Tatuagens para divulgar ciência

(texto publicado originalmente no blog da Sociedade Brasileira de Imunologia)

O casal que sentou ao meu lado para assistir à palestra do Carl Zimmer na última quarta-feira (13) estava orgulhoso de ver a tatuagem de seu filho publicada no livro Science Ink, produção mais recente do aclamado divulgador de ciência.

O Sr imediatamente me pediu que abrisse o livro na página 105, onde aparece uma escada de DNA – reprodução de uma eletroforese – estampada no braço de Ben Ewen-Campen, aluno de pós-graduação em Biologia Evolutiva na Universidade de Harvard.

Pedi um autógrafo, claro.

Zimmer começou sua apresentação no Museu de História Natural de Harvard dizendo que qualquer aspecto da vida o fascina e que “há várias maneiras de ensinar biologia e ciência em geral”.

Além de ter escrito vários livros de divulgação científica, Zimmer participa de programas de rádio, publica com frequência no New York Times e é blogueiro (aqui).

Em sua constante interação com cientistas, certo dia ele reparou uma tatuagem no ombro do neurocientista Sandeep Robert Datta (aqui): um trecho de DNA que codifica as inicias de sua esposa (EEE). “Isso é que é amor geek”, disse Zimmer.

Em seguida ele lembrou de outros cientistas tatuados e resolveu publicar em seu blog uma foto da tatuagem de Datta. A partir daí, Zimmer começou a receber mensagens de cientistas do mundo inteiro contando sobre suas tatuagens e resolveu, há pouco mais de um ano, organizá-las em um livro, publicado no mês passado pela Sterling New York.

A ideia é usar as tatuagens e suas histórias como mais uma ferramenta de divulgação científica. As imagens vêm acompanhadas de uma breve e interessante descrição do conceito científico ali estampado, divididas nos seguintes blocos temáticos: matemática, física, química, astronomia, ciências da terra, DNA, Darwin, paleontologia, evolução, história natural, humanidades e neurociência.

Seguem alguns exemplos: fórmula da serotonina (“meu neurotransmissor favorito”), extinção dos dinossauros, bicos dos tentilhões como tributo ao Darwin, muita física quântica, muito DNA, e por aí vai. Consegui achar um brasileiro no livro, o geneticista Dônovan Ferreira Rodrigues. Rodrigues tatuou em suas costas a famosa frase de Isaac Newton: “se vi mais longe foi porque me apoiei sobre ombros de gigantes”.

Galerias de imagens estão disponíveis aqui e aqui.

Algum imunologista leitor do blog tem tatuagem reverenciando a ciência?

Qual tatuagem imunológica vocês fariam? Eu estamparia na minha pele uma versão simplificada e estilizada da recombinação VDJ, o lindo fenômeno que despertou o meu interesse pela imunologia nos tempos da graduação.

Sobre comidas azuis

A mãe abriu um saco de papel, entregou uma coxinha para sua filha e, para acompanhar, nada melhor do que suco, certo? Mas o suco precisava ser azul?

Presenciei essa cena em uma visita recente ao Consulado brasileiro em Boston e me lembrei de uma discussão antiga na minha família, levantada pela minha irmã: por que abominamos comidas azuis? A repulsa não se explica apenas por conta da artificialidade, pois não gosto dos sucos artificiais alaranjados mas adoro o suco de tangerina do restaurante Pitanga em São Paulo. Não tomo gatorade verde mas não resisto a um suco de couve com laranja.

A teoria da minha irmã é que não gostamos de comer nem beber coisas azuis pois não há comida azul na natureza. Segundo ela, blueberry (mirtilo, em português) e batatas azuis são, na verdade, roxas.

Aí me lembrei de uma vez em que fui ao Museu de História Natural de Harvard e ouvi Hillery Metz explicar que, na maioria dos animais, a cor azul não é produzida por pigmentos azuis, e sim por luz azul refletida por estruturas microscópicas que formam sulcos, camadas finas, bolhas de ar. Ou seja, diferentes comprimentos de onda são refletidos dependendo da maneira como essas estruturas se organizam; são as chamadas cores estruturais. Metz é pós-graduanda da universidade de Harvard.

Fui pesquisar se os azuis das plantas são produzidos assim também. Sim, há cores estruturais em plantas, embora seja uma área ainda pouco explorada pelos pesquisadores, segundo trabalho publicado por Beverley Glover e Heather Whitney no Annals of Botany (aqui). Mas há pigmentos azuis em plantas, como é o caso da antocianina.

Bom, continuo sem saber explicar a repulsa a comidas azuis. Alguma pista?

Sobre comidas azuis

A mãe abriu um saco de papel, entregou uma coxinha para sua filha e, para acompanhar, nada melhor do que suco, certo? Mas o suco precisava ser azul?

Presenciei essa cena em uma visita recente ao Consulado brasileiro em Boston e me lembrei de uma discussão antiga na minha família, levantada pela minha irmã: por que abominamos comidas azuis? A repulsa não se explica apenas por conta da artificialidade, pois não gosto dos sucos artificiais alaranjados mas adoro o suco de tangerina do restaurante Pitanga em São Paulo. Não tomo gatorade verde mas não resisto a um suco de couve com laranja.

A teoria da minha irmã é que não gostamos de comer nem beber coisas azuis pois não há comida azul na natureza. Segundo ela, blueberry (mirtilo, em português) e batatas azuis são, na verdade, roxas.

Aí me lembrei de uma vez em que fui ao Museu de História Natural de Harvard e ouvi Hillery Metz explicar que, na maioria dos animais, a cor azul não é produzida por pigmentos azuis, e sim por luz azul refletida por estruturas microscópicas que formam sulcos, camadas finas, bolhas de ar. Ou seja, diferentes comprimentos de onda são refletidos dependendo da maneira como essas estruturas se organizam; são as chamadas cores estruturais. Metz é pós-graduanda da universidade de Harvard.

Fui pesquisar se os azuis das plantas são produzidos assim também. Sim, há cores estruturais em plantas, embora seja uma área ainda pouco explorada pelos pesquisadores, segundo trabalho publicado por Beverley Glover e Heather Whitney no Annals of Botany (aqui). Mas há pigmentos azuis em plantas, como é o caso da antocianina.

Bom, continuo sem saber explicar a repulsa a comidas azuis. Alguma pista?

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