Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída

Tive sempre uma enorme imaginação quando se tratava de contar para minha mãe onde e como passava meus fins de semana.

20090713_christianef1.jpgTaí um livro que eu nunca me canso de ler! Nele Christiane conta um pouco sobre sua história de vida, principalmente nos momentos recheados de drogas e prostituição. Diferentemente dos filmes que tratam do assunto, o foco não é só esse, por exemplo, leva aproximadamente 1/3 do livro até ela tomar sua primeira dose de heroína. Tudo isso para conhecermos bem a sua infância e a de seus amigos mais próximos.
Nessas primeiras 100 páginas é fácil ver como o ambiente dela nunca foi dos melhores: criada em um bairro sujo e cheio de bêbados dormindo na rua, apanhando do pai junto com a irmã e a mãe, em um condomínio onde nada era permitido Christiane foi aprendendo a se divertir quebrando as regras. Participava de um grupo de acolhimento para jovens onde se encontrava com os amigos para fumar maconha e brigava com os professores na escola – que ela odiava por ser de má qualidade e somente estimular a competição entre os alunos. E isso não é quase nada perto das histórias de alguns dos seus amigos.
Mas a gente até se identifica com muitas passagens do livro como ir à uma boate pela primeira vez e se sentir deslocado, procurar aceitação de uma roda de adolescentes ao andar com eles pela primeira vez ou sentir nojo ao olhar pessoas usando drogas.
O notável é que, talvez por falta de opção, esses fatos eram os que mais prendiam a atenção da jovem Christiane, e em pouco tempo passou a ser o centro de sua vida: escalar cada vez mais, não no mundo das drogas, mas em seu grupo de amigos. Para ser bem aceita, e cada vez mais “descolada” o uso de drogas era algo natural. Infelizmente, em pouco tempo este uso de drogas não passou mais a ser controlado pela atenção social dos amigos, mas sim pelo alívio de sensações internas.

Naquela primavera de 1976, esperei em vão meu habitual sentimento de felicidade. Pensei: é impossível que a vida não se transforme em uma coisa mais bela quando o sol se torna cada vez mais quente. O tempo todo, porém, carregava um monte de problemas sem mesmo saber quais eram. Quando cheirava, os problemas desapareciam, mas havia muito tempo que isso não me satisfazia por uma semana.

Enfim, a dica está dada! É um ótimo livro para conhecer bem o que se passa na cabeça de uma jovem começando a criar seu próprio grupo social, em suas primeiras baladas e no abuso de drogas.
Vou deixar aqui em baixo o trailer do filme, que é bom, mas não chega nem perto do livro:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Discussão - 10 comentários

  1. Joel Vieira disse:

    Realmente muito interessante este livro. Eu o li há muito tempo foi uns dos primeiros livros que consegui ler do início ao fim, talvez por ser uma história real e tão emocionate prendeu minha atenção até o fim. Muito legal a breve análise do ambiente da Christiane, realmente foi muito conturbado. Me marcou no livro a tentativa de se livrar da dependencia das drogas, na qual eles se trancaram no quarto e ela dizia ” Detlef fedia mais que eu “. O final do livro nao é feliz. Quanto ao filme, é preferivel ler o livro hehe

  2. Lux disse:

    História exagerada de uma velha que ainda quer chamar a atenção.

  3. Felipe, publiquei no meu blog um complemento a esse seu post sobre como está Chistiane F. 30 anos depois da publicação do livro. Ela ainda luta contra a dependência de heroína, aos 43 anos… Triste!!!

  4. George disse:

    Felipe,
    Desculpe te dizer mas… infelizmente você está redescobrindo a roda.
    Esse livro FOI muito bom em um período (década de 70) quando a tradicional família capitalista (pai provedor, mãe zelosa e filhos dedicados) eram o padrão para a vida de todos.
    Hoje acredito que muitas família vivam experiências muito mais pretubadoras em seus coditianos do que as que são contadas.
    Eu li quando era pré-adolescente, e hoje eu vejo que o que ela conta é cotidiano para muitos.
    Infeliz realidade.
    P.S.: Como psicólogo você precisa recilar um pouco o que está lendo.

    • Inês disse:

      Não venhas aqui dizer que este livro não é bom quando ainda hoje consegue fascinar qualquer pessoa, passa de geração em geração e mostra uma triste mas verdadeira realidade! Agora pode ser uma realidade para muitos mas não foi a realidade dos outros que foi contada num livro que foi best seller e que agarra todas a cada pagina! Foi o da Christiane, portanto é respeitar e concordar que sim, é realmente um excelente livro que mostra a dura verdade que é o mundo da droga!

  5. Esse livro é muito bom. O li a bastante tempo, e fiquei muito impressionado. As passagens em que Christiane “tomava um pico” era como se eu sentisse a mesma sensação… recomendadíssimo!

  6. cynthia disse:

    Ola Felipe,adorei a indicação do livro, acho que ele pode ser util para sinalizar aos pais como começa esse mundo das drogas. Tambem acho muito dificil os pais não perceberem o envolvimento dos filhos , o que ocorre é que se eles ENXERGAREM o problema terao q tomar atitudes,e nao estão preparados pra isso…uma pena né?
    Agora acho que o GEORGE está muito equivocado sobre o papel de um psicólogo, recomendar esses livros “antigos”podem ajudar muito as familias que passam por essas dificuldades, e acho que toda ajuda é bem vinda a eles. Não é porque isso virou rotina para algumas familias que devemos cruzar os braços!abraço, cynthia

  7. Talvez um pouco desloucado ou não, lendo este post me lembrei de uma conversa na faculdade, mais ou menos assim:
    XXXX> Então, ela é muito inteligente, muito “cabeção”. Mas também é muito louca.
    XXXX> Ela apanhava do namorado, ele batia na cara dela. E ela ia a todas as festas, cheirava todas, bebia todas. E estudava muito.
    XXXX> Ela até foi internada. Teve um surto e tiveram que internar ela, foi de estudar demais.
    Eu> Ah tá… Ela bebia todas, cheirava todas, apanhava na cara, dormia pouco… E surtou de tanto estudar?
    Acredito que esse tipo de crença equivocada já tenha quase o status de lenda urbana. O pensamento por trás dessa crença me pareceu ser que o “muito louca” e os comportamentos de beber, usar drogas e apanhar, estavam associados a estar “vivendo e curtindo”. Seguindo o mesmo pensamento, o problema estava no estudo. Esse sim era maléfico, nocivo… Virtualmente tóxico. A argumentação que se seguiu foi um exemplo clássico de dissonância cognitiva:
    Eu> Vê bem o que você está falando: que ela bebia, cheirava e apanhava na cara, mas o que fez mal pra ela foi estudar demais.
    XXXX> Hã.. Ah… Ela estudava demais. É… Ela ia pras festas, bebia e cheirava todas, e até ficava de virada no outro dia pra estudar…
    XXXX> Hã.. Ela pirou de tanto estudar.
    Eu> É, assim como é sempre “a azeitona da empadinha” a culpada pelas indigestões.
    O livro Cristiane F. é realmente interessante, mas por outro lado, tanto o livro quanto o filme podem influenciar de forma negativa adolescentes que idealizam comportamentos autodestrutivos.

  8. lucia disse:

    olá bom dia gostaria de saber onde encontro esse livro. pois fiquei muito curiosa para ler.

  9. CRIS disse:

    Não gostei do livro, se trata de uma vida, e muitos se aproveitaram da venda do livro para ganhar dinheiro…. até hoje tem uma influência negativa para nossos jovens….

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. (*) Campos obrigatórios.

.

.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM