Recria vida, cria catapulta

Jack W. Szostak foi laureado com o Prêmio Nobel em Fisiologia e Medicina em 2009, juntamente com Elizabeth H. Blackburn e Carol W. Greider, “pela descoberta de como os cromossomos são protegidos pelos telômeros e pela enzima telomerase”.

Professor da Universidade de Harvard (aqui), Szostak estuda a origem da vida, tentando simular como poderia ter sido o ambiente químico primordial. Ele faz isso, por exemplo, construindo células sintéticas em seu laboratório.

Não é só célula que ele constrói. Deem uma olhada abaixo onde que eu o encontrei hoje à tarde, em um ensolarado domingo em Cambridge.

Szostak participa de uma competição de catapultas

Szostak preparando a catapulta

Szostak arruma a catapulta

A nova casa do “Pó de Imburana”

O “Pó de Imburana” foi lançado lá no Tumblr em março de 2010 e hoje renasce aqui na rede ScienceBlogs Brasil. Para mim é uma honra ser vizinha de blogs que venho acompanhando há anos e que são, a meu ver, veículos importantes que promovem uma divulgação científica responsável. Ficou muito sério, mas é verdade!

Já me falaram que o nome “Pó de Imburana” é bom para blog de cultura, e não de ciência. A ideia de trocar de nome por conta da mudança de casa durou só uns cinco segundos, ainda bem. Não, eu não poderia abandonar a homenagem ao meu avô paterno nem tampouco deixar de reverenciar o nosso belo Cerrado (saiba mais de onde veio o nome clicando aqui).

Lancei o “Pó” como uma forma de compartilhar o que venho aprendendo sobre ciência, tecnologia e inovação aqui em Cambridge, nos Estados Unidos, onde moro atualmente. Para chegar até Boston saindo daqui é só atravessar o rio Charles.

Além de agregar em um espaço relativamente pequeno inúmeras universidades importantes como MIT (Massachusetts Institute of Technology), Harvard, Boston University, Tufts, entre tantas outras, a região abriga vários museus, institutos de pesquisa e empresas de alta tecnologia (Akamai, Genzyme, E Ink, Novartis etc). Há, com isso, um ecossistema riquíssimo de descobertas, discussões, desenvolvimentos, inovações, criações, como escrevi lá no primeiro post do blog.

Tenho escrito aqui no “Pó” – que tem uma certa cara de diário – sobre eventos (Dean Kamen, IgNobel2010) e exposições (MIT150) que frequento, reportagens de ciência que saem na mídia norte-americana (deixe-me ir), assim como certas elucubrações muitas vezes sem sentido (auster, suco azul, pato). Tenho certa fixação por capas de periódicos científicos (Cell, Bandeira) e procuro, por pura curiosidade, saber o que pesquisam os brasileiros que estão por aqui (burd, vídeo, catarata). Dá para perceber que as pautas do “Pó” não se restringem ao que acontece na região da grande Boston.

Reafirmo o meu entusiasmo em poder colaborar com os demais blogs da rede para divulgar a ciência. Não precisar usar um título distorcido para atrair cliques, poder escrever sem limite de espaço e sobre o tema que der na telha isso tudo tem para mim um valor enorme.

Bem-vindos, novamente, ao “Pó de Imburana”!

Ontem, em um dos corredores do MIT.

Ontem, em um dos corredores do MIT.

Grupo do MIT Media Lab coloca tecnologias em lugares inesperados

O monstro da foto abaixo, carinhosamente batizado de Cocuruto, foi criado pela minha filha Carol no mês passado durante um workshop no Media Lab (MIT).

Ela passou um fim de semana cercada de tecidos, feltros, agulhas, linhas condutoras, luzes, motores e sensores, aprendendo noções de programação – usando o ModKit – para construir uma criatura que respondesse aos comandos por ela imaginados. De acordo com o nível de pressão nas orelhas do Cocuruto, ele treme. 

Monstro criado e costurado durante workshop no Media Lab (MIT).

