agosto 27, 2010
Category: Eventos
Hoje é dia de dar parabéns a todos os profissionais da área e, claro, aos estudantes futuros psicólogos! Aqui em Itumbiara as comemorações estão a mil, com atividades o dia inteiro! Fui!
(Quem sabe quando tiver mais tempo escrevo mais por aqui)

Posted by Felipe Epaminondas at agosto 27, 2010 2:46 PM • 1 Comments • 0 TrackBacks
agosto 23, 2010
Category: Neurociências
A psilocibina, descoberta nos anos 50, é uma substância química presente em certos fungos que pode provocar alterações na percepção e até alucinações. Como no caso de muitas outras drogas alucinógenas, ainda não se sabe descrever exatamente o que se passa no cérebro quando está sob efeito delas.
Quem já passou pela situação de uma tomografia ou ressonância magnética (RMf) sabe que a situação não é muito agradável: ficar 10 a 20 minutos imóvel dentro de uma máquina enorme e barulhenta. Para uma pessoa sob influência de alucinógenos então, pode ser até assustador!
Procurando evitar possíveis "bad trips" e outros efeitos colaterais de ordem psicológica, pesquisadores selecionaram nove sujeitos, aplicaram 2 miligramas de psilocibina nos mesmos e os colocaram em uma máquina de RMf. Só que uma máquina de madeira. O objetivo era verificar se eles conseguiriam fazer o exame sem grandes problemas.
Nesta pesquisa tudo correu bem, portanto aparentemente o caminho está livre para se usar uma máquina de verdade! Pode-se esperar mais notícias sobre a psilocibina no futuro!

Vi primeiro no : NeuroKüz
Carhart-Harris RL, Williams TM, Sessa B, Tyacke RJ, Rich AS, Feilding A, & Nutt DJ (2010). The administration of psilocybin to healthy, hallucinogen-experienced volunteers in a mock-functional magnetic resonance imaging environment: a preliminary investigation of tolerability. Journal of psychopharmacology (Oxford, England) PMID: 20395317
Posted by Felipe Epaminondas at agosto 23, 2010 6:32 PM • 3 Comments • 0 TrackBacks
agosto 18, 2010
Category: Psicopatologia
Dia 27 de julho de 2010 foi um dia muito importante para milhares de adolescentes e outros jogadores de jogos de computador no mundo todo: o lançamento do Starcraft 2, um dos jogos mais esperados dos últimos anos.
Juro que não estou exagerando: este jogo é a sequência do Starcraft, lançado em 1998, que é tão jogado que hoje na Coreia do Sul, por exemplo, existem dois canais de televisão dedicados a transmitir partidas do jogo. Os jogadores vivem de patrocínio que recebem para jogar como qualquer outro esporte e isso até já virou tema de reality show. Curiosamente, também na Coreia do Sul, alguns jovens estão tendo prejuízos na vida social por causa de jogos como este, fazendo surgir o termo "dependência de jogos online".

Han et al, psiquiatras sul-coreanos, deram a 11 jovens com "dependência ao Starcraft" a droga bupropiona, um antidepressivo também usado em casos de dependência à substâncias e à nicotina. Estes garotos jogavam pelo menos 4 horas diárias, sendo que seis deles não frequentavam mais a escola por dois meses matando aula em lan houses e outros dois se divorciaram por causa do uso excessivo de internet durante a noite.
E parece que a droga funcionou: após 6 semanas de tratamento, foram observados decréscimos na vontade de jogar Starcraft (23.6%), no tempo total gasto jogando (35.4%) e nos escores de uma escala de medida da dependência à internet (15.4%). Quem sabe o Starcraft não ganha uma seção especial no DSM-V?
Ainda bem que trabalho fora de Goiânia e meu notebook não roda o Starcraft 2, pois nos finais de semana eu gasto muito mais do que 4 horas num dia com esse jogo.
