Psicológico

Psicologia e a Ciência do Comportamento Humano

Felipe Epaminondas


Psicólogo graduado e com especialização em Psicopatologia Clínica pela PUC-GO. Atualmente fazendo mestrado em esquizofrenia também na PUC-GO.

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Autismo e agressividade: existe relação?

Category: BehaviorismoPsicopatologiaVídeos
Posted on: junho 16, 2009 11:00 PM, by Felipe Epaminondas

Recebi alguns comentários interessantes após postar o último vídeo sobre autismo: me perguntaram se aquele garoto era realmente autista pois ele parecia calmo demais. Também me enviaram (na verdade minha irmã me enviou) este depoimento incrível de uma mãe cujo filho autista, mesmo após receber tratamentos na infância, foi se tornando cada vez mais agressivo. Decidi então discutir estes assuntos neste post, junto com a segunda parte dos vídeos do Princeton Institute.

Estes vídeos, infelizmente, não mostram como os garotos estavam antes da intervenção - o que é uma pena - mas pelo menos mostram alguns procedimentos da Análise Aplicada do Comportamento e sua enorme eficácia. Quando olhamos os resultados até parece que o procedimento é simples, mas o trabalho é muito difícil, assim como comentaram no outro post!

Uma destas dificuldades está em identificar o que está interferindo e mantendo os comportamentos do autista, pois o diagnóstico sozinho não explica quais variáveis controlam os comportamentos-problema e portanto não possibilita um tratamento eficaz.

O problema é que quando falamos em comportamentos, não estamos acostumados a investigar as variáveis que os rodeiam (como em que momento ele ocorre, com que pessoa, em qual situação, etc). No texto citado, ela fala muito em ataques de raiva e agressividade que ocorrem "do nada", sem explicar a situação em que ocorreram. Oras, nenhum comportamento vem do nada! Curiosamente, em alguns momentos o texto nos dá pistas do que realmente ocorre com o garoto: em um momento é dito que ele roubava coisas e trocava por favores sexuais, em outro ele dá em cima de uma garota e após ser repreendido, a ataca - estes exemplos já sugerem uma falta de habilidades sociais. Foi também dito que ele teve acompanhamento quando criança, mas e quando adulto? O único citado foi um que ensinava jovens adultos inteligentes (como ele) a fazer calculos de primário - uma vergonha. Em um outro momento ele ainda diz "eu odeio ficar enjaulado", mas por desinformação acabou enjaulado não só fisicamente atrás das grades mas também mentalmente: dopado por diversos medicamentos.

Enfim, o autismo não causa agressividade. Qualquer pessoa pode se tornar agressiva, seja ela autista ou não. Deve-se investigar em cada caso o que estaria mantendo a agressividade, pois, mais uma vez, nenhum comportamento vem do nada!

Agora uma história feliz! Notem como a orientadora ressalta a importância do profissional ir até o ambiente da criança para identificar os comportamentos a serem ensinados, ou seja, identificar os comportamentos, suas variáveis de controle, e possíveis intervenções.

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Comments (3)

1

Felipe, o link para o texto está com erros.
Precisa remover o " target=" acrescido ao final.

Posted by: Cícero | junho 17, 2009 4:02 PM

2

Corrigi o link, obrigado pelo aviso Cícero!

Posted by: Felipe Epaminondas Author Profile Page | junho 17, 2009 7:43 PM

3

Eu achei super triste o depoimento da Ann Bauer. Se você clicar nos links, vai achar um outro texto dela que chama "Psych meds drove my son crazy" que conta a época em que o filho dela tinha 17 anos, ficou deprimido por muitos meses depois que foi rejeitado por uma garota, e começou a tomar antidepressivos - e depois antipsicóticos. Eu acho que a autora da a entender que a transição da adolescência, a "autistic catatonia", e os medicamentos -que não eram necessários- fizeram ele ficar pior. Né?

Posted by: natalia | junho 18, 2009 2:52 AM

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