Lançada série de vídeos “Panorama: visões da cooperação científica Brasil – Boston”

Imagine que você está confortavelmente sentado observando pessoas andando em uma ponte que liga o Brasil a Boston.

Tais personagens – não fictícios – são cientistas, estudantes e pesquisadores que saíram do Brasil e vieram fazer ciência aqui na região da Nova Inglaterra.

Assim nasceu a série de vídeos “Panorama: visões da cooperação científica Brasil – Boston”, que acaba de ser lançada com a missão de dar maior visibilidade à ciência desenvolvida por brasileiros no exterior. Há muito brasileiro talentoso por aqui, estudando temas fantásticos, criando novos produtos. Tenho a impressão de que o Brasil sabe pouco a respeito e é de certa forma desconectado deste capital intelectual (falei rapidamente sobre isso na notícia que saiu hoje na Agência FAPESP).

Trata-se de um projeto de divulgação científica que também resgata as trajetórias dos bolsistas em mobilidade, dos professores brasileiros da região e dos pesquisadores atuando em empresas.

O nome “Panorama” foi sugestão do Prof Nelson Vaz, da UFMG, inspirado em Arthur Miller.  O projeto só se tornou realidade graças ao apoio fundamental do Consulado-Geral do Brasil em Boston e da rede dos Pesquisadores e Universitários Brasileiros em Boston (PUBBoston). Produção de Paula Aguilera e Jonathan Williams e projeto gráfico de Tiago Allen. Vitor Pamplona e eu lideramos a árdua tarefa de tirar uma ideia do papel e torná-la realidade, transpondo o abismo entre a ideia e a execução.

Começamos hoje com a Monique Gasparoto, que passou um ano em Boston como bolsista graduação sanduíche do Programa Ciência sem Fronteiras e foi uma das finalistas da iGEM (International Genetically Engineered Machine), competição de biologia sintética conhecida mundialmente. Quem gostar, acompanhe os novos vídeos que serão publicados semanalmente no canal do YouTube.

As contribuições da minha mãe para a ciência

As exigências eram poucas. Eu só queria silêncio. Impossibilidade de conexão à internet. Estado meditativo para resgatar as minhas memórias. Memórias da minha mãe.

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Minha mãe no Cerrado. Arquivo Pessoal.

Por isso estou aqui agora, em uma sala silenciosa no prédio de uma biblioteca pública. O dia começou bonito e agora a chuva ameaça cair.

Resolvi iniciar o projeto de escrever um capítulo sobre as contribuições da minha mãe para a ciência – que irá compor um livro com a biografia de outros cientistas – resgatando as minhas próprias memórias.

Eu poderia começar acessando o seu currículo e perguntando ao meu pai e familiares detalhes da trajetória acadêmica da mulher que me gestou. Ou mesmo conversar com vários de seus ex-alunos que hoje estão em posições importantes na academia, governo e iniciativa privada, tanto no Brasil quanto no exterior. Folhear seus livros, acessar a cópia de segurança de seus arquivos, navegar novamente pelo site da Rede de Sementes do Cerrado seria outra opção. Claro, eu não poderia deixar de falar com Heloísa Miranda, grande amiga da minha mãe que durante anos repetiu o mesmo programa: almoço seguido de cinema todos os sábados.

Chichá, uma das plantas do Cerrado que minha mãe mais admirava.

Chichá, planta do Cerrado. Arquivo Pessoal.

Não. Vou parar tudo e puxar aquele fio de lembranças que constantemente brilha e ferroa. Ainda sonho que a morte da minha mãe foi um pesadelo, desfruto da sua alegre presença por momentos e acordo. A tristeza vem com força novamente. Sim, é verdade, ela morreu.

