Skinner e a descoberta do condicionamento operante

Costumo dizer que são 3 os cientistas que mais admiro: Um deles é o Darwin, simplesmente porque ele é o cara; tem também o Sagan, que com Cosmos e o Demônios me acordou para o mundo da ciência. E por fim, B. F. Skinner, que levou a psicologia ao campo das ciências naturais e é hoje reconhecido como o psicólogo mais influente do século 20.
Daí o leigo olha e pensa: “Ué? Skinner o mais influente? E Freud?
Acontece que na psicologia muitos estudiosos buscavam explicar os comportamentos através de conceitos metafísicos ou subjetivos, enquanto que outros, tentando torná-la uma ciência natural, excluíam o estudo da subjetividade humana. Skinner, com sua proposta behaviorista radical, virou a psicologia do avesso e conseguiu promover o estudo científico dos comportamentos sem deixar de lado os eventos privados.
Mas eu quero falar sobre descobertas, já que este post faz parte do I Carnaval Científico do Lablogatórios, uma blogagem coletiva com o tema “Grandes Descobertas Científicas”. E o que foi que esse tal Skinner descobriu?
Skinner descobriu o condicionamento operante (quê?). Ele criou a “caixa de Skinner”, onde era colocado um rato privado de alimento. Naturalmente, o rato emitia vários comportamentos aleatoriamente e quando ele se aproximava de uma barrinha perto da parede, Skinner introduzia uma gota d’água na caixa através de um mecanismo e o rato a bebia. As próximas gotas eram apresentadas quando o rato se aproximava um pouco mais da barra. As outras quando o rato encostava o nariz na barra. Depois as patas. E assim em diante até que o rato estava pressionando a barra dezenas de vezes até saciar completamente sua sede. Foi observado que os comportamentos do rato que eram seguidos de um estímulo reforçador (a água) aumentavam de frequência, enquanto outros diminuiam. Igual a seleção natural onde as espécies mais adaptadas sobrevivem e as menos vão se tornando mais raras ou eventualmente desaparecem.
Com este princípio Skinner passou a modelar diferentes padrões comportamentais em diferentes espécies (muitos vídeos sobre isso estão disponíveis em minha página no Youtube).

Graças a esta descoberta, hoje (depois de estudos muitíssimos mais avançados) somos capazes de explicar (e modificar) uma vasta gama de padrões comportamentais de amebas, golfinhos, ratos, pombos, cachorros, humanos, e até já existem estudos com estes resultados em células neuronais. A psicologia comportamental é a que traz resultados mais rápidos na clínica e a cada dia é usada em novos ambientes (escolas, hospitais, organizações, etc).
Muitos não gostam de ver o comportamento humano ser explicado através de leis científicas, muito menos em pesquisas de laboratório. Deste modo, a psicologia comportamental é frequentemente mal interpretada e rotulada de superficial, mecanicista ou até manipuladora. Eu só espero que aqui neste blog eu consiga exorcizar alguns destes “demônios” que ainda assombram a psicologia.

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Discussão - 43 comentários

  1. Igor Santos disse:

    Eu sou um dos que gosta de ver nossos comportamentos sob a luz da previsibilidade.
    Agora, até as AMEBAS? Aí já é alopração!

  2. ((( Joel ))) disse:

    Simplesmente magnífica a descoberta do Skinner. Estou no segundo período do curso de psicologia e ao manipular a caixa de Skinner e observar o comportamento do ratinho sendo modelado fiquei muito intrigado com a questao de nós nos comportarmos para obter o reforço positivo, afinal os mesmos principios que regem o comportamento animal também rergem o nosso!!!

  3. O cara é foda mesmo!
    Mas cuidado: nunca nos comportamos “para” obter algo, o que nos controla não está no futuro mas sim no passado.
    O correto seria: nos comportamos assim porque em outras situações semelhantes no passado este comportamento foi reforçado. Daí a probabilidade dele ocorrer é maior.
    A causa não pode estar no futuro pois se ele ainda não aconteceu não há como influenciar o cpto! ;)

    • Daniel Jakimiu De Vito disse:

      A finalidade é obter algo, porquanto da expectativa criada pelas experiências anteriores. Quando falamos de expectativas, por definição fazemos projeções ao futuro.

    • Allan disse:

      Após as coincidentes pressões que o rato exerce sobre a alavanca ele repete o processo cada vez mais rápido, pois sua mínima inteligência foi capaz de decodificar que o objeto desejado (água) era liberado pressionando aquela coisa.
      Não podemos nos comportar se nunca aprendemos nada, é verdade. Mas a patir de poucas informações podemos imaginar outras.

