E a moça autista da novela, heim???

Eis que, de repente, minha caixa de email começou a lotar com mensagens de gente perguntando qualé a da moça da novela…

“Mas uma pessoa autista é daquele jeito mesmo?”

“Um autista pode namorar?”

“Pode isso, Arnaldo?”

(Não exatamente assim, mas meio por aí…)

Vamos começar esclarecendo o seguinte:

1. A personagem da novela Amor à Vida, a Linda, NÃO É AUTISTA, ok? Apesar do autor “querer” retratar um indivíduo com Transtorno do Espectro Autista (TEA), as características demonstradas pela Linda no desenvolvimento da personagem são confusas e muitas vezes jamais se enquadrariam nas características de pessoas com TEA…

2. Pessoas autistas têm uma imensa variedade de características, diferentes de indivíduo para indivíduo. Cada uma terá determinadas características diferentes das outras. Principalmente, há GRAUS variados de comprometimento desde um autismo leve (que a gente chama de “alto funcionamento”, porque geralmente não impede que a pessoa tenha uma vida relativamente “normal” e produtiva) até graus bem severos, em que há muito comprometimento das funções cognitivas, da comunicação e dos comportamentos.

3. O tratamento psicológico da Linda, como foi mostrado na novela, dá vontade de chorar. Sério: quantas vezes mesmo a gente viu o Psicologuinho-da-Novela em sessão terapêutica com a Linda? Eu contei três. E em NENHUMA delas o que foi mostrado chega nem em sonho perto do que é realmente o tratamento adequado para autismo. Teve uma cena em que o Psicologuinho-da-Novela segurava um cartaz  e dizia pra Linda: “Olha aqui, é assim que arruma a cama. Hoje você vai arrumar a cama, tá?” E daí a Linda ia lá e arrumava a cama… Not even in your wildest dreams que uma pessoa com comprometimento cognitivo severo – como a personagem demonstrava naquele ponto da trama – ia adquirir uma habilidade tão complexa como arrumar a cama só de olhar pra um cartaz, ok??? ISSO NON ECXISTE!!!!

4. O desenvolvimento cognitivo, social e comunicativo da personagem deu um salto imenso desde que ela começou a ser tratada (em três sessões!) pelo Psicologuinho-da-Novela. Não é beeeeeeeeeeem assim que acontece… O tratamento do autismo é feito por diferentes profissionais: psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, T.O., neurologista, psiquiatra, e mais um monte de gente. E é um tratamento intensivo, todo dia, o dia inteiro, e envolve também os pais e os cuidadores da criança. Se iniciado precocemente, quando a criança é bem pequenininha, o desenvolvimento pode ser quase igual ao de uma criança típica em algumas áreas. Mas quanto mais tarde o tratamento é iniciado, mais lento é o resultado.

5. Aí o Adêvogado-Gato apareceu, deu um monte de tintas, pincéis e cartolinas pra ela, e OLHA-SÓ!, praticamente CUROU o TEA da Linda. Só pra deixar BEM claro: amor só cura dor-de-cotovelo e DPPnB (Depressão Pós Pé-na-Bunda), ok???

(Disclaimer: Arteterapia é uma tipo de terapia de suporte válida e embasada em evidências. Dar um monte de guache prum indivíduo autista e falar “pintaê, meu filho!” NÃO É ARTETERAPIA!!!!)

Mas… mas… mas…

Ora? Direis… Ouvir estrelas? Não, péra!

Mas afinal, O QUE É AUTISMO?

Bear with me.

O autismo é uma síndrome (aka, conjunto de sintomas) que compromete três áreas do desenvolvimento:

a. a comunicação/linguagem fica seriamente comprometida, com grandes atrasos na compreensão e na produção da fala. Alguns autistas têm falas inadequadas e repetitivas (ecolalia), fora de contexto e muitas vezes desconectadas da realidade.

b. a socialização: pessoas com TEA têm extrema dificuldade de manter contato social com outras pessoas. Bebês autistas não fazem contato visual e não conseguem manter atenção conjunta – se você apontar para um objeto, a criança vai olhar para a ponta do seu dedo e não para onde você está olhando e apontando. Muitas vezes os autistas relatam que não conseguem entender sinais de emoção nos outros, ou não conseguem entender e expressar suas próprias emoções e sentimentos. E a gente sabe que “são tantas emoções”… (Desculpa, não resisti.)

c. os comportamentos de pessoas autistas podem ser extremamente inadequados à situação e inapropriados. Não é incomum a presença de comportamentos abusivos ou auto-lesivos, em que a pessoa pode se machucar sério se não for contida. Também é comum que pessoas dentro do espectro autista tenham interesses restritos por algum tipo de objeto ou assunto, em alguns casos raros isso pode gerar uma “super-especialização” ou alta habilidade. Por exemplo, o cara se torna um virtuose do piano, ou é contratado pela CIA para descobrir códigos secretos. (Por favor, atenção ao adjetivo RARO. Obrigada.)

Então, de modo geral, o TEA (você vai achar por aí as nomenclaturas Transtorno Invasivo do Desenvolvimento, Transtorno Global do Desenvolvimento ou Transtorno Global do Desenvolvimento Sem Outra Especificação, porque o nome varia de acordo com o manual que você usa, mas é tudo praticamente a mesma coisa) é uma condição que compromete todo o desenvolvimento do indivíduo. Seres humanos têm a incômoda mania de aprender coisas uns com os outros. Mas se o bebê já nasce com uma dificuldade de manter contato visual e atenção conjunta, fica difícil ensiná-lo a falar mamãe, a pegar o nariz do papai, a identificar quando a titia está sorrindo e sorrir de volta… e assim por diante, comprometendo todo o desenvolvimento cognitivo do indivíduo. Provavelmente por isso – a gente ainda não sabe com certeza absoluta, mas a hipótese é boa – há uma grande comorbidade entre autismo e déficit cognitivo.

Well… Todo esse preâmbulo pra chegar no assunto da semana, que é: “Mas e aí, o que você acha da moça autista da novela namorar?”

Linda e o Adêvogado-Gato…

Eeeeeeeeeeeeerrr… Olha, é complexo.

DO JEITO QUE ESTÁ NA NOVELA, ou seja, uma MENINA com sério comprometimento cognitivo e de comunicação, se envolvendo com UM HOMEM adulto, com desenvolvimento típico, provavelmente bem mais velho, e sem o consentimento da família: NÃO.

Fácil assim.

[Que parte de “uma MENINA que não é capaz de tomar decisões plenas se relacionando com um HOMEM mais velho e em situação de poder privilegiada” você acha que pode ser discutida?]

Ok. Moving on.

Como o autismo (assim como a deficiência cognitiva) tem vários graus, e cada indivíduo se desenvolve de maneira única, as coisas têm que ser analisadas caso a caso com muito cuidado e bom senso. (I know. I know…)

Muitas coisas deviam ser levadas em consideração em casos como esse: qual o grau de comprometimento cognitivo dessa pessoa? Ela consegue tomar decisões sozinha? Ela tem habilidade para pesar todas as consequências de suas decisões? Qual o grau de desenvolvimento emocional dessa pessoa (ou das duas envolvidas)? Há uma relação de poder e de “capacidades” muito desequilibrada entre as pessoas envolvidas? Esse relacionamento deve ser constantemente monitorado pelos pais e cuidadores ou o casal pode ter certo grau de autonomia e “intimidade”? E mais um monte de coisas…

As pessoa com TEA não têm necessariamente o desenvolvimento emocional comprometido, é claro que elas podem se apaixonar e ter um relacionamento romântico e/ou sexual saudável com outra pessoa. Há várias pessoas autistas casadas, pais e mães de família, que se dão muito-bem-obrigada com ou sem apoio externo. Mas há sim, e muitos, casos em que o autista precisa de supervisão e apoio constante até na idade adulta, porque ele não tem habilidade de tomar decisões complexas sozinho, ou não consegue se comunicar com eficiência, ou mesmo porque seu grau de desenvolvimento cognitivo não permite que ele  seja considerado “legalmente capaz”.

Pois é, tem mais essa questão da “capacidade legal“: pessoas com comprometimento cognitivo são consideradas como crianças pela lei. É o tal do “incapaz”, ou seja, a pessoa é “incapaz” de consentir com o avanço romântico e sexual de outra pessoa. Essa lei foi feita para proteger crianças e pessoas que não têm habilidade cognitiva suficiente para tomar decisões adequadas. Por um lado ela ajuda, mas por outro, pode atrapalhar quando o indivíduo, apesar do déficit cognitivo, é sim capaz de tomar decisões, mesmo que ele precise de ajuda e suporte profissional ou da família. Então, tudo tem que ser analisado com cuidadinho… e cada caso é um caso.

É. Tudo depende. Bem vindo ao mundo real, em que as coisas têm vários tons de cinza (UÔU!) e não são só preto ou branco.

