Psicológico

Psicologia e a Ciência do Comportamento Humano

Felipe Epaminondas


Psicólogo e professor na ULBRA em Itumbiara, com especialização em Psicopatologia Clínica e mestrando em Esquizofrenia na PUC-GO.

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julho 29, 2010

Beber com os amigos: está no gene?

Category: Psicologia

20100729_drinkfriends.jpg

Você é daqueles que adoram uma cervejinha no final de semana, assistindo a um jogo de futebol ou então em uma mesa de bar com os amigos? Tanto que, de vez em quando, no outro dia bate aquela dor de cabeça e você diz "nunca mais bebo desse tanto"? Bom, pelo menos agora você tem mais alguém para jogar a culpa: seus amigos.

Uma pesquisa feita na Holanda apontou que indivíduos que carregam uma variação específica de um gene (receptor de dopamina D4, ou DRD4) estão mais suscetíveis a beber mais álcool na companhia de outros bebuns, ou melhor, seus amigos que também gostam de uma cervejinha.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coletaram amostras de saliva de 60 mulheres e 53 homens que relataram beber "socialmente" e posteriormente pediram para que eles avaliassem propagandas sobre prevenção ao abuso de álcool. Entre duas sessões de 10 minutos, os participantes tinham um intervalo, em que sentavam em um bar com livre acesso a amendoins, cervejas, vinhos, refrigerantes e água mineral.

Neste intervalo eles interagiam com outra pessoa, do mesmo sexo, que eles acreditavam ser outro participante, mas que na verdade era também um pesquisador. E adivinha: quando este pesquisador só tomava refrigerante ou água, o participante com o DRD4 se limitavam a meia taça de vinho ou meia garrafa de cerveja. Quando ele ingeria bebidas alcoólicas, os portadores do gene consumiam quase dois copos de cerveja ou vinho, contra apenas um para os não portadores.

É uma pesquisa que ainda precisa de replicações e mais confirmações da hipótese, e é claro que variáveis ambientais e sociais também influenciam na ingestão de álcool, mas que ainda assim já leva a importantes discussões, como por exemplo: ninguém sabe os efeitos da DRD4 no cérebro, mas se essa correlação for confirmada, pode-se imaginar que o mesmo também ocorra com outras drogas além do álcool.

Fonte: Wired, mas vi primeiro no Mind Hacks.

julho 12, 2010

Por que Dunga não é um behaviorista (e nem o Diogo Mainardi)

Category: Behaviorismo

20100712_mainardi.jpgFiquei sabendo que o jornalista Diogo Mainardi apresentou em sua coluna na revista Veja sérios equívocos com relação ao behaviorismo e à psicologia experimental. O texo chama-se "O caso do Sr. D" e nele Mainardi tenta fazer uma comparação ao modo como o (ex) treinador da seleção Dunga trata a imprensa e os jogadores com o modo como Skinner tratava seus sujeitos experimentais animais.

Sou cuiabano, e já não ia muito com a cara do Mainardi desde 2005, quando ele disse "se alguém me oferece 10.000 reais para dar uma palestra em Cuiabá, penso imediatamente que eu aceitaria pagar 15.000 reais para não ter de ir a Cuiabá."

A última vítima de Mainardi foi o behaviorismo. O afirmação infeliz do jornalista foi:

"Dunga só pode ser nosso B. F. Skinner. Ele faz com seus jogadores precisamente o mesmo que, nos primórdios do behaviorismo, B. F. Skinner fazia com os pombos e com os macacos de seu laboratório. Primeiro, prende-os numa gaiola. Segundo, isola-os de qualquer contato com o exterior. Terceiro, raciona seus alimentos. Quarto, condiciona seu comportamento administrando-lhes choques elétricos."

Já é difícil fazer com que o público leigo (e alunos iniciantes) olhem com bons olhos ao behaviorismo, e uma das razões para isso, acredito eu, é nossa linguagem técnica e rigor experimental. Ao estudar animais em laboratório e fazer pesquisas experimentais com seres humanos podemos passar a impressão de que estamos desumanizando-o, o que não é verdade. É muito comum em vários ramos da ciência começar trabalhando com animais para depois se testar os achados em humanos. Mainardi, infelizmente, acabou ferindo a imagem dos psicólogos behavioristas.