Norte-americana de nascimento, depois de alguns anos vivendo no Brasil, minha mãe optou pela cidadania brasileira. Ela era absolutamente apaixonada pelo Brasil. O Cerrado era objeto de estudo e encantamento, e também torcer pelos times de vôlei e futebol era prova de sua opção pelo país. Aliás, as torcidas arrancavam dela gritos característicos (difícil descrever, mas é algo assim: “uHU, uHU”, abrindo e fechando a mão posta na frente da boca enquanto os gritos saíam). Comíamos “dip” (creme de leite, sopa de cebola e limão) com batata frita enquanto assistíamos aos jogos.

Espaço dedicada à minha mãe no Jardim Botânico de Brasília. Arquivo Pessoal

Espaço dedicada à minha mãe no Jardim Botânico de Brasília. Arquivo Pessoal

 

Tomávamos aquela merecida e gelada cerveja após um dia no campo, com sol na cabeça, coletando sementes de árvores do Cerrado. Na nossa casa sempre havia sementes e plantas espalhadas e algum experimento acontecendo, como o do uso controlado de nutrientes nos ipês do nosso jardim (sim, eles cresceram muito mais rápido do que os que não receberam o tratamento).

Lembro também do projeto de “escanear” folhas de plantas do Cerrado, na época de maneira bastante rudimentar. O objetivo era medir a área foliar e relacioná-la a demais parâmetros fisiológicos: o que planta com folha pequena tem de diferente de planta com folha grande?

Ah, e quantas vezes já sonhei com couve-flor e suas “bolinhas” brancas (inflorescências). Quando morávamos em Campinas, entre os anos de 1985 e 1987, por conta do trabalho dos meus pais na Bioplanta, uma das atividades que fazíamos era cultura de tecidos de couve-flor. Em cada tubo de ensaio com a gelatina nutrititiva no fundo colocávamos uma “bolinha” de couve-flor.

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Cultivo in vitro de planta do Cerrado (canela de ema). Arquivo Pessoal.

Resgatar sua trajetória acadêmica será a abordagem principal da escrita, mas haverá espaço para uma construção mais literária do texto, seguindo sugestão do meu amigo Jacques Fux, que indicou a leitura do lindíssimo “Vermelho Amargo”, do Bartolomeu Campos de Queirós. Fico pensando na faca afiada cortando o tomate vermelho.

Isso mesmo. O texto não será apenas sobre artigos científicos, linhas de pesquisa, áreas de atuação, titulações. Será também sobre aquela camada macia da pamonha assada que minha mãe tanto apreciava (e comia com boca cheia). E também sobre o choque que aquela jovem moça recém-chegada dos EUA teve, na década de 1970, ao se deparar com carnes dependuradas em um açougue qualquer no interior de Minas Gerais. Durante os vários e deliciosos momentos que passamos juntas na fazenda, torrando farinha de mandioca em tachos enormes, ela sempre amarrava um lenço na cabeça. Ela amava doce de manga “de vez”.

E muito mais.

Quando contei sobre este projeto para a minha pequena Manoela (6 anos), de escrever sobre a Vovó Linda, quem ela mal conheceu, a pequena escutou atentamente e me pediu que reservasse um espaço, pois ela gostaria de fazer um desenho para ilustrar o livro. Manu, o seu espaço está reservado.

A lista de entrevistados está enorme. Agora é o momento de falar com as pessoas.

“Simbora”!

Sobre o “Victora Lab”

Quando escrevi a reportagem “Lanterna Microscópica”, publicada em janeiro de 2011 na Revista Pesquisa Fapesp, Gabriel Victora era estudante de doutorado.

Desde então, várias boas novas na carreira acadêmica do músico que se tornou cientista. Agora ele tem o seu próprio laboratório no Whitehead Institute, em Cambridge, nos Estados Unidos (o famoso instituto de pesquisa em ciências biomédicas que fica ao lado do MIT).

Gabriel Victora em seu laboratório no Whitehead Institute (Jan, 2012).

Gabriel Victora em seu laboratório no Whitehead Institute (Jan, 2012).

