Por que as aranhas enfeitam as suas teias?

Li no blog Brontossauros em Meu Jardim sobre esta aranha australiana que desenha uma grossa cruz de seda em suas teias. Me intrigou logo o segundo parágrafo onde diz: “qual seria a sua função?“.
Acho que esta é a pergunta fundamental de todo psicólogo. A todo momento entramos em contato com pessoas se comportando e em determinados contextos, como na clínica, nos deparamos com alguns muito estranhos e logo nos vem a mesma pergunta: “qual seria a sua função?”.
No caso da aranha, hipóteses foram levantadas e uma série de experimentos foram feitos e descobriu-se que estas cruzes atraem mais insetos à teia. Na psicologia, hipóteses são levantadas mas nem todos buscam a comprovação científica. Enquanto alguns psicólogos estão nos laboratórios buscando a melhor compreensão dos comportamentos que existem em nossos repertórios, muitos outros simplesmente aceitam dizer que “o ser humano é muito mais do que se pode estudar cientificamente“.
Pior ainda, na minha opinião, é querer buscar explicações nos lugares errados… por exemplo, codificaram o genoma humano e não encontraram o gene da homossexualidade, agora estão falando que os cérebros dos homossexuais são diferentes dos dos heteros. Com certeza o cérebro de um matemático é diferente do de um psicólogo mas isso não explica a sua preferência profissional. No entanto, identificar a função da homossexualidade no repertório da pessoa em questão não é uma tarefa impossível, além de que nos leva a um passo além na predição e controle.
Skins: Cassie e a bulimia
Cassie não come. Ela é apaixonada por comida, mas ao mesmo tempo aterrorizada pelos efeitos que ela tem sob seu corpo. Prefere ficar dias sem comer para ficar mais bonita à um encontro do que comer regularmente. Ela sabe que precisa comer, e até sente prazer do ato, mas prefere continuar magra. Para esquecer da fome, apresenta comportamentos alternativos como brincar com a comida, o que a mais distrai é organizá-las. Enfim, faz o possível para não comer.
Em um certo momento seu colega Sid a pergunta: “Você quase não come, como você faz para que as pessoas não percebam?“, e ela responde:
Estes são personagens da série Skins, transmitida no Brasil pelo canal HBO com o título “Juventude à Flor da Pele”. É um drama que mostra a vida de vários adolescentes, sendo a Cassie meu personagem favorito, por que será?! ;)
Saúde e capitalismo

“Esta droga está em fase experimental. A indústria farmacêutica está testando qual o preço máximo a cobrar por ele.”
Curiosidades – 15/06
Experiência histórica mostra a evolução em população de bactérias. A prova científica de que Darwin estava certo! Super simples, só precisaram observar 44.000 gerações das bactérias para encontrar evoluções genéticas significativas. Mais informações em inglês aqui.
Livros de divulgação científica podem ser legíveis – Tradução livre do artigo de Lucy Hawking, filha de Stephen Hawking, sobre a divulgação científica, citando autores como o próprio Hawking, Carl Sagan e Oliver Sacks. Acho que o Behaviorismo pode aprender muito com eles na divulgação.
Skinner primeiro entrou na faculdade querendo ser escritor, no entanto, admitiu um tempo depois que não era tão bom com as letras. Em 1974 escreveu “Sobre o Behaviorismo” para combater as críticas feitas ao Behaviorismo Radical e esclarecer muitos dos conceitos, mas ainda assim o acho um livro não muito fácil de ser lido. Alessandro Vieira, no blog “Olhar Beheca” preparou um guia de leitura deste livro, vale a pena dar uma olhada!
