Well…
Também não é assim, de certo modo. O caso é que o mundo (e as coisas do mundo) é grande e complexo, cheio de situações novas nas quais temos que nos comportar de maneira adequada e inteligente, de maneira a produzir as consequências desejadas, mas geralmente sem experiência prévia. O que fazer nessas horas? Agir como costumamos agir em ocasiões similares, mas não iguais, e esperar que tudo dê certo parece uma boa estratégia. É justamente nessa situação inusitada que a gente costuma fazer julgamentos errados e, em algumas vezes, desastrados.
O problema é que, como na maioria das vezes a estratégia dá certo, tendemos a repetí-la sempre em situações similares (mas não iguais, lembre-se). É como se formássemos grandes categorias-guarda-chuva de respostas a determinadas situações, que são usadas para adequarmos o nosso comportamento rapidamente, quando a situação exige. Essas categorias são os tais dos “viéses cognitivos“, ou seja, padrões de comportamentos sob controle de determinadas generalizações de controle de estímulos. A linguagem parece que só torna a coisa mais complicada, mas é fácil… Veja:
O exemplo mais clássico de viés cognitivo é o comportamento preconceituoso. Algumas categorias de estímulos – por exemplo, mulheres bonitas e loiras – determinam algumas maneiras de nos comportarmos (lembrando que perceber, sentir e pensar também são comportamentos) – “ah, lá vem a loira-burra”, ou o comportamento de explicar uma coisa nos mínimos detalhes didáticos para uma mulher loira e bonita, só porque você “acha” que ela não irá entender o que você diz.
Há vários outros viéses cognitivos e, believe me, a gente se comporta de acordo com esses padrões com frequencia muito maior do que a gente mesmo poderia acreditar. O que, em si, já é um viés cognitivo… Enfim. Formas obtusas de pensamento, algumas vezes, são apenas falta de controle sobre as respostas generalizadas.
Bradley Wray, um professor americano, fez uma musiquinha descrevendo alguns dos viéses cognitivos mais comuns que é uma pérola… escutem (e leiam a legenda!) com atenção – e sem viés.

Letra da música, em inglês, of course my horse!

The Cognitive Bias Song
By Brad Wray

I’m biased because I knew it all along… hindsight bias… I knew it all along.
Hindsight bias… I knew it all along.
I’m biased because I put you in a category which yo may or may not belong…
Representativeness bias don’t stereotype this song.
I’m biased because of a small detail that throws off the big picture of the thing…
Anchoring bias: see the forest for the trees.
I’m biased toward the first example that comes to my mind…
Availability bias to the first thing that comes to mind.
Oh, oh… Bias! Don’t let bias into your mind!
Bias don’t try this…
It’ll influence you thinking
and memories, don’t mess with these
but you’re guilty of distorted thinking.
Cognitive bias…
Your mind becomes blinded
decisions and problems you’ve
been forced to solve them wrongly.
I’m biased because I’ll only listen to what I agree with…
Confirmation bias… your narrowminded if you are this.
I’m biased because I take credit for success but no blame for failure…
Self-serving bias… my success and your failure.
I’m biased when I remember things they way I would’ve expected them to be…
Expectancy bias, false memories are shaped by these.
I’m biased because I think my opinion now was my opinion then…
Self-consistency bias but you felt different way back when.
Oh, oh… Bias! Don’t let bias into your mind!
Bias don’t try this…
It’ll influence you thinking
and memories, don’t mess with these
but you’re guilty of distorted thinking.
Cognitive bias your mind becomes blinded;
Decisions and problems you’ve been forced to solve them wrongly!

Alguns limites. (Ou: como não explicar o massacre de Realengo.)

Dois dias ouvindo opiniões de psicólogos das mais diversas orientações, psiquiatras, psiquiatras forenses, representantes religiosos, profissionais de segurança, analistas diversos e opinadores-sobre-todos-os-assuntos. Além da óbvia indignação pela quantidade de bullshit dita na maioria dos telejornais, dos pseudo-noticiários e dos programas vespertinos… um monte de dúvidas.

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Todo mundo quer uma explicação, um motivo, uma causa certa e determinante para o comportamento do atirador que entrou na escola de Realengo e matou 12 crianças, feriu mais uma dezena delas e depois cometeu suicídio quando confrontado com um policial. O que ninguém quer ouvir é um claro e sonoro “não sei”. Como se, a um dito “especialista”, fosse vetada qualquer expressão de dúvida, de limitação das teorias explicativas. Um “psi” (ou “AS” psi) tem que ter uma explicação e uma solução.