    • ilton arruda disse:

      seu trabalho é interessante mas…não será utilizando termos chulos, grosseiros ou pelo menos mal educados que se tornará bem visto aos demais….claro q para tanto vc foi reforçado …é uma pena…

  4. Pois é! Organismos unicelulares também se comportam. O mais engraçado é que com as mesmas leis que a gente! hauha
    Se eu conseguir um link pro artigo disponibilizo por aqui…

  5. ((( Joel ))) disse:

    Sim , sim
    entendo o que vc disse, mas tenho uma dúvida. No caso do ratinhoO quando já modelado, pressionar a barra para obter água. Seria errado dizer que ele se comporta para obter o reforçador ???
    Desde já muitoO ObrigadoO

  6. Sim, é errado porque o que ainda não aconteceu não tem como controlar nosso cpto. Veja bem, quando o rato é modelado, o que ele faz é continuar se comportando da maneira que obteve reforço. A explicação está no passado.
    Quando eu estou com sede a primeira coisa que faço é ir à geladeira. Faço isso pq, de acordo com minha história, é a resposta que mais me obteve reforçadores. A água pode não estar lá – pode ter acabado, e eu logo passo para outros cptos que tbem foram reforçados anteriormente (ir à padaria tomar um suco, ir ao vizinho, ligar no suepermercado, etc).
    Poderia-se dizer “mas o rato sabe que vai ganhar agua e então aperta a barra”. Mas como sabemos que ele sabe disso? Ainda não sabemos como “ler a mente” de um rato para ter certeza, então vamos à explicação que mais faz sentido sem apelar pro mundo mental do coitado! O mesmo com seres humanos, não precisamos inferir o que ele sabe ou pensa para explicar vários padrões de comportamentos!
    Espero ter clareado um pouco, é difícil entrar em detalhes pela internet hehehe.

  7. ((( Joel ))) disse:

    Simm Simm
    Clareou sim, ainda nao tinha parado pra pensar dessa forma !!!
    Vlw
    tá muito bom htone o LaBloG
    T+++

  8. Carlos Hotta disse:

    O que nós seríamos sem os tais “mecanismos de recompensa” internos?
    A propósito, saiu o resultado do sorteio do livro
    http://www.ediouro.com.br/as100maioresdescobertas/
    Veja em:
    http://lablogatorios.com.br/raiox/2008/10/18/e-os-ganhadores-dos-livros-foram/
    Valeu pela participação!

  9. João disse:

    Skinner descobriu o condicionamento operante? De onde vocês tiraram isso?

  10. Felipe disse:

    Comportamento operante sempre existiu, Skinner utilizou experimentos para descrever cientificamente este processo e foi o pioneiro nisso, não?!

  11. João disse:

    Lá em cima tá escrito outra coisa. E não, o trabalho de Thorndike é de 30 anos antes.

  12. Felipe disse:

    Thorndike descreveu o processo da lei do efeito, e a lei do efeito é um princípio subjacente à aprendizagem operante. O conceito “comportamento operante” é de Skinner, assim como o processo de condicionamento operante.
    O tema do “Carnaval Científico” era falar sobre descobertas. Sei que essa não é a melhor palavra para descrever skinner e o operante, mas também não é errada.

  13. jamille disse:

    Gostaria de saber as características do comportamento operante.
    Obrigada

  14. jamille disse:

    Gostaria de saber as características do comportamento operante.
    Obrigada

  15. Adelino disse:

    valeu gostei da explicação
    to fazendo psicologia na ulbra-to.
    boa sorte ai no seu mestrado.
    valeus

  16. Adelino disse:

    valeu gostei da explicação
    to fazendo psicologia na ulbra-to.
    boa sorte ai no seu mestrado.
    valeus

  17. Marcos disse:

    Tai Psicologos novatos e leigos, esse é um trecho de um artigo que to escrevendo na minha IC sobre Comportamento Verbal.. explica o CO espero que ajude !!!
    Skinner faz diversos experimentos com pombos e ratos, onde percebe que os organismos produzem determinadas respostas que geravam conseqüências, estas modificavam o ambiente que retroagia no organismo interferindo na probabilidade de ocorrência da mesma resposta. Ele faz uma inversão nos pressupostos do comportamento reflexo (S-R) que não davam conta de explicar toda a complexidade do comportamento. Embora não recorra a agentes causais internos.
    A isso ele deu o nome de comportamento operante (OC), ou seja, o organismo não era mais passivo de estímulos eliciadores como no behaviorismo metodológico, mas era um elo em uma relação funcional em um meio onde se comportava, modificando o ambiente e sendo modificado por ele. Skinner abandonara o conceito de agente causal, assim como a física e a química moderna, para substituí-lo pelo conceito de função, onde causa fora substituída por variável independente e efeito por variável dependente. Algo que ocorre em proximidade de um evento tem a probabilidade de acontecer novamente na presença do mesmo evento. “As variáveis externas, das quais o comportamento é função, dão margens ao que pode ser chamado de analise causal ou funcional” (Skinner 1953/1998).
    Para entendermos as variáveis que fazem parte da função de um operante, precisamos entender os três tipos de seleção por conseqüências: filogenética, ontogenética e cultural. “Encontramos três tipos de seleção por conseqüências, correspondentes a três níveis diferentes de fenômenos estudados por três diferentes disciplinas” (Skinner 1981/1984, 1990), ou seja, a biologia ou etologia estudaria a seleção natural, a Analise do Comportamento estudaria o comportamento operante, e a Antropologia a seleção cultural.