Na semana passada ele recebeu, das mãos do Francis Collins, diretor do NIH, o “early independence award“, prêmio para incentivar jovens cientistas a estruturarem suas carreiras acadêmicas independentes, sem a necessidade de realizar um pós-doutorado (aqui).

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Agora é acompanhar o que o Gabriel tem feito com os linfócitos B!

Transmissão ao vivo do evento “2012 MIT Research and Development Conference – Global Trends in the Information Age”

Ao invés de pagar US$1.750,00 para participar do evento que está ocorrendo agora no MIT, você pode acompanhar as palestras ao vivo, acessando o link abaixo.

Watch live streaming video from ilp2012 at livestream.com

A agenda do “2012 MIT Research and Development Conference – Global Trends in the Information Age” está disponível aqui. Thomas Malone, professor do MIT, está falando agora sobre inteligência coletiva.

Amanhã Andrew Lo apresentará um novo modelo para financiamento de pesquisa e Alex “Sandy” Pentland proferirá a palestra “Connection Science: Reinventing Companies, Governments, and Society in the Wake of Big Data”.

Vale a pena conferir!

Um matemático apaixonado por Borges

 

Talvez a maior expressão da minha brasilidade, agora que moro em terra norte-americana, seja o orgulho que sinto dos pesquisadores brasileiros daqui.

Fico encantada com suas trajetórias e diversificadas áreas de atuação. Histórias incríveis são reveladas quando converso sobre os caminhos pessoais e acadêmicos percorridos antes de aqui desembarcarem.

Foi o que aconteceu em um jantar recente na casa de amigos, onde tive a chance de aprender sobre o que leva um matemático a se enveredar pelos estudos literários. 

Jacques Fux, bolsista de pós-doutoramento da FAPESP, chegou em Cambridge há quinze dias, assumindo a posição de visiting scholar em Harvard. Mineiro, formou-se em matemática e fez mestrado em ciências da computação, na UFMG.

Ávido leitor, apaixonado por Jorge Luis Borges, no seu doutorado optou por migrar para a literatura e acabou recebendo o prêmio CAPES de melhor tese de doutorado defendida em 2010 na área de Letras/Linguística. Ele estudou as relações entre matemática e literatura nas obras de Georges Perec e Jorge Luis Borges (aqui).

Agora é com ele.

1) Como um matemático foi parar na literatura?

Eu sempre gostei de ler e era completamente fascinado pela literatura de Jorge Luis Borges. Lendo seus relatos fantásticos, descobri que poderíamos encontrar diversos problemas e, entre eles, os de matemática e lógica. Assim, apaixonado por Borges, resolvi fazer uma matéria eletiva sobre esse autor argentino e o Judaísmo no doutorado em Letras da UFMG. Gostei muito e resolvi levar o projeto ‘maluco’ adiante. Logo depois, conheci minha orientadora e as obras do escritor francês Georges Perec. Descobri que existia um grupo na França que trabalhava com literatura e matemática e ‘voilá’, descobri o que gostaria de fazer.

2) Perec é conhecido por ter escrito um livro de quase 400 páginas sem utilizar a letra “e”. Por que essa opção pela ausência da vogal “e”? A matemática está presente nessa obra?

Essa restrição ou regra é conhecida como ‘Lipograma’. A letra “e” em francês é a letra mais frequente e a que mais se usa nas construções gramaticais. Retirá-la é, de fato, um grande problema e aí nasce a genialidade e audácia de Perec. Um dos motivos de Perec retirar essa letra é prestar uma homenagem a seus pais, mortos durante a Segunda Guerra Mundial. Sua mãe (mère) morreu em Auschwitz e seu pai (père) no fronte de batalha. Segundo o próprio autor, os nazistas subtraíram dele as pessoas mais importantes de sua vida. Ele, ainda criança e órfã, foi capaz de seguir adiante mesmo sentindo a grande falta que seus faziam. Assim decidiu escrever um livro privando-se da letra mais importante do alfabeto, das letras que formam seu próprio nome e construir arduamente um projeto que fizesse referência a esses ‘desaparecimentos’ – “La disparition”.