Fonte: Han DH, Hwang JW, & Renshaw PF (2010). Bupropion sustained release treatment decreases craving for video games and cue-induced brain activity in patients with Internet video game addiction. Experimental and clinical psychopharmacology, 18 (4), 297-304
Vi no Neuroskeptic.
Posted by Felipe Epaminondas at agosto 18, 2010 12:56 AM • 7 Comments • 0 TrackBacks
julho 29, 2010
Category: Psicologia

Você é daqueles que adoram uma cervejinha no final de semana, assistindo a um jogo de futebol ou então em uma mesa de bar com os amigos? Tanto que, de vez em quando, no outro dia bate aquela dor de cabeça e você diz "nunca mais bebo desse tanto"? Bom, pelo menos agora você tem mais alguém para jogar a culpa: seus amigos.
Uma pesquisa feita na Holanda apontou que indivíduos que carregam uma variação específica de um gene (receptor de dopamina D4, ou DRD4) estão mais suscetíveis a beber mais álcool na companhia de outros bebuns, ou melhor, seus amigos que também gostam de uma cervejinha.
Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores coletaram amostras de saliva de 60 mulheres e 53 homens que relataram beber "socialmente" e posteriormente pediram para que eles avaliassem propagandas sobre prevenção ao abuso de álcool. Entre duas sessões de 10 minutos, os participantes tinham um intervalo, em que sentavam em um bar com livre acesso a amendoins, cervejas, vinhos, refrigerantes e água mineral.
Neste intervalo eles interagiam com outra pessoa, do mesmo sexo, que eles acreditavam ser outro participante, mas que na verdade era também um pesquisador. E adivinha: quando este pesquisador só tomava refrigerante ou água, o participante com o DRD4 se limitavam a meia taça de vinho ou meia garrafa de cerveja. Quando ele ingeria bebidas alcoólicas, os portadores do gene consumiam quase dois copos de cerveja ou vinho, contra apenas um para os não portadores.
É uma pesquisa que ainda precisa de replicações e mais confirmações da hipótese, e é claro que variáveis ambientais e sociais também influenciam na ingestão de álcool, mas que ainda assim já leva a importantes discussões, como por exemplo: ninguém sabe os efeitos da DRD4 no cérebro, mas se essa correlação for confirmada, pode-se imaginar que o mesmo também ocorra com outras drogas além do álcool.
Fonte: Wired, mas vi primeiro no Mind Hacks.
Posted by Felipe Epaminondas at julho 29, 2010 9:20 AM • 4 Comments • 0 TrackBacks
julho 12, 2010
Category: Behaviorismo
Fiquei sabendo que o jornalista Diogo Mainardi apresentou em sua coluna na revista Veja sérios equívocos com relação ao behaviorismo e à psicologia experimental. O texo chama-se "O caso do Sr. D" e nele Mainardi tenta fazer uma comparação ao modo como o (ex) treinador da seleção Dunga trata a imprensa e os jogadores com o modo como Skinner tratava seus sujeitos experimentais animais.
Sou cuiabano, e já não ia muito com a cara do Mainardi desde 2005, quando ele disse "se alguém me oferece 10.000 reais para dar uma palestra em Cuiabá, penso imediatamente que eu aceitaria pagar 15.000 reais para não ter de ir a Cuiabá."
A última vítima de Mainardi foi o behaviorismo. O afirmação infeliz do jornalista foi:
"Dunga só pode ser nosso B. F. Skinner. Ele faz com seus jogadores precisamente o mesmo que, nos primórdios do behaviorismo, B. F. Skinner fazia com os pombos e com os macacos de seu laboratório. Primeiro, prende-os numa gaiola. Segundo, isola-os de qualquer contato com o exterior. Terceiro, raciona seus alimentos. Quarto, condiciona seu comportamento administrando-lhes choques elétricos."
Já é difícil fazer com que o público leigo (e alunos iniciantes) olhem com bons olhos ao behaviorismo, e uma das razões para isso, acredito eu, é nossa linguagem técnica e rigor experimental. Ao estudar animais em laboratório e fazer pesquisas experimentais com seres humanos podemos passar a impressão de que estamos desumanizando-o, o que não é verdade. É muito comum em vários ramos da ciência começar trabalhando com animais para depois se testar os achados em humanos. Mainardi, infelizmente, acabou ferindo a imagem dos psicólogos behavioristas.
