Antes de tudo virar cinza novamente, um vermelho forte que começa lá de cima. Dentro da mata, um ama

Antes de tudo virar cinza novamente, um vermelho forte que começa lá de cima.

Dentro da mata, um amarelo de ofuscar nossas vistas.

Aos poucos, o chão vai se colorindo.

 Outono faz bem para os olhos.

Antes de tudo virar cinza novamente, um vermelho forte que começa lá de cima. Dentro da mata, um ama

Antes de tudo virar cinza novamente, um vermelho forte que começa lá de cima.

Dentro da mata, um amarelo de ofuscar nossas vistas.

Aos poucos, o chão vai se colorindo.

 Outono faz bem para os olhos.

Morto ou Vivo? Exposição no MAD, em Nova York

Mosaicos feitos com asas de baratas? Crânios montados com ervas e temperos? Esqueleto de vaca como estrutura de uma motocicleta? Chifres cravejados com cristais? Escultura de lentilhas vermelhas em meia-calça?

Sim, vi tudo isso no último sábado. Caminhei pelos dois andares da exposição “Morto ou Vivo”, no Museu de Arte e Design de Nova York, observando atentamente as obras de arte criadas com sementes, galhos, ossos, carapaças, penas, pêlos, entre outros. Ao usar materiais antes vivos, os artistas procuram fazer uma ponte entre vida e morte.

Certas obras causaram espanto. Outras, repulsa. Esqueletos de espécies extintas montados com ossos de frangos – usados por cadeias de fast food – fazem pensar (obra da artista Christy Rupp).

Elegância, leveza e delicadeza também estiveram presentes. Dentes-de-leão suspensos no ar. Pintura da Dinastia Song recriada por Xu Bing, usando sombras e detritos vegetais. O designer e artista Ango Design usou 12 mil casulos de bichos-da-seda para montar sua obra Eight Thousand Miles of Home, assim chamada pela estimativa de que há 8 mil milhas de filamentos na “luminária” criada (veja entrevista com Design aqui).

É possível ver todas as obras da exposição no site do MAD (aqui), assim como entrevistas com alguns artistas. O roteiro voltado para professores fornece várias informações interessantes (aqui). 

E para terminar o fim de semana arte/natureza, uma visita à instalação de Patrick Dougherty, no Jardim Botânico do Brooklyn. Chocante!

Natural History (2010), de Patrick Dougherty, no Jardim Botânico do Brooklyn, NY.

Germaninho Coelho, você sempre estará vivo nas raízes dos manguezais e nos caranguejos azuis da Praia dos Carneiros.

Mulheres na ciência: pelejando, aos poucos as desigualdades diminuem

Pelejar* foi o verbo que me veio à cabeça assim que terminei a visita à exposição “Tell her to go to it”, que conta as trajetórias de algumas mulheres no MIT.

“Women’s Laboratory” (MIT), fundado em 1876.

Capítulos de uma árdua batalha para que mulheres pudessem participar dessa tal de ciência e tecnologia. Como? Por meio de muita insistência, quebras de preconceitos, persistentes passos firmes. Primeiro, brigando pelo direito de frequentar aulas, então exclusivas para homens. Depois veio a luta por espaço, moradia, cargos administrativos e acadêmicos. Alguns destaques:

1867: seis anos após a inauguração do MIT, Anita Tyng e Rebecca Shepard escreveram uma carta à instituição pedindo que frequentassem aulas de química. Receberam a seguinte resposta: “Não podemos atender ao pedido sem gravemente constranger a organização do laboratório e outros departamentos (…)”.

1870: Ellen Swallow Richards é admitida no MIT como estudante especial e foi a primeira estudante mulher da instituição. Ela conseguiu entrar após muita insistência, pedindo ao professor que só a julgasse depois que acompanhasse seu rendimento. Deu certo!

1876: Ellen Swallow ajuda a fundar o “Women’s Laboratory” (foto) para formação de mulheres em Química.

1930: Mulheres começam a frequentar cursos de pós-graduação no MIT.

1963: criado dormitório exclusivo para mulheres (McCormick Hall), no campus do MIT.

1951: mulheres começam a assumir cargos administrativos e acadêmicos no MIT.

2004: Susan Hockfield é eleita presidenta da instituição. Primeira mulher e primeira representante das ciências da vida a assumir tal cargo.

Como destacou o Professor Manoel Barral em seu blog, atualmente há mais doutoras do que doutores formados no Brasil e nos Estados Unidos (aqui), mas mulheres ainda encontram dificuldade na ciência (aqui).

Conclusão? Pelejando as desigualdades diminuem.

A exposição foi aberta no mês passado e ficará até dezembro na pequena e preciosa Maihaugen Gallery, no campus do MIT.

*“Eu pelejei para arrumar umas mangas de vez para fazer um doce para você, mas não consegui, minha filha”, dizia meu vô Jorge. E ele pelejava mesmo, tentava, lutava, batalhava para satisfazer seus netos com… bolo de espinafre com banana, marmelada de Luziânia em caixinha de madeira, e por aí vai.

Bactérias foram destaque da cerimônia de premiação do Ig Nobel

Participei ontem da 20a cerimônia de premiação do Ig Nobel. Satirizando o aclamado Prêmio Nobel, a equipe do Annals of Improbable Research (AIR) homenageia, todos os anos, pesquisas que fazem rir, e, em seguida, pensar. Os dez vencedores de 2010 (veja lista abaixo) foram anunciados durante a cerimônia no teatro Sanders (lindo!), que fica no campus da Universidade de Harvard. A intenção de tal premiação é celebrar o inusitado e estimular o interesse do público por ciência, medicina e tecnologia.