 

[Sugestão: leia esse post da Verinha da Silveira no blog “Feminismo Sem Demagogia”… Bacana, com muita informação e entrevistas com mães de pessoas com TEA.

Outra sugestão: esse outro post do Professor Celso Goyos no blog “Vamos falar sobre autismo” para esclarecer dúvidas sobre o diagnóstico e o tratamento do autismo. Sim, ele é meu supervisor de Pós-doutorado e esse é o blog do Lab onde eu trabalho. ]

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Discussão - 182 comentários

  1. Rafael Garcia disse:

    Pessoalmente, acho que os únicos aspectos positivos da subdramaturgia produzida para 99,9% das telenovelas são o antropológico e o educativo. Se como arte elas são basicamente lixo, que pelo menos elas sirvam como termômetro daquilo que pensa a sociedade e que sejam usadas como veículo de campanhas de conscientização contra homofobia, racismo e para ajudar a quebrar preconceitos. Isso é uma “novela boa” –expressão que sob óptica da arte continua sendo uma contradição em termos. Uma “novela ruim” é uma que não consegue nem cumprir o papel social a que se propõe.

    • Aninha Arantes disse:

      Então a novela Amor à Vida seria o quê? É boa porque discute homofobia e debate homossexualidade, fala sobre gordofobia e machismo. Mas no quesito “autismo”, nota: “ZERO”, comissão…

      • Diana Lages disse:

        Então a novela Amor à Vida seria o quê? A novela não é boa! Se for pensar bem homofobia é um assunto que quase 90% das novelas da Globo. Assim, como machismo, caso da mocinha batalhadora e sofrida, poligamia, traições… Tudo de um jeito mal explicado, que mesmo assim prendem o telespectador!

      • Leila Argolo disse:

        Acho muito errado o fato de valorizar uma pessoa gorda , como esta acontecendo .A gordura ela nao pode ser motivo de buliyng ,mas e um problema muito serio de saúde física e saúde emocional . Ela ser colocada na novela como algo a mais que temos que incluir e nao excluir na sociedade , tudo bem , mas alimentar essa gordura que muitas vezes e doenças ou ja esta gerando doença . Seria muio legal , se ela se aceitasse gorda e linda , mas praticasse esporte , fosse a um nutricionista e nao ficasse so preocupada em achar um namorado ….isso como o caso da Altista , nao acrescenta muito .

      • Silvia Caldas disse:

        Nota zero em muita coisa! Eu vejo erros o tempo todo!
        Sobre HIV/Aids, sobre diabetes (nesse caso, dá vontade de morrer pra não ouvir)… Os erros de português dos textos são absurdos, só o Mateus Solano fala certo, logo, o texto vem errado e só o filho de diplomata é capacitado a corrigir os erros.
        Mas, sobre a idade deles, vc está enganada.

        Só isso… De resto, concordo.

  2. Rafael Garcia disse:

    Bom, eu não acompanhei a questão da gordofobia e do machismo na novela. Mas talvez ela possa se redimir se eles levarem ao ar o beijo gay que as pessoas estão pedindo tanto. Não adianta dizer que homofobia é errada e tratar imagens de homossexualidade como tabu na hora de mostrar um beijo.

  3. Thiago Barbosa disse:

    Uma salva de aplausos para o post! Vc conseguiu resumir toda a minha agonia sobre essa personagem e o modo como o autismo está sendo retratado.

    Pensei que seria, além de esclarecedor, interessante de se ver o tema retratado na novela. Infelizmente, não foi assim…

    Acredito que o aumento no número de diagnósticos foi algo que motivou o autor a expor mais sobre o TEA, porém, além de ter faltado uma boa pesquisa para retratá-lo com eficácia, acabou que “banalizou” um pouco… Sei lá… Romantizou demais e tornou a coisa utópica.

    De novo: post excelente e até divertido! Parabéns!
    abs

  4. André De Lucca disse:

    Aninha, li seu texto e acho ele importante e perigoso.

    No que diz respeito a psicologia, o autismo para os leigos que leiam o seu texto, que é o meu caso e da grande maioria, ganha um novo conhecimento sobre o assunto. Nos dá informações dos níveis que a doença pode atingir, a relação social e sexual que esse tipo de pessoa pode estabelecer, entre outras coisas. Mas, no que diz respeito a novela (ficção) é um pouco equivocada. Não pela sua analise comparativa em si, mas pelo conceito da criação e resultado das telenovelas.

    Não necessariamente um personagem dentro de um história (ficção) é imitação de algum personagem do mundo real. E também, não necessariamente este personagem sofre as mesmas consequências que um personagem do mundo real. A novela, enquanto teledramaturgia moderna, me refiro ao texto, o autor procura sempre escrever a partir das suas pesquisas do mundo real, afinal é o mundo que ele vive. Mas cabe ao diretor definir a cena e tudo pode ocorrer ao contrário, no momento em que a cena está sendo elaborada e criada pelo diretor e pelo ator. O resultado por ser prejudicado pela elaboração da cena, quanto pelo o texto.

    Infelizmente tudo é criado e construído a partir do olhar do telespectador com o maior objetivo de audiência. Assim funciona a nossa televisão hoje, como um indústria que fatura bilhões e bilhões. E, acredito que a grande maioria dos telespectadores tornam a ficção em realidade. Ou seja, personagens são pessoas reais, portanto elas tem que viver o tempo real e sofrer as consequências mais lógicas do mundo real. Como: “A Linda nunca podia namorar”, “A Linda nunca poderia virar uma artista plástica e ganhar dinheiro”, “A mãe está certa em superproteger a filha”…

    E a arte onde fica nisso? Onde fica a emoção disso tudo? E o signos que arte nos joga? E a transformação ética e moral profunda? Isso deveria ser o mais importante: “A Linda está se esforçando enquanto tem VIDA”, “O advogado está demonstrando um gesto de amor”… O que, de fato, isso mexe com você?

    Espero que portadores de autismo possam ter condições de crescer como indivíduo, como um ser social, como um ser sexual, como um ser profissional, como um ser para ser amado… Da mesma maneira que cresçamos culturalmente, que possamos fazer um televisão melhor, que possamos nos entregar mais as artes, que possamos nos tornar uma sociedade melhor.

    • Aninha Arantes disse:

      Tudo muito certo, André. Mas e a função social da novela? E os pais de crianças autistas que vão passar a achar que os filhos só precisam de um monte de tinta pra se “curar”? E a desinformação sobre as características do TEA que podem levar pais, professores e profissionais de saúde a perderem um tempo precioso com diagnóstico errado?

      • André De Lucca disse:

        Aninha, a novela enquanto arte, não é verdade absoluta do mundo real. Ai mora o problema, e por onde eu critiquei o telespectador. Acho que o telespectador em sua maioria, não tem educação e cultura artística para discernir dados reais de uma ficção. Ex: Seria exagero se uma autista transasse? Segundo suas referencias e pesquisa, seria um tremendo exagero. Talvez cientificamente impossível. Mas para uma ficção não é. Se o signo do texto é o amor e superproteção maternal, não existe erro. Então qual conclusão podemos tirar disso? A novela não tem função social nenhuma e só demonstra fatos distorcidos? Ou a sociedade enxerga a novela como “rit de fofocas”, um “reality show” e um método científico?

        Se um pai de autista quer curar sua filha, não será a ficção que cuidará melhor do que um profissional. Se um profissional quer estudar sobre o assunto, não será a ficção melhor do que textos científicos, profissionais da área de saúde e quem sabe até nos jornalismos sérios.

        Vejamos com outros olhos, os “olhos do coração” e não com a razão. Afinal, o que significa a relação dos dois?

        • Aninha Arantes disse:

          “Vejamos com outros olhos, os “olhos do coração” e não com a razão.”

          I rest my case.

          • Juliane Araujo disse:

            O problema é que infelizmente muitas pessoas se informam através do que é mostrado em uma novela. Informações erradas ou equivocadas entram em diversas casas e, quando não há senso crítico ou aporte suficiente, o que é apresentado mostra-se como verdade. Diversas pessoas passaram a “conhecer” o autismo, discutir temas que antes não eram socializados por causa da teledramaturgia. Creio que mesmo sendo uma obra de ficção, assuntos como esse e todos os outros que virão, devem sim serem representados da forma mais real possível, afinal de contas, se é para discutir e tornar algo público, que seja de um jeito certo… Nem vamos comentar sobre o psicólogo, né?!

        • Yara Pedroso disse:

          André temos que tomar cuidado com as interpretações novelescas, porque infelizmente a população mais carente de conhecimentos, gostam de ver novelas, e nela, falta educação suficiente para poder distinguir o que é ficção e o que é real, vide os xingos que os artistas vilões das novelas, levam nas ruas. Logo, vão se basear sim, no que a novela diz. Vide também o horário eleitoral! Não teríamos tantos políticos ruins se pessoas como nós os elegêssemos. Portanto temos que tomar cuidado com as informações fictícias, principalmente as que dizem respeito a saúde, porque o povo não sabe distinguir o joio do trigo.