A profª Maria Martha Hübner, juntamente a outros membros da ABPMC, escreveu um texto intitulado "Por que Dunga não é um behaviorista", mostrando que o behaviorismo e os trabalhos de Skinner não tem nada a ver com o que ele apresenta em sua coluna! Recomendo muitíssimo a leitura, inclusive dos comentários, que pode ser feita neste link. Vou deixar aqui um pequeno pedaço:

"Queremos, sim, construir um mundo mais digno. E os dados da ciência do comportamento vêm sendo profícuos em nos ensinar a como fazer isso. Mas isso depende da capacidade de nossos interlocutores superarem preconceitos históricos e ouvir o que temos a compartilhar à luz do atual desenvolvimento da Análise do Comportamento e do behaviorismo skinneriano."

maio 21, 2010

2 anos de Psicológico!

Category: Avisos

20100521_birthday.jpg

Esta semana o blog completou dois anos de existência (mais especificamente na segunda-feira, dia 17) e eu quase deixo passar a data! Mas também, esse último ano passou tão rápido!

Um ano atrás, no primeiro aniversário, eu falei um pouco da história do blog, quem tiver curiosidade só abrir o post.

Não sei bem o que dizer, só que está sendo uma ótima experiência e spero continuar escrevendo por mais alguns anos! :)

maio 19, 2010

Educar com ou sem palmadas?

Category: Psicologia

20100519_palmadas.jpgUma notícia meio que virou polêmica nos últimos dois dias no Jornal Hoje: um projeto de lei que visa proibir as chamadas "palmadas educativas". Vários profissionais deram suas opiniões no programa e, insatisfeito com todas elas, resolvi agora dar a minha.

Primeiro a pergunta clássica: palmadas funcionam? A resposta é sim. Mas não como os pais esperam. Gritos, palmadas e castigos são diferentes tipos de punição, que exercem bem sua função que é suprimir um certo comportamento indesejado da criança. Mas estas punições também tem efeitos colaterais como a eliciação de respostas emocionais negativas na criança, a supressão de outros comportamentos, o próprio punidor passa a ser visto como algo ruim, além de que a criança pode querer continuar a fazer coisas que o punidor não deixa, talvez até pelo simples ato de desafiar.

Ou seja, a criança não aprende nada, só que o punidor é um chato, que deve temê-lo e que o comportamento inadequado deve ser feito às escondidas. Daí de quem é a culpa quando o garoto cresce e foge de casa pra usar drogas?

Punimos tanto no dia a dia porque para nós ela parece funcionar a curto prazo: uma palmada faz sim com que a criança pare aquele comportamento indesejado. Mas só a punição não dá certo a longo prazo.

20100519_palmadas2.jpgAs pessoas estão vendo o problema pelo ângulo errado: a melhor maneira de se educar uma criança não é controlando o comportamento indesejado, mas sim o desejado. Ao invés de punir quando ela faz algo errado, tente reforçar aquele adequado. Quando a criança está quieta, brinca com os amigos ou faz a tarefa, os pais (e professores) devem parabenizá-la, reconhecer o trabalho bem feito, mostrar carinho, ou seja, sinalizá-la que aquele é o comportamento correto que, a longo prazo, ele certamente aumentará de frequência. Quando os comportamentos adequados aumentam de frequência sobra menos tempo para os inadequados ocorrerem.

Sim, a solução é simples assim, mas infelizmente parece que a maioria das pessoas estão acostumadas a usar apenas punição. Tanto que agora o governo quer simplesmente punir os pais que usam da força, mas planejar campanhas, cursos e workshops sobre como melhorar educação para os filhos ninguém quer fazer.

Para pais, psicólogos e curiosos recomendo a leitura: Eduque com Carinho, de Lidia Weber

maio 15, 2010

Procurando o lado bom da depressão

Category: Psicologia

A última edição da Galileu estampa na capa o texto "O lado bom da depressão", o que me fez ler a matéria. Curiosamente, em um debate com três profissionais da saúde, os três disseram não concordar que a depressão tenha um lado bom (quer dizer...).

peanuts2007.png

E realmente não tem! Acho que o que a revista quer dizer é que, no processo de superação da depressão (que geralmente envolve terapia) você pode adquirir um autoconhecimento muito grande, podendo até passar por reviravoltas na sua vida que, no fim, podem ser muito satisfatórias. Neste ponto eu concordo: a depressão não tem lado bom, mas o modo come você lida com ela pode trazer benefícios.

É por isso que defendo o uso da terapia mesmo quando a pessoa está tomando medicamentos, caso contrário é como tomar aspirina para a dor de cabeça: seu sintoma some, mas você não sabe porque ele apareceu e nem quando pode voltar.

A primeira capa da matéria diz: "Ela [a depressão] não pode ser diagnosticada por exames de sangue, detectada em chapas de raios-x ou investigada em testes de resistência física". Isso porque a depressão não é uma doença como o mal de Alzheimer ou a diabetes, mas sim um transtorno comportamental.