Sinto informar: NÃO SEI. E digo mais: NÃO SABEMOS. E afirmo categoricamente: NINGUÉM SABE. Não mesmo. Nem os especialistas do Jornal Nacional, da Discovery, do Datena, e nem ninguém sabe, realmente, as razões que levaram à tragédia no Rio de Janeiro. Temos, no máximo, um levantamento de hipóteses explicativas, algumas mais palusíveis do que outras e diversas delas excludentes entre si.

Vejam, o assassino está morto. Ninguém mais pode examiná-lo, entrevistá-lo, observar seus comportamentos, avaliar suas funções cognitivas e sua saúde mental. Não há mais como levantar hipóteses funcionais testáveis para seu repertório comportamental, a não ser aquelas baseadas em relatos de outras pessoas, agora todos enviesados pelas informações da imprensa e pelas regras morais e religiosas de cada pessoa que foi, um dia, testemunha do comportamento do atirador.

Isso não quer dizer que a gente não deve procurar as possíveis causas do acontecido. Mas é um alerta para que não compremos qualquer discurso sobre o fato como verdadeiro, único, definitivo. Por exemplo, a explicação causal da “doença mental” do atirador. Sim, dado que seja confirmada a informação de que a mãe biológica sofria de esquizofrenia, há uma grande PROBABILIDADE de que ele também fosse portador desse transtorno. Quando um parente em primeiro grau (pais ou irmãos) apresenta o diagnóstico da doença, a probabilidade de que o indivíduo também seja suscetível à doença é cerca de 10% maior do que a probabilidade de uma pessoa sem histórico familiar ser suscetível à esquizofrenia (Kendler & Walsh, 1995).

Mas não há (pelo visto, nunca houve) o diagnóstico da doença. E ela não pode ser tomada como EXPLICAÇÃO do comportamento violento. A taxa de prevalência da esquizofrenia entre a população mundial é de 0,92% para homens e 0,9% para mulheres, segundo a OMS. (A prevalência é a medida da proporção de indivíduos que apresentam um determinado transtorno no momento da avaliação). E a incidência desta doença, ou seja, o número de novos casos que se verificam anualmente, oscila entre 7 e 14 em cada 100 mil habitantes, com idades compreendidas entre os 15 e os 54 anos (Mari & Leitão, 2000). Entre os sintomas marcantes da doença estão delírios de grandeza, delírios persecutórios e alucinações, além de retraimento social e o tal do “afeto embotado”, ou seja, a incapacidade de sentir afeto, ou seu oposto, a exacerbação dos sentimentos de afeto por uma ou algumas pessoas. Mas o que deve ser especialmente destacado é que, entre pessoas com doença mental como esquizofrenia, transtorno bipolar e outras psicoses, apenas 6,4% pode se tornar violenta e cometer crimes, principalmente quando a doença é associada ao uso de álcool e de drogas. Os outro 93% não se comportarão agressivamente. Só para ter uma comparação, entre as pessoas que fazem “apenas” uso abusivo de álcool, o nível de violência e agressividade é de 10% (Hodgins, Mednick & Brennan, 1996).

Além disso, o conteúdo das alucinações e delírios do doente será diferente em cada caso, a depender das experiências de vida, do ambiente em que a pessoa vive, da presença ou ausência de tratamento, de inúmeras variáveis que não estão mais ao alcance do conhecimento daqueles que se arvoram a “analisar” o criminoso. A história de interações do atirador com seu ambiente físico e social é mais determinante de seu comportamento do que o fato dele ser ou não doente mental, porque é dessa experiência que ele tira o repertório para constituir o delírio e as alucinações.

Então, ao invés de continuar procurando “motivos” na doença mental, que tal começar a verificar quais as condições de vida dessa pessoa? Como foi sua interação familiar? O que ele viveu quando estava na escola? Qual a rede de suporte social que estava presente durante sua vida? Havia uma rede de suporte social para esse indivíduo?

É, minha gente, o buraco é BEM mais embaixo.

Referências:

Mari, J.J.; & Leitão, R.J. (2000). A epidemiologia da esquizofrenia. Rev. Bras. Psiquiatr., 22 (1). ISSN 1516-4446.

Kendler, K.S.; & Walsh, D. (1995). Gender and Schizofrenia: Results of an epidemiological-based family study. The British journal of Psychiatry, 167, 184-192.

Hodgins, S.; Mednick, S.A.; Brennan, P.A. (1996). Mental disorder and crime. Evidence from a Danish birth cohort. Arch Gen Psychiatry 53, 489-496.

