Psicológico

Psicologia e a Ciência do Comportamento Humano

Felipe Epaminondas


Psicólogo e professor na ULBRA em Itumbiara, com especialização em Psicopatologia Clínica e mestrando em Esquizofrenia na PUC-GO.

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Ritalina: A solução para seus problemas?

Category: Psiquiatria
Posted on: março 9, 2009 7:51 PM, by Felipe Epaminondas

Em um outro post sobre um vídeo do Bart Simpson com TDAH (Déficit de Atenção e Hiperatividade) acabei comentando sobre a Ritalina, que é hoje o medicamento mais prescrito em casos como este.

Para satisfazer mais minha curiosidade, fui atrás de mais informações e vou citar aqui o que li no incrível livro "O Cérebro do Século XXI", escrito pelo neurocientista Steven Rose:

"O peremptório Diagnostic and Statistic Manual, com base em dados dos Estados Unidos, agora inclui como categorias de doenças o transtorno opositor desafiante, o distúrbio do comportamento destrutivo e, mais notavelmente, uma doença chamada de distúrbio de hiperatividade e déficit de atenção, que supostamente afeta até 10% das crianças pequenas (principalmente meninos). o 'distúrbio' é caracterizado por fraco desempenho na escola e incapacidade de se concentrar nas aulas ou de ser controlado pelos pais. Supostamente é consequência de função cerebral defeituosa associada a outro neurotransmissor, a dopamina. O tratamento prescrito é um remédio análogo à anfetamina, chamado Ritalina. Há uma epidemia mundial crescente de uso da Ritalina. Dizem que as crianças não tratadas apresentam um risco maior de se tornarem criminosas, e há uma literatura em expansão sobre 'a genética do comportamento criminoso e anti-social'. Será esta uma abordagem médico-psiquiátrica apropriada para um problema individual, ou um quebra-galho barato para evitar a necessidade de questionar a escola, os pais e o contexto social mais amplo da educação?" (pág.14)

"...não há dúvidas que a Ritalina 'funciona', como no testemunho de crianças entrevistadas (...). Entretanto, a Ritalina não 'cura' o TDAH mais que a aspirina cura a dor de dente. Mascarar a dor psíquica indicada pelo comportamento destrutivo pode propiciar um espaço para pais e professores respirarem e para a criança negociar um relacionamento novo e melhor; mas, se a oportunidade não for agarrada, mais uma vez vamos nos encontrar tentando ajustar a mente, em vez de ajustar a sociedade." (p. 289).

Fiquei até sem palavras!

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from Notícias do Dia - 11/03/09 « Psicologia - FQM on March 11, 2009 9:37 PM
from Notícias do Dia - 11/03/09 | Psicologia e Análise do Comportamento on March 11, 2009 9:39 PM
from TDAH nas escolas | Ciência e Psicologia on March 12, 2009 1:04 AM

Comments (27)

1

"a genética do comportamento criminoso e anti-social"
Agora vc imagina carregar um estigma como esse!

Posted by: Luciana | março 9, 2009 10:05 PM

2

a conclusão foi d+

Posted by: FranChico - Hora de Relaxar | março 10, 2009 1:18 AM

3

um livro interessante sobre déficit de atenção: http://cienciaeideias.blogspot.com/2009/01/o-brilho-da-pouca-ateno.html

Posted by: maria | março 10, 2009 11:15 AM

4

No fim da tese de doutorado, tendo que defender aquela m., desenvolví uma crise depressiva. Procurei um psiquiatra e saí de lá com uma receita de antidepressivo. Parei de chorar. Mas a vontade não passou. Os experimentos continuavam a não funcionar. O diálogo orientador-aluno ainda era ruim e, enfim, todos os questionamentos continuavam os mesmos! Mandei o remédio se catar e comecei a fazer terapia. Voltei a chorar. Mas aos poucos, fui desenovelando os nós e resolvendo os pontos de conflito. Resultado: a tese voltou a andar, defendí no ano passado e a depressão se foi! Sem antidepressivos. Não digo que não há um fundamento neuroquímico, mas se a base ambiental não for trabalhada, de nada adianta equilibrar a neuroquímica. Aliás, a neuroquímica pode ser equilibrada alterando-se o ambiente, não só com remédios de ação local.

Posted by: Giselle | março 10, 2009 4:25 PM

5

daqui a pouco estamos igual ao filme Minority Report!

Posted by: Felipe Epaminondas | março 10, 2009 10:28 PM

6

Legal! Vou ouvir a entrevista que o autor citou no site e darei meu parecer em seguida! :)

Posted by: Felipe Epaminondas | março 10, 2009 10:30 PM

7

Adorei seu depoimento! Que bom que conseguiu melhorar, melhor ainda sem o uso de medicamentos! Defendo a visão do autor do livro que citei: embora os medicamentos ajudem, a resposta está na verdade muito mais além dele! Muito obrigado por dividir sua história conosco!

