A música de Ana

Lembra da banda Silverchair, que fez muito sucesso no final dos anos 90 e início dos 2000? E de um dos seus principais hits, que se chamava “Ana’s Song (Open Fire)”? Pra refrescar a sua memória, vou deixar o clipe aqui pra você dar uma ouvida enquanto lê o resto do post:

Letra da música: Vagalume

O que nem todo mundo sabe é que esta música foi escrita pelo vocalista da banda, Daniel Johns, para o seu transtorno mental. Pois é, a “Ana” a quem ele se refere não é uma pessoa, mas sim a Anorexia. Daniel começou sofreu do transtorno desde maio de 1996 até aproximadamente o ano 2000. Na anorexia, a pessoa sente que está gorda e faz de tudo para emagrecer cada vez mais. Em uma entrevista, Daniel relatou que comia “apenas o suficiente para ficar acordado”.

” A comida era o inimigo. Eu odiava a sua aparência, o cheiro. Se alguém começasse a falar sobre isso, eu saía da sala.”

Uma curiosidade sobre os transtornos alimentares é que eles raramente aparecem “sozinhos”: muitas vezes eles estão acompanhados de sintomas de ansiedade, depressão, baixa autoestima ou problemas sociais e familiares. Com Daniel não foi diferente, ele teve crises de depressão e chegou a considerar o suicídio em alguns momentos.

Embora tenha buscado tratamento medicamentoso e psicoterápico, Daniel relatou que a melhor maneira dele se expressar era escrevendo músicas. Atualmente a banda Silverchair não existe mais, tampouco o transtorno de Daniel, que segue vivendo da música em carreira solo.

“Eu não sei como saí dessa. Eu acho que me assustei de verdade na segunda ou terceira vez que um médico disse para mim que eu estava morrendo.”

Fontes: Wikipedia e SMH.

Como as drogas interferem na percepção do tempo

Este vídeo incrível da BBC mostra dois ratinhos sob efeitos de diferentes drogas e como elas interferem na realização de uma tarefa. O objetivo dos pesquisadores era investigar como a droga interfere na percepção temporal do rato.

O experimento é bem simples: primeiro os ratos são treinados a pressionar uma barra após exatos 12 segundos, ganhando assim uma porçãozinha de comida. Para o teste realizado, um rato foi injetado com substâncias da maconha, outro com cocaína e um terceiro com salina (que não produz efeito nenhum).

O rato injetado com salina continuou fazendo o mesmo trabalho de sempre, pressionando a barra a cada 12 segundos. O injetado com cocaína, além de ter ficado um pouco hiperativo, pressionou a barra com apenas 8 segundos. E o rato injetado com a maconha pressionou a barra só após 16s.

Agora falta distinguir se o rato demorou para pressionar a barra porque teve a percepção do tempo alterada ou porque esqueceu o que tinha que fazer!

O que se conhece sobre a “cura gay”

Foi noticiado recentemente que a “cura gay” foi aprovada pela Comissão de Direitos Humanos da câmara. Alguns colegas pediram a minha opinião sobre o assunto e, portanto, resolvi expô-la aqui:

 

1. O que diz o projeto?

Na verdade este é um Projeto de Decreto, que tem como objetivo “sustar a aplicação do parágrafo único do Art. 3º e o Art. 4º, da Resolução do Conselho Federal de Psicologia nº 1/99 de 23 de Março de 1999″. O que estes artigos dizem é:

“Resolução nº 1/1999

Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.
Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4º – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.”

Um esclarecimento: este projeto suprime apenas o parágrafo único do Art. 3º, e não ele inteiro.

 

2. O que o projeto está suprimindo?

Considerando que o projeto visa sustar somente o parágrafo único do Art. 3º, então ele não dá ao psicólogo o direito de tratar a homossexualidade como doença. Também não permite ações coercitivas para orientar homossexuais ou tratamentos não solicitados. Ou seja: mesmo que este decreto seja aprovado, homossexualidade continua não sendo uma doença e ninguém vai receber tratamento de reorientação sexual contra a sua vontade.