Pesquisa Mundial Sobre Cores: nomeação de cores revela “temas” universais e suas diversidades inter-linguísticas

Lindsey, D.T. & Brown, A.M. (2009). World Color Survey: color naming reveals universal motifs and their within-language diversity. Proceedings of the National Academy Of Sciences of the United States of America, 106, 19785-19790 DOI: _10.1073_pnas.0910981106

ResearchBlogging.org

Todo mundo já se pôs a pensar, pelo menos cinco minutos na vida, sobre a experiência visual alheia. Ou eu é que sou meio esquisita. Mas acho a pergunta “será que o amarelo que ele vê é o mesmo amarelo que eu vejo?” com certeza já foi feita muitas vezes, com pequenas modificações, por muita gente.

Não estou falando dos processos fisiológicos envolvidos: em condições normais, todo mundo tem um determinado conjunto de células especializadas nos olhos, que quando sensibilizadas por determinadas “faixas” do espectro luminoso, mandam sinais específicos para o córtex visual, que os decodifica e interpreta. Até aí, tudo bem, todo mundo passa por isso. Mas daí pra frente é que a porca torce o rabo, e o que seria do azul se todos gostassem do amarelo. Acontece que o que chamamos de “experiência visual” é algo difícil de determinar, justamente por sua natureza SUBJETIVA, isto é, porque o que cada um de nós percebe é única e exclusivamente acessível a sua própria consciência, de modo que eu só posso entender a sua experiência baseada no que aprendi com minhas experiências. Para fins de comunicação e entendimento entre as pessoas, vá lá que a coisa ainda funciona até certo nível, mas isso de modo algum significa que as experiências sejam as mesmas e que dois indivíduos têm a mesma percepção sobre o mesmo objeto. Como diz o filósofo Thomas Nagel no ensaio “What is like to be a bat?“, esse caráter subjetivo da experiência não pode ser capturado por nenhum instrumento conhecido de medição cerebral e nem pode ser reduzido à análise de estados mentais.

 

cores21.jpgCores. Intrigante, hum?!?!

Mas será invariável e determinadamente assim mesmo? Uma pesquisa mundial feita desde os anos 70 com pessoas falantes de idiomas não-escritos de culturas pré industriais (e por isso pouco afetadas pela cultura de massa) encontrou indícios fortes de que pode haver, pelo menos, 11 grandes “agrupamentos” universais usados por culturas diversas ao redor do mundo para classificar sistemas de cores. E o mais intrigante é que esses temas ocorrem em lugares diferentes, com pequenas variações individuais, em línguas completamente diferentes, indicando que os processos lingüísticos usados para nomear as cores devem ter evoluído de maneira similar em todas as línguas.

O World Color Survey compilou uma base de dados imensa sobre o tema, e os pequisadores Delwin T. Lindsey e Angela M. Brown publicaram esse artigo que eu estou resenhando, chamado “World Color Survey: color naming reveals universal motifs and their within-language diversity”, na PNAS de novembro do ano passado, comparando a formação histórica dos termos usados para nomear cores em mais de uma centena línguas ao redor do mundo. O objetivo dos pesquisadores era confirmar a hipótese de que existe um conjunto limitado de categorias universais do qual todas as linguagens derivam suas nomeações para cores e que, além disso, as linguagens “evoluem” adicionando nomes de cores em uma seqüência relativamente fixa.

A sacada dos caras está no método usado para a análise dessa montanha de dados: ao invés de examinar as palavras para nomeação de cores dentro de uma língua específica, os pesquisadores voltaram suas verificações para o nível das variações individuais, ou o que eles chamam de “idioletos”, que é a variedade pessoal de linguagem de um falante individual. Sim, por increça que parível cada um de nós tem seu próprio idioleto, sua maneira singular de falar que varia discretamente da linguagem usada por todas as outras pessoas falantes do mesmo idioma. Com essa estratégia metodológica, foram verificados os termos para nomeação de cores de 2616 indivíduos falantes das 110 línguas estudadas, em resposta a um conjunto standart de 330 cores, apresentados um por vez, numa ordem pseudorandômica fixa, para cada um dos participantes. Só de pensar na quantidade de tratamentos estatísticos, meu cérebro entra em parafuso.