      • juliana melo disse:

        Não Aninha, o monte de tinta não vai curar ninguém, porém irá ajudar a desenvolver melhor algumas coisas, como, coordenação motora e entre outras coisas.Muitos psicólogos pedem para crianças fazerem desenhos para poder entender diversos comportamentos… Isso é muito tratado em cituações de separação entre outros.

        É apenas estímulos e não cura!

        • Aninha Arantes disse:

          “Arteterapia é uma técnica terapêutica que utiliza a linguagem artística como base da comunicação cliente-profissional. Sua essência é a criação estética e a elaboração artística em prol da saúde.” (Associação Brasileira de Arteterapia)

          “Os testes projetivos se caracterizam pela apresentação ao sujeito de um material-estímulo ambíguo; implicam em uma liberdade de pensamento e ação, objetivando abolir os critérios externos quanto ao valor das respostas evocadas.” (Laplanche e Pontalis)

    • Sandra disse:

      Legal! Muito bem, finalmente alguém com discernimento no que escreve.

    • Magno Afonso disse:

      Fantástica colocação!

    • Claudio Luciano Dusik disse:

      Ótimo! texto importante e perigoso…

  5. Tereza disse:

    Todas as pessoas com determinado nível de esclarecimento sabe que a mídia expôe deveriam saber que alguns assuntos deveriam ser filtrados. E você como psicóloga deveria compreender que o autismo apesar de limitante possui um estigma muito errado de incapaz. E de acordo com o seu texto e suas críticas de psicologuinha, você só fortalece a idéia do autismo como incapacidade.

    eu como Educadora venho tentar falar algo diferente:

    AUTISMO NÃO É INCAPACIDADE, autismo é apenas uma forma diferente de olhar o mundo e cada pessoa pode evoluir dentro do seu quadro, e a novela apenas quer mostrar isso e não construir um documentario sobre autismo. Se nós respeitássemos mais as pessoas e suas diferenças de aprendizagens, seríamos poupados de textos preconceituosos e intolerantes como o seu. 😉

    • Ótimo comentário, Tereza. Resume o que eu pensei quando eu li este texto chato.

    • Carla disse:

      Gostei de seu comentário Tereza, acredito que essa representação está mal ou bem vista nos olhos de quem assiste. Já temos motivos suficientes para criticar a mídia, inclusive, a única parte da novela que assisto é da Linda. Não sou especialista em autismo, até conheço mas não sei dizer se é real ou não. Mas acho que o que realmente é representado na novela, e é a parte que deve ser considerada, é a intolerância, por parte principalmente dos familiares. Não há ensinamentos com isso? Além de todo o restante que pode ser criticado, não dá para aprender nada? Ou não basta na ficção, na realidade também acontecerá sempre?

      Ao ler o post fiquei um tanto chateada com a forma de falar. Pode ser totalmente errado esse diagnóstico ou sei lá, é só uma novela, mas por favor, se fosse algo construtivo, não só querendo mais uma polêmica sobre como a TV aliena as pessoas e como quero aparecer com isso, poderia me deixar mais ciente sobre como é na realidade.
      Talvez esteja errada em pensamento, e em palavras. Mas o post não me adicionou conhecimento algum.

    • Miguel Dourado disse:

      Tereza, todas as pessoas com determinado nível de esclarecimento (copiei de seu texto) SABEM que uma Educadora deveria saber escrever com concordância verbal, infelizmente não é o seu caso! Contudo, vamos ao tema: de quem é o preconceito aqui? Parece-me ser seu. Você trabalha com autistas, tem algum em sua sala de aula, tem um filho assim? Espero que esteja falando sobre algo que conhece.A Ana trabalha com autistas. O texto dela é esclarecedor! Seria bom você relê-lo, afinal, ela é bem específica sobre o assunto referir-se à novela e não à todos os graus de autismos, até porque a Linda, personagem da novela, já apresenta uma mistura de patologias atualmente. Acreditar em inclusões e aprendizagens, é também respeitar as especificidades de cada deficiência, síndrome, etc.

    • cici lima disse:

      perfeito minha amiga…sou mais de um asoerguer..um autista leve,nem tao leve….junto com o autismo ele tem o agravante da esquizofrenia….meu filho hj tem 20 anos e sonha em ter amigos….uma namorada,passear de maos dadas com ela no shopping…..receber carinho,dar carinho ter uma profissao e uma familia….o q devo entao dra? dizer a ele…..filho querido vc é incapaz de realizar tais feitos? primeiro…acreidto no poder de Deus q tudo pode,segundo creio no poder do amor que tudo transforma…terceiro,quarto,,quinto ….etc…..meu filho nao e incapaz….ele é diferene,especial….mas merece ser amado e maar….claro q com todo apoio de familia,com orientacoes,,,com acompanhamento e olha,eu peço muito a Deus q essa moça exista e que ela venha amar muito meu filho….e venha a ser muito amada por ele….os dois terao todo meu apoio….claro q sei q ha casos muito mais severos q meu filho….claro q sei q nao e regra…..mas gente….nos q somos os ditos ,normais,buscamos um amor carinhoso,…respeitoso e tao dedicado como o dr rafael….e me perdoem…..estamos assistindo uma novela…um ato literario q tem todo direito de exagerar nas cores q pintam seus atos…..que viva o amor….q viva as diferenças….e q acabe o preconceito q infelismente começa na propra familia….

      • nara disse:

        Olá cici lima!
        EU TE DOU A MAIO FORÇA!
        Sou estudante na area de saude mental.
        E gostaria de conhecer vcs!
        Eu entendo é q vc está de parabéns de querer q seu filhi seje feliz!!E ele será!!!!
        Um Abç,
        Nara

    • Luciano disse:

      É esse o erro da novela, embora ela queira passar a ideia de evolução, o que fica mais evidente é a impressão de que todo o autista é incapaz. Deveriam ter mais autistas ou sei la mostrar escolas ou outras terapias. Enfim mostrar principalmente que existe muitos níveis diferentes. Na minha infância por desinformação fui parar numa escola para deficientes mentais. E esse diagnóstico continua acontecendo por divulgação de informações imprecisas. O autismo é um transtorno não uma deficiência. Nós autistas precisamos de conscientização e não de piedade.

  6. Raquel disse:

    E imagina se a REDE “GROBO” não vai distorcer as coisas…como sempre, em todos os assuntos.
    Só apoiam ao erro, incentivando os “cabeçudos” a assistirem suas novelinhas que não nos acrescentam em nada.
    Não curto rede globo, não assisto novela, não sei o que se passa, mas provavelmente, sobre o autismo, devem estar passando a impressão errada, como sempre.

  7. Osmar disse:

    Belo artigo!

  8. Meu filho tem 17 anos, tem um grau severo de autismo, não tem nada de semelhança com a Linda da novela, e isso acaba confundindo as pessoas, que chegam a dizer, mas quem sabe o teu filho é assim porque você não procurou um especialista na área, e nos sabemos que não é bem assim. O artigo é muito bom, hoje entendo mais sobre autismo, meu filho foi diagnostico faz uns 4 anos, sofremos muito até descobrir. Ele não fala e a comunicação é complicada, muito agitado, de uns 6 meses pra cá muito agressivo. Uma luta diária, que Deus ilumine e fortaleça as famílias de portadores de autistas.

  9. […] Publicado originalmente no Blog “O divã de Einstein”, de Ana Arantes […]

  10. Neusa Redondo disse:

    Tenho um filho autista de 24 anos , já sofri muito , pois teve épocas que ele não dormia , então faziamos plantão , eu e meu marido , eu ficava até meia noite , e ele até o amanhecer , até que não aguentamos , além disso , até uma senhorinha vizinha comentou ,” nossa seu filho chora a noite toda ! ” , foi terrível , intimei o médico para que desse uma medicamento para ele dormir , vendo meu estado , o médico receitou , além disso , meu filho é auto agressivo , vive com ferimentos no rosto , já usou capacete de boxe , pois batia na lateral do rosto , manchete , que impedia de dobrar o braço , usou uma máscara por um período , feita de EVA , pois enfiava o dedo no olho , solucionávamos um problema , começava outro , hoje ele não usa nada para conter a auto agressão , toma medicamento que diminui , ele é resistente aos medicamentos também , nem tudo dá certo , agora dá para encarar.E não é que esses dias uma pessoa coitada , graças a novela , me disse , VC tem um autista , que lindo , igual a da novela , eu disse tenho sim , quer curtir um pouco , levo na sua casa 2 dias , daí expliquei que aquela da novela não tem nada a ver com o meu , mas já vi alguns melhores que o meu , e muito piores . Um abraço para todas as mães de autistas , e para as pessoas que estão estudando o assunto para melhorar a vida dos que ainda vão nascer .

  11. Franz Murillo disse:

    Sou psicólogo, atendo crianças e adultos diagnosticadas com Autismo, por um outro referencial teórico, e achei seu texto excelente e eticamente posicionado. Compartilhei com meus colegas, parabéns!