Este ano o tema foi “bactérias”. Marc Abrahams, editor do AIR, me disse que eles procuram escolher temas cujos nomes as pessoas reconheçam, mas que nunca param para pensar sobre o assunto. “Você, por exemplo, está coberta de bactérias”, disse.

Antes da cerimônia oficial começar, tais microrganismos foram homenageados com um concerto de piano “bactérias patogênicas”, acompanhado por um “coro bacteriano”. Conforme a pianista tocava, crescia a lista de bactérias listadas na tela, presentes na boca, pele, intestinos delgado e grosso de humanos.

Palco lotado, bagunça organizada. Os vencedores entraram no palco segurando uma corda, como as crianças que saem a passeio com a escola. Mais um tributo às bactérias: as gêmeas Evelyn Evelyn cantaram uma música composta exclusivamente para o evento, descrevendo vários nomes científicos de bactérias.

Richard Losick, professor da Universidade de Harvard, proferiu um curtíssimo discurso que, a meu ver, deveria ter sido o tom das homenagens às bactérias. Losick ressaltou que vivemos em perfeita harmonia com zilhões de bactérias espalhadas pelo nosso corpo, descreveu a importância delas para o desenvolvimento do nosso sistema imune e suas influências em nossas emoções. “Somos mais bactérias que humanos? Foi você quem decidiu vir aqui hoje à noite ou foram suas bactérias?” Risadas por todo lado!

Richard Losick, professor da Universidade de Harvard

Até ópera bacteriana teve, descrevendo a saga de uma bactéria que vive no dente de uma mulher. Além de contar sobre a convivência com vizinhos, e da invenção de um telescópio por galileococos – possibilitando que as bactérias vissem que os humanos são cobertos por bactérias -, houve até uma explicação sobre a formação de biofilmes (stand on the shoulders of giant piles of bacteria).

Os ganhadores do IgNobel receberam o prêmio das mãos de cientistas laureados com o verdadeiro Prêmio Nobel: Sheldon Glashow (Física, 1979), Roy Glauber (Física, 2005), Frank Wilczek (Física, 2004), James Muller (Paz, 1985) e William Lipscomb (Química, 1976), que este ano completará 91 anos de idade.

Impressionou vê-los no palco, totalmente entregues às brincadeiras e participando de tudo: varrendo os aviões de papel do chão, vestindo sutiã e carregando bactérias gigantes de pelúcia. Hilário.

Uma forma de divulgação científica repleta de risos!

Frank Wilczek, James Muller e Sheldon Glashow segurando bactérias de pelúcia 

Roy Glauber varrendo os aviões de papel, tradição do Ig Nobel.

Aí vai a lista dos ganhadores do Ig Nobel 2010:

Obs: o interessante é comparar a descrição do prêmio com o título do trabalho original

Engenharia

– “Pelo aperfeiçoamento de um método de limpar secreção nasal de baleias usando um helicóptero guiado por controle remoto”

– Karina Acevedo-Whitehouse, Agnes Rocha-Gosselin e Diane Gendron, cientistas do Reino Unido e do México

– Trabalho publicado no periódico científico Animal Conservation (resumo aqui). O título do trabalho fala sobre uma ferramenta não-invasiva para monitoramento de doenças em baleias e sua importância para programas de conservação.

Medicina

– “Pela descoberta de que os sintomas da asma podem ser tratados com uma volta numa montanha-russa”

– Simon Rietveld; Ilja van Beest, cientistas holandeses

– Trabalho publicado na Behaviour Research and Therapy (resumo aqui). O título original afirma que estresse emocional positivo interfere com a percepção da dispnéia.

Planejamento de transporte

– “Pelo uso de micetozoários (microrganismos que parecem “lodo”) para determinar rotas ideais de malhas ferroviárias”

– Grupo de cientistas japoneses e Dan Bebber e Mark Fricker (Reino Unido)

– Trabalho publicado na Science (resumo aqui). 

Física

– “Pela demonstração de que em calçadas com camadas de gelo, durante o inverno, as pessoas escorregam e caem muito menos se vestirem a meia do lado de fora de seus sapatos”

– Lianne Parkin, Sheila Williams e Patrícia Priest, cientistas da Nova Zelândia

– Trabalho publicado na New Zeland Medical Journal (resumo aqui). Título original vai na linha da prevenção de quedas de inverno: teste randomizado e controlado de uma nova intervenção.

Paz

– “Pela confirmação da crença de que falar palavrão alivia dores”.

– Richard Stephens, John Atkins e Andrew Kingston, cientistas do Reino Unido

– Trabalho publicado na Neuroreport (resumo aqui)

Saúde Pública

– “Pela determinação experimental de que micróbios ficam aderidos às barbas de cientistas”

– Manuel Barbeito, Charles Mathews e Larry Taylor, pesquisadores do Industrial Health and Safety Office, nos Estados Unidos

– Trabalho original publicado em 1967 na Applied Microbiology (resumo aqui).

Química

– “Pela contestação da velha crença de que óleo e água não se misturam”

– Eric Adams (MIT), Scott Socolofsky (TAMU, Texas) e Stephen Masutani (Hawai)

– Relatório (resumo aqui).

Gestão

– “Pela demonstração matemática de que organizações seriam mais eficientes se promovessem pessoas ao acaso”

– Alessandro Pluchino, Andrea Rapisarda, Cesare Garofalo, cientistas italianos

– Artigo publicado na Physica A (resumo aqui)

Biologia

“Pela documentação científica de felação em morcegos”

– Cientistas chineses e Gareth Jones da Universidade de Bristol (Reino Unido)

– Artigo publicado originalmente na PLoS One (artigo aqui)

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