20100511_depression.jpgIsso quer dizer que ela se desenvolve de acordo com a maneira que lidamos com nossas dificuldades do dia-a-dia. Pode até ser que algumas pesquisas apontem indícios de predisposição genética, mas ela ainda depende do ambiente. E a própria matéria, apesar de chamar a depressão de "doença" umas mil vezes, mostra isso em seus casos relatados: primeiro uma jovem morando só em uma cidade sem emprego nem amigos, depois uma mulher que trabalhava e estudava excessivamente (e aumentou essas horas para lidar com a sensação de vazio), e em seguida um rapaz insatisfeito com o curso que havia escolhido (e para mascarar a tristeza, gastava tempo e dinheiro em compras e baladas). São situações que já trazem mal estar e, dependendo de como lidamos com elas, podemos piorar ainda mais as coisas. A desesperança vem e daí a rotulamos de depressão - o "câncer da alma".

Acho que acabei falando mais mal do que bem da matéria, mas ela é bem interessante sim! Principalmente para curiosos e pessoas que conheçam outras com o diagnóstico. Já para profissionais da área as revistas científicas são sempre preferíveis.

maio 12, 2010

Brilho eterno de uma mente com lembranças

Category: Psicologia

Está na última Galileu (maio/2010):

"Experiência mostra que é possível manipular a memória para acabar com nossos temores."


"Pioneiros" neurocientistas de Nova York induziram um medo em seres humanos: apresentaram um quadrado azul seguido de um leve choque, fazendo com que o próprio quadrado, apresentado sozinho, produzisse o medo. Bom, isso se chama condicionamento pavloviano, foi descrito por Pavlov no final do século XIX e é bem conhecido na psicologia.

"Numa segunda fase, tentamos apagar o temor que instauramos propositadamente. Para isso, (...) voltamos a mostrá-lo [o quadrado] às mesmas pessoas inúmeras vezes, só que sem os choques. Ao fazer isso, fornecemos novas informações sobre o objeto, agora não mais tão ameaçador. Conseguimos assim prevenir o retorno do medo provocado por ele."

Ora, isso também foi descrito por Pavlov e muito outro psicólogos! Este princípio é tão conhecido que deu base à técnicas de terapia como o contracondicionamento e a dessensibilização sistemática!

Só não vou falar mais do assunto porque o Neto já o fez em seu blog quando a mesma notícia apareceu na revista da FAPESP.

maio 11, 2010

Mais gorjeta para as mais bonitas

Category: Curiosidades

waitress2.JPGNo Brasil a maioria das contas de bares já vem com os 10% inclusos, mas isso não costuma acontecer lá nos EUA - são os fregueses que decidem quanto será a gorjeta. O Prof. Michael Lynn resolver estudar que fatores influenciam mais nessa escolha e parece que, no caso das garçonetes, a qualidade do serviço tem um efeito muito menor do que, por exemplo, o tamanho dos seios.

Não só o tamanho do sutiã, mas também mulheres com cabelos loiros e corpos mais bem delineados também receberam maiores gorjetas. A pesquisa foi feita ao todo com 374 garçonetes. A seleção natural diz que estas mulheres teriam maior sucesso reprodutivo e por isso os homens reagem desta maneira a elas.

Você pode até dizer "eu já imaginava isso" mas esta é uma daquelas pesquisas que testam o que já é senso comum, como aquela que disse que as pessoas aparentam ser mais bonitas quando você bebe [link].

O mais engraçado é imaginar o orientador e seus pesquisadores explicando às suas mulheres "eu estava no Hooters só fazendo uma pesquisa, é sério".

Fonte: The Cornell Daily Sun

abril 3, 2010

Transformando a sala de aula em videogame

Category: Curiosidades

20100403_wowscholar.jpgO lado ruim de se estudar comportamento é que a gente acaba ficando um pouco decepcionado com o modo como algumas coisas funcionam em nossa sociedade. É sério, tem MUITA coisa errada por aí, tanto que Skinner imaginou uma sociedade do futuro (que possui suas tentativas na vida real), e, mais recentemente, outro autor teve também a chance de imaginar uma sociedade assim.

E de todos os lugares, a sala de aula deve ser um dos que mais me incomodam. Ora, sabemos que reforço positivo é capaz de estimular pessoas em diversos comportamentos, e que punição e coerção não são métodos adequados de controle, gerando insatisfação e ansiedade na pessoa, mas mesmo assim nas escolas e universidades fazemos os alunos seguirem tarefas para evitar perder pontos (se esquivar de punição).