  12. Fernanda Matos disse:

    Acabei entrando aqui por acaso, pois uma conhecida minha publicou no facebook o link para este blog, e pelo assunto, resolvi conferir do que se tratava. Confesso que me assustei com a forma exageradamente descontraída com que o assunto foi redigido. Não ligo nem um pouco pra novela, nem estou aqui pra julgar quem gosta, enfim, mas me surpreendi negativamente com excessos de autossuficiência e certezas absolutas. Pode ser até um preconceito meu, ver uma Psicóloga combinada a tantas brincadeirinhas fora de hora, a tantas presunções desmedidas. Preconceito de minha parte porque, sou Psicóloga também e nunca vi algo deste tipo. Fico imaginando, sim, você, uma profissional com certeza muito competente em sua área, com títulos em sua formação, que suas aulas devem até ser sim muito envolventes e criativas. Entretanto, este comentário indigesto aqui: “Muitas vezes os autistas relatam que não conseguem entender sinais de emoção nos outros, ou não conseguem entender e expressar suas próprias emoções e sentimentos. E a gente sabe que ‘são tantas emoções’… (Desculpa, não resisti.)” acabou fazendo com que eu sentisse certo embaraço de seguir a mesma carreira que você. Neste ponto e em tantos outros, você conseguiu se sair em desvantagem, até mesmo comparativamente ao Psicologuinho-da-Novela…

    • Aninha Arantes disse:

      Eu realmente sinto muito. Sinto muito que você não tenha nunca lido nenhum texto do meu blog e nem do Science Blogs em geral. Sinto muito que você ache que para ser correto e bem argumentado tem que ser sisudo. Sinto muito que você pense que Ciência não pode ser divertida. Sinto muito que você se leve tão a sério que não saiba brincar. Sinto muito, mesmo.

      • Toda razão, Ana. A ciência não precisa e não deve ser sisuda para ser séria. Li seu artigo até o fim não só porque concordei com a maneira banalizada com que a Globo trata do assunto como também pela maneira divertida e simples de escrever sobre um tema tão delicado.
        Continue a escrever desse modo, talvez Fernanda Matos goste mais de textos com palavras como “metodologia terapêutica” “entidades psicopatológicas”, “conteúdos neuróticos”,etc., que só fazem com que o povo passe batido por esse tipo de texto, exatamente porque não entende, ao passo que o seu é perfeitamente popular, qualquer um entende e assim é que dever ser a comunicação. Parabéns.

      • Leila Argolo disse:

        Me deixe ! Um psicólogo nao pode se expressar de forma divertida ! Essa eu nunca soube …

      • Isabela Moura disse:

        Também conheci o blog através deste post Ana, e discordo de você em alguns pontos. Não acredito que a ciência deva ser sisuda para ser séria, pelo contrário, acho que textos podem ser escritos com naturalidade e com brincadeiras sadias observando a pertinência destas.

      • Fernanda Matos disse:

        Eita, nem precisa se incomodar e ‘sentir tanto’ assim, Ana. Mesmo não conhecendo você, penso que seja uma pessoa alto astral, dinâmica, feliz da vida e divertida. Então, o ‘sentir muito’ repetidas vezes tá longe de combinar contigo. Enfim, realmente, este post foi o primeiro que li de sua autoria, associando o tema autismo a um cenário trágico-cômico. E sim, isto não me agradou. A leitura não me encantou e não me fez brilhar os olhos. A leitura ok? E não a pessoa, Ana. São questões distintas aqui. Em momento algum associei conteúdo correto a algo sisudo. Só acho que em determinadas situações os excessos fazem mal. E isso vale também para a Ciência divertida. É possível? Claro que é! Desde que se tenha um equilíbrio. Realmente, sou séria às vezes e em outras sou bem ‘palhaça’. Depende da situação que se apresenta a mim. Brincar com tantas coisas na vida é super legal e demonstra até maturidade rir de si mesmo e ver sempre o lado positivo da vida, mas brincar com o autismo eu ainda continuo defendendo a posição de que não é nada formidável.

        • Aninha Arantes disse:

          É o tipo mais cruel de exclusão: quando não se pode nem tratar do assunto de forma leve. Tudo ao redor dele tem que ser grave.

          • iala koch disse:

            Ana adorei a forma como usaste a tua redação. Escrever de forma leve e sutil sobre um assunto tão polêmico, de um personagem de novela, é ter maestria no que faz. Parabéns. Talvez a tua colega não saiba usar ética ao demonstrar sua insatisfação. Talvez… Quem sabe… Ela possa estar equivocada em seu jeito de ver a vida e os problemas advindos deste viver. Beijos.

  13. RONALDO GOMES disse:

    eu acho que a intenção do autor não é mostrar as características do autismo e de suas variações, mas de tentar mostrar como a família pode ser prejudicial a uma pessoa com autismo ou com qualquer tipo de deficiências se limitar a pessoa de viver, aprender, ter sonhos, amar. Vejo que esse novela quer mostrar de fato como é a família, ou as famílias do Brasil e assim ele procura abrir um grande leque de característica de famílias e seus diversos problemas, conflitos, sentimentos. no caso da linda ele quer dizer às famílias que acreditem no potencial de seus filhos, não tentem “proteger” demasiadamente, proporcionem momentos de alegria, prazer e oportunidade de crescer como pessoas humana, de modo que elas possam por si mesmas ir vendo as dificuldades e superando-as. Na minha opinião, sem a pretensão de ser a carta, a novela está correta e está sendo muito feliz nesse propósito.

    • Juliana Godinho disse:

      Concordo com o colega Ronaldo. Já assisti alguns capitulos da novela e realmente a intenção do autor não é falar sobre o autismo em si, mas sim sobre o posicionamento da familía com relação a condição da personagem. O que explica, inclusive, o fato de não ter sido explorado as sessões de terapia ou demais tratamentos. Além disso, a discussão presente em todos os diálogos do núcleo é a limitação imposta pela mãe e o quanto isso é prejudicial a personagem.
      Acho bacana sim, explorar o tema na novela, claro que não agradará a todos, mas pelo menos traz maior visibilidade a um grupo excluido da sociedade e que necessita maior discussão quando se trata de políticas públicas. Pode não trazer a definição exata a respeito do autismo, ou ainda, ser distorcido por muitos, mas estes são aqueles que não tinham nem o conhecimento de tal situação.
      Siceramente a novela não está focando pais e familiares instruidos do assunto, ou profissionais da área, mas sim a grande massa carente de informação e conhecimento.

  14. Liene disse:

    Tenho um filho diagnosticado como “autista de alto desempenho”, atualmente com 18 anos. O diagnóstico só veio aos 11 anos, depois de incontáveis peregrinações por consultórios de neurologistas, psicólogos, psicopedagogos, psicomotricistas e psiquiatras. Eu sou educadora, com especialização em educação especial e suspeitava de TEA desde que ele era pequeno, mas os sintomas nunca eram “conclusivos” para os profissionais que consultei.
    Ele não é autista pq fala. Não é autista pq olha nos olhos. Não é autista pq não se balança o tempo todo. Ouvi todas essas coisas ao mesmo tempo que enxergava claramente a incapacidade dele de estabelecer relações sociais, a fixação em rotinas, os interesses restritos, a linguagem pedante, a falta de expressão facial tanto própria qnto de entender a dos outros.
    Ainda hj me pergunto se o diagnóstico tivesse vindo mais cedo, se haveriam menos sequelas, se ele teria evoluído mais.
    Ele se desenvolveu, terminou o ensino médio, fala 3 idiomas, domina informática e está se preparando pro vestibular, mas ainda tem dificuldades em estabelecer relações, não tem “freio social”, é inconveniente, chegando as raias da falta de educação. E para muitas pessoas é impossível reconhecer autismo nele pq autismo é um grande desconhecido. Nesse ponto eu acho que a novela presta um grande desserviço.

    • ELAINE FREITAS MELO disse:

      Querida Liene, Caraca!!!!!! Desculpe-me pelo Caraca, mas: CARACA MULHER! Você ainda sofre por pensar no diagnóstico “tardio” do seu filho!!!! O garoto terminou o Ensino Médio, fala três idiomas, é crack na Informática e está se preparando para o vestibular!!!! Você quer mais o quê mulher de Deus! Levante as mãos para o alto e dê graças ao bom Deus pelo desenvolvimento do seu filho. Muitos pais de crianças ditas “normais”, não podem ou não tem como se vangloriar das conquistas realizadas pelos seus rebentos. E quem sabe se não foi até esse diagnóstico tardio que possibilitou que ele obtivesse tantos sucessos…Deus sabe de todas as coisa…Muitas vezes na nossa ignorância não percebemos…Minha querida, sou também educadora, trabalho com crianças especiais…com diferentes diagnósticos , inclusive autistas, sou casada com o mesmo marido há 34 anos, sou mãe de dois rapazes casados (33 e 31 anos), uma neta, trabalho na Educação há quase 19 anos em dois diferentes Municípios e me sinto confortável para te dizer: Aprecie e valorize o que você tem e não o que poderia ter ou ser. Beijos e que O Senhor Jesus Cristo os abençoem grande e amorosamente.

