Cuidado com as teorias encantadoras

Acabei de ler este post incrível em um dos meus blogs favoritos de todos os tempos, o Neuroskeptic. Como acredito que ele não tem como melhorar, resolvi traduzí-lo aqui:

“Os antigos gregos tinham uma adorável teoria. Certos lugares da Terra (principalmente cavernas) eram portais para o ‘outro mundo’. Plantas que cresciam perto destes lugares podiam absorver a essência mortal de Hades e se tornavam venenosas.

Cobras e outras criaturas venenosas adquiriam seus venenos após consumir estas plantas. E insetos peçonhentos pegavam suas pequenas doses de veneno se alimentando de cobras mortas.

Não é uma ótima narrativa? Explica tudo em uma progressão lógica. Tudo bem que ela pressupõe uma força ‘sobrenatural’ como a origem última do veneno, mas além disso, é uma explicação inteiramente científica. De acordo com a Navalha de Occam, ela propõe um processo simples que unifica diversos fenômenos.

Ela é, em outras palavras, uma teoria científica perfeita. Está completamente errada, em qualquer ponto de vista, mas só sabemos disso porque hoje entendemos átomos, moléculas, química e bioquímica, coisas que os gregos antigos não tinham como conhecer. Na época, a Teoria de Hades era certamente a melhor teoria possível sobre a origem dos venenos.

A moral da história é: cuidado com teorias adoráveis baseadas em dados incompletos.”

Post: Neuroskeptic
Texto retirado do livro: Greek Fire, Poison Arrows and Scorpion Bombs

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Discussão - 12 comentários

  1. Bem, na verdade os gregos poderia testar essa teoria. Poderiam, por exemplo, cultivar plantas venenosas longe de cavernas; poderiam ainda explorar cavernas e ver que elas não se abriam para os ínferos onde Caronte poderia dar carona ao custo de um óbolo.

    []s,

    Roberto Takata

    • Fred disse:

      Se a mente é crente ela não testa, ela não se preocupa em duvidar, questionar ou colocar a prova, ela simplesmente acredita como verdade. Por milhares de anos a grande maioria das mentes era crente.

  2. laura disse:

    duas perguntas:
    isso quer dizer que as teorias atuais falam de entidades que são reais (átomos, elétrons e etc)?
    e ainda, elas nunca se mostrarão erradas?

    • Fred disse:

      Essas “entidades” reais que você citou são reais porque não só foram como são comprovadas a todo momento. Em qualquer processo de produção ou de tecnologia, desde o uso da energia elétrica, o desenvolvimento de produtos baseado em nanopartículas e até os colisores de partículas provam que essas “entidades” existem.

      A diferença entre crer que alguma coisa existe (como era no passado) e saber que alguma existe (pelo método científico) é só um detalhe muito simples, a existência da prova, obtida através de comprovação experimental na prática real e tem como base uma explicação teórica também, usando-se Matemática e Física Teórica.

      Mas depois que se prova algo, o que acontece, o conhecimento pára? Não, pode acontecer uma expansão. O átomo foi provado existir, depois provaram que havia um núcleo e o elétron, depois comprovaram existir os quarks, etc.. etc.. A ciência alavanca o avanço do conhecimento em cima das coisas que se provam.

  3. @Takata Pois é, não é muito difícil testar essa teoria… podiam pegar uma planta não venenosa e cultivar uma longe e uma perto da caverna, pronto! heheh

    @laura não que nossas teorias estejam erradas, mas a ciência sabe que a qualquer momento pode aparecer uma nova teoria que mude vários conceitos nossos. ao se deparar com uma teoria temos que ter o pé atrás e investigar as evidências e dados por trás dela, para termos certeza se ela é uma boa teoria ou só “enrolação”. gostei desse texto porque, pelo menos na psicologia, estamos cheios de enrolação ou “psicologismos”

    • Fred disse:

      Naquela época a mente consciente não tinha preocupação para provar que fosse diferente, imagine se alguém teria coragem de duvidar, que não era um deus que fazia os venenos, e logo o terrível Hades.

      Com a nossa mente de hoje, treinada para essas coisas, é fácil perceber como seria simples fazer um teste desses, mas é preciso contextualizar como era a vida e como funcionavam as mentes das sociedades naquela época.

      Aliás, hoje, mesmo no Século XXI, vê-se o mesmo perfil de mentes de milhares de anos atrás, você mostra a evidência comprovada de que o universo tem mais de 13 bilhões de anos e muitas mentes acreditam num mundo criado em seis dias.

  4. Adalberto disse:

    este post é incrível! Obrigado pela informaçã

    [email protected]

  5. Laís Xavier disse:

    A seqüência de simplicidade e lógica não é a mesma para todas as ciências.

  6. Rafael disse:

    Você está errado, Felipe. A tal teoria grega não sobrevive ao escrutínio da navalha de Ockham. Ela requer a invocação desnecessária de uma entidade chamada “Hades”, o que entra em conflito com o enunciado do princípio. Portanto, ela não está “de acordo”, mas em total desacordo com o que foi dito por William de Ockham.

    Sua entrepelada frase “De acordo com a Navalha de Occam, ela propõe um processo simples que unifica diversos fenômenos” é um bom exemplo de oxímoro.

    O que você disse equivale a querer invocar Darwin para explicar o Gênesis: “De acordo com Darwin, o livro do gênesis propõe um processo simples para explicar a origem da vida, que unifica diversos fenômenos”. ;-)

    • Concodo com você Rafael, mas como disse, o post foi somente uma tradução. Enquanto lia o post original pensei o mesmo que você. Acho que o melhor a fazer é colocar alguma nota ou comentário, né? Assim que tiver tempo farei isso! Obrigado!

    • Fred disse:

      Gênesis não explica nada, só desinforma. Saiu de uma ideia simplória de alguém que tinha apenas a consciência de que o tempo passava de um dia para outro, que havia uma sequencia de dias, que percebeu que havia tanta complexidade no mundo que via que achou que mesmo um ser superior não poderia tê-lo feito de uma vez. O Gênesis apenas reflete a pouca consciência que se tinha naquela época.

  7. Michael disse:

    Muito bom.
    Parabéns!!

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