A profª Maria Martha Hübner, juntamente a outros membros da ABPMC, escreveu um texto intitulado "Por que Dunga não é um behaviorista", mostrando que o behaviorismo e os trabalhos de Skinner não tem nada a ver com o que ele apresenta em sua coluna! Recomendo muitíssimo a leitura, inclusive dos comentários, que pode ser feita neste link. Vou deixar aqui um pequeno pedaço:
"Queremos, sim, construir um mundo mais digno. E os dados da ciência do comportamento vêm sendo profícuos em nos ensinar a como fazer isso. Mas isso depende da capacidade de nossos interlocutores superarem preconceitos históricos e ouvir o que temos a compartilhar à luz do atual desenvolvimento da Análise do Comportamento e do behaviorismo skinneriano."
Posted by Felipe Epaminondas at julho 12, 2010 8:59 PM • 10 Comments • 0 TrackBacks
maio 21, 2010
Category: Avisos

Esta semana o blog completou dois anos de existência (mais especificamente na segunda-feira, dia 17) e eu quase deixo passar a data! Mas também, esse último ano passou tão rápido!
Um ano atrás, no primeiro aniversário, eu falei um pouco da história do blog, quem tiver curiosidade só abrir o post.
Não sei bem o que dizer, só que está sendo uma ótima experiência e spero continuar escrevendo por mais alguns anos! :)
Posted by Felipe Epaminondas at maio 21, 2010 8:08 PM • 9 Comments • 0 TrackBacks
maio 19, 2010
Category: Psicologia
Uma notícia meio que virou polêmica nos últimos dois dias no Jornal Hoje: um projeto de lei que visa proibir as chamadas "palmadas educativas". Vários profissionais deram suas opiniões no programa e, insatisfeito com todas elas, resolvi agora dar a minha.
Primeiro a pergunta clássica: palmadas funcionam? A resposta é sim. Mas não como os pais esperam. Gritos, palmadas e castigos são diferentes tipos de punição, que exercem bem sua função que é suprimir um certo comportamento indesejado da criança. Mas estas punições também tem efeitos colaterais como a eliciação de respostas emocionais negativas na criança, a supressão de outros comportamentos, o próprio punidor passa a ser visto como algo ruim, além de que a criança pode querer continuar a fazer coisas que o punidor não deixa, talvez até pelo simples ato de desafiar.
Ou seja, a criança não aprende nada, só que o punidor é um chato, que deve temê-lo e que o comportamento inadequado deve ser feito às escondidas. Daí de quem é a culpa quando o garoto cresce e foge de casa pra usar drogas?
Punimos tanto no dia a dia porque para nós ela parece funcionar a curto prazo: uma palmada faz sim com que a criança pare aquele comportamento indesejado. Mas só a punição não dá certo a longo prazo.
As pessoas estão vendo o problema pelo ângulo errado: a melhor maneira de se educar uma criança não é controlando o comportamento indesejado, mas sim o desejado. Ao invés de punir quando ela faz algo errado, tente reforçar aquele adequado. Quando a criança está quieta, brinca com os amigos ou faz a tarefa, os pais (e professores) devem parabenizá-la, reconhecer o trabalho bem feito, mostrar carinho, ou seja, sinalizá-la que aquele é o comportamento correto que, a longo prazo, ele certamente aumentará de frequência. Quando os comportamentos adequados aumentam de frequência sobra menos tempo para os inadequados ocorrerem.
Sim, a solução é simples assim, mas infelizmente parece que a maioria das pessoas estão acostumadas a usar apenas punição. Tanto que agora o governo quer simplesmente punir os pais que usam da força, mas planejar campanhas, cursos e workshops sobre como melhorar educação para os filhos ninguém quer fazer.