      • Marília disse:

        Gostei muito de sua resposta, valorizando o que temos concretamente. Parabéns continue sempre sendo assim. Observando seus alunos e valorizando o que eles têm de melhor. Cada um com seus talentos. Bj

  15. Lunna disse:

    E se não fosse a novela, ponto, não estaríamos aqui discutindo o tema. Não acho que o tema deveria ser abordado com a precisão que você pode retratar o assunto. É ficção e é por isso que pode divergir da realidade e, se fosse pra retratar a realidade, não seria necessário um autor pra isso.
    Aliás, ser escritor nesse atual momento não é nada fácil. Todo mundo quer a realidade retratada nos meios como se houvesse tempo e espaço pra isso.
    Não acompanho a novela, li alguma coisa a respeito dos personagens e, o seu texto também e, na condição de escritora, faço pesquisas, tento invadir a realidade, mas nunca será o bastante porque não dá pra se limitar a realidade – é preciso sim o imaginário comum que alimentamos ou então virá manual de vida alheia.
    E arte não tem função social minha cara, tem função de entretenimento, aliás, palavra que a maioria das pessoas parecem ter esquecido o significado – a arte te move da sua condição de conforto. Te choca. Agride. Machuca. Fere – mas não ampara socialmente.
    Mas é claro que essa é a minha opinião porque não fosse a novela, eu não teria vindo até aqui e, tampouco iria conhecer esse universo tão distante do meu, nesse ponto – a arte cumpriu o seu papel.

    Bacio

    • Aninha Arantes disse:

      “…não fosse a novela, eu não teria vindo até aqui e, tampouco iria conhecer esse universo tão distante do meu, nesse ponto – a arte cumpriu o seu papel.”

      E se isso não é função social da arte, não sei mais o que seria.

      • Lunna disse:

        Minha cara Aninha, permita-me dizer o seguinte: pra ter função social os temas da realidade teriam que ser abordados “ipsis litteris” tirando do autor o poder da “imaginação” que mesmo alimentada de fatos reais, permanecem sendo o olhar do autor sobre determinado assunto o que por si só limita o tema e, claro impediria o mesmo de mergulhar na “loucura dionísica” que pede que o artista mergulhe em seu mundo pessoal e se afaste da realidade. A arte é um conjunto de delírio, por isso não a considero “função social”.
        Cabe sim, a pessoas como você cumprir esse papel, com um post como o que escreveu. Você cumpri a função social, a arte é apenas o caminho do meio. A ponte entre você e o tema real. Foi isso que eu quis dizer porque o artista quando se senta diante de uma tela em branco dificilmente se lembra que existem regras, geralmente ele vai na contramão disso, aliás, está aí o maior dos prazeres.

      • Ana Glaucia disse:

        Bom, eu presenciei um caso de uma criança, em uma escola de educação infantil, onde trabalhei, com grau elevado de autismo… Cujo a mãe na entrevista e preenchimento da ficha de caracterização relatava que a criança era perfeita… No primeiro dia de aula descobrimos que a tal mãe mantinha a criança” escondida” em casa e que só matriculou na escola porque a Médica Pediatra da criança forçou a barra… Depois ela chorava e inventou uma história dizendo que não sabia que o filho precisava de tratamento… Em fim ela era maluca e tinha medo de descobrir qual o problema do filho! É bom levantar questões desse tipo na ficção, porque leva a grande massa a pensar, discutir, duvidar: E nós? E eu? E a vida real, como é , é igual? As pessoas não são tão burras assim! Não é mesmo!? Mas como podemos ver nós não sabemos tudo, e a ideia é mostrar para pessoas como a mãe do meu aluno que todos tem direito a informação, tratamento, e evolução, dentro é claro do seu quadro e diagnóstico clinico, é claro! Mas prender autistas em casa, numa redoma de vidro, nu bolha, não é sinal de amor, nem de inteligência, nem humano! Todos tem direito a tratamento, simples assim!

  16. Lucas disse:

    Concordo bastante com vc.
    Me apaixonei pela maneira descontraída, direta e sem floreios com a qual vc escreve. Estava prestes a me apaixonar, mas vi q se tratava de uma mulher kkkkkkkkk (não conhecia o blog).

    Beijos e parabéns pelo ótimo, e bastante esclarecedor, texto!!!

  17. ivonete disse:

    Entrei aqui por acaso e acabei encontrando um belo caminho para retirar todas as minhas dúvidas sobre o autismo. Já tive uma vizinha cujo filho era autista, porém bem diferente da personagem da novela. Amei a sua aula sobre o autismo, porque além de dar uma bela explicação, o fez de forma divertida, gostosa para quem está aprendendo.Porém, vale lembrar que estamos assistindo este tema sendo colocado em debate através de uma novela, e novela é ficção, ou seja, pode sim fazer uso do imaginário do escritor.
    De qualquer maneira, parabéns pela forma esclarecedora que você apresentou um tema tão complexo!! Abraços!!

  18. F.M. disse:

    Oi, tenho um irmão com 5 anos, e estamos em um processo de investigação pra saber se ele tem mesmo autismo ou não. O nome dele é [editado], ele é extremamente carinhoso, porém seletivo em relação a pessoas. Ele também aprende algumas coisas extremamente rápido, como, por exemplo, mexer no computador e até aprender inglês SOZINHO com canções no YouTube. [Editado] vive repetindo as coisas, e dizem que isso é um sintoma do autismo. Até agora estamos tendo uma certa dificuldade pra fazer ele ir ao banheiro quando sente vontade de defecar, e confesso que está sendo difícil. Ele frequenta uma escola de educação infantil, e parece que faz pouco tempo que ele começou a deixar que as crianças tocassem nele. Frequentamos vários neurologistas e ainda temos que fazer uma série de exames. Mas meu irmão é bem diferente da Linda, e também não é como aquelas crianças da série do Fantástico. O fato de ele ter isso foi bem difícil pra nós, tanto que eu ainda prefiro achar que ele é um menino “normal” como qualquer outro. Minha mãe sempre foi super protetora, e agora com o [editado] ficou mais ainda, tanto que ela nunca deixa ele se machucar. Mas, como eu disse estamos na fase de investigação, se ele tiver, teremos de fazer tudo o que for preciso para que ele consiga ter uma vida normal e que ele viva bem.

  19. Neusa Ribeiro disse:

    Acho interessante tudo o que li de comentários, e do texto em si. Há vários olhares sobre a questão da novela, do papel da televisão, o que o público entende e o escambau… inclusive, qual será a compreensão que os atores têm sobre o que estão desempenhando? Isso é que é bárbaro, a possibilidade de se discutir – apresentar ideias e modos de pensar diferentemente, sempre! Esse, acho que é o um dos muitos papeis que a televisão assume diante do público. O que não se pode é confundir mesmo o que vem da ficção com a vida real, esse é o grande nó, que os meios de comunicação dão… E há pessoas que entendem que pode ser assim na vida real. Vejam agora, na sequência dessa história, a entrada da atriz Tatá Werneck, como a personagem Valdirene, no BBB. Essa é a grande porcaria que os caras fazem… vai ter gente se confundindo MEEESSSSMO!!!
    Infelizmente, entendo que a televisão é um meio extremamente importante, só que não!, quando mexem com a cabeça das pessoas como esse tipo de coisa… Até mais.

  20. daniela galhardo disse:

    a pelo amor de DEUS qta ipocresia muitos ai estao achando ridiculo o que acontece nessa merda de novela,eu nao perco meu tempo assistindo mas,e claro que como passa comerciais vejo partes,a por favor bjo gay quem esta esperando essa putaria gente existe crianças q ve o q passa na tv os pais que querem dar uma educaçao p seu filho nao permitira que ele assistir uma coisa desta!!!a rede podre de televisao e sensacionalista e promove estas putarias censura isto e palavra excluida neste canal!
    vamos assistir o bob esponja e muito mais animado e la tem de tudo? canal podre nao tem ibope da minha parte ai fica um monte de gente defendendo a podridao,descultindo banalidades,se ofendendo sem mesmo saber quem sao as pessoas e isso ai que ele querem que vcs odeiem as pessoas e se fixam neles…acorda gente.

    • Aninha Arantes disse:

      Algumas vezes (na maioria delas, na verdade) o melhor comeback é publicar o comentário e tornar público o que alguns comentaristas escrevem… Esse é um exemplo clássico.

  21. Isabella disse:

    Nossa, que ótimo poder ler um texto que explica essa história da novela. Me questionava muito sobre isso e me esclareceu muito!!! Obrigada!!!

  22. Walter disse:

    Que texto excelente! Bem escrito, leve, divertido e, é claro, esclarecedor.