Organizado pela pesquisadora Leah Buechley e voltado aos estudantes do ensino fundamental e médio, o workshop “monstros interativos” faz parte de um estudo que tem como objetivo entender como novas ferramentas que mesclam tecnologia e artesanato podem impactar a aprendizagem e engajamento de alunos em trabalhos manuais, arte, ciência, tecnologia e engenharia, segundo consentimento que assinei autorizando a participação da Carol.

Leah, líder do grupo High-Low Tech (aqui), vem trabalhando com a ideia de que há diferentes maneiras de ajudar variados grupos de pessoas a se apaixonar por tecnologia, por criar e construir, ao invés de consumir. Ela é graduada em física e fez seu mestrado e doutorado em ciências da computação.

Colocando tecnologias em lugares inesperados e em novos contextos como papeis, tecidos, cerâmica, roupas etc, Leah tem acompanhado o uso criativo, em diversos locais do mundo, dos kits criados em seu laboratório.

Os exemplos são vastos (aqui) e vão desde vestido bordado com detectores que acendem de acordo com o nível de monóxido de carbono no ambiente (e fashion ainda!), passando por escultura de cerâmica pintada com tintas condutoras que acendem seguindo o padrão determinado pelo artesão e esculturas de papel com módulos eletrônicos que brilham.

Com as ferramentas corretas, novos grupos de pessoas podem participar de atividades onde a tecnologia está envolvida, disse Leah no vídeo abaixo.


Onde achar o material necessário para a costura tecnológica:

http://www.sparkfun.com/commerce/categories.php?c=135

http://www.aniomagic.com

http://www.sparkfun.com/

Tutoriais online:

Emily’s E-Sewing guide: http://web.media.mit.edu/~emme/guide.pdf

High-Low Tech tutorials: http://hlt.media.mit.edu

Other great tutorials: http://www.instructables.com/

Hannah’s How To Get What You Want site: http://www.kobakant.at/DIY/

Onde compartilhar projetos online:

LilyPond: http://lilypond.media.mit.edu/

Flickr group: http://www.flickr.com/groups/lilypad_arduino/

Desejo aos leitores do “Pó” um instigante, próspero e excepcional 2012. Que possamos, ju

Desejo aos leitores do “Pó” um instigante, próspero e excepcional 2012. Que possamos, ju

Conheça as linhas de pesquisa de brasileiros em Boston

De tempos em tempos, um grupo de cientistas/pesquisadores/estudantes brasileiros que moram em Boston se reúne para:

– conhecer o que nossos compatriotas estudam, pesquisam, criam; 

– estabelecer rede de contatos; 

– discutir temas de interesse comum.

Durante o nosso último encontro, que aconteceu no dia 2 de dezembro, contamos com a participação de brasileiros que estão atualmente no MIT, Harvard, Tufts e Boston University.

Nossos palestrantes foram: Renato Mikio (Engenharia), Jonilson Berlink (Imunologia) e Anna Penido (Jornalista). Aí vai o vídeo (o primeiro de uma série, assim espero):

[email protected] [email protected] em Boston – vídeo 1 from Pó de Imburana on Vimeo.

Tatuagens para divulgar ciência

(texto publicado originalmente no blog da Sociedade Brasileira de Imunologia)

O casal que sentou ao meu lado para assistir à palestra do Carl Zimmer na última quarta-feira (13) estava orgulhoso de ver a tatuagem de seu filho publicada no livro Science Ink, produção mais recente do aclamado divulgador de ciência.

O Sr imediatamente me pediu que abrisse o livro na página 105, onde aparece uma escada de DNA – reprodução de uma eletroforese – estampada no braço de Ben Ewen-Campen, aluno de pós-graduação em Biologia Evolutiva na Universidade de Harvard.

Pedi um autógrafo, claro.

Zimmer começou sua apresentação no Museu de História Natural de Harvard dizendo que qualquer aspecto da vida o fascina e que “há várias maneiras de ensinar biologia e ciência em geral”.

Além de ter escrito vários livros de divulgação científica, Zimmer participa de programas de rádio, publica com frequência no New York Times e é blogueiro (aqui).

Em sua constante interação com cientistas, certo dia ele reparou uma tatuagem no ombro do neurocientista Sandeep Robert Datta (aqui): um trecho de DNA que codifica as inicias de sua esposa (EEE). “Isso é que é amor geek”, disse Zimmer.