3) Você poderia citar um exemplo do uso da matemática por Perec e Borges em suas obras?

Perec usa a matemática como estrutura na sua escrita, como por exemplo o Lipograma, o Palíndromo e os quadrados mágicos. Já Borges utiliza a matemática como um artifício conceitual. Trabalha com o problema do infinito, da contagem (enumeração) e dos paradoxos.

4) Quais foram as conclusões da sua tese?

O que eu tentei mostrar na minha tese é que quanto maior o conhecimento matemático de um leitor diante dos textos do Perec e do Borges, maior sua capacidade de entender e desvendar os diversos segredos, mistérios e belezas de seus escritos. Porém, mesmo sem conhecer matemática, há diversas camadas e possibilidades de leituras.

5) O que você pretende fazer com os recursos do prêmio?

Estou migrando definitivamente para a Literatura. A escrita, a poesia e a beleza das letras me conquistaram. Meu projeto é trabalhar mais profundamente com os escritos testemunhais e com os problemas da memória e da narração de momentos traumáticos.

6) Agora você está partindo para o seu segundo pós-doutoramento.

No primeira parte do meu pós-doutorado estudei a relação entre Perec e a Shoah. Como podemos entender seus escritos e seus relatos ‘faltantes’ e inventados já que viveu uma grande perda na vida. Agora pretendo estudar as novas representações possíveis e artísticas da Shoah (Holocausto) em uma época em que os sobreviventes estão desaparecendo por completo. Como as novas gerações “receberão” esse acontecimento terrível que foi a morte industrializada de milhões de pessoas durante o período nazi.

7) De onde vem o seu interesse por literatura infantil?

Eu gosto muito de escrever e minha escrita é muito tocada pelo Borges. Segundo ele, a literatura é a própria capacidade de falar e escrever sobre ela mesma. Logo escrevi um livro (ainda não publicado) para crianças de todas as idades sobre os “Porquês” da vida dando respostas literárias a essas questões. Os personagens do livro são escritores, poetas e personagens literários bem conhecidos, como Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Riobaldo, O Gato de Cheschire, As baratas de Kafka e Lispector, o Tigre de Borges, entre outros.

8) Qual trecho de Borges que mais te toca? E de Perec?

Do Borges: “que a história tivesse copiado a história já era suficientemente assombroso; que a história copiasse a literatura era inconcebível”.

Do Perec: “Uma vez mais, as armadilhas da escrita se instalaram. Uma vez mais, fui como uma criança que brinca de esconde-esconde e não sabe o que mais teme ou deseja: permanecer escondida, ser descoberta.” Essas duas frases me deram inúmeros argumentos literários e, a partir delas, escrevi meu primeiro romance recentemente chamado “Antiterapias”.

Projetos multimilionários de ciência em Cambridge e Boston

Uma das maneiras de conhecer o ambiente de ciência, tecnologia e inovação de um local é saber quem são os cientistas multimilionários que ali trabalham. Por multimilionário quero dizer, por ora, aqueles que conseguem trazer milhões de dólares de financiamento para desenvolver pesquisas em seus laboratórios (ou criar novos centros de pesquisa).

Abaixo estão listados os projetos com valor superior a dez milhões de dólares, aprovados este ano no Estado de Massachusetts pelo NIH (National Institutes of Health), agência federal de fomento e pesquisa em saúde nos Estados Unidos. O NIH disponibiliza uma ferramenta chamada RePORTER (aqui), onde é possível fazer diversas buscas por projetos financiados.

Projetos que ultrapassaram a marca dos 10 milhões de dólares, em 2012, financiados pelo NIH (apenas no Estado de Massachusetts).