  23. Marlon disse:

    Segundo a própria autora desse post:

    ” O autismo é uma síndrome (aka, conjunto de sintomas) que compromete três áreas do desenvolvimento:

    a. a comunicação/linguagem fica seriamente comprometida, com grandes atrasos na compreensão e na produção da fala. Alguns autistas têm falas inadequadas e repetitivas (ecolalia), fora de contexto e muitas vezes desconectadas da realidade.

    b. a socialização: pessoas com TEA têm extrema dificuldade de manter contato social com outras pessoas. Bebês autistas não fazem contato visual e não conseguem manter atenção conjunta – se você apontar para um objeto, a criança vai olhar para a ponta do seu dedo e não para onde você está olhando e apontando. Muitas vezes os autistas relatam que não conseguem entender sinais de emoção nos outros, ou não conseguem entender e expressar suas próprias emoções e sentimentos. E a gente sabe que “são tantas emoções”… (Desculpa, não resisti.)

    c. os comportamentos de pessoas autistas podem ser extremamente inadequados à situação e inapropriados. Não é incomum a presença de comportamentos abusivos ou auto-lesivos, em que a pessoa pode se machucar sério se não for contida. Também é comum que pessoas dentro do espectro autista tenham interesses restritos por algum tipo de objeto ou assunto, em alguns casos raros isso pode gerar uma “super-especialização” ou alta habilidade. Por exemplo, o cara se torna um virtuose do piano, ou é contratado pela CIA para descobrir códigos secretos. (Por favor, atenção ao adjetivo RARO. Obrigada.) ”

    Pô, mas é exatamente dessa forma que a Linda é retratada na novela, como vc vem dizer então que a personagem não é autista?

  24. Edna Rocha disse:

    parabéns, adorei o que escreveu sobre a arte
    “a arte é apenas o caminho do meio. A ponte entre você e o tema real. Foi isso que eu quis dizer porque o artista quando se senta diante de uma tela em branco dificilmente se lembra que existem regras, geralmente ele vai na contramão disso, aliás, está aí o maior dos prazeres.” Lunna

  25. HONORI RIBEIRO disse:

    TEMOS QUE TOMAR CUIDADO PARA NÃO A” APRISIONAR UMA PESSOA EM LIBERDADE “ÓTIMO TEXTO PARABÉNS.

  26. Nara disse:

    Texto muito bom. Só que por alguns momentos senti que vc alem de psicologa é noveleira de plantão. kkkkkk…. Alguns trechos pareciam tirados de “A Indomada” afinal a língua que vc fala deve ser GREENVILÊS…. kkkkkkkkkkkkkkk
    Well…
    Bear with me.
    Ok. Moving on.
    só alguns dos muitos exemplos do seu greenvilês…

    • Aninha Arantes disse:

      Got a problem with this?

    • Silvia Caldas disse:

      Achei isso bem estranho também… rs
      Bem, eu não critico o que não for uma especialidade minha e não sou formada na área. Pode ser um relacionamento impossível, por todas as razões citadas acima, menos uma:

      Quem falou que ele é bem mais velho?

      Nem o ator é bem mais velho que a atriz, ele é um menino. E, na novela, eles vivem dizendo que ele nem saiu das fraldas. A Linda é maior de idade, logo, não tem muita diferença de idade, nem na vida real, quanto mais na novela.

  27. Alexandre disse:

    Não é assistindo um Drama que ficaremos especialistas no assunto, podem até tentarem explicar o mundo dos Autistas e a família ou profissionais com os quais convivem. Há negligência muitas vezes da família por superproteger seus filhos ou até de profissionais por falta de especialização. Pelo que vi nas postagens e respostas atribuídas ao assunto, existem vários graus de Autismo e alguns deles há um avanço na melhoria da convivência, mas deve haver supervisionamento. Amor todos podemos dar, mas cada caso é um caso. Parabéns pelo post! e que bom que envolveu tanta gente que convive com Autistas, só peço pra quem só assiste drama…. relaxa… pesquise… e crie sua opinião através de fontes reais!!!!!!

  28. Julia disse:

    O gente vamos parar de ver so pontos negativos das coisas. a Moral da novela é que os preconceitos que existem com os autistas sejam quebrados apenas isto. Mais quando se quer criticar colok em pauta um simples cartaz.(NOVELA, FICÇÃO) pé na chao pessoal. Novela é apenas uma suposta realidade nossa apenas isso. Lindo trabalho que estao fazendo e quem dera se tdo fosse facil. Eles tem um prazo para terminar a novela por isso tdo é tao rapido e vc que tem a vida inteira e n faz nda para melhorar so criticar. Afff isso que é desgosto.

  29. Jacque disse:

    Bom dia!
    Cheguei até esse post por algum compartilhamento no face e gostei muito do jeito que escreveu…tratou um tema sério (muito!) de forma descontraída…e foi bastante esclarecedor…
    A minha opinião em relação à novela (e todas, de uma forma geral) é que ela presta um grande serviço ao fazer as pessoas pensarem, debaterem, ter interesse em relação à algo que não faz parte da rotina delas…e é justamente isso que está acontecendo aqui…muitas pessoas procurando saber se realmente aquilo retratado na novela é real ou tão exageradamente romantizado quanto todos os outros personagens…e essa é sim a parte positiva porém…
    Presta um enorme desserviço no sentido de banalizar demais certos temas e situações…é tudo extremo demais, não existe meio- termo..e quando cai no meio-termo o personagem acaba se perdendo…é o caso do Felix…era um malvadão, o vilão…mas aí ele tb tem um lado bom (como todo mundo!), só q aí todo mundo tem q esquecer tudo q ele fez de ruim pq agora ele ficou bonzinho…(não sei se tô sendo bem clara à essa hora da manhã..rs)
    Enfim, o fato é que nem que o autor quisesse retratar fielmente a rotina de um autista, não haveria tempo hábil na novela pra isso..é muito pouco tempo (com o perdão do pleonasmo..rs) pra desenvolver uma trama com um assunto tão complicado mas tb concordo que o autor se perdeu completamente no desenrolar da história (assim como em todos os outros personagens)…exagerou, perdeu o “fio da meada”e por fim, romantizou DEMAIS!
    No início da novela percebia (pra alguém totalmente leigo como eu) que ela tinha uma “deficiência” bem severa, no forma como agia e tal…axo lindo que o amor, o carinho e principalmente a atenção e a paciência que o “adêvogado-gato” dispensou à ela, coisa que ninguém, nem da família!, tinha feito antes, tenha feito essa transformação na personagem….porém romantizou demais ao querer demonstrar que “só o poder do amor transforma”…que só isso bastou pra que ela tivesse aquele salto (ENOOOORME) no desenvolvimento…mas enfim, concordo com quem diz que o problema é nosso (como telespectador) de não saber discernir o que é ficção e o que é realidade…de achar que tudo que aparece na novela (que é uma obra de FIQUIÇÃO!!!) é igual a vida real…pensa que chato seria se tudo tivesse que ser tal e qual na realidade…seria impossível pq a realidade de cada um é diferente do outro…assim como nem todo pobre é miserável que mora na favela, nem todo rico é milionário que tem motorista particular…nem todo autista tem o mesmo grau de deficiência (ou seja lá qual o termo correto)…então, sempre vai destoar da realidade de um e de outro..
    Enfim, sei que misturei todos os assuntos mas é assim que me sinto em relação às novelas e obras de um forma geral….se a gente quisesse só ver realidade não ia gostar tanto de livros, filmes a afins…
    Pra terminar, e sem querer defender a GROBO, logo que começaram a dar mais ênfase na história da Linda, já veio aquele documentário super bacana do Drauzio no Fantástico, falando de forma mais aberta e mais “científica” sobre o autismo, então de certa forma eles tentaram desvincular o que era real do imaginário…o problema é que a maioria dos telespectadores prefere ver a novela e não o DOCUMENTÁRIO-CHATO-DO-MÉDICO-CARECA…paciência né =/
    Perdoe o comentário enoooorme e obrigada mesmo pelo seu texto viu….acho que de alguma forma você também conseguiu fazer as pessoas se interessarem mais pelo assunto…mesmo que alguns achem que foi criando mais polêmica…rs
    Vou dar mais uma fuçada por aqui, até mais 😀

  30. IRACEMA LOPES disse:

    RESUMINDO A LINDA E UM ENGODO,ADOTEI UM MENINO A 2 ANOS ELE JA TINHA 3 ANINHOS,NESSES 2 ANOS FIZ DE TUDO,E SO A 6 MESES DESCOBRIMOS Q ELE E AUTISTA,O NOSSO AMOR E DEDICACAO MUDOU RADICALMENTE SUAS REACOES,MAS JA SE FORAM 2 ANOS,NAO EXISTE MAGICA,MAS ACREDITO EM MILAGRES POIS MEU FILHO NAO ANDAVA E O DR DISSE Q ELE ESTAVA SERIAMENTE COMPROMETIDO PELOS MAL TRATOS QUE SOFREU MAS ACREDITEI NUM DEUS PODEROSO QUE FEZ TERRA MAR E CEU,E MEU FILHO ANDA,NAO CORRE AINDA,E NEM FALA,MAS TENHO FE E CERCO ELE COM AMOR E OS CUIDADOS Q PRECISA,E NOSSA HISTORIA DE AMOR SERA COM UM GRANDE FINAL FELIZ,AFINAL O DR DISSE QUE MAIS 2 MESES E ELE MORRERIA PELOS HORRORES Q SOFREU,HOJE SORRI E POE A LINGUA NO MEU ROSTO,ESSE E O BEIJO MAIS SABOROSO E MELECADINHO DE AMOR Q INTERPRETO COMO UM MTO OBRIGADA POR ME AMAR,BJS A TODOS .IRACEMA

  31. Elaine disse:

    Achei o post muito interessante e esclarecedor!
    tenho contato com pessoas autistas e desde a primeira vez que vi a personagem me questionei sobre a forma que ela agia.
    Como estudante de psicologia e tendo muito interesse nessa área foi ótimo esse momento para pensar sobre a assunto.

