Transformando a sala de aula em videogame

20100403_wowscholar.jpgO lado ruim de se estudar comportamento é que a gente acaba ficando um pouco decepcionado com o modo como algumas coisas funcionam em nossa sociedade. É sério, tem MUITA coisa errada por aí, tanto que Skinner imaginou uma sociedade do futuro (que possui suas tentativas na vida real), e, mais recentemente, outro autor teve também a chance de imaginar uma sociedade assim.
E de todos os lugares, a sala de aula deve ser um dos que mais me incomodam. Ora, sabemos que reforço positivo é capaz de estimular pessoas em diversos comportamentos, e que punição e coerção não são métodos adequados de controle, gerando insatisfação e ansiedade na pessoa, mas mesmo assim nas escolas e universidades fazemos os alunos seguirem tarefas para evitar perder pontos (se esquivar de punição).
Lee Sheldon, professor de uma universidade em Indiana, teve uma ideia muito bacana em suas aulas: adaptar seu sistema de avaliação com o sistema de jogos online, como os MMORPGS.
A própria disciplina é sobre criação de jogos online, então no início da disciplina os alunos montam uma proposta do jogo que eles pretendem criar, e então a sala é dividida em guildas (grupos de 6 a 7 alunos) de acordo com suas habilidades.
O tempo de suas aulas são divididos entre enfrentar monstros (exercícios, provas, etc), completar missões (apresentações de trabalhos, pesquisa, etc) e trabalhos manuais (ler artigos, produzir trabalhos, etc).
Mas a melhor parte: os alunos começam com 0 pontos de experiência, ou melhor, sem nota nenhuma. A medida que ele vai cumprindo as tarefas propostas, ele ganha pontos de experiência, que aumentam seu nível, e, é claro, sua nota final. Então, por exemplo, montar sua proposta de jogo te dá 50 pontos, apresentá-lo para a turma te dá mais 25, e por aí vai: com 1200 você passa de nível, podendo chegar até o nível 12!
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O professor garantiu que este método é eficaz para deixar os alunos mais motivados. E não me surpreende, afinal de contas, deste modo eles estão recebendo feedback após cada tarefa realizada, e não uma nota no boletim depois de alguns meses. O reforçamento é mais eficaz quando apresentado logo após o comportamento. Vale a pena dar uma olhada no plano de ensino da disciplina.
Será que um dia ainda veremos alunos viciados em estudar?

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Discussão - 9 comentários

  1. Acho que o método dele não é apenas trocar notas cumulativas por XP, certo? MMORPGS funcionam pq vc ganha habilidades extras quando passa de nível. Como o professor implementou isso?

  2. Caro Felipe,
    Será mesmo que “nas escolas e universidades fazemos os alunos seguirem tarefas para evitar perder pontos (se esquivar de punição)”? Normalmente, numa universidade tradicional, o aluno sempre começa com nota zero e só ganha pontos se fizer adequadamente determinadas tarefas. Há lugares em que acontece o contrário?
    Por outro lado, eu, quando entrei na universidade, recebi um livro com disciplinas e uma grade para os quatro anos do curso. Cada disciplina que eu “eliminava” era como mais um nível da grade em que eu avançava. Logo, ao menos para mim, a coisa era bem parecida com um videogame, no sentido que era uma sequência de desafios a vencer. Não sei como é para todas as outras pessoas, mas acho que essa interpretação de que a escola é frustrante, repressora e desmotivadora é apenas isso, uma interpretação possível, cuja validade não é universal…
    Um abraço!

    • Raul Lopes disse:

      Há de se analisar uma coisa. A questão não cai muito em “começa com 0 ou com 10 pontos?”
      O estudante tem uma média a ser atingida, caso não realize os trabalhos ou tarefas de casa/classe, não atingirá essa nota. Tarefas desse tipo não são agradáveis à grande maioria dos estudantes, que as realizam assim mesmo.
      Sem entrar em detalhes, há de se concordar que o que funciona aí são, sim, contingências coercitivas. O Sr- impera nas instituições de ensino.
      Eu, particularmente, não fazia trabalhos na escola quando já havia atingido a média… nada de Sr+ para este tipo de atividade.

  3. Má B. disse:

    Como amante de World of Warcraft e estudante universitária, me sinto obrigada a dizer que a idéia é no mínimo interessante. Muita gente com certeza torceria o nariz para isso e diria algo como “Ah, para que, é a mesma coisa, só muda os nomes”, mas a idéia de fazer algo diferente é que dá um sentimento diferente para as pessoas. Deve ser no mínimo interessante, e qualquer didática interessante que um professor usa é válida =)
    Não dá mais para seguir no convencional, aulas atrás de aulas provas e aquele professor na frente falando a mesma coisa que estão nos livros. A gente quer mais, né.

  4. Em vez de pensar sobre a sala de aula, já fiquei tentando imaginar como seria nossa sociedade caso funcionasse com o sistema econômico de jogos como Ultima Online. Lá, sim, o poder aquisitivo distribui-se, de forma geral, por meritocracia, e só se torna indigente quem for preguiçoso.

  5. cayman disse:

    Ótima ideia e bem mais produtiva!!!!!

  6. Bruno Reis de França disse:

    Além de ser um proposta criativa, e até interessante para gamemaníacos, também foi uma forma inteligente de reforçar o comportamento ‘desejado’.

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