Interessante observar que os dez cientistas agraciados trabalham bem próximos uns aos outros, em um raio de aproximadamente três km, colaborando para a consolidação do supercluster biotecnológico da região (aqui).

E se os USD 205.159.644 investidos pelo NIH servem como termômetro das áreas vistas como prioritárias pelo governo federal, AIDS e ciências genômicas estão no topo.

Eric Lander, Broad Institute, Large Scale Sequencing and Analysis of Genomes, USD 35,860, 542

Daniel Kuritzkes, Brigham and Women’s Hospital, AIDS Clinical Trials Group Network, USD30,578, 689

Lee Nadler, Harvard University Medical School, Harvard Clinical and Translational Science Center, USD 22,215,738

Mary ClarkMassachusetts State Dept of Public Health, USD 20,455,061

George Seage, Harvard University School of Public Health, Pediatric HIV/AIDS Cohort Study (PHACS) Data and Operations Center, USD 17,236,951

Stuart Schreiber, Broad Institute, User Driven Project, USD 15,462,500

Michael Hughes, Harvard University School of Public Health, Statistical and Data Management Center for the AIDS Clinical Trials Group, USD 15,061,511

Jeffrey Flier, Harvard Medical School, New England Primate Research Center Base Grant, USD 12,739,167

Edward Benz, Dana-Farber Cancer Institute, Cancer Center Support Grant, USD 11, 164, 583

Dennis Kasper, Harvard, New England Regional Center of Excellence in Biodefense and Emerging Infectious Diseases, USD 10,719,999

Eric Lander, Broad Institute, Large Scale Sequencing and Analysis of Genomes, USD 10,480,393.

(adaptado do Boston Blog, da Nature) 

O que existe dentro da cabeça do(a) cientista?

Osgemeos abriram a cabeça do artista para ver o que tem lá dentro.

Como será que eles representariam a cabeça do(a) cientista?

Obs1: Osgemeos são artistas urbanos brasileiros mundialmente conhecidos por seus grafites. Eles estão aqui em Boston, agitando uma cidade onde raramente se vê paredes grafitadas. 

Obs2: tirei a foto acima na última sexta-feira, no Instituto de Arte Contemporânea de Boston (ICA), onde está a exposição dos irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo (aqui). Extraída de “Dentro do Arco-íris, é assim”,  2010.

Aulas on-line: resolvi experimentar

No processo de escrita da reportagem “Aulas na Rede”, publicada hoje na Revista Pré-Univesp, me deparei com os termos “revolução”, “tsunami” e “disrupção” em vários artigos e reportagens descrevendo os consórcios recentes firmados entre universidades norte-americanas de elite para oferecer cursos on-line, de graça, em escala planetária.

Tsunami II, gentilmente cedida por fallrod (Flickr).

 

É o caso do edX, uma parceria entre o MIT e a Universidade de Harvard (o vizinho Massa Crítica noticiou), e da parceria das Universidades de Stanford, Princeton, Michigan e Pennsylvania com a empresa Coursera.

Se é mesmo uma revolução, não sei ainda. Há ponderações lá na reportagem. Só sei que resolvi experimentar um desses MOOCs (da sigla em inglês, massive online open course) e me inscrevi em um curso sobre vacinas que começará no próximo dia 25.

Paul Offit, professor da Universidade da Pensilvânia, abordará a história, ciência, benefícios e riscos das vacinas, controvérsias em torno do tema, além de respostas a perguntas comuns que os pais têm sobre vacinas.

Há dois dias recebi um email de boas-vindas do professor, informando que em cada uma das quatro (ou cinco) semanas do curso terei que assistir a uma série de aulas. Se for seguir o padrão de cursos anteriores, as aulas serão oferecidas no formato de vídeos curtos. Outra exigência é que eu participe de fóruns de discussão que serão monitorados pelo professor e por seu assistente (teacher assistant, da sigla em inglês TA).