  32. Valéria S. Pioltine Ferreira disse:

    A meu ver o autor não quis dar tanto enfoque ao autismo da personagem mas sim ao PRECONCEITO e principalmente a IGNORÂNCIA da mãe e da irmã. Não sei se alguém assistiu o capítulo de sábado (11/12) quando elas estão na lanchonete tomando café e a MÃE fala que APRENDEU A GOSTAR DA FILHA????????????
    Pelo que vejo, essa mãe não se interessou pelo desenvolvimento mental dela, acha melhor pensar nela como uma “doente” que não pode fazer nada, por isso o autor deu mais ênfase ao relacionamento dela com o advogado, mostrando outros caminhos como por exemplo, descobrindo o mundo externo, ajudando-a a fazer coisas que antes eram “impossíveis” segundo a mãe (como cozinhar por exemplo).

  33. Mede Campos disse:

    Muito interessante! Amei o texto. Comecei lendo sem interesse, mas acabei empolgada demais… Li tudo… até o finalzinho dos comentários. Confesso que fiquei meio confusa. Hora achava que o texto tava certo, hora achava um outro comentário(contra) tava certo. Enfim, acho que vou procurar saber mais sobre o assunto. #meempolguei. #meinteressei. Vou até ver mais, a novela. Abraços a todos.

  34. Murilo disse:

    Excelente… Seu texto é fantástico. Concordo contigo em gênero, numero e grau. O duro é pensar como o André De Lucca. Socialista que acredita que a população toda é um bloco de pessoas bem informadas, e que todos pensam e vêem as coisas como ele. Pensar que todo esse bloco possui este senso crítico e consegue separar o real da ficção. Só lembrando o quão comum é vermos atores sendo agredidos nas ruas em função do papel exercido em novelas. Enfim.

    Creio que seria de bestseller um livro escrito neste formato, com relações entre psicopatologias televisivas e psicologia enquanto ciência. Acredito que sua forma de escrever, fluída, leve e muitas vezes engraçada seria um manual de tira-dúvidas para a desinformação prestada pela grande mídia… kkk

  35. Marina disse:

    Linda não é o foco de “Amor a vida”… por isso não faz nenhum sentido a novela mostrar ela consultando com o psicólogo toda semana como deveria ser. Linda foi melhorando enquanto Paulinha crescia… e enquanto rolavam muitos outros lapsos temporais no núcleo principal da novela. Autismo é muito complexo para ser tratado com precisão em uma obra de ficção… Acho que isso dá para entender.!
    … Até que o autor infeliz enfia esse romance na história. Isso sim pode gerar problemas no mundo real. Sob o ponto de vista legal, autistas são incapazes, até que se prove o contrário (e essa prova só pode vir de especialistas – psicólogos e profissionais da saúde). Me admira muito o Dr Rafael não saber que o que ele faz é errado.!!
    Tomara Deus que mães e pais de autistas por aí não comecem a acreditar que o amor cura autismo… seria uma avalanche de abusos de incapazes.

  36. yammello disse:

    Bom dia!

    Bom, primeiramente, achei genial seu texto, parabéns! Sou mãe de uma garota de 7 anos portadora de necessidades especiais com comprometimento cognitivo e intelectual, porém não tenho parâmetros para versar sobre o assunto, mas como mãe, acho que essa situação tem que ser cuidadosamente avaliado em familia, pois a familia tem condições de avaliar a condição de cada membro dela e seu desenvolvimento. Acho que cabe a familia as rédeas de um situação como essa, eu, no minha humilde opinião, iria me aconselhar com os profissionais que acompanham minha filha, que no caso, são muitos. Mas há de se refletir como isso aconteceu, como essa pessoa chegou tão próximo da criança/garota, digo ao ponto de ser evoluido uma amizade a uma paixão. Só acho.

  37. Susy disse:

    É um insulto a pais, familiares e profissioanais que lidam diariamente com autistas o que a novela retrata. É um insulto a sociedade de forma geral, que inocentemente acredita que assistindo as cenas de uma novela já pode afirmar que conhece o autismo. Deve-se abandonar esse hábito de ficar restrito apenas ao que se transmite na televisão, adotando isso como verdade absoluta, e passar a buscar o conhecimento das coisas por si, através de livros, autores renomados na área, até mesmo pela prática do convívio com TEA.
    É triste saber da luta de gente séria e realmente envolvida com o TEA, saber da batalha para quebrar os estigmas que envolvem esse transtorno, saber da busca constante sobre os direitos, acesso a todo tipo de acompanhando profissional, saber que essa é uma batalha constante e que as conquistas são lentas e, então começa uma novela ridícula que distorce, confunde as coisas, mistura níveis diferentes de autismo em uma mesma pessoa. E a partir disso algumas pessoas se julgam conhecedoras e acham que podem julgar uma mãe que tem uma batalha diária com seu filho. Altamente ridículo.
    Por favor, cadê os outros profissionais envolvidos nesse tratamento.!? Vamos deixar de idealizar as coisas, sair de frente da televisão e começar a ter senso crítico à respeito do que acontece a nossa volta. É sempre útil, levantar do sofá, sair da frente da televisão e pensar por si.
    Aninha, parabéns pelo seu post, ele esclarece muito sobre as inverdades mostradas. Poderia esclarecer mais, no entanto é função de cada um buscar várias fontes sobre o assunto e sair da zona de comodidade.

  38. Iara gui disse:

    Eu sou terapeuta comportamental, não trabalho atualmente com autista. Penso que a supervisão de um adulto e acompanhamento terapêutico é extremamente importante e fundamental. Mas, acredito que o amor deve ser parte de todo tipo de tratamento… deve ser parte ativa e constante da VIDA!
    Vejam este exemplo:

    Leslie Lemke nasceu prematuro em Milwaukee, Wisconsin em 1952. Ao nascer, foi diagnosticado com glaucoma, paralisia cerebral e danos cerebrais. Os médicos foram forçados a retirar seus olhos. Sua mãe biológica o entregou para adoção, e, May Lemke, uma enfermeira, adotou-o aos seis meses de idade, apesar de ele não se mover, não fazer emitir um simples som, ela sentiu um vínculo de profundo amor com ele. Para alimentá-lo, May tinha que empurrar comida goela abaixo. Demorou sete anos de constante cuidado até que Leslie pudesse mastigar alimentos por conta própria. Durante este tempo, ele não fez sons ou movimentos e não demonstrou nenhuma emoção. Ele tinha 12 anos quando ficou em pé pela primeira vez, e aos 15 anos aprendeu a andar.Aos 16 anos tocou, com perfeição, o Concerto nº 1 para piano de Tchaikovsky, depois de ouvi-lo pela primeira vez enquanto escutava um filme de televisão. Leslie logo aprendeu a tocar todos os estilos de música, do ragtime ao clássico.
    Sua mãe adotiva incentivou seu talento para o piano. Em 1980, Leslie estava dando regularmente concertos em Fond du Lac, Wisconsin. Sua fama repentina lhe valeu convites para vários programas de televisão como CBC’s Man Alive (apresentado por Roy Bonisteel), CBS Evening News, 60 Minutes, e That’s Incredible!. Em 1983, a ABC fez um filme baseado em sua história de vida chamada The Woman Who Willed a Miracle, um drama sobre Leslie e sua mãe adotiva. Foi estrelado por Cloris Leachman como May Lemke. Leslie é também o tema da canção de Fred Small, Leslie is Different.
    Leslie excursionou pelos Estados Unidos, Escandinávia e Japão e deu concertos gratuitos em várias ocasiões. Ele estava muito animado quando tocava.”

    Para quem quiser conhecer Leslie, veja estes dois vídeos:
    http://www.youtube.com/watch?v=ZWtZA-ZmOAM
    http://vimeo.com/58396705
    Abraços!