Pois essas análises revelaram oito agrupamentos estatisticamente significantes de padrões cromáticos X nomes de cores: vermelho, verde, azul, “grue” (aquela mistura meio indiscriminada entre verde e azul – do inglês, green e blue), amarelo-laranja, marrom, rosa e roxo. Mais três agrupamentos chamados “acromáticos” foram feitos reunindo as “pontas” da escala: preto (para os tons mais escuros), branco (para os tons mais claros) e cinza (para os tons intermediários que excluíam branco e preto). Os resultados levaram à interpretação de que, para cada grupamento, há, entre as línguas estudadas, uma variação pequena – de três a seis – de temas para nomear as cores, fortalecendo a hipótese de que há categorias universais para a nomeação de cores. Há agrupamentos com maior concordância (ou seja, menos temas) entre as nomeações, como os agrupamentos acromáticos e o grue. De modo geral, apenas sete idiomas (6,4% do total) mostraram temas únicos, e a média foi de três temas para cada agrupamento entre todos os idiomas.

 

figuracores1.jpgEm (A) é mostrada a tabela de cores usada pelo WCS e em (B) os 11 agrupamentos feitos à partir dos resultados encontrados na pesquisa. (Retirado de Linsey & Bronw, 2009)

 

Os autores concluem, disso tudo, que:

“Our analyses indicate that the color terms used by the WCS informants are drawn on a universal glossary of 11 color terms, and that the particular suite of color terms used by each informant is drawn on a set of about three to six universal color-naming systems, which we call motifs.”

Tradução: “Nossas análises indicam que os termos para cores usados pelos informantes da WCS estão restritos a um glossário universal de 11 termos para cores, e que esse conjunto particular de termos para cores usados por cada informante está restrito num conjunto de cerca de seis sistemas de nomeação universais, que nós chamamos de temas.”

Ou seja, embora provenientes de culturas e sistemas idiomáticos completamente diferentes, os participantes do WCS mostraram pouca variabilidade na nomeação das cores, o que seria o esperado numa amostragem tão grande. Por si só, essa descoberta já é fantástica e, nas palavras dos próprios autores, um tantinho “contra intuitiva”. Porém a outra hipótese colocada no início do artigo (de que a evolução dos termos de nomeação para cores seria relativamente fixa) ficou um pouco sumida na descrição dos resultados. Apenas na discussão geral, é mencionado que:

“Variations in within-language diversity across the WCS provide a way to examine color term evolution by using synchronic data. Our simplex analysis of these variations indicates that color lexicons change over time and do so in a reasonably orderly fashion.”

Tradução: “Variações na diversidade inter-linguística entre os participantes do WCS provêm um meio de examinar a evolução dos termos para cores pelo uso de dos sincrônicos. Nossas análises simplex dessas variações indicam que os léxicos para cores mudam ao longo do tempo e que isso ocorre de uma maneira razoavelmente ordenada.”

Sinceramente, não entendi isso dos resultados. Mas que o resto é bacanudo pra caramba, isso é… Né, não?

O que faz a arte ser bela? Apreciação estética e tecnologia nas pinturas de Vermeer

Hantula, D.A., Sudduth, M.M., & Clabaugh, A. (2009). Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura The Psychological Record, 59, 323-334
ResearchBlogging.org

Este post inaugura a sessão de Resenhas de Artigo. O que vai explicado aqui é o seguinte: “Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura“.

Os críticos e estudiosos de Arte entendem a apreciação estética como a “experiência do belo“, e os fenômenos que influenciam essa experiência ainda não foram claramente estudados pelas Ciências Sociais e nem pela Psicologia. Uma dessas possíveis variáveis que poderiam exercer influência sobre a apreciação da arte e do belo é a forma ou a tecnologia usada para a produção da arte. Com a disponibilidade e o aumento do uso de novas tecnologias para produzir criações artísticas, os apreciadores de arte têm se deparado constantemente com a pergunta: pode uma pessoa leiga detectar o uso de certas tecnologias que o artista usou para ajudá-lo? Ou ainda, em que grau o uso de tecnologias pode afetar o julgamento estético das pessoas sobre uma obra de arte?

Essas questões foram levantadas pelos pesquisadores Donald Hantula, Mary Margaret Sudduth e Alisson Clabaugh em um artigo publicado recentemente pelo Psychological Record:

With the ready availability of technology that can be used in aesthetic creation, such as a digital camera to take photographs, a computer program to create graphic art, or a synthesizer to compose music, the role of technology as a contextual factor in the evaluation of art deserves further scrutiny.

Tradução: “Com a pronta disponibilidade de tecnologias que podem ser usadas na criação estética, tais como câmeras digitais para tirar fotografias, programas de computador para criar artes gráficas ou sintetizadores para compor músicas, o papel da tecnologia como fator contextual para a avaliação da arte merece ser melhor estudado.”