 

3. O que o projeto está permitindo?

No entanto, suprimindo o parágrafo único do Art. 3º, o projeto permite que “psicólogos colaborem com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades”, e aí ele mesmo entra em contradição, pois se não há doença, não deveria haver cura. Entrarei em detalhes sobre estes possíveis tratamentos mais à frente.

Com relação ao Art. 4º, a supressão do mesmo acaba permitindo que os psicólogos se pronunciem publicamente de modo a “reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica”, o que é um absurdo. Mas absurdo mesmo é saber que já tem gente fazendo isso, como o pastor, psicólogo (e babaca) Silas Malafaia.

 

4. Existe tratamento de reorientação sexual?

A homossexualidade constava como transtorno mental no DSM (o manual que lista os diagnósticos psiquiátricos) até o ano de 1974, na sétima impressão da segunda edição. Antes disso, durante o desenvolvimento da psicologia, em especial a psicologia clínica, foram estudadas algumas técnicas para reorientação sexual, e alguns estudos de caso chegaram a ser divulgados na literatura científica. No entanto, nem todos obtiveram sucesso e hoje ainda não há um consenso sobre como deve ser realizada uma terapia com este objetivo.

Durante as décadas de 60 e 70 foram testadas algumas técnicas como dar choques ou medicamentos que induzem náuseas junto a imagens eróticas com o mesmo sexo. Outros métodos incluíam terapia pela fala e até mesmo eletroconvulsoterapia. Em 1972, foram descritas por John Marquis algumas técnicas para o tratamento da homossexualidade¹:

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Na mesma época, em 1974, George Rekers e Ivar Lovaas² chegaram a publicar um estudo de caso intitulado “Tratamento comportamental de comportamentos de papéis sexuais desviantes em uma criança masculina“. Aparentemente eles conseguiram bons resultados, mas não há um acompanhamento a longo prazo, ou seja, não sabemos o que aconteceu com o garoto nos anos futuros.

É importante acompanhar estes casos longitudinalmente por causa de exemplos como o de Kirk Murphy, que se tornou um adolescente isolado e antisocial que acabou cometendo suicídio aos 38 anos por ~~razões desconhecidas~~.

Estes tipos de intervenção deixaram de ser feitas a partir da década de 80 e hoje não há dados suficientes que comprovem a eficácia de técnicas psicológicas para mudar a orientação de uma pessoa homossexual para heterossexual. Além disso, a Associação Americana de Psicologia fez um levantamento dos estudos sobre técnicas de reversão e chegaram a conclusão de que elas não funcionam. É importante destacar este fato, pois eu me pergunto o que psicólogos como Marisa Lobo fariam para tratar seus pacientes homossexuais. Usariam a “psicologia cristã“?

 

5. Porque sou contra o projeto:

É possível alguém mudar sua orientação sexual? Talvez sim, assim como mudamos outros hábitos no curso de nossas vidas. Mas ainda não temos evidências científicas suficientes que possam provar isso. E ainda que fosse ou venha a ser praticamente possível, seria eticamente viável?

O projeto é polêmico por permitir que psicólogos pratiquem a reorientação sexual das pessoas que busquem esse tratamento. Pior ainda, ninguém sabe como fazer isso. Uma coisa é você permitir o desenvolvimento de técnicas e pesquisas controladas para este objetivo, outra coisa é deixar os psicólogos fazerem qualquer coisa, isso só traria mais prejuízos do que benefícios à população em geral.

 

Mais informações:

Na íntegra: Projeto de Decreto Legislativo de 2011
Jornal da Globo: ‘Cura gay’ é aprovada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara
Olhar Comportamental: Psicologia Cristã, Marisa Lobo e a Psicoterapia para Homossexualidade
Olhar Comportamental: Terapia para Homossexualidade – O Trágico Caso de Kirk Murphy
Pedro Sampaio: O que a Psicologia tem a dizer sobre a homossexualidade?
ScienceDirect: 5 Things You Should Know About Gay Conversion Therapy
University of California: Facts About Changing Sexual Orientation

¹ Agradeço ao Psicólogo César A. A. Rocha pela revisão deste post e disponibilização da imagem utilizada.