Relato de uma paciente
Ouvi esse relato alguns dias atrás:
“Eu acho que tenho insônia, sabe?! Não tava conseguindo dormir direito há um tempão já e resolvi ir num psiquiatra. A fila era por ordem de chegada, eu cheguei umas 7:45, 15 minutos antes do lugar abrir, mas já tinha tanta gente q eu só fui atendida lá pelas 17 horas. Ainda bem que era perto da minha casa e eu não precisei ficar na recepção esse tempo todo, deu dó do resto do povo. Mas enfim, na hora q eu fui atendida, cara, o psiquiatra mal deixava eu falar! Ele ficava puxando papo, falando que eu pareço a filha dele, e de quando ela foi pra Europa! Eu disse pra ele que não tava dormindo bem e ele me disse que eu tenho ansiedade. Ele nem me deu espaço pra eu falar mais sobre o meu problema! Em um aperto de mão ele concluiu o diagnóstico e me passou esses dois remédios pra tomar, um deles é antidepressivo, disse também pra eu voltar em um mês. Olha, eu nem comprei e acho que nem vou voltar lá…”
Eu até entendo que existam bons e maus profissionais, mas o que me deixa mais irritado é a quantidade de gente que vai à este tipo de profissional acreditando ser a única solução para seus problemas…
Onde estão as doenças mentais? – Parte 2
Na semana passada levantei a questão de que as “doenças mentais” nada mais seriam do que padrões de comportamentos aprendidos durante a história de nossas vidas. É um conceito no início um pouco difícil de digerir e estou tentando explicá-lo de maneira simples, sem muito behaviorês.
Quais são as implicações deste tipo de visão? No meu ponto de vista, a mais relevante é que se tiramos a causa do problema de dentro do cérebro (ou do universo mental) também deixamos de buscar as soluções nestes lugares. Se queremos ter controle sobre estes comportamentos inadequados, a resposta está nas relações do indivíduo com seu ambiente (histórico, físico, social).
Através da Análise do Comportamento sabemos como comportamentos são aprendidos, como padrões de respostas aparecem nas mais diversas situações, como levar comportamentos à extinção, ou seja, temos o conhecimento necessário para uma intervenção eficaz. O problema é que a maneira como uma pessoa aprendeu a emitir um comportamento não é igual à da outra pessoa – o desafio é justamente em enxergar quais são as funções de um determinado comportamento, ou seja, identificar o que o está mantendo. O que fazer a partir daí também não é simples: alguns comportamentos podem ser levados à extinção enquanto outros apenas devem ser trabalhados para nao serem tão aversivos. Geralmente novos comportamentos também devem ser ensinados para diminuir o sofrimento da pessoa. No final das contas, é um trabalho complexo e exaustivo.
Na verdade, ter alguém que identifique todas estas relações para você, que planeje todos os meios de intervenção e ainda aplique as técnicas necessárias é uma mordomia! E é o que os terapeutas comportamentais fazem! ;)
O tempo de melhora depende do caso, e eu até entendo que em casos mais graves a medicação pode ajudar sim, principalmente quando uma relação terapêutica não pode ser estabelecida. O cérebro da pessoa também faz parte de seu ambiente e é claro que drogas influenciam seus comportamentos (caso contrário, de nada adiantaria eu tomar meu cafezinho toda manhã).
“Mas e quanto às psicoses? Também são aprendidas?” De todos os transtornos comportamentais, a
esquizofrenia é sem dúvida o de aparência mais bizarra. O diagnóstico “esquizofrenia” pouco nos informa sobre o paciente pois os “sintomas” são dos mais variados e muitas vezes até mesmo assustadores, fica difícil enxergar aquilo tudo como resultados de processos de aprendizagem. No entanto, os estudos que temos publicados mostram resultados incríveis, demonstrando que, mesmo que fique provado um dia que a esquizofrenia seja causada por desequilíbrios químicos e funções genéticas, seus “portadores” não são imunes à aprendizagem operante: ainda podemos modificar e controlar seus comportamentos como o de qualquer outra pessoa! Aqui na UCG (onde estudo) temos vários trabalhos, um deles, por exemplo, levou uma mulher que não falava à anos, bebia água da privada e até já havia cometido assassinato no hospital psiquiátrico a conversar e interagir novamente com seus colegas no hospital. Parece ficção, mas não é.
Ainda pretendo falar muito mais sobre a esquizofrenia neste blog, visto que minha tese de mestrado está relacionada ao assunto.