    • Livia disse:

      Olá, estava lendo os comentários e me deparei com o seu. Sou quase formada em educação especial, e quero dizer o quanto fixo feliz quando vejo mães tão aplicadas e com cabeça aberta como você. Tenho muita vontade em estudar mais o autismo, principalmente pelo estigma no qual o transtorno é visto pela sociedade. Ainda não consegui definir uma posição e uma vertente concreta sobre o caso da Linda da novela. Mas pelo pouco que estudei e vi em pesquisas eu acredito que sim as pessoas com alguma NEE (necessidade educacional especial) tem sim como se relacionar amorosamente com outra pessoa. Tudo depende, do grau da deficiência, da familia, escola, de todo o contexto em si. Sem se prender ao “diagnóstico” e sim ao indivíduo, sim ele pode se relacionar. Eu como educadora estou escrevendo através dos meus conhecimentos adquiridos ao longo da faculdade, posso estar errada, porém eu acredito no ser humano eu acredito nas pessoas e o que sei é que quando se acredita em algo tudo é possivel. Te dou toda a força do mundo para que consiga junto com seu filho realizar seus sonhos. E por favor surpreenda a “ciência” a capacidade do humano é bem maior do que meros estigmas desenvolvidos pela sociedade. Só para dar um exemplo em relação a arte.. “NÃO É JOGAR TINTAS NA MÃO DA MENINA E PRONTO” Primeiro em qualquer circunstância diferente ainda não vivenciada precisamos pegar conhecer o objeto a ser trabalhado.. fiz um trabalho lindo em um centro de autismo se quiser conversamos depois. Bom chega de palavras . Desejo todo sucesso para vc e o filhao. Nunca deixe de acreditar que ele pode mais, não tem limite.

  39. Mi disse:

    Minha pergunta é: Qual o problema dele então?
    Jovem advogado “gato”. O que ele está procurando ou achou nesse relacionamento? Toda vez que vejo uma cena deles é isso que eu me pergunto.

  40. Walter disse:

    Bom penso que a novela seja ficção, para começar. Não gosto de assistir a GLOBO, é uma porcaria. Mas pelo menos a novela traz alguma informação aos desenformados, aos alienados, por mais incorreta que seja essa informação, é ficção.

  41. Carol disse:

    P.S Se trata de uma NOVELA .
    As pessoas veem em ficções da dramaturgia uma correlação com a vida real, isso chega a ser de extrema ignorância.

  42. Solange disse:

    NA VERDADE O AUTOR NÃO PRECISA APROFUNDAR DETALHES DA DOENÇA OU DO TRATAMENTO P/ NOS PASSAR A INTENÇÃO DA MENSAGEM.EU QUE SOU LEIGA NO ASSUNTO, MAS COMO SER HUMANO ENTENDI QUE O QUE IMPORTA É O RESPEITO A DIGNIDADE A CRIATIVIDADE EO AMOR QUE LIBERTA COM QUE ESTAS PESSOAS SÃO TRATADAS.NA NOVELA A POSSE DA MÃE NÃO A DEIXAVA VIVER COMO GENTE.E NA VIDA REAL? COMO SÃO TRATADAS ESTAS PESSOAS INDEPENDENTEMENTE DE TRATAMENTO PROFISSIONAL.

  43. Wiliane disse:

    Concordo plenamente com você Carol, isso é apenas uma novela.
    Pra muitos que dizem que as novelas de hoje em dia confundem as pessoas, pra mim não passam de mentes FRACAS, e as próprias julgam como se fosse uma vida real.. pf.. tanta coisa pra ser estudado e discutido, e vocês vem querendo julgar novela!!! ahh.

    e outra.. eu acredito sim que o AMOR tem o poder de curar QUALQUER DOENÇA que seja,e que com o apoio de alguém que nos ama de verdade, somos capaz de recuperar as chances de ter uma vida normal!

  44. Luciana disse:

    Olá.
    Cheguei ao texto como outras pessoas compartilhamento via facebook.
    Até gostei do texto, me cansou quando as expressões em inglês apareceram, para mim sem função alguma. E digo isso para que percebam que nem tudo agrada todo mundo! A personagem Linda, pra mim, está sendo muito importante, trouxe o assunto que sempre foi um tabú, para a grande massa! Parabéns ao autor que decidiu falar sobre isso!
    Como autor de obra de ficção ele tem liberdade de dar aos seus personagens o fim que ele quiser…
    Agora, as pessoas que assistem tem a liberdade de gostar ou não, e como disse a Luanna, a arte cumpriu o seu papel… as pessoas discutem sobre o tema agora!!!!
    Discutir se autista pode ou ñ ter vida amorosa isso aconteceu no fantástico que mostrou uma família em que o pai é autista diagnosticado, e tem três filhos dos quais um apresenta autismo.
    Já que na sua opinião, Aninha, a presença da Linda é um desserviço, digo o mesmo sobre as expressões em inglês no seu artigo… Eu não usaria… Agora que tal vocês que criticam tanto a novela escreverem a próxima, e tratarem do assunto apresentando a realidade como ela é…
    Sucesso a todos ….

  45. thais disse:

    Ana,
    Vc viu o caso da garota q tem o diagnostico de autista q escreveu um livro contando como é viver com a doença? O q vc tem a dizer desse caso? se ela escreveu um livro é pq tem um certo nivel de cognitivo certo?

  46. Adriana Ribas Lyra disse:

    Muito bom seu texto, que além de esclarecedor, é muito gostoso de ler, dá vontade de ler até o final, vai nos pontos certos com uma dose muito bem colocada de humor!! Parabéns!!abraços

  47. Ariadne Luz disse:

    A novela entra em todas as casas e aqueles que não assistem acabam sabendo a respeito nem que seja o resumo do dia e os autores tem uma assessoria péssima que só dão bola fora quando resolvem discutir a respeito de doenças, preconceitos, religião…e por falta de informação e cultura, muitos tomam aquilo como verdade, quantas vezes não li que alguns atores quase apanharam na rua por causa das suas maldades na novela!!!!

    Pra mim, o papel do Dr. é ridículo, não vou nem entrar no mérito da família porque existem sim mães super protetoras e não tenho conhecimento de causa pra falar a respeito do tratamento. Mas o Dr. Rafael tem um papel medonhho.

    Esses autores deveriam aprender melhor antes de montar um personagem, se querem mostrar algo mesmo sendo ela de forma superficial, então faça direito.

    E pelo que eu li nos comentários, a jornada não é fácil, então desejo a todos que estão nesta jornada com lutas e vitórias diárias, muita força pra continuar, porque eu tenho certeza que vcs lutam para controlar o altista e contra o preconceito. Sintam-se todos abraçados.

  48. Marisa Schmidt disse:

    É uma pena que se discuta com tanto empenho as bobagens noveleiras e nem me passa pela cabeça que haja algum mortal capaz de achar que qualquer coisa imaginada e escrita por um novelista tenha um pé na realidade. Nem a riqueza, nem a pobreza, nem a saúde, menos ainda a doença é preocupação de um escritor de fantasias, que visa tão somente fazer jus ao que ganha para escrever um folhetim e, certamente, se ganha é porque há demanda para seu produto.
    Não assisto às novelas e nem imagino quem seja essa personagem aqui retratada, mas conheço alguns portadores de autismo e concordo com os comentários profissionais sobre a doença. O resto, é só exercício do nada, como as novelas. Abraços!

    • Luciana Gomes da Costa disse:

      O texto realmente é ótimo. Mas em relação a novela,eu acho que a personagem Linda está sendo bem retratada pela atriz,eu tenho um aluno autista mas é de um grau mas leve,e por muitas vez vi coisas mostradas pela atriz no personagem que me lembram perfeitamente o comportamento do meu aluno.Tudo bem concordo que é bem mais complicado e complexo o tratamento de um autista.Só que é uma novela e cada um interpreta de uma maneira,eu interpreto da seguinte forma: O autor quer apenas mostrar como é ser um autista,e mostrar que dependendo de alguns casos ele pode ter grandes oportunidades e desenvolvimento,e claro! como é novela tem um pouquinho de ficção. É isso!! Parabéns pelo texo.

  49. dirce disse:

    Me irrita tanto o fato de que a realidade é cruel, e pouco é feito para esclarecer as pessoas sobre o assunto, mas gastam muito dinheiro com novelas e personagens que nada acrescentam na vida das famílias que vivem esse drama de ter uma pessoa na família com uma Síndrome.

  50. Cristian disse:

    Aninha, achei ótimo o texto. Sou leigo no assunto, não vejo a novela e só acompanho os “problemas” da trama em destaques nos sites de notícias.
    Gostaria de te dar os parabéns não só pelo texto com o conteúdo, que não se restringe à sua opinião somente, contém dados e informações médicas e comportamentais. E principalmente, parabéns por manter um blog onde muitas pessoas vêm atirar pedras “de graça”, e manter a calma e o nível em suas respostas. Eu não conseguiria. Abraço.

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