Dependência de substâncias: fisiológica ou psicológica?

20090713_christianef2.jpgO livro da Christiane F. pode até ser antigo, mas ainda serve como ótimo exemplo para os casos de abuso e dependência de substâncias, além de trazer ótimos insights como a inspiração para este post.
Primeiro, para esclarecimento, usa-se o nome abuso de substância para a pessoa que não é exatamente dependente da droga, mas que tem prejuízos pelo seu uso, como o estudante que perde aulas por consequência da droga ou alguém que repetidamente dirige intoxicada. Já na dependência há a necessidade de doses cada vez maiores para obter o efeito desejado, sintomas de abstinência com o uso reduzido, ocasional ingestão de quantidades maiores do que o pretendido, tentativas malsucedidas de cortar ou controlar o uso da substância e redução da participação em atividades normais sociais por causa do uso da droga.
Costuma-se dizer então que a pessoa apresenta crises de abstinência por uma dependência química, enquanto em outras situações há a dependência psicológica, como no caso do LSD, que dificilmente causa posteriores crises de abstinência mas pode fazer com que a pessoa, na próxima situação, se sinta incapaz de se divertir sem tomar sua dose.
Os momentos de abstinência do livro da Christiane são bastante chocantes, principalmente nos que ela está tentando largar a droga. Em meio a vômitos e tremedeiras, ela e seu namorado Detlef ficam imaginando um futuro “cor-de-rosa”, onde formariam uma família, teriam um emprego decente e uma casa bonita. Mas após todo o sofrimento e uns poucos momentos de sobriedade, é que a ficha cai:

“Falamos a minha mãe que tínhamos vontade de tomar ar fresco, pois acabávamos de passar a semana toda fechados em um quarto minúsculo. Ela aprovou: “Aonde vamos?” perguntou Detlef. Não tinha nada a lhe propor. Nos demos conta, naquele momento, de que não tínhamos mais onde ir. Todos os nossos amigos eram viciados. E todos os lugares que conhecíamos e onde nos sentíamos bem eram lugares em que nos picávamos. Encontrar os fumadores de haxixe? Não tínhamos mais contato com eles. […] O fato de não sabermos aonde ir nos deixava mais nervosos.”

Não basta simplesmente desintoxicar a pessoa, toda dependência vai além disso. Deve se também identificar as outras variáveis que mantém o comportamento do indivíduo e trabalhar em cima deles. Alguns bebem para não lidar com os problemas do dia, outros fumam maconha por pressão dos amigos e isso pode variar muito.
Christiane estava em um ponto que não tinha mais outra vida longe dos viciados, uma vez desintoxicada, o que ela iria fazer? Neste momento ela precisava de novos amigos, novas ocupações, novas fontes de lazer, mas acabou indo aos mesmos lugares de sempre e, infelizmente, sofrendo as mesmas consequências.
E aí vale a velha regra: se continuar fazendo o que sempre faz, terá o resultado que sempre teve!

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Discussão - 5 comentários

  1. Lucas disse:

    Olá Amigo, muito bom o texto, é realmente isto que acontece.
    Como ex usuário de maconha, o passo mais importante para eu ter deixado ela, foi refazer meu ciclo de amizades.
    No meu caso ter conhecido minha namorada. Note, é interessante daquele velho comentário que diz que aquele “malandro”, “tomou jeito” depois que conheceu a “fulana” tem um basamento neste teu pensamento.
    Está de parabéns
    abraço!

  2. Cretinas disse:

    Acho que foi Einstein quem disse que “loucura é continuar a fazer as mesmas coisas do mesmo jeito esperando um resultado diferente”.

  3. Lana disse:

    Curti o texto (na verdade, curti o blog! sou aluna de psicologia), mas será que a maconha faz realmente parte desse ciclo de drogas capazes de destruir alguem assim?
    A maconha possui um efeito diferente dessas outras citadas pela personagem acima.

  4. Realmente, a maconha tem um poder menor de dependência na pessoa, mas ainda assim é interessante avaliar a razão da pessoa a estar usando: se é por diversão, para relaxar, para fugir de problemas, pela onda, etc.
    Uma pessoa que usa da maconha com muita frequência pode ter problemas se um dia por alguma razão ela precisar cessar o uso, além de que outras razões podem fazer uma pessoa começar usando maconha e terminar em drogas mais pesadas.
    E mesmo que ela use só a maconha, deve-se lembrar que esta substância possue efeitos colaterais a longo prazo no organismo, como interferências na memória e fertilidade.

  5. Simone disse:

    Namorei um prof de história que fuma maconha à mais de 20 anos. Sempre fiz td pra ele, ams nunca concordei com esse uso de maconha, ele passa o dia em função disso. Hoje largamos e ele nem se importa com isso, foi apenas uma página virada, teve comportamentos de mau caratismo tb. Como podem achar que a maconha não unfluencia em nada na vida da pessoa?
    Adorei a matéria.

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