Ao final de cada sessão, terei que responder a questões de múltipla escolha. Depois conto aqui no blog como foi a experiência.

Aproveito para divulgar um evento sobre MOOC, organizado pela Universidade de Harvard, que será transmitido ao vivo pela internet na próxima terça-feira, 19 de junho, 1:30 pm, horário de Brasília (aqui).

Listo abaixo outros cursos oferecidos pelo Coursera (todos em inglês). Qualquer pessoa pode se inscrever!

Início dia 25 de junho:

Health Policy and the Affordable Care Act
Prof. Ezekiel Emanuel, University of Pennsylvania, 8 weeks
https://www.coursera.org/course/healthpolicy

Fundamentals of Pharmacology
Prof. Emma Meagher, University of Pennsylvania, 4-5 weeks
https://www.coursera.org/course/pharm101

Vaccines
Paul Offit, MD, University of Pennsylvania, 4-5 weeks
https://www.coursera.org/course/vaccines

Início dia 23 de julho:

Fantasy and Science Fiction: The Human Mind, Our Modern World
Prof. Eric Rabkin, University of Michigan, 10 weeks
https://www.coursera.org/course/fantasysf

Internet History, Technology, and Security
Prof. Charles Severance, University of Michigan, 6 weeks
https://www.coursera.org/course/insidetheinternet

Introduction to Finance
Prof. Gautam Kaul, University of Michigan, 10 weeks
https://www.coursera.org/course/introfinance

Listening to World Music
Prof. Carol Muller, University of Pennsylvania, 7 weeks
https://www.coursera.org/course/worldmusic

Cardiac Arrest, Hypothermia, and Resuscitation Science
Prof. Benjamin Abella, University of Pennsylvania, 4-5 weeks
https://www.coursera.org/course/cardiacarrest

Em julho, data a ser confirmada:

Basic Behavioral Neurology
Prof. Roy Hamilton, University of Pennsylvania, 4-5 weeks
https://www.coursera.org/course/neurobehavior

Os cursos abaixo começaram no dia 11 de junho, mas ainda é possível se inscrever:

Algorithms: Design and Analysis, Part I
Prof. Tim Roughgarden, Stanford University, 6 weeks
https://www.coursera.org/course/algo

Cryptography
Prof. Dan Boneh, Stanford University, 6 weeks
https://www.coursera.org/course/crypto

Introduction to Sociology
Prof. Mitchell Duneier, Princeton University, 6 weeks
https://www.coursera.org/course/soc101

Nomeado o novo presidente do MIT, bom para o Brasil

No ano passado ajudei, administrativamente, na organização da Conferência Brasil-MIT. Aproveito para dizer que algumas das apresentações estão disponíveis aqui.

Fiquei impressionada com o fato de que Rafael Reif, então provost* da instituição, participou ativamente dos dois dias da conferência, anotando tudo em seu caderno.

Reif acaba de ser nomeado como presidente do MIT. Bom para o Brasil.

A coletiva de imprensa sobre o anúncio está acontecendo agora (aqui).

*a tradução de provost é reitor; aqui o provost é o braço direito do presidente de uma universidade.

 

 

Vinho, inventores e transportes

Na última quinta-feira (10), após um burocrático dia de trabalho, fui tomar vinho e ouvir sobre transporte e mobilidade (breve interrupção para dizer que venho observando os diversificados formatos dos eventos daqui, pois a ideia de discutir ciência e tecnologia em fóruns informais muito me agrada). 

Em um estúdio de TV, quatro inventores, todos com passagem pelo MIT e fundadores de empresas com foco em mobilidade, falaram brevemente. Uma espécie de talk-show ao vivo.