Posted by: Felipe Epaminondas | março 10, 2009 10:32 PM

8

Epaminonfas, seu blog é muito bem informado! Está no meu, claro.
Gstaria de esclarecer sobre o uso de ritalina, de forma entendível. Na verdade existem duas formas de procedimento.
1. Administra-se ritalina como tentativa de acelerar as trocas neuronais necessárias na parte do cérebro responsável pelo contrôle de impulsos, frustração....
2. Ou administra-se neuroléptico, carbamazepina ou outro indicado para atuar na desaceleração de pensamento e agitação interna(ou externa). Na verdade a pessoa aí é tão atenta que se perde entre vários estímulos.
Abraço!

Posted by: Noeliza | março 11, 2009 2:14 AM

9

Escrevi em mozilla, talvez seja melhor apagar e eu escrever via internet explorer.

Posted by: Noeliza | março 11, 2009 2:16 AM

10

giselle, tenho uma experiência que completa essa sua - ao mesmo tempo concorda e mostra que não há uma resposta única. também tive depressão quando devia estar acabando o doutorado. a terapia não saía do lugar, eu não conseguia pensar nem reagir nem ter vontade de mudar as coisas. nem chorar. pedi antidepressivo e concordei quando a terapeuta (que é psiquiatra) me lembrou que o medicamento não substituiria a terapia. não substituiu, mas reequilibrou a química do cérebro e tornou a psicoterapia possível. o final também foi feliz - tese feita, já não tomo remédio nem faço terapia.

Posted by: maria | março 11, 2009 3:03 PM

11

A ritalina vem realmente sendo muito utilizada, mas considero perigosas associações do que alguns consideram patologias, se é que assim podem ser chamados possíveis comportamentos futuros, mas de qualquer forma, tudo o que a ciência tem compreendido e explicado tem solucionado com medicamentos e tratamento o que é muito bom.

A ciência tem também, em grande parte dos casos, explicado as razões para o surgimentos de tais patologias o que nem sempre é observado haja vista a existência de determinada droga para "solucionar o problema", o que sempre fica como um contorno rápido, um atalho, sem compromisso com a causa inicial.

Tomo antidepressivos para poder manter-me estável, pois quando enfrento elevados níveis de estresse começo a apresentar traços de depressão que foi diagnosticada por um psiquiatra. Tenho amigos em situação semelhante e um primo teve que recorrer à ritalina para poder concluir as fases finais de sua graduação.

Após todo o comentário deixo a simples opinião de que ao menos pra mim, se faz necessária uma maior compreensão por parte da sociedade como um todo em torno desse tipo de problema, para que os remédios não acabem tornando-se o soma da nova geração. Conheço pessoas que recorrem a medicamentos como pílulas da tranquilidade eterna, viciados literalmente, sem perceber que o meio em que se encontram deveria ser alterado de forma a fazer desaparecer a patologia da qual foram clinicados. Essa parte me faz pensar e em seu texto gostei da atenção dada a ela.

O que importa para o homem é o homem, infelizmente nem todos possuem essa consciência. Belo blog, estarei retornando para conferir os novos posts.

Faltava um blog sobre assuntos mais importantes do que vídeos do youtube (que foram os únicos que andei visitando durante um tempo).

Abraços!

Posted by: João Laureano Leme | março 20, 2009 11:46 AM

12

NÉRD

Posted by: Andre Falido | outubro 21, 2009 10:20 AM

13

Se vc mesmo diz " embora o medicamento ajude" porque esse discuros virulento e preconceituoso contra o mesmo ?

Porque combater algo que, comprovadamente ajuda muitas pessoas ?

Não é possível falar bem da necessidade de psicoterapia sem falar mal do medicamento ? #que como vc mesmo reconhece, é benéfico#. Ou tudo tem que ser uma guerrinha tola entre psiquiatria x psicologia ? porque não utilizar o E em lugar do OU ?#medicamento E psicoteria, não, medicamento OU psicoterapia#.

E vc tenta no início do texto, tenta desdenhar o enquadramento médico do TDAH. Se vc realmente é um daqueles que pensa que o TDAH não existe, vc não tem a menor idéia do assunto que está tratando.

