Autismo e agressividade: existe relação?

Recebi alguns comentários interessantes após postar o último vídeo sobre autismo: me perguntaram se aquele garoto era realmente autista pois ele parecia calmo demais. Também me enviaram (na verdade minha irmã me enviou) este depoimento incrível de uma mãe cujo filho autista, mesmo após receber tratamentos na infância, foi se tornando cada vez mais agressivo. Decidi então discutir estes assuntos neste post, junto com a segunda parte dos vídeos do Princeton Institute.
Estes vídeos, infelizmente, não mostram como os garotos estavam antes da intervenção – o que é uma pena – mas pelo menos mostram alguns procedimentos da Análise Aplicada do Comportamento e sua enorme eficácia. Quando olhamos os resultados até parece que o procedimento é simples, mas o trabalho é muito difícil, assim como comentaram no outro post!
Uma destas dificuldades está em identificar o que está interferindo e mantendo os comportamentos do autista, pois o diagnóstico sozinho não explica quais variáveis controlam os comportamentos-problema e portanto não possibilita um tratamento eficaz.
O problema é que quando falamos em comportamentos, não estamos acostumados a investigar as variáveis que os rodeiam (como em que momento ele ocorre, com que pessoa, em qual situação, etc). No texto citado, ela fala muito em ataques de raiva e agressividade que ocorrem “do nada”, sem explicar a situação em que ocorreram. Oras, nenhum comportamento vem do nada! Curiosamente, em alguns momentos o texto nos dá pistas do que realmente ocorre com o garoto: em um momento é dito que ele roubava coisas e trocava por favores sexuais, em outro ele dá em cima de uma garota e após ser repreendido, a ataca – estes exemplos já sugerem uma falta de habilidades sociais. Foi também dito que ele teve acompanhamento quando criança, mas e quando adulto? O único citado foi um que ensinava jovens adultos inteligentes (como ele) a fazer calculos de primário – uma vergonha. Em um outro momento ele ainda diz “eu odeio ficar enjaulado”, mas por desinformação acabou enjaulado não só fisicamente atrás das grades mas também mentalmente: dopado por diversos medicamentos.
Enfim, o autismo não causa agressividade. Qualquer pessoa pode se tornar agressiva, seja ela autista ou não. Deve-se investigar em cada caso o que estaria mantendo a agressividade, pois, mais uma vez, nenhum comportamento vem do nada!
Agora uma história feliz! Notem como a orientadora ressalta a importância do profissional ir até o ambiente da criança para identificar os comportamentos a serem ensinados, ou seja, identificar os comportamentos, suas variáveis de controle, e possíveis intervenções.

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Discussão - 5 comentários

  1. Cícero disse:

    Felipe, o link para o texto está com erros.
    Precisa remover o ” target=” acrescido ao final.

  2. Felipe Epaminondas disse:

    Corrigi o link, obrigado pelo aviso Cícero!

  3. natalia disse:

    Eu achei super triste o depoimento da Ann Bauer. Se você clicar nos links, vai achar um outro texto dela que chama “Psych meds drove my son crazy” que conta a época em que o filho dela tinha 17 anos, ficou deprimido por muitos meses depois que foi rejeitado por uma garota, e começou a tomar antidepressivos – e depois antipsicóticos. Eu acho que a autora da a entender que a transição da adolescência, a “autistic catatonia”, e os medicamentos -que não eram necessários- fizeram ele ficar pior. Né?

  4. marcia nunes disse:

    achei muito interessante e informativo o vídeo. Trabalho com autistas numa escola, e realizo um trabalho semelhante ao que assisti nestes vídeos, porém, no decorrer dos dias, aparecem novas situações e dúvidas.Gostaria de poder trocar idéias e informações sobre este trabalho. Gostaria de um contato para isto.
    obrigada.
    Márcia nunes

  5. Mariane disse:

    Bom dia, lí seu texto e achei interessante a sua colocação sobre autismo.
    Percebemos uma mudança comportamental em nosso filho e descobrimos ser autista. Um dos momentos mais difícis em lidar com ele é em relação à agressividade.
    Você disse em seu post que podem ocorrer situações em que causam esse desequilíbrio podendo levar à crises agressivas, porém em meu caso em muitas vezes elas se dão em vista dele próprio “cavar” a sua crise agressiva como por exemplo fazer de tudo para ser chamado atenção e a partir daí, ter sua crise.
    Realmente é muito difícil lidar com esta parte. Temos o tempo todo que criar estratégias para educar sem ser permissivo demais. Para mim ainda é uma incógnita mas o princípio de tudo é a aceitação.
    Mariane

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