  18. Priscila disse:

    Estou estudando essa matéria na faculdade e achei super interessante, mas tenho uma duvida e gostari de saber se vc pode me ajudar: pq é necessário estudar psicologia no curso de educação física?
    Aguardo a resposta
    Grata

  19. sirley veronese disse:

    O cara..gostei muito d sua explanação…estou terminando o segundo semestre d psicologia…estou amando o curso, comprovei q vc tbem…sucesso…abraço.
    obs..tanbem estou gostando das dscobeertas d SKINER.

  20. Adoro a psicologia estou no 4 semestre e fiquei facinada em saber que vou observar o comportamento do rato e muito legal e importante pra minha formaçao.

  21. Derol disse:

    Tais paradigmas funcionam muito bem na explicação do comportamento através da função (adaptação), o que é lógico e racional em organismos 100% biológicos, no caso humano, onde estamos passando por profundas mudanças sócio-culturais e provavelmente essas mudanças (funcionamento interno) devem estar sendo passadas a nossos descendentes, existe a questão da plasticidade cerebral, ou seja, não poderia-mos estar nos tornando muito mais seres culturais do que “simplesmente biológicos”, ou seja, como explicar o comportamento através de certos condicionamentos sendo que, cada vez mais há um milhão de fatos abstratos (cultura) que a cada dia nos separam um pouco mais de determinismos biológicos, sendo o ambiente humano modificado a tal ponto, que este já não necessita mais de certos recursos para sobreviver (pelo menos a curto prazo)?

    • Adriano Santana disse:

      Muito interessante essa pergunta. Ela leva em consideração a definição mais atualizada do sujeito, que é em suma um ser biopsicossocial. Ou seja, carrega uma carga genética (biológica), uma carga psicologia (conteúdo mental, consciente e inconsciente) e uma carga social (cultura). Então, o comportamento é em síntese, um resultado de três variáveis altamente complexas que se combinam em diferente graus na “fórmula” que nos define. Em uns, a carga genética fala mais alto e afeta a psique e o social noutros, a balança muda e a psique se impõem a genética redefinindo seu determinismo e consequentemente modifica seu ambiente social e por fim, a cultura social modela nossa genética e psique definindo quais aspectos do EU é mais relevante nas relações interpessoais definindo o comportamento. De qualquer forma, temos a função e as variáveis, mas seus valores mudam a casa dos bilhões, ou seja, um valor para cada ser humano!

  22. Olá Priscila.
    Quando se deparar com a diversidade muti-facetária que envolve o campo da ciência, da dança, da ginástica ou do esporte em geral, espero que entenda a importância de se estudar psicologia no curso de Educação Física. Não se iluda imaginando que ficará quatro anos numa quadra esportiva “aprendendo” a ser “educador físico”.

  23. Tania disse:

    vc pode me dizer de qual a referencia bibliográfica deste seu estudo?
    estou precisando da teoria do Reforço de Skinner para minha monografia e tá dificil de achar.
    Obrigada
    Tania

  24. Camila disse:

    É importante que o fazer de um organismo tenha sempre uma e mesma consequencia? porque?
    Obrigada!

  25. Thalita disse:

    Como pode ser explicada a relação entre o que o organismo faz e as consequencias que esse ato provoca no ambiente?

  26. Francisco disse:

    Cara gostei da sua explicação, meus parabéns é isso ai,realmente é muito complicado clarear a mente de algumas pessoas pq falar de pscicologia requer um bom desempenho de seus conhecimentos.

  27. jaqueline disse:

    adorei o Texto, Muito pratico e dinamico, Muito ajudou. :)

  28. Alexandre disse:

    do {
    something();
    if(something == success)
    do_it_again++;
    else
    do_it_again–;
    } while(do_it_again > unreasonable_behavior);

    Inteligência artificial! lol (espero que a identação seja mantida)

  29. Alexandre disse:

    *do_it_again–;

  30. Jose disse:

    realmente as pessoas entendem que ao citarmos ir a um psicologo e sinonimo de que a pessoa esta louca. no entanto não é bem isso!!!

  31. Raskol disse:

    Como assim condicionamento de células neuronais?

    Poderia indicar a referência?

    abraços

  32. […] a busca pelo bom e a fuga do ruim quando estamos diante do desconhecido. [Psych Classics/Science Blogs/Top Documentary […]

  33. […] Poxa, até mesmo comer uma mísera pipoca se torna martirio, não sei porque esse procedimento me lembra um pouco a caixa de Skinner. […]

  34. […] sob outra perspectiva. No fundo, defendo que sentir o Qi nos pontos de acupuntura e nos meridianos não é mais que condicionamento psicológico e vontade de acreditar aliado a uma ausência patológica de cepticismo […]

  35. […] dificuldades para se concentrar. Para resolver o problema, Sheldon sugere o uso de técnicas de condicionamento operante (que Howard chama de “modificação de comportamento”, um termo ultrapassado, utilizado […]

  36. Simone Pereira disse:

    Muito bom.

  37. Luciane Rodrigues De Souza disse:

    Gostaria de saber se comportamento operante é o mesmo que condicionamento operante.

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