Posted by: Miranda | outubro 25, 2009 12:29 AM

14

olha eu queria saber quanto tempo antes devo tomar RITALINA
pois eu preciso fazer teste de voltante e nao consigo e prentendo tomar esse medicamento ...obrigado se tiver uma resposta pra min

Posted by: iracema | novembro 3, 2009 12:40 AM

15

Sou TDAH e tenho reais melhoras no meu comportamento depois do uso da Ritalina, mas é mesmo algo cronico. É para o resto da vida. Só eu sei o que sofri na minha juventude e infancia por insencibilidade dos professores com o meu caso... fui muito humilhado, e mesmo embora conciente do meu estado não havia condições pessoais de superação para viver uma vida normal... hoje posso até viver normalmente, mas preciso do remédio para o resto da vida...

a sociedade não está preparada para nós DDA's nós é que temos que buscar um ''encaixe'' nos padrões...

abraço

Posted by: Júlio Cesar Proença | novembro 7, 2009 4:55 PM

16

um neuro acaba de indicar Ritalina para meu filho de 07 anos após relatorio da escola e de uma psicopedagoga que o observaram durante algum tempo,meu medo é que por se tratar de uma droga existem risco de dependencia.
mesmo que se confirme TDAH qual o percenual de susesso para um tratamento não medicamentoso?

Posted by: marcio | novembro 11, 2009 9:28 PM

17

um neuro acaba de indicar Ritalina para meu filho de 07 anos após relatorios da escola e de uma psicopedagoga que o observaram durante algum tempo,meu medo é que por se tratar de uma droga existem risco de dependencia.
mesmo que se confirme TDAH qual o percenual de susesso para um tratamento não medicamentoso?

Posted by: marcio | novembro 11, 2009 9:30 PM

18

Marcio, seu filho provavelmete não necessita de forma alguma de nenhum estimulo externo para realizar suas tarefas e levar a vida em frente, na verdade ele vai se deparar com TDAH pelo resto da vida, e vc n vai querer drogalo com "anfetamina" substancia encontrada em diverças drogas ilicitas... Procure um terapeuta, um naturologo ou até mesmo um psycologo que possa os ajude a resolver esse possivel problema de uma maneira q n traga nenhuma agreção quimica a seu filho, bem pelo contrario que o estimule a ser quem ele é de fato sabendo lidar com seus próprios impulços, anceios e assim por diante...
A respeito da dependencia Marcio, o efeito da ritalina eh comparavel ao da cocaina, leberaçao de dopamina e ceretonina... reflita sobre isso amigo

Posted by: gui. | novembro 14, 2009 8:15 AM

19

Qria usar ritalina alguém indicaria onde encontro?

Posted by: Dinho | novembro 19, 2009 4:34 PM

20

@ gui:

Deixa de falar merd* seu imbecil!

Ritalina NÃO causa dependência química, seu projeto de asno. Quiçá "comparável" a cocaína! Essa é boa...

E o que vem a ser leberação e ceretonina?

Vá limpar chão seu inútil!

Posted by: José Henrique | novembro 20, 2009 11:17 AM

21

meu filho de 13 anos esta tomando ritalina ha 2 meses. Percebi que esta mais nervoso, agressivo e voltei à medica. Então ela receitou desipramina. Estou preocupada, se causa dependencia e por quanto tempo ele tera que usar. Percebi uma melhora muito grande com a desipramina, deixando ele mais calmo, sociavel. A desipramina causa dependencia? Não existe outra droga que trate hiperatividade e deficit de atenção, mas que deixe ele calmo, tranquilo, sem necessitar de um anti depressivo?

Posted by: luciana | novembro 21, 2009 9:49 PM

22

Luciana,eu não consigo entender pq pessoas em sua situação ficam fazendo esses tipos de indagações. Por que vc não faz as perguntas ao médico que receitou seu filho? Se não confia, pq não procura outro profissional? É evidente que o uso da Ritalina no caso de seu filho não teve sucesso, mas o médico mandou descontinuá-lo, certo? e é assim mesmo! As medidas nnão são regras gerais. Não existe receita que irá funcionar para todos os casos. Tente conversar melhor com os profissinonais aos quais confia a saúde de seu filho e, caso não seja suficiente, existe uma gama de materiais online abertos para pesquisa! Vá à luta! não espere que alguem aqui tenha a solução ideal para o problema do seu filho, já que nem o médico que teve a oportunidade de acompanhá-lo de perto, conseguiu sua confiança!

Posted by: Alan Louback | novembro 26, 2009 9:08 AM

23

Tenho 31 anos e há 2 anos houvi falar em Défits de atenção, na época estudava muito para concurso e percebia que tinha uma dificuldade enorme em me concentrar. Semana passada resolvi fazer o P300 e o neurologista confirmou que tenho Défits de atenção, mas não me acho hiperativa pelo contrário vivo "viajando na maionese" e sou extremamente calma. Como atualmente não trabalho e não dei continuidade aos meus estudos para concurso, a médica achou melhor não receitar medicamento, mas quando retornar e sentir dificuldades, pediu para procurá-la. Pelos relatos que leio, acho que às vezes necessitamos,sim, dessas drogas lícitas para podermos ter mais qualidade de vida.