Para estudar o efeito do uso de tecnologias na produção artística, Hantula, Sudduth e Clabaugh (2009) delinearam um experimento para verificar como pessoas leigas conceituariam obras feitas com o uso de recursos tecnológicos e se isso mudaria seu julgamento sobre elas. Para isso, os pesquisadores usaram obras do pintor holandês Vermeer, conhecido dos críticos e conhecedores de arte pela suspeita de ter usado, por um período de sua obra, um aparato chamado camera obscura. Esse objeto, precursor da moderna câmera fotográfica, tornaria o pintor capaz de produzir desenhos que seriam quase reproduções fotográficas de uma cena, embora ainda precisem ser desenhados e pintados sobre uma tela.

 

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Na camera obscura, um sistema de lentes parecido com aqueles usados em câmeras fotográficas não digitais é usado para que o artista visualize uma “imagem fotográfica” da cena que deseja pintar.

 

No primeiro experimento, os participantes (29 estudantes universitários interessados em Arte) foram apresentados a 20 reproduções das obras de Vermeer, sendo metade delas do período anterior ao suposto uso da camera obscura e a outra metade do período posterior, com provável uso do aparato.

 

n-girl-asleep-at-a-table.jpg“Girl Asleep at a Table”, pintura feita em 1657 sem o uso da camera obscura.

 

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“The Concert”, pintada em 1665-1666 com o uso do aparato tecnológico.

 

As pinturas foram apresentadas em ordem randômica, uma por vez, e os participantes faziam apreciações de cada obra respondendo um questionário com escalas de cinco pontos, onde 1 = baixo e 5 = alto. Foram avaliadas pelos participantes cinco dimensões estéticas da obra: agradabilidade (pleasingness), gosto (liking), preferência (preferability), beleza (beauty) e interesse (interestingness).

Os resultados apontaram que as pituras feitas com o uso da camera obscura foram significantemente melhor avaliadas do que aquelas feitas sem o uso do aparato, reforçando a hipótese de que o uso da tecnologia aperfeiçoou a técnica do pintor, tornando as obras “mais belas” e melhorando o julgamento estético que as pessoas fazem sobre as pinturas de Vermeer.

 

imagem12.jpgA tabela mostra, para cada uma das 20 obras, se foi ou não usada a camera obscura, a média das avaliações de todas as dimensões estéticas feitas pelos participantes e a medida do desvio padrão das avaliações estéticas. Imagem retirada do artigo de Hantula e cols. (2009).

 

No segundo experimento, outros 90 participantes foram divididos em dois grupos: um grupo assistiu uma aula em que recebeu informações sobre a camera obscura e seu uso pelo pintor Vermeer, e o outro grupo assistiu apenas uma aula geral sobre a criação artística da escola realista holandesa. Depois da aula, foi pedido aos participantes que avaliassem quatro obras de Vermeer usando as mesmas dimensões estéticas e a mesma escala anterior de cinco pontos, acrescidas de uma nova dimensão – “gostaria de ver esta pintura novamente?” – a ser respondida com a escala de cinco pontos.

Os resultados mostraram que, embora as avaliações dos participantes na condição “sem informações sobre a camera obscura” fossem numericamente maiores do que as avaliações dos participantes na condição “com informações sobre a camera obscura”, essa diferença não era estatisticamente significante. Em conjunto, os resultados do estudo de Hantula, Sudduth e Clabaugh (2009) sugerem que o uso de tecnologias pode melhorar a apreciação estética de obras de arte, e que o conhecimento sobre essas tecnologias e sobre seu uso pelos artistas parece não afetar o julgamento que as pessoas fazem das obras de arte.

 

imagem2.jpgComparações das médias e desvios padrão dos julgamentos feitos para cada obra pelos dois grupos estudados.

 

Algumas críticas podem ser feitas ao estudo, como, por exemplo, o uso de participantes que tinham interesse e – provavelmente – interesse por Arte. Outra deficiência da pesquisa, que pode ter levado à falta de significância estatística nos resultados do segundo estudo, é a pequena amostra estudada. Os própiros pesquisadores apontaram esses defeitos na discusão do artigo:

Additional research in art and technology also should expand the participant pool to include art experts.
Using such a sample may eliminate some of the variation of art appreciation found in a student sample and also may provide more strongly pronounced contextual effects.

Tradução: “Outras pesquisas sobre arte e tecnologia também deveriam expandir a amostra estudada para incluir experts em arte. O uso de tal amostra pode eliminar as variações da apreciação artística encontrada na amostra de estudantes e também pode mostrar efeitos contextuais mais fortes.”

Referência completa do artigo:

Hantula, D.A., Sudduth, M.M., & Clabaugh, A. (2009). Technological effects on aesthetics evaluation: Vermeer and the camera obscura. The Psychological Record, 59. 323-334.

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