Lee Sheldon, professor de uma universidade em Indiana, teve uma ideia muito bacana em suas aulas: adaptar seu sistema de avaliação com o sistema de jogos online, como os MMORPGS.

A própria disciplina é sobre criação de jogos online, então no início da disciplina os alunos montam uma proposta do jogo que eles pretendem criar, e então a sala é dividida em guildas (grupos de 6 a 7 alunos) de acordo com suas habilidades.

O tempo de suas aulas são divididos entre enfrentar monstros (exercícios, provas, etc), completar missões (apresentações de trabalhos, pesquisa, etc) e trabalhos manuais (ler artigos, produzir trabalhos, etc).

Mas a melhor parte: os alunos começam com 0 pontos de experiência, ou melhor, sem nota nenhuma. A medida que ele vai cumprindo as tarefas propostas, ele ganha pontos de experiência, que aumentam seu nível, e, é claro, sua nota final. Então, por exemplo, montar sua proposta de jogo te dá 50 pontos, apresentá-lo para a turma te dá mais 25, e por aí vai: com 1200 você passa de nível, podendo chegar até o nível 12!

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O professor garantiu que este método é eficaz para deixar os alunos mais motivados. E não me surpreende, afinal de contas, deste modo eles estão recebendo feedback após cada tarefa realizada, e não uma nota no boletim depois de alguns meses. O reforçamento é mais eficaz quando apresentado logo após o comportamento. Vale a pena dar uma olhada no plano de ensino da disciplina.

Será que um dia ainda veremos alunos viciados em estudar?

abril 1, 2010

6 coisas que os homens fazem para atrair mulheres, mas que a ciência diz estar errado

Category: Psicologia

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Me diverti muito lendo esta matéria no Cracked.com. Não quis fazer uma tradução na íntegra (pois ela é um pouco grande) mas sintetizei algumas de suas principais idéias:

6. Falar com ela
Segundo este estudo, "tentar impressionar" uma mulher atrapalha nossas funções cognitivas. Homens que passaram alguns minutos na companhia de mulheres atraentes se saíram piores em testes que medem funções cognitivas. Por isso que está difícil elas caírem naquele seu papinho na balada...

5. Demonstrar interesse
Muitos profissionais da arte da sedução dizem que a chave para se conquistar uma bela mulher é não demonstrar muito interesse logo de cara. O mais adequado seria fazer amizade com as amigas primeiro e deixar a mais bonita por último (o que até faz sentido, pois não recebendo a atenção que está acostumada, ela pode acabar apresentando novos comportamentos para conseguir esta atenção - como puxar assunto com você, te fazendo se sentir o garanhão!).

Além disso, o site de relacionamentos OKCupid.com verificou fotos de 7.000 usuários e concluiu que os homens que não olhavam diretamente para a câmera em suas fotos receberam mais mensagens que os que olhavam.
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4. Dançar
Nem todo mundo arrisca dançar na balada, ainda mais depois dessa notícia: o Dr. Peter Lovatt comparou os estilos de dança e níveis de confiança de 14.000 pessoas e concluiu que dançar mal pode sinalizar que você não é muito fértil, ou seja, um parceiro inadequado. O jeito é treinar bastante para passar a imagem de muita testosterona!

3. Elogiar a beleza delas
Você sabia que elas querem ter a personalidade apreciada também? O mesmo site de relacionamendos analisou 500,000 mensagens e descobriu que palavras como "gracinha" (cutie), "bonita" (beautiful) e "sexy" diminuíam as chances de resposta. Conclusão: tente não parecer que você só pensa naquilo.

2. Ser Bonzinho
Muitos caras reclamam que quando gostam de uma menina se aproximam demais mas só conseguem ficar na amizade. O que os bonzinhos já sabiam foi confirmado por essa pesquisa: elas gostam dos cafajestes! Traços como narcisismo, impulsividade e comportamentos de risco em pessoas podem ser prejudiciais em excesso ou até visto com maus olhos por alguns, mas se mostraram uma boa estratégia evolucionária para espalhar seus genes (e por isso estão até hoje entre nós).

1. Ter o nome errado
É sério: este estudo feito com 6.000 pessoas mostrou que alguns nomes estão mais associados a beleza (Sophie e Ryan), sorte (Lucy e Jack) e sucesso profissional (Elizabeth e James) que outros. Com certeza por influências de nossa cultura e história de vida. Seria legal alguém reproduzir esta pesquisa no Brasil. Enquanto isso, se você está com dúvidas quanto a seu nome, é melhor arrumar um apelido!

Na esperança de conquistar aquela gata você pode ainda consultar este post com 9 dicas para se tornar mais atraente, ou então, como último recurso, dar bebida pra ela!

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