Em seguida ele lembrou de outros cientistas tatuados e resolveu publicar em seu blog uma foto da tatuagem de Datta. A partir daí, Zimmer começou a receber mensagens de cientistas do mundo inteiro contando sobre suas tatuagens e resolveu, há pouco mais de um ano, organizá-las em um livro, publicado no mês passado pela Sterling New York.

A ideia é usar as tatuagens e suas histórias como mais uma ferramenta de divulgação científica. As imagens vêm acompanhadas de uma breve e interessante descrição do conceito científico ali estampado, divididas nos seguintes blocos temáticos: matemática, física, química, astronomia, ciências da terra, DNA, Darwin, paleontologia, evolução, história natural, humanidades e neurociência.

Seguem alguns exemplos: fórmula da serotonina (“meu neurotransmissor favorito”), extinção dos dinossauros, bicos dos tentilhões como tributo ao Darwin, muita física quântica, muito DNA, e por aí vai. Consegui achar um brasileiro no livro, o geneticista Dônovan Ferreira Rodrigues. Rodrigues tatuou em suas costas a famosa frase de Isaac Newton: “se vi mais longe foi porque me apoiei sobre ombros de gigantes”.

Galerias de imagens estão disponíveis aqui e aqui.

Algum imunologista leitor do blog tem tatuagem reverenciando a ciência?

Qual tatuagem imunológica vocês fariam? Eu estamparia na minha pele uma versão simplificada e estilizada da recombinação VDJ, o lindo fenômeno que despertou o meu interesse pela imunologia nos tempos da graduação.

Parece um arranjo de flores, mas são grupos de células humanas neurais derivadas de células-tronco d

Parece um arranjo de flores, mas são grupos de células humanas neurais derivadas de células-tronco d

Bem que a guarda costeira norte-americana avisou para os curiosos ficarem longe do grupo de baleias

Bem que a guarda costeira norte-americana avisou para os curiosos ficarem longe do grupo de baleias

Artigo científico nasce de desafio lançado pelo Departamento de Defesa norte-americano

Pesquisadores do Media Lab, no MIT, estão em busca de estratégias para mobilização social em massa. Qual é a melhor maneira de envolver milhões de pessoas em situações como respostas a desastres e estímulo a atividades físicas?

O grupo, liderado por Alex “Sandy” Pentland, acaba de publicar um artigo na Science (infelizmente não é open access) sugerindo que o segredo é achar os incentivos corretos.

A pesquisa resultou de um desafio lançado em 2009 pelo Departamento de Defesa norte-americano.

Dez balões vermelhos foram suspensos em diferentes locais fixos nos Estados Unidos. O primeiro grupo que identificasse onde estavam os balões, usando redes sociais, ganharia 40 mil dólares.

Crédito imagem: DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency).

Em pouco menos de nove horas, um time do MIT – competindo com outros 100 -, desvendou as coordenadas dos balões, usando a estratégia de espalhar a informação e ao mesmo tempo incentivar os indivíduos a participarem.

O incentivo veio em forma de dinheiro: 2 mil dólares para quem encontrasse um balão, mil dólares para a pessoa que tivesse convidado o ganhador, 500 para quem convidou o que convidou o ganhador, e assim por diante.

Analisando as estratégias adotadas por outros times, os pesquisadores do MIT relataram no artigo da Science que o altruísmo não foi o incentivo ideal neste caso. O time que ficou em segundo lugar conseguiu um número limitado de tweets prometendo que o dinheiro seria doado para a Cruz Vermelha (ou será que o problema foi o destino da doação?).

Começar com uma grande comunidade de seguidores no Twitter também não foi o determinante do sucesso. Dois times que contavam com um grande número de seguidores já estabelecido causaram uma primeira explosão de tweets, mas não conseguiram sustentar sua presença na rede social.

Sem generalizações, é claro. Certamente os incentivos mudam de acordo com a causa. 

Agora o Departamento de Defesa norte-americano lançou um novo desafio: reconstruir documentos rasgados (aqui). Será que vai render artigo científico?

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