Para pais, psicólogos e curiosos recomendo a leitura: Eduque com Carinho, de Lidia Weber
Posted by Felipe Epaminondas at maio 19, 2010 2:54 PM • 20 Comments • 0 TrackBacks
maio 15, 2010
Category: Psicologia
A última edição da Galileu estampa na capa o texto "O lado bom da depressão", o que me fez ler a matéria. Curiosamente, em um debate com três profissionais da saúde, os três disseram não concordar que a depressão tenha um lado bom (quer dizer...).

E realmente não tem! Acho que o que a revista quer dizer é que, no processo de superação da depressão (que geralmente envolve terapia) você pode adquirir um autoconhecimento muito grande, podendo até passar por reviravoltas na sua vida que, no fim, podem ser muito satisfatórias. Neste ponto eu concordo: a depressão não tem lado bom, mas o modo come você lida com ela pode trazer benefícios.
É por isso que defendo o uso da terapia mesmo quando a pessoa está tomando medicamentos, caso contrário é como tomar aspirina para a dor de cabeça: seu sintoma some, mas você não sabe porque ele apareceu e nem quando pode voltar.
A primeira capa da matéria diz: "Ela [a depressão] não pode ser diagnosticada por exames de sangue, detectada em chapas de raios-x ou investigada em testes de resistência física". Isso porque a depressão não é uma doença como o mal de Alzheimer ou a diabetes, mas sim um transtorno comportamental.
Isso quer dizer que ela se desenvolve de acordo com a maneira que lidamos com nossas dificuldades do dia-a-dia. Pode até ser que algumas pesquisas apontem indícios de predisposição genética, mas ela ainda depende do ambiente. E a própria matéria, apesar de chamar a depressão de "doença" umas mil vezes, mostra isso em seus casos relatados: primeiro uma jovem morando só em uma cidade sem emprego nem amigos, depois uma mulher que trabalhava e estudava excessivamente (e aumentou essas horas para lidar com a sensação de vazio), e em seguida um rapaz insatisfeito com o curso que havia escolhido (e para mascarar a tristeza, gastava tempo e dinheiro em compras e baladas). São situações que já trazem mal estar e, dependendo de como lidamos com elas, podemos piorar ainda mais as coisas. A desesperança vem e daí a rotulamos de depressão - o "câncer da alma".
Acho que acabei falando mais mal do que bem da matéria, mas ela é bem interessante sim! Principalmente para curiosos e pessoas que conheçam outras com o diagnóstico. Já para profissionais da área as revistas científicas são sempre preferíveis.
Posted by Felipe Epaminondas at maio 15, 2010 6:10 PM • 6 Comments • 0 TrackBacks
maio 12, 2010
Category: Psicologia
Está na última Galileu (maio/2010):
"Experiência mostra que é possível manipular a memória para acabar com nossos temores."
"Pioneiros" neurocientistas de Nova York induziram um medo em seres humanos: apresentaram um quadrado azul seguido de um leve choque, fazendo com que o próprio quadrado, apresentado sozinho, produzisse o medo. Bom, isso se chama condicionamento pavloviano, foi descrito por Pavlov no final do século XIX e é bem conhecido na psicologia.
"Numa segunda fase, tentamos apagar o temor que instauramos propositadamente. Para isso, (...) voltamos a mostrá-lo [o quadrado] às mesmas pessoas inúmeras vezes, só que sem os choques. Ao fazer isso, fornecemos novas informações sobre o objeto, agora não mais tão ameaçador. Conseguimos assim prevenir o retorno do medo provocado por ele."
Ora, isso também foi descrito por Pavlov e muito outro psicólogos! Este princípio é tão conhecido que deu base à técnicas de terapia como o contracondicionamento e a dessensibilização sistemática!
Só não vou falar mais do assunto porque o Neto já o fez em seu blog quando a mesma notícia apareceu na revista da FAPESP.
Posted by Felipe Epaminondas at maio 12, 2010 12:12 AM • 4 Comments • 0 TrackBacks