Posted by: Carmem | novembro 26, 2009 2:41 PM

24

Caros, apenas sofrendo do distúrbio para saber o que é. É muito fácil julgar o tratamento, mas controlar uma onda de pensamentos no cérebro e perda de concentração constante não é nada fácil. Se alguns usam a ritalina para outros fins, infelizmente é da natureza humana. Agora, os que realmente necessitam da medicação para tentar aplacar a angústia e a distração típicas do TDAH não podem ser colocados na mesma categoria. Um cérebro constantemente em curto circuito, como apenas quem sofre do distúrbio conhece, gera muitas dificuldadesem um mundo onde se prega a organização.

Posted by: Jose Leandro | dezembro 26, 2009 8:26 AM

25

Afe! Fácil falar em mudar algo que já nasce com a pessoa, ou seja, um problema no cérebro ou uma vida angustiada, marcas profundas não se esquecem assim, com palavras. Cada pessoa é diferente e cabe a si mesma decidir o que a torna mais feliz. Ritalina não causa dependencia, uso e me sinto muito bem, mais feliz. Tenho um problema que terapia nenhuma cura. Parabéns para aquelas pessoas que conseguem, não é o meu caso, nasci assim. Quando viajo ou saio de férias, fico até mais de um mês sem Ritalina e não acontece nada a não ser ficar com a memória lerdinha como antes. Então, não fiquem querendo dar uma de médicos. As pessoas preferem acreditar em alguém que escreve um blog ao crer em um médico experiente. Esse daí tá recém formado, v~e-se logo pela foto, se for dele mesmo. Experimentem, se fizer mal, não usem!

Posted by: Mary | dezembro 30, 2009 12:34 PM

26

Até quando aqueles que carregam um fardo chamado "Déficit de Atenção" vão ser vítimas do preconceito da sociedade moderna? Déficit de Atenção não tem nada a ver com depressão ou qualquer outro problema, aliás quem ajuda aos portadores a chegarem à estados psíquicos de depressão são esses idiotas que continuam com o mesmo discurso de que é vagabundagem, preguiça, falta de vergonha, rebelde sem causa e etc. Quem não tem essa porcaria, por favor não nos julgue, pq vc não faz a mínima noção de como isso é um problema sério e que pode nos levar a graves problemas de saúde. A Ritalina não é legal, supermaneira, q dá vontade de tomar de sobremesa. Quem usa esta medicação para outros fins está atrapalhando àqueles que precisam da medicação para darem prosseguimento a suas vidas pessoais, profissionais e acadêmicas, deixando na mídia e na sociedade uma baita má compreensão do problema todo. Não sou nenhum porta-voz dos portadores e nem quero ser, mas já encheu o saco esse bando de ignorante dar veredictos à respeito de uma parada que não fazem noção do que é, isso tem q ser tratado como doença! Lembrem disso!

Posted by: Thiago | janeiro 28, 2010 2:39 PM

27

Descobri recentemente que sofro do transtorno do deficit de atenção. Quando criança ou adolescente não apresentava problemas na escola, porque apesar de não prestar atenção àquilo que não me interessasse, desenvolvi um método próprio de estudos. Mas lendo uma entrevista e posteriormente um livro, ambos da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, percebi que uma série de características minhas estavam atreladas ao transtorno.
Menciono estas características no sentido de poder ajudar outros que tenham o mesmo tipo de problema:
Desvio freqüente da atenção
Desorganização
Perda constante de objetos (documentos, chaves, carteira, cartões, etc)
Procrastinação
Esquecimentos (deixar a chave na porta da casa, onde deixei o carro,etc)
Dificuldade em permanecer em atividades obrigatórias
Não vejo problema algum em tomar um medicamento para um problema de origem neurológica. Devo iniciar um tratamento com Ritalina, com a mesma tranqüilidade e com o mesmo cuidado que iniciaria um tratamento para pressão alta.
Porque tais características estão associadas a minha personalidade, não as vejo necessariamente como desejáveis. Alguém disse no fórum que temos que ser o que somos , mas também podemos desejar transformações e elas podem envolver química, porque a vida também é química, é corpo.
Não me perece existir uma razão para deixar de tratar um problema, porque este está atrelado à mente, a menos que se considere mente tão somente como uma alma iluminada e se negligencie sua materialidade.

Posted by: Nini | fevereiro 9, 2010 10:17 PM

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