Christina Lampe-Onnerud, Tod Hynes, Ben Gulak e Anna Mracek Dietrich

Christina Lampe-Onnerud, fundadora da empresa Boston-Power, foi a primeira a falar. Em operação há sete anos, sua empresa já conseguiu 360 milhões de dólares em financiamento. Ela disse que fundou a Boston-Power com a missão de criar baterias que fossem portáteis, de rápido carregamento (bastam 12 minutos para obter 40% de recarregamento) e seguras, tendo em mente a CSR (corporate social responsability). Primeiro cliente? HP.

Persuasiva, Christina ressaltou que a invenção em si, bateria, não é nova, mas que a grande inovação foi usar o conceito de blocos de construção, inspirados nos legos com os quais brincava com seus filhos (mais sobre a plataforma aqui). “O que acontece se você der uma peça de lego de energia para engenheiros?”, perguntou. A empresa possui 158 patentes em química, engenharia mecânica e eletrônica e agora está voltada ao desenvolvimento de baterias com alta eficiência energética para veículos elétricos.

Tod Hynes, presidente da XL Hybrids, descreveu a tecnologia desenvolvida pela empresa para converter veículos de carga, como vans e caminhões, em híbridos elétricos, levando a uma redução de 20% nos custos com combustíveis e na emissão de poluentes (mais sobre a tecnologia aqui). Eles conseguiram até agora 4 milhões de dólares em financiamento e pretendem lançar o produto nas principais cidades norte-americanas em meados deste ano.

Quem falou em seguida foi Ben Gulak, inventor do Uno e do DTV Shredder. Gulak, que cresceu no mundo da engenharia, disse que em determinado momento pensou: por que não construir um veículo elétrico que mude de forma enquanto se locomove? Assim surgiu o Uno, resultado de um projeto para feira de ciências enquanto cursava o último ano do ensino médio.

Em velocidades baixas, o Uno é um monociclo e, conforme a velocidade aumenta, vira uma motocicleta. Uma das vantagens de poder compactar o transformer é a facilidade de estacioná-lo. O vídeo abaixo mostra um teste do Uno nas ruas próximas ao MIT.

A última invenção da noite foi apresentada por Anna Mracek Dietrich, uma das fundadoras da empresa Terrafugia. Anna e sua equipe vêm recebendo uma enorme atenção da mídia desde o lançamento do carro voador, resultado de projeto de alunos do Departamento Aeroastro e da escola de negócios do MIT.

Imagine a seguinte cena: você sai da garagem com o seu carro (que tem placa e está dentro da lei para dirigir na cidade), passa no posto para abastecer, pega a estrada em direção a um aeroporto regional. Chegando ao aeroporto, você desliga o carro e aciona os comandos para que as asas do seu carro se estendam, o que demora 40 segundos. Você desce do carro, que agora é um avião, faz o protocolo operacional padrão de checagem e está tudo pronto para a sua decolagem.

Anna defende a utilização do carro voador em viagens regionais, com distâncias entre 160km-800km, cujas rotas normalmente não são bem atendidas pelos sistemas de transporte tradicionais. Ela comentou que os aeroportos regionais são subutilizados e não têm infraestrutura de estacionamento, táxis ou sistemas de transporte público interligados. Por isso o carro voador (ou avião que é convertido em carro) é uma boa saída, disse.

Conseguir dinheiro não tem sido fácil e os financiamentos da Terrafugia têm vindo basicamente de fontes individuais.

Christina levou a fábrica da Boston-Power para a China (e recebeu uma avalanche de críticas). Anna disse que foi convidada a montar a fábrica da Terrafugia em Detroit e que não conseguiu incentivo para ficar aqui em Massachusetts.

Sobre as tendências futuras em transporte, eles destacaram os sistemas integrados de energia (por exemplo, a energia gerada em casas como fonte de energia para os sistemas de transporte) e se mostraram preocupados com as mudanças climáticas. Gulak parece mesmo estar interessado em veículos lunares. Mais um representante da iniciativa privada invadindo a exploração espacial (aqui).

O evento foi organizado pela Redstar Union.

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