² Segundo o leitor Vinícius Garcia: “Não foi o Ivar Lovaas que publicou o estudo de 1974. Ele foi coautor orientador).  O autor é um tal de George Reekers, que, além de analista do comportamento, é também ministro da Igreja Batista e ativista pela terapia da reorientação sexual. O tal Kirk Murphy, mencionado no texto, que cometeu suicídio aos 38 anos, foi justamente o sujeito do estudo do Reekers. Esse tal Reekers, em 2010, após toda uma vida dedicada a oferecer terapia de reorientação sexual, foi flagrado num aeroporto norte-americano, viajando para a Europa com um garoto de programa de 20 anos a tiracolo.”

Promoção Anatomia do Sono

O Blog Psicológico acaba de consolidar uma parceria com a Revista Mente & Cérebro. Com isso, oferecemos para todos os nossos leitores, desconto de 30% nas inscrições do evento Anatomia do Sono, um importante ponto de encontro para que sejam discutidas as novas descobertas sobre o tema. Para adquirir o desconto, basta preencher o formulário de inscrição no site www.seminariomentecerebro.com.br e, quando questionado sobre código promocional, digite duetto2013, que validaremos sua inscrição. Será um prazer recebê-los no evento!

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O quanto você se conhece?

Gil Zamora foi treinado pelo FBI e desenha retratos falados para a polícia. Neste vídeo, ele recebe uma pessoa que deve se descrever fisicamente e ele faz um retrato falado dela a partir destas descrições. Em seguida, esta pessoa é descrita por um terceiro, gerando um outro retrato.

O resultado final é surpreendente: em vários desenhos, os retratos descritos pelas próprias pessoas tinham algumas feições (principalmente as negativas) mais exageradas do que as descritas por um terceiro, ou seja, a maioria das pessoas eram críticas demais consigo mesmas. E você, também não será crítico demais consigo mesmo?

Vale a pena conferir este vídeo!

O ataque dos pombos assassinos

Dá só uma olhada nessa notícia que O Estadão publicou essa semana:

Três golfinhos treinados pelas forças especiais da Ucrânia para desarmar minas e assassinar mergulhadores inimigos fugiram da base naval de Sebastopol. Em suas missões, os amáveis cetáceos carregam facas e armas de fogo – não está claro se os “fugitivos” estavam com o armamento. Os golfinhos teriam saído a procura de pares para acasalar.

Incrível não? Até parece mentira… e é. Ela foi desmentida dois dias depois (apesar de que, segundo este site, o exército ucraniano, russo e americano treinam golfinhos e outros animais marítimos para fins militares).

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E esta nem é a primeira vez em que animais são treinados para fins militares. Na Rússia, desde 1930, cães “suicidas” foram treinados a correr em direção a tanques carregando minas e foram usados contra os alemães na IIª Guerra Mundial. O treino nem era tão complicado: eles deixavam o cão privado de alimento (ou seja, com fome) e colocavam comida debaixo de tanques. Deste modo, quando o cão estivesse com fome e visse algo parecido com um tanque, corria para debaixo dele, mesmo com uma mina de 10kg nas costas. Outros países tentaram usar procedimentos semelhantes usando cachorros mas nem sempre com o mesmo sucesso.

Ainda na 2ª Guerra, um outro projeto quase foi colocado em prática: o “Project Pigeon“, ou Projeto Pombo.

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Encabeçado por B. F. Skinner, o pai do Behaviorismo Radical, o projeto envolvia mísseis guiados por pombos. O sistema de controle funcionava mais ou menos assim: na frente dos mísseis uma lente projetava a imagem de fora em uma tela e o pombo era treinado a bicar em um alvo nesta tela (por exemplo, um tanque ou um navio). Se o pombo bicasse no centro da tela, o míssil seguia reto, e bicadas fora do centro faziam a tela se mover, fazendo o míssil mudar de direção.

Skinner recebeu fundos para seu projeto (U$25,000) e até conseguiu algum sucesso, mas sua ideia foi considerada excêntrica demais, e o projeto nunca foi colocado em prática.

Se você ficou curioso ou acha que estou mentindo, assista neste link um vídeo dos pombos em treinamento.

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