“Novela da vida real” – como lidar com um paciente de saúde mental?

Acabaram de me enviar este vídeo de um caso do programa “Polícia 24 Horas” que mostra uma mulher bastante confusa em sua casa, denunciada por um vizinho:

Eu achei o vídeo interessantíssimo, e, embora uns podem o achar engraçado, a graça passa quando a gente se coloca no lugar da família – imagine como é viver nesta casa. Daí o vizinho diz que ela maltrata os filhos (sem nem imaginar porquê), a mãe diz que ela tem depressão e quando surta fica assim e o policial diz que ela teve cinco depressões pós-parto (???).

Não dá pra gente dizer o que ela tem porque esse é só um pequeníssimo recorte da vida dela, mas um discurso confuso desse não é característico da depressão. De qualquer maneira, dar diagnóstico não é meu objetivo aqui (e nem seria possível).

O que me chamou mais atenção nesse vídeo é algo que pessoas que trabalham em saúde mental vêem com frequência: o despreparo da comunidade em lidar com pessoas com transtornos mentais. A mãe da paciente não sabe dizer ao certo o que a filha tem, não consegue ajudá-la a seguir o tratamento e diz ter dificuldade em lidar com seus surtos. As filhas aparentam estar amedrontadas frente à mãe (talvez por terem sido maltratadas antes) e o policial fala com base em ameaças como “eu não quero voltar aqui” e “você vai perder a guarda dos seus filhos”. Tudo que uma mãe quer ouvir durante um surto.

Mas o policial não tem culpa, nem a família dela. Não é culpa nossa se temos tão pouco investimento na área da saúde. Menos ainda na área da prevenção, pois uma família treinada para lidar com uma pessoa com um transtorno mental evitaria muitas dores de cabeça e quem sabe até algumas internações.

* tinha acabado de escrever este post e lembrei de alguns relatos de pessoas que trabalham em CAPS, dizendo que a presença em atividades voltadas à família, como palestras e orientações é quase inexistente. Oh well…

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Discussão - 4 comentários

  1. Aline disse:

    Esse tema é muito importante, parabéns pelo post! Depois da reforma psiquiátrica a família passou a buscar o apoio da polícia (porque antes era mais fácil abandonar o portador de transtorno), se eximindo da sua co-responsabilidade no tratamento do portador de transtorno. Eu só não entendo o que é isso… falta de conhecimento e informação ou esquiva mesmo???

    • É verdade Aline, não tinha pensado desse jeito… antigamente se abandonava o doente mental, depois a responsabilidade foi passada para os hospitais de internação e os médicos, agora com a desinstituicionalização a responsabilidade tá sendo jogada pra todo lado, inclusive a polícia!

  2. GM disse:

    “um discurso confuso desse não é característico da depressão. De qualquer maneira, dar diagnóstico não é meu objetivo aqui (e nem seria possível).”
    Eu fiquei intrigado do que poderia ser, já vi um episódio semelhante ocorrer com um familiar, mas até então não se repetiu, de qualquer forma, venho observando.

  3. Rose disse:

    Esse comportamento se parece muito com um que presenciei, com o apoio da família a pessoa foi “diagnosticada” como bipolar, foi medicada e depois de um tempo voltou a normalidade. Foi uma situação horrível.

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