Aprendizagem operante e treino de cães

Mostrei recentemente o vídeo de uma criança birrenta e o usei para explicar como se dá a aprendizagem de comportamentos operantes: ele começa mais ou menos aleatório e a medida que se consegue um estímulo reforçador, essa aleatoriedade vai diminuindo, tornando o comportamento cada vez mais específico. A tendência de qualquer organismo é repetir comportamentos que lhe foram úteis no passado. Desta maneira, não vamos à geladeira porque sentimos sede, mas sim porque em outras situações em que experienciamos a sede, fomos reforçados ao ir à geladeira buscar um copo d’água. O controle está na história passada do indivíduo!
Encontrei este vídeo no YouTube, onde a dona ensina sua cadela a baixar a cabeça (to bow) usando pedaços de comida como reforçador:

O som do clique é apresentado junto à comida para que haja uma “associação” entre reforçamento e o som, de maneira que o dono não precise sempre dizer “muito bem“, o som já adquire o mesmo papel (associação não é um termo feliz para descrever este fenômeno mas o usei para deixar as coisas mais simples).
Encontrei esse vídeo graças à claudiajotta, que também postou um vídeo interessante sobre o assunto no Youtube.

Parabéns aos biólogos e psicólogos!

Dia 27 de agosto foi o dia do psicólogo e eu nem comentei nada por aqui (passei o dia preso em um ônibus a caminho de Campinas-SP), mas hoje é dia do biólogo e vou aproveitar essa oportunidade para fazer um interessante comentário:
B. F. Skinner criou a Análise do Comportamento quando em 1938 em seu livro “The Behavior of Organisms” (O Comportamento dos Organismos) ele começou a descrever as leis que governam, adivinhe, o comportamento dos organismos!
Curiosamente, psicologia não foi sua primeira escolha, Skinner se graduou primeiro em letras, mas sem sucesso na área, tentou em seguida a psicologia. Após fundar e muito escrever sobre a Análise do Comportamento e o Behaviorismo Radical, quebrando os moldes da psicologia tradicional, Skinner ainda chegou a afirmar que sua ciência tinha mais a ver com a biologia do que com a psicologia. A seguir o trecho de uma entrevista em que ele afirma isso:

“Quatro questões em quatro minutos” – retirado de: JEAB and JABA Audio Links
1. O que é a Análise Experimental do Comportamento? Você acha que é psicologia, é apenas uma parte da psicologia, mais que a psicologia ou é a psicologia?
R: Eu acho que é parte da biologia! Eu vejo o organismo humano como nada mais que um organismo, e o que ele faz é apenas o comportamento e isso é tudo. A ‘psiquê’ da psicologia é irrelevante hoje em dia, no entanto, a psicologia como uma profissão já caminhou bastante (…) acho que pode ser uma ciência independente que faz parte da biologia.

Infelizmente tive dificuldade em traduzir as outras três questões devido à qualidade da gravação, achei melhor nem o fazer do que deixar um texto quebrado pela metade, mas pelo menos a parte que eu queria eu consegui!
Enfim, não me importa se a Análise do Comportamento é uma psicologia ou parte da biologia, contanto que continuemos produzindo conhecimento científico assim como os biólogos e os cientistas de outras áreas! E viva nós cientistas!

Lidando com crianças birrentas

Recentemente me mostraram este vídeo de uma criança birrenta que tem tudo para participar do Supernanny:

Sem dúvida ela apresenta comportamentos bem bizarros, mas a explicação é muito mais simples do que se imagina, tentarei mostrá-la em poucas palavras:
Nós humanos (assim como outros organismos vivos) herdamos filogeneticamente uma estrutura que nos permite adaptar ao ambiente, e esta adaptação (ou interação) entre organismo e ambiente se dá através do comportamento. Os comportamentos que nos beneficiaram de alguma maneira passam a ocorrer com mais frequência em situações semelhantes, enquanto que outros menos eficazes diminuem de frequência. Este processo ocorre a todo momento quer saibamos descrevê-lo ou não.
A criança muito nova, ainda incapaz de falar, costuma chorar quando quer atenção da mãe, tanto que aos poucos a mãe consegue distinguir um “choro de fome” de outro (e a criança também). A criança então começa com comportamentos mais ou menos aleatórios e a medida que um mais adequado é reforçado ele aumenta de frequência enquanto outros vão desaparecendo aos poucos. Mas o que aconteceria se comportamentos inadequados são reforçados? Um exemplo é o vídeo logo no início deste post!
Não dá para eu deduzir o que levou esta criança a emitir tais comportamentos sem uma história de vida bem detalhada, mas pode-se imaginar que para ela o meio mais eficaz de se conseguir atenção foi com o choro (simulado ou não), enquanto outros comportamentos que seriam mais adequados não obtiveram nenhum reforço. Daí quando a olhamos é tentador chamá-la de louca, enquanto na verdade loucas mesmo são as situações a que ela deve ter sido exposta.
A Supernanny (a britânica, e não a do Brasil) provavelmente pediria aos pais para interagir mais com esta criança, dando cumprimentos a cada tarefa adequada realizada, enquanto que não esboçassem reação nenhuma aos comportamentos de birra, fazendo-os perder sua função, mais ou menos como nesse comercial:

Se o pai ceder à criança quando ela dá uma birra dessas ele estará selecionando o pior comportamento de todos, uma tarefa difícil, mas o ideal mesmo é que ela nem